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Putin "deselege" Trump

por John Wolf, em 04.08.17

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Quase todos conhecem o adágio - a história não se repete, mas por vezes rima. No entanto, penso que não se aplica ao seguinte enunciado. Quando Reagan lançou a Strategic Defense Initiative em 1987 (SDI, conhecida por Guerra das Estrelas) não seria um objectivo premeditado pôr de joelhos economicamente a União Soviética, mas de facto a corrida ao armamento que se seguiu acabou por ditar a ruína do império soviético e a mudança de sistema e regime políticos. A administração Trump, que "alega" ingerência russa no processo eleitoral norte-americano, riposta aplicando sanções à Rússia de Putin, como se tal ferramenta de política externa pudesse de algum modo repôr os pratos da balança da justiça, castigar economicamente a Rússia e enfraquecê-la mortalmente. Enquanto essas ferroadas são administradas, o sistema judicial dos EUA avança com a investigação a eventuais fugas de informação classificada para o domínio e controlo de oficiais russos, assim como a averiguação dos contornos das reuniões havidas entre Trump Jr. e advogados russos em 2016. Tudo isto, combinado numa aura de grande suspeição e incerteza, levanta algumas questões do foro patriótico. Fala-se, nos corredores de Washington, a cada dia que passa, de indícios de traição e lesa a pátria. Putin, que havia sido nomeado como "mandatário" de Trump, estará a pensar duas vezes à luz da imprevisibilidade comportamental do presidente americano. Ou seja, se de facto mexeu cordelinhos para auxiliar a sua eleição, também o poderá fazer para que Trump seja removido. Em todo o caso, os próprios norte-americanos já começam a invocar o enquadramento constitucional da 25ª Emenda que estabelece o modo e as condições que levam à substituição do seu presidente. Sim, a coisa está feia. Ou pouco bonita - conforme as preferências ideológicas. Veremos então se Putin "deselege" Trump.

 

créditos fotográficos: CNBC

 

 

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publicado às 19:40


4 comentários

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De JS a 06.08.2017 às 16:24

Não é linear comparar a política tal como ela é realmente praticada nos EUA, com o dia a dia político na Rússia e mesmo em Portugal.
Na Rússia há um Czar, Putin. Na Rússia vota-se.
Em Portugal há uma geringonça que constitucionalmente uniformiza, num todo, o poder executivo, o poder legislativo (PS e apêndices) e os usuais lobbies de estimação. Teatralmente também se vota.

Pelo contrário nos EUA constitucionalmente estão definidos poderes e contra-poderes. Trump, o executivo, eleito nominalmente, agora já claramente sem partido apoiante, esgrime as suas "executive orders" com a legislação (ou a falta dela) das 2 câmaras com poder legislativo -eleitas nominalmente- ambas hiper-partidarizado, agora numa desajeitada tentativa de afirmar a sua independência em relação ao out-sider". "Republican-care" ?.
Com a exceção do Supremo, o poder Judicial nos EUA esteve dependente, e em parte em conluio, com o executivo da administração Obama / partido democrata. A custo tenta renascer como o poder independente que devia sempre ter sido.
Nos EUA podemos juntar a este cenário de poderes, agora em modo de luta aberta com Trump, um FBI e uma CIA completamente implantados, enraizados, no terreno. Acrescente-se uma grossa pitada do histórico complexo militar/industrial.

Nos primeiros 5 meses da Administração Trump as cotizações de militantes inscritos no partido republicano/GOP aumentaram significativamente e desceram as cotizações no partido democrata. Um indicativo com certo interesse ?.
...
"... Os próprios norte-americanos já começam a invocar o enquadramento constitucional da 25ª Emenda...".
Pergunta-se: "quais norte-americanos" ?.

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