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VIAGENS NA NOSSA TERRA

por Nuno, em 29.07.09

 

 

 

 

Desenganem-se aqueles que pensam que a qualidade de vida ainda se encontra nas grandes cidades como Lisboa ou o Porto.

Na semana passada voltei após um interregno de alguns anos a Braga e fiquei surpreendido pela positiva. Nesta altura a dita será já a terceira maior cidade do país em termos demográficos, tendo ultrapassado a Amadora. Braga cresceu imenso tendo abandonado aquele carácter marcadamente provinciano que a caracterizava no passado. Actualmente desfruta-se de todas as vantagens de uma cidade de média dimensão (como o sossego e cortesia dos habitantes) e de uma grande cidade, visto encontrarmos disponíveis todos os serviços a que estamos habituados em Lisboa (grandes espaços comerciais, cinemas, equipamentos desportivos etc etc).

Os espaços públicos estão limpíssimos, os grafites nas paredes são inexistentes, os jardins extremosamente cuidados.

 

 

 

Os bracarenses mostram um orgulho e gosto na sua cidade que já não se encontra em Lisboa. Os edifícios antigos são por regra preservados e restaurados minuciosamente, trata-se de uma cidade com “alma”.

 

 

 

Encontrei turistas de todas as proveniências aos magotes, contentes a deambular descontraidamente pelas ruas e cafés, sem qualquer sentimento de insegurança. Achei escandaloso ver que esta cidade relativamente pequena em comparação com Lisboa, tenha uma quantidade de cafés em número e qualidade que não encontramos na capital e que se mantém abertos até altas horas (2h da manhã).

 

 

 

A vida nocturna de Braga é animada, encontrando-se gente de toda as idades a passear à noite, existe ainda um culto da vida de cafés que se encontrava também em Lisboa até a insegurança se instalar. A qualidade da pastelaria é de elogiar, pelo que todos abusam um pouco nos bolos, perdurando ainda um certo hábito de jantar pesadamente.

Em torno de Braga desenvolveram-se grandes urbanizações de qualidade, no estilo das telheiras, mas mais arborizadas, servidas de Health Clubs (que também dispõem de uma boa oferta em termos de pastelaria) , espaços comerciais amplos e numerosos cafés de rua com amplas esplanadas. Os seus habitantes são gente jovem, normalmente quadros técnicos que em pouco diferem dos que encontramos em Lisboa. Existe uma extensa e concorrida ciclo-via que rodeia a cidade e que passa junto da mancha verde que a cerca.

Na ultima década surgiu uma certa classe de gente endinheirada, ligada como sempre ao poder político local e às construtoras (como a Braga Parques).

Portanto, temos Jaguars e Bentleys a circular nas ruas e lojas de marcas dispendiosas, vitrinas cheias de Laliques e mais uma panóplia de coisas do género.

Passeando no centro encontrei casualmente o realizador Manuel de Oliveira a lanchar calmamente num dos melhores cafés da cidade.

Um aspecto menos curioso do que pode à primeira vista parecer e que poderá explicar o tal clima de relativa segurança generalizada, é o facto de praticamente não ter encontrado imigrantes (só emigrantes de férias). Portugal é uma criação sobretudo das gentes do norte. Historicamente foi o dinamismo demográfico dessa área que permitiu povoar o país e alimentar a corrente emigratória. Mesmo actualmente com a redução da taxa de natalidade e envelhecimento da população portuguesa, o Minho é a única região que mantém ainda um certo crescimento demográfico. Portanto não existem postos de trabalho disponíveis para imigrantes estrangeiros.

Resumindo, penso que no momento presente a qualidade de vida em certas capitais de distrito menos descaracterizadas pela imigração e pelo gigantismo, é muito superior à que é desfrutada em Lisboa ou no Porto.

