Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Notas soltas

por Silvia Vermelho, em 22.09.09

1) O mérito a quem de seu:

 

The Portuguese Socialist Party, first winner of the PACE Gender Equality Prize.

 

Creio que, internamente, o que há a premiar é o ambiente favorável que foi criado na colocação das questões da igualdade de género, o aproximar do lobby ao poder institucional. Jorge Lacão esteve sempre presente. O resultado na Lei da Paridade foi uma vitória, apesar de haver outras áreas onde o avanço foi pouco ou nenhum (nas questões LGBT, por exemplo), e outras até mesmo um retrocesso. No entanto, no contexto Europeu, com a campanha Europeia 50/50, a componente política da Igualdade de Género pesou mais. É compreensível.

 

2) Resposta adiada, desde já com muitas desculpas, seguiu por comentário, dada a extemporaneidade da questão. O Verão foi passado de roda do Relatório de Estágio, uma ou outra actividade, e as viagens do costume (Lx-Mgl e vice-versa) pelo que não houve tempo para mais nada.

 

3) Um sentido agradecimento às/aos comentadoras/es dos posts do Samuel e do João, e também a estes, pela referência. Foram quatro anos atribulados, sempre entre Mangualde e Lisboa (Trieste entra em cena no último ano). O que mais guardo destes anos de Licenciatura são as viagens constantes no Intercidades verdinho, de Mangualde para Lisboa, de Lisboa para Mangualde, e a incerteza de dizer quando estava a chegar e quando estava a partir. A incerteza mantém-se... a identidade também: é hoje múltipla e ainda bem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:12


14 comentários

Imagem de perfil

De Afonso Miguel a 22.09.2009 às 19:33

Parabéns pela licenciatura. Agora está na hora de descobrir que ter um canudo de pouco serve neste país se o compararmos com o que acontece lá fora.

Quanto a questão da igualdade de géneros, não consigo que alguém me dê uma resposta minimamente aceitável quanto à validade do pressuposto de que o mesmo número de mulheres na política, por exemplo, é factor de qualidade (e vice-versa). Muito menos que isso justifique legislação favorável a essa situação! Eu percebo o lado "afectivo" da agenda, até o histórico, só não percebo onde fica o mérito...

Cumpts
Imagem de perfil

De Silvia Vermelho a 22.09.2009 às 22:24

Se calhar andou a procurar nos sítios errados, há muita gente que pode dar respostas muito satisfatórias, com conhecimento de causa.

Em primeiro lugar, a Lei da Paridade - ou Paridade, apenas - (sim é melhor paridade, porque assim discute-se genericamente a ideia em vez do diploma jurídico de 2006) não foi "inventada" para existir o mesmo número de mulheres na política. Nem sequer o mesmo número de mulheres e de homens. A Paridade, e também no diploma legal Português, existe para agir proactivamente numa evolução que, a ser natural, se assemelhava lenta, demasiadamente lenta, para dar resposta a jovens que estão a crescer no ambiente propício para se quebrarem as diferenciações nos papéis sociais de género. A acção positiva no campo da paridade e da política prevê que haja um limiar mínimo de um dos sexos nas listas candidatas. O PS escolheu 33%, o limiar mínimo falado pel@s perit@s costuma ser apontado nos 40%. Em termos pessoais, sempre disse que 33% me faziam lembrar quotas de leite, isto é, é um número demasiado caprichoso e politizado e menos científico do que o que devia.

Tendo em conta que o sexo menos activo nas Democracias Europeias, e falemos concretamente em Portugal, tem sido as mulheres, por razões historicamente entendidas: andavam os homens já a brincar aos Parlamentos e as mulheres ainda nem tinham direito ao voto. Portanto foi uma marcha lenta na conquista de todos os outros direitos em prol da igualdade, mas a política manteve-se um bastião quase irremediavelmente masculino, fruto do compadrio e da política de "clubs", "jobs for the boys" (até aqui se nota a masculinização dos cargos de poer) que, naturalmente, manteve a política num círculo fechado, demasiadamente fechado, onde a penetração de pessoas fora do círculo era difícil mas para as mulheres, com políticas deficitárias de conciliação profissional e familiar, problemas de assédio no trabalho, diferenciação salarial e outros tectos de vidro, era ainda mais difícil.

