Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Ultraje republicano

por Nuno Castelo-Branco, em 12.08.09

As mutiladas Armas Nacionais no forte de S. Bruno , em Caxias (Lisboa)

clique sobre as letras a vermelho no texto, p.f.

 

 

 O móbil é sempre o mesmo: dinheiro. A falta de um argumento fulminante, incontroverso e implacavelmente baseado na justiça da Lei, encontra sempre na reles ameaça de conquistar pela extorsão, aquilo que não se consegue pela Razão.

 

Já teve início a esperada mas intempestiva reacção das elites do pançismo imperante.  Na república  dos comendadores laureados num qualquer 10 de Junho passado - ou a isso aspirantes no futuro - , vociferam  aqueles que invariavelmente beneficiam do conhecido efeito da mobilidade, transitando de um Conselho de Administração ou de um qualquer Conselho de Estado, para a barra do banco de réus de um tribunal. São estas tão castas como glabras inteligências, que se oferecem agora para defender a "república", ou melhor, aquilo que mais os preocupa: a sinecura de onde pingam os trocos para o tabaco ou o carrito de 100.000 Euros posto à disposição pela colectividade.

 

Os pobres coitados, indignam-se pelo alegado "ultraje" à Bandeira Nacional.  Mas qual Bandeira Nacional? É que em termos simbólicos, aquela que há dias foi festiva, corajosa e legalmente hasteada durante meio dia (!) na varanda da CML,  é hierarquicamente muito superior ao pendão camarário. Não existe qualquer tipo de comparação a fazer. A chamada bandeira azul e branca é de facto, um símbolo histórico nacional e quem a desrespeitar incorre no crime de ofensa ou ultraje. Por exemplo, nas grandes cerimónias evocativas da História de Portugal ela está sempre presente, assim como hoje mesmo pode ser normalmente vista e respeitada no Colégio ou Academia Militar. É a incontornável verdade que a Lei dita para todos e que a própria parada militar no 10 de Junho de 2009 confirmou. 

 

Ultraje, dizem  os pandorgas da situação. O grotesco reside no facto de serem exactamente os mesmos que se reclamam herdeiros daquele bando de energúmenos que no 5 de Outubro de 1910 arriaram, rasgaram e queimaram a Bandeira Nacional (azul e branca) que estava precisamente no mesmo mastro onde o 31 da Armada a Restaurou! Pior, a turbamulta do prp patrocinou autênticos Autos-da-Fé que após todo o tipo de ignomínias, incineraram no Rossio, Terreiro do Paço, Restauradores e Rotunda, milhares  e milhares de Bandeiras Nacionais. Essa mesma Bandeira Nacional adoptada pelas Constituintes saídas da Revolução de 1820 e à sombra da qual se assinou a abolição da Pena de Morte. Exactamente a mesma bandeira que garantiu para a língua de Camões, o enorme espaço que hoje orgulhosamente crismamos de PALOP; a mesmíssima bandeira dos tempos da promulgação do Código Civil, do desenvolvimento do Fontismo, da normalidade do Parlamento como órgão de soberania. 

 

A mitragem  açulada por hedonistas milionários  como o Relvas ou o Grandella, durante meses dedicou-se à mutilação do Escudo das Armas Nacionais em todo e qualquer edifício público, esmagando a camartelo o testemunho de quem o tinha construído para o uso da comunidade nacional. Departamentos do Estado, escolas, liceus, hospitais, pontes, palácios, estações de correios e de comboios, chafarizes, nada, mas nada escapou à sanha iconoclasta. E falam eles hoje de ultraje?!  É a orgulhosa e arrogante exibição da prepotente ignorância.

 

Ainda há uns dez anos, o dr. Sampaio deu ordem de restauro das Armas Nacionais que o chafariz da "Almirante Reis" ostenta, repondo a coroa portuguesa no sítio onde se encontrava antes da depredação de 1910. Neste caso, honra seja feita a Jorge Sampaio, assim como a João Soares que nos tectos da própria sede dos Paços do Concelho, desvelou as Armas Reais - que são as históricas Armas Portuguesas- , que se encontravam tapadas por apressada pintura de há décadas.

 

Com a atitude do 31 da Armada, foi para sempre pelos ares, a chacota dos "bigodes retorcidos, fados e touradas". Como monárquicos e bons portugueses, seremos sempre incapazes de qualquer tipo de ofensa à actual bandeira que representa o actual Estado. Nela estão bem visíveis as armas reais de sempre - as quinas e os castelos -, as Armas de Portugal. O nosso próprio Rei sob as  suas cores combateu em África, enquanto muitos daqueles que hoje se sentem "ultrajados", contra a bandeira da "república" - e aquilo que significava - se manifestavam no remanso confortável e subsidiado do estrangeiro.

 

Processar, acusar de criminoso e de vandalismo um patriota* como o Rodrigo? Se assim for, o regime comete um erro fatal que desmentirá uma ladainha de 90 anos, a mantra do preso político. A Europa conhecerá o episódio e felizmente, hoje é impossível calar tantos e por tão pouco. Quem provoca os problemas, deles terá de se desenvicilhar.

 

Desde já manifesto ao 31 da Armada, a minha disponibilidade para ser arrolado como participante moral no acto.

 

 

 

* Que não conheço pessoalmente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:54


2 comentários

Sem imagem de perfil

De http://bacharelsocrates.blogs.sapo.pt/ a 12.08.2009 às 23:15

Um cidadão português espezinhou a bandeira portuguesa em frente ás camaras de televisão e em seguida foi eleito por dois mandatos presidente da república.

O precedente de desrespeitar o simbolo nacional foi ele o único a praticar.

Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 12.08.2009 às 23:42

Diz-se isso, mas as provas jamais apareceram. Onde estão?

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas