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Democracia Directa?

por Manuel Pinto de Rezende, em 25.11.09

- Só praticável numa escala local o mais mínima possível, visto que a atomização do voto desresponsabiliza o cidadão e entrega importantes decisões da nação aos ímpetos da maioria.

 

- A democracia directa de grande escala só é possível num país de cultura igualitarista.

Os países igualitaristas estão dependentes da Vontade Geral.

A Vontade Geral, segundo alguns liberais sectaristas, está acima da "Lei, da Constituição, do ALtar e do Trono".

 

- A Democracia Directa é anti-racional e anti-intelectual. As decisões referendadas estão dependentes não de quem percebe do assunto, mas sim de quem conseguir expôr melhor os temas em discussão perante as Massas, recorrendo às normais falácias.

 

- O seu igualitarismo é, logicamente, incompatível com a Liberdade.

 

- É, por último, apenas possível nos países de cultura colectivista e não-personalista.

Logo, é possível nalguns países protestantes, e impossível em todos os países da europa católica.

 

- É também o príncipio mais anti-cristão de que há memória.

Cada Referendo é uma Demanda pela Verdade. Essa Verdade, que é inatingível ou inaceitável pelo baixo nível dos representantes políticos, que acham a opinião dos eruditos contrária aos seus usos e ideias políticas, é por isso atirada ao Povo, para que decida conforme aprouver à maioria.

 

Também Pilatos fez assim. "O que é a Verdade?" perguntou ao Senhor, e a seguir deixou que o povo, em saudável democracia, lhe desse a resposta.

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publicado às 20:13


19 comentários

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De Anónimo a 25.11.2009 às 20:56

Ai D. Rezende,


Deixe-me rir. Vossa Senhoria põe-me sempre tão bem disposta....Bora já formar um pelotão de execução e começar a acção na Assembleia da República...E depois atiramos a matar no populacho, essa cambada de ignorantes da voz operária, que anda para aí a coçar o rabo à parede e a dizer que o povo é quem mais ordena...

Hoje vou pedir para o Sebastião e Melo me visitar ... o espectro ... porque um dos descendentes parece que é versado na arte da ourivesaria e não terá,assim presumo, herdado o gene de combater os patos bravos e quem se mete com o rei.

Ò Zé do Alentejo, agora vem cá entender-te com D. Rezende... aposto que também lhe chamas ignorante...
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De Manuel Pinto de Rezende a 25.11.2009 às 21:06

a minha querida Polter já se tornou parte da minha vida.

já não passo sem as suas reticências.
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De Anónimo a 25.11.2009 às 21:43

Atão D. Rezende....?

À falta da sua pontuação, lá vou eu pecando em abundância.

Mas V. Senhoria sabe o que significam as reticências, não é?!
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De Manuel Pinto de Rezende a 25.11.2009 às 21:50

"Bora já formar um pelotão de execução e começar a acção na Assembleia da República...E depois atiramos a matar no populacho, essa cambada de ignorantes da voz operária, que anda para aí a coçar o rabo à parede e a dizer que o povo é quem mais ordena..."

descanse, que os monárquicos costumam ser os últimos a recorrer à violência.

"Mas V. Senhoria sabe o que significam as reticências, não é?!"

sei, descanse.
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De Anónimo a 25.11.2009 às 22:02

Ai D. Rezende....

Pois então, procurais convencer-me que os monárquicos são os últimos a recorrer à violência? Pois eu não o sei?!

Atão, meu bom amigo, não nos podemos esquecer de como Portugal, este País de gente brava e poveira, foi entregue aos amigos de Bonaparte pelos monárquicos da altura...Aposto que se fosse hoje, os monárquicos resolviam a coisa com o telefone. Mas lá foram para os Brasis dar o grito do Ipiranga... E o Castelo de S. Jorge ficou bem lá no alto ornamentado com o bleu, blanc, rouge...
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De António de Almeida a 25.11.2009 às 22:15

A Democracia Directa é anti-racional e anti-intelectual. As decisões referendadas estão dependentes não de quem percebe do assunto, mas sim de quem conseguir expôr melhor os temas em discussão perante as Massas, recorrendo às normais falácias.

-Levando as suas palavras às últimas consequências, teríamos de suprimir a universalidade do voto e delegar competências num colégio eleitoral, pois nada me garante que o povo menos esclarecido saiba decidir, por acaso atá penso que nas últimas legislativas os portugueses decidiram mal, de forma totalmente inconsciente e irresponsável, mas não me passa pela cabeça defender a supressão da vontade popular.

É, por último, apenas possível nos países de cultura colectivista e não-personalista.
Logo, é possível nalguns países protestantes, e impossível em todos os países da europa católica.

