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Cada um tem direito à sua lista VIP

por John Wolf, em 21.03.15

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Cada português tem direito à sua própria lista VIP. Fizeram a revolução dos cravos para quê? Assim que esgotarem os ingressos deste espectáculo teremos certamente novo passatempo. Um caso de plágio na revista Maria, uma mochila Disney abandonada à porta da sede do Partido Socialista, um espião infiltrado na cantina do Instituto do Mar e da Atmosfera. Enfim, mais moelas deploráveis servidas para distrair dos reais tormentos que afligem os cidadãos deste país. Se eu fosse o António Costa teria algum cuidado. Não vá algum sucedâneo de Sócrates surgir no enredo de uma outra bronca. Quando o putativo candidato a primeiro-ministro diz: "Temos de ter um sistema fiscal justo, e não de tratamento VIP para uns e de intransigência sobre os outros" parece esquecer que foi ministro da justiça em tempos não tão longínquos. Ou seja, demarca-se da responsabilidade colectiva que deve assistir a todos os políticos. Cada um dos governantes, do presente e do passado, assina os termos do contrato ético e moral que condiciona esta nação. O partidarismo, qualquer que seja a preferência ideológica, assenta na ideia de discriminação, da importância atribuída a uns em detrimento de outros. Ao oferecer-se para ser guarda-nocturno da devolução da confiança aos cidadãos, António Costa expõe-se às contrariedades do seu percurso político, seja na Câmara Municipal de Lisboa, seja nos entroncamentos dos vários governos socialistas de que fez parte. A consanguinidade de interesses foi o que permitiu a sua respiração no pelourinho de Lisboa ou na capelinha do Rato. Por outras palavras, este senhor tem a sua própria listinha VIP, como terão todos os outros políticos, agentes da alegada segurança económica e social dos portugueses. Afinal, o Araújo dos sabonetes tem razão. Isto cheira mesmo muito mal.

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publicado às 14:48

Jornalismo e lavagens automáticas

por John Wolf, em 17.03.15

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Nuno Roby Amorim tem toda a razão, e passo a citá-lo:

"Não estou a perceber uma coisa. O advogado do ex-Primeiro-ministro José Sócrates, João Araújo, virou-se esta manhã para uma jornalista à porta do Supremo Tribunal de Justiça em Lisboa e disse-lhe: “A senhora devia tomar banho. Cheira mal!”. Mais à frente ripostou “Desampare-me a loja!”. À hora dos jornais televisivos, ao fazer zapping, tirando o Correio da Manhã onde a jornalista trabalha, não vi nenhum discurso de indignação nem nenhuma reacção critica por parte das direcções de informação, colegas, Sindicato de Jornalistas, ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social ou mesmo da Ordem dos Advogados. Na minha modesta opinião, este não é um tema para se fazer apenas uma noticia, mas uma altura para mostrar indignação e sobretudo pedir desculpas públicas. Todos os que se calam agora amanhã não venham fazer criticas ao jornalismo porque aceitar com normalidade a javardice e a selvajaria é meio caminho andado para a instauração de uma sociedade mais bruta, estúpida e irresponsável. A justiça não pode ser transformada na Casa dos Segredos..." (...)

 

Não tenho nada a acrescentar. Não nos deixemos distrair com isto.

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publicado às 08:54

Segurança Social e carreira política

por John Wolf, em 05.03.15

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CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA POLÍTICA

 

Informa-se que está aberto o concurso de admissão à carreira política.

 

Requisitos dos candidatos:

  •  Licenciatura em Estudos Superiores de Política e Ética (classificação mínima de 14 valores).
  •  Cidadania portuguesa.
  •  Ser maior de idade.
  •  Estar filiado num partido político ou ser um cidadão independente.
  •  Não ter cadastro criminal.
  •  Não ter dívidas fiscais.
  •  Não ter dívidas à Segurança Social.
  •  Apresentar todas as declarações de rendimentos.
  •  Não receber dotações financeiras ocultas para o desenvolvimento de campanhas políticas e afins.
  •  Não dar ou receber prendas a/de amigos que emprestem habitação em capitais europeias.
  •  Prescindir de actividade profissional desenvolvida no sector privado.
  •  Proibição de retornar à anterior actividade profissional.
  •  Não ter familiares que possam beneficiar do cargo público ocupado.
  •  Não comunicar a partir de celas de prisão.
  •  Ter o boletim de vacinas em dia.
  •  Não sofrer de alcoolismo.
  •  Não padecer de anomalias psíquicas. 
  •  Não ser toxicodependente.
  •  Não ser traficante de influências.
  •  Capacidade de estruturar ideias.
  •  Aprovação em exame de aptidão cultural.
  •  Aprovação em exame de língua portuguesa (escrito e oral).
  • Obrigatoriedade de se apresentar no local de trabalho no horário legalmente estabelecido.
  • Obrigatoriedade de renunciar ao cargo ao mínimo indício de prevaricação legal, criminal, substantiva ou formal (decorrentes ou não do cargo público ocupado).
  • Obrigatoriedade de não ocupar posições de relevo em organismos internacionais que condicionem decisões políticas nacionais.

