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O que nos trouxe a partidocracia.

por Cristina Ribeiro, em 25.02.15

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Um contributo que nos ajuda a entender como chegámos àquilo que hoje somos: " um zero à esquerda ". Muitos de nós lembramo-nos de como estávamos a crescer. Era a bonança que chegava depois da tempestade que herdáramos da Primeira República. Estes que juraram desgovernar Portugal fizeram com que o tempo bonançoso se tornasse em miserável miragem.

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publicado às 14:20

O escritor como revelador de mundos.

por Cristina Ribeiro, em 21.02.15

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" Meu querido amigo: sempre que o negócio da aguardente me leva aí, à tua encantadora terra, descubro, em cada viagem, em cada saída para essas encantadoras quintas, de carro, a cavalo ou a pé, inéditos encantos em paisagens e costumes, belezas que decerto vos escapam, a vós, indígenas descuidados. ( ... ) não tendes olhos para o dionisíaco esplendor que vos cerca, andais sempre de viseira caída, sempre as pupilas baixas a fossar no lodo " Ao ler esta passagem de mais um livro do autor cuja obra, magnifica obra, por ora me ocupa - Sem Método -, de João de Araújo Correia, eis-me novamente a subir as serras desse Douro alcandorado, na esteira do meu quase conterrâneo poeta, aquele João Penha, que aos amigos Gonçalves Crespo ou Guerra Junqueiro perguntava porque se deslocavam eles, se como ele não careciam de sair do confortável sofá para viajarem para onde a sua vontade os levasse - disso os seus amados livros se encarregavam.

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publicado às 22:23

" Vocês sabem lá... "

por Cristina Ribeiro, em 20.02.15

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Eram da Holanda, esses dois casais amigos que tanto gostavam de passar o mês de Agosto numa casa que temos lá no Alto Minho. Numa dessas estadias entre nós, estávamos nos anos 80 do século passado, numa altura em que se anunciava já a adesão de Portugal à CEE, uma das senhoras disse que os portugueses ainda haviam de se arrepender de dar tal passo; que não sabíamos o que nos esperava... E ainda estávamos longe da União Europeia -do Tratado de Maastritch -, do Acordo de Schengen, do Tratado de Lisboa, o tal que só quem sabemos achou " porreiro "...

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publicado às 18:33

" Portugal dos pequeninos "

por Cristina Ribeiro, em 30.01.15

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Este regime político, através dos pigmeus, sem excepção, que o protagonizaram e protagonizam, foi, tem sido, pródigo em malfeitorias; difícil dizer qual a mais negra, mas hoje, talvez porque muito se discute o seu futuro, uma me martela a cabeça, que, a par de outras, não a consegue esquecer - a TAP: cresci a ouvir dizer do orgulho que ela era para o nosso país. Além de uma companhia tecnicamente superior, era uma empresa forte, muito lucrativa. Hoje, mais uma nódoa daquelas que, e como dizia Eça, nem com benzina se limpam. Mais uma página que a História irá registar, porque não a deixaremos cair no esquecimento.

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publicado às 06:18

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É que não tem pés nem cabeça

Reproduzidas por pasquim acordista, as acusações do Professor são óbvias. Carradas de razão, a meu ver muitas mais carradas das que, escrevia Silva Bastos em 1933, tinha o Dr. Ricardo Jorge " e com ele os seus pares na depuração da Língua pátria ", quando escrevia o médico que se se continuasse a " mascavação do nosso idioma cairíamos no ' Bundismo ' - tudo o que se quisesse, menos português de boa cepa. " Bastava percorrer páginas de livros, colunas de periódicos... ". Hoje esse percurso, mais do que nunca, causa arrepios.

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publicado às 05:54

E agora, quem defende os Clássicos?

por Cristina Ribeiro, em 29.07.14


A leitura do comentário ao < Diálogo em louvor da nossa linguagem >, de João de Barros, no boletim de Abril de 1951 da Sociedade de Língua Portuguesa, assinado por M. M. T., lembrou-me que, até que Vasco Graça Moura deixou de nele escrever, apenas abria o Diário de Notícias, na versão digital, para o ler. A incondicional defesa da Língua Portuguesa, não poupando os acordistas de serviço, nas suas muitas incongruências, a revolta contra o escandaloso desaparecimento, nos programas de ensino, dos grandes vultos da nossa literatura. Que falta faz nos tempos que vivemos o azorrague empunhado pelo escritor nortenho.




