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A descolonização da Catalunha

por John Wolf, em 01.10.17

 

 

Penso, imodestamente, que devemos olhar para o big picture e não tropeçarmos em simplificações ideológicas ou nacionalistas. O que decorre na Catalunha transcende a noção de legitimidade constitucional do referendo. Assistimos, um pouco por toda a Europa, a níveis de insatisfação económica e social das populações que depositaram grande fé política nas decisões de administrações centrais. Quer Madrid quer a União Europeia das Comissões e Parlamentos, dos regulamentos ou dos fundos estruturais, não foram capazes de interpretar os anseios das suas gentes. A Catalunha tem sido um contribuinte importante para o erário público de Espanha e, decorrente desse facto, esperava mais retorno do investimento político realizado. Observamos um evento que poderá ser designado por um "processo de descolonização". O império espanhol é composto por regiões que reclamam historicamente a sua independência e, à luz dessas mesmas considerações, a "luta armada" a que assistimos hoje (e os feridos resultantes da mesma), fazem parte do mesmo esquema de sucessão colonial - existem semelhanças entre os processos de separação que são flagrantes. E nem é preciso viajar a África ou à América Latina. A ex-Jugoslávia também havia empacotado no seu "Estado" um conjunto de nações e culturas dissonantes, uma lista de línguas maternas e um rol de dissidências internas de natureza política, social, económica e étnica. A repressão policial de Madrid, conduzida em nome da legalidade constitucional do referendo, servirá apenas para agudizar as posições, distanciar ainda mais aqueles que fazem fé da independência da Catalunha daqueles que desejam (a qualquer custo) a união de Espanha. Quando a violência eclode deixa de haver grande margem para um regresso saudável à mesa de negociações. Passam a valer ferramentas de toda a ordem. Não nos esqueçamos dos danos causados pela luta "por outros meios" da ETA - o terrorismo e as mortes violentas. O governo de Madrid enfrenta deste modo alguns dilemas existenciais. Remete o cidadão trans-regional para os tempos de censura e repressão de Franco e ao mesmo tempo promove a luta política (por outros meios) dos independentistas. Tinha a intenção de me afastar de considerações de ordem ideológica, mas não resisto à tentação. Estranho, de um modo visceral, que a Esquerda não esteja alinhada com a luta de um povo que reclama para si elementos absolutamente lineares; a possibilidade de escolher o seu destino enquanto aglutinador dos vectores nação, território, língua e poder político. A Espanha está em apuros, mas não será a única. Os factores de desagregação do conceito de união estão em alta. Foram muitos erros cometidos em Espanha, mas também na União Europeia. Não chamemos nacionalismo a esta manifestação de vontade. Essa é a arrumação clássica, fundamentalista, daqueles que não compreendem como nascem Estados e como findam impérios.

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publicado às 16:51

A queda do Muro de Madrid

por John Wolf, em 30.09.17

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Retrospectivamente saberemos interpretar a importância do que sucede na Catalunha.

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publicado às 18:12

Dia de flexões

por John Wolf, em 30.09.17

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Como é que pode haver um dia consagrado à reflexão se não há reflexão nos outros 364 dias do ano? O conceito, cuja origem desconheço, inscreve-se na escola do Iluminismo repentino. Assemelha-se a um corredor da sorte que protege os audazes da sua falência interpretativa. Os governos, ao longo dos seus mandatos, e mesmo antes de estes começarem, procuram anestesiar o povo, marinar manifestações contrárias aos seus intentos. Depois concedem o beneplácito do juízo superior ao nubente requisitado para validar o pressuposto democrático. O zézinho que vota, passa de besta a doutor num ápice. Se fossem íntegros na missão intelectual respeitante à reflexão, promoveriam a ideia de um ministério da filosofia e diversos secretários do pensamento. O boletim de voto - essa bula do saber político -, deveria ter anexado a lista de referências bibliográficas, algumas notas de rodapé e a fonte das citações inscritas nos discursos de campanha. Esta estória franciscana da reflexão sugere pão e água, abstinência sexual e artrite reumática. Se o dia fosse deveras sagrado, já deveria ter sido proposto como feriado - uma espécie de tolerância para matutar, porque, sendo uns sujeitos mais lentos do que outros, esta falsa fila prioritária para "pensar bem" reforça precisamente o oposto; a noção de que o povo é idiota e não existe antídoto para a sua estupidez. Tanto faz que abra a matraca ou não. Pouco importa que o jejum de campanha seja imposto. No silêncio do acto, pouco ou nada acontece. Dia de reflexão uma ova.

