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Esta manhã, em Liège

por Nuno Castelo-Branco, em 04.08.14

 

Foi a sensatez e sentido das proporções que para nossa desgraça, faltou aos Costas, Bernardinos e Camachos. Durante quatro anos  Afonso XIII tudo fez para manter a neutralidade espanhola, sendo por isso mesmo homenageado pelos seus compatriotas e pelos estrangeiros de ambos os campos em combate. O monarca desenvolveu um inestimável serviço junto dos prisioneiros de guerra, estabelecendo contactos, garantindo o correio, vigiando o tratamento ministrado pelos captores, distribuindo o precioso auxílio moral e  material. Quando após a sua deposição chegou a Paris e logo em seguida a Londres, foi recebido por multidões agradecidas pelo seu trabalho durante a tragédia que foi a Grande Guerra. 


No âmbito do centenário da eclosão da I Guerra Mundial, Filipe VI está hoje em Liège, não se entende bem a razão. Podemos considerar uma explicação para além deste insólito pro forma. Sendo um trineto do Kaiser Guilherme II, talvez a esse facto se deva a sua presença, juntando-se aos descendentes de Alberto I dos belgas e de Jorge V da Grã-Bretanha. Uma foto da família agora não desavinda. 

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publicado às 10:04


2 comentários

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De João Quaresma a 04.08.2014 às 14:39

Segundo a TVE, foi convidado pelo Governo Belga em virtude do auxílio prestado por Espanha durante a Guerra. 
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De Nuno Castelo-Branco a 04.08.2014 às 19:49

Logo vi, João Quaresma, por isso mesmo mencionei as actividades de Afonso XIII.  O "governo espanhol" foi beneficiado por arrasto, mas a verdade é que as homenagens deveriam ir todas para o rei, ele próprio condicionado pelo ambiente caseiro. A mulher, Vitória Eugénia, era uma Battenberg criada na Inglaterra e partidária dos Aliados. A rainha mão, Cristina da Áustria era, como não podia deixar de ser, apoiante da sua pátria de origem. Afonso XIII não podia ser outra coisa senão neutral, pois isso coincidia com os interesses de Espanha. 

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