 

Tenho a certeza que teremos milhares de candidatos que preenchem os requisitos enunciados. O futuro de Portugal está garantido.

 

 

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publicado às 08:35

Ver-se Grego ou não

por John Wolf, em 17.02.15

Choices

 

 

Um questionário exigente foi colocado diante dos idealistas utópicos e homens livres. Estão com Tsipras, Varoufakis, Syriza e a Grécia na revolução que estes pretendem trazer à Europa, ou estão com aqueles que dizem proteger Portugal da hecatombe helénica(?). Estão com a inocência de Sócrates ou contra o sistema judicial português (?). Estão com os indicadores económicos que começam a ser favoráveis a Portugal ou estão com António Costa que diz que vai demolir a Austeridade(?). Estão com Putin na sua epopeia revanchista ou estão com os Atlanticistas da NATO (?). Estão empenhados na salvação solidária do povo grego ou estão mais interessados em extrair vantagens financeiras das suas iniciativas junto da ex-Troika (?). Estão mesmo com Charlie ou  já estão com um pé em Copenhaga (?). Estão com a permanência da Grécia no Euro ou estão com os cumpridores de contratos assinados (?). Estão com os gregos que querem receber dinheiros da segunda guerra mundial ou estão com aqueles que podem ter de pagar a ex-colónias africanas (?). Estão no Carnaval de Torres Vedras ou preferem o de Ovar? Escolhas difíceis, sem dúvida. Especialmente a derradeira.

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publicado às 09:34

Don´t cry for me Greece

por John Wolf, em 12.02.15

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Vamos lá ver se a gente se entende. Foi a 12 de Junho de 1975 que a Grécia solicitou a adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE) e a 1 de Janeiro de 1981 tornou-se efectivamente membro da CEE. Foi aquele país que quis fazer parte do clube da modernidade europeia. Foram eles que analisaram as implicações do projecto europeu. Ou seja, a Grécia dispôs de 40 anos para se organizar de um modo sustentável e pôr a casa em ordem. Teve quatro décadas para praticar a economia de mercado que bem quis. Teve tempo suficiente para passar de um país economicamente atrasado a país desenvolvido (ou em vias de desenvolvimento). Recebeu rios de dinheiro a fundo perdido (tal como Portugal), ao abrigo da necessidade de nivelar as diferenças entre o norte e sul da europa comunitária - os tais fundos estruturais e outros com a mesma finalidade. Pelo meio ainda teve fôlego para brincar à "sofisticação dos ricos" e organizar uma edição dos Jogos Olímpicos. Mas lamento: agora tenho de entrar com uma componente cultural, a dimensão que determina o sucesso de uns e o falhanço de outros. Podem vir com o argumento da intenção do eixo franco-alemão em alargar os seus mercados a compradores de Mercedes e BMWs por essa Europa fora, mas essa explicação assente numa ideia de exploração colonial intra-europeia não pega. Por que razão uns se propõem a objectivos e os alcançam, e outros nem por isso? Por que razão uns são suecos e outros cipriotas? Será uma questão étnica ou racial? Não. Será uma questão ética? Talvez. Provavelmente. Certamente. Em tempos de convulsão política onde se exige a cabeça de uns e os braços de outros, estamos obrigados a esta reflexão sobre as causas profundas do descalabro existencial de certas sociedades. Esse exercício de auto-crítica é penoso, mas qualquer nação à face da terra está obrigada a encarar a sua condição existencial. Pode ser que o paradigma europeu esteja a ser posto em causa, mas a explicação exclusivamente financeira não serve para responder à totalidade do questionário. Se o casamento entre a Grécia e a Europa tiver que chegar ao fim, que assim seja, sem dramas. Provavelmente com drachmas.

