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Entre a espuma dos dias e os agradecimentos

por Samuel de Paiva Pires, em 11.11.09

 

(foto tirada daqui)

 

Agradeço a todos os que me deram os parabéns, mas quero apenas dizer que me limitei a dar uma aula pontual, a convite de uma professora. Não estou vinculado em termos laborais a qualquer universidade, ao contrário do que alguns julgam. Aliás, lá vou continuando no Mestrado em Ciência Política, com aulas das 18h às 22h, após cansativos dias de trabalho.

 

Quem corre por gosto não cansa, e mesmo não conseguindo ter tempo para ler tudo o que devia e queria ler, lá vou entre Dan Brown e Saramago, entre o estudo da Democracia na teoria e na prática, passando pelos gurus da actualidade do pensamento e da prática da política interna e internacional, sentindo que estou a aprender algo de útil, quanto mais não seja apenas para enriquecimento intelectual pessoal, enquanto simplesmente por puro prazer e vocação - ou falta dela - julgo que posso transmitir algo a outros. Continuo a nunca me espantar com a minha própria ignorância, de quem todos os dias admite que só sabe que nada sabe, em especial quando de queixo caído fico perante a magistralidade e genialidade de que ultimamente tenho sido espectador privilegiado.

 

Porque ainda ontem em jeito de brincadeira um músico e professor de piano me dizia "os cientistas políticos sabem tudo sobre tudo, mas não sabem fazer nada", sou forçado a fazer alguma coisa durante o dia, para poder continuar os estudos que prossigo para almejar saber um tudo nada sobre muito pouco daquilo sobre que só sei que nada sei. Agora percebo quando há tempos alguém me dizia que muitos de nós se estão a tornar "intelectuais proletários".

 

Noto que nos continua a fazer falta um crítico sentido de competição e de qualidade, de incentivo e de aposta no risco que é a inovação, à medida que uma certa ideia de universidade se perde no enorme buraco negro criado pelas forças burocráticas centralizadoras que esvaziam os significados e o simbólico da tradição, tudo em prol da massificação e da igualdade, que a mais das vezes apenas disfarça a mediocridade, alimentada pela bolorenta ideia da sebenta e dos manuais por que todos nos guiamos, e dos quais não nos queixamos, até porque para muitos facilita o mero objectivo de obtenção do canudo por via do decorar e despejar matéria. 

 

Continuamos sem perceber, como explicava Hayek, que é impossível calcular todas as necessidades e fazer funcionar qualquer sistema dirigido centralmente de forma planificada. Não percebem que destroem as tradições e perdem os que poderiam usar essas tradições para a inovação e para a schumpeteriana destruição criativa. Em vez disso, continuamos a seguir o mito do racionalismo construtivista que nos leva à servidão voluntária. Continuamos apenas na caminhada cega e dirigida em passo acelerado na direcção do abismo. Valham-nos algumas luzes. Enquanto essas houverem, não há iluminação cega a que não possamos resistir com o sincretismo e o reconhecimento dos limites da razão.

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publicado às 20:55







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