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Dia de Selecção e ainda por cima, Nacional

por Nuno Castelo-Branco, em 10.10.17

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Lá para o fim da tarde ficaremos todos elucidados acerca do assunto do momento, aliás, dos dois assuntos da semana. Um deles aconselha o fazer de conta passar despercebido, pois não parece e não é uma boa ideia infestarmos a casa vizinha com ratazanas que mais cedo do que imaginaríamos, invadirão a nossa despensa. O outro é um daqueles inevitáveis temas que bem sabemos depender totalmente "de nós". É o único que por paradoxal que possa parecer, deveria mobilizar todas as nossas línguas, comentadoreirismo e entusiasmos.

Bem faz o governo em manter-se a milhas da Santa Bárbara que alguns incendiários querem fazer rebentar. A existência de Portugal nos últimos negligenciáveis e pouco significativos 800 e tal anos, prova que somos capazes de mais ou menos satisfatoriamente resolvermos alguns assuntos eternamente pendentes. Assim continuará a suceder se mantivermos a mesma política que já vem desde os tempos do pai, do avô e bisavô do actual regime. Não acreditam? Olhem para o mapa, está lá tudo, aquele "é o que há" que nos garante algumas certezas.

Quanto aos atingidos pelos entusiasmos da "Deputação a Baiona", um prudente conselho: vão buscar os aventais, coloquem-nos à cintura, dirijam-se à vossa cozinha e aproveitem para o fritar de umas dúzias de deliciosos e estaladiços croquetes. Acompanhados por copos de vinho tinto ou a mais típica cervejola, são o acepipe ideal para verem o jogo de logo à noite. Como sempre, estamos naquele ponto de tudo depender "de nós". Bom proveito.

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publicado às 07:01

Falharam, não é verdade?

por Nuno Castelo-Branco, em 09.10.17

 

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 Bem sei, se aqui postasse aqui o retrato de um qualquer magnicida popularucho que pelos polliticamente auto-proclamados correctos é entendido como um benfazejo líder que apenas "falhou nos detalhes porque não sabia e não controlava tudo", quase todos ou a maioria acharia coisa normal. Pois não é.

Ontem fui vendo em directo a transmissão da TVE e fiquei elucidado acerca da manif barcelonesa, fazendo ocasionalmenmte o zapping para as homólogas nacionais, todas elas muito excitadas e sublinhando o inegável facto de terem vindo muitos espanhóis "de toda a Espanha" e ainda por cima dando-lhes a total preferência nas entrevistas. Vamos então ao dedilhar no ábaco electrónico que o materialismo dialético impõe, como a contabilidade de sacas de trigo, pepinos, batatas ou arroz.

Por aqui os mais exaltados partisans do "quanto pior, melhor" - praticamente os mesmos que até há pouco diziam Espanha, Espanha, Espanha como ultra prioridade do nosso regime - , diziam nas tv que foram 100 autocarros de toda a Espanha para engrossar-se assim o número de "manifestantes falangistas". Vá lá que cada autocarro seja um mega-machimbombo que leve umas 100 pessoas apinhadas e em vias de sufoco. Ora, agora multipliquemos 100 por 100. Quantos "penetras falangistas" foram à manif? Sim, isso mesmo, seriam uma ridiculíssima minoria, mesmo contando e dando de barato que mais uns dez mil "cótchês" - como eles chamam aos carros - terão vindo de Madrid e arredores com 4 pessoas cada um ou, outra vez o sempiterno vá lá, cometendo a illegalidade a que a "falangista Guardia Civil" faria vista grossa, claro, de transportarem 5 "falangistas". 50 mil + 10 mil são 60.000. Ora a manif foi "muito pífia", oscilando estranhamente entre os 350.000 alegadamente contados pelos dedinhos dos "mossos d'esquadra" e o milhão dos organizadores. Fiquemos então por muito baixo, pelos 500.000, pois as avenidas de Barcelona são deveras mais compridas e largas do que aquelas que (ainda) temos em Lisboa.

Ontem perderam moralmente a hipótese da golpada, não é verdade? Arranjem lá outro focozinho que mereça uma libertação, talvez no Curdistão - sempre desestabilizam 4 países de uma assentada -, num qualquer Estado do sul dos EUA ou até no oprimido Cachemira. Nas vizinhanças do nosso país, no irmão siamês a que estamos irremediavelmente ligados, é coisa que não nos convém mesmo nada.

 

*Uma boa ideia seria aliviarem as pulsões aqui mesmo, internamente, focando os seus interesses sobre a imperiosa necessidade democrática de libertar a Constituição de 1976 dos Limites Materiais que foram impostos por homens comuns e não por entes que por muito discretos que fossem, não eram divinais.