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publicado às 09:18

Sócrates e a "meia-culpa" dos socialistas

por John Wolf, em 09.02.15

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O Partido Socialista parece começar a entender as implicações da porcaria deixada pelo camarada Sócrates. Os socialistas têm dois caminhos à escolha: ou sim ou sopas. Se continuarem ao lado do recluso número 44, correm o risco (já correram, porventura) de contaminar os altos princípios e valores que norteiam a sua casa. Por outras palavras, os socialistas já devem saber que há muito pouco que podem fazer para safar o amigo. Neste intervalo, durante o qual as visitas a Évora foram mais que as mães, as investigações avançaram ainda mais, e todas as balelas de Soares sobre a inexistência de provas já não servem, se é que alguma vez serviram, para alguma coisa. Por esta ordem de ideias vai imperar a máxima: se não os podes vencer junta-te a eles. Os socialistas temem que o diabo vá tecê-las mesmo em cima de calendário eleitoral. Não seria muito simpático para António Costa ter de lidar com o proferir de sentença de Sócrates à boca das urnas. O secretário-geral, e candidato a candidato a primeiro-ministro, já tem problemas suficientes causados pelo conservador de soberanias europeias chamado Tsipras. No entanto, há algo de bizarro no entusiasmo da proposta legislativa. Confiscar os bens dos políticos significa exactamente o quê? Que a licença para o exercício da actividade política se mantém intacta mesmo após a determinação de ilícitos? Ah! Já percebi. É a ideologia, estúpido. Por serem socialistas acreditam na reintegração de delinquentes na sociedade, na tal ideia de justiça e solidariedade para como aqueles caídos em infâmia, perdão, desgraça. Como podem ver, não arrastei os bloquistas para estas arrelias. E há uma razão para tal, que se consubstancia na folha limpa daquele partido. Por mais que não alinhemos com as infantilidades de Catarina Martins e seus colegas, a verdade é que (por enquanto) nada há apontar na folha de cálculo de corrupção que eventualmente lhes diz respeito. Mas voltando aos socialistas, não sei se esta meia-mea culpa basta. Eles sabem que, possivelmente dentro do seu regime, da sua organização, há muito material de político alheio que pode vir a ser confiscado assim sem mais nem menos. É o que dá ter telhados de vidro pagos por um Santos Silva ou um sucedâneo qualquer.

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publicado às 09:23

Sócrates e os amigos de ocasião

por John Wolf, em 12.12.14

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O Partido Socialista vai pagar um preço ainda mais elevado pela sua delinquência ética - os amigos não são para todas as ocasiões. Parece que para os lados do Rato a amizade tem outro significado. Já ouvimos vezes sem conta aquelas balelas sobre a separação de águas, a destrinça entre a relação pessoal, de amizade e o que ocorre na vida política, pública. No entanto, as coisas não são assim. Um amigo meu que tenha prevaricado ou cometido uma ilegalidade continuará a merecer o meu respeito se for lesto a admitir a sua culpa e a procurar corrigir os desvios praticados. Já sei o que vão dizer alguns correlegionários: presunção de inocência, inocente até prova em contrário - mais treta menos treta. Das duas uma; ou os amigos aceitam a decadência ética e moral do companheiro (e equiparam-se ao mesmo, são iguais), ou definem claramente no seu espírito uma linha de demarcação. Há ainda uma extensa lista de amigos que irá fazer-se à estrada em direcção a Évora nesta época de Natal das prisões. Nos dias que correm parece haver uma grande falta de espinhas, de colunas verticais - homens capazes de escolher o caminho da correcção, do respeito por valores maiores. Quando a bola começar a rolar com maior intensidade, quero ver como vão descalçar a bota. Afinal não era amigo. Era um mero conhecido. Desculpe, conheço-o de algum lado?