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publicado às 13:40

 

Hugh Hefner foi um político de vulto. Nunca dormiu com os adversários. Nunca se deitou na cama de interesses alheios. Soube alimentar as expectativas de tantos seguidores erectos perante o magistério das suas promessas, da ilusão. O fundador da Playboy foi um verdadeiro democrata. Procurou repartir o entusiasmo pessoal pelo comum dos mortais - mas não era socialista. O monopólio das mulheres era a sua igreja. A revolução sexual de muitos países foi atrasada devido ao poder de censura dos seus regimes. Portugal não foi excepção. Mas temos de ter algum cuidado com a nova estirpe de moralismo de género que parece ter assolado o país. Para muitos Hefner foi o promotor da ideia de mulher-objecto, o anfitrião da sexualidade comercial desconexa das emoçoes, dos afectos, do amor.  Não concordo. Nos EUA, o papel da publicação é inegável. A América sempre teve a tendência para os dilemas do pudor, o mamilo que se mostra ou não, o sexo explícito no filme prontamente rasurado pela brigada de costumes. Enfim, Hefner soube ler a textura sociológica daquele país e construiu um modelo de negócio baseado na líbido. A revista Gina, o erotismo de um Vilhena ou as loiças das Caldas da Rainha, nunca conseguiram alcançar o estatuto mainstream, e o salto indutivo, de "quando a fome é muita", levou a que o processo descambasse para os compêndios de teor pornográfico, sem arte, sem escola. No caso da Playboy, Hefner foi a doce flor num jardim de rosas entesadas. Hugh foi o menino na loja de brinquedos sem hora de fecho. Mas a Playboy é mais ampla no seu rol de consequências e efeitos secundários. As indústrias de entretenimento e lazer, o sector das farmacéuticas, a moda e o design, souberam aproveitar o fenómeno de um modo estrutural e continuado. Os media construíram novelas, filmes e enredos sublinhando o glamour das curvas sensuais. Tornaram a linguagem directa, sem rodeios. A pílula e os comprimidos azuis vendidos mundo fora também podem agradecer à Playboy - fizeram milhões e fizeram milhões de gente feliz à p()la do imaginário de Hefner. Foram tantos os que foram como os que vieram...abraçar esta religião. Os designers de moda, aproveitando a tendência para destapar, reinventaram modos de expor a nádega e sugerir o sexo protuberante. Enfim, todos nós temos uma pequena dívida para com Hugh Hefner. Mesmo os clientes de outras sortes sexuais puderam exprimir a sua contra-libido, as suas preferências. Na fase final da sua caminhada enquanto editor, Hefner soube, mais uma vez, ler o mundo em que vivia. O advento da pornografia acessível pela via digital, e sem restrições, quase que matava a ideia da sugestão de "o que está por detrás do sorriso maroto?", quase que aniquilava o flirt dos derradeiros românticos encostados ao bar de um hotel, quase que desbastava a linda flor colhida de um imaginário toldado pelo excessivo aquecimento da genitália onde impera o tendão e cada vez menos o lirismo. Hugh Hefner merece o prémio móvel da paz e amor. Mexeu com muito. Não existe político que lhe chegue às virilhas. Prometem, mas não cumprem. Hefner nada jurou, mas tantas das suas preces foram cumpridas.

 

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publicado às 08:51

Estado Sentido - a autarquia dos Blogs

por John Wolf, em 28.09.17

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Já temos fregueses! Agora queremos a autarquia!  Vote no blog Estado Sentido!

                                                                                                                                                           

 