Post Scriptum : Tenho de ressalvar o esforço que no mesmo sentido tem sido feito por um outro jornal, um dos poucos que teima em não baixar os braços nesta patriótica cruzada: refiro-me ao jornal " O Diabo "

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publicado às 17:06

« O que se Não Deve Dizer » *

por Cristina Ribeiro, em 18.06.14
" Nós, os « espectadores » somos ' espequetadores '. Nós, os « ouvintes » somos ' óvintes ', os ' timados óvintes ' "

Quando assim escrevia, o escritor duriense não tinha ainda de se preocupar com a grafia das palavras; escandalizava-o antes o descaso com que se falava, sem respeito, mormente da parte dos locutores, pelo bem pronunciar, pela prosódia.
Lembrei desta passagem ao passar há dias frente à televisão: no rodapé anunciava-se " a atualidade nacional comentada pelos espectadores ": se aquela aparece sem o C culpemos o infeliz do acordo ortográfico; mas se esta aparece com o C, é apenas porque supõem os escribas que o mesmo se pronuncia - isso de ' espequetador...
                     
 * Título de livro de Cândido de Figueiredo

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publicado às 17:04

Os « Franciscos Gomes » de Tomaz de Figueiredo ( 2 )

por Cristina Ribeiro, em 06.06.14

" Esperemos que a RDP ainda guarde as charlas radiofónicas do Tomaz, que deram origem depois à edição impressa do Diconário Falado. Que bom que era podermos ouvi-lo! ", escrevia há tempos um caríssimo amigo na caixa de comentários do blogue. Como me lembrei desta esperança quando há pouco liguei a televisão - só politicozinhos, desses que fazem a politicazinha que inça o nosso quotidiano. Programa de verdadeiro serviço público, como deveria ostentar a televisão estatal? Pois continua a sonhar!...

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publicado às 00:21

Os « Franciscos Gomes » de Tomaz de Figueiredo.

por Cristina Ribeiro, em 04.06.14

Atesta Castilho nas « Escavações Poéticas » ser Francisco Gomes, homem do povo, " saído jamais dos seus montes, um dos mais chapados clássicos ".
Por seu lado, é nos Arcos de Valdevez e na Aldeia de Cima, as suas terras " sentimentais ", que o escritor nortenho, um eterno curioso e amante da nossa Língua, busca, e sempre encontra, matéria para alimento dos sempre presentes caderninhos de capa preta, onde alistava os vocábulos e expressões que o povo acalentava à revelia das academias.
Romanisca ( faceira, gaiteira ) ou regateiras-de-Abril ( chuvadas inesperadas, de pedraço muitas das ocasiões ),são exemplo de vocábulos e expressões que desesperava não achar nos dicionários. Nem no seu fiel Morais.
Da boca da senhora Lucília, ou da Maria Rodrigues, as escutava, quantas vezes ao serão, frente à lareira. Sempre com o pensamento no Dicionário Falado que um dia escreveria. Esse Dicionário a que volto mais uma vez.

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publicado às 21:58

« Em Demanda do Graal » *

por Cristina Ribeiro, em 02.06.14

A gota d'água foi aquele " caso " com o príncipe Carlos da Grã-Bretanha. Quando, há uns anos ( dois? ), quis intervir nos assuntos do seu país caiu o Carmo e a Trindade lá do sítio. Os políticos ergueram-se todos à uma a gritar: que se limitasse ao papel a que o confinaram, de viajar,  ir a festas e jantares, e pouco mais, porque para decidir do futuro do Estado estavam lá eles, os partidos. 

