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Ando Exaurido

por João Almeida Amaral, em 11.04.17

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 Ando exaurido.

Desde há quase ano e meio que a vontade de opinar ou mesmo desabafar, se tem entornado na mesa desta grande farra em que vivemos.

Nesta botelha em que nos inebriamos desde que tomou posse a geringonça a que simpaticamente chamamos Governo da Républica Portuguesa. 

Fui chamado a atenção por andar desaparecido , mas a verdade é que este banquete em que vamos vivendo , me trouxe algum enfartamento ou azia. 

Passo a explicar; como diz o nosso Dr. Jerónimo , o Passos e o Cavaco que foram os únicos que desde a abrilada fizeram alguma coisa, são crucificados com regularidade, enquanto "o idiota das medalhas de Belém" o " cretino e o encaracoladinho" são postos em altares pelo jornalismo honesto cá do burgo. 

Não há duvida isto esta tudo de pernas para o ar e agora são as bóias que cagam nas gaivotas . 

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publicado às 11:19

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O exercício é simples. Nem sequer irei apelidar esta transmissão radiofónica de fake news. Não vale a pena o esforço. Mas irei restringir-me a uma tradução simples do enunciado. Quando António Costa diz que está tranquilo em relação ao Montepio Geral, na realidade pode estar - os arguidos que por aí grassam ainda não foram acusados do que quer que seja. E o Papa vem aí. Isso ajuda a fé dos socialista. Promove o perdão e a absolvição. Mais; "não vivemos na Alice do País das Maravilhas". Engana-se redondamente. Vivemos, sim senhor. Desde que a Geringonça assumiu o poder a Austeridade foi convertida pelo pequeno príncipe em algo diverso, mas equivalente - as taxas e impostos, almas-gémeas da sua natureza tributária, oferecem agora uma aura romântica. "Foi o Lone Star que quis a presença do Estado porque credibiliza o banco". Errado, caro Watson. O Lone Star quer o Estado preso ao embrulho porque o risco é assinalável - nada tem a ver com prestígio ou eventuais comendas de Marcelo. Mário Centeno foi sondado para presidente do Eurogrupo? Talvez tenha sido. Não seria mais honesto afirmar que Centeno deve ser intensamente sondado? Sim, deve. Ou seja, auditado para perceber que truques orçamentais foram sacados da manga para cumprir as regras da Comissão Europeia e cujas consequências flagrantemente visíveis serão pagas pelos portugueses. Assim, também eu, à custa do crescimento económico minguado pela falta de investimento. Costa admite acordos à esquerda? Uma geringonça de maioria? Há qualquer coisa que não bate certo nesta fórmula de nem peixe nem carne. Está entalado entre a Catarina Martins e o Jerónimo de Sousa - sai uma sanduiche e um prego, por favor. Desbloquear as carreiras na função pública? Simples. Promover todos os funcionários públicos a chefes de departamento - quem precisa de índios? E as Parceiras Público-Privada? Pois. Dão mau nome ao socialismo totalitário que abomina o desempenho positivo do sector privado. Mencionem apenas os podres e escondam os casos de sucesso e declarada poupança dos contribuintes - isso não interessa nada. Descentralização e transferência de poderes para as autarquias? Sim, música para os ouvidos de estruturas regionais e eleitores que votam nas próximas autárquicas. E para rematar: "se existe sector onde é possível prever a longo prazo as necessidades, esse sector é o sector da educação". Enganado, caro António. São competências exógenas, muitas delas híbridas, e certamente criativas, que irão determinar o perfil do trabalhador. E esses atributos não se ensinam em escolas cujos modelos de educação assentam em convenções caducas, falidas. De resto apreciei muito o que António Costa teve para dizer. Foi muito divertido. Sinto-me renascido.

