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Querem ir à Web Summit?

por Samuel de Paiva Pires, em 25.10.16

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A Associação Nigéria Portugal e a Five Thousand Miles desenvolveram um pacote para facilitar a participação de empresários nigerianos e africanos na Web Summit 2016. Podem encontrar mais informações sobre este aqui.

 

A delegação que estará presente inclui o CEO da Nigeria Inter-Bank Settlement System, membros do Conselho de Administração do Union Bank, do Access Bank e da angolana EMIS, o CEO da Geyser, uma das maiores empresas do Chade, e o CEO da Gimac, dos Camarões, entre outras empresas nigerianas.

 

O Ministro da Ciência e Tecnologia da Nigéria também participará na Web Summit, a convite do Governo de Portugal.

 

Tendo em consideração que se trata de uma delegação de alto nível, gostaríamos de alargar o âmbito desta nossa iniciativa, permitindo a empresas portuguesas integrar a delegação e a Associação Nigéria Portugal, desta forma tendo a oportunidade única de contactar directamente, durante uma semana, com alguns dos mais destacados empresários nigerianos e africanos.

 

Quem o desejar pode participar nesta iniciativa através do nosso pacote no valor de €2500, que inclui o seguinte:

 

- Bilhete para a Web Summit;
- 5 noites no hotel de 5 estrelas onde ficará alojada a delegação, o que permitirá conviver diariamente com os membros desta;
- Transportes diários de e para o local da Web Summit;
- Um dia extra, 11 de Novembro, no qual terá lugar um breve tour por Lisboa e um almoço em que serão abordadas estratégias de entrada no mercado africano;
- Quota de um ano de membro da Associação Nigéria Portugal.

 

Trata-se de uma oportunidade imperdível que permitirá desenvolver contactos ao mais alto nível.

 

Os interessados podem contactar-me por e-mail para samuel.pires@nigeriaportugal.org ou samuel.pires@fivethousandmiles.com.

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publicado às 18:54

O Descomprometido Esforço Humanitário em Acção!

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 24.05.14

 

Ora vejam bem como as coisas funcionam neste nosso admirável mundo novo.

 

A 15 de Dezembro do ano passado começou a guerra civil no Sudão do Sul. A 24 de Janeiro escrevi este texto no Expresso a propósito do conflito. Uma consequência imediata da guerra foi a criação de inúmeros campos de refugiados dentro das bases da ONU pelas zonas mais afectadas do país, onde mais de um milhão de deslocados internos procuraram alguma segurança a curto prazo. E se nem sempre encontraram segurança nos campos, devido a ataques de rebeldes/forças do governo, também cedo se verificou que a ocupação dos campos não seria a curto prazo. Estávamos no início da época seca, e era crucial encontrar soluções de segurança, higiene e habitabilidade para o médio/longo prazo, soluções que teriam de estar obrigatoriamente implementadas antes do início da época das chuvas.

 

Visitei vários campos de refugiados por todo o país e as condições de vida eram invariavelmente miseráveis em todos eles. Em quase todos os campos encontrei os refugiados em vales ou pequenas depressões onde a água das chuvas ou dos esgotos naturais se concentrava, criando assim condições perfeitas para a propagação de doenças infecciosas. Os homens, mulheres, crianças e idosos que habitam os campos fazem geralmente as suas necessidades a céu aberto, onde calha, e as fezes vão-se acumulando de forma anárquica pelos campos. A administração da Missão da ONU estava informada da necessidade de desenvolver infraestruturas adequadas, era uma necessidade por demais evidente e não há forma de o esconder ou negar. Havia tempo para o fazer, apesar das precárias condições de segurança: mais de seis meses passaram sobre o início do conflito.