Consciencializei-me que estava a defender um simulacro, que tinha que ir em demanda do verdadeiro. E comecei a ler os integralistas. Aquela coisa de " não ter vergonha de pensar ".
 * Título de livro de Afonso Lopes Vieira

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publicado às 17:46

Viajar com os outros na minha Terra

por Cristina Ribeiro, em 27.05.14





" O domingo era também o dia do barbeiro. Fui lá depois do almoço, no primeiro domingo em que assisti à Missa. Já tinha feito a barba de manhã, mas a ida ao barbeiro era, para além de tudo, um acontecimento social importante. É verdade! Até barbeiro tínhamos na nossa pouco sofisticada aldeola, para além de muitas outras coisas igualmente necessárias, como mais tarde viria a saber. Não era um barbeiro a tempo inteiro, porque era agricultor e caçador como todos os outros homens. "


                                        Trata-se de um pequeníssimo excerto de um relato de viagens. Uma viagem pelo Douro, levada a cabo por um inglês, em 1939. Antigo funcionário do British Museum, John Gibbons tornou-se um pouco conhecido escritor, a quem o editor sugeriu esse relato. Escolheu Portugal porque o baixo custo de vida era mais consentâneo com a sua modéstia, e o Douro por ter aí nascido, e aí possuir uma pequena casa, um seu amigo, que vivia por então em Londres, para onde emigrara muito jovem ainda.

Um livro cativante, onde se espraia a vida no dia-a-dia das gentes dessa região, escrito depois de uma estadia de quatro meses na povoação de Coleja, na freguesia de Seixo de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães. Livro que lhe valeu um prémio, dado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, " para a melhor crítica em língua estrangeira sobre o nosso país ".  

                          Foi sem saber ainda da sua existência que, começos deste ano, visitei Coleja. O que vi não o encontro espelhado, totalmente, no « Não Criei Musgo », mas, aqui e ali, dou conta de que " nem tudo o vento levou ", lá, no pequeno povo bem encravado na serra, onde o progresso encontra ainda alguns baraços.

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publicado às 17:29

 

o autor da « Enfermaria do Idioma », com a autoridade de quem mostrou, no muito que escreveu, cuidados tamanhos com a Língua da Pátria Grande, vem nesse seu escrito zurzir, em acto premonitório, já se disse, o que houveram por bem designar acordo ortográfico, em dia de falha inspiração; aborto, veio depois a correcção.

Certeiro, quando escreve: " Letras aparentemente ociosas campeiam em qualquer Língua aparentada com o Português. Alguém convencerá o Espanhol a suprimir o d de soledad? Alguém convencerá o Francês a suprimir o de gilet? Dirá o espanhol que o d lhe abre o a. E o Francês que o t lhe abre o e.

Antes o " gilet " fique sem botões do que sem e aberto - diria o Francês com aborrecida graça, a quem lhe propusesse a supressão do " t ".

            Nós, se nos quiserem tirar o c de espectador, somos capazes de concordar. Não diremos que o abre o que tem às costas, não diremos que é preciso distinguir espectador de espetador, não diremos nada. Nem sequer diremos que o , em muitos casos, deve subsistir para nos não divorciarmos de civilizações latinas, próximas da nossa civilização. Haja em vista o de actor e outros. "

 

Como estava longe, João de Araújo Correia, dos Malaca Casteleiros. Mas previu que eles nos pudessem surgir pela frente. E disse-nos para resistirmos.

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publicado às 13:35

E o sol queimava...

por Cristina Ribeiro, em 13.05.14
Toda a tarde ali sozinha com as ovelhas... Saíra bem cedo de casa, e o tédio era grande. A Júlia que dissera vir logo depois de dar de comer à bicharia... Se ao menos tivesse trazido, como de costume, o livro que trouxera da carrinha-biblioteca, e andava a ler às escondidas do avô " - Ó rapariga, com esses teus modos, vais ver que te desaparece um dos animais! "... Nã! que estava ali o confiável malhado, e nenhuma das crias escapava ao seu arguto sentido de guardião...Mas a Júlia não vinha... talvez que a mãe a tivesse retido em casa. " - As sementeiras, sabes; e eu tenho que ficar com o bebé... ".

Teria de ocupar o tempo doutra maneira, estava visto... 

Chamou o malhado para junto de si, e logo o cãozito veio, de cauda a abanar. Confiável, o malhado! 

E até que a noite começou a cair, por ali ficou, a ouvir os pássaros, a rir com as brincadeiras do malhado, a chamar as ovelhas que ameaçavam tresmalhar-se... Era nestas alturas que mais sentia a falta do livro.