 

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publicado às 14:59


9 comentários

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De Margarida a 29.07.2009 às 15:18

A cidade alternativa ao Porto onde viveria sem um 'ai'!
Já lá trabalhei durante umtemporada e amei tudo.
O que escreve é verdadinha pura!
Dá gosto. Consola. Encanta.
Visitem!
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De João Pedro a 29.07.2009 às 17:01

E tudo isto apesar de Mesquita Machado e da priomiscuidade entre a câmara, o futebol, construtores locais e alguns sectores da igreja.
Mas é verdade que Braga é uma cidade atractiva (e já lá não vou há uns 4 anos) e dinâmica, com um património muito interessante (destaco o arquivo, ex-paço arcebispal, com 3 estilos diferentes) e a tal cultura de cafés de que o Nuno fala - como os clássicos Vianna, Brasileira e Astória.
Mas a qualidade de vida encontra-se em muitas cidades médias; periodicamente saiem estudos indicando que os locais onde melhor se vive no país são urbes como Évora, Aveiro, Guimarães ou Viseu. E em cidades mais pequenas, como Vila Real ou Viana, que são os exemplos que conheço melhor, também tiveram um surto de infra-estruturas que há vinte anos nem eram imaginadas.
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De Cristina Ribeiro a 29.07.2009 às 18:45

Verdade. Fora uns crimes de falta de verde junto aos muitos prédios que se construíram recentemente, fora do centro, que fazem lembrar formigueiros humanos, é bom viver numa cidade pequena, onde tudo está perto de tudo.Anda-se bem em Braga,sem grandes confusões.
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De Nuno Resende a 29.07.2009 às 18:44

Sou obrigado a discordar, mas percebo os seus pontos de vistas. Vivi lá quatro anos no final da década de 90 e confesso que, graças à Universidade, a cidade tinha alguma dinâmica, mas o centro histórico foi arruinado por sucessivos anos de más gestão urbanística e os subúrbios...um horror. Recentemente área metropolitana foi assolada por uma febre de rotundas, tudo para inundar o espaço o urbano com mais carros pois a rede de transportes públicos é uma anedota. Mas nem tudo é ou foi mau em Braga. A vida cultural singrou graças, sobretudo à iniciativa privada por influência de uma juventude muito activa e, sobretudo, com uma presença notável. Não fosse o mau planeamento e Braga poderia ser, à semelhança de Guimarães (essa sim, uma cidade com boa qualidade de vida) o pólo dinamizador das artes no Noroeste de Portugal...
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De Nuno a 30.07.2009 às 14:34

O meu conhecimento do país não é profundo, tenho andado mais lá por fora. Ouvi falar que Guimarães tem um centro histórico renovado e apelativo. O que pretendo dizer não é que Braga é o melhor sitio para se viver, mas antes que permite uma muito melhor qualidade de vida do que em Lisboa (que conheço muito bem). Lisboa são grafites, lixo, transito, confusão, agressividade e má educação etc etc . Portanto seja em Braga, Guimarães ou outra qualquer cidade diferente, a mudança é bem vinda.
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De CM a 30.07.2009 às 02:19

Uma cidade linda, maravilhosa para se viver. Fui lá o ano passado, comodamente no Alfa, ao Tribunal Administrativo.

Cheguei por volta das 10H, se não me engano, vi a minha papelada, visitei a Sé, participei de uma Missa e almocei numa bela esplanada. Vistas... lindas!

Depois de almoço, Tribunal com ele.

Ainda aproveitei o fim do dia para beber uma bela cerveja numa esplanada cheia de gente jovem e menos jovem, mas sobretudo descontraída e alegre.

E lá apanhei o Alfa para Lisboa, seriam umas 20H. Que cidade! De facto, perdemos muito com a (provocada) desertificação do interior do País: no litoral, de norte a sul, e sobretudo aqui em Lisboa, estamos todos a cair para o mar... sem necessidade. Mas a política de fomento do interior do país acabou em 1974.
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De Natálio Santos a 30.07.2009 às 04:50

Braga já está muito á frente do porto , principalmente em limpeza e segurança, e atenção que não sou nem trabalho em Braga, sou natural e vivo em Vila Nova de Gaia !!!
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De john a 30.07.2009 às 12:38

Em Braga nunca estive, mas estou curioso.

E apesar de viver em Lisboa, não me importaria nada de me mudar para uma cidade pequena e mais simpática. Por ser alentejano, e apaixonado pela minha terra, Beja ou Évora seriam naturalmente as primeiras escolhas (Évora com a vantagem de ser relativamente perto de Lisboa). Mas Viseu é uma cidade interessante (e o queijo da serra, meu Deus!), Aveiro também (ovos moles, ovos moles), e por o que oiço dizer, cidades como a Guarda ou Braga têm também o seu encanto.

Enfim, é um caso a pensar.
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De rui de brito a 31.07.2009 às 00:42

Bem escrito, bem observado e oportuno. Rui de Brito

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