 

Para além da distribuição de rações e tendas, e o possível apoio médico dado em condições extremas, pouco ou nada foi feito em termos de desenvolvimento de infraestruturas. Sem surpresa, portanto, assistimos a um surto de cólera no Sudão do Sul, agora que começa a época das chuvas, ainda com relativamente fraca intensidade. E com o surto de cólera, intensifica-se o habitual peditório das ONGs para mundos e fundos, para salvar os pobres e miseráveis Africanos. As mesmas ONGs e organizações de desenvolvimento que na sua grande maioria mais não são mais do que um monstro implacável e bem articulado de burocracia e promoção de agendas obscuras, com um rasto de destruição humanitária incalculável. Gigantes a circular fundos bilionários e a distribuir salários para lá de generosos, sempre em nome dos pobres e miseráveis Africanos que, curiosamente, vão ficando sempre em situação cada vez mais pobre e miserável.

 

Mas há mais, há sempre mais. A ONU, mais os inevitáveis interesses que se escondem atrás desta organização, encontrou mais uma oportunidade de ouro para implementar o seu tenebroso plano de vacinação global, de que já falei aqui há pouco mais de um mês. Numa primeira fase, para começar, cerca de 100,000 pessoas irão receber a vacina contra a cólera, patrocinada por várias das mais importantes organizações não-governamentais e diversas agências da ONU, e para regozijo das grandes produtoras de fármacos, do eugénico-filantropo casal Gates, e dos clãs Rothschild, Rockefeller & Outros-aventais-que-tais.

 

Que estas vacinas sejam desnecessárias, ineficazes, caras e perigosas, não interessa para nada. Fundamental é que se mantenha a máquina bem oleada, o dinheiro a circular, as fábricas a produzir, os porcos a enriquecer, e os pobres distraídos com a fome, entretidos com a guerra, ocupados a morrer.

 

Isto é a democracia que todos defendem como valor absoluto, a demagogia no seu estado mais puro, no fundo não é mais do que manipulação descarada. Está na hora de abrir os olhos e acabar com esta pouca-vergonha. E a começar já amanhã, se tudo correr bem, com uma abstenção-recorde a rondar os 70%.

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publicado às 13:38

Memórias de um burro II

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 01.03.14

 

O projecto de esperança em que consistiu a independência do Sudão do Sul, depois da secessão do Sudão em 2011, tornou-se um falhanço completo passado pouco mais de dois anos.

 

Algumas cidades estão completamente destruídas e desertificadas, as casas saqueadas e incendiadas. Assim está por exemplo Malakal, cidade tomada pelos rebeldes, e onde me encontro neste momento. Ao atravessar os escombros daquilo que era até há pouco mais de dois meses uma das maiores cidades do país, deparo-me com centenas, talvez milhares de soldados das forças rebeldes a reforçar as suas linhas, preparando-se para resistir a uma ofensiva do exército leal ao governo que decerto irá chegar nos próximos dias.

 

Na estrada que liga o que resta do aeroporto à base onde está montado o nosso campo, podem ver-se dezenas de cadáveres em decomposição, rodeados por cães e abutres que os devoram.

 

Há dias, aquando da ofensiva rebelde que em apenas duas horas levou à tomada da cidade, milhares de refugiados forçam a saída de um lado da base da ONU em Malakal, enquanto que ao mesmo tempo, do outro lado do campo, outros milhares forçam em pânico a entrada. São os que saem os homens e as mulheres da facção dos rebeldes; os que entram encontram-se do lado do regime. Há uma divisão étnica bem vincada, mas são também milhares as crianças de um lado e de outro.

 

É impressionante a imagem da debandada de uma multidão em pânico, em simultâneo para fora e para dentro do campo, e ilustrativa do cenário de caos e confusão que tomou conta do país.

 

 

Até há cerca de um mês, as igrejas constituíam um dos poucos locais de segurança onde a população poderia refugiar-se, muito por culpa do respeito que o povo Sul-Sudanês reservava à Igreja pelo seu importante papel de apoio e conciliação durante os anos de guerra e transição. Há dias, dezenas de religiosas que buscavam refúgio numa igreja foram violentamente estupradas e de seguida assassinadas à queima-roupa, algumas das quais idosas com mais de 70 anos de idade. Repetem-se os casos de saque e destruição de igrejas em vários pontos do país, tendo até os mais resistentes dos religiosos sido forçados a fugir para salvar a vida.