Se a masculinização parlamentar e dos executivos foi um processo artificial, também o pode ser a paridade, a Democracia Paritária. Não é uma acção positiva para uma minoria da população, nem se destina tampouco às mulheres, mas sim a toda a população. O mérito não se coloca em questão quando, por exemplo as mulheres estão em grande maioria na frequência do Ensino Superior e na obtenção da Licenciatura e do Mestrado. Ou seja mesmo que a captação de pessoal para as listas fosse feita com uma rede de pescado, numa amostra aleatória, a acreditar nas estatísticas, teríamos até, academicamente, uma maior probabilidade de sucesso feminino do que masculino. E é um facto de que, não sendo monopólio desta, a instrução é um factor importantíssimo no desenvolvimento de qualquer função.

Uma acção positiva, qualquer uma que seja, é uma acção necessariamente temporária. Esta, a Lei da Paridade, terá que ser acompanhada por um trabalho multifacetado e transversal em todas as outras áreas. Se há fortes lobbies que não deixam a classe política esquecer que são necessárias medidas de incentivo para a projecção pública de todas/os as/os membros da sociedade, sendo que neste caso os partidos, profundamente masculinos, são "obrigados" a pescar mulheres, esses mesmos lobbies também não deixarão esquecer que é necessário remover o monopólio da esfera privada que a sociedade continua a dar às mulheres, privando os homens do exercício harmonioso da paternidade, por exemplo, e condicionando-os culturalmente na escolha que deveria ser livre de profissões ligadas à prestação de cuidados.

Enfim, mas quanto à Paridade, recomendo uma leitura muito interessante: "Afinal, o que é a Democracia Paritária?", que poderá consultar e adquirir gratuitamente (segundo penso) na CIG, na Avenida da República em Lisboa.
Imagem de perfil

De Afonso Miguel a 22.09.2009 às 23:12

Minha cara,

As mulheres têm os mesmo direitos no acesso a cargos políticos, sem tirar nem pôr, que os homens. Acho pois redutor e altamente discriminatório que exista uma lei que lhes garanta uma quota através a falsidade de uma premissa quantitativa e não qualitativa. Por outro lado, arrepia-me sempre que se legisle no sentido de alterar fenómenos sociais que, só por si, e atendendo à igualdade de oportunidades já garantida pela própria lei, não são injustos mas apenas expressão de algo que não cabe a essa lei decidir como norma.

Por isso, centro a questão e repito: apresente-me a validade do argumento igualitário do ponto de vista qualitativo (aqui pode generalizar) e que possa forçar que um direito passe a dever imposto por lei.

Cumpts
Imagem de perfil

De Silvia Vermelho a 22.09.2009 às 23:23

As mulheres, no que à esfera pública diz respeito, têm os mesmos direitos em termos legais mas têm dificuldades de acesso que diz respeito aos tais tectos de vidro, barreiras invisíveis condicionadoras de pensamentos e acções e que urge combatê-las porque a inacção pertence à besta enquanto a acção é monopólio do ser humano.

"não são injustos mas apenas expressão de algo que não cabe a essa lei decidir como norma" -> está a propor uma institucionalização predominante do direito consuetudinário?


Quanto à pergunta, quer dizer exactamente o quê? Qual é o ponto de isto qualitativo? E qual é o direito que passou a ser dever?

