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Escândalo de roubo de pesados no porto de Lisboa

por Nuno Castelo-Branco, em 19.11.09

É esta, a Toyota Dyna roubada no passado Sábado

 

 

Na madrugada do passado Sábado, 14 de Novembro, foi roubado à porta de casa, em pleno centro de Lisboa, o camião Toyota Dyna pertencente a um amigo. Dependendo totalmente do veículo para o seu trabalho, participou imediatamente à P.S.P.

 

Esta noite, no decurso de um jantar com um grupo de amigos, um deles informou-me acerca das estranhas ocorrências que desde há alguns anos se verificam nos portos nacionais. Existe uma máfia bastante organizada que se dedica ao roubo e exportação de viaturas com destino a países como Angola, Guiné e Cabo-Verde. O procedimento parece ser  rotineiro. O veículo é roubado, desaparece durante semanas ou meses, para depois de modificada a pintura e alguns aspectos da sua estrutura - lonas retiradas ou mudadas, por exemplo - ser vendido para os citados países, com papéis "novos", motores trocados, etc. 

 

Liguei de imediato ao António e fomos dar uma vista de olhos no Terminal do Poço do Bispo. O espectáculo é inacreditável e tendo falado com funcionários da zona, obtivemos a confirmação das suspeitas que se tornaram numa certeza. Os camiões de caixa aberta ou fechada são às dúzias, muitas vezes empilhados sobre outros grandes trailers! Com rodas ou sem rodas, foi-nos dito que muitos embarcam sem motores - que seguem em contentores -, irreconhecíveis. Aliás, deparámos com camionetas com cerca de dez ou quinze anos, pintadas de fresco, rejuvenescidas e prontas para partir para outras longínquas paragens. Os esquemas são complexos e a azáfama nos dias que antecedem a partida do barco, torna-se frenética. Viaturas onde à vista de todos são montadas as baterias que lhes permitem uma deslocação mínima em direcção ao local de carga, com "equipas de trabalho" que se aprestam às derradeiras formalidades. Fala-se de notas de encomenda que chegam do além-mar, adequando a oferta à procura. Tudo isto às claras, sem um mínimo controlo que iniba o crime?

 

Não posso acreditar na facilidade de todos estes episódios degradantes, se não existir uma clara conivência de gente colocada nos lugares exactos, ou pelo menos, de uma total inoperância ou desinteresse para com este autêntico escândalo de roubo descarado. Em que país se tornou Portugal nos últimos anos? Como é possível existirem tantos, tão prolongados e fortes rumores, sem que se tomem apertadas medidas de controlo da situação? Raspagem de números de série ou motores que não correspondem ao veículo, não são, pela sua frequência, aspectos dignos de desconfiança? As queixas empilham-se nas esquadras e não existe uma suspeita acerca do inusitado número de camiões que são exportados, correspondendo em grande medida às viaturas desaparecidas? A quem aproveita este esbulho?

 

Há uns anos, falava-se abertamente de viaturas de alta cilindrada que eram roubadas nas ruas portuguesas e que depois seguiam em direcção à Europa de Leste. Hoje, o móbil parece ser outro, o dos comerciais usados. O que sabem as Administrações dos portos de Lisboa, Setúbal ou Leixões acerca destes bastante credíveis rumores? Quem poderá mandatar as polícias para colocar um ponto final neste autêntico e vergonhoso tráfico de propriedade roubada aos portugueses? Onde param as atribuições do Ministério da Administração Interna e da Polícia Marítima? Como é possível permanecer de olhos fechados para uma realidade que todos aqueles que trabalham com transportes conhecem e contra a qual nada podem fazer?

 

O descaramento é total, os "agentes de exportação" repetem rotineiramente as remessas e os estranhos procedimentos passam impunes. Até quando? Até onde cairá a reputação da autoridade do Estado e dos agentes da ordem pública? Este país está a saque.

 

Isto é uma vergonha!

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publicado às 23:56


3 comentários

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De Paulo Selão a 20.11.2009 às 11:40

Covido-vos a visitarem o meu blog para verem as parvoíces que um tipo lá escreveu em comentário ao meu ultimo post. Escusado será dizer que podem e devem responder-lhe à letra.
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De António de Almeida a 20.11.2009 às 12:16

Pelos vistos pouco mudou nos últimos 20 anos. Antes da entrada na U.E. a alfândega era uma autêntica escola de mafiosos...
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De Paulo Selão a 20.11.2009 às 13:53

Ah o blog é o Pedra no Chinelo

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