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publicado às 13:17

Estado Sentido - a ponta de um iceblog

por John Wolf, em 09.10.17

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publicado às 10:26

A geringonça e o IRS para incautos

por John Wolf, em 08.10.17

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A fasquia do IRS, colocada a esse nível de rendimentos, produz um efeito detractor. Ou seja, não estabelece relação com o salário mínimo nacional - essa barreira psicológica, a ranhosa mula de carga de tanta glória política. No entanto, um salário até 925 euros, livre de IRS, é um presente envenenado que merece alguns cuidados. As inúmeras satisfações que daí possam advir são compensadas por uma mecânica de pensamento negativa, inversa. Um empregador que pretenda contratar um colaborador intermédio, ou seja, aquele com algum grau de especialização acima de cão, pode servir-se do osso da vantagem de isenção de IRS para converter um candidato a emprego a aceitar um salário mais baixo que não chega bem aos 1000 euros. A solução apresentada como apanágio das benesses laborais, traduz bem o ponto mediano de um sistema ao qual nada parece escapar. O efeito de ilusão, de passe de magia, mantém embutida no espírito do assalariado a falsa sensação de vantagem. O Partido Comunista Português, que foi obliterado nas autárquicas, ainda é suficientemente insonso para ir nesta cantiga ao abrigo do clausulado da geringonça. A receita milagreira vai promover subterfúgios de ordem diversa na classe média laboral. Sabemos bem como funcionam os pagamentos, as facturas e recibos em Portugal. Sabemos como se produzem declarações. O povo sempre recebeu por fora. E o governo sabe isso. A expressão corrente e escorreita é a seguinte:  vou trabalhar umas horas para ganhar mais algum. O governo pode ser muito esperto, mas não nos deixemos enganar pelo modo engenhoso de pôr os empregadores a puxar para baixo - o salário, seja qual for o nome que derem a esse prémio tributativo.

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publicado às 17:10

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A saída de cena de Passos Coelho abriu espaço no PSD para um eventual retorno da política ao centro da acção do partido, especialmente se for Santana Lopes o novo líder escolhido pelos sociais-democratas.

 

O anterior Primeiro-Ministro tem uma formação académica em economia e herdou uma situação política de crise em que as questões económicas e financeiras predominavam sobre quaisquer outras. Ademais, a sua ascensão à liderança do PSD e, posteriormente, do Governo, ficou marcada por uma atmosfera intelectual e política de acolhimento de um projecto político liberal que, em boa parte, passou dos blogs e de alguns meios académicos para o PSD. À semelhança de Passos Coelho, muitos dos que o rodearam e apoiaram neste projecto são formados em economia ou engenharia e as suas actividades profissionais passam, em larga medida, pelo ensino e investigação nestas áreas ou pelo meio empresarial.

 

Tal como Passos Coelho, muitos destes liberais acreditam ou acreditavam na narrativa alemã de imposição da austeridade como forma de expiar os pecados cometidos por governos anteriores e pelos próprios portugueses que teriam vivido acima das suas possibilidades e que, por isso, deveriam ser castigados. Escusando-me de abordar neste texto o confronto entre as duas narrativas durante a crise do euro e a errada receita da austeridade excessiva em que os merkelistas, passistas e muitos outros acreditavam, aos leitores interessados nesta temática recomendo a leitura deste artigo de Paul De Grauwe ou deste de Jay Shambaugh, em que fica patente que o caso grego é singular e o seu diagnóstico foi erradamente alargado a outros países.

 

Ao longo dos últimos anos, a receita da austeridade foi perdendo muitos adeptos em várias instituições internacionais e países - mesmo enquanto o Governo de Passos Coelho ainda estava no poder e acreditava em ir além da troika. Ademais, quando chegou ao fim o período e o plano do resgate financeiro a que Portugal foi sujeito, o Governo composto pelo PSD e CDS mostrou não ter qualquer outro plano norteador da sua acção.

 

Após as eleições legislativas de 2015, a solução encontrada por António Costa, a chamada geringonça, provocou uma alteração estrutural no sistema político português e remeteu Passos Coelho para a oposição. Ao longo dos dois últimos anos, a estratégia oposicionista de Passos Coelho passou essencialmente por anunciar, num tom catastrofista, que as políticas de António Costa e Mário Centeno irão levar-nos novamente a uma situação económica e financeira periclitante. Com excepção da dívida pública, os indicadores económicos têm contrariado as previsões de Passos Coelho. É certo que a conjuntura internacional continua a favorecer a nossa economia, embora devamos estar atentos à forma como o próximo governo de Merkel se irá posicionar e relacionar com Macron a respeito da reforma da União Europeia, bem como ao impacto que o Brexit terá no funcionamento futuro das instituições europeias. Mas também é certo que António Costa e Mário Centeno transmitem a imagem de que as finanças públicas estão sob controlo, apesar do aumento da dívida pública, e que as políticas do actual governo têm favorecido o crescimento económico. Claro que vários políticos e comentadores afectos ao PSD procuram reivindicar os bons resultados para o anterior Governo, mas independentemente do que for verdadeiro a este respeito, é o actual Governo que está no poder e, por isso, muito facilmente consegue reclamar para si os louros do recente crescimento económico. Ademais, se com o anterior Governo, de acordo com Luis Montenegro, a vida das pessoas não ficou melhor mas o país ficou muito melhor, com o actual Governo as pessoas sentem melhorias reais nas suas vidas, que se traduzem no aumento dos seus rendimentos. 