"apresente-me a validade do argumento igualitário do ponto de vista qualitativo (aqui pode generalizar) e que possa forçar que um direito passe a dever imposto por lei"
Imagem de perfil

De Afonso Miguel a 22.09.2009 às 23:45

Não, não estou a propor um direito absolutamente consuetudinário, embora considere que nem tudo careça de estar presente na lei escrita, por duas razões: primeiro porque há elementos que não são passiveis de serem alterados pelo poder temporal, como os valores absolutos que, naturalmente, inspiram a lei. Deve haver sim quem os garanta, mas não quem os possa revogar. Segundo, porque o argumento igualitário não tem justificação qualitativa, ou seja, não é objectivo que a política beneficie necessariamente por serem mulheres ou homens a exercê-la. Por outro lado, relembro que não existe nada que impeça a participação feminina em pé de igualdade de oportunidades e que acarrete um atropelo directo àquela igualdade de oportunidades. Pode dizer-me: as mulheres não conseguem subir na carreira política tão facilmente como os homens porque há forças de bloqueio. Pois bem, mas não compete à lei quebrar essas forças por questões de agenda ideológica, sob pena do inverso: um sistema legalista que necessariamente espartilha a liberdade de acção.

Portanto, não faz sentido que a garantia legal do direito de participação política de um género passe a obrigação imposta pela lei. Por esse andar, estabelecer-se-iam progressivamente quotas a todos os sectores, pelo menos na reserva inicial de vagas, o que não sentido absolutamente nenhum nem nega a ilegalidade de não respeitar o dever (esse sim dever legal) de não discriminação sexual no acesso ao cargo.
Imagem de perfil

De Silvia Vermelho a 23.09.2009 às 10:49

Isso da lei escrita é outra história que, a desenvolver, tomar-nos-ia eternidades. Até porque, sendo a lei em questão uma medida de acção positiva e a desaparecer em seu tempo, era algo que teria mesmo de estar escrito. E, naturalmente, mesmo nas terras Inglesas, as leis ordinárias do Parlamento são escritas.

“Não é objectivo que a política beneficie necessariamente por serem mulheres ou homens a exercê-la”

Tal como não era objectivo que as engenharias beneficiassem se houvesse mulheres a exercê-las, ou a direcção de empresas ou outras profissões e cargos que se mantiveram profundamente masculinizados durante anos. Sinceramente, o objecto da intervenção política não é a política per se. O objecto da política somos nós, cidadãs/ãos individuais, a promoção dos seus interesses na harmonia dos interesses do todo. Este é a importância do “argumento igualitário” que, felizmente para nós, o Afonso Miguel não era Constitucionalista em 1976 ou então nem teríamos esse garante contra a discriminação sexual de que fala ;), porque tal valor absoluto que não coloca em questão foi e continua a ser frequentemente desrespeitado.
Em igualdade de oportunidades, não há atropelos directos, indirectos, invisíveis, seja lá o que for, que mereçam ser menosprezados em detrimento do atropelo legal. Sabemos que os laços do social são muito mais fortes do que os laços do legal, mas a intervenção legal pode representar um elemento proactivo de mudança desse social. Como aqui. Se não compete à Lei, compete a quem, quebrar as forças de bloqueio? Aos lobbies? Pois bem, estão presentes para isso. Às ONGs? É vê-las a trabalhar. Aos MS/NMS? Certamente importantes. Às/aos cidadãs/ãos individuais? São a grande força do colectivo.
Isto para dizer que a destruição das “forças de bloqueio” não é algo que o tempo se encarregue de fazer. O tempo é apenas um instrumento que tem agentes que se mobilizam e são mobilizados (Poder institucionalizado e os diversos tipos de agrupamentos da sociedade civil), e devem concertar-se a fins de produzir uma acção homogénea e decidida.
E essas “forças de bloqueio” são sinónimo de discriminação sexual. Se a discriminação não existisse bem inculcada na sociedade, não se havia prosseguido para uma Constituição que acautelasse isso. Tal como agora, se não continuasse a existir discriminação que não legal no acesso aos cargos políticos, não teria havido necessidade de protecção legal. A liberdade de associação fica minada quando, na condução dos destinos da res publica, as mulheres que representam 52% da população e que estão em maioria no Ensino Superior, ficam de parte nessa associação. E atenção ao léxico, esta medida de acção positiva não pode ser considerada uma medida de quotas pelo menos no sentido tradicional, que foi o que usou, quando aludiu à imposição de quotas em todos os “sectores”. É que as quotas de minorias étnicas, por exemplo, destinam uma porção de qualquer coisa a uma minoria étnica específica. Esta lei prevê que uma porção dos lugares seja destinada a um dos sexos – não há aqui um objecto específico, porque o seu objecto é a própria sociedade e as suas “forças de bloqueio”, não é uma lei destinada a beneficiar um grupo ou outro. Ou seja, acautela que, no futuro, não haja o inverso, isto é, um excesso de feminização das listas políticas. Até que a própria sociedade e as dinâmicas democráticas ganharão força e maturidade, e deixarão de ser necessárias medidas de acção positiva.
Imagem de perfil

