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Corrupção? A malta quer é festas EDP

por John Wolf, em 03.06.17

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Os artistas não são culpados, mas um boicote à EDP não seria mal-visto. Já não é prestigiante ser patrocinado pela EDP, como não é politicamente recomendável subscrever a multinacional americana Monsanto. A humanidade, quer o deseje ou não, terá de enfrentar dilemas éticos. Os homens definem-se também pelas companhias que escolhem. Com tanta prosápia da marca Sobral sobre "salvar o mundo do cinismo e dar guarida a refugiados", não seria de todo desadequado se um intérprete ou outro desse um coice na mão que dá pão para a boca. Mas o cachet é irrecusável. E os artistas fecham os olhos à corrupção. Dinheiro sujo é lá com eles. Actvismo político é uma coisa muito bonita, mas não passa disso.

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publicado às 19:26

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Em dia de denúncia dos Acordos de Paris por Donald Trump faço um compasso de espera e atiro noutra direcção. No âmbito da cimeira da NATO, Trump puxou as orelhas aos parceiros europeus e reclamou que estes deveriam aumentar a sua parada monetária na organização de defesa. Os membros da Aliança Atlântica deveriam pagar mais, pelo menos 2% dos respectivos Produto Interno Bruto (PIB). Torna-se curioso, e não menos relevante, que Portugal, sob a batuta de um governo de Esquerda, tenha de facto incrementado a sua prestação à NATO de 1.32% para 1.38% do PIB. No entanto, não me recordo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português terem batido o pé. Gostava de saber qual foi o preço do seu silêncio. Os socialistas devem ter negociado um arranjo qualquer nos bastidores. Não sei qual foi a moeda de troca, mas houve mais recursos atribuídos à NATO desde que a Geringonça abarbatou o poder. Por outras palavras, Portugal já vinha alinhado com o pensamento geo-estratégico e financeiro de Trump. Guterres, nas últimas 24 horas, já foi particularmente vocal em relação aos vazios de poder que decorrem da denúncia de acordos respeitantes ao clima, mas neste jogo de correlações das diversas dimensões de projecção de poder, talvez ainda não tenha percebido que os Acordos de Paris serão uma mera divisa para exercer pressão noutros palcos. Para cada ponto verde comprado por corporações para calar detractores quantas vidas efectivamente se perdem? No tabuleiro de Realpolitik não existem deuses e demónios, bons e maus, de um modo linear. Talvez o agitar dos fundamentos dos Acordos de Paris sirva para rever as suas premissas e o seu caderno de encargos. Veremos como a Europa, tolhida por crises internas e dúvidas existenciais, consegue ou não esboçar um plano B. Talvez Merkel tenha razão. Os EUA já não fazem parte da equação de favas contadas, já não são best friends forever. E há mais. De cada vez que o governo de António Costa glorifica o magnífico crescimento económico, está de facto a aumentar o financiamento de Portugal à NATO. Ou seja, são os turistas que estão a tornar Portugal um país militarista. São eles que estão a aumentar as receitas, e consequentemente o PIB. Pois é.