Desgraçada sina dos países de tradição católica, olhando para o mapa da Europa não encontro sequer um que sirva de exemplo a servir como modelo, França, Itália, Espanha ou Portugal, ficam a milhas da península escandinava, das ilhas britânicas ou dos países da Europa central, na organização política, no sistema de Justiça ou no desenvolvimento económico, isto está tudo ligado.

- É também o príncipio mais anti-cristão de que há memória.

Protestantes, anglicanos e ortodoxos são cristãos.

Também Pilatos fez assim. "O que é a Verdade?" perguntou ao Senhor, e a seguir deixou que o povo, em saudável democracia, lhe desse a resposta.

Mesmo percebendo pouco de História sei o suficiente para saber que Pilatos não fez nada disso, era suficientemente ambicioso, vaidoso e arrogante para permitir que outros decidissem por ele, a História posteriormente contada em Roma teria de absolver os romanos de qualquer culpa, mas isto já é outra história com pouco a ver com o post. Recomendo-lhe uma série de posts colocados no "Portugal contemporâneo" pelo prof. Pedro Arroja há poucos meses, quando comparou países católicos a protestantes em diversas áreas.



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De Manuel Pinto de Rezende a 25.11.2009 às 23:10

António,

"(...)teríamos de suprimir a universalidade do voto e delegar competências num colégio eleitoral, pois nada me garante que o povo menos esclarecido saiba decidir, por acaso atá penso que nas últimas legislativas os portugueses decidiram mal, de forma totalmente inconsciente e irresponsável, mas não me passa pela cabeça defender a supressão da vontade popular."

o próprio Pedro Arroja defende que os cidadãos portugueses não têm maturidade suficiente para, aos 18 anos, fazerem escolhas políticas, devido à falta de noção da realidade que os jovens dessa idade.

Eu sou defensor de um sistema misto de democracia, aristocracia e monarquia. A Vontade Popular é um elemento importante num Estado de Direito, mas não é uma fonte única de soberania aceitável.

Quanto à desgraçada sina dos países católicos, só comprova a minha tese, e a de Pedro Arroja: a democracia, regime político que favorece a maioria, nunca dá resultado em países católicos semelhante ao que se dá em países protestantes.

A democracia é, necessariamente, colectivista e não-personalista, exige uma entrega do indivíduo à sociedade enorme. Além dos microcosmos republicanos das cidades italianas dos século XV, os países católicos não se dão bem com a democracia por serem, na sa génese, individualistas e personalistas.

Mas isto, claro são posições de princípio, as quais o próprio Pedro Arroja concorda.
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De Cristina Ribeiro a 25.11.2009 às 22:55

Manuel, quer, então, desvalorizar o voto do povo, que, melhor do que ninguém, sabe o que lhe convém ( porque o caciquismo não é menor na democracia representativa que na directa, afianço-lhe ) em favor das muitas Ritas Ratos que proliferam no Parlamento?
O tal de caciquismo, nos dias de hoje, reside no cancro em que se vem tornando " este " sistema partidário. O mais anti-democrático possível. O exemplo suíço, misto, proposto por Zé de Portugal ganha-lhe de dez a zero.
E então a nível local: " o mais mínima possível "???
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De Manuel Pinto de Rezende a 25.11.2009 às 23:18

Cristina.

Acredito na democracia. Penso que é um óptimo veículo de representação a nível local. quanto mais localizada, melhor.
Daí as monarquias tradicionalistas do ponto de vista de organização do território (as nórdicas e inglesa) e os regimes federalistas ou regionalistas (a federação alemã e o reino de Espanha) funcionarem tão bem.

No entanto, num plano nacional, tenho sérias reservas quanto à aplicação da democracia directa em todo o território.

O modelo suíço só é possível na Suíça devido ao passado histórico e institucional da Suíça.
A Suíça está dividida em Cantões. Federalizar Portugal é levar o municipalismo português a um plano "ahistórico" e desajustado.

Acho que já chega de exportar modelos. Pensemos nas nossas instituições e na nossa cultura e façamos como nos parece ser melhor conforme os nossos ditames.

De resto, não se esqueça que a Rita Rato foi posta no seu lugar por vontade popular, por um partido.

Na democracia directa a participação dos partidos não está proibida, nem é proibido que Ritas Ratos usem da sua verve para "popularizar" os debates e levar a coisa para a demagogia.

O problema português é pensar que com Democracia chega-se à Liberdade e à Boa Administração.