 

Ora, como ensinava Maquiavel - e aqui limito-me ao papel de observador, não emitindo qualquer juízo de valor sobre o que se segue - em política é a verdade efectiva das coisas que importa, são as consequências que devem prevalecer na tomada de decisão (ou na terminologia de Max Weber, a ética da responsabilidade deve preponderar sobre a ética da convicção), e são os resultados reais que importam aos cidadãos. Porque, citando O Príncipe, "Nas acções de todos os homens, e mormente dos príncipes, em que não há um tribunal para onde reclamar, olha-se é ao resultado. Faça, pois, um príncipe por vencer e por manter o estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos serão louvados, porque o vulgo prende-se é com o que parece e com o desenlace das coisas." Daí que Maquiavel, segundo José Adelino Maltez, seja “acima de tudo, o teórico do «homem de sucesso», do vencedor efectivo e não daquele que apenas tem vitórias ditas morais.” Nesta perspectiva, é fácil perceber quem é o homem de sucesso na contenda entre António Costa e Passos Coelho.

 

Um dos principais erros em que Passos Coelho e muitos liberais portugueses incorrem é a crença na distinção de uma realidade objectiva e única, que se impõe às ideologias e à política e que, alegadamente, eles conseguem discernir. Não explorando sequer os complexos problemas filosóficos da realidade e da verdade, creio ser útil complementar os ensinamentos de Maquiavel com a distinção de Harold e Margaret Sprout, no domínio das relações internacionais e da análise de política externa, entre o psychological milieu (ou meio psicológico) e o operational milieu (ou meio operacional) dos decisores políticos. O primeiro é o meio conforme é percepcionado pelo decisor, influenciado pelas suas crenças e vieses cognitivos, sendo o meio mais importante na formulação de decisões, ao passo que o segundo é o meio conforme este realmente é, no qual as decisões são executadas. A existência de incongruências entre os dois meios pode levar a más decisões e péssimos resultados. Parece-me que a incongruência entre o meio percepcionado por Passos Coelho e o meio operacional explica o fracasso da estratégia oposicionista insistentemente praticada.

 

Centrando-se esta estratégia meramente nas questões económicas, Passos Coelho e os seus apoiantes acabaram por se ver reduzidos à crítica ao crescimento da dívida pública e tornaram-se incapazes de gizar uma estratégia de oposição que permitisse combater o Governo de António Costa em várias frentes e eixos de acção política. Esta incapacidade parece-me resultar dos seus parcos ou nulos conhecimentos e interesses relativamente a outras áreas do conhecimento além da economia. Na realidade, a maioria dos liberais portugueses pouco ou nada tem a dizer de interessante, com autoridade e além dos seus dogmas ideológicos e da doxa plasmada em artigos de jornal e conversas de café,  sobre o exercício do poder político (querem um Estado mínimo ou, alguns, mais extremistas, a dissolução do Estado) e sobre temas como, a título exemplificativo, a representação política e a reforma do sistema eleitoral, a administração da justiça, o mundo do trabalho e as relações laborais (acreditam que os empresários são vítimas dos trabalhadores e do Estado), as políticas sociais (são para substituir pela caridade), a educação ou a saúde (só deveriam ser prestadas por privados), ou a política externa portuguesa que tem de enfrentar os desafios colocados pela reforma de uma União Europeia confrontada com o Brexit.

 

Por tudo isto, estou em crer que o projecto liberal que teve na liderança de Passos Coelho o seu pináculo em termos de exercício do poder político continuará em declínio e que, se Santana Lopes ascender à liderança do PSD, a oposição deste partido ao Governo de António Costa será decisivamente norteada por critérios políticos e a sua acção política global marcada pela formulação de um projecto político alternativo para o país - algo que Passos Coelho manifestamente não tem.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 21:33

Santana Lopes, o socialista

por John Wolf, em 07.10.17

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Proponho uma simples reflexão, um pequeno exercício. O Partido Social Democrata (PSD) está obrigado a encontrar um lider que possa contestar de um modo profundo e eficaz as soluções de governação da geringonça. E existe uma pequena fissura por onde entra alguma sombra de dissensão entre o Partido Socialista (PS), a Coligação Democrática Unitária (CDU) e o Bloco de Esquerda (BE) - as autárquicas puseram as comadres a ralhar, umas mais do que as outras. Mas limitemos o âmbito destas considerações ao tema da liderança no PSD. Sem nutrir preferências por putativas candidaturas, gostaria de ressalvar os seguintes aspectos de uma hipotética candidatura de Santana Lopes. Começemos então pelo seguinte; a questão da antiguidade, do repescar de velhas figuras de outros ciclos e mandatos políticos. O PS é um bom exemplo dessa prática museológica. Lá estão o Ferro Rodrigues e o Carlos César que julgávamos que tinham descalçado as botas do combate, encostado às boxes - não é o caso, estão aí cheios de Viagra. Ou seja, Santana Lopes tem legitimidade para pensar um regresso - tem a mesma idade política daqueles socialistas. Mas há mais, quiçá de índole incontornável. Que eu saiba, durante o consulado de Santana Lopes na Santa Casa de Misericórdia de Lisboa (SCML), não fomos confrontados com algo equivalente a um Processo Marquês, um escândalo de desvio de fundos para benefício próprio ou alguma forma de tráfico de influências. Por outras palavras, se Santana Lopes for o adversário a abater, o PS terá de esgravatar muito para fundamentar teses de roupa suja, de falência técnica ou ética. E há mais. A própria missão da SCML é mais socialista do que o socialismo do Rato. Assim sendo, Santana Lopes, e decorrente do conceito de redistribuição  de riqueza, é mais comunista do que Jerónimo e mais bloquista do que Catarina. Adiante. Avante. Não nos esqueçamos do seguinte; Santana Lopes está para Durão Barroso como Passos Coelho está para Sócrates. Ambos entraram para limpar borrada alheia, arrumar a casa e inverter processos de desarranjo político e económico. Ou seja, Santana Lopes, à falta de originalidade, tem argumentos que encaixam perfeitamente na matriz do poder instalado. António Costa deve ser considerado uma velha raposa, com a escola toda. Se um caloiro do PSD fosse promovido a regente, seria como entregar carne sacrificial ao rito de uma igreja ideológica e partidária que faz uso de todos os argumentos de desgaste e arremesso políticos. Vamos ver de que modo o PS volta a confrontar um seu velho adversário. No PS queriam o Rio, que é quase da casa, mas as bases do PSD já viram outros camaradas serem aliciados e depois corrompidos nos meses que se seguiram àquela noite longa de Outubro.