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publicado às 11:41

A geringonça e o SMS do Benfica

por John Wolf, em 15.02.17

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Não me vou armar em comentador de futebol. Pesco muito pouco do jogo. Para impressionar os mais distraídos, e fazer gala, declaro que fui comentador do Eurosport para disciplinas equestres. E mesmo tendo praticado hipismo durante 30 anos, e humildemente competido em Dressage, afirmo categoricamente que o que sei corresponde a uma gota no oceano. Foi pela mão de um grande comentador de Futebol, por sinal sportinguista, que fui parar ao Eurosport, de 1999 a 2004 - esse senhor chama-se Rui Tovar. Para além de ter sido um profissional absolutamente brilhante, tinha outras qualidades - era um cidadão vertical e foi um grande amigo. Feito o preâmbulo e rendida esta pequena homenagem a um genuíno jornalista, passemos ao dia seguinte ao jogo da Champions League entre o Benfica e o Borussia de Dortmund. É notável como a política imita a bola ou vice-versa. O desempenho do Benfica ontem assemelhou-se à performance da geringonça. O Benfica mentiu em campo, mas foi capaz de enviar um SMS para o fundo da baliza do adversário. A equipa não existiu nas duas metades dos campo, nem nas duas metades do encontro, mas foi capaz de fazer o balancete pender a seu favor. Tudo isto é muito parecido com a prestação do governo de António Costa que, pesem embora as deficiências estratégicas de vulto, no jogo de dissimulação parece enganar a realidade como se estivesse estado no mesmo campo de ilusões. Se formos criteriosos e objectivos, analíticos e desprovidos de paixão (ressalva: não faço parte de clubes de futebol, nem das artes e letras - dou toques a meu bel prazer e bato da bola como quiser), sabemos todos que o Benfica não se aguentará em terrenos borussianos porque depende da tômbola. Nessa medida, a geringonça é uma fotocópia desse estado de arte. Vive da impressão rápida, depende da anulação de SMS e nem sequer sabe usar o Twitter. O problema, no entanto, não se restringe à matéria em si, aos factos. Os relatadores e alegados jornalistas continuam a contribuir com doses maciças para um estado anestésico e de decepção - douram a pílula e querem que o espectador engula a ficção alternativa - Não, não tombou nenhum gigante da bola. Como disse, não percebo de futebol, mas o Benfica não foi capaz de se organizar nem de um modo defensivo nem de um modo ofensivo (o meio-campo nem sequer menciono), e ficou dependente de um guarda-redes de extremos - ora defende magistralmente, ora comete erros infantis. A soma do executivo de Pizzi ou Salvio, ou Mitroglou, as estrelas da companhia, colocou em evidência o socialismo equilibrado e eficaz do Borussia de Dortmund. Não reparei num Centeno de proa naquela equipa alemã nem vi outros delfins a dar ares da sua graça. A equipa alemã falou a verdade justa e equitativa. Teve comportamento de um bloco sem bicos sem mentiras, enquanto o Benfica foi neo-liberal e especulou. Mas não investiu. Colocou as fichas em cima da mesa e deixou-se levar pela toada de um partido organizado. É o que eu digo. Não percebo de futebóis. Deixo-me sempre descair para a política. Como um trinco.

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publicado às 15:17

Da ciência do governo

por Samuel de Paiva Pires, em 09.02.17

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 Edmund Burke, Select Works of Edmund Burke, vol. 2 (Indianapolis: Liberty Fund, 1999), 153 (tradução minha):

Sendo a ciência do governo, portanto, tão prática em si mesma, e destinada a tais propósitos práticos, uma matéria que requer experiência, e ainda mais experiência do que uma pessoa pode adquirir em toda a sua vida, por mais sagaz e observador que possa ser, é com infinita cautela que qualquer homem deve aventurar-se a demolir um edifício que tenha respondido em qualquer grau tolerável, durante épocas, aos propósitos comuns da sociedade, ou a reconstruí-lo novamente sem ter modelos e padrões de utilidade aprovados perante os seus olhos.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 21:09

Geringonça exibe filme de 2011

por John Wolf, em 04.01.17

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É impressão minha? Ou já vimos este filme antes? Começam a nascer por todo o lado os mesmos sintomas que conduziram ao dramático descalabro do glorioso mandato socratino. Basta ligar a caixa que mudou o mundo, e mesmo que apenas se colem aos canais do regime, já não passa em branco a azáfama e o caos do Serviço Nacional de Saúde - nada parece funcionar. Depois, um pouco em segundo plano, como se nada fosse, as taxas de juro da dívida que têm regressado ao olimpo da ruptura iminente, têm sido abafadas pela novela quixotesca que opõe Domingues ao governo da Caixa Geral de Depósitos. Mas como cereja em cima do bolo-podre de consternações, desprovido de má-lingua propagandista, lá aparece o raio dos números das pensões mais baixas, das gasolinas mais caras ou do IUC mais a doer. No entanto, estes ingredientes dizem respeito ao quintal cá de casa. Enquanto tiram teimas de geringonça, o Banco Central Europeu (BCE) prepara uma canelada que far-se-á sentir em Abril, mês dos cravas. O BCE iniciará então a redução do seu programa de compra de títulos de dívida de países em apuros da Zona Euro. Passará de 80 mil milhões de euros mensais para 60 mil milhões, pelo que Portugal sentirá efectivamente os efeitos da referida redução. Não sei que bode-expiatório têm programado para chocalhar as hostes, mas prevejo "medidas excepcionais" e "justificações governativas" para o reforço e ampliação do conceito de austeridade, que aliás, em abono da verdade, não se foi com o estalar de dedos demagógicos da geringonça. Entretanto, como as más crónicas superarão as favoráveis, Costa deve seguir o modelo turco com ainda mais afinidade e rigor, e realizar a purga de vozes dissonantes dos meios de comunicação social. Quanto aos bloggers chatos, como eu, mandar-nos calar é mais difícil.