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publicado às 16:12

Procedimento por elogios excessivos

por John Wolf, em 22.05.17

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Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente de todos os Portugueses + a Geringonça, alargou o âmbito do elogio respeitante à saída do Procedimento por Défice Excessivo (PDE). Afinal o governo anterior também tem direito a uma fatia do bolo, e a apagar uma vela. Mas o problema não reside nos festejos, nos globos de ouro, nas sandálias do Beauté, ou na alcatifa vermelha de políticas de mais ou menos Esquerda. O espinho que parece ter causado mais comichão é a simplificação que João Salgueiro cravou nos pressupostos da glória económica dos indicadores. Diz o especialista que foi o Turismo que se mexeu e roubou o lugar às indústrias, à economia dita clássica. Sem dúvida que a febre turística é responsável por uma grande quota-parte do sucesso. Mas existem perigos. Estarão recordados do primeiro boom turístico-imobiliário que desfigurou a pacata Armação de Pêra e que cicatrizou Quarteira? Pois bem. Assistimos a uma segunda vaga que comporta alguns desafios. Portugal encontra-se na fase hélio da bolha - é só facturar. São restaurantes e hóteis, tuk-tuks e programas de lazer, festivais de música, certames da bolota, mostras da rolha, mas o cidadão-residente, aquele que fica depois das festas acabarem, não está a participar no lado lúdico do espectáculo. Como o incremento do lado da oferta é superado pela procura, a equação é linear e tem um nome: inflação. O conceito Inatel, de turismo para o povo, deixou de existir. Pergunte-se a um idoso, com a reforma que se conhece, se vai para fora cá dentro. Não me parece. E é aí que a questão se torna problemática. O governo descobriu a galinha de ovos de ouro, mas à semelhança de tantas aventuras históricas de exploração económica (coloniais se quisermos), geralmente os processos descambam. Agora querem mexer no sector para o hiperbolizar ainda mais. A saída do PDE pode alimentar fantasias que estão na origem da ruína primeira que conduziu a sevícias da União Europeia, do FMI e do BCE. Por outras palavras, ao fazerem passar a ideia celebratória de vitória no festival da canção política, podem contribuir para que haja ainda mais extravagâncias. Os resultados do Turismo são óptimos. A ver se não estragam a coisa.

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publicado às 17:35

Sócrates - belo, Belino...

por John Wolf, em 20.05.17

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José Sócrates foi o principal beneficiário do mundo do espectáculo e das artes. Recuando quase um ano, o campeonato europeu de futebol e a vitória da selecção nacional, foi um biombo perfeito para distrair o povo da sua provação judicial. Depois houve o Web Summit e nunca mais apareceu o insulta-jornalistas João Araújo. Entretanto houve o build-up da visita do Papa, a peregrinação a Fátima e ainda a febre do festival eurovisão da canção. Ou seja, Sócrates teve tantas atenuantes mediáticas, mas nada disse a esse propósito. Não concedeu uma entrevista sequer a reclamar da falta de atenção das televisões. Não assinou mais uma obra literária que esgotasse na aurora da sua publicação. Por outras palavras, com tanto tempo de folga, de baixa mediática, não foi capaz de se defender cabalmente das injúrias e mentiras. A fundação Belino que agora surge em primeiro plano nos escaparates não deveria ter aparecido. Nos bastidores das várias cantigas de distracção que assoláram o país, Sócrates não soube aproveitar os bónus como António Costa o fez. O primeiro-ministro, nesta onda hipnótica de comendas parlamentares, fados e futebol, conseguiu convencer Portugal inteiro que este já estava totalmente curado das maleitas económicas e sociais. O chefe da Geringonça teve a arte de dissimular a tempestade residente da dívida pública, e fingir os números de crescimento económico à pala de flacidez no investimento público - o povo engoliu a dois. Francamente. José Sócrates, que andou na mesma escola, não soube desmontar a cabala da Fundação Belino que segundo as suas visões seria natural que aparecesse. Ainda não tivemos uma conferência de imprensa onde Sócrates pudesse refutar tudo, mas pouco falta. Ainda esta noite, aposto, teremos um porta-voz jurídico a desmontar a ficção da fundação suiça. Não esqueçamos que as fundações são uma invenção dos socialistas. Uma espécie de cooperativa de interesses, com tesourarias e divisas próprias. Belo, Belino -  Lula, Dilma e Temer também não ajudam nada. Resta apenas o Salvador.