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publicado às 20:46

Mania das alturas

por John Wolf, em 28.09.17

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Junto ao pilar 7 da Ponte 25 de Abril ou Ponte Salazar (conforme os gostos e para não ofender a Comissão para a Igualdade do Género) nasceu um elevador. Não é um elevador da bica - são 6 euros para subir ao alto dos 70 metros que encarnam uma espécie de vista pseudo-suicidária. Dizem os "promotores" que é um investimento de 5,3 milhões de euros para recuperar "nos próximos 15 anos". E que se outras metrópoles têm o mesmo aparelho de deslumbramento, então Lisboa também tem direito ao seu quinhão. Mas existe uma pequena contradição que devemos levar em conta no que diz respeito ao modelo de negócio. Um investimento a recuperar em 15 anos não pode ser considerado feliz - não é um investimento. O normal e expectável seria atingir o break-even em 5 anos. Deste modo é um passivo a que se acede de elevador. Mas há mais. Quem estiver parado no trânsito no tabuleiro da ponte tem uma vista ainda mais privilegiada - de borla. A conversa do estudo interpretativo sobre cabos de aço e a perda de vida humana na construção da ponte é muito interessante, mas a discussão é outra. O tira-teimas é ideológico, como quase tudo em Portugal. Uns são do Sporting outros do Benfica, uns do Bairro das Colónias outros de Campo de Ourique. Ou seja, a ponte, a estrutura que atravessa e galga as margens do rio Tejo, é semelhante ao paradigma nacional - a discordar é que a gente se entende. Seja nas autárquicas seja na bola que rola. A United Steel Corporation, a gigante norte-americana que construiu o monstro, agradece a homenagem, mas o homem contemporâneo e a cultura rasante dos nossos tempos coadunar-se-á mais com a ideia de nivelamento, de planos idênticos. Serão 6 euros a separar o homem do seu par nacional. O elevador que agora se cola como uma lapa ao pilar 7 serve para estratificar, para distinguir, para conferir a utopia de vistas largas a uns, mas nem tanto a outros. Vivemos a época da hiperbolização. A ideia de que as obras fechadas podem ser ampliadas para fins falsamente hedonistas. Não sei que valor acrescenta à cidade de Lisboa. 70 metros são um embuste de grandeza. E com tanto pregão sobre os transportes nestas jornadas autárquicas, podemos concluir que este meio não é de todo socialista. Não é um metro vertical onde vamos enlatados, entalados. O passe da Carris devia ser válido nesta linha 7 que agora inauguram.

 

foto John Wolf

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publicado às 07:39

Merkel, a Jamaicana

por John Wolf, em 25.09.17

 

A Alemanha é a imagem quase perfeita do estado de arte política da Europa. Os resultados das eleições federais devem ser interpretados à luz de considerações trans-germânicas. Sabíamos de antemão que a questão da imigração e dos refugiados seria a linha divisória para afastar ou aproximar eleitores. O partido Alternativ für Deutschland (AfD) estreia-se deste modo no Bundestag com uma presença assinalável (12 a 13% com uma expressão parlamentar na ordem dos 90 membros). Merkel pode extrair vantagens desta situação se souber apaziguar os ânimos exaltados daquele partido, mas também de um espectro alargado da população que emprestou o seu voto ao AfD. Schulz, que admitiu a derrota, nem tentou sequer colocar em causa a "vitória" da CDU, mas ao afirmar o fim da coligação, declara que o desejo da SPD é liderar a oposição. A expressão Jamaicana do possível arranjo de coligação, integrando o FDP e os Grüne, terá forçosamente de significar a negociação contínua e tensa de soluções políticas de governação. Por outras palavras, a CDU de Merkel poderá inclinar-se mais à direita, arrastando o FDP, e com um teor menos intenso os Grüne e o partido Die Linke. Schulz, socialista de gema, ainda acredita nas eleições regionais para inverter o declínio do seu partido, mas fala irresponsavelmente e com alguma perda de sentido da realidade - nos territórios da ex-Alemanha de Leste, o AfD é a segunda força política, e não o SPD. Dito de outro modo, seja qual for o amor à camisola de cada um, o AfD contaminará os discursos e a orientação de uma panóplia de políticos e partidos. Os socialistas, que alimentaram o sonho de paz social e prosperidade um pouco por toda a Europa da União, terão de acordar para uma nova fase de realismo político. A Catalunha ou o Brexit fazem parte do mesmo ADN mutante de nacionalismos, sem referir os casos flagrantes da Húngria e da Polónia. Num caso está em causa a fragmentação de uma centralidade política e no outro caso a secessão de um Estado-membro da União Europeia, sem ajuizar sequer sobre o grau do que sucede nos outros países acima referidos. Temos deste modo um novo desenho endémico na Alemanha. Embora não possamos falar de um conflito bipolar e ideológico na Alemanha, registamos, sem escamotear a verdade, a afirmação dos anseios de uma boa parte da população. A bandeira do AfD é mais intensa do ponto de vista sociológico e existencial do que o estandarte ideário de um Die Linke ou de os Grüne.  As causas clássicas da Esquerda são menos de "vida ou morte" e por essa razão não conseguem instigar vontades de um modo tão acultilante ou emocional, irracional. Se não estou em erro, e assumindo a pré-condição de preservação do poder político a todo o custo, veremos até onde irá o SPD e de que quadrante partirá Angela Merkel para este seu quarto e derradeiro mandato.

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publicado às 10:15

Centeno e Costa escrevem ficção

por John Wolf, em 23.09.17

 

 

Não gosto que me mintam. Não aprecio que dourem a pílula. Não aceito que aproveitem os louros dos outros. Não pactuo com a destruição de obra alheia. Não tolero que inventem estórias da carochinha. Não admito devaneios ideológicos. Não sou solidário com facciosos. Não acredito naquilo que me contam. Não tenho confiança em declarações de sucesso. Não me rendo perante a insistência dos outros. Não integro no meu espírito a ficção que nos querem impingir. António Costa, Mário Centeno, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa podem meter no bolso as casas de propaganda nacional, mas não conseguem enganar todos ao mesmo tempo.

