Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os Calimeros do costume...

por Nuno Castelo-Branco, em 06.08.09

 

 Uns meses decorridos após a Revolução de 1640,  o governo de D. João IV condenava severamente os principais mentores da "conspiração reaccionária habsburgo-olivariana" (assim a designando, em memória das "saudosas" palavras de ordem do PREC).  Perante a rápida acção bragantina de manifestação do novo estado de coisas, Filipe IV exclamaria:

 

- "Agora sim, o Duque de Bragança tornou-se mesmo rei de Portugal!"

 

Serve este episódio da petite histoire, para ilustrar o que se tem passado no PS e no PSD. Tanto José Sócrates como Manuela Ferreira Leite impuseram uma elaboração de listas ao Parlamento que contempla quase exclusivamente, os elementos da sua confiança ou que publicamente apoiam as actuais lideranças. Fizeram bem e estão no seu pleno direito. O direito pertence-lhes por eleição em Congresso e a atitude manifesta a firmeza da chefia, ao afastar elementos potencialmente perturbadores da  estabilidade da respectiva maioria. Ao mesmo tempo, fasez o ajuste de contas que há muito se previa. Saltaram borda fora sampaístas, gueterristas, soaristas, segureiros ou alegretes. Ficam a fazer renda os santanistas, menezeiros, mendistas, os pedr'ó-passoscoelheiros, etc e etc. 

 

Não se trata de aqui afirmar qualquer opinião de simpatia para com estas direcções partidárias, mas tão só reconhecer  a razoabilidade da decisão que de cima chegou. Assim deve ser, para uma clarificação do que está em jogo.  

 

A próxima legislatura será talvez uma das mais complicadas de toda a história do regime da 3ª república e não existe qualquer hipótese do escrutínio eleitoral ditar uma maioria absoluta. Deste modo, teremos um  normal recurso a negociações e ao constante contar de espingardas. Porque "carga d'água" os chefes dos partidos do poder, hão-de comprometer uma solução governativa, por nem sempre poderem contar com a obediência na própria bancada na Assembleia? São perfeitamente dispensáveis os episódios de queijos mais ou menos mal-cheirosos, as birras do sector fadisto-poeteiro, os falsos "independentes" e outras tantas habilidades que o eleitor nem se dá ao trabalho de verificar.

 

Sócrates e MFL fizeram a limpeza à casa e esta é mais uma razão para no futuro, não encontrarem argumentos desculpabilizadores e de auto-comiseração. 

 

Ontem, Manuela Ferreira Leite tornou-se verdadeiramente na reconhecida e proclamada chefe do PPD.

 

O que não se entende, é o recurso às habituais queixinhas de uns que fizeram exactamente o mesmo serviço com toda a presteza e vêm agora apontar o dedo ao comparsa do lado. Sabendo todos que neste caso é-se preso por ter ou não ter cão*, resta-nos encolher os ombros e aproveitemos  estas noites quentes  para saborear uns gelados**.

 

 

* Imaginemos se MFL tivesse cedido? Hoje, o PS estaria a acusá-la de fraqueza, ausência de liderança, amálgama de contrários, etc.

 

**   Um cone com bolas de dulce de leche e morango, da Haagen Dazs

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:54


2 comentários

Sem imagem de perfil

De João Quaresma a 06.08.2009 às 22:56

Então mas a avó Manela não era a única pessoa capaz de meter na ordem a criançada (i.e., unir o partido)? E agora exclui o menino Pedrinho, que é militante desde que deixou de usar fraldas (coitadinho, agora tem de voltar para empresa...) e dá chupa-chupa à menina Zézinha, que nem sequer tem cartão e é amiga do Antoninho Costa?

Muito feio, muito feio. E depois admiram-se que a criançada só berra e faz traquinices. Sobretudo se, no final de tudo de tudo, não houver lanche para ninguém.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 08.08.2009 às 14:49

Globalmente, estou de acordo. O meu maior problema não é MFL ter optado por um núcleo mais ou menos duro de pessoas em quem pensa poder confiar. É tê-lo escolhido entre políticos com mais passado que futuro (e, especialmente, com mais passado discutível que visão de futuro). E depois há ainda as questões dos arguidos e dos filhos dos presidentes de Câmara. São, no mínimo, maus indícios para quem defende rigor e frontalidade. Quanto a Sócrates, fez o que se esperaria: negociou a saída de Alegre e aproveitou para empurrar alguns dos correligionários dele, escolheu de forma a não gerar grande contestação interna e foi buscar um par de troféus para fingir renovação e abertura à esquerda bloquista. Mas para Sócrates era mais fácil: afinal, ainda é o líder que deu ao PS uma maioria absoluta. Apenas se perder as eleições terá outros para além de Alegre a questionar seriamente a sua liderança.

(De acordo também quanto aos gelados, mas vou trocar a bola de morango por uma de butter pecan, ok?)

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas