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Em dia de denúncia dos Acordos de Paris por Donald Trump faço um compasso de espera e atiro noutra direcção. No âmbito da cimeira da NATO, Trump puxou as orelhas aos parceiros europeus e reclamou que estes deveriam aumentar a sua parada monetária na organização de defesa. Os membros da Aliança Atlântica deveriam pagar mais, pelo menos 2% dos respectivos Produto Interno Bruto (PIB). Torna-se curioso, e não menos relevante, que Portugal, sob a batuta de um governo de Esquerda, tenha de facto incrementado a sua prestação à NATO de 1.32% para 1.38% do PIB. No entanto, não me recordo do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português terem batido o pé. Gostava de saber qual foi o preço do seu silêncio. Os socialistas devem ter negociado um arranjo qualquer nos bastidores. Não sei qual foi a moeda de troca, mas houve mais recursos atribuídos à NATO desde que a Geringonça abarbatou o poder. Por outras palavras, Portugal já vinha alinhado com o pensamento geo-estratégico e financeiro de Trump. Guterres, nas últimas 24 horas, já foi particularmente vocal em relação aos vazios de poder que decorrem da denúncia de acordos respeitantes ao clima, mas neste jogo de correlações das diversas dimensões de projecção de poder, talvez ainda não tenha percebido que os Acordos de Paris serão uma mera divisa para exercer pressão noutros palcos. Para cada ponto verde comprado por corporações para calar detractores quantas vidas efectivamente se perdem? No tabuleiro de Realpolitik não existem deuses e demónios, bons e maus, de um modo linear. Talvez o agitar dos fundamentos dos Acordos de Paris sirva para rever as suas premissas e o seu caderno de encargos. Veremos como a Europa, tolhida por crises internas e dúvidas existenciais, consegue ou não esboçar um plano B. Talvez Merkel tenha razão. Os EUA já não fazem parte da equação de favas contadas, já não são best friends forever. E há mais. De cada vez que o governo de António Costa glorifica o magnífico crescimento económico, está de facto a aumentar o financiamento de Portugal à NATO. Ou seja, são os turistas que estão a tornar Portugal um país militarista. São eles que estão a aumentar as receitas, e consequentemente o PIB. Pois é.

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publicado às 16:12


2 comentários

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De Nuno Castelo-Branco a 31.05.2017 às 17:00

Essa gente mais à esquerda é totalmente favorável a tipos de regime que têm como base o militarismo mais exacerbado. Era vê-los solitários no poder e de imediato pululariam guardas nacionais revolucionárias e a soldadesca do reinstituído SMO a marchar a passo de ganso, tudo isto acompanhado de compras a granel de equipamento militar, etc.

Quanto a Trump e à Europa, digo, Alemanha, não sei se estará assim a ser tão clarividente. Indirectamente pede aos alemães para se rearmarem, mas fazendo-o, estes correm ainda mais riscos de serem apontados pelo gorduroso dedo de Donald e pela portentosa indústria de Hollywood como …"terríveis perigos para a paz e estabilidade mundial", açulando-se ainda mais todos os seus timoratos vizinhos, polacos come-territórios-alemães à cabeça. Se já sem exército que se veja - pelo ratio populacional, indústria e riqueza acumulada em excedentes financeiros, deveria a Alemanha ter as forças armadas mais amplas e melhor apetrechadas do continente -, já é o que se sabe, quanto mais…
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De JS a 31.05.2017 às 19:55

"... Guterres said that if the US does withdraw from the agreement, it is important that American cities, states and businesses (https://www.theguardian.com/sustainable-business/2016/nov/23/trump-business-climate-change-paris-emissions-cop21) remain engaged with the goals the deal outlined...." !!!
O Secretário Geral das O. Nações Unidas a incentivar os cidadãos dos EUA a agirem contra o seu Presidente !.
A ONU ao contrário, a desunir, a interferir internamente, num País. Esquerdismo simplório no seu melhor e agindo, demagogicamente, contra o (ainda) seu maior contribuinte.
Não vai acabar bem.

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