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 Existe neste país um invisível fluído de parvoíce que a quase todos atinge. O presidente dos republicanos recebeu na Madeira, a visita dos reis de Espanha, motivando a usual azáfama em redor dos ilustres visitantes. Se a chegada de um presidente alemão, francês ou italiano passa sempre despercebida e remete-se a uma mera troca de condecorações intra-muros do vergonhosamente arruinado Palácio da Ajuda, a chegada de um príncipe, grão-duque ou rei - mesmo tratando-se de representantes de minúsculos Estados -, reveste-se imediatamente de uma importância que coloca problemas ao sofrível serviço de protocolo republicano. Os enxames de assessores (de facto, são mais "acessores") não fazem a mínima ideia - ou pior, talvez nem se atrevam a sugerir - de como industriar o casal presidencial acerca dos usos e costumes de um meio para o qual não foram preparados e as gaffes, perfeitamente desculpadas pelos visitantes, nem por isso passam despercebidos à corrosiva opinião dos mais atentos.

 

Parece uma obsessão, esta nossa marcação constante aos passos dos sucessivos inquilinos do antigo Paço de Belém e existem duas corriqueiras explicações para este escrutínio: a primeira diz respeito à nossa oposição ao regime actual e a segunda, advém sobretudo da astronómica despesa que este representa. De facto e sem contarmos com o insólito peso da representação regional nos Açores e na Madeira, a chamada "presidência da república" é um fosso de despesismo que a ninguém poderá passar despercebido, dada a gritante e dificilmente ocultável evidência. Em conformidade com os desmesurados gastos, espera-se o desempenho impecável do exercício da representação nacional, coisa que muito raramente acontece. Desta vez a estroinice é na Madeira, onde existe formalmente um "Representante da República" com competências protocolares, palácio à disposição e toda a despesa inerente. Estando o sr. Cavaco Silva no arquipélago, competir-lhe-ia receber os visitantes de forma condigna, mas tal não aconteceu. O rei João Carlos e a rainha Sofia  foram conduzidos a uma recepção num hotel, ficando o citado palácio do "representante" fechado a sete chaves, talvez justificando a permanente guerrilha existente entre os representantes republicanos de Lisboa e um Governo Regional que melhor faria em proclamar desde já a Monarquia na ilha, reconhecendo D. Duarte II.

 

Está bem, compreende-se esta mania hoteleira, porque a sra. Dª Maria talvez estivesse assim mais perto de uma rica cozinha, mesmo à mão para propiciar alguns daqueles petiscos fritos tão apreciados pelo seu risonho esposo. Além do mais e depois dos episódios pitorescos ocorridos nas grutas da Capadócia e no catanço às Edelweiss em Sal-tze-burregue (1) - na perfeita pronúncia da dita faladora senhora -  esta visita à Madeira decerto proporcionará mais uns capítulos de soap-opera. Coisas da república (2)...

 

 

* Como prova de boa vontade e de amizade, o governo português podia colocar hoje na fronteira espanhola, os etarras que vivem como "refugiados políticos" em Portugal, sob uma inexplicável protecção que nos envergonha.

 

(1) The hills are alive.... with the sound of music...!

 

(2) Quem as quer que as pague!

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publicado às 12:38


1 comentário

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De Margarida a 31.07.2009 às 14:56

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