 

foto: Jornal de Negócios

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publicado às 11:58

Flog - fake blog

por John Wolf, em 06.10.17

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publicado às 14:52

O capital talvez tenha pátria

por Samuel de Paiva Pires, em 06.10.17

A Alemanha que se recusa a reconhecer que a União Económica e Monetária (UEM) gera desequilíbrios que levam a choques assimétricos, que acredita que os seus excedentes comerciais resultam meramente da boa gestão e não se devem aos desequílibrios estruturais da UEM e à utilização de uma moeda subvalorizada, que insistiu na narrativa dos trabalhadores do norte da Europa vs. os preguiçosos do sul e que empurrou vários países para resgates financeiros que tinham entre os seus principais objectivos a privatização de empresas em sectores económicos estratégicos, vem agora queixar-se da influência que a China tem sobre os países europeus em que investiu. Mais do que irónico, é ilustrativo quanto baste da falta de visão da liderança merkeliana e de todos aqueles que sofrem do que Ulrich Beck denominou por cegueira da economia, que atinge muitos economistas que, segundo Wolfgang Munchau, padecem de analfabetismo político-social.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 10:25

O PS descongela algumas carreiras

por John Wolf, em 06.10.17

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2011 não vos faz lembrar qualquer coisa? Não foi aquele ano em que tivemos o estoiro e a coligação PSD-CDS tomou conta das ocorrências? Vamos ver se eu entendo o que está em causa. Se estou a ler correctamente, António Costa e o tesoureiro Mário Centeno estão a ser particularmente selectivos, discriminatórios até - os trabalhadores promovidos pelo governo anterior ficam de fora do processo de descongelamento de rendimentos? É isso? Ou sou eu que vejo mal? Deve ser coincidência, mas soa a perseguição, a vingança, a derradeira ferroada nos resquícios do governo liderado por Passos Coelho. Em todo o caso, estes factos exprimem outra realidade. Doa a quem doer, já se começam a sentir os apertos das extravagâncias orçamentais e de gestão da geringonça. Às mãos largas seguem-se os pés chatos - a marcha da riqueza ficou comprometida. A Função Pública é uma espécie de mula para toda a carga. Puseram-lhe uma bela cenoura à frente do chanfro, mas aumentaram a distância entre a leguminosa e a fuça do funcionário. O Partido Socialista (PS) dá e tira. Deu ao Partido Comunista e tirou à CDU. Emprestou ao Bloco de Esquerda, mas penhorou a Catarina Martins. Meus senhores, isto vai acabar à estalada. Primeira regra dos negócios: nunca trair os parceiros. O PS constituiu sociedades de paz e progresso a jusante e a montante, mas foi avalista de si mesmo. Deu-se como garantia maior, mas o cheque político está careca. É tudo uma questão de crédito. Ou acreditamos ou não.

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publicado às 09:46

Frelicagra aqui, Frelicagra ali

por Nuno Castelo-Branco, em 04.10.17

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Frelicagra, Frente de Libertação do Campo Grande, uma brilhante ideia da joint-venture Miguel e Nuno, como tantas outras que foram surgindo nos tempos em que não existiam play-stations, telemóveis, ipad's, ipod's, iphones e outras coisas da tecnologia. Deitados no chão e geralmente de madrugada nas rotineiras jogatinas de Monopólio, hábito esse que já vinha dos tempos de África, o nascimento da Frelicagra deu-se enquanto devorámos batatas fritas cortadas à mão e descascadas da terra com que eram então vendidas no Val do Rio bem próximo. Eram depois acompanhadas por ovos estrelados cuja casca ainda tinha bem visíveis o selo de autenticidade que a bem agarrada caca de galinha poedeira demonstrava. Era este o maravilhoso Portugal imediatamente pós-PREC, Portugal esse ainda a braços com a conhecida técnica das greves cuidadosamente cronometradas: greve da água à segunda, do gás à terça, da electricidade à quarta e por aí fora. Talvez fosse uma boa desculpa para evitarem o banho colectivo semanal e o sabão macaco. 