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publicado às 20:52

Ainda acreditam no ano novo?

por John Wolf, em 01.01.17

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Ainda acreditam nessa história do Ano Novo? 2017 não passa de um estágio temporal em segunda mão. O governo de geringonça também não é novo - é mais de terceira mão. A presidência dos EUA, essa sim, é nova, original. O que se passou em Istambul, ainda não havíamos escutados as 12 badaladas, serviu para varrer as incongruências da natureza humana, ingénua e carregada de esperança festiva perigosamente naive. A tensão pré-orgásmica que conduz à falsa percepção de mudança não tem cura. Chamem-me de cínico, mas já começamos a ter idade para deixar de ir em cantigas. Vamos a factos domésticos em primeiro lugar. Os portugueses acordaram dia 1 de Janeiro de 2017 com uma diminuição efectiva do seu rendimento disponível. A fórmula do engano e decepção parece ser a mantra de governação, com o apoio de jornaleiros amigos - "nem todos os aumentos são maus" - bonito, linda esta afirmação. Como sempre, as estatísticas e os velhos servem para justificar as decisões mais bicudas - a população portuguesa está a envelhecer. Agora elevem ao quadrado a mensagem de serenidade e paz interior, e vejam como estamos mesmo preparados para um mundo cada vez mais hardcore - Guterres não é o Papa. Enquanto rezam as praxes de estabilidade social e harmonia governativa, as rodas da realidade não abrandam. Não seria maravilhoso se o mundo dependesse das belas intenções de expressionistas como António Costa? Estes governantes tardam em entender a inversão. As excepções passaram a norma. O calendário dos anos vindouros estará marcado por incidentes que carecem de antecedentes, de validação. Este ano não pode servir de alibi e como uma declaração de que a tempestade já lá vai. Eventos como o Brexit ainda não aconteceram. 2016 apenas serviu para reservar lugares na agenda. E são muitos os passageiros. Temos o comboio regional das autárquicas. Temos o TGV das eleições francesas. Temos o canal da Mancha do Brexit efectivo. Temos as socas duras das eleições holandesas. Enfim, teremos muito com que nos entreter para além dos eventos espontâneos, terroristas ou nem por isso. A noite de ontem bem me pareceu mais contida, mais calma. Sinto no ar um certo conformismo das gentes, mas sinto que os últimos da fila são os primeiros dos diversos governos que polvilham aquilo que ainda resta de um projecto europeu. Os governos, seja qual for a sua procedência, correm riscos. Mas serão aqueles que mais prometem e menos cumprem que sentirão a corda a apertar. E depois dizem que a culpa é da ideologia, do extremismo, uma coisa vinda do passado, de um outro ano novo qualquer.

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publicado às 19:31

A cornucópia de Marcelo

por John Wolf, em 18.12.16

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Antes que me atirem dardos; a seguinte manifestação de opinião nada tem a ver com a qualidade ou a substância da missão da companhia teatral a Cornucópia. Tem mais a ver com Marcelo e algumas dúvidas existenciais. O Presidente da República Portuguesa tem de decidir se quer ser um mero agente da sociedade civil ou se um digno titular do cargo público que ocupa. Não pode misturar as peças. Não pode confundir os distintos teatros de operações. E não pode vestir qualquer farda a seu bel prazer. Por mais afectos que nutra pelo seu amigo Luís Miguel Cintra, Marcelo simplesmente não pode fazer uso de prerrogativas institucionais disfarçadas de informalidade e convívio para alavancar soluções que dizem respeito ao putativo ministério da cultura. Mas há mais. Se vai a uma tem de ir todas. Tem de ir às companhias teatrais de norte a sul do país, que com igual empenho e devoção, quantas vezes pro bono, servem a mesmíssima causa e que também se encontram em situação precária, senão terminal. Eu sei que o estatuto de Deus conta muito em Portugal. Que Luís Miguel Cintra é um monstro da cultura e que deve ser protegido custe o que custar. Nada de mais errado. O princípio que parece estar a ser posto em prática põe em causa algumas nuances ideológicas. A saber; que o dinheiro da maioria dos contribuintes deva servir causas parcelares, por vezes despropositadas intelectualmente ou culturalmente, de certos agentes, porque a cultura não é "mensurável" em termos de investimento ou retorno financeiro. O que está ser chorado não é muito diferente da missa do salvamento de bancos privados, a título de exemplo, e sem adiantar mais em analogias.  Do lado das cornucópias do país também há críticas a realizar. Os encenadores e directores de companhia não podem assumir cargos de gestão. Não é essa a sua missão. Devem concentrar-se naquilo que sabem fazer. Ou seja, no fogo-cruzado de razões e lamentações que já vai no ar, convém realizar a destrinça entre o efémero e o essencial. Portugal não detém uma visão sustentável e de longo prazo no que diz respeito às artes e letras, e os sucessivos governos ainda estão contaminados com a ideia doutrinamente carregada de que o Estado deve, "a fundo perdido", subvencionar as artes e os devaneios intelectuais que o pobre do cidadão comum mal consegue assimilar. Assim não se educa um povo, e confirmamos assim, que existe aqui alguma perversão. Uma certa intenção tácita em manter o fosso entre as Óperas e os festivais onde deambulam meritoriamente, e dentro do seu género, espécies como Tony Carreira e afins. A discussão é longa e relevante, mas na maior parte das vezes infrutífera. Hoje Cornucópia, amanhã a Barraca. Abana tudo, no fim.