De Manuel Pinto de Rezende a 22.09.2009 às 21:10

Silvia, a Lei da Paridade foi uma vitória... para o PS, certo?
Imagem de perfil

De Silvia Vermelho a 22.09.2009 às 22:01

Não apenas, mas também para as/os anónimas/os apoiantes, activistas etc, da causa, n@s quais eu me incluo e, acima de tudo, para a sociedade em geral.
Sem imagem de perfil

De Miguel Neto a 23.09.2009 às 12:06

Neste assunto concordo com o Afonso Miguel. Em minha opinião penso que esta Lei não foi a vitória de nenhum partido, foi uma vitória do "politicamente correcto". No limite e simplificando, numa lista poderá ser impedida a inscrição de um homem empenhado e capaz, por uma mulher menos capaz e pouco empenhada, que fosse "pressionada" por um qualquer partido para apenas puder cumprir a Lei.

Se concordasse com o princípio que suporta esta Lei teria que concordar também com, por exemplo, quotas para pessoas com mais de 65 anos.

A nossa sociedade está a evoluir de forma a que daqui a 20 anos, 60% das listas vão ser compostas por mulheres. Com ou sem Lei da Paridade. E nessa altura também acharei isso natural.
Imagem de perfil

De Silvia Vermelho a 23.09.2009 às 12:44

Também não acho que tenha sido uma vitória exclusiva do partido. Foi-o no quadro do CoE, aqui para nós, internamente, foi sem dúvida uma vitória dos lobbies que felizmente começam a pulular.

As pessoas com mais de 65 anos não representam metade da população. Para além de que, a continuarmos assim, não são precisas "quotas" para isso, uma vez que a nossa AR é idêntica àquela de há 30 anos atrás. Há trinta anos não tinham 65 mas agora andam lá perto.

A questão é sempre colocada como o Miguel Neto a colocou (e indirectamente o Afonso Miguel quando se referiu à questão do mérito): é sempre a contraposição do "homem empenhado e capaz" à "mulher menos capaz e pouco empenhada". O que é certo é que predominam o argumento de que temos, na nossa política, um défice de pessoas capazes, a "resistência" e até mesmo @s que estão "dentro" afirmam quase unanimemente que há pouca qualidade no desempenho dos cargos políticos. No entanto, fala-se em paridade, e de repente já há imensos "homens empenhados e capazes" nestas lides políticas que podem ser afastados por "mulheres menos capazes e pouco empenhadas". Por que há, tão repentinamente, uma transformação do discurso, em que as figuras de "políticos incapazes" se transformam subitamente em "homens capazes e empenhados"? Certamente concordamos que é necessário inculcar em Portugal um espírito de renovação da classe política, uma renovação contínua, e, se assim é, esta não é uma boa forma de colaborar nesse propósito? A substituição dos "homens empenhados e capazes" não pode ser feita por mulheres ainda mais "empenhadas e capazes"? Por que se escolhe sempre um caso marginal, ao desafiarmos as estatísticas? Mesmo que seja "no limite e simplificando"?