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publicado às 17:25

Comunicação Política para Totós

por John Wolf, em 22.09.17

 

Embora não vá votar porque não posso votar, e mesmo que pudesse votar provavelmente não votaria, não deixo de ser visado enquanto potencial-candidato-eleitor - o meu voto é desejado.  Recebi na caixa do correio (nas últimas semanas) missivas de toda a espécie e feitio de impressão. Foram cartas e brochuras, panfletos e desdobráveis de todas as hostes partidárias, apelando ao meu poder de encaixe autárquico. Tive, desse modo, a feliz oportunidade de pôr essa leitura em dia no decorrer de actividades sanitárias - sentado, entenda-se (com as mãos livres, sem cometer infracções). Lavei as mãos e posso afirmar que me encontro em condições de avaliar como a Comunicação Política é realizada pelas diversas forças partidárias em Portugal no festival eleitoral em curso. Devo dizer que as propostas apresentadas carecem todas de um enquadramento conceptual e de uma visão estruturante. Ora falam de parques de estacionamento, ora mencionam apoios sociais, ora congratulam-se pela obra feita, ora reclamam pela incúria dos outros...enfim, não passam todos da mesma chapa gasta vezes sem conta a cada campeonato autárquico. O formato foto-passe de todos partidos pretende confirmar o alto teor de democraticidade e convívio político entre as cabeças de lista - as estrelas da companhia -, e os pobres anónimos resgatados da paragem de autocarro para preencher as listas. A Comunicação Política simplesmente não existe. Existe uma forma de Comunicação, mas não preenche os requisitos da Política. São Políticos que se apresentam, mas não Comunicam eficazmente. Plagiam-se a torto e a direito. Chamam algo diverso à mesma coisa, mas não passa de embuste ideológico. Gastam rios de dinheiro em bandeirinhas e esferográficas, pastas e sacos para arremessar a tralha, mas não conseguem erradicar os vícios da classe política canonizada pelo mistério da promessa cumprida. Os textos que acompanham a vontade política são fracotes e encontram-se na fronteira do pueril, do dispensável. Desejariam, se soubessem, ou pudessem, a sofisticação subtil, a sugestão da genuína transformação filosófica que está na génese das aspirações da freguesia, do concelho, da região, da península, do mundo. Mas não conseguem. Estão presos, cativos num labirinto de inconsequências e desperdícios. Tanta coisa para tão pouco. Tantos. Bastava um(a) para fazer o frete a todos. Criatividade, inteligência ou originalidade não fazem parte de lista alguma. Triste. É triste. É tão triste.

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publicado às 15:35

Catalunhex

por John Wolf, em 21.09.17

 

Não é preciso ser constitucionalista ou estudioso de sistemas políticos para entender o que sucede na Catalunha. Basta olhar para a história e aceitar que são precisamente conflitos e rupturas que estão na origem de Estados, e que a base nacional tem sido o fundamento para a sua fundação, tendo em conta o que resulta desse marcador importante que é a Paz de Westfália de 1648. Por mais que o governo central de Madrid tente proibir a consulta popular à independência da Catalunha, a mesma não deve depender de autorizações "excêntricas", ainda que legitimadas pelo poder político - nenhum governo, dada a sua natureza integracionista, autorizaria um movimento secessionista (seria uma contradição de génese política). Assistimos, deste modo, à sindrome do gato escaldado pelo Brexit. Madrid não quer que aconteça o que sucedeu em Londres. A Monarquia Constitucional de Espanha e o governo que dela resulta, consagrada como modelo de Democracia de pleno direito, demonstra de um modo preocupante que certas práticas de censura e controlo dos tempos de Franco ainda continuam válidas. Não se pode admitir, que na dita Europa civilizada, embalada pela União Europeia, a perseguição política aconteça. A Catalunha é uma das jóias da coroa, um contribuinte importante para o PIB espanhol e é sobretudo essa dimensão económica que está em causa. Não existe nada de romântico ou lírico na união de regiões "à força", de territórios e gentes que perseguem outros sonhos. Se o referendo não acontecer de um modo pacífico, rapidamente a situação evoluirá para o caos e a expressão ainda mais violenta do que aquela até agora registada. Se porventura chegarem à mesa de negociações da independência, quero ver qual será o preço que o governo de Madrid exigirá, qual o valor em causa e quais os demandantes que se seguirão. A Europa das Regiões, essa bandeira agitada para dar ares de descentralização do poder político, tem agora um belo exemplo para hastear. A Catalunha é uma nação. E existem muitas outras por essa Europa fora.