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publicado às 13:35

O cavalo dado do IMI

por John Wolf, em 12.12.16

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Esta notícia seria perfeita, um conto de fadas, se não existisse um universo de taxas e impostos para compensar esta generosidade - a cavalo dado não se olha o dente? Já agora, uma vez que lidamos com dentição e mordeduras, sabem quantos dentes tem um equino macho? Isso mesmo. São 40 dentes. E uma égua? Esta vai surpreender a malta - pois, são 36 dentes. O governo de geringonça pensa que coloca a albarda em cima dos contribuintes como se estes fossem burros, mas não são. Em economia, e por arrasto finanças, convém comparar laranjas com laranjas. Até aqui tudo bem. O IMI baixa de um modo genérico, mas como fica o nível de rendimentos dos portugueses tendo em conta as invenções tributárias (os outros impostos e taxas) que por aí grassam? São contas de bolo fatiado que convém analisar, ou seja, todas as nuances. Isto de dizer uma coisa fora de contexto dá azo a suspeições. Como vai o sector imobiliário? Será que está a fraquejar? Será que os franceses já fizeram as compras que tinham a fazer no Chiado e acabou? Quando atiram estas migalhas ao ar, assim sem mais nem menos, gosto de saber da rala toda. Não me agrada uma meia-tese ou um quarto de análise. As matérias devem ser apresentadas na íntegra e colocadas sobre matrizes de conjuntura. Por exemplo, e como quem não quer a coisa, Portugal poderá vir a estar em apuros com as "novas " medidas de Draghi respeitantes ao estímulo das economias falhas da Zona Euro. As taxas de juro dos títulos de dívida estão nos niveis que se sabem, portanto não me venham com esta história de que os encargos com o IMI baixaram. Que se lixe o IMI se os outros impostos que não são nada ami. O que interessa são as autárquicas.

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publicado às 12:45

Não ponham alguém à frente da CGD

por John Wolf, em 29.11.16

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Será que não aprendem? A Caixa Geral de Depósitos (CGD) estragou-se toda com aquelas más companhias. Foram certos indivíduos de moral duvidosa e competências questionáveis que escangalharam aquele prédio. Ao longo de décadas tiveram a lata de colocar banqueiros à frente dos destinos daquela instituição financeira. Foram esses mesmos que arruinaram a jóia da coroa dos depósitos. A dada altura a CGD era conhecida como aquela máquina. Era o banco com depósitos mais avultados da EFTA ou do Mercado Comum (uma destas entidades com um rótulo todo pimpão), mas depois as coisas começaram a patinar. Ora entrava dinheiro fresco, ora saía um financiamento para um projecto comunitário com forte expressão de amizade socialista. Pois é. É esta análise de consciência de valores monetários que não está a ser realizada. Este governo (e os remanescentes) acreditam no poder de uma alma magna. Como se um Domingues ou uma domícilia fossem os deuses da banca pública capazes de agitar uma varinha. Mas eu tenho uma visão radicalmente diversa. Não existe homem ou mulher à face da terra mais kryptonado do que os mercados em si. São algoritmos contemporâneos que ditam falências ou mais-valias. Não são caixas de óculos vindos do passado, armados com MBAs da Católica ou Harvard que vão equilibrar os pratos da balança. O barómetro de que se servem já não cumpre a missão. Esse instrumento não consegue ler os perigos, mas acima de tudo, não integra a variável mais perniciosa de todas - o factor político que não se rege por modelos racionais, mas sim por inclinações afectivas. Cá por mim nomeava um computador-geral para conduzir os destinos da CGD. Existem processadores acima da mediania daqueles que ocupam os crânios de gestores bancários, as tais cabecinhas pensadoras. E esses aparelhos não reclamam. Sabemos o que trazem no miolo. Conhecemos a riqueza dos seus circuitos integrados. E desligam-se sem grandes sobressaltos. Mas não são demitíveis.