 

A violência chegou até aos próprios campos de refugiados, improvisados nas bases da ONU, onde são frequentes, senão diários, os casos de agressões e mortes. Contam-se já mais de um milhão de deslocados ou refugiados, e mais de sete milhões em situação de risco grave ou emergência, sem condições de segurança e higiene ou acesso a comida e medicamentos.

 

As negociações para a paz não avançam; encontram-se aliás quase em ruptura no seguimento do falhanço na implementação do acordo de cessar-fogo. A esperança vai-se extinguindo rapidamente e o ódio e desejo de vingança estão cada vez mais presentes no discurso de todos, independentemente da origem étnica. O conflito, ao que tudo indica, está para durar.

 

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publicado às 08:03

A Crise no Sudão do Sul I

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 19.12.13

À meia-noite de Domingo, ao som de rajadas de AK-47 e explosões de RPG, apareceram os primeiros sinais daquilo que quase todos no Sudão do Sul têm evitado admitir ser possível: um cenário de guerra civil.

 

Ainda há três semanas, em entrevista para a Antena1, eu referia com optimismo o facto de que uma gravíssima crise política que ocorrera dois meses antes, em que todos os ministérios do governo foram dissolvidos, não havia resultado numa escalada de violência no país, algo que muitos julgariam inevitável. Ontem à noite, ao telefone com o mesmo canal, tive de admitir que o entusiasmo de então se provara indesmentivelmente precoce.

 

Evitável ou não, foi precisamente um escalar de violência o que sucedeu, mas só três meses mais tarde. Domingo à noite, forças militares leais ao ex-Vice-Presidente Riek Machar, e essencialmente da tribo Nuer, apoderaram-se de dois depósitos de armas na capital do país, instalando o caos pela cidade. Quanto às motivações e intenções por detrás dos grupos armados muito se tem especulado, chegando até a colocar-se a possibilidade de esta situação ter-se gerado a partir de um mero, infeliz, mal-entendido. No entanto, a realidade é que a força de resistência ao governo está em marcha e, se a violência em Juba diminuiu substancialmente a partir de Quarta-feira, mais a Norte, na cidade de Bor, o exército leal ao Presidente Salva Kiir, de etnia Dinka, perdeu totalmente o controlo da situação.

 

Numa altura em que se receia que estes grupos possam marchar de Bor a Juba, invadindo e tomando a capital, está a concluir-se o processo de evacuação das embaixadas Americanas e Europeias, bem como de grande parte do pessoal civil residente em Juba. Juntando o útil ao agradável, muitos expatriados irão afinal ter a oportunidade de passar o Natal em casa, algo que decerto terá pesado nesse rápido processo de decisão para sair imediatamente do país.

 

Sendo que a Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul não comunicou ainda qualquer intenção de evacuar sequer o seu pessoal não essencial, os próximos dias serão cruciais para poder perceber-se se esta situação irá transformar-se numa crise profunda, ou se o Presidente Salva Kiir terá a capacidade de gerir o problema, seja pela força ou pelo diálogo.

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publicado às 11:37

Conferência de Berlim

por Nuno Castelo-Branco, em 23.09.13

Do nosso leitor José V., residente na Alemanha, um breve resumo deste documentário:

 

"No início dos anos 80 do século 19, o interesse europeu sobre África, um continente quase totalmente desconhecido até à altura, cresceu de forma acentuada. As novas ambições geopolíticas conduziram à chamada "Conferência da África Ocidental“, também conhecida por a Conferência do Congo que teve lugar no Palácio do Chanceler do Império em Berlim. Foi presidida pelo Chanceler Otto von Bismark e teve a presença de diplomatas, juízes e geógrafos de 14 países da Europa (oeste).


