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Merkel, a Jamaicana

por John Wolf, em 25.09.17

 

A Alemanha é a imagem quase perfeita do estado de arte política da Europa. Os resultados das eleições federais devem ser interpretados à luz de considerações trans-germânicas. Sabíamos de antemão que a questão da imigração e dos refugiados seria a linha divisória para afastar ou aproximar eleitores. O partido Alternativ für Deutschland (AfD) estreia-se deste modo no Bundestag com uma presença assinalável (12 a 13% com uma expressão parlamentar na ordem dos 90 membros). Merkel pode extrair vantagens desta situação se souber apaziguar os ânimos exaltados daquele partido, mas também de um espectro alargado da população que emprestou o seu voto ao AfD. Schulz, que admitiu a derrota, nem tentou sequer colocar em causa a "vitória" da CDU, mas ao afirmar o fim da coligação, declara que o desejo da SPD é liderar a oposição. A expressão Jamaicana do possível arranjo de coligação, integrando o FDP e os Grüne, terá forçosamente de significar a negociação contínua e tensa de soluções políticas de governação. Por outras palavras, a CDU de Merkel poderá inclinar-se mais à direita, arrastando o FDP, e com um teor menos intenso os Grüne e o partido Die Linke. Schulz, socialista de gema, ainda acredita nas eleições regionais para inverter o declínio do seu partido, mas fala irresponsavelmente e com alguma perda de sentido da realidade - nos territórios da ex-Alemanha de Leste, o AfD é a segunda força política, e não o SPD. Dito de outro modo, seja qual for o amor à camisola de cada um, o AfD contaminará os discursos e a orientação de uma panóplia de políticos e partidos. Os socialistas, que alimentaram o sonho de paz social e prosperidade um pouco por toda a Europa da União, terão de acordar para uma nova fase de realismo político. A Catalunha ou o Brexit fazem parte do mesmo ADN mutante de nacionalismos, sem referir os casos flagrantes da Húngria e da Polónia. Num caso está em causa a fragmentação de uma centralidade política e no outro caso a secessão de um Estado-membro da União Europeia, sem ajuizar sequer sobre o grau do que sucede nos outros países acima referidos. Temos deste modo um novo desenho endémico na Alemanha. Embora não possamos falar de um conflito bipolar e ideológico na Alemanha, registamos, sem escamotear a verdade, a afirmação dos anseios de uma boa parte da população. A bandeira do AfD é mais intensa do ponto de vista sociológico e existencial do que o estandarte ideário de um Die Linke ou de os Grüne.  As causas clássicas da Esquerda são menos de "vida ou morte" e por essa razão não conseguem instigar vontades de um modo tão acultilante ou emocional, irracional. Se não estou em erro, e assumindo a pré-condição de preservação do poder político a todo o custo, veremos até onde irá o SPD e de que quadrante partirá Angela Merkel para este seu quarto e derradeiro mandato.

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publicado às 10:15


6 comentários

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De Luis Moreira a 25.09.2017 às 12:10

Muito bom.
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De Democrata a 25.09.2017 às 13:32

Apesar de toda a propaganda feita em prol de Angela Kasner, a principal candidata da extrema-direita apresentada pelo neoliberalismo ás eleições de 2017 na República Federal da Alemanha, o resultado ficou aquém das expectativas, não deixando de ser impressionante que dos 6 partidos de extrema-direita neoliberais existentes neste país, 3 deles, a União Democrata-Cristã (CDU), Partido Democrático Federal (FDP), e Alternativa para a Alemanha (AFD), conseguiram uma votação expressiva o que pode colocar em risco a credibilidade do projecto europeu e a democracia.

Quanto ao Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) e restantes forças progressistas, devem tirar ilações desta pesada derrota e fazer uma profunda reforma na maneira como actuam e nos seus programas políticos, de maneira a corresponderem ás necessidades dos cidadãos alemães.

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De Anónimo a 25.09.2017 às 15:30

Tudo muito interessante, mas a esmagadora maioria dos votos do AfD vieram tanto da CDU - não confundir com a patetice de cá - e do SPD. O Plano Hartz engendrado pelo patronato, perdão, pelo governo de Schröder tem também algo de simbólico nesta situação que rasgou tudo o que significava desde os tempos de Bismarck e de Guilherme II, a Alemanha do Estado Social. Não verto uma lágrima por parte de engenhosos promotores do corte do subsídio de desemprego no caso de recusa de trabalho forçado ao preço de 1€/hora. Tiveram o que mereceram e se a isto acrescentarmos aquele assunto que a censura não permite, aí estão as duas principais causas do escaldão de ontem. E não, a maioria dos eleitores do AfD estão longe serem "nazis", ali tão evidentes como o PNR é por cá.
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De Alain Bick a 25.09.2017 às 18:48

leio sempre: die Welt und der Spiegel,
este último mais preocupado com a sua posição ideológica


a situação não é brilhante  
Schultz não se ajuda a si próprio
será uma geringonça
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De JS a 25.09.2017 às 19:18