Isso raras vezes acontece. No entanto, parece.
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De Cristina Ribeiro a 26.11.2009 às 00:48

" De resto, não se esqueça que a Rita Rato foi posta no seu lugar por vontade popular, por um partido ": resultado do tal caciquismo " deste" sistema partidário.
Se ele não dominasse o nosso panorama político, duvido mesmo muito que o povo a pusesse lá.
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De zedeportugal a 26.11.2009 às 00:09

a atomização do voto desresponsabiliza o cidadão
entrega importantes decisões da nação aos ímpetos da maioria
A Democracia Directa é anti-racional
O seu igualitarismo é, logicamente, incompatível com a Liberdade
apenas possível nos países de cultura colectivista
É também o príncipio mais anti-cristão de que há memória

Só posso entender tanto absurdo através de uma enorme vontade provocatória.
Qualquer uma das frases acima transcritas é completamente gratuita e carece de fundamento racional.
O seu carácter não fundamentado obrigaria obrigaria qualquer resposta a procurar-lhes previamente aquilo que não têm: um qualquer sentido. Uma resposta sem esse exercício poderia parecer uma mera troca de opiniões e não desmascararia o seu absurdo.
Resumindo: Não tenho tempo (nem vontade) de discutir a democracia directa nestes termos, caríssimo Rezende.
Ainda assim, o António de Almeida põe rapidamente a nu alguns dos absurdos e contradições mais óbvias do texto.
Há, contudo, uma frase que me choca particularmente:
É também o príncipio mais anti-cristão de que há memória.
A esta quero responder, mas fá-lo-ei postando no Democracia Directa - Visão Cristã poruqe acho que vale a pena demonstrar a falsidade desra afirmação em toda a sua extensão.
Logo que puder... que o tempo me é escasso para tanto que faço. ;)
Cumprimentos a todos.
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De Anónimo a 26.11.2009 às 00:40

Ò Zé de Portugal,


Bora, vamos defender a democracia directa no Algarve....

poltergeist
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De Manuel Pinto de Rezende a 26.11.2009 às 02:11

Zé,

o post, por acaso, clamava pela sua reacção.
Voltou foi a não perceber o argumento.

Eu digo-lhe, somente, que a Maioria, a Vontade Geral, o Bem Comum como a Soma Total das Vantagens Materiais da Comunidade, para mim, vale muito pouco como argumento racional.

A única coisa que tem a fazer, basicamente, é contrariar isto.

Já tem o TPC todo feito.
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De zedeportugal a 26.11.2009 às 11:54

Então, sempre é provocação...
Touché!

Reagirei logo que possa.
Não sei é se vou seguir o TPC proposto: a Maioria, a Vontade Geral, o Bem Comum como a Soma Total das Vantagens Materiais da Comunidade.
É que sempre fui um aluno muito incómodo (para os mestres)... e um professor muito irreverente (para o sistema) - provocador, mas de forma subtil e serena.
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De Manuel Pinto de Rezende a 26.11.2009 às 11:56

Meu caro, isto sem provocação, e sem discussão, era uma valente seca.

"É que sempre fui um aluno muito incómodo (para os mestres)... e um professor muito irreverente (para o sistema) - provocador, mas de forma subtil e serena."

qualidades que eu prezo muito.

Aguardo a sua resposta.
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De Anónimo a 27.11.2009 às 00:42

UIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!

Explicai-me, pois! Com tanta inteligência e irreverência, porque não abandonamos a cepa torta?

E nos permitimos gramar com a actual soma de inteligerdas que governam o País?

Será que é uma questão de ... individualismo....?

Aposto que se fôr à torre do Tombo, vou encontrar lá umas coisas interessantes...e me habilito à comenda de D. Henrique ...
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De adam pistas a 26.11.2009 às 00:29

Oh homem...não fala de certeza em cristianismo católico quando diz que é individualista...se há religião que prega a entrega aos outros é o cristianismo, o católico. Se o fazem é outra coisa...deve estar a confundir com o calvinismo e a predistinação ou coisa do genero, com certeza...
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De Manuel Pinto de Rezende a 26.11.2009 às 02:08

adam,

a teoria é: O Protestantismo exerce uma enorme pressão social na vida privada dos crentes, pressão essa que o Catolicismo, ou pelo menos a cultura dos Países Católicos, não faz.

Daí os Países Protestantes terem uma vida social e em comunidade diferente da nossa, e daí o individualismo, o personalismo, melhor dizendo, do Catolicismo.
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De Anónimo a 27.11.2009 às 00:47

D. Rezende,

Com tanta vidência e sabedoria...eu acho que abriria um consultório e instalá-lo-ia em S. Bento...com vários departamentos, tais como ... Lacunas? Não se lembra? Vai ter debate? Temos a solução em um minuto! Ganhe votos, faça de conta que sabe! Venha ter connosco.

Posso ajudá-lo! Ponho peruca branca e um ponto de cetim no rostinho e verniz nos dentes....

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