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publicado às 17:48

Licenciados da tanga

por John Wolf, em 29.10.16

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Há cinquenta anos Portugal estava pejado de analfabetos. Eram mais do que as mães. Eram mais do que 70% da população (oficialmente perto dos 30%, segundo a Pordata). Depois veio a revolução e o acesso à educação terá sido uma das conquistas democráticas. Mas essa prerrogativa não bastou. Não bastava estudar muito, ter boas notas e receber um diploma. Era preciso algo mais. Para ter sucesso ou enriquecer era obrigatório ter ligações. Era condição sine qua non conhecer gente nos mais variados meios sociais ou profissionais. Uma cunha aqui, um tio acolá, e lentamente, aquilo que seria considerado convencional - o reconhecimento pelo mérito -, foi sendo corroído de um modo incontornável pelo desvio ético, pela ganância. Contudo a licenciatura continuava a ser o requisito mínimo para a aceitação social acontecer, para a escalada profissional ser possível. O Dr. Português (único no mundo académico! - trata-se apenas de um B.A....Bachelor of Arts) passou a conferir uma acreditação atípica. Emprestava a falsa aura de vantagem intelectual, de competências acrescidas. Enfim, a ilusão de que se seria melhor do que o par contemplado com uma mera educação secundária de liceu com nome de fadista. Essa licenciatura tornou-se valiosa ao ponto de ser assaltada a qualquer preço. Rapidamente essa patologia das aparências minou outras categorias. Os engenheiros passaram também a reclamar um tratamento diferenciado - também queriam ser doutores. E nessa cavalgada de pretensões, as competências, se alguma vez existiram, foram pelo cano. Portugal padece, cronicamente, de um qualquer complexo de inferioridade. Mas essa síndrome não obedece a um quadro típico. É endémico, miseravelmente consanguíneo. É uma competição de faianças de ostentação, sem que uma vez a qualidade intrínseca seja evocada. Basta o prefixo. Que se lixe o sufixo. Estou há mais de 30 anos em Portugal, e a cura não aparece. Um país ainda versado na arte do apelido e título académico não pode ir longe. A descoberta e demissão dos dois falseadores dos diplomas perdidos não nos deve surpreender. Esses dois são iguais a tantos outros. A única diferença é que estes queriam mandar. Estes faziam parte de um governo. E em vez de lá ficarem foram para o olho da rua. Adiante. Venham de lá os próximos. Estes são bem piores do que os analfabetos de há meio século atrás.

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publicado às 17:17

Ruiu o Roque

por John Wolf, em 26.10.16

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A Confederação de Licenciados de Portugal (CLF) vem agora exigir que o governo da República Portuguesa submeta todos os seus membros ao escrutínio de um polígrafo académico. A CLF, numa nota de imprensa tornada pública, vai mais longe e sugere que todos os titulares de cargos públicos do presente e passado sejam sujeitos a um processo de autenticação de diplomas. Por outro lado, a Intersindical de Não Licenciados de Portugal (INLP) reclama idênticas condições no acesso a cargos públicos. Numa nota conjunta reiteram que não se pode continuar a pactuar com uma situação de "nem rei nem Roque" no que diz respeito às burlas agravadas a que são sujeitas tantas portuguesas e muitos portugueses. Já bastava Bob Dylan ter ganho o Nobel sem o merecer, como afirmou a catedrática Alice Vieira, para agora sermos confrontados com esta pouca vergonha. Daqui a nada temos um padeiro-presidente que nunca viu mais gorda ou mais magra uma carcaça. O que podemos concluir, sem prejuízo de outras casas partidárias, é que o Partido Socialista tem um certo fetiche por engenheiros da tanga.

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publicado às 08:30

Centeno pica o ponto da austeridade

por John Wolf, em 19.10.16

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Os políticos europeus andam equívocados há algum tempo. Desde que meteram na cabeça a ideia de Austeridade, não existe nada que os possa demover das suas convicções. Não é que os Estados Unidos da América (EUA) sejam desprovidos de falhas graves, mas neste capítulo dão cartas. Trabalham mais do que os europeus. Trabalham mais horas do que os italianos e os portugueses, mas assemelham-se aos suiços e alemães. E isso tem uma explicação clara. A carga fiscal muito menos acentuada, do que aquela montada em tantos países europeus, funciona como um incentivo ao trabalho. A ausência de reformas e pensões substanciais nos EUA também obriga a esforço adicional - penso na carga de trabalhos em que Portugal está metido com as centenas de milhares de funcionários públicos a que tem de dar de mamar. Os sindicatos europeus inventados para proteger os trabalhadores também contribuíram para um certo estado de alma perdulário. Sinto muitas vezes em Portugal, nos vários domínios profissionais em que me movimento, que existe uma certa falta de entusiasmo - um "estou a trabalhar para aquecer". E é isso que este Orçamento (e os restantes) ajuda a eternizar. Ao desgastarem os contribuintes corroiem a natureza intrínseca do empreendedorismo, da livre iniciativa, mancham a alma voluntariosa do indivíduo que acredita que pode mudar o mundo. E é curioso que o Web Summit esteja prestes a começar em Portugal. Aqueles visionários atracam em Lisboa porque a recepção será maravilhosa e as condições ideais, mas atentemos ao seguinte. Os criadores que aí vêm foram gerados em países com um software mental e fiscal adequado. Não sei se o impacto da cimeira será notável. Para os que vêm é apenas uma escala de um processo de desenvolvimento maior. Investir em Portugal? Perguntem ao Centeno e ao Costa.