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publicado às 14:13

As razões de vida de Marques Mendes

por John Wolf, em 17.11.14

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Se houvesse alguma coerência e sentido de ética, a SIC já deveria ter prescindido de uma série de comentadores. Em vez disso, concede-lhes direito de antena - direito de resposta. Maria João Ruela, ou qualquer outro dos seus colegas dessa estação de televisão (ou de outra que queiram elencar), pode brincar às adivinhas, às perguntas e respostas, e fingir exercer jornalismo, mas não tem culpa no cartório. A repórter é um(a) pau-mandado e faz o que o patrão lhe manda fazer. O ex-ministro Miguel Macedo fez o que outros já fizeram (o barão do PS Jorge Coelho demitiu-se após a queda da ponte de Entre-os-Rios) e salvaguarda o princípio de responsabilidade política por mais remota que seja a sua ligação a forças desviantes, a erros de governação e ilegalidades. E essa regra transcende as interpretações decorrentes das minhas preferências ideológicas. Marques Mendes, embora inócuo e inconsequente, e de utilidade duvidosa, serve para ilustrar as várias nuances do absurdo que assola Portugal nos tempos que correm. O senhor explica " ter entrado nesta empresa com mais três pessoas depois de ter deixado a vida política ativa", mas sublinhou que nunca exerceu "qualquer cargo" e "por razões da vida" acabou "por não prestar qualquer atividade profissional a esta sociedade". Com o caneco; eu entro em minha casa todos os dias, sirvo-me da casa de banho, uso a cozinha e deito-me na minha cama, mas não digo que tenho casa há dez anos e que nunca me servi dela por razões de vida. Então por que carga de água Marques Mendes fez parte da empresa? Para servir de porteiro? Para decorar a fachada? Mas o homem não fica por aí. Aproveita a cadeira do estúdio para picar o ponto com: "Eu pauto-me por princípios e na vida tem de haver princípios, cada um responde pelos seus atos e em democracia, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei, sejam amigos, sejam conhecidos, sejam parentes, sejam familiares, seja quem for, a lei é igual para todos e se alguém comete um ilícito tem de haver mão pesada da parte da Justiça", defendeu. Contudo, o mais grave destas cenas picarescas, é que para a semana que vem, bancadas repletas de cidadãos portugueses continuarão a sintonizar o tal canal para escutar com atenção mais balelas, ruelas - também sei encostar o queixo à mão.

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fotografia JW por Kenton Thatcher www.kentonthatcher.com

 

 

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publicado às 08:35

Os sentidos proibidos de Ferro Rodrigues

por John Wolf, em 01.11.14

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Não existem nomes proíbidos no Partido Socialista (PS), caro Ferro Rodrigues. Por mim, até podem inventar nomes e apelidos, e inscrevê-los no vosso partido. E, sim, é verdade. O PS não é o Partido Comunista (PC) da União Soviética nem é o PC português. Porque esses ao menos são (ou foram) coerentes e íntegros. Mantiveram-se firmes nas suas convicções. Não invocaram princípios para realizar o seu oposto. Não falaram em nome do povo, e não encheram os bolsos de redes de influência e práticas neo-liberais. O PS pode até beatificar José Sócrates e retirá-lo do índice da excomungação, mas Portugal sabe quem lhe causou sérios danos. Os portugueses sabem quem desferiu o golpe de misericórdia que conduziu ao desmoronamento e à emergência de um memorando. Ferro Rodrigues pode não ter perdido o jeitinho da bancada, e o sarcasmo que nos conduz a parte incerta, mas confirma que não respeita a história do país e insulta os seus cidadãos. O regresso de Sócrates à galeria de todos os santos socialistas não nos deve surpreender. Faz parte da lavagem cerebral que nos querem impor. E sim, os partidos comunistas são exímios na doutrinação. Afinal as parecenças com o PC, são mais que as destrinças. Da próxima vez, talvez possam encontrar outro termo de comparação. Algo de índole anarquista ou religiosa. Não sei qual o propósito da reabilitação de Sócrates nos meandros políticos de Portugal, mas coisa boa não será. 

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publicado às 19:02

Correio de manhosos

por John Wolf, em 21.08.14

Não é necessário chegarmos à situação que se vive em Ferguson nos EUA, mas o Correio da Manhã faz a sua parte para que se caminhe nessa direcção. Não se pode admitir que nesta bela peça de jornalismo a seguinte frase tenha sido publicada a propósito dos desacatos ocorridos no centro comercial Vasco da Gama: "A PSP impediu a entrada de jovens de raça africana no estabelecimento comercial." (...). Raça africana? Se existe uma comissão de ética  dos meios de comunicação social, esta já deveria ter notificado o pasquim da manhã e sancionado o seu desvio à deontologia que se exige no exercício da profissão. Não podemos aceitar alguma forma de insinuação ou distorção racial de qualquer meio de comunicação social e em relação a qualquer grupo étnico ou racial. Neste artigo sucede de um modo flagrante e intensamente condenável. Mais grave se torna a "gaffe" se tivermos em conta o passado colonial de Portugal. Neste mundo de guerras avulso, Palestina, Gaza, Israel, Muçulmanos, Católicos e Judeus, ao menos que haja correcção nos nomes que se chamam. A não ser que se tenham outras intenções.


