Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Soldados desconhecidos e jornalismo bem conhecido

por Nuno Castelo-Branco, em 25.09.09

 

 O Dr. António Costa participou uma vez mais na banca da Quadratura do Círculo, discussão de uma formal informalidade que dá tempo extra de antena a alguns dos partidos parlamentares.

 

Comentando o caso das escutas que não se sabe ainda se existiram ou foram inventadas, o dr. Costa prestou uma ..."homenagem ao jornalista desconhecido... que trouxe ao conhecimento público o nome do assessor do imparcial senhor que reside em Belém. Monarquismos à parte, todos hoje reconhecem - cavaquistas e seus opositores - que o chefe do Estado republicano é um homem de partido, tal como o foram os seus antecessores. Nada de novo. Cai assim por terra a fábula que invoca "todos os portugueses".

 

O que se torna caricato, é o constante recurso a certas figuras de estilo - digamos assim -, para ilustrar dramaticamente uma situação que antes de tudo, é complexa, contraditória e pouco edificante para a apregoada credibilidade do jornalismo. De facto, noutros tempos existia um nome para esse tipo de delação: bufo.

 

O  Dr. António Costa usou o termo "desconhecido", sem pesar bem o que o arroto da posta de pescada quer verdadeiramente dizer. Soldados desconhecidos, foram muitas dezenas ou centenas de milhar de pobres diabos alemães, franceses, russos, austro-húngaros, romenos, ingleses, sérvios, italianos e de tantas outras nacionalidades, que caíram vítimas da chacina que foi a I Guerra Mundial. 

 

Portugal, pela cupidez, prepotência e criminosa irresponsabilidade de outro Costa, também enviou os serranos para a carnificina na Flandres. Mal vestidos e calçados, transidos de frio e febre, lá vegetaram nas imundas trincheiras durante perto de dois anos, até acabarem ingloriamente trucidados pela ofensiva alemã de Abril de 1918.

 

Gente que foi atacada e esmagada por milhões de obuses, após tentativa de asfixia - como esta palavra regressou agora em força! -, ficou reduzida a despojos irreconhecíveis espalhados pelo terreno, servindo de pantagruélico repasto para as ratazanas, as oportunistas de sempre.

 

Má comparação, Dr. António Costa. Péssima comparação, para não dizer mais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:42


6 comentários

Sem imagem de perfil

De Miguel Neto a 25.09.2009 às 12:07

Concordo com o texto. No entanto para mim o que mais importante "retirei" do programa de ontem foi o reforço da ideia de que há gente muito perigosa que ascendeu a posições determinantes neste país.

Homenagear alguém que pela calada, violou e roubou o correio pessoal de outrem, alguém que deve ser funcionário pago pelo jornal, que deve ser colega, convive e talvez se faça de amigo do jornalista que roubou e de quem publicado o correio pessoal, é um bom exemplo das consequências trágicas do relativismo ideológico, moral e político de muitos dos que nos governam e decidem o nosso futuro.

Esse "jornalista desconhecido", ao contrário do heróico soldado desconhecido, é muito, mas muito pior do que um reles bufo! Ora, homenagear gente dessa e actos destes é tomar como bom seja o que for, desde que isso venha de encontro aos nossos interesses. Algo muito ao género dos princípios e métodos utilizados pela STASI, KGB, PIDE ...

Quando o engº. Guterres abandonou o governo referindo-se ao pântano, cada vez me convenço mais que se referia à moralidade e ética de pessoas que já na altura faziam parte do seu governo e do seu partido. Agora parece que esse "lodo" chegou, instalou-se e impregnou profundamente no aparelho de Estado.

A culpa em última análise é nossa: alguém que se presta à artimanha de tirar uma licenciatura numa universidade, como direi ..., amiga (entretanto fechada sabemos já todos porquê), com um professor a 5 cadeiras e aos domingos, é alguém que é capaz de fazer qualquer coisa para sair beneficiado. Não sei em que outro país da Europa alguém que tivesse uma licenciatura dessas conseguiria fazer-se eleger 1º ministro.

Com tantos recém-licenciados aqui no blogue, espero que nenhum deles (e nenhum de todos os outros que concluiram as respectivas licenciaturas "normalmente") venha a ter que concorrer a um emprego com alguém que tenha uma "licenciatura" desse género.

Raramente vi o dr. Lobo Xavier, sempre tão sensato, inteligente e comedido, muitas vezes até apaziguador, ser tão duro e dizer coisas tão graves como as que disse ontem. Vindo de quem veio, sabendo eu que o dr. Lobo Xavier deve saber muito mais do que se passa nos bastidores, achei isso também muito revelador.

O estado a que isto chegou já ultrapassou o da luta ideológica. Isto já deixou de ser uma questão de socialismo, social-democracia ou democracia-cristã. Isto hoje é uma luta entre Homens (que os há em todos os partidos) e "ratos". Ainda tenho a esperança de que dia 27 esses sejam enviados para o esgoto de onde nunca deviam ter saído.
Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 25.09.2009 às 13:14

Pois é, Miguel, mas duvido muito. Os ratos adoram passear pelo meio da porcaria.
Imagem de perfil

De João Pedro a 25.09.2009 às 17:23

No entanto, há quem continue a dizer que o envio do CEP se tratou de um "acto patriótico" para defender "a liberdade e o prestígio da República"(em troca da vida de milhares de mancebos mal treinados e vestidos) O mesmo vale para as colónias.
Curiosamente, a guerra que se iniciou em 61 era uma "reacção colonialista aos movimentos de libertação e emancipação". é o chamado "colonialismo bom" vs "colonialismo mau".
Imagem de perfil

De Cristina Ribeiro a 25.09.2009 às 18:23

Uma expressão muito adequada a este lugar ocupado pelos tais ratos: república das bananas! - onde a honestidade já foi chão que deu uvas.
Sem imagem de perfil

De Miguel Neto a 25.09.2009 às 22:49

Uma vergonha essa tragédia do nosso CEP. Foi como gado para o matadouro. Um bom exemplo de quanto vale a vida de portugueses para alguns dos que nos têm governado.
Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 26.09.2009 às 02:10

E nem sequer falei dos piolhos, para não ficar logo cheio de comichão. Na altura, nem Quitoso existia...

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas