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Postal de Natal de António Costa

por John Wolf, em 26.12.15

commiesanta.jpg

 

Não escutei a mensagem de Natal de António Costa. Nem precisava de o fazer, mas li as notas de rodapé coladas aqui e acolá. Já sei que o primeiro-ministro sublinha as virtudes da sua plataforma à Esquerda, mas não agradeceu a Direita "instransigente" que o PSD corporiza, pela ajuda dada na aprovação do orçamento rectificativo e da contribuição extraordinária de solidariedade. É apenas um pormenor, contudo revela que afinal António Costa não é o democrata de consensos alargados e entendimentos que tão vocalmente apregoa (para além de ser politicamente malcriado). António Costa repete vezes sem conta que vivemos um "novo tempo" em Portugal, ao que acrescenta que grandes dificuldades são de esperar no futuro que se avizinha. Então? No que ficamos? Vira a página ou reconhece que os portugueses ainda vão ter de suportar muitos (e mais) sacrifícios. Em vez de viver o presente, celebra antecipadamente os 30 anos de adesão à Comunidade Económica Europeia, os 40 anos da Constituição da República Portuguesa e os 20 anos dessa organização lírica conhecida por Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). E ainda tem tempo para enviar um abraço às comunidades portuguesas no estrangeiro e aos militares em comissões além-mar. O que discorre em ambiente festivo soa a paleio de velho jarreta, quando o que se lhe exige é uma visão pragmática e assertiva respeitante ao novo ciclo que se lhe escapa ao controlo, e em relação ao qual Portugal vai beneficiar sem que este governo faça a ponta de corno. Será o Banco Central Europeu (BCE) a evitar o descalabro deste governo-soma de ocasião. A continuação do programa de aquisição de títulos de dívida da parte do BCE está prevista até Março de 2017. Ou seja, até lá, eventuais e mais que certas anomalias de tesouraria serão camufladas por este mecanismo monetário da Zona Euro. Na mensagem de Natal António Costa referiu isto e agradeceu os senhores da gleba monetária? Se alguém souber, e puder confirmar, por favor envie-me um telegrama. E ainda, na mesma senda de omissões e irregularidades, o que está a suceder em Espanha foi referido na mesma missiva natalícia como factor de volatilidade na cena política-económica nacional pelo primeiro-ministro? Se alguém ouviu alguma coisa a esse propósito, queira fazer o favor de me enviar um postal, para que eu fique descansado que este governo tem mais do que mãos a medir para a TAP, e tudo o que permeia os céus e a terra. Afinal o Pai Natal é socialista de gema - tem tudo e dá a todos.

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publicado às 16:48


2 comentários

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De Anónimo a 26.12.2015 às 19:19

É o Costa na mediocridade e no cinismo do costume. Não há estômago que aguente ver este imbecil a tentar ser primeiro-ministro. O seu discurso é um reflexo do que vai naquela cabeça. A cabeça confusa de um oportunista que se procura equilibrar no poder enquanto pode. E este é um "governo" transitório, já que não se pode ter outro com este Parlamento.  
Entretanto, para os espanhóis do Santander já valeu a pena, e sabe-se lá quantos mais estragos os socialistas farão enquanto tiverem a mão na massa, literalmente...



Mas atenção, não nos fiemos na "Europa" porque esta não é de confiança. A mesma "Europa" que em 2008 nos mandou abrir os cordões à bola (coisa que os socialistas portugueses adoraram, e plenamente aproveitaram, até nos levarem ao colapso financeiro), depois mandou cortar a torto e a direito por causa dos mercados, agravando a nossa recessão. A "Europa" do BCE é a "Europa" que não dá espaço nem tempo para Portugal resolver o seu problema bancário. A "Europa" em que um funcionário de uma direcção-geral qualquer em Bruxelas manda mais do que o Governador do Banco de Portugal, só que os portugueses esquecem a soberania que cederam e é no Carlos Costa que vão malhar (havia de ser o Reino Unido a passar pelo que nós temos passado por causa do BES e do Banif...). A "Europa" que se está completamente borrifando para a importância que o Banif tem nas nossas regiões autónomas e por isso manda liquidar o banco, mas que se fosse um banco regional alemão, holandês ou belga de certeza que já fiava mais fino. 
Os portugueses que não abram a pestana que não é preciso. Fiam-se no "governo económico" e na "união bancária", que nos custam o coiro e o cabelo, e depois choram que a "Europa" afinal não é solidária. Somos um povo muito antigo, mas muito ingénuo. E esta ingenuidade é cultivada por uma classe política moralmente corrupta, que se perpetua no poder muito à custa da "mitologia europeia" que colocou na cabeça dos portugueses. A mesma classe ultrapassada que hoje culpa a Merkel, devia estar completamente desacreditada e ostracizada pela banha da cobra que vendeu os portugueses, mas ao invés conseguiu meter uma fraude em São Bento pela porta do cavalo. Batemos no fundo...
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De Anónimo a 27.12.2015 às 18:43

Só uma "adenda", para dizer que em Portugal se aceita tudo o que vem da "Europa" sem debate. Não se mede as consequências das coisas a prazo, para nos prepararmos e adaptarmos ao que não podemos evitar. Vamos sempre na "enxurrada", como se viu na bancarrota do Estado em 2011, e depois nas consequências sobre a banca mais exposta às políticas falhadas dos últimos quinze anos.


Temos duas áreas políticas que estão muito fragilizadas neste contexto, o que explica também o impasse político em que Portugal se encontra. Por um lado, o PSD está muito alinhado com um Tratado Orçamental que não serve os interesses de Portugal e parece não ter mais nenhum ambição do que cumprir este tratado, que só foi aceite pelo resto da Zona Euro porque está estava refém dos efeitos da especulação dos mercados. Por outro lado, o PS não aprendeu nada com o passado  e apenas quer voltar à redistribuição de dinheiro para manter o seu poder, mesmo que à custa de mais endividamento para Portugal. O PS aliou-se a tudo o que é partido e movimento retrógrado, integrando o grupo dos falhados, o que apenas irá degradar a imagem de Portugal, não resolvendo nenhum problema. 
Não por acaso vem brevemente a Portugal, a convite do Costa, o Jeremy Corbyn, um anarquista que tomou de assalto o Partido Trabalhista e o transformou numa anedota. É muito grave que o maior partido da oposição da segunda maior economia da Europa e quinta maior do mundo esteja na mão de uns autênticos "losers", pois é importante que a esquerda tenha alternativas políticas exequíveis e não ponha em causa a segurança do Estado. Felizmente que com o Parlamentarismo britânico os estragos que Corbyn pode provocar estão mais controlados, como se viu recentemente.

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