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publicado às 14:53

De malware a pior

por John Wolf, em 15.05.17

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Sou da geração que leu Alvin Toffler, que assistiu ao advento da Macintosh e que viu nascer a internet. Sou da geração que ainda chegou a enviar telegramas e que achava o FAX uma maravilha tecnológica ímpar. E ainda sou de uma geração que enviava postais e colava o selo com cuspo a partir de um destino de férias. A digitalização do nosso mundo, na maior parte dos casos, não se limitou a limar o presente e a forjar o futuro. Não. As tecnologias de informação foram ao passado exterminar processos arcaicos, físicos. Há inúmeros métodos tradicionais que pura e simplesmente deixaram de existir. A Suécia, considerada a madrinha do modelo de organização social, foi ainda mais longe na senda dessa extravagância modernista e aproxima-se a passos largos da visão utópica - já é quase uma cashless society. As APPs é que estão a dar As notas monetárias e as moedas já se encontram nesse país nos cuidados intensivos, à beira da morte, em estado comatoso. Os malfeitores deste mundo, as organizações criminosas, apenas tiveram de esperar para ver onde se encontravam as fissuras informáticas dos sistemas de administração de organizações públicas ou entidades empresariais para fazerem provar do seu veneno. Os governos puseram-se a jeito. Os media que dão cobertura à epidemia de Malware e Ransomware, apenas recebem migalhas de informação respeitante aos pagamentos efectuados por administrações públicas a redes criminosas. O ataque cibernético da semana passada denominado Wannacry pôs de joelhos o NHS (National Health Service) do Reino Unido e impediu a realização de sessões de quimioterapia ou intervenções cirúrgicas, mas os media disseram que foi coisa pequena que envolveu pagamentos de apenas duas dezenas de milhar de libras. É este o estado em que nos encontramos. Estas sofisticadas organizações informáticas criminosas têm um plano meticuloso de assalto. Será apenas uma questão de tempo até que as revoluções políticas ocorram por asfixia operacional. Se uma qualquer Autoridade Tributária deste mundo for algemada por processos de Ransomware, a única coisa que têm a fazer é pagar. Se não o fizerem as receitas do Estado ficarão comprometidas. Tudo isto tem a configuração de um Matrix invertido ou de Marxismo revertido a favor de máfias planetárias intensamente capitalistas. Mas foi o que as sociedades quiseram, foi o que a cultura determinou. Embora rebuscado, arrancar as vinhas também contribuiu para este estado de arte de riqueza virtual, de meios de subsistência clean, sem terra debaixo das unhas para não envergonhar a geração seguinte formada na universidade e com diploma avançado em sofisticação. A modernidade que rebentou com a mercearia da Tia Alice e destronou o Alfredo dos biscates é a grande culpada. Corremos todos atrás da grande moda monetária, do Simplex. Mas o mal não reside no progresso. Os perigos residem na eliminação dos costumes monetários de troca directa, de pagamento em espécie, e  no valor de geometria variável que nos reduz todos a plástico. Não é só na música que faz falta o sentimento. Em tudo o resto fazem falta doses imensas de bom-senso.

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publicado às 12:07

Salvadorismo

por John Wolf, em 10.05.17

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Tenho de pedir autorização especial à Direcção-Geral de Censura do Facebook e arredores para tecer algumas considerações sobre o fenómeno Salvador? Venho a medo para este espaço de expressão. Quando um país inteiro fica enfeitiçado pelas qualidades hipnóticas de uma receita, o melhor é ficar calado e submeter-me ao silêncio. Nada de mais errado. Tenho todo o direito de analisar a questão. Aliás, apetece-me cantar. Assistimos nos últimos tempos à diluição gasosa do conceito artístico. Nem sequer ouso referir o termo cultura para não ser remetido ao proselitismo sobranceiro. Quando no espaço de curtas semanas somos assaltados pelo terço gulliveriano de Joana Vasconcelos, os espelhos agigantados de José Pedro Croft e as qualidades híper-estetizadas do cantautor Sobral, no âmbito do seu sucesso semi-acabado no Festival Eurovisão da Canção, devemos ficar preocupados com a hierarquia de valores. A epidemia das artes revela traços agudos da era do vazio. Sem se dar conta, o eleitorado musical rende-se à forma pitoresca e à escala refugiada de um estilo que, mui francamente, já foi declamado vezes sem conta por precursores líricos. Existe um posicionamento ideológico assinalável no boneco gerado. Por um lado, no contexto da supressão do homem caído em desgraça material, Sobral aparece enquanto pastor dessa prece económica. Essa humildade vocal em conluio com a pequena poesia existencial remete o homem para a sua condição misericordiosa. Digo isto como analista cru e implacável, desprovido de sentimentos e noções oníricas - sou desumano. A imagem e o áudio geram empatia, compaixão, quiçá misericórdia. No entanto, devem ressalvar algumas das medidas de interpretação que partilho com semelhante equidistância em relação a outros virtuosos. Portugal tem talento para dar e vender, mas não sei se estes exemplos elevam ou honram a casa lusitana. Paira no ar um certo mistério de vendetta, como se houvesse necessidade de vingar humilhações anteriores. Para todos os efeitos práticos, a Eurovisão, é uma espécie de Comissão Europeia dos cambalachos musicais. Mete muita política, alguma melodia, mas raramente acrescenta valor às nações. Enquanto outros nomes portugueses conquistam salas de Ópera por esse mundo fora, os peregrinos rendem-se à sugestão de uma sombra de Brel, ou como alguém disse - e passo a distorcer -, à magia de um Tim Burton em forma de Salvador, voz de ternuras. Se isto enche por completo as medidas de um povo, significa que os milagres e as aparições continuam válidos, eternos. Não tenho razão. Mas tenho direito a desafinar.