Havia frentes para tudo, desde a frente de libertação da nossa terra que foi tudo menos isso que o nome indicava, até aos movimentos que ao estilo das amibas o PC - o MUTI, por exemplo, era o Movimento Unitário dos Trabalhadores Intelectuais que amalgamava sumidades e outras nem tanto assim, ou melhor, nada assim -  ia inventando para fazer de conta agregar boas e más vontades numa terra onde a inveja, a espionite e a maldicência são os pecados primordiais. Para além disso, ainda existiam organizações familiares como a Flama madeirense, ou a FLA açoriana. Porque razão seria o Campo Grande, a paragem mais baratucha e negligenciada do Monopólio, uma excepção?

Foram capciosamente executados muitos cartazes em papel de cenário, onde em letras garrafais a sigla ameaçadoramente surgia, um autêntico atentado à coesão da cidade de Lisboa. Prometia-se de tudo um pouco, desde a abolição de impostos para os residentes cujas tocas se situassem entre a praça de Entre Campos e o monumento ao Marechal Carmona. Os limites oeste-este eram mais difusos, estabelecendo-se a fronteira oeste talvez aquela esquina cuja artéria vai dar a uma das laterais do Hospital de Santa Maria e à Cantina da Cidade Universitária e a de leste no limite da Avenida de Roma e até ao Vá-vá, parte ocidental da Av. dos EUA incluída. Um enorme império com ambições de anexações até ao fim da Avenida da Igreja, incluindo-se assim o vitalíssimo Liceu D. Leonor. Estabeleciam-se várias portagens a toda a circulação automóvel, desde a mais importante que se situava na fronteira norte, até a outras secundárias como a da av. dos EUA ou a da Av. do Brasil. Um Estado soberano, dispensando os impostos aos seus naturais, tem mesmo de recorrer a quem o visita, ou seja, um antepassado da actual taxa hoteleira.

Também foram executados volantes, uma nítida cópia daquela folha distribuída durante anos a fio pelo CDS porta sim, porta sim. O conteúdo era aquele que se supunha na época, ou seja, promessas inacreditáveis numa prosa que faria corar de ciúmes os editores do Luta Popular, o órgão central do MRPP. Mata e esfola era o mínimo que por lá surgia, fosse a propósito dos cocós de cão na então bem mantida calçada de Lisboa, até às memoráveis cenas de pancadaria por uns copitos de carrascão do Cartaxo vendidos a veteranos que se reuniam na carvoaria do nº 190, um alfobre de potenciais candidatos a modelos de Brueghel. Um deles, o Perneta, era o mais afoito, usando a sua muleta de alumínio de uma forma tal que parecia artista de escola de esgrima. O berreiro era ensurdecedor e por vezes lá assomava à varanda a cabeça da Dona Flávia, a porteira que começava todas as conversas com o seu característico n'intanto que. Punha-se com o seu bem conhecido ó pcht!, ó pcht!, procurando moderar os palavrões que julgava então como exclusividade do seu marido. A Frelicagra pretendia a erradicação daqueles penetras e pernetas que vinham sabe-se lá de onde, talvez daquela vasta área que antes de ser a agora duvidosamente chique Alta de Lisboa, era então composta pelas Galinheiras, Camarate do potencial acidente, Musgueira, "bairro do aeroporto", bairro do relógio e a barracaria anexa onde vários continentes não conviviam em amena paz social. Eram aqueles panfletos policopiados e distribuídos por um bando de risonhos militantes, colocados em caixas do correio ou nos pára-brisas das carripanas de então. Recordo que nem sequer a carroça puxada pelo cavalo do cigano escapou à colagem das promessas. Claro que esperneávamos de tanto riso.

Assumia-se então plenamente o apelo à sedição e ao não cumprimento da Lei estrangeira, fosse ela qual fosse, a da municipalidade lisboeta ou a dos estranhos governos portugueses de então. O Campo Grande tinha tudo o que um Estado independente necessita. Forças Armadas, então alojadas naquilo que hoje é uma universidadezeca qualquer. Uma enorme e bem verdadeira Cidade Universitária, um grande liceu, e pelo menos duas escolas primárias, cafés, restaurantes, talhos, peixarias e padarias, havia de tudo e mais alguma coisa, como uma farmácia, por exemplo. Tinha pontos de abastecimento de vitualhas, um curso de água que fazia as vezes de Danúbio local, dois monumentos, um posto de polícia, a sede da Unita que logo passou a travestir-se de Concelhia do CDS, uma sede do PS e maravilha das maravilhas, tínhamos toda, toda a família Soares na antiga Rua do Malpique, sebosamente cambiada para o lambe-botismo normal de Rua Dr. João Soares (avô). Uma colossal Biblioteca Nacional e um centro comercial activo e outro em fase final de construção. Banca a rodos, desde a estatal CGD até ao Banco Fonsecas e Burnay ou BNU ou BPSM, já não recordo nem  quero saber. Plutocracia então ainda estatizada, claro, coisa que nitidamente significava a distribuição de prebendas interessantes entre irmãos daqueles e camaradas dos outros. 

Algo que nos escapou completamente foi o símbolo e olhando para aquela coisa nitidamente de praia, raiada e com uma estrela de Capitão América que hoje nos surge como se fosse algo como um facto consumado, fico a pensar que bem poderíamos tê-la então retroactivamente adoptado.

