Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A mensagem de Trump para Putin e Xi Jinping

por Samuel de Paiva Pires, em 07.04.17

donald trump.jpg

Não se consegue ainda perceber bem as consequências do ataque que Trump lançou esta noite sobre a base militar síria de onde alegadamente saíram os aviões que protagonizaram o recente ataque com armas químicas na Síria - ainda não foi confirmada a autoria deste ataque, embora a administração norte-americana afirme que tudo indica que a responsabilidade recai sobre Assad e a posição russa seja realmente risível. Alguns começaram já a condenar Trump por trair a retórica isolacionista em termos de política externa utilizada durante a campanha para as eleições presidencias do ano passado, outros afirmam que o ataque desta noite mostra um aventureirismo perigoso.

 

Eu prefiro sublinhar que Xin Jinping chegou ontem aos EUA para reunir com Trump e que tanto a China como a Rússia têm apoiado a Síria na ONU, o que me faz crer que a acção algo imprevisível de Trump comporta essencialmente uma mensagem para Pequim e Moscovo: há linhas que não podem ser atravessadas mesmo em contextos de guerra e os EUA não vão assistir impavidamente às acções de russos e chineses que atravessam essas linhas ou que apoiam quem as atravessa.

 

O ataque lançado pelos EUA é cirúrgico o suficiente para ser uma justa retaliação pela acção inqualificável de Assad, mas também, e mais importante, para servir como demonstração de força e enviar uma mensagem a Putin. E não deixa de ser ridículo ver o presidente russo, tantas vezes aplaudido por muitos por decisões imprevisíveis e demonstrações de força que ignoram ou violam o direito internacional e são justificadas por pretextos dúbios recorrendo a argumentos tipicamente utilizados por potências ocidentais, vir agora argumentar que a decisão de Trump viola o direito internacional, é uma agressão a um Estado soberano  e prejudica as relações entre EUA e Rússia. Ora, afinal, o que foram as invasões da Geórgia e da Ucrânia, e em particular a anexação da Crimeia, senão provocações da Rússia a todo o Ocidente e agressões a Estados soberanos violadoras do direito internacional?

 

A utilização recorrente deste tipo de argumentos por Putin, que não correspondem à prática russa, deixa bem patente a duplicidade do presidente russo que ainda vai passando algo incólume, mas a sua utilização no dia de hoje mostra também que Putin foi surpreendido por Trump e não sabe bem, pelo menos para já, como reagir. E isso é muito positivo.

 

(também publicado aqui.) 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:25


5 comentários

Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 07.04.2017 às 23:22

A quem aproveitou o crime? Esta é a questão primordial e olhando para o mapa da Síria que interessa, Assad nada ganharia com isto. Aliás, nem sequer estou assim tão seguro da veracidade das imagens a que assistimos, pois ao contrário daquilo que sucedeu no metro de Tóquio há uns anos, desta vez os prestimosos auxiliares estavam totalmente desprotegidos para tratar os atingidos. Ora, o sarin é um gás extraordinariamente virulento e duvido muito de alguém no seu perfeito juízo - mesmo que sonhando com a protecção do inexistente alá - sequer cogitar arriscar-se a uma exposição.


Detesto estar de acordo com o abjecto pc local, mas depois do que sucedeu há uns anos quanto ao arsenal químico de Saddam, apetece-me logo dizer: another fake suggestion. 
Não me tomarão por parvo pela enésima vez, nisto não lhes ofereço sequer o menor crédito. Querem que acredite? Provem!
Imagem de perfil

De Samuel de Paiva Pires a 08.04.2017 às 16:31

Nuno, vê este artigo: http://www.businessinsider.com/russia-explanation-for-syria-chemical-weapons-attack-2017-4. Como escrevi algures no meu FB ontem, a química não se presta a interpretações diversas da realidade, ao contrário das ciências sociais.
Imagem de perfil

De Nuno Castelo-Branco a 10.04.2017 às 22:25

Continuo como sempre, desconfiadíssimo, não me esqueço facilmente de duas bombas A - até hoje detêm a pouco invejável exclusividade deste tipo de feitos - e do despejar de quantidades industriais de napalm+Agente Laranja em todo o sudeste asiático. Se a isto acrescentares aquilo que já te disse várias vezes, terás o quadro completo. 
Não, não acredito nem sequer me apetece acreditar e ainda há pouco "fartei-me de rir" com a conversa do sec. de Estado, quando na Itália balbuciou umas idiotices a respeito deste e daquele. Deu-me logo vontade de dizer... olha quem fala!
Sem imagem de perfil

De João José Horta Nobre a 11.04.2017 às 14:13

Mesmo que Assad tenha usado armas químicas, isso não dá aos Estados Unidos o direito de reagir como reagiu.

Porque não se preocupam da mesma forma quando Israel despeja fósforo branco em cima dos palestinianos???

Vão mas é gozar com outro...

Os israelitas pensam que somos todos muito estúpidos:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2017/04/os-israelitas-devem-de-pensar-que-somos.html

 Só cai na conversa "neocon" quem quer...
Sem imagem de perfil

De separatista-50-50 a 08.04.2017 às 00:51

«Tudo como dantes. Quartel em Abrantes» não é bem assim!!!
.
O grande legado de Donald Trump foi as REACÇÕES aos seus discursos:
-1- o pessoal com uma elevada taxa de natalidade (um exemplo: islâmicos) é altamente amigo... pois, desde que... não seja posta em causa a sua condição de «DONOS DISTO TUDO».
-2- os «donos disto tudo» têm um completo desprezo pelos povos nativos (na América do Norte, na América do Sul, na Austrália) que procuraram sobreviver pacatamente; e que, como eram economicamente pouco rentáveis, levaram com um holocausto massivo em cima... porque tiveram o «desplante» de querer ter o SEU espaço no planeta e de querer prosperar ao seu ritmo.
.
.
.
Anexo:
DEMOGRAFIA E SEPARATISMO-50-50: Todos Diferentes, Todos Iguais... ou seja, todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» inclusive as de rendimento demográfico mais baixo, inclusive as economicamente menos rentáveis.
-» Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
---» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
.
.
.
P.S.
É necessário um activismo global
.
Democracia sim; todavia, a minoria de autóctones que se interessa pela sobrevivência da sua Identidade... tem de dizer NÃO ao nazismo-democrático, leia-se: é preciso dizer não àqueles que pretendem democraticamente determinar o Direito (ou não) à Sobrevivência de outros; isto é, é preciso dizer não àqueles que evocam pretextos para negar o Direito à Sobrevivência de outros.
[nota: nazismo não é o ser 'alto e louro', bla bla bla,... mas sim a busca de pretextos com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros!]
.
-» Imagine-se manifestações (pró-Direito à Sobrevivência) na Europa, na América do Norte (Índios nativos), na América do Sul (Índios da Amazónia), na Ásia (Tibetanos), na Austrália (Aborígenes), ETC... manifestações essas envolvendo, lado a lado, participantes dos diversos continentes do planeta... tais manifestações teriam um impacto global muito forte.

Comentar post







Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Em destaque

  •  
  • Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas