Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Austeridade à la Tsipras

por John Wolf, em 20.04.15

ask_me_about_my_austerity_program_hat-r659d19b3a04

 

A escassos dias da fanfarra de Abril, dos cravos na lapela, dos discursos da geração de 74, da cantiga eles comem tudo e não deixam nada, seria bom que os aniversariantes da revolução olhassem para a direita, a direita geográfica - a Grécia -, e registassem o que o camarada Tsipras está a fazer. O amigo de longa data de Mário Soares acaba de decretar a transferência obrigatória de fundos de entidades públicas para o banco central, no sentido de suprir necessidades de caixa. Refiro-me a reservas de fundos de pensões, que embora possam vir a ser repostas, colocam em risco a vida de reformados e outros dependentes do Estado. Confirmamos algo cínico neste processo, pertença de regimes ideologicamente autoritários. Em última instância, Tsipras prefere matar o seu povo do que acatar as regras propostas pela ex-Troika. Não sei de que modo o que se passa na Grécia pode servir de fonte de inspiração para aqueles que juram defender o seu povo das intempéries e agressões externas. Tsipras quer sacudir a Austeridade de forasteiros, mas para o fazer terá de implementar uma modalidade doméstica - uma estirpe muito mais agressiva do que aquela imposta pelos exploradores do centro da Europa.

publicado às 17:37


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Armando Marques Guedes a 20.04.2015 às 20:34

se assim fôr, os tipos são de facto uma vergonha... e vai ao ar a ideia de que seriam "de esquerda"; ou a de que a esquerda deles e dos amigos é, em seja que sentido útil seja, é civilizada...
Sem imagem de perfil

De Diogo a 21.04.2015 às 09:34

O embuste Syriza - ou uma forma encontrada pelo Monopólio Financeiro para serenar o crescente sentimento de rebelião das populações.

Cronologia da extorsão e de uma tentativa de amansamento da população:

1 - Subitamente e SIMULTANEAMENTE, em todo o Planeta, o Monopólio Banqueiro Mundial (nas mãos de meia-dúzia de indivíduos) forja uma «Crise Financeira Global». Ali, é a crise dos subprime; acolá, são os produtos tóxicos; além são as «imparidades bancárias»; algures, é a incompetência dos banqueiros; aqui é a corrupção dos banqueiros, alhures é o dinheiro que se evapora dos bancos, etc. Em suma, por uma extraordinária coincidência e pelos mais variados motivos, a «Crise Financeira Global» aconteceu em todo o lado ao mesmo tempo. Este facto é claramente indiciador de que toda a banca mundial age a uma só voz e é propriedade de uma pequena elite.
 
2 - Consequentemente, e para evitar um efeito dominó (ou de contágio) de cariz financeiro de consequências "catastróficas", os «representantes eleitos - políticos» de todos os países afadigaram-se em recapitalizar os bancos à custa dos respetivos contribuintes. Nunca, na história da humanidade, tantas «indústrias financeiras» receberam tanto apoio monetário de tantos pagadores de impostos...

3 - Neste esforço para aguentar a «Indústria Financeira», sem a qual (segundo a esmagadora maioria dos comentadores mediáticos) a vida económica no planeta seria insustentável, o Monopólio Financeiro Mundial criou, e falando apenas da Europa, os «Serviços da Dívida», os «Memorandos da Troika», as «Políticas de Austeridade», as «Reformas do Estado», as privatizações das empresas nacionais lucrativas, etc., etc., etc...

4 - Contudo, perante a crescente revolta das populações que, com tanto de estúpidas como de ingratas, não sabem reconhecer o esforço que a «Indústria Financeira» têm feito por elas, o Monopólio Financeiro Mundial achou por bem, e graças ao seu apoio financeiro e mediático, substituir alguns partidos do «Centrão» por partidos de «Esquerda Radical». Isto, para acalmar a ira das populações...

5 - Desta forma, a Grande Finança subsidiou e propagandeou na Grécia o partido Syriza (Coligação da Esquerda Radical ) para substituir o PASOK (o PS grego) nos partidos que formavam o Centrão grego. Em Espanha, a Grande Finança está a subsidiar e a propagandear o partido «Podemos», que já aparece como vencedor no caso de umas eleições gerais em Espanha com 27,7 % dos votos em comparação aos 26,2 % do PSOE (PS) e 20,7 % do PP (PSD).

6 - O Syriza, que antes de ter vencido as eleições, prometia partir a loiça toda - recusar o pagamento da «Dívida», rasgar o memorando da Troika, dizer não às privatizações, acabar com a Austeridade, etc. - em menos de uma semana após as eleições virou o bico ao prego e deu uma volta de 180º.

7 - O Monopólio Banqueiro Mundial, para tentar manter a aparência de veracidade da «revolução grega», deu instruções a alguns dos seus actores (melhor dizendo, lacaios) na Alemanha, em Portugal e no grego Syriza, para protagonizarem uma pequena comédia cujo guião consistiria no seguinte:

a) A Chanceler alemã, Angela Merkel, e o Ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, dariam a impressão que é a Alemanha que anda a sustentar isto tudo e mostrar-se-iam irredutivelmente contra qualquer mudança de políticas não austeritárias.

b) O Primeiro-ministro de Portugal, Passos Coelho, e a Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, mostrar-se-iam absolutamente solidários com as posições do governo alemão, reforçando que mais austeridade é o caminho certo para a prosperidade, e dando um valente puxão de orelhas ao Syriza, aos gregos em geral e a outras populações europeias pouco dadas a sair da sua zona de conforto...

c) O Primeiro-ministro grego, Aléxis Tsípras, e o seu Ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, mostrar-se-iam triunfantes por terem afrontado os grandes poderes financeiros europeus e mundiais, embora sem terem conseguido qualquer resultado.
Imagem de perfil

De John Wolf a 21.04.2015 às 16:30

Caro Diogo,
O seu comentário é um post completo! Bravo. 
Merece estar em destaque num espaço de leitura e reflexão. Queremos mais!!!
Cordialmente,
John
Sem imagem de perfil

De Diogo a 21.04.2015 às 19:46

Obrigado, John.


Um abraço.

Comentar post







Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2017
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2016
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2015
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2014
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2013
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2012
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2011
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2010
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2009
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2008
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2007
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D

Links

Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas