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Prémio Flop do Ano Lisboa 2017

por John Wolf, em 29.12.17

ciclovia1.jpg

 

Se me pedissem para atribuir o prémio flop do ano à Câmara Municipal de Lisboa para o ano de 2017, o mesmo resumir-se-ia a uma palavra: ciclovia. Para quem ainda se lembra do enorme alarido gerado em torno do alegado big bang que as bicicletas produziriam na cidade, chegamos à conclusão que as sete colinas da gestão autárquica pariram um rato. O esplendor da erva das faixas centrais da Av. da República ou da Av. 24 de Julho, aí plantadas em nome do botox e de melhor mobilidade urbana, sem esquecer o alcatroado avermelhado das ciclovias, simplesmente foram investimentos falhados - são escassas as bicicletas que se avistam - as privadas ou aquelas holandesamente inventadas pelo famoso programa de uso partilhado. Como tantas outras cartolas para impressionar, as eco-considerações dos camarários não passam de show-off, ostentação. Fizeram tudo ao contrário da tradição. Não auscultaram a população, não realizaram o estudo de opinião do utente para confirmar se de facto o alfacinha é pouco ou muito dado ao pedal, mas acima de tudo não perceberam que os portugueses, de um modo geral, não são dados a grandes trocas e baldrocas. Os condutores são adeptos da sua viatura em regime de exclusividade e aqueles que se servem da Carris ou do Metro apenas o fazem porque não detêm os meios para comprar um carro. São considerações desta natureza que não foram tidas em conta por Medina e companhia. A infraestrutura não pode preceder a vontade. De nada serve o orgulho no hardware da rede de ciclovias, se o software da pedaleira, pura e simplesmente não existe. Apenas vejo uma forma de Medina salvar a face desta falência - realizar uma campanha dirigida às pessoas com necessidades especiais de locomoção, no sentido daquelas que fazem uso de cadeiras de rodas finalmente poderem sair à rua para aproveitar as ciclovias desertas. Por mais bonitos e floreados que nos queiram vender, a verdade é que esta ideia é  um flop. O flop do ano.

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publicado às 18:08


27 comentários

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De Fernando Oliveira a 30.12.2017 às 10:53

Absolutamente de acordo com a sua avaliação dos alfacinhas, nos quais me incluo. Também concordo com o metodo de avaliar o impacto das opções que se planeiam implementar, antes de as concretizar. E sem morrer de amores pelas opções seguidas, não posso deixar de atrinuir algum crédito às mesmas no sentido de tentar pressionar uma  mudança de hábitos, muito lenta e quiçá frustrada.
Afinal, alguns acontecimentos climáticos já nos alertaram para uma mudança que mais tarde ou mais cedo terá de acontecer.
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De Anónimo a 30.12.2017 às 11:52

Claro que ciclovias em Lisboa é uma palhaçada e não servem para nada a não ser para rebentar com o dinheiro publico. Há anos que se sabe isso. Quanto ao fato de " aqueles que se servem da Carris ou do Metro apenas o fazem porque não detêm os meios para comprar um carro" não concordo. Eu uso o comboio e o metro porque chego mais depressa à empresa e porque é mais pratico. Carros tenho 3 !
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De Carlos Tex a 30.12.2017 às 23:22

Provavelmente, se fosse de bicicleta ainda chegava mais rápido!
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De Anónimo a 30.12.2017 às 12:44

Para quem não as usa claro que será um flop. Ando de bicicleta em Lisboa desde 2011 e noto uma grande evolução, tanto no número de ciclistas, como nas condições dadas para o seu aumento e até nos condutores. Não queiramos comparar Lisboa com um cidade na Holanda ou na Dinamarca. Nunca estive à espera de um boom de ciclistas com as ciclovias. Acho que começar a incentivar a utilização da bicicleta no centro da cidade e retirar os ciclistas que infelizmente circulam no passeio por terem medo da estrada é um bom passo para a mudança. Também não se esperava que todos os lisboetas comprassem bicicletas pela construção de ciclovias e a introdução tardia das bicicletas  de uso partilhado não ajudou a que existisse mais visibilidade da utilização das ciclovias. Acho que ainda temos muito que melhorar, mas criticar um investimento que tenta melhorar a cidade, a saúde dos cidadãos e arranjar uma alternativa ao transporte na cidade mostra o quão pequenos somos. Tantos investimentos foram feitos em Lisboa que não tem o mesmo potencial a longo prazo. Um bom ano. Nádia
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De Anónimo a 30.12.2017 às 14:19

O problema de Lisboa é existirem tantos velhos do restelo por aí fora.
O investimento na ciclovia não é tanto quanto as multas por excedências dos níveis de poluentes em Lisboa, nem tão elevado quanto ao impacte na saúde das pessoas que todos os dias têm de submeter às vontades individuais de toda a gente inundar a cidade de lisboa com 350 mil carros a mais do que a infraestrutura tem capacidade de suportar.
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De MAMM a 30.12.2017 às 19:05

