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99 anos de infâmias

por Nuno Castelo-Branco, em 05.10.09

 

 Qualquer iniciativa política que não implique morceladas, torresmos, sandecas de coirato ou carrascão acompanhado por cantorias, está de antemão condenada ao mais rotundo fracasso.

 

Contrastando violentamente com as arruadas de uma campanha eleitoral de um carnaval tardio, as comemorações republicanas do 5 de Outubro, foram hoje, como se de uma liturgia fúnebre se tratasse. A praça do município lisboeta completamente vazia de populares. Um acossado presidente que fugiu para a protecção dos muros do seu palácio e pior que tudo, a total indiferença de um país que adivinha esta república como coisa morta e a enterrar. Dada a conotação deste sistema de todas as torpezas com o regime republicano, quase todos compreendem o que esta significa e as duas últimas semanas muito fizeram para essa certeza que há muito se vinha avolumando. 

Detestada pelas forças armadas, desprezada pela polícia, desfeito o feitiço de mais de um século, a república não passa de uma mortalha envolvente do corpo putrefacto em que a nação se transformou.

 

Ontem, em Lisboa fez-se uma muita cívica desobediência civil. O vexado sr. Costa da Câmara Municipal, abusivamente fez apear há uns tempos a bandeira nacional hasteada na RAL. Pois ontem, batida a meia noite, lá voltou ao seu mastro velho de sessenta anos. Só a violência a fará dali sair. 

 

Esta manhã e fatalmente divididos, os partidos institucionais comemoraram o seu poder, uns na CML e outros, no palácio de Belém.

 

O povo, fomos nós, ontem, às centenas e na rua. E fomos muito mais que aquelas dúzias de aguadeiros que há 99 anos, foram arrebanhados à pressa para ouvir a voz do milionário Relvas que da varanda há semanas esconjurada, anunciou a Portugal um século de infâmias.

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publicado às 19:42


3 comentários

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De Monarquia Lisboa a 06.10.2009 às 10:52

Caro Nuno: o dia de ontem significou um decisivo passo para a mudança de paradigma: a republica foi dessacralizada e está lançada a discussão do regime. Forte abraço
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De António de Almeida a 06.10.2009 às 14:36

Estão a fazer um caminho lento, mas seguro, que os levará ao referendo, começo a não ter dúvidas, mas também não tenham pressa, porque se perderem o dito, terão mais décadas de República pela frente, e não faltará muita desinformação, já estou a imaginar até alguns a confundirem propositadamente Monarquia absolutista com constitucional.
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De Nuno Castelo-Branco a 06.10.2009 às 19:28

António, foi exactamente isso o que o Louçã ontem fez. Só faltou falar de coches, mantos e perucas. Atrasado mental...!

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