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publicado às 09:42

Sou um economista da treta

por John Wolf, em 18.10.16

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Não sou economista. Fiz uma cadeira do curso no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) - a casa-mãe-fornecedora de uma grande leva de economistas-socialistas - pensem Constâncio. Curiosamente, a única cadeira que completei antes de mudar de curso (para Relações Internacionais) era considerada um bico de obra: Estatística (I). Ou seja, sou a última pessoa à face da terra para oferecer modelos de salvação económica, seja de inspiração Chicagiana, ou seja com o sopro bafejado por Hayek. Em termos de mercado, posiciono-me do lado da oferta de perguntas, esperando que os técnicos de serviço possam procurar e conceder a resposta. O Governo de inspiração orçamental afirma que todos os pressupostos de aprovação do mesmo foram apresentados nesse mesmo documento. A minha pergunta é simples: quanto custa? Qual o custo de oportunidade de cada empregado? E qual o rendimento marginal de cada pensionista? Eu sei, eu sei. Depende de muita coisa. Blá blá blá, blá blá blá. Então simplifiquemos. Nesse caso, peço apenas uns rácios (sim, de racionalidade). Qual a relação entre a colecta de impostos e a geração de emprego? Em que medida as receitas fiscais impactarão a procura de emprego? De que modo os fundos provenientes do imposto sobre valores patrimoniais acima dos 600 mil euros contribuem para a dinamização de empresas? Talvez esteja a perguntar aos cientistas errados. Estas questões de linearidade talvez pertençam a outro domínio de pensamento directo. Cada vez que emitem uma nova guia de remessas tributárias atravessa-se-me pelo espírito uma sensação estranha - de vazio comportamental. Ninguém me conseguiu explicar cabalmente as ligações sinápticas entre uma coisa e outra. A gordura que sai do pêlo de cada um vai exactamente para onde? Para um aterro de margens de erro? Os economistas-políticos, ou o contrário, são uma espécie perigosa. São experimentalistas com cobaias avulso. Prefiro uma estirpe distinta. Os puros. Aqueles que pensam e dissecam, mas não se pôem a inventar soluções governativas à custa do freguês.

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publicado às 10:29

Padre Vieira da Silva

por John Wolf, em 17.10.16

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A bíblia do Orçamento de Estado 2017 tem santos de toda a ordem. Os padres da geringonça apresentam-se com sermões de encantar na mesmíssima paróquia. Por um lado, Centeno invoca os caminhos da justiça e das escolhas - a justiça de tirar e a escolha de não admitir -, e Vieira da Silva, que está junto ao altar, vem com o choradinho demagogo do excedente de pobreza. O ministro da solidariedade e afins refere a pobreza infantil numa espécie de chantagem emocional para justificar a carga contrubutiva. Em nome da criança a extensão de Austeridade pode ser justificada. Pobreza infantil é um conceito questionável. Sabemos o que quer dizer  Vieira, mas não sabe expressar-se. É a pobreza dos progenitores que conduz à precariedade infantil. As crianças não devem ser ricas nem pobres. Não devem trabalhar. É bom saber que o convento das belas intenções tem o apoio da Fundação Francisco Manuel (dos Santos!). A gerin do PS e a gonça do BE e PCP subscrevem esta fórmula de intensificação da miséria para ver se o povo engole a pílula de mais austeridade. Mas algo não bate certo. Não era suposto o desemprego estar a baixar e a economia a crescer? Se isso fosse verdade, o Vieira da Silva não vinha com esta cantiga de orfanato. O excelso ministro já teve diversas oportunidades para governar e erradicar a pobreza, mas qualquer coisa falhou ou faltou. É de uma baixeza franciscana servirem-se dos pequenotes para galgar as margens contributivas dos portugueses. Parece aquela conversa de ocasião com que nos cruzamos por aí: não é para mim, é para uma criancinha.

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publicado às 09:52

Macro Centeno

por John Wolf, em 15.10.16

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O Orçamento de Estado de 2017 (OE) contempla, mesmo que remotamente, naqueles tais cenários Macro que o Centeno andou a declamar, o impacto do Brexit? Já agora o impacto das eleições presidenciais nos EUA? E o que está para acontecer na Grécia? E o que poderá acontecer com a suspensão de fundos da União Europeia (UE)? Portugal não é uma ilha. Há tanto que não parece ter sido "inputado" nos cálculos fiscais do governo. É esta incapacidade de ter uma perspectiva panorâmica que trama Portugal. São lideres com vistas curtas que comprometem o futuro deste país. Poderemos concluir, sem reservas, que o OE é um instrumento para obedecer ao normativo da UE e da Comissão Europeia. Aquele tom irreverente de queimada incendiária de Bruxelas foi pelo cano. Se ainda não perceberam, ainda vão a tempo. A geringonça está feita com os chefes neo-liberais da Europa. A geringonça tomou o gosto pelo poder. O trio Martins, Mortágua e Matias, pura e simplesmente desapareceu de cena. Fingem a exigência dos dez paus do aumento das pensões, mas genericamente pactuam com a ideologia inimiga. Nada mudou em termos macro-económicos, mas a cantiga de bate-pé à Alemanha foi-se. Estranho. Não. Primeiro ganha-se e depois entranha-se. É assim em política.