A partir do momento em que vivemos numa Democracia Representativa, mesmo que se tenda a privilegiar o elemento "representação" em detrimento da "representatividade", considero que a representatividade é um instrumento à concretização da representação e da Democracia Representativa. A divisão sexual é a divisão primária da Humanidade. Antes de haver velh@s e jovens, antes de haver branc@s e pret@s, existem mulheres e homens. O sexo é uma divisão transversal a todas as outras divisões e a mais importante delas todas, na medida em que não é um segmento de muitos, ou um segmento mínimo, é uma divisão mundial, uma diferença que se valorizada e percebida, só resultará em igualdade. Por razões históricas, pela construção artificial que é o social, homens e mulheres têm hoje concepções diferentes da vida e de si mesm@s, aspirações e dificuldades diferentes que só em conjunto poderão articular para o superar. Creio que é algo que ultrapassa o "politicamente correcto", porque a Paridade não foi particularmente bem recebida por tod@s, como se vê. Muitas hostes femininas se ergueram contra a Lei da Paridade, mas na realidade houve uma manipulação da informação de tal ordem que o que chegou às massas, trazida pelos média, foi a ideia de que a Lei da Paridade nasceu de um acaso socialista para haver uma quota de 33% para as mulheres entrarem na AR e nas autarquias. Não houve exploração dos propósitos, dos antecedentes, das posições e recomendações das UN e do CoE, não se explicou o conceito de democracia paritária, enfim, removeram-se todos os fundamentos técnicos, científicos, e ainda se acrescentou um mediatismo populista com a expressão "quota para mulheres"... Mas enfim, isto é o que se sabe, na Regionalização também muit@s houve que diziam não querer que Portugal fosse como Espanha com medo de ETAs... Mas já se sabe como é o provincianismo português (à la Pessoa).
Sem imagem de perfil

De Miguel Neto a 23.09.2009 às 13:32

Sívia Vermelho,

o que eu não defendo é a tendencia para a regulamentação sobre tudo e mais alguma coisa. Sobre a idade dos deputados (concordo que infelizmente quase não tem havido renovação no parlamento) estou contra é o estabelecimento de quotas. Mesmo que daqui a uns anos (com a evolução demográfica que temos tido) mais de metade da população venha a ter mais de 65 anos.

Não subscrevo a ideia da substituição de "homens empenhados e capazes por mulheres ainda mais empenhadas e capazes" nem o contrário. O que eu subscrevo é que todos os que forem empenhados e capazes se apresentem e que sejam eleitos pelo seu o mérito e capacidade e não pelo seu género.

Deconfio que há muitas mulheres (e alguns homens já agora) que acham que têm coisas mais importantes e mais úteis a fazer pelo país do que se sentarem num parlamento para serem "paus-mandados" das direcções partidárias, num sistema político que tem sido mais "parte do problema que parte da solução".

Genuinamente acredito que as mulheres estão um degrau acima dos homens na escada da evolução e que por isso muitas (e alguns homens) não sintam grande vontade de participar na nossa vida política. Mude-se, por exemplo, o sistema para o dos circulos uninominais e vai ver que rapidamente metade dos deputados passam a ser mulheres.
Imagem de perfil

De Silvia Vermelho a 23.09.2009 às 15:08

Atenção, eu não defendo quotas nenhumas para a população idosa. Apenas referi isso no meu comentário porque o Miguel Neto disse “Se concordasse com o princípio que suporta esta Lei teria que concordar também com, por exemplo, quotas para pessoas com mais de 65 anos.”, que é sempre o princípio da extrapolação argumentativa, ou “levando até ao limite e simplificando”, pelo que eu disse que seria um caso completamente diferente pelas razões acima explicitadas.
Eu também não subscrevo a ideia da substituição de “homens empenhados e capazes por mulheres ainda mais empenhadas e capazes”. Só o questionei porque é que, referindo uma situação limite da substituição, optou pela do “homem empenhado e capaz por uma mulher menos capaz e pouco empenhada”. Tinha a outra hipótese, a outra situação-limite, o outro extremo, no entanto quando discutem a paridade tod@s se referem a esse, é sempre a situação do mais mérito pelo menos mérito. Limitei-me a questionar por que, extrapolação por extrapolação, não a fazem em direcção ao extremo oposto…

Efectivamente, a forma como está construído o sistema político afasta pessoas competentes da política, independentemente do seu sexo. Mas isso é, também, outra história.