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publicado às 10:05

Quando um presidente da república portuguesa recebe uma prenda oficial de um dignitário de outro país, recebe a mesma em nome dos portugueses - é essa a interpretação que eu faço. Que conveniente que não haja legislação que determine o modo de proceder, que o titular do cargo público em causa possa pôr e dispôr dos presentes que colecciona ao longo de um ou dois mandatos. A apropriação que Mário Soares fez dos presentes que lhe foram concedidos deve ser considerado um roubo. Não foi Mário Soares que foi presenteado com serviços de loiças e quadros de notáveis pintores - foi o povo português. O presidente é um mero representante dos cidadãos nacionais, o homem da portaria de um grande edifício nacional.  A colecção que "mirou e levou", e que se acha instalada na Fundação Mário Soares, não lhe pertenceria se o ex-presidente da república tivesse um pingo de ética, uma réstia de dignidade, o sentido de Estado que distingue a magistratura dos grandes. Sim, uma auditoria deveria ser iniciada para determinar a qualidade e o valor dos bens entregues e levados de Belém, e, sem rodeios, se apurar o que foi transferido para a Casa Museu de Soares. Para além do seu valor simbólico, político e histórico, os presentes têm uma cotação nos diversos mercados de arte da especialidade. Sim, dinheiro também é uma das dimensões da questão. Como podem constatar, os políticos são os primeiros a usar expressões como "código de conduta", mas não passa disso, morre aí. Os presentes de Belém são um tabu? Tabu uma ova Fabergé.

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publicado às 09:21

Tudo bons banqueiros

por John Wolf, em 09.08.14

Exemplos de uma classe profissional bem representada. Seguramente há outros. Há mais.

 

BPN -  Oliveira e Costa

BCP - Jardim Gonçalves

BPP - João Rendeiro

BES - Ricardo Salgado

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publicado às 14:14

Portugal, o BES e o fim da confiança

por John Wolf, em 31.07.14

Que se lixe a queda na bolsa das acções do Banco Espírito Santo (BES). O mais grave de tudo isto tem a ver com um valor intangível: a confiança. Por causa de salafrários como Ricardo Salgado, Jardim Gonçalves, José Sócrates ou Vale e Azevedo, para nomear apenas alguns de um imenso caldeirão de bandidos, o país inteiro passou a estar sob suspeita. A cada 24 horas que passa nasce mais uma extensão de uma longa novela de prevaricação. Acordamos, e mais três são implicados. Um deles, o delfim-genro de Ernâni Lopes, de seu nome Joaquim Goes (melhor aluno da Universidade Católica, segundo consta). Por causa destes sujeitos, já nem confiamos na Dona Ercília da Mercearia do bairro - "O pão é de hoje? É sim senhor. Acabadinho de chegar na Sexta-feira passada". Para além de todos os processos judiciais que possam decorrer da investigação às actividades financeiras destes indivíduos e dos grémios que os viram nascer, o povo português deveria levá-los à barra dos tribunais por danos morais e psicológicos causados. Deixamos de confiar. Qualquer coisa que mexa ficamos logo em sobressalto - de pé atrás. Começamos (ou continuamos) a ter dúvidas sobre as grandes instituições financeiras e os seus timoneiros, mas também a vacilar em relação à oficina de reparação da viatura e a conta apresentada, ou por causa da extensa lista de medicamentos inscritos na receita do dermatologista lá da seguradora. O português tem motivos para desconfiar. O cidadão nacional tem razões para olhar sobre os seus ombros. O povo, por estas razões todas, tem a obrigação de escrutinar os políticos, de espremê-los até ao tutano. Se não o fizer, a porta ficará aberta para ainda maiores desgraças. Entretanto, esta estória, para além de mal contada, está longe do seu desfecho.

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publicado às 11:45

Tino de imorais

por John Wolf, em 25.06.14

Não é apenas o PS que deve procurar o discernimento e dedicar-se a métodos de auto-análise. Penso que certos residentes do concelho de Oeiras devem submeter-se a semelhante tratamento. Se perguntar a um morador desse concelho a sua opinião sobre Isaltino Morais, a mais que provável resposta será: "roubou, mas deixou obra". E é aí que reside grande parte do problema nacional. A falência ética e moral. O pactuar com as transgressões e o ilícito, e, se isso acontece, é porque o comportamento desviante é considerado aceitável, praticado pelos subscritores. Existe ainda outra dimensão respeitante à doutrinação autárquica. Para coleccionar opiniões favoráveis no concelho é necessário que algumas migalhas do espólio sejam repartidas pelos amigos para todas as ocasiões. Iremos assistir ao regresso do condenado de um modo subtil, paulatinamente. O ex-camarário não se deve quedar pelos aposentos domésticos. Assistiremos nos próximos dias à primeira grande entrevista após a sua libertação, quase de certeza, com o patrocínio da SIC - é costume pegarem nestes descaídos e oferecer tempo de antena. 