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publicado às 16:47

Medina contactou o Tribunal Constitucional

por John Wolf, em 20.09.17

 

Fernando Medina pegou no telefone e contactou o Tribunal Constitucional para suprir eventuais "omissões" na sua declaração de rendimentos. Que sorte a sua. O comum dos mortais, o contribuinte português, não dispõe de semelhante privilégio para por em pratos limpos a loiça suja. Como bom socialista que afirma ser, Medina devia propor em sede de Assembleia Municipal uma hotline para que todos possam reescrever as suas histórias e alegar que não estão em incumprimento. Não foi notificado? Medina não sabe que a ignorância da lei não pode servir para um indivíduo se furtar às suas responsabilidades. Em vez de morder a língua e admitir a falha, Medina apresenta-se como imaculado constituinte. Não há paciência para estas miudezas de carácter e faltas de ética.

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publicado às 09:14

TRUNP

por John Wolf, em 19.09.17

 

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publicado às 18:48

Catarina Martins é simplesmente ignorante

por John Wolf, em 15.09.17

 

Catarina Martins nunca produziu o que quer que fosse na sua vida (incluindo ideias originais). Catarina Martins nunca gerou um emprego (a não ser aquele que abarbatou na geringonça e que deve ao Costa). Catarina Martins não estudou economia nem finanças (andou pelo teatro). Catarina Martins não entende o que representa um risco de investimento (nem sabe o que é uma start-up). Catarina Martins não sabe gerar riqueza (e muito menos repartí-la). O que Catarina Martins sabe, e bem, é tirar do bolso dos outros. A afirmação que produz: "Há rendimentos que não são do trabalho, que não são salários nem pensões. São pessoas que têm muitos rendimentos de capital ou de propriedade e que deviam ser obrigadas a englobá-los para pagarem uma taxa proporcional” confirma inequivocamente que a menina não percebe patavina sobre o significado de capital, meios financeiros e muito menos rendimentos. Os rendimentos de capital que refere (acções e títulos financeiros de outra natureza) correspondem à retribuição devida àqueles que se dispuseram a acreditar nas virtudes de uma unidade produtiva. Quando um indivíduo adquire uma posição accionista (seja pequena ou seja grande) de uma empresa, está de facto a financiar a operação, está a conceder um empréstimo e está a correr um risco (a operação produtiva pode correr bem ou não) e, naturalmente, de acordo com o desempenho (se positivo) da empresa em causa, o retorno há-de acontecer, quer na forma de dividendos, quer na expressão de mais-valias. Ora ao penalizar quem empresta à economia de um país, e em particular os privados, o ónus do risco e do investimento recai sobre o Estado de um modo ainda mais intenso. E é aqui que reside grande parte da sua argumentação falida. A missão do Estado não é a geração de riqueza ou a obtenção de mais-valias - esse papel é da responsabilidade do sector privado. Subsiste porém outra contradição infantil no seu enunciado. Como se pode beneficiar a classe média, se é esta mesmo que tem a propensão para investir em veículos financeiros como acções? Ou seja, Catarina Martins propõe uma bastonada na classe média para depois lhe passar a mão de admoestação pelo mesmo coiro. Por outras palavras, não se pode tirar a quem nos dá pão para a boca - a classe média não pode ser simultaneamente castigada e premiada. Eu já disse vezes sem conta: erros de casting pagam-se caro. Mas ignorância deste calibre não tem preço. Não existe mercado para tal. Se deixarem a rapariga se esticar, ela matará o tecido empresarial do país que deixará de se poder financiar em condições e gerar emprego. Catarina Martins é mesmo ignorante. Se ao mesmo tivesse lido Marx, saberia que a teoria do valor (e onde o mesmo reside) é complexa. Mas ela não faz caso disso. Leva tudo pela frente.