Durante três meses negoceiam o futuro de Africa, dividem o continente em zonas de influência e desenham/decidem “de maneira selvagem“(arbitrária?) as fronteiras. Isto tudo sem nunca estar um único africano presente na conferência que pudesse opinar ou tomar parte na discussão. A 26 de Fevereiro, depois de duras e difíceis negociações, deu-se a conferência por terminada. O documento final, conhecido por "Carta do Congo“, confirma (graças ao bom trabalho de lobby do Rei Belga Leopoldo II), a Independência do Congo (Congo Belga), sob o domínio da Bélgica. Para além disso, a bacia do Congo foi declarada neutral.


Esta carta/documento, (Carta do Congo), foi a base para a divisão de África em colónias e abriu assim um dos períodos mais "negros“ da História Mundial. As decisões tomadas na Conferência nunca foram jamais postas em causa e as fronteiras decididas na altura nunca foram mudadas até hoje. Não é por isso estranho que tanto antes como ainda hoje estas decisões sejam a razão de muitas guerras e conflitos na Nigéria, no Chade, Uganda ou Darfur no Sudão, na Costa do Marfim ou no Congo.


Não existem fotos da Conferência (nem filmes, simplesmente por que não existia cinema na época), mas somente alguns esboços feitos por pessoas da altura. Para o filme/documentação, foram encenadas as cenas/fases mais importantes da conferência. A encenação baseia-se/apoia-se em documentos originais de arquivos da época (não de domínio público) e das últimas descobertas de pesquisa colonial. Calmettes, o realizador deste filme, mostra com esta documentação uma imagem "negra/negativa/chocante do Poder" e interesses da história política e convida a pensar nos motivos dos "bastidores“ da colonização e das relações muito conflituosas entre a Europa ocidental (West Europa) e a África.

 

  Um abraço amigo,

 

  José"

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publicado às 17:32

Da Terra dos Fur

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 08.09.13

Desde que comecei a abordar o tema do Sudão que tenho evitado falar na questão do Dar Fur, região alvo de quase tão grandes quanto justificadas repercussões mediáticas, especialmente a partir de meados da década de 90.

 

Hoje, numa altura em que a quota mediática para assuntos internacionais se quase esgota no tratamento de “The War Within”, parece-me urgente deixar aqui um breve comentário acerca do que se está a passar na terra dos Fur.

 

Antes de mais, convém deixar claro que a crise em que o Darfur está mergulhado assume proporções catastróficas e, apesar de ter perdido muito do mediatismo de outros anos, essencialmente pela fadiga causada por uma crise que dura há já demasiado tempo, não deixa por isso de ser uma situação dinâmica, onde tanto podem observar-se períodos de moderado optimismo, como se vê pouco tempo depois a situação deteriorar-se gravemente. Bref, o Darfur ameaça atingir o ponto mais crítico da sua história num espaço de poucos meses, talvez semanas.

 

Uma das razões que está na origem do acentuar desta crise é a decisão do governo de Cartum de proceder à substituição das organizações humanitárias internacionais que actuam no Darfur – incluindo as agências da ONU – por organizações nacionais. Esta estratégia foi delineada já em 2010, e materializada num documento intitulado “Nova Estratégia para o Darfur”, onde se dá particular relevo à ideia de que o estado de emergência humanitária teria chegado ao fim. Evidentemente não é o caso. Esta falsa premissa, no entanto, cria as bases necessárias para que o governo do Sudão possa proceder à remoção das agências humanitárias internacionais do terreno, o que, por sua vez, irá abrir as portas para que grupos militares do regime ou a ele afectos possam desenvolver uma acção devastadora sobre a população de forma totalmente impune, e com cada vez menor visibilidade internacional.

 

Note-se agora que um representante do governo declarou publicamente, no passado dia 21 de Agosto, que um dos objectivos de Cartum passa pela remoção de todo o pessoal das agências humanitárias internacionais da região de Darfur. São assim claramente visíveis, por um lado, várias consequências desta decisão, e por outro, as acções tomadas neste sentido, das quais passarei a enumerar apenas uma pequena parte, podendo considerar-se que estes exemplos constituem apenas a fracção de uma acção concertada que tem vindo a tomar proporções catastróficas.