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publicado às 10:04

Proposta de monogamia do BE

por John Wolf, em 07.04.14

Não sou da Esquerda nem sou da Direita, porque já não faz sentido usar essa régua (regra) para medir a política. Sou adepto de ideias que sirvam as causas das sociedades, que promovam a justiça e se alicerçam na transparência dos próprios processos democráticos. Não podia concordar mais com esta proposta do Bloco de Esquerda - os deputados devem estar em situação de dedicação exclusiva no desempenho das funções que lhes foram atribuídas pelos cidadãos nacionais. A esfera pública não se pode misturar com os interesses do domínio privado, e vice-versa. Quer ganhar dinheiro à séria? Então escolha outra profissão. Crie uma empresa, seja advogado corporativo, mas mantenha-se à margem do exercício de cargos públicos. Eu iria mais longe até. Vamos pensar nas presidências de câmara e nesse bicho híbrido que ainda vai fazer correr muita tinta - as empresas que resultam de parcerias público-privado. A política não pode ser uma zona cinzenta para acumulação de cargos e salários. Deve ser um território de eleição, onde o sentido de missão e abnegação determinam as condutas. É óbvio que muitos dirão, em sua defesa, que a experiência no sector privado pode ser arrastada para o serviço público. Pode sim senhor, como também podem ser dispersas pastas sensíveis que consubstanciam a ideia de conflito de interesse - promiscuidade. Se eu pudesse votar este diploma, fá-lo-ia sem reservas. O salário de deputado está bastante acima da média do cidadão prostrado pelas incursões castradoras de um regime fiscal austero. Nem vou entrar no campo das ajudas de custo e outras regalias que fazem parte do pacote parlamentar. Vou ser simples e linear no juízo que faço desta proposta de regime. Quer servir o país? Então, bem-vindo. O salário não é milionário, mas os almoços na cantina também não são caros. E não há almoços grátis.

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publicado às 15:10

O fim do prato do dia

por John Wolf, em 06.11.13

A austeridade já toda a gente sabe o que é (menos o governo). No dia a dia convivemos com "ela" quer queiramos ou não. Aliás, ela faz-se convidada para quase todos os eventos. Nas repartições de finanças, nas farmácias, nos autocarros, no comboio e nos restaurantes. Vem a propósito esta posta porque os vulgares "pratos do dia" correm sério perigo de vida. O aperto económico, sentido a montante e a jusante na cadeia alimentar, não poupou clientes nem restaurantes. Os primeiros deixaram de frequentar restaurantes de bairro e casas de pasto. Os segundos privados de casas cheias e confrontados com a solidão de uma mesa de casal ocupada a meio-gás, começam a "inventar" receitas de embuste a preços falsamente simpáticos. São travessas de enganos servidas a quente, como se fossem vinganças pelos almoços em falta. Os chefes que enfiam o barrete branco, tentam salvar a casa a todo o custo com fórmulas, que embora não sejam de "canal Caveira", põem em causa a saúde pública. Como cozinheiro doméstico que sou, já tenho currículo que baste para perceber os aproveitamentos de roupa velha. Nem é necessário morder o isco para perceber que "aqui há gato". Um simples nariz empinado consegue perceber que a mudança de óleo na cozinha não foi feita às 25.000 frituras como manda a lei, que a carne guisada passou dos limites da marinada, que o peixe fresco já havia sido baptizado desse modo na semana passada. O alarme que parece que estou a accionar tem razão de ser. Os cafés e restaurantes que sempre trabalharam as margens de um modo folgado, não têm pudor quando se trata da saúde alimentar dos seus clientes. Os surtos de intoxicações alimentares serão cada vez mais frequentes. No meio deste buffet de irresponsabilidade, o cidadão que vem a bem com o pouco que ainda resta na carteira, não regressará a estas selectas pousadas, se tiver a sorte de sobreviver às náuseas do repasto. Já começei a compor a minha lista negra de estabelecimentos regidos pelo "gato por lebre", e podem ter a certeza que não regressarei a tal ementa. Este tipo de comportamento desregrado não é culpa da crise. Tem a ver com falta de escrúpulos comerciais, a falta de ética - diética. O prato do dia já não nasce no dia. O prato do dia tornou-se na última ceia de confiança.