Obg Wolf. Depois de tanto errático falso berrar "lobo, nazi" em quem nem os próprios eleitores AfD acreditam ... é um descanço ler um genuíno Lobo analizar, muito sensatamente, umas eleições que demonstram o óbvio: a Rainha de esta União Europeia está, outra vez, despida.
Curiosamente, como refere, são os ex-concidadãos da Madame que -eles lá saberam porquê- não acreditam lá muito nela.
Santas de casa ....
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De pvnam a 26.09.2017 às 21:43

NACIONALISTAS EUROPEUS: RETIREM AS PALAS DE BURRO QUE TÊM ENFIADAS NA CABEÇA!
.
---»»» Reconheçam que o problema é global: QUALQUER POVO AUTÓCTONE do planeta que queira ter o SEU espaço no planeta, que queira sobreviver pacatamente no planeta, que queira prosperar ao SEU RITMO... corre sérios risco de levar com um genocídio em cima!
Um exemplo: em pleno século XXI tribos da Amazónia têm estado a ser massacradas por madeireiros, garimpeiros, fazendeiros com o intuito de lhes roubarem as terras... muitas das quais para serem vendidas posteriormente a multinacionais (uma obs: é imenso o património no Brasil que tem estado a ser vendido à alta finança).
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É NECESSÁRIO MOBILIZAR RESISTENTES AUTÓCTONES DO PLANETA PARA O SEPARATISMO!
(manifesto em divulgação, ajuda a divulgar)
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UM PROBLEMA GLOBAL -» mercenários (ao serviço da alta finança), aspirantes (a donos-disto-tudo) e penduras (lambe-botas) estão repletos de hitlerianismo: não suportam a existência de outros!
[nota: nazi não é ser alto e louro, blá, blá... mas sim, a busca de pretextos com o objectivo de negar o Direito à Sobrevivência de outros]
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Os MERCENÁRIOS ao serviço da alta finança (capital global) trabalham  para a eliminação de fronteiras: a alta finança  ambiciona terraplanar as Identidades, dividir/dissolver as Nações para reinar...
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Os mercenários gostam de evocar (como se tal fosse o único valor existente no planeta) que o SEPARATISMO vai provocar problemas económicas.
Na sua cegueira anti-Trump (tocou no tema-tabu -» fronteiras), os mercenários chegaram ao ponto de andar a evocar a imigração para a América... quer dizer, ao mesmo tempo que eles andam por aí a acusar povos de deixarem 'pegada ecológica' no planeta, em simultâneo, os mercenários revelam um COMPLETO DESPREZO pelo holocausto massivo cometido sobre povos nativos na América do Norte, na América do Sul, na Austrália, que (apesar de serem economicamente pouco rentáveis) tiveram o «desplante»... de quererem ter o seu espaço no planeta, de quererem sobreviver pacatamente no planeta, de quererem prosperar ao seu ritmo.
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ASPIRANTES: pessoal dotado de uma elevada taxa demográfica... ambiciona/aspira ser dono-disto-tudo.
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PENDURAS: na Europa existem muitas comunidades nativas penduras -» não trabalham para a sustentabilidade da sociedade (média de 2.1 filhos por mulher)... penduram-se na boa produção demográfica de outros!
[e mais, os penduras ao mesmo tempo que são contra a repressão dos Direitos das mulheres, em simultâneo, são uns lambe-botas da boa produção demográfica daqueles que tratam as mulheres como 'úteros ambulantes' - exemplo: islâmicos]
{Os penduras são uns lambe-botas dos aspirantes a donos-disto-tudo e da alta finança}
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---»»» Todos Diferentes, Todos Iguais... ou seja, todas as Identidades Autóctones devem possuir o Direito de ter o SEU espaço no planeta -» inclusive as de rendimento demográfico mais baixo, inclusive as economicamente menos rentáveis.
-» Os 'globalization-lovers', UE-lovers e afins, que fiquem na sua... desde que respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
---» blog http://separatismo--50--50.blogspot.com/.
.
Nota: Os Separatistas-50-50 não são fundamentalistas: leia-se, para os separatistas-50-50 devem ser considerados nativos todas as pessoas que valorizam mais a sua condição 'nativo', do que a sua condição 'globalization-lover'.

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