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publicado às 07:28

O orçamento da receita fiscal 2017

por John Wolf, em 14.10.16

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Penso que chegou o momento de rebaptizar  a Geringonça. Com a aprovação do Orçamento de Estado de 2017 (OE), o governo deve passar a designar-se de o Cobrador. Ora vejamos o que aí vem. Impostos sobre açúcar, cerveja, vodka e gin. Agravamento do Imposto sobre Veículos. Impostos sobre Património. Impostos sobre Alojamento Local. Impostos sobre Munições. Mais impostos sobre os Audiovisuais. Enfim, uma declaração inequívoca do fim da Austeridade. E tudo isto à conta do alibi do aumento de pensões - 10 euros dizem eles. E essa nota vai dar mesmo jeito. Vai servir para os impostos, que para além de serem indirectos, são invisíveis. São pequenas amostras de taxas que se infiltram aqui e acolá. São pequenas sevícias contributivas que não têm nomes sexy como Fat Tax ou Impostos sobre estilos de vida. António Costa sabe que deve manter o apoio dos seus. O PS sabe que depende dos funcionários públicos, por isso o subsídio de alimentação cumpre duas funções. Dá a impressão que enche a barriga dos seus eleitores e ao mesmo tempo impede-os de protestar - de boca cheia não se fala. Mas existe um problema adicional. Se Portugal estivesse fora da União Europeia seria uma coisa distinta, mas lá fora estão atentos a este acto de malabarismo contributivo. A Comissão Europeia sabe que as receitas fiscais não chegam. Os credores sabem que sem uma economia em crescimento não há volta a dar. Por mais que custe a encarar estes factos, António Costa terá de o fazer. Este OE compra um pequeno módulo de tempo para engalanar a ficção que decorre na realidade portuguesa. Mas quando chegarem a vias de facto, o preço a pagar será político, e invariavelmente será suportado pelos portugueses. Este é o orçamento da receita fiscal e pouco mais.

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publicado às 15:05

Legislação à força bruta?

por John Wolf, em 10.10.16

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É assim que se força a produção de legislação em Portugal?  Sob ameaça? Estamos em Democracia ou não? Os taxistas não devem ser recebidos hoje em parte alguma. Se forem recebidos após os incidentes de confronto que hoje já foram registados, podemos concluir que António Costa inclui na geringonça mais uma força. Para além do BE e do PCP, o governo tem mais um parceiro - a ANTRAL. Vergonhoso.

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publicado às 13:25

Vistos Gold

por Nuno Castelo-Branco, em 09.10.16

 

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Está o primeiro-ministro na China, procurando investimentos e a diversificação da nossa economia. Para além do óbvio significado do mercado chinês que é em termos numéricos o de maior potencial planetário, existem alguns sectores que poderiam interessar ao governo, aproveitando para cabalmente cumprir a sua alegada missão de protector da cultura nacional naquilo que é reconhecível em termos mundiais, ou seja, o património construído, a área da museologia e do restauro, elementos essenciais à consolidação do crescimento do sector do turismo.

O Visto Gold tem servido, é verdade, para o potenciar do sector betoneiro e banca que à míngua de grandes obras públicas do regime, teve então de forçosamente recorrer ao investimento propiciado por estrangeiros que pretendem possuir uma propriedade em Portugal. Se os europeus - alemães, franceses ou britânicos - têm grosso modo votado o seu interesse para a reabilitação de imóveis nas zonas históricas, outros interessam-se pelo sector imobiliário recentemente construído e até há pouco considerado como parte da bolha que eclodindo em 2008 nos EUA, bem depressa estourou noutras partes do mundo. Como dolorosamente sabemos e foi previsto mesmo antes daquele fatídico ano, Portugal infelizmente não esteve imune ao descalabro. 

O OGE tem de uma forma inusitada e pela primeira vez sido pasto para os mais desencontrados comentários, sugestões, diz-que-disse e  suposições acerca de medidas arrastadas para a dissecação nas redes sociais, jornais, rádio e televisão. Cremos então estar no pleno direito de intervir num Orçamento que, supomos, passa por estar totalmente aberto à participação de qualquer português. 

A acima citada questão dos Vistos Gold poderá então ser alargada não apenas ao sector imobiliário e do investimento na educação, mas forçosamente deverá estender-se à reabilitação do património num país que tendo uma história quase milenar, possui uma infindável lista de castelos, solares, igrejas, mosteiros, conventos e outros testemunhos mudos da nossa história, há muito atirados para a área nebulosa do abandono que prenuncia a total e irreversível ruína. Em alguns pontos do país, os proprietários de vastos casarões que pertencem há séculos à família, tudo têm feito  para as manterem, adaptando as propriedades àquilo que o cada vez mais exigente núcleo restrito do turismo de qualidade pretende. É por vezes um acto heróico que esbarra com dificuldades burocráticas de toda a ordem, mas não pode ou deve ser descurado, ignorado.
Se é seguro o escasso interesse, para não dizermos nulo, que devido à proverbial escassa educação este património desperta junto dos investidores nacionais, este poderá então concitar muito boas vontades, venham elas da China, da Rússia, dos EUA, do Brasil, Angola e qualquer outro país fora da U.E.