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publicado às 23:15

Viagens na minha Terra

por Cristina Ribeiro, em 13.05.14

Em Moura encontrámos, na freguesia de S. João Baptista, a mais antiga mouraria da península ibérica: três ruas, de acentuado declive, com casas todas elas caiadas, todas elas com a mesma traça, e todas elas da mesma altura, ricamente floridas.
Ali perto, no cimo de uma colina, o castelo. Não admira, pois, que, nas imediações deste, várias equipas de arqueólogos tenham descoberto extenso campo de ruínas maioritariamente árabes, tendo no entanto reconhecido alguns vestígios romanos e ainda, posteriores no tempo, indícios de ocupação paleocristã, como o de uma igreja de Santiago.
Uma beleza, Moura; o Alentejo! E maiores os lamentos ao lembrarmos o trabalho - pleno de êxito esse trabalho! - de descaracterização do que já foi considerado o maior dos jardins de Portugal - o Minho. O Minho devastado pela infernal proliferação de casas " tipo maison ". Sem que possamos acometer o maior quinhão de culpa aos que nelas vivem. Os culpados maiores estão há muito identificados: os arquitectos camarários, e demais responsáveis, pois claro.
E com esta terra " que Deus nos deu "!...; pérolas a porcos!

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publicado às 20:01








                     ( Igreja românica de Santa Cristina, Serzedelo - Guimarães, que pertenceu ao Convento dos Eremitas de Santo Agostinho )


( ... ). A primeira vez que passei em Cerzedello foi em 1849. Ia então só, e só estava a localidade naquella occcasião. Desci a escadaria, e depois de examinar a porta principal, de ombreiras profundas e formadas de arcos ponteagudos, que se abaixam e estreitam, á medida que mais entram no muro; a frontaria de pedra nua, onde ha evidentes vestigios de tumulos antigos; e o campanario esguio e de um só panno de muralha... "


                 Está apresentado o cenário em que se vai desenrolar a trama da, para mim, mais encantadora novela do escritor portuense Arnaldo Gama - « O Segredo do Abade »



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publicado às 16:44

O portuguesismo de Eça

por Cristina Ribeiro, em 07.05.14

Camilo versus Eça: um confronto que só existe na cabeça dos incondicionais de cada um dos escritores. Certo que, genericamente, gosto mais da tão castiça escrita do homem de Seide, mas tenho como obras-primas, indispensáveis, alguns dos livros de Eça: aí estão, nomeadamente, A Ilustre Casa de Ramires ou Os Maias...

 

 Vem tal a propósito de texto lido na Revista Gil Vicente - um excerto do livro « No Saguão do Liberalismo », de Fernando Campos.

" É ponto assente que o romancista da Ilustre Casa de Ramires nunca foi esse desnacionalizador sistemático, apontado às turbas inconscientes por certa crítica leviana.
Acusaram-no de francês, de estrangeirado, de autor rebelde às disciplinas tradicionais da linguagem - que teria maculado por desconhecer os clássicos - e de mau português, que desdenhava a sua terra. ( ... )
Diferente é o parecer de Agostinho de Campos, crítico autorizado da obra queirosiana, o qual sustentava que ' Eça provou que era, ao contrário, portuguesíssimo, num Portugal que abdicara todo da sua velha individualidade nacional ' "
O próprio Eça defendera-se dessa acusação no artigo « O Francesismo », acrescenta Fernando Campos. Com efeito, aí o autor d'A Cidade e as Serras diz que aos homens de 1820 devia Portugal o estar curvado aos ditames que sopravam de França; que embora o assacassem de afrancesado, a verdade é que « em lugar de ser culpado da nossa desnacionalização fui uma das melancholicas obras d'ella », ele que « ainda com sapatinhos de crochet » " começara a respirar a França, e a ver só a França à sua volta."
Este livro, em que nos apresenta um Jacinto cansado do cosmopolitismo parisiense mas também, antes, na Ilustre Casa, um Gonçalo que em tudo faz lembrar Portugal, acabaria de vez com tais calúnias?

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publicado às 19:57

« O Velho de Novo » *

por Cristina Ribeiro, em 08.04.14



E o Velho aqui referido é o que dá o nome ao novo filme de Manuel de Oliveira, « O Velho do Restelo ».

Para quem sente a portugalidade, como é o caso, é tão evidente que a nossa História, assim como o que escreveram os nossos bons escritores, são um manancial de inspiração. Que, com raríssimas excepções, tão mal aproveitado tem sido.


Uma armada cheia de barcos a afundar, a actual. Desafio deveras interessante essa nova reflexão sobre a História de Portugal, em particular sobre  "a Invencível Armada e o presente".