Mais grave que as ciclovias sem bicicletas é estarem atulhadas de peões ,os quais, dispõem na Avenida de passeios larguíssimos. Não sei o que se passa na cabeça daquela gente, mas será que é por o chão ser vermelho. E mais grave que as ciclovias vazias ( não estou a ver como se fomenta o uso de bicicletas sem ciclovias, mas enfim) são os carros estacionados PERMANENTEMENTE na Av Duque D'Ávila a ocupar toda a faixa de rodagem direita.
Por muito que nos custe o carro vai ter que ficar fora de Lisboa.
No tempo em que se cortou o trânsito na Rua do Ouro e no Chiado o que não faltou foram comentários desabonatórios e agora é o que se vê. Ninguém pode negar que é muito mais agradável passear na Baixa sem carros do que com carros.
Mas enfim há que malhar em que tem o poder porque é de bom tom.
Só mais um exemplo completamente fora do contexto mas que prova que o povo gosta é de dizer mal.
 Ontem era o último dia para trocar uma série de notas de Escudo por Euros. A fila junto ao Banco de Portugal era enorme e uma das pessoas que estava na fila ainda disse que era incrível, que lá dentro do Banco de Portugal não se fazia nada etc. O que andou esta gente a pensar durante mais de 10 anos, repito 10 anos, para no último dia, se dispor a esperar longas horas numa fila para trocar as notas?
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De John Wolf a 30.12.2017 às 19:21

Insultos de anónimos não serão publicados - Flop. Sugiro que argumentem com decoro. Melhor ainda - criem um blog e sejam opinion makers.
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De António Santos Mhenino a 31.12.2017 às 00:14

Só vi que se podia"publicar" como anónimo depois de o ser. Como não publicou o meu depreendo que se sentiu ofendido. Mas colocar artigos com pseudônimo também é uma atitude deplorável. Mas. artigos tão tristes e que não colam com a realidade é capaz de ser mais insultoso que algum vernáculo.
António Menino
Utilizador de bicicleta
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De John Wolf a 31.12.2017 às 00:20

O meu nome é John Wolf. Pode googlar John Wolf Portugal Traduzido e comprar o livro, Sr. Menino (?).
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De Anónimo a 30.12.2017 às 22:48

Discordo parcialmente (quase totalmente).

A ciclovia da imagem, que não conheço (mudei-me para Lisboa há) 3 meses parece que nunca será muito utilizada. Mas dentro de Lisboa faltam ciclovias. Já aderi ao programa de bikesharing da emel (Gira) e acho que está a ser um sucesso e que, dentro de alguns meses, a oferta vai ser escassa para a procura. Com as bicicletas elétricas chego do júlio de matos, em alvalade, ao saldanha em 10 minutos, mais rápido que esperar pelo metro ou, em certas alturas, ir de carro. 
Não sei a idade das pessoas que escrevem; eu tenho 24 anos e a minha geração é completamente diferente. Eu olho para os meios de transporte como todos complementares: Tenho carro, ando a pé, bicicleta, uso o metro e o autocarro. Utilizo o car sharing da drive now e a uber. Muitas pessoas da minha idade, independentemente do poder de compra, não têm carro e, às vezes, nem carta. Não faz falta e financeiramente, é mais desvantajoso do que andar sempre de Uber, nalguns casos (façam as contas, comprar um carro de 20 000 que dure 5 anos (assumindo que é vendido depois por 10 000) custa aprox. 5,5€ por dia, fora seguros, manutenção e gasóleo, estacionamento e o diabo a 7).


Para quem não experimentou ainda as bicicletas, o sistema elétrico das mesmas é bastante bom. Se calhar vou continuar a suar entre o marquês e as amoreiras, mas em subidas menos íngremes quase nem é preciso pedalar!


Posto isto, ponham Ciclovias na av. de Roma, na Almirante Reis, ajustem os semáforos para que seja mais rápido andar de bicicleta que de carro. A chuva não é desculpa (Basta olhar para a Holanda, onde já morei, e todos os dias fazia 8km de bicicleta).


Nuno
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De Júlio Santos a 30.12.2017 às 22:53

 Caríssimo, fiz um comentário devidamente identificado, não insultava ninguém, mas é um insulto à democracia não publicar opiniões contrárias. 
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De John Wolf a 30.12.2017 às 22:57

O seu comentário não devia ter sido apagado. Foi de um anónimo. Reenvie que será publicado.
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De Anónimo a 30.12.2017 às 23:05

Cada um tem direito aos flops que entender.
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De Anónimo a 30.12.2017 às 23:32

Este post terá provavelmente o mesmo destino que tiveram os que no seu tempo defenderam o parque de estacionamento no terreiro do paço ou atacaram as obras de expansão do metro - o caixote do lixo da História.
Não, nem toda a gente passa a andar de bicicleta de um dia para o outro, mas infraestrutura de qualidade contribui decisivamente para que o façam. Um mês depois do fim de obras na av da Republica uma contagem feita em 2h de manhã na Av da Republica determinou 174 bicicletas (não tenho link mas no google facilmente se encontra). E sim, habitue-se à ideia de que artérias como a Almirante Reis, a Gago Coutinho, Roma ou Estrada da Luz mais dia menos dia terão parte do espaço para carros dedicado a velocípedes.

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