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Peculiaridades do regime pátrio

por Samuel de Paiva Pires, em 17.03.17

Confesso que nunca percebi o motivo da repulsa ou até mesmo ódio que tantos políticos portugueses têm por Santana Lopes. Parece-me tratar-se de um indivíduo com uma autêntica vocação e devoção pela causa pública, não lhe sendo conhecidos quaisquer envolvimentos em esquemas de corrupção e afins ao fim de quase 4 décadas de presença na vida pública e política do país. No caso de muitos dos protagonistas políticos da nossa praça, quase poderia dizer-se que o ódio que lhe dedicam é  proporcional ao amor que têm por José Sócrates - o que é revelador quanto baste.

 

Ora, como já terão adivinhado, vem isto a propósito da recentemente revelada justificação de Jorge Sampaio para ter dissolvido a Assembleia da República em 2004: "fartei-me do Santana." Não precisamos de recorrer ao estafado argumento de que se fosse alguém de direita a dizer isto de alguém de esquerda, cairia o Carmo e a Trindade. Afinal, já se sabe que o actual regime pende significativamente para a esquerda, permitindo a quem é de esquerda muito do que não poderia ser feito por alguém de direita sem que um coro de indignados se manifestasse violentamente. Limitamo-nos a salientar que se espera do mais alto magistrado da nação que não sucumba a estados de alma, visto que estes não nos parecem poder justificar a decisão de accionar a mais poderosa prerrogativa ao seu dispor, e, assim, a registar que as declarações de Sampaio têm, efectivamente, o condão de fazer de Cavaco Silva um estóico estadista muito superior à média dos políticos que nos vão pastoreando.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 14:36


2 comentários

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De The Mole a 17.03.2017 às 17:56

O motivo de repulsa e ódio que têm ao Santana Lopes é justamente por ele ser independente… Eu por acaso nunca fui grande apoiante dele até ele ser 1º ministro: mas estavam TODOS, da esquerda à “direita” e toda a Comunicação (dita) Social, contra ele por razão nenhuma (quer antes quer depois estiveram lá outros bem mais incompetentes e disparatados e ninguém se impressionou, antes pelo contrário). Aí percebi que se calhar o homem é muito mais capaz e tem muito mais caracter do que eu lhe atribuía. A oposição que toda a máfia cá do sítio lhe lhe fez é o que ele tem de melhor no seu currículo.
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De Nuno Castelo-Branco a 17.03.2017 às 21:17

Nojento foi aquele inepto chorão ter humildemente acatado a ordem dos banqueiros, com isto tornando inevitável a chegada, uns anos mais tarde, da troika. É o despautério mais absoluto, aida por cima cimenntado por um linguajar que muito nos diz acerca de quem pronunciou tais cavalidades. Um asco!

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