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publicado às 15:25

Autárquicas da bola

por John Wolf, em 14.09.17

 

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) deve ser composta por bananas. Apenas trabalha quando o rei faz anos, mas mesmo assim não acorda a tempo e horas do serviço. Borra a pintura. Tem expediente a cada 4 ou 5 anos, mas é incapaz de dar conta do recado. Nem umas miseráveis eleições é capaz de marcar no calendário. É uma infeliz coincidência essa estória dos jogos acontecer no mesmo dia. Azar. Os adeptos do Porto, se carregarem em massa em Alvalade, terão de organizar muito bem o seu dia. Terão de descer à Ribeira, inserir o boletim na ranhura e depois rumar a Lisboa. Pois. Estou a ver o filme. Isto precisava de um vídeo-árbitro-autárquico para controlar a jogada - amarelo, no mínimo. Falamos de uma estimativa de abstenção afectada negativamente pelo espectáculo da Primeira Liga. Não me venham com estórias. Querem convencer-me que a CNE não analisa todos os factores de perturbação dos actos eleitorais? Os eleitores da coligação Benfica-PS também terão de fazer um esforço acrescido para ver se não ficam retidos na ilha da Madeira devido a um inesperado vento cruzado. Contudo, independentemente da bola, os portugueses terão mais uma desculpa para não exercerem a sua obrigação cívica. Depois é o que se sabe. Continuarão a queixar-se deste ou daquele, mas mandam dar uma volta àqueles que ousem perguntar: votou? Ou foi ver a bola?

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publicado às 13:33

Catarina Martins, comissária do não

por John Wolf, em 13.09.17

 

Catarina Martins deve fazer as malas e sair da União Europeia. Julga que o projecto europeu é um Airbnb - ora ficamos uma semana ora nem por isso. O Bloco de Esquerda deve assumir as suas responsabilidades perante o governo que viabilizou - a Geringonça que, goste-se ou não, é pró-europeu. Se é o aprofundamento da integração o caminho a tomar, então um Ministro Europeu das Finanças (ou da Economia) faz todo o sentido. Será uma visão holística que permitirá alinhar sistemas dísparos (e tantas vezes contraditórios) que polvilham a paisagem política e administrativa dos países-membro da União Europeia. Imaginem um sistema pan-europeu de Segurança Social e um Sistema Europeu de Saúde que serviria para aproximar o modo como os cidadãos da União Europeia são tratados. Catarina Martins sofre de miopia ideológica. Não consegue ver para além de Gaspar ou Albuquerque. Ao criar os cargos em questão, transferir-se-ia uma parte do ónus das assimetrias para a centralidade europeia. Deixaria de fazer sentido aquele discurso de periferias desalinhadas e o atribuir de culpas em exclusivo aos governantes "locais". Chame-se a isto, ou não, aproximação a uma Federação, a verdade é que o cidadão comum, dotado das suas ferramentas de percepção, sabe comparar regimes tributários e níveis de rendimento. E há mais que se relaciona intensamente com o princípio de liberdade movimento de pessoas, bens, capitais e serviços. São cada vez mais os que adoptam residências excêntricas, longe dos países de origem. São cada vez mais os que emigram, e nesse sentido, uma função niveladora seria o desejável. No entanto, Catarina Martins não pode ser visionária. O Bloco de Esquerda tem no seu ADN algo de contraditório à ideia de progresso. Diria mesmo, se me tapassem os olhos com uma venda, que aquele partido era conservador, ortodoxo, fundamentalista, retrógrado, desconfiado, desprovido de optimismo, descrente no homem (e na mulher), pessimista....querem que continue? Catarina Martins não defende os interesses dos portugueses. Defende outra coisa qualquer.

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publicado às 14:28

Medina, dono da verdade e de um duplex

por John Wolf, em 12.09.17

 

Nem sequer vou referir os atrasos em relação ao Processo Marquês, os contornos respeitantes a contas de outrém e os mecanismos de subterfúgio de que se serve José Sócrates para, à chico-esperto, tentar fintar a justiça. O que está em causa é o precedente ético e comportamental que o ex-primeiro ministro estabelece. Enuncia o falso princípio de que o que afirma é o que está certo, como se a lei pura e simplesmente não existisse. Fernando Medina faz parte da escola de Sócrates. Aprendeu como se faz. Julga o candidato à Câmara Municipal de Lisboa que basta dizer que está tudo correcto para que esteja tudo certo. Mas não está. Fernando Medina não declarou o que deveria ter declarado. E, para perceberem o que está em causa, nada disto tem a ver com preferências por partidos ou amores ideológicos. Miguel Cadilhe e António Vitorino (de casas partidárias distintas) também se meteram em sarilhos imobiliários, tributários ou patrimoniais. Muita sorte tem Fernando Medina que não tenha sido financiado por um tal de Carlos Santos Silva, o banqueiro privado de socialistas amigos. Em suma; se Medina não cumpriu a lei, deve ser sancionado por tal facto. No entanto, o Largo do Rato dirá que tudo isto não passa de oportunismo à luz das eleições autárquicas, de perseguição política do menino Medina. Francamente, já chega. Estes gajos não aprendem e pelos vistos não têm quem lhes ensine. E há mais; Fernando Medina é um duplexado - vive um mezanino acima das suas possibilidades.