 

Comecemos pela UNAMID, a Missão da ONU/UA para o Darfur. Torna-se cada vez mais evidente que esta missão se encontra em estado de progressivo colapso, revelando-se incapaz não só de proteger a população civil, mas também a si mesma enquanto missão, como se pode verificar pelo clima de insegurança cada vez maior em que vivem os civis e militares onusianos na região. Os ataques às escoltas da ONU têm vindo a tornar-se cada vez mais frequentes, e o número de mortos entre os capacetes azuis tem aumentado de forma preocupante nas últimas semanas. Mais de 50 soldados perderam a vida em resultado de ataques à UNAMID desde o início do seu mandato em 2008, e entre as vítimas destes ataques, contam-se também 47 mortes de pessoal de agências humanitárias, 139 feridos e 71 raptos.

 

E no entanto esses números parecem quase irrelevantes face à situação em que vive a população local. Contam-se nos últimos 15 anos mais de 2,000 bombardeamentos aéreos a civis já confirmados, e digo isto sem sequer entrar em especulações quanto ao número real de tais ataques. Mais de 350,000 deslocados internos (IDP) recebem apoio directo da American Refugee Committee só na zona do Darfur do Sul. Imagens de satélite revelam a devastação que resultou de um só ataque numa cidade do Darfur Central, em Abril deste ano, onde mais de 2,800 edifícios foram destruídos, e pelo menos 42 civis perderam a vida. De um conflicto tribal no Darfur do Norte que começou no início deste ano, resultaram quase imediatamente 300,000 novos IDP, muitos dos quais eventualmente cruzaram a fronteira para o Chade onde o apoio a refugiados é praticamente inexistente, e as condições de sobrevivência são ainda mais frágeis do que no Darfur.

 

Considerando o Sudão em toda a extensão do seu território, estima-se que quase 4,5 milhões de pessoas necessitem de apoio humanitário urgente; 1,4 milhões vivam em campos de refugiados; 1,8 milhões de crianças não possam ir à escola; que os níveis de subnutrição atinjam já os 16% da população; que mais de 5 milhões de pessoas não tenham acesso aos níveis mínimos de higiene.

 

Números aterradores?

E no entanto aqui estou eu, a poucos quilómetros da fronteira com o Darfur, a beber chá e a fumar cigarros à sombra de uma acácia ressequida, a escrevinhar num pequeno bloco de notas negras previsões de que crise está prestes a entrar numa fase ainda mais devastadora.

 

E resisto, contrariado, a fazer comparações com a justificação dada pelos Estados Unidos para iniciar uma intervenção em território Sírio.

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publicado às 10:29

Associação de Amizade e Negócios Nigéria Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 19.07.13

Fundada em Setembro de 2012 na Embaixada da Nigéria em Lisboa, a Associação de Amizade & Negócios Nigéria Portugal conta já com diversos sócios de renome, nomeadamente empresas portuguesas e nigerianas como a SIBS INTERNATIONAL, a Novabase, a NIBSS - Nigeria Inter-Bank Settlement System e o Union Bank, tendo ainda como sócios honorários a Embaixadora da Nigéria em Portugal, o Embaixador de Portugal na Nigéria e o Governador-adjunto do Banco Central da Nigéria.

 

Tendo como principal propósito aproximar e desenvolver as relações entre os dois países, a associação tem como principais objectivos: a promoção do comércio e o apoio ao desenvolvimentos de relações comerciais, económicas, sociais e institucionais entre os dois países; o acompanhamento do processo de decisão dos poderes públicos no que concerne às relações entre os dois países; o desenvolvimento e promoção de projectos sociais, culturais e artísticos que promovam e disseminem os costumes e culturas de Portugal e da Nigéria; a promoção de redes de contactos entre os dois países; agir como mediador ou árbitro nos casos que lhe sejam submetidos.