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publicado às 16:40

É bom que assim seja

por Nuno Castelo-Branco, em 20.04.17

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 Segundo notícias hoje sumariamente divulgadas, o governo anda a tratar do assunto relativo ao milhão de portugueses* que têm desde há muito penado na Venezuela. Dizem as nossas autoridades que em caso de emergência existirá uma Força de Intervenção militar apta a intervir no resgate Ora, isto coloca desde já algumas questões, entre as quais o desembarque num país ainda teoricamente soberano. Concordemos ou não com a intervenção, é mesmo o aspecto mais problemático, a menos que subitamente a Venezuela atinja o nada invejável estatuto da Somália.


A reportagem foi moderada e os intervenientes desta vez cuidadosamente filtrados, impedindo-se assim os percalços decorrentes da exposição de há umas semanas, quando os luso-venezuelanos refugiados em Espanha, nada reservadamente exautoravam a inércia das nossas autoridades. Vistos os factos, talvez tenha servido de aviso e rapidamente procuram agora corrigir os modos de actuação. Tudo isto era de prever e já há alguns anos poderiam ter encetado preparativos para qualquer contingência. Existem outros casos semelhantes  que também convém acautelar.

Contam agora com o Brasil - contactos e acordos discretos, diz-se -, país fronteiriço da Venezuela e que por mero acaso da história tem profundos laços com Portugal. O que se torna mais difícil de acreditar é na abertura da fronteira brasileira a uma imensa vaga de refugiados que ali se apresentem para futura evacuação. Para onde, isso será outro caso. 

*Consolemo-nos com algo incontornável: dado o que tem desde há uns anos sucedido no sudeste da Europa, o governo português decerto poderá contar com caudalosos fundos de auxílio para a integração desta vaga de desesperados aqui, em França, na Alemanha, Suécia e outros locais. Fogem da violência? Sim. Fogem do livre arbítrio? Claro. Fogem da miséria? Certo. Fogem de uma não declarada guerra civil? Evidentemente. 

Ficaremos então a saber o que valem as palavras. 

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publicado às 18:52

Tem razão

por Nuno Castelo-Branco, em 10.04.17

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 Na cimeira dos sulistas, o primeiro-ministro disse algumas coisas a que não prestei qualquer atenção, ou seja, os normais fait-divers que sempre ocorrem nestas situações e no seguimento dos discursos dos restantes convivas, subitamente recauchutados em entusiastas neo-vassalos da até agora odiada neo-administração norte-americana.


Costa declarou peremptoriamente que o Brexit deve ser seguido de forma atenta e o Reino Unido deve manter o seu histórico lugar de ...mais forte aliado do resto da Europa, diga-se para quem leu as entrelinhas, do nosso país. Se os outros assim não o entendem, paciência, tanto pior.

Vertam os caudais de fundos que verterem, subornem quem subornarem, a saramaguenta jangada de pedra não passa de uma estorieta para adormecer. O resto, o que nos importa, é conversa muito mais séria e interessante para a nossa sobrevivência nacional. 