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publicado às 17:35

Quarenta e quatro mil milhões de euros é o valor da economia paralela de Portugal. O equivalente a 26% do Produto Interno Bruto. Face a estes números verdadeiramente escandalosos não há maneira de escusar muitos cidadãos deste país. Não há volta a dar ao texto por forma a ilibar milhares de contribuintes desta vergonha ética e financeira. Afinal, Portugal dispõe, porventura desde tempos imemoriais, de meios para se sustentar de um modo digno e honrado. Imagine-se que, se essa economia não fosse paralela, mas fosse vertical, Portugal necessitaria apenas de metade da ajuda externa recebida que foi concedida nos termos tão penosos que se conhece. A presente invasão fiscal do governo e da troika, também se deve, pelos vistos, à evasão fiscal. Neste quadro, uma dívida até pode ser considerada um tumor benigno - um mal decorrente da mera existência económica -, por exemplo um modelo de negócio que não correu bem ou uma aposta no cavalo financeiro errado. São coisas que acontecem e que fazem parte do comportamento económico e financeiro de uma qualquer actividade desenhada para arrecadar mais-valias. Mas a fuga ao fisco, realizada de um modo intencional, não deve ter perdão. Bem sei que o enquadramento jurídico de Portugal ostenta como bandeira de liberdades e garantias, a inviolabilidade do princípio de que o mau pagador, ou melhor, devedor, nunca vai preso. E o que acontece aos evadidos que andam a monte? Esses continuam a monte com montantes indefinidos. A haver uma reforma constitucional, por forma a inaugurar um normativo desfavorável para o evasor fiscal, colocando-o efectivamente atrás de grades para cumprir uma sentença, Portugal iria estimular um outro sector fundamental da economia. O sector da construção e obras públicas teria de avançar e erguer cadeias gigantescas por forma a albergar tantos prevaricadores on-shore. E isso, por sua vez, constituíria uma outra forma de desvio orçamental, pago pelos justos e pelos pecadores. O dilema que Portugal enfrenta é, sem papas na língua, uma encruzilhada moral - uma decisão que obriga cada membro da sociedade  a cumprir com a sua palavra, com uma mão ao peito e a outra na carteira. Repito: 44.000.000.000 de euros. Uma quantia simpática que serviria para tirar muitas barrigas da miséria de barracas. Que serviria para refundar a missão das reformas e pensões. Que serviria para tantos cuidados primários de saúde. Que serviria para ensinar a língua inglesa a pré-cráticos e pós-cráticos. Que serviria para pagar as custas judiciais decorrentes das acções contra aqueles que lesaram a pátria roubando descaradamente um quarto do bolo confeccionado pelo país. Quanto ao amor-próprio, dizem que esse não tem preço, que não há dinheiro suficiente para o corromper.

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publicado às 20:05

Ricos imigrantes precisam-se

por John Wolf, em 07.09.13

 

 

O Diário de Notícias relata neste apontamento de redacção que o governo pretende criar uma agência para atrair imigrantes ricos. "Pedro - o Lomba" (sim,  Tadeu diz "Pedro - o Lomba", vejam o filme) foi encarregado de anunciar esta nova loja do cidadão abastado. A ideia, que parece ser um Sonho Americano invertido, serve para confirmar que a ideia de "self-made man" não funciona em Portugal. O governo quer a papinha feita. Quer que jactos privados aterrem na Portela com passageiros carregados de massa, dispostos a largar o guito assim sem mais nem menos. Ou que génios, netos de Einstein, venham estagiar em Aveiro a troco de uma bolsa furada ou coisa que o valha. Este proto-projecto esbarra com a ideia de mérito, de sucesso alcançado a partir do nada, da mala de cartão que chega, que vem e não vai - rumo a Paris. Esta solução apenas confirma que duas décadas de presença de brasileiros e ucranianos não foi suficiente para que estes vingassem e fossem bem sucedidos nos seus intentos. O ambiente não lhes foi propício. Vieram com uma mão atrás das costas e foram-se com as duas feitas num oito. Esta magnífica ideia, para além de discriminatória, por apelar às elites intelectuais e financeiras de outros países, constitui um atentado ao pobre coitado (nacional ou não) que não reúne os requisítos propostos. O conceito anda perto de práticas de regimes nacional-socialistas - um processo de selecção de uns em detrimento de outros. São estes os valores que Portugal agora encarna? O país que foi o primeiro a abolir a escravatura. E pensam que os outros são idiotas? Esses prospectivos milionários que querem captar, muito provavelmente foram eles próprios os indigentes nos seus países de origem. Homens e mulheres com um par de sapatos sem sola, nada no estómago e nos bolsos, mas que foram capazes de se construir a partir de muito pouco. Este atalho chico-esperto não passa disso e há outra questão ética e financeira que se apresenta na alfândega, nos serviços de estrangeiros e dinheiros. Serão notas limpas as que trazem na mala? Ou será que ninguém quer saber, desde que seja uma divisa consensual? Ao subscrever este tipo de medida, o governo passa um atestado de incompetência aos esforçados da casa e manda-os dar uma volta. Vai trabalhar malandro, não vês que estamos aqui a atender um cliente como deve ser? Isto é mau demais para ser verdade. Olha lá? Só agora é que me lembrei: eu também sou um imigrante!