Quando já passada a febre Maduro, a febre roynghia, a febre afegã, a febre Brexit e todas as maleitas trumpeiras, temos então a febre catalã na qual o  tal artista Puigdemont com o seu cabelo à Piricas, confirma a escandalosa cópia dos idos e saudosos tempos áureos da Frelicagra.

Não sabia que o tipo da Generalitat tem 17 anos. Caramba, apesar de concitar farta risota, aparenta muito mais.

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publicado às 22:54

Jerónimo tem a foice e o queijo na mão

por John Wolf, em 04.10.17

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Jerónimo de Sousa está com os azeites. Em 2015 tinham-lhe prometido uma bela colheita se alinhasse com os socialistas e levasse a reboque o Bloco de Esquerda (BE), mas parece que lhe passaram a perna. O Partido Socialista conseguiu enganar os comunistas nas autárquicas e convencer uma mão cheia de marxistas a despir esse macacão. Falam de sedição e traição da Catalunha, mas a Coligação Democrática Unitária (CDU) não é uma região autónoma, reside no cerne da Geringonça e agora vem com a conversa do homem da luta, da insurreição de rua, do protesto pela reposição de rendimentos. Ou seja, é a própria Geringonça que se morde. O Rei Marcelo, que tem emissões a toda a hora, não imitou o monarca espanhol com a vã intenção de acalmar os ânimos. Há dias, de Belém, havia falado na necessidade de garantir o equilíbrio funcional da acção governativa. Embora os comunistas tenham levado uma ripada valente nas eleições autáraquicas e um desbaste decano de câmaras, no meu entender, são mais poderosos do que nunca. A receita original da Geringonça foi adulterada por António Costa, mas quem tem a foice e o queijo na mão é Jerónimo de Sousa. A laia de sugestão, de quem já não quer a coisa, e por entre as linhas, o chefe da festa do Avante vai emprestando a bons ouvidos os tons de meia-dose de ameaça. Diz, nesse código de luta sindical, que se esticarem o cordel, o homem puxa a alcatifa à Geringonça e entorna o caldo. O BE, coitadito, já não é a coqueluche querida dos anseios pseudo-iluminados da Esquerda - também lhes foram aos fagotes nas câmaras - zero. Resumindo e concluindo, enquanto Santana vai ou Montenegro vem, o Partido Social Democrata (PSD) que se apronte convenientemente. O saldo eleitoral não lhes é de todo desfavorável. A mudança de líder e de óleo podem ser feitas na mesma revisão. O motor da Geringonça parece ter uma junta problemática e deixa escorrer vestígios de crise antecipada. As autárquicas não merecem apenas uma leitura nacional. Exigem uma leitura racional. Agarrem Jerónimo, senão ele parte a loiça toda.

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publicado às 16:43

Passos Coelho: "it was a dirty job..."

por John Wolf, em 03.10.17

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Passos Coelho será injustamente lembrado por muitos, mas foi o homem certo no momento errado - "it was a dirty job and somebody had to do it". O homem que agora se prepara para sair da cena política, não escolheu o mandato. O mesmo foi imposto duramente e sem tréguas. A geringonça herdou uma casa arrumada e pôde libertar-se da Troika e de todo um léxico associado à Austeridade. Se houve alguém que teve de pagar um elevado preço político, essa pessoa foi Passos Coelho. E ele sabia-o a cada medida imposta, a cada decisão que castigava o contribuinte português, o trabalhador nacional. A personificação de tudo quanto é sinistro na sua pessoa foi habilmente promovida pela oposição, como se todos os males do mundo português e o descalabro económico e financeiro tivessem sido criados por ele. O Partido Social Democrata (PSD) enfrenta agora outros dilemas. Como se diferenciar e apontar as falhas de um governo de Esquerda embalado pela onda favorável do turismo e receitas conjunturais? O PSD, à falta de candidatos-estadistas para relançar a sua estirpe política, tem forçosamente de procurar noutro palheiro a saída desta crise de liderança e défice de carisma. Rui Rio ou Luis Filipe Menezes se fossem um só, uma soma de partes, talvez pudessem representar o partido com argumentos e credibilidade, mas essa construção não é possível. Se o PSD não foi capaz de produzir uma nova geração de lideres com profundidade e campo de visão (perdão, Luís Montenegro não tem o que é preciso), terá de validar outros vectores, outras propostas, correndo o risco de perder terreno para o ex-parceiro de coligação - o CDS. O processo de recalibragem não depende de uma figura de proa. Sustentar-se-á numa leitura ajuizada da realidade ideológica e política que extravasa os parâmetros de Portugal. O PSD não pode ser um mero agente reactivo ao poder instalado, à bitola ideológica, ao PS, o PCP, o BE e agora o CDS. Exige-se uma lavagem de conceitos operativos, um refrescar de propósitos, um realinhamento sem sacrificar os princípios fundadores, os valores de base. Nessa medida, mais do que homens-estandarte, serão as ideias que terão de se autonomizar. Serão axiomas e conceitos plenos que terão de servir de justificação. Por outras palavras, as respostas estarão na métrica da realidade, como por exemplo o nível recorde de dívida pública. Serão os factos inegáveis que emprestarão credibilidade às propostas, e menos o estilo de discurso ou as preferências de liderança. O PSD, à falta de cão, terá de caçar com gastos não previstos pelo seu guião clássico, tradicional. Se souberem aproveitar a crise estarão preparados para a próxima bancarrota.