Quanto à escada da evolução, eu genuinamente acredito que esta se só se sobe de braço dado e a passos concertados. Nem uns nem umas à frente. A par.

Sidenote: o Miguel utiliza no seu segundo parágrafo a palavra “género”. Uma vez que neste caso se estava a referir ao facto de se ser homem ou mulher, deveria ter sido utilizada a palavra “sexo”, que remete para a componente biológica, a divisão primária que já falamos. O género é uma construção social.
Sem imagem de perfil

De Miguel Neto a 24.09.2009 às 12:37

Sílvia Vermelho,

eu penso que não deve existir descriminação de qualquer tipo. Negativa ou positiva. Neste caso, se eu concordasse com o principio de quotas para mulheres, possivelmente teria que um dia aceitar argumentos equivalentes e concordar com o estabelecimento de quotas para, e daí o exemplo, pessoas maiores de 65 anos.

Acredito em principios absolutos e universais. Confesso que tenho o "defeito" de usar a técnica matmática de reduzir ao absurdo (o princípio da extrapolação argumentativa) para tentar clarificar ideias e formar opiniões. Felizmente acho que tenho ao mesmo tempo a "virtude" de acreditar que o meu absoluto e universal é necessáriamente relativo e que o caminho até ele é de certeza diverso e tortuoso e aquele que eu "vejo diante de mim" não é o melhor ou o mais curto ou o que deve ser perciorrido por todos.

Quanto à situação-limite do “homem empenhado e capaz por uma mulher menos capaz e pouco empenhada”, teria utilizado a situação-limite oposta se estivesse a falar de estabelecer uma quota mínima para homens (com a qual também discordaria). Quis apenas dizer que a Lei das quotas (para mulheres ou homens) pode coduzir a situações em se tenha que trocar "alguém bom" por "alguém menos bom", apenas por necessidade de cumprir a Lei.

No entanto quero dizer que é para mim inaceitável retirar-se de uma lista uma mulher empenhada e capaz para se trocar por um homem menos capaz e pouco empenhado, só por este ser homem. Mas isso é uma discussão que não tem que ver com a das quotas. Isso tem mais que ver com outras questões como a da estupidez, da má gestão, do secundarizar o interesse comum ...

No meu 3º parágrafo do texto anterior usei a palavra "género" e usei-a bem. É que julgo que essa "construção social" é que tem sido relevante também para os que defendem a Lei. O sexo é irrelevante quando nos referimos aos que "tratam da coisa pública". Desde que cumpra bem as suas funções, é indiferente se a A.R. é compsta por 30, 50 ou 90 por cento de mulheres.

Quanto à escada da evolução, eu genuinamente acho que as mulheres estão um degrau acima, embora subindo a passos concertados e em equipa. Umas vezes sendo o homem a empurrar a mulhere outras sendo ela a puxar por ele (embora ultimamente pareça que as mulheres estejam a tentar descer dois degraus de uma vez, ao fazerem questão de se "masculinizar").
Imagem de perfil

De Afonso Miguel a 24.09.2009 às 21:10

"A questão é sempre colocada como o Miguel Neto a colocou (e indirectamente o Afonso Miguel quando se referiu à questão do mérito): é sempre a contraposição do "homem empenhado e capaz" à "mulher menos capaz e pouco empenhada". "

É por coisas destas que a discussão sobre estas matérias é impossível.

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas