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As bandeiras francesas do intervencionismo

por John Wolf, em 16.11.15

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Os ataques terroristas de Paris de 13 de Novembro intensificam o debate em torno de uma questão fundamental respeitante à Democracia; de que forma governos conseguirão encontrar o equilíbrio entre a dimensão securitária dos Estados e o respeito pelas liberdades e garantias dos indivíduos? Os Estados Unidos da América (EUA), que provaram o desgosto intenso do 11 de Setembro de 2001, têm, desde essa data, vindo a incrementar o seu nível de controlo sobre o movimento de pessoas e capitais por forma a diminuir as probabilidades de semelhantes ataques terroristas. A União Europeia, que têm sido "vegetariana" no desenvolvimento de uma genuína Política Externa e de Segurança Comum, vê-se agora obrigada a implementar medidas "excepcionais". Os EUA, acusados historicamente de "intervencionistas sem convite", continuam a ser um aliado ideológico da Europa, mas  a administração Obama tem sido "abstencionista", e, há poucos dias, Hillary Clinton afirmou que a questão síria seria sobretudo um desafio a ser enfrentado pelos actores "locais", pela Europa. A França, que está a ser a ponta de lança dos ataques ao Estado Islâmico, fá-lo consciente dos monstros que já está a libertar no seu país. A França parece disposta a fazer o sacrifício por uma causa maior que as suas fronteiras. As bandeiras francesas içadas nas redes sociais, e em particular no Facebook, correspondem deste modo, não apenas ao lirismo da solidariedade para como as vítimas dos ataques de Paris, mas à aceitação de que a França é o "war maker and taker" da Europa - os franceses são cada vez mais os americanos da Europa. Os mesmos individuos que cantam a marselhesa por efeito de contágio e simpatia, devem ter a consciência de que se colocam ao lado da nação europeia que está efectivamente a projectar o seu poder militar e de um modo intenso. Os cidadãos da Europa já não podem ser selectivos na escolha de apenas uma parte de uma equação geopolítica. Ao abraçarem a França, assinam por baixo na petição, autorizam que essa república batalhe em vosso nome. A União Europeia vive mais um momento de verdade, de vida, e efectivamente morte, no seu próprio quintal. 

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publicado às 09:22


1 comentário

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De Anónimo a 16.11.2015 às 16:56


Vivemos tempos muito interessantes na política internacional. A França com Hollande assume-se com o principal aliado dos EUA de Obama, que se haviam retraído de toda a parte embora continuando  a interferir, mas deixando a "factura" para outros "pagarem", nomeadamente a Europa. Exemplos: retirada precipitada no Iraque e consequente caos instalado na região aproveitado pelo DAESH, ou inacção/negação com a Síria e resultante vaga de refugiados que assola a Europa.


O seu UK tem falado muito, mas não se mete nisto. Aliás, as relações com os EUA devem estar péssimas desde que Obama tomou posse. Ao simbolismo lamentável do "queniano", devolvendo o busto de Churchill, respondeu agora o seu país, com uma recepção majestosa ao presidente da China, e com a assinatura de vastos acordos comerciais, que sinalizam que o Reino Unido anui a que a China seja uma superpotência, dando assim uma bofetada de luva branca nos americanos, ou não fossem os britânicos sempre pragmáticos. Se até Londres se habituou ao poder chinês, os americanos já sabem que ninguém vai "chorar" o fim da hegemonia americana.

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