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publicado às 10:25

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O Estado da Florida prepara-se para receber o primeiro impacto do Furacão Irma nos EUA. Provavelmente outros Estados americanos serão também contemplados com um rasto de fúria e destruição. Passou uma dúzia de anos desde a tragédia causada pelo Furação Katrina e as deficiências registadas, no que toca às operações de salvamento e resgate, serviram para apurar responsabilidades e evitar a repetição de erros. Os EUA aprenderam do modo mais difícil e, perante a iminência da chegada de Irma, sentimos que existe um efectivo plano de cobertura para tentar minimizar os danos humanos e materiais que resultarão deste fenómeno natural. A pergunta que importa colocar aos portugueses, e por analogia ao cenário de catástrofe, será a seguinte: quantos anos serão necessários para evitar a repetição da tragédia dos incêndios de Pedrógão? É a curva de aprendizagem que interessa. Todos cometemos erros, mas devemos assumir responsabilidades e seguir em frente em busca das soluções mais consistentes e compatíveis com a ideia de preservação de vidas humanas e a base geográfica onde nos movimentamos. Para além desta nota de análise, existem outros danos "colaterais" a ter em conta e que soprarão dos EUA para a Europa. A economia americana levará um rombo significativo com a devastação causada por Irma e, à luz dessa condicionante estrutural, a Reserva Federal dos EUA terá forçosamente de continuar o seu programa de estímulo da economia por via do programa de Quantitative Easing ou outro semelhante. Assim sendo, será expectável o declínio continuado do USD e a consequente valorização do Euro que afectará o nível de exportações da Zona Euro para o resto do mundo. No entanto, existe uma atenuante que será falsamente aproveitada pelo governo da República Portuguesa para aumentar o preço das gasolinas nas estações de serviço. O embate nas refinarias americanas será um facto incontornável, mas Portugal não depende directamente dessa linhas de fornecimento. Abastece-se noutros mercados e, uma vez que o Euro se valorizará ainda mais em relação ao dólar americano, e o crude é pago em USD, iremos observar um efeito de anulação, por via do cruzamento recíproco das duas curvas. Ou seja, a subida do preço do crude será mitigada pela subida do Euro que serve para comprar USD que por sua vez compra energia nos mercados internacionais. A geringonça, chica-esperta como nos tem habituado, escreverá a sua própria ficção de aproveitamento da desgraça alheia. Fica feito o aviso. Será um furacão de categoria política reles que assolará a costa portuguesa.

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publicado às 12:56

Medina e Lisboa a metro

por John Wolf, em 07.09.17

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Aviso desde já que vi bastantes segmentos da grande tertúlia promovida pela TVI e a anfitriã Judite de Sousa. Não escutei de fio a pavio o debate. Mas ligando os pontos, facilmente chegámos à conclusão que o Partido do Turismo marcou assento mesmo sem ter sequer um lider em estúdio. Fernando Medina, o único político não eleito dos presentes, não soube aproveitar essa condição. Não soube e não quis, porque sabe que qualquer tentativa de se apresentar como "independente", e herdeiro de um legado que não escolheu, cairia por terra num ápice. Assunção Cristas sintetizou - "Medina anda de braço dado com o governo" e "foi secretário de Estado sob a batuta de José Sócrates". Mas adiante, deixemo-nos do acessório e passemos ao essencial da noite. A questão das taxas turísticas parece estar envolta na mesma aura de mistério dos donativos de Pedrógão. Não se percebe muito bem para onde foi ou para onde vai o dinheiro. Não se sabe ao certo de que modo é feita a alocação das receitas. A taxa respeitante à Protecção Civil,  a grande bandeira de financiamento das emergências da capital, afinal peca por inconstitucionalidade se for adoptada a mesma orientação jurídica que foi determinada em Vila Nova de Gaia. Cristas tem razão. A Protecção Civil não pode ficar dependente de mais ou menos meios angariados através de taxas ou taxinhas -  é um encargo em relação ao qual não se pode abrir mão. João Ferreira do PCP esteve bem ao saber demarcar-se da expressão geringonçal que o define a si e ao seu partido. Soube fingir muito bem a sua irreverência, mas sabemos que nos bastidores os acertos serão determinados. Ricardo Robles do BE foi uma agradável surpresa - é uma versão diluída e não histérica da Catarina Martins. Parece ser alguém com quem se pode discordar sem levar com um compêndio moral em cima. Teresa Leal Coelho é um erro grosseiro de casting. Infelizmente não tem o que é necessário para o cargo em questão. É incapaz de estruturar um pensamento ordeiro e é péssima no contraditório. Se é para fazer escola aqui nestas andanças, sair-lhe-á caro. Adiante. A discussão dos metros do Metro coloca Lisboa numa posição incómoda. A cidade não pode ser pensada a partir do prisma da mobilidade, como se a mesma fosse a geradora de outras soluções estruturais. Nada de conceptual foi discutido. A saber; qual o conceito de qualidade de vida que define Lisboa e quais as ambições dos seus residentes? Que implicações terão as propostas dos candidatos no desenvolvimento dos concelhos adjacentes? Qual a abordagem inter-municipal para integrar as mais que expectáveis alterações que se farão sentir na periferia? Onde começa e acaba Lisboa, e como pode a mesma ser pensada a partir do prisma do Turismo? Será que são entidades exógenas que determinarão o curso político de acção? Se deixarem o Turismo ditar o rumo da capital, poderemos apresentar um novo conceito operativo político: a perda de soberania autárquica. A cidade de Lisboa não pode pertencer aos maltrapilhos dos turistas que apenas se apresentam por interesse hedonista. E os que residem ficam para segundo plano? Fico algo chocado que não tenha sido atribuída a ênfase devida à condição alfacinha. São os que cá vivem que mais importam. O turismo é um vento favorável que sopra, mas devemos temer furacões e aguardar as tempestades geradas por políticos que acreditam nas benesses das cirurgias plásticas dos canteiros de avenidas. Como em todos os outros processos eleitorais de Portugal, não me assiste votar. Não sou uma coisa nem outra. Não sou nacional, mas também não sou turista. Sou residente de pleno direito e estou alinhado com os da terra que merecem muito mais do que presentemente lhes é oferecido. E não me venham com essas histórias encomendadas pela geringonça de que Portugal é o 5º melhor país do mundo para se trabalhar. Não é assim que se faz. Não é assim que se faz campanha. A masturbar prémios em cascata.