Neste caso Costa tem razão, nem sequer poderia cogitar noutras possibilidades demasiadamente arriscadas.

Passemos então a outros assuntos e bem vistos os factos dos últimos 700 anos, como agora se usa dizer, o primeiro-ministro traçou aos outros convivas a linha vermelha. 

 

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publicado às 22:25

Portugal na Monocle

por Samuel de Paiva Pires, em 23.02.17

A edição mais recente da Monocle inclui um relatório de 64 páginas dedicado a Portugal que aborda temas como o ambiente de negócios, o sector do turismo, a gastronomia, as livrarias, a indústria do vinho, entre outros. Não digam nada é aos ultra-pessimistas crónicos cá do burgo que julgam viver num país subdesenvolvido.

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(também publicado aqui.)

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publicado às 11:06

Geringonça recebe medalha de Marcelo

por John Wolf, em 12.02.17

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Marcelo Rebelo de Sousa tem razão. A geringonça é um arranjo inédito. O Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português formaram governo, mas a criação teimosa de um executivo não é um objectivo político em si. Um governo que se preze não pode sobreviver à custa de validações endémicas, de justificações internas, de palmadinhas nas costas dos parceiros de ocasião. Existe muito mais para além das virtudes do narcisismo e das comendas presidenciais - a realidade. E a verdade nua e crua das limitações económicas e dos entraves financeiros não pode ser dissimulada por malabarismos de balancete. Portugal não padece de extremismos de Esquerda ou Direita que parecem retratar a Europa maior, por isso a geringonça nem sequer é salvadora ideológica - não pode invocar esse estatuto. Este governo é um esquema aritmético, um tabuleiro de somas parlamentares e pouco mais. Pensar-se-ia que o presidente da república fosse uma velha raposa política, sábia e experiente. Mas deste modo castelhano levanta sérias dúvidas sobre o seu sentido de Estado. Portugal não está tão distante da Grécia quanto possa parecer. Quando o país económico for esmurrado pelo declínio de investimento público, como modo de conter os deslizes orçamentais para cumprir os preceitos da Comissão Europeia, já será tarde demais. Quando olho para a geringonça e o marketeer Marcelo não sinto a reviravolta do país. Deparo-me com actores posicionados para preservar intactos os princípios da continuidade. A ruptura, que seria encabeçada por uma efectiva reforma estrutural, nunca acontecerá. Se abanarem as fundações do aparelho de um regime, onde encaixam os partidos deste acerto de ocasião, vão todos de carrinho. Como uma cenoura pendurada à frente do chanfro do burro, a descentralização serve apenas para incitar a passada mais larga. Mas o asno anda à volta da nora. E não sai do mesmo lugar.

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publicado às 20:05

Wikicenteno

por John Wolf, em 10.02.17

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Afinal a saga de emails de Hillary Clinton teve alguma utilidade. A ex-putativa presidente dos EUA deu o mote a António Costa. A verdade e os factos? É tudo relativo. Depende tudo de quem puxa a tomada aos servidores. Não é como o primeiro-ministro de Portugal afirma. Não se trata de tricas e detalhes de menor importância. Diz respeito a ferir seriamente a credibilidade de orgãos de soberania e levantar dúvidas sobre titulares de cargos de governação do presente e do futuro - não se trata do Centeno. Amanhã, quando houver petas a voar de outros quadrantes, por exemplo na estratosfera que envolve o BE e o PCP, quero ver se o Partido Socialista vai buscar o mesmo balde e esfregona para limpar as borradas. É isto que está em causa, e muito mais. Falemos de checks and balances. Falemos de transparência na condução de assuntos de Estado. Falemos dos interesses em causa na sombra do poder. Falemos na sempre adiada legislação respeitante a lobbying. Falemos da quebra de disciplina formal e substantiva na discussão de assuntos que consubstanciam intensamente a noção de interesse nacional. Quando alguém com supostas responsabilidades na liderança do executivo não assume a Ética enquanto bússola da acção governativa, empresta o pior exemplo possível a uma nação inteira. Mancha ainda mais a disciplina política e ensina ao povo de Portugal a nobre arte da decepção, da mentira.