 

Precisamente tendo em vista estes objectivos, realizou-se em Abril deste ano o Nigeria Day 2013, organizado em parceria com a Embaixada da Nigéria em Portugal e com a AICEP. Tratou-se de um evento onde estiveram presentes cerca de 15 empresas nigerianas e 60 portuguesas, constituído por um seminário que teve lugar na sede da AICEP e por reuniões bilaterais entre as diversas empresas. 

 

Poderão ficar a conhecer melhor a associação através do site em www.nigeriaportugal.org e contactar-nos para o e-mail samuel.pires@nigeriaportugal.org.

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publicado às 11:55

A crise enquanto desígnio nacional

por Samuel de Paiva Pires, em 10.10.12

O Dragão, Naufrago, logo existo:

 

«No princípio dos anos oitenta, Portugal tinha acabado de fugir cobardemente de África e, após ensaios estonteantes de pardisíacos lestes, preparava a adesão desesperada à Eurapa. Resultado: bancarrota.
Trinta anos depois, amainada a cornucópia de fundos comunitários e várias orgias de crédito coalescente, Portugal está plenamente integrado na Europa... e novamente na bancarrota. 
Dir-se-ia, assim, que enquanto para os outros povos a bancarrota é uma calamidade, para os portugueses, em contrapartida, é uma mania. Pela via socialista, pela via capitalista, por outra via qualquer, inventada ou por inventar, hão-de lá ir sempre dar. Decorre alías, isto, dum facto muito evidente e fundamental: entre nós a crise não constitui precalço. Bem pelo contrário, constitui vício. Ou estamos nela ou a agenciar diligentemente pretextos para nela retouçarmos ou mergulharmos a pique. Tarda, pois, em se reconhecer o óbvio: ele há povos intrinsecamente masoquistas. Ou então é o que nos resta das Descobertas: a volúpia excitante do naufrágio. Como já não temos mais nada para descobrir, resta-nos naufragar a torto e a direito. Por tudo e mais alguma coisa.
Quiçá, aquilo que aos outros abate, a nós alimenta-nos.
PS: Mesmo a nossa já famosa e lambuzadíssima democracia, não se distingue a avantaja ela sobre todas as outras nesse primado  eloquente de ter por universal não o sufrágio, mas o naufrágio?...»

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publicado às 21:43

Para que tenhas insónias

por Nuno Castelo-Branco, em 16.01.12

Atenção ao momento 1.10H, fala-se de Portugal e de uma certa África que bem conhecemos. Um filme de 1966 relatando aquilo que acontecia à época, sem sequer poderem os realizadores imaginar aqueles acontecimentos ainda mais esmagadores e sanguinolentos que no futuro ocorreriam na Etiópia, Somália, a escabrosa descolonização - e intermináveis guerras civis que se lhe seguiram - do antigo Ultramar português, o regime do sr. Mugabe, o calvário do Zaire-Congo, as matanças na antiga Costa da Guiné - Libéria, Costa do Marfim, Nigéria, os genocídios no Ruanda e no Sudão. Um sem fim de atrocidades bem caladas pela comunidade inetrnacional, presa na própria armadilha que há muito colocou no terreno. Este documentário é incómodo, quase indecente, apenas confirmando aquilo que todos sabemos: meio século de vergonha aceite como coisa natural.

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publicado às 18:00

Vamos a eleições

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 28.11.11

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publicado às 08:12

Uma volta pelo Congo

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 08.11.11

Em mês de eleições presidenciais na República Democrática do Congo, convido-os a uma pequena volta pelo país, olhando para algumas das notícias que marcaram a actualidade dos últimos dias. Uma síntese, tão ligeira quanto incompleta, que poderia retratar bem os últimos dias de qualquer dia, desde há incontáveis dias para este dia, de um país em guerra desde o princípio dos tempos, e que conta os seus mortos aos milhões.