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publicado às 15:37

Isaltinices

por João Pinto Bastos, em 13.08.13

Conhecem Wesley Snipes? Estou certo que sim. Pois bem, o actor em questão foi preso há algum tempo atrás por um delito de evasão fiscal. Acatou a decisão da Justiça americana, e cumpriu a pena de prisão a que foi condenado. Durante esse interregno, Snipes foi repetidamente convidado para contracenar em alguns projectos cinematográficos. Obviamente, esses convites foram rejeitados, em virtude do cativeiro atrás referido. Comparem, agora, a situação de Snipes com a de Isaltino. Vejam a gritante diferença entre um astro de Hollywood, mundialmente conhecido e reconhecido - não sou um grande fã, diga-se de passagem -, que respeita escrupulosamente a decisão da Justiça, e um político fraco e amoral, adepto incondicional do esquemismo serôdio, que, mesmo estando preso e recluído, acede aos apelos ridículos dos seus sequazes, e avança para uma candidatura autárquica. As diferenças são notórias, e começam, em primeiro lugar, na própria noção que nós, portugueses, damos ao significado de "viver em comunidade". A virtude, apanágio das repúblicas sãs, não é, de facto, um privilégio deste regime.

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publicado às 17:45

Major-Fiscal Valentim Loureiro

por John Wolf, em 03.08.13

Valentim Loureiro expressou, de um modo sincero e honesto, que deseja colocar-se ao serviço da nação. Caso não tenham reparado, o Major Tom, marchou lado a lado com os indignados, aliou-se às causas da sociedade civil e fundou um movimento independente. O ex-muita-coisa finalmente saiu do armário para se assumir como um indivíduo que quer a maior distância possível daqueles políticos metidos na porcaria, aqueles que prevaricam, aqueles que roubam o erário público. Estamos na presença de um homem movido pela grande causa ética. Um soldado da fortuna que já não ambiciona o poder, mas que se põe a jeito para fiscalizar as acções políticas dos outros. Um escritor que discorreu com a sua própria caligrafia os termos da sua relação com a Câmara de Gondomar - "não sou eu que vou dirigir a Câmara" -, declara Valentim - "vou fiscalizar a Câmara com os membros da Assembleia Municipal". Pela primeira vez em muitos anos assistimos a uma decisão coerente. Um auto-casting que está longe de ser um erro de condução política. O homem será provavelmente dos mais capazes para cheirar a grande distância as falcatruas e desvios de autarcas gulosos. Este homem não é o Major que conhecemos, este militar é o General da prevaricação que sabe-a toda. Ele é o fiscal certo para o job. Nas campanhas em que participou nas guerras ultramarinas, para além do coldre que berçava pólvora seca, o raso aprendeu os truques respeitantes a desvio de colunas e mantimentos. Devo confessar que fiquei um pouco surpreendido com a falta de ambição do ex-autarca. Esperava que, no exercício da mesma função de fiscalização, quisesse estar num posto mais alto, na mesa de negociações com a Troika, para aferir de um modo inequívoco que ninguém leva a melhor aos Portugueses. Mas depois pensei no seguinte; se Loureiro, vindo em paz, como poeticamente reitera, aparecesse na confraria da salvação de Portugal, provavelmente os termos do memorando teriam de ser revistos, e, sem margem para dúvida, agravar-se-iam. De repente, a equação de agravo teria de ser reescrita para ponderar negativamente a estatura de indivíduos deste calibre. Há ainda uma outra questão de hierarquias e patentes que me preocupa. Porque razão anda o Valentim a polir as botas do alferes Cavaco? Porque razão parece estar a dar guarida ao "praça" de Belém? Estará a preparar-se para o Natal, para um indulto conveniente? Não queria dar muita importância ao ex-avançado do Boavista, mas como é fim de semana e estamos na silly season, a nova patente encaixa na perfeição desta messe, this mess.

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publicado às 10:33






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