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publicado às 15:09

Que nome dar a meia-dúzia de ministros?

por John Wolf, em 08.02.17

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Não existe alguém que acabe de vez com as mentiras sobre a recuperação económica, os excelentes indicadores financeiros e os ainda melhores números respeitantes ao desemprego? O governo de Portugal parece ser a sua própria máquina de propaganda. Não precisa da CNN ou da Reuters. E ainda menos das agências de Ratoing. Mas os números não enganam. Não há nada a fazer. Aqui, ou na Grécia, já que estamos com a mão na massa, a realidade alternativa não é opção. As reformas estruturais iniciadas pelo governo anterior foram sujeitas a medidas de coacção. Não podem sair de casa. Deixaram de ter continuidade. Foram mesmo invertidas. O engrossar do número de funcionários públicos, sob o capote do mito das carreiras, da precariedade e das reformas, irá conduzir Portugal para um descampado de insustentabilidade bem conhecido. Tal como Tsipras, quando a conversa não agrada, a culpa é sempre dos outros. Os gregos dizem não ao FMI, e Centeno diz não à OCDE. Os outros estão sempre enganados. Mas os números não mentem. No longo prazo o cenário é dantesco. Portugal paga o dobro dos juros que pagava em Junho de 2016 no que diz respeito ao intervalo dos 7 anos, ou seja, precisamente o espaço temporal de exercício de poder de uma geringonça a dois mandatos - se o país deixar esse estado de arte acontecer. Por outras palavras, a magistratura financeira deste arranjo de governo já está inquinada no curto e no médio prazo. Dizem que vem aí o dobro ou triplo do número de turistas no verão que se avizinha, e que esses forasteiros irão salvar Portugal. Em suma, não vale a pena fazer a destrinça. Seja o BCE a pagar ou o turista ocidental, as receitas geradas resultam de uma noção excêntrica. E Portugal parece estar sempre arrestado nessa prisão de dependência e vulnerabilidade. Enquanto não houver meia-dúzia de ministros que entenderem isto, mais vale serem enxovalhados numa primeira fila de uma sala de aulas da OCDE.

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publicado às 15:27

Centenos alternativos

por John Wolf, em 06.02.17

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Os números apresentados pela OCDE são Centenos alternativos. Não passa tudo de notícias-faquir (tradução livre de fake news). São apenas mentirosos-populistas que andam a inventar estas balelas. O investimento em Portugal é o maior dos últimos dois séculos e as reformas estruturais são hiper-estruturais. E a banca não vai custar nada aos contribuintes. Vai ser de borla, grátis. Agora toca a beber o leitinho. Xixi, cama.

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publicado às 18:15

The Delagoa Bay World

por Nuno Castelo-Branco, em 03.02.17

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 Os meus mais calorosos agradecimentos ao António Botelho de Melo, alguém que infelizmente não tive a oportunidade de ter conhecido em Lourenço Marques. Aqui fica uma sugestão para uma visita ao seu maravilhoso blog. 

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publicado às 14:30

Casa de loucos

por Nuno Castelo-Branco, em 03.02.17

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 Antes de empossar qualquer um dos seus Presidentes do Conselho de Ministros, D. Carlos I chamava-lhes sempre a atenção para algo que para ele, o monarca, era inamovível para os interesses de Portugal:


- Nunca percas de vista de podermos estar mal com todo o mundo, menos com a Inglaterra e o Brasil.

Tinha razão e o regime dos seus ostensivos e reconhecidos assassinos bem depressa veria esta evidência que nem à própria geografia escapa. Rapidamente esqueceram tudo aquilo que tinham berrado em correrias nas calçadas de Lisboa e "as torpes e ignominiosas baixezas" que apontaram ao penúltimo Rei de Portugal no que se refere a uma alegada subserviência aos interesses de Londres, foram multiplicados centos de vezes, algumas delas raiando a vergonha e o patético. Eis a realpolitik nacional.