 

                         * Título de livro de António Manuel Couto Viana

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publicado às 15:48

« O Rei e o Povo »

por Cristina Ribeiro, em 07.04.14

" Tem sido este um dos pontos mais batidos por certa propaganda republicana, num esforço tenaz e persistente de incutir nos espíritos o preconceito de que o regime monárquico representa o domínio das classes poderosas em detrimento do povo. Nada mais infundado nem mais injusto!

Precisamente a aliança tácita e leal entre os Reis e o Povo é uma das constantes da nossa História.

Das três classes, os três braços de que se compunha a Nação - Clero, Nobreza e Povo - é de notar que algumas dissenções se manifestaram entre os dois primeiros e os monarcas, mas que nenhuma questão digna de registo surgiu, através dos séculos, entre o Rei e o Povo.

Ao contrário, era na classe popular que os nossos Reis sempre se apoiavam contra as ambições poderosas. Por outro lado, o Povo apelava para o Rei como seu protector, e sentia na autoridade real a melhor garantia das suas liberdades e do seu próprio poder e engrandecimento. "

Mário Saraiva

 

Verifica-se, pelo contrário, que tal domínio das classes poderosas se tornou verdade com o aparecimento do sistema de partidos, em que o Povo deixou de poder contar com esse protector tradicional, pois que com a plutocracia e com a chamada " democracia " vieram ao de cima as insaciáveis clientelas partidárias e os políticos de profissão, os devoristas, em suma.

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publicado às 15:24

Lembrando...

por Cristina Ribeiro, em 28.03.14



Nessa visita ao Centro Histórico veio à baila a forma grandiosa como os vimaranenses viveram, em 1940, as comemorações dos Centenários - da Fundação e da Restauração - tal como o atestam relatos e fotografias da época. Na sequência, lógica, lembrámos o enorme esforço de restauração dos monumentos nacionais, de Norte a Sul, devidamente documentado nas dezenas de Boletins que se começaram a publicar por então. Passando frente ao Paço dos Duques de Bragança, recordei o estado de ruína em que este se encontrava, antes dessas obras de restauro. Tinha bem presente o que lera, nomeadamente, no livro que o Dr. Barroso da Fonte, montalegrense por nascimento mas vimaranense por opção e merecimento, dedicara ao tema.  Entre 1807 e 1935 foi quartel militar " reduzido a uma vergonhosa instalação de casernas " [ como escrevera Alfredo Guimarães, primeiro director do Museu de Alberto Sampaio ]; " quando foi  visitado em 26 de Setembro de 1933 por Oliveira Salazar , o mesmo Alfredo Guimarães pediu-lhe o restauro do venerando Monumento, o que aquele escutou e prometeu satisfazer. E satisfez, como sempre. Em Guimarães não havia em tal data o conhecimento da existência ali de um tão raro Monumento histórico e artístico, ou seja, o da construção do mais notável edifício da arquitectura civil do século XV. Era simplesmente " o quartel "...

( ... )

Salazar tentou devolver a Guimarães a capital política do pais. Ele sabia que fora a capital do condado portucalense, e que lhe pertence, por direito próprio, o epíteto  de capital histórica de Portugal. " 

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publicado às 14:49

O vate das nossas aldeias.

por Cristina Ribeiro, em 21.03.14

 Imagino-o a animar romarias. Um tio meu herdou-lhe, de certo modo, o ofício, mas com a ajuda dos inseparáveis cavaquinho e concertina.

" O aldeiagante sucedeu ao rapsodo, responde-lhe.
Deram ambos um tiro ao trabalho, para não terem de arredar os olhos das flores e das estrelas. A Poesia é egoísta, quer-se toda para si, defendendo-se de ser roubada.É sempre fugidio e breve o tempo de amar, de ser do coração. Basta-lhe, ao coração, que seja ele a bater. ( ... )
De aldeia em aldeia, quanto de reino em reino, o aldeiagante é um escrito de memórias falado. Se a Ilíada, os poemas homéricos, são contos de rapsodos emendados uns nos outros, na mesma as histórias dos aldeiagantes dariam supostos inéditos de Camilo, outras Novelas do Minho, Douro, Trás-os-Montes... "
Tomaz de Figueiredo, « Dicionário Falado »

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publicado às 16:30






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