 

foto: Expresso

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publicado às 20:50

Vamos a votos, sem tino...

por John Wolf, em 03.10.17

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publicado às 07:55

Oeiras, capital da ética

por John Wolf, em 03.10.17

 

E já agora, se um pederasta, pedófilo condenado e com sentença cumprida, fosse nomeado como presidente de uma comissão de protecção de menores? No comments.

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publicado às 07:16

10 anos de Estado Sentido

por Samuel de Paiva Pires, em 02.10.17

 

Foi há precisamente 10 anos que se iniciou o Estado Sentido. Neste dia, em que atingimos este marco simbólico, não poderíamos deixar de agradecer a todos os nossos leitores, comentadores e amigos por nos encorajarem a continuar por aqui. E já que estamos em maré de votações, aproveitem para visitar a página dos Blogs do Ano e votar em nós na categoria de Política e Economia.

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publicado às 11:30

O grande desafio

por Pedro Quartin Graça, em 02.10.17

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O PSD foi atingido mortalmente no seu último bastião eleitoral: as autarquias. Aquele, precisamente, que era a derradeira trincheira partidária e onde poucos pensavam que pudesse ser penalizado. Foi-o e foi-o duramente. Quem acompanha o comentário que por aqui fazemos não terá sido surpreendido. Na verdade, a noite de ontem foi o culminar dos erros sucessivamente cometidos. Entregue a jogos internos de barões e baronetes durante o consulado passista (a exemplo de outros consulados, diga-se, mas substancialmente agravado), o eleitorado social-democrata e as largas franjas de votantes flutuantes que, circunstancialmente, dão a vitória a um ou a outro dos dois maiores partidos, mostraram um cartão encarnado a Passos e à estratégia política suicida por este seguida. Reduzido a um partido de média dimensão nos principais centros urbanos e apenas resistindo no "mundo rural" , o PSD vai ter, se quiser voltar a ser o que já foi nos tempos de Sá Carneiro, de mudar muito daqui para a frente. De políticas, de estratégias e de pessoas que as possam interpretar. Se assim não o fizer, ou seja, se não retomar as suas origens e adaptar o seu programa reformista aos novos ventos da cidadania activa, o futuro será ainda mais negro. Conseguirá o "PSD profundo" dele "expurgar" todos quantos apenas dele se serviram e que nunca pensaram verdadeiramente em Portugal? Este é o grande desafio.

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publicado às 08:03

Eles comem tudo, quase tudo

por John Wolf, em 02.10.17

 

O Partido Socialista (PS), nas últimas legislativas, teve de se contentar com uma geringonça, mas se pudesse, congratular-se-ia com uma maioria absoluta para não ter de ficar refém dos comunistas ou bloquistas. Não foi isso que aconteceu nas legislativas e o PS tornou-se num partido dependente das doses radicais dos partidos mais à sua esquerda. A geringonça aproveitou os alibis internos e as exigências da sua ala mais "extrema" para fazer avançar uma agenda que, caso fosse necessário, poderia invocar como não sendo a sua. António Costa, que se alegra com o mal dos outros, nomeia o PSD como o grande perdedor da noite. Não está totalmente enganado, contudo a vista panorâmica tem de ser mais ampla e honesta. Os sócios comunistas da CDU perderam substancialmente em toda a linha - lá se vai a tese da leitura nacional que um bom resultado poderia servir para reforçar a legitimidade da geringonça. Uma das partes da geringonça sai ferida com gravidade deste embate. Fernando Medina, vendido como regente absoluto da cidade, e campeão das obras e do turismo, tem de agradecer o presente de António Costa (que largou a CML), mas sobretudo a um notável político que preparou o terreno para o incremento do Turismo em Lisboa. Adolfo Mesquita Nunes foi quem teve a visão, foi quem pensou Lisboa enquanto importante vector, enquanto região e capital económicas por excelência. Se tivessem nível, os ganhadores de secretaria e das autárquicas em Lisboa, ligavam os pontos para ampliar ainda mais a democraticidade abrangente da geringonça incluindo "inimigos". Mas não. Vivem de sobranceria ideológica - os socialistas são sempre melhores. Pelos visto Medina fez tudo de livre e espontânea vontade, e inventou a roda. No entanto, o facto de não ter conseguido a maioria absoluta em Lisboa significa que a pedra no sapato com que tem de marchar pelas ciclovias funcionará com um mecanismo de checks and balances: o posso, quero e mando já não será assim tão simples. E há mais. Não foi a Direita que saiu derrotada. Assunção Cristas encarna um perfil que transcende a bitola ideológica. Defendeu em campanha, e protege na oposição, causas definitivamente conotadas com justiça social e económica, mas que não são nem podem ser um exclusivo da Esquerda. E o prémio da noite, na minha opinião, vai para Rui Moreira. O independente foi capaz de travar as manobras e esquemas de um PS oleado há décadas para a manipulação nos bastidores e nos media.  De nada serviu, como Moreira bem frisou no discurso da noite, que Pizarro tivesse recrutado o governo de sua geringonça para descarrilar os seus intentos. Pizarro não teve fair-play, mas foi ajudado nesse tango manhoso. O PS que julga que não existem limites, levou uma castanhada no Porto. Quanto ao BE, não sei exactamente o que pensar. Estão ali em águas de blocalhau e podem ser vítimas dessa estagnação. Sabemos, face aos resultados da noite eleitoral de ontem, que o PSD vai ter de se reinventar, apanhar os cacos e fazer um reset. Mas não pode apanhar uns cacos quaisquer. A Manuela Ferreira Leite também pode apanhar a camioneta com Pedro Passos Coelho. Já não fazem falta ao partido ou ao país. Os comunistas, imutáveis perante as evidências, continuarão a musicar aquele pífaro de luta pelo trabalhador oprimido e a denunciar os opressores capitalistas. Estão, desse modo, no seu território preferencial, a jogar o papel que bem conhecem - o de vítimas. O PS irá espremer as autárquicas para canonizar a geringonça, mas em última instância será vítima do seu sucesso desmesurado. Isaltino, o cão-pisteiro, abriu o caminho para tantos outros, uns de Felgueiras, e outro da cela de Évora. Mas esse resultado espelha o povo, eticamente vergado e que se deixa enganar. Ouvi dizer que o maior derrotado da noite foi a abstenção, mas não é verdade. Foi uma metade que votou. Portanto apenas pode haver meio deleite.