Nada terá entretanto mudado, pois como nestas páginas já há uns anos foi escrito, o Brasil estendeu-se à CPLP e o Reino Unido - que deve mesmo continuar a ser o nosso aliado militar preferencial na Europa - é inevitavelmente acrescentado com os Estados Unidos da América, com quem, aliás, fazemos fronteira no meio do Atlântico. Gostemos ou não, esta é a realidade.

Portugal tem razões de queixa em relação aos americanos? Tem e muitas que nem sequer valerá a pena recordar, apenas tendo como baliza a história que invariavelmente muito nos prejudicou. Ora, isto não impede minimamente o sentido de compartilha do mesmo espaço em que um oceano tem servido como auto-estrada de segurança para quem vai cruzar os dois hemisférios em qualquer um dos sentidos. Dado aquilo que já é normal  na conjuntura europeia, o não beliscar destas relações até é uma oportunidade que Portugal deverá de imediato aproveitar. Nas relações internacionais não existem casamentos por amor. 

Faz algum sentido o que desde esta manhã tem ocorrido na sede da representação eleitoral do país? Não, nenhum sentido. O que por lá se tem dito, entremeia a dose cavalar de ignorante estupidez com a arrogância de quem diz o que não deve nem pode. Só lá falta aparecer o actual residente de Belém para o quadro ficar miseravelmente completo.

Uma tristeza sermos forçados a reconhecer que  aquela gente e o seu esquema vigente não têm remédio. 

 

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publicado às 12:51

Os Bannon da Geringonça

por John Wolf, em 27.01.17

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A vitória de Trump subiu à cabeça da Geringonça. Inspirados pelo evangelho de Bannon, o PS, o PCP e  o BE querem matar a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. O adágio "quem não deve não tem" não serve esta causa, ou talvez sim. Viva a transparência, Viva a Democracia, Vivam os cidadãos de Portugal!

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publicado às 14:47

PEC-MAN

por John Wolf, em 26.01.17

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Temos de reconhecer que António Costa é um sobrevivente. O chumbo da redução da Taxa Social Única (TSU) não o demoveu dos seus intentos de aligeirar os encargos dos patrões. O Pagamento Especial por Conta (PEC) foi o modo semântico de alcançar os mesmos objectivos que, verdade seja dita, são do tipo neo-liberal. Embora a escala seja outra, os socialistas portugueses estão alinhados com a doutrina Trump que postula a diminuição da carga contributiva das empresas. Andamos todos muito baralhados. O power to the people do discurso de inauguração do presidente dos EUA, se escutado de olhos vendados, lembrar-nos-ia as promessas ideológicas de outros campos, outros regimes. Estas trocas e baldrocas, de dinheiros que parecem créditos, mas que afinal são débitos, têm pernas curtas. Em 2018, logo verão o IRC obeso, farto. Ou seja, a dieta do presente implica gordura e peso no futuro, ou o inverso, dependendo do ângulo de visão. Um outro modo de atordoar um balancete pela negativa, mas garantindo o beneplácito do papalvo, é propor a extensão do número oficial de dias de férias de 22 para 25, por hipótese. Isto significa que mesmo que não haja aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) até parece que houve, porque o rendimento anual decorrente do trabalho passa a ser dividido por menos dias de labor. Isto é particularmente engenhoso, mas não deixa de ser cínico, perverso. A matemática política tem destas coisas. Permite fingir que a alpista é maior do que o bico do papagaio. Não devemos estranhar - as duas medidas são gémeas do mesmo engodo. Nascem no mesmo dia como se nada fosse. E nada será.