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A infindável lista de hipóteses - a Real Quinta de Caxias consiste num escandaloso exemplo demasiadamente flagrante - é bem conhecida e seria fastidioso enumerar os exemplos que carecem de urgente intervenção. Se em França o Palácio de Versalhes tem, digamos, um clube de Amigos de Versalhes que incansavelmente ali tem despejado enormes verbas que trouxeram aquele espaço imenso ao actual estado de decência e talvez seja a maior atracção do país, isto mesmo poderá com sucesso inspirar o governo português, alargando-se a concessão de vistos a quem resolva contribuir para a manutenção de inúmeros edifícios, colecções - o restauro cuidadoso de cada uma das preciosas e únicas carruagens do MNC, por exemplo - que até agora têm sido vítimas da incúria e destrato pelo bem conhecido e rotineiro problema: a falta de verba que paulatinamente os condena ao desinteresse geral por parte de quem manda. Do desinteresse estatal à demolição, trata-se apenas de uma questão de poucas décadas.


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publicado às 21:51

Governo encurralado num antro de taxistas

por John Wolf, em 08.10.16

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O Governo da República Portuguesa está cada vez mais encurralado. São vários agentes que mantêm refêm o executivo. O Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP) encostaram às cordas António Costa e as suas hostes. Não existe decisão governativa que não esteja condicionada pelo diktat de Catarina Martins ou pela bula de Jerónimo de Sousa. Mas a ameaça de "porrada" da Antral para a próxima Segunda-feira lisboeta levanta algumas questões fundamentais. A declaração do chefe dos taxistas deve ser entendida enquanto ameaça velada. O uso de força é, inequivocamente, uma prerrogativa jurídica do Estado, aliás consagrada constitucionalmente. Em nome da manutenção da ordem pública, um governo pode ter de fazer uso de instrumentos de coacção. Quando um grupo de cidadãos se organiza em torno da mensagem de violência, está efectivamente a assaltar a reserva de paz pública de uma nação - mas no meu entender, vai mais longe do que o tolerável: comete o crime de premeditação. Veremos se o Ministério da Administração Interna faz a leitura adequada desta situação e instrui as forças de segurança em conformidade. A Antral assemelha-se a outros grupos reivindicativos, com a nuance temporal de estar a anunciar um "atentado" antes do mesmo ocorrer. Nem menciono o impacto económico da perturbação que 6000 taxistas causam na vida de tantas empresas e trabalhadores portugueses. Este sector profissional não pode forçar a sua entrada na Assembleia da República. Esta classe laboral não pode ameaçar a integridade física e moral de um secretário de Estado, ou para todos os efeitos de qualquer cidadão. Não sei qual a filiação ideológica dos representantes dos "profissionais" dos táxis, mas cada vez mais se assemelha a falanges de inspiração extremista, que prosseguem os seus objectivos por via da intimidação e do músculo. O Governo da República Portuguesa está obrigado a defender a bela Democracia que tanto apregoa a torto e a direito. Mas António Costa encontra-se na China a vender falências a prospectores mercantis. A Uber que se deixe ficar quieta. São os outros que caírão - sozinhos.

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publicado às 17:59

Catarina Martins alinhada com Trump

por John Wolf, em 07.10.16

 

 

 

 

 

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Catarina Martins está alinhada com Donald Trump. Segundo a bloquista, o perdão fiscal apenas faz sentido quando há empresas em dificuldades. Pois. Foi exactamente isso que o candidato presidencial americano invocou e soube aproveitar. Se não fossem ideólogas do Bloco de Esquerda não teríamos empresas falidas a chupar o dinheiro de contribuintes. Mas Martins lança chamas minguadas sobre o seu posicionamento ético em relação ao perdão da dívida da GALP. Diz a dirigente: “O Bloco de Esquerda nunca foi favorável a estes perdões fiscais e não mudou de ideias”. São afirmações desta natureza lacónica que me dão cabo dos nervos. Estes perdões? Ah. Já percebi. A empresa capitalista de petróleos de Portugal e além-mar deve falir primeiro e depois submeter um requerimento de perdão de dívida fiscal. Como podem ver, estas interpretações de salão criam dilemas bicudos. Se a menina fosse cheia de princípios traçava uma linha clara e intransigente. Cravava em mármore: não concedemos perdões fiscais - ponto final. O problema do seu juízo de discriminação fiscal é estabelecer um precedente perigoso. A Catarina Martins defende o perdão contributivo do prevaricador pequeno, mas abomina o perdão fiscal de empresas multinacionais exploradoras dos trabalhadores? É isso? Porque se fôr isso, Catarina Martins está do lado de Hillary Clinton e não de Trump, e isso é uma infâmia. Os Clinton são amigos de Wall Street, das corporações, dos pacotes de recompensa avultados, enfim, subscrevem um imenso cabaz de favores.  Quanto ao orçamento, que em breve estará a discussão, podem tirar do vinho para pôr na sopa.

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publicado às 10:43






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