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Make Portugal great again?

por John Wolf, em 17.11.16

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Cá estou eu a pensar para os meus bretões: que formato teria a versão portuguesa de Make America Great Again? Se os espanhóis fossem os mexicanos e tivesse havido um ataque terrorista de vulto no coração de uma grande metrópole portuguesa, que música política estaria a tocar? Sem rodeios ou sem nuances de brandos costumes da treta, este debate urge; este é o momento para estimar, para prever. Para já Portugal vive na singularidade benigna da sua escala, mas um varrimento pan-europeu de correntes conservadoras obriga os estrategas a pensar qual a configuração que o país assumiria numa intensa escalada ideológica no velho continente. Sem papas na língua, direi o seguinte (inconveniente, dirão alguns): se pisarem nos calos da comadre a padeira de Aljubarrota faz-se a Olivença num piscar de olhos. As fortificações muradas, actualmente arqueológicas, são a prova de que a matriz mural existiu. Aliás, a Europa bate os Estados Unidos 10-0 na edificação de vedações e cercas. Como me disse um velho amigo com quem me cruzei ontem no Chiado. Epá, esta malta é trumpista, mas não o admite: em vez de 73 sírios em Mangualde (?), imagina uma torrente deles a partir a loiça? Achas que os portugueses ficavam quietinhos? Pois - disse eu. Apenas sei o seguinte,  que nesta fase do campeonato foi a passividade democrática americana que deixou a clivagem acentuar-se. Foram anos de paz e sopa que ignoraram as profundas fracturas económicas e sociais, e agora é tarde demais. Existe uma revolução em curso e um macróbio do governo de salvação nacional fala no aumento extraordinário de 5 ou 6 euros das pensões. Ainda não perceberam o que está a acontecer. E ainda por cima não acreditam na bruxa. Estamos feitos.

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publicado às 16:06


1 comentário

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De Nuno Castelo-Branco a 17.11.2016 às 19:05

Não consigo ser tão moderado e pensar cuidadosamente antes de comentar seja o que for. 
Creio que por cá, a existir um atentado que signifique 1/5 do que sucedeu no Bataclan - atendendo à proporcionalidade entre Portugal e a França -, acredito piamente de que o mundo rapidamente notaria um determinado número de eventos mais ou menos trágicos, dependendo do ponto de vista. Bem depressa sairiam em invocação todos os vultos nacionais que muito remotamente tivessem qualquer significado no tradicional combate à mourama. E para ser-se mouro, nem sequer é preciso de considerarmos o aspecto mais estrito do termo, basta a profissão de uma fé. É trágico, mas nem por isso menos verdadeiro. 

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