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publicado às 18:38

Trump, Pilger and Meet the Press

por John Wolf, em 23.01.17

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As CNN e New York Times deste mundo já não ocupam o palco central das conferências de imprensa organizadas pela presidência Trump. Os últimos da fila com a senha na mão passaram a liderar o processo jornalístico. A Fox News e  o The New York Post são agora as estrelas da companhia. Os lugares cativos de certos opinion makers estão a ser redistribuídos. Hoje o Expresso e o Diário de Notícias, amanhã as Linhas da Beira ou as Notícias da Terra. Temos assitido ao pasmo e ao queixo caído de muito jornalista internacional, ou desta aldeia, que ainda não perceberam a revolução sistémica em curso. O excêntrico Donald, há poucas semanas não fazia parte do clube, mas agora ele é o country club - tem os tacos na mão. Os comentadores, aqui e acolá, ainda acreditam no regresso à convenção, à normalidade. Mas estão enganados. As regras do jogo são outras. No entanto, e em abono do karma jornalístico, foram décadas de preferências e versões coloridas que nos conduziram a este estado de arte, a esta vendetta. Foram muito poucos aqueles que ousaram partir a loiça. Retenho alguns na memória e poucos no presente. Penso no jornalista e investigador John Pilger, e na reedição da sua obra  - The New Rulers of the World -, que pensava eu, por ter Chomsky na badana, ser um hino às virtudes de um campo ideológico em detrimento de outro, mas estava enganado. O homem distribui chapada a torto e a direito, à esquerda, em cima e em baixo. São relatores deste calibre os únicos com argumentos para confrontar Trump, ou seja quem for, em nome do processo democrático. Em vez disso, vemos microfones vendidos a simular entrevistas a presidentes da república, colunistas ao melhor preço de mercado, e a verdade dos factos a escoar por um cano de minudências e chatices. Ainda não entenderam que a tendência da política é hardcore, XXX? Enquanto os jornalistas andam aos papéis para ver se saem bem na fotografia e eternizam os favores, os danos são prolongados. E muito por sua culpa. Trump está a fazer tremer mais do que mera gelatina de cobertura mediática. O epicentro pode ter sido lá, do outro lado do Atlântico, mas aqui, seja qual for a jornada parlamentar, cheira mal e há tempo demais. As conivências políticas e os encostos de ombro de determinados jornalistas são flagrantes - as primeiras páginas parecem ser agora as derradeiras. Vai rolar muita tinta e algo mais.

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publicado às 20:19

Davos, Costa e a doce Lagarde

por John Wolf, em 19.01.17

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O que temos. Temos um primeiro-ministro que acredita nas doces palavras de Christiane Lagarde. Aconchegado em Davos, António Costa parece estar a fazer um roadshow das virtudes económicas de Portugal. Fala do tom de voz alterado e simpático da senhora do FMI que agora só diz maravilhas de Portugal. Faz fé na boa-vontade e no lirismo da directora-geral do FMI, como se isso fosse garantia do que quer que seja. Deveria, em vez disso, apanhar Mario Draghi e agradecer a continuação da operação de compra do BCE, no mercado de títulos do tesouro. Gostava de ver o caderno de encargos do governo da república portuguesa no que toca a atrair investimento estrangeiro. Qual a estratégia a médio/longo prazo? Que plano existe para transformar a economia de um país fortemente dependente do sector dos Serviços e do Turismo em algo mais substantivo. Se alguém tivesse que fazer um desenho de Portugal e da sua economia teria certamente algumas dificuldades. Não se percebe  qual o peso da economia marginal? Não se sabem ao certo as virtudes financeiras do Processo Marquês e como isso contribuiu para o desenvolvimento do país. São pastas com alguma importância que não foram levadas na bagagem para a estância dos bilionários neo-liberais-bilderbergianos de um sistema capitalista roto e perto de uma ruptura dramática. Em todo o caso - nothing really matters. A mudança, desejada ou não, chega amanhã para plantar tumulto no pobre espírito de pequenos ou grandes ladrões. Isto vai abanar. Há muito que estava para abanar. E Costa reza como se fosse um aprendiz de mezinhas. Sonha com o deficit abaixo dos 2,4% como se fosse um sinal de transcendência, de verdade.

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publicado às 20:06

Mário Soares (1924-2017)

por Samuel de Paiva Pires, em 08.01.17

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Miguel Esteves Cardoso:

Perdemos uma grande pessoa. Mas aquilo que nos deixou — que só temos de não desperdiçar — é muitíssimo maior. E essa é a grandeza que Mário Soares teve: deixar-nos tudo. Nunca mais haverá um Mário Soares. Mas nunca ninguém nos deixou uma grandeza maior.

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publicado às 00:13






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