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publicado às 07:26

Da importância do timing em política

por Samuel de Paiva Pires, em 01.10.17

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Uma das melhores qualidades que um político pode ter é saber quando deve retirar-se, evitando a humilhação de ser forçado a sair. Esta qualidade torna-se ainda mais importante em determinadas circunstâncias, como, por exemplo, quando um líder político-partidário fica indelevelmente associado a políticas impopulares, tornando-se um óbice ao regresso do seu partido ao poder. Passos Coelho ainda não percebeu isto. Paulo Portas, dono de um aguçado instinto político, soube precisamente qual o melhor momento para ceder o lugar. O resultado está à vista, especialmente em Lisboa.  

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publicado às 22:23

A descolonização da Catalunha

por John Wolf, em 01.10.17

 

 

Penso, imodestamente, que devemos olhar para o big picture e não tropeçarmos em simplificações ideológicas ou nacionalistas. O que decorre na Catalunha transcende a noção de legitimidade constitucional do referendo. Assistimos, um pouco por toda a Europa, a níveis de insatisfação económica e social das populações que depositaram grande fé política nas decisões de administrações centrais. Quer Madrid quer a União Europeia das Comissões e Parlamentos, dos regulamentos ou dos fundos estruturais, não foram capazes de interpretar os anseios das suas gentes. A Catalunha tem sido um contribuinte importante para o erário público de Espanha e, decorrente desse facto, esperava mais retorno do investimento político realizado. Observamos um evento que poderá ser designado por um "processo de descolonização". O império espanhol é composto por regiões que reclamam historicamente a sua independência e, à luz dessas mesmas considerações, a "luta armada" a que assistimos hoje (e os feridos resultantes da mesma), fazem parte do mesmo esquema de sucessão colonial - existem semelhanças entre os processos de separação que são flagrantes. E nem é preciso viajar a África ou à América Latina. A ex-Jugoslávia também havia empacotado no seu "Estado" um conjunto de nações e culturas dissonantes, uma lista de línguas maternas e um rol de dissidências internas de natureza política, social, económica e étnica. A repressão policial de Madrid, conduzida em nome da legalidade constitucional do referendo, servirá apenas para agudizar as posições, distanciar ainda mais aqueles que fazem fé da independência da Catalunha daqueles que desejam (a qualquer custo) a união de Espanha. Quando a violência eclode deixa de haver grande margem para um regresso saudável à mesa de negociações. Passam a valer ferramentas de toda a ordem. Não nos esqueçamos dos danos causados pela luta "por outros meios" da ETA - o terrorismo e as mortes violentas. O governo de Madrid enfrenta deste modo alguns dilemas existenciais. Remete o cidadão trans-regional para os tempos de censura e repressão de Franco e ao mesmo tempo promove a luta política (por outros meios) dos independentistas. Tinha a intenção de me afastar de considerações de ordem ideológica, mas não resisto à tentação. Estranho, de um modo visceral, que a Esquerda não esteja alinhada com a luta de um povo que reclama para si elementos absolutamente lineares; a possibilidade de escolher o seu destino enquanto aglutinador dos vectores nação, território, língua e poder político. A Espanha está em apuros, mas não será a única. Os factores de desagregação do conceito de união estão em alta. Foram muitos erros cometidos em Espanha, mas também na União Europeia. Não chamemos nacionalismo a esta manifestação de vontade. Essa é a arrumação clássica, fundamentalista, daqueles que não compreendem como nascem Estados e como findam impérios.

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publicado às 16:51

A queda do Muro de Madrid

por John Wolf, em 30.09.17

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Retrospectivamente saberemos interpretar a importância do que sucede na Catalunha.

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publicado às 18:12






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