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publicado às 07:45

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Se Jerónimo de Sousa não fosse quem é, e não fosse um fundamentalista comunista, dirigia as suas palavras ao povo oprimido dos EUA. Provocaria o espírito da liberdade dos milhões de nacionais que integram o seu "conceito" de americano-imperialista. Ao invés, revela a sua pequenez e a dimensão do seu racismo patriótico. Esquece o secretário-geral que os movimentos sindicais nasceram na América e que uma série de revoluções já assolou o "continente" norte-americano. Mas existe algo que está atravessado na sua garganta estreita. A América é muito mais comunitarista do que os comunistas alguma vez serão comunistas. Existe algo que o marxiano não entende. Não são necessários uma foice e um martelo para que exista uma forma voluntária e salutar de socialismo civil  e "não ideológico". Ou seja, a ideia de partilha e edificação social e material numa sociedade que não depende de uma direcção central, de uma bula. Jerónimo de Sousa porventura nunca terá pisado solo americano para ter a oportunidade de ofender directamente descendentes de italianos, portugueses, alemães e irlandeses que construíram as suas vidas com o suor desligado de ideologias caducas. O lider da CDU nunca viveu na aldeia americana que é um Avante durante 365 dias do ano. Onde a cada dia que passa existem transferências de uns para outros, de mais abastados para mais desfavorecidos. Assim não vale a pena falar do homem. Assim não vale a pena discutir com o homem. Na Coreia do Norte é que se está bem.

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publicado às 20:48

 

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José Sócrates é o lider supremo da igreja universal dos factos irrefutáveis. No seu vídeo promocional, com direito a desconto para os primeiros subscritores, só falta aparecer em rodapé o número de telefone para que os espectadores possam reclamar a sua torradeira. Este vendedor de banha da cobra é uma lástima. Nunca o contrataria para trabalhar numa empresa minha. Não esboça um sorriso e a sua linguagem corporal revela grande angústia existencial. Não percebemos muito bem o que anda a vender. Refere factos, mas não menciona os termos da garantia em caso de avaria da sua máquina da verdade. O livro, deitado na estante, The Lesser Evil de Michael Ignatieff, é uma jogada esperta, mas não me engana. Não existe nada de menoridade no desenhador de Castelo-Branco. Não sei quem foi o produtor do filme nem o realizador, ou se foi o Galamba a avisar que o cerco está a apertar. Gravata assim sem blazer já não se usa. É muito Gordon Gekko e pouco Brioni. Amanhã o grupo ético e mediático de Sócrates inaugurará uma conta no Instagrão e outra no Snapchatos. E há mais. Aquela prateleira lá ao fundo parece estar a ceder. A pressão é muita e qualquer dia estala o verniz e a madeira. Eu tratava do assunto em vez de fazer figura de urso à frente de miúdos e graúdos.

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publicado às 16:32






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