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Alemanha e o voto dos refugiados

por John Wolf, em 13.03.16

syrian-refugee-crisis.jpg

 

Portugal queixa-se da sua Direita, mas a estirpe benigna da mesma deve ser louvada. Paulo Portas, definido pela Esquerda como perigoso e ultra-conservador, afinal foi um dos políticos mais moderados que a história democrática de Portugal conheceu. Mas passemos adiante. A Alemanha enfrenta perigos muito maiores, e, por arrasto, a Europa corre o risco de replicar certas tendências ideológicas. Pela primeira vez na história da Alemanha os refugiados vão "eleger" políticos, e não são uns "quaisquer". O AfD (Alternative für Deutschland), o partido mais jovem de extrema-direita, irá, nas eleições que se seguem, desferir um duro golpe no partido de Angela Merkel e nas demais forças do espectro político moderado daquele país. Putin, malentendido e subestimado, tem sido um formidável jogador europeu, um híper-realista capaz de confundir os seus adversários e lançar o caos na política de salão da União Europeia, ainda crente nas virtudes das suas instituições, mas coxa no capítulo da política externa comum (PESC) - podemos incluir os refugiados no conceito de guerra híbrida da Rússia. Se juntarmos a tudo isto umas pitadas de irreverência monetária de Mário Draghi e do Banco Central Europeu, estão reunidos os factores para uma tempestade perfeita. Os eurocratas têm sido lestos na interpretação dos genuínos desafios que se lhes apresentam. Portugal deve ter algum cuidado com aquilo que deseja. A sorte do país continental é ter apenas duas fronteiras - a do Oceano Atlântico e aquela de Espanha. Se Portugal fosse a Áustria, com as suas sete portas de entrada, não estaria a dançar o bailarico canhoto da Esquerda. Os portugueses devem agradecer a moderação e o civismo político de Paulo Portas que se encontra a milhas de distância dos monstros que estarão para nascer na vossa Europa civilizada. Não vale a pena referir o governo de António Costa e parceiros. Imaginem se o preço da gasolina fosse mais baixo nas ilhas Canárias?

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publicado às 10:54


2 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 13.03.2016 às 21:21

…por acaso até me* parece que os alemães foram bastante comedidos, não votando directamente no NPD ou em qualquer coisa do género. Já o tinha dito no verão passado e não é necessario ser-se um génio para entender isto. Daí à entrada directa no Reichstag, trata-se apenas de uma conjectura que se avolumará ou não, dependendo do comportamento dos refugiados e do decifrar da estranhíssima lista que há uns dias miraculosamente surgiu. Claro que mais um Bataclan ajudará, dependendo da perspectiva. De qualquer forma, uma questão de tempo. 


* Como vês, continuo "politicamente incorrecto" e nem por isso retiro uma única vírgula ao que deixei de escrever - poupa-me aos epítetos dos patetas bem pensantes e aggiornados com a geringonça -, mas analiso os factos exactamente da mesma maneira. Reserva mental, hipocrisia, interiorização e wait and see, chamem-lhe o que quiserem, uso aquela expressão americana I don't give a s
 De uma coisa tenho a certeza: não perderão pela demora, não se trata de se, mas de quando. 
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De João José Horta Nobre a 14.03.2016 às 00:15

«O AfD (Alternative für Deutschland), o partido mais jovem de extrema-direita, irá, nas eleições que se seguem, desferir um duro golpe no partido de Angela Merkel e nas demais forças do espectro político moderado daquele país. (http://www.theguardian.com/commentisfree/2016/mar/11/collapse-spd-jeremy-corbyn-labour-germany)»

Abençoado seja o AfD e que se multipliquem os AfD's, PEGIDAS, Frentes Nacionais e UKIPS pela Europa toda.

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