 

FDLR – O grupo rebelde Hutu Ruandês FDLR (Forces Démocratiques pour la Libération du Rwanda) envolveu-se ontem em confrontos com as Forças Armadas Congolesas (FARDC), após um ataque dos primeiros a uma vila no Este do país. Destes confrontos, que duraram toda a noite de Sábado para Domingo, resultou a morte de pelo menos dois soldados Congoleses.

 

Promoções no Supremo – mais de 50 funcionários do Supremo Tribunal de Justiça receberam esta semana promoções de escalão para juízes, magistrados e conselheiros, respectivamente, por decrecto de Joseph Kabila, uma decisão que está a gerar alguma controvérsia dado o momento escolhido pelo Presidente, em plena campanha eleitoral.

 

RLTV – Depois de vários cortes pontuais nas últimas semanas, as transmissões da RLTV – estação de televisão ligada a um dos maiores partidos da opocição, o UDPS (Union pour la Démocratie et le Progrès Social) – foram novamente suspensas, após declarações do candidato às Presidenciais Etienne Tshisekedi.

 

Ruanda restitui 80T+ de minerais ao Congo – Mais de 80 toneladas de minerais preciosos foram esta semana devolvidos pelo Ruanda à RD Congo, tendo sido confiscados após terem atravessado a fronteira ilegalmente. Entre a mercadoria encontrava-se coltan, cassiterite e volframite, num valor de cerca de 10 milhões de dólares, numa estimativa minha. Agora ponha em perspectiva o facto de várias dezenas de camiões não atravessarem ilegalmente as fronteiras para o Ruanda e o Uganda todas as semanas carregados com minerais preciosos, e terá uma noção da importância que este tráfico que não existe assume no panorama político e bélico da região (e do mundo).

 

Cólera – Há vários meses que se instalou uma nova epidemia de cólera no país, sendo a região do Equador a zona mais preocupante, e onde, apenas nos últimos dias, se registaram mais 23 mortes devido a esta doença, propagada maioritariamente pela falta de higiéne e consumo de água contaminada.

 

Nyamuragira – Um dos vulcões mais activos do planeta, o Nyamuragira, perto de Goma – capital da província do Kivu Norte – entrou de novo em erupção no passado Domingo, estando o rio de lava a correr em direcção ao Parque Nacional de Virunga, um dos últimos santuários ainda existentes de gorilas ‘silverback’, e zona de vários conflictos tribais, nomeadamente envolvendo os refugiados hutus, cuja migração remonta ao período pós-guerra civil da vizinha Ruanda. As imagens do vulcão em erupção são impressionantes.

 

 

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publicado às 18:53

Sudão e a catástrofe humanitária dos 5M IDP*

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 09.09.11

O Sudão do Sul cumpre hoje dois meses de independência, meses estes que têm sido marcados por diversos confrontos (tanto armados como diplomáticos) num começo de vida que se pode definir como… pouco auspicioso.

 

Apesar de muitos dos focos de confronto que se têm verificado terem sido previamente anunciados como praticamente inevitáveis, outros há que surgem de todo inesperados, mesmo para aqueles que, vivendo há muito a situação in loco, têm ‘o faro’ mais apurado pela experiência. É disso exemplo  o crescendo da violência que eclodiu na cidade de ad-Damazin na Sexta-feira passada, e de onde se calcula terem fugido da região mais de 20,000 habitantes em apenas três dias, buscando refúgio na vizinha Etiópia. Esta situação, por ter tido lugar numa das zonas consideradas de menor risco, coloca bem em evidência a volatilidade da região.

 

 

(imagem daqui, onde podem encontrar mais detalhes sobre a desculpa explicação dos confrontos)

 

Mas existem outros acontecimentos que são, por seu turno, bem reveladores do ressentimento sentido pelo governo de Cartum face à secessão do Sudão do Sul, bem como da sua falta de disponibilidade para uma transição pacífica e para a cooperação internacional. Tal como haviamos previsto em Março, confirmou-se a decisão de encerrar a Missão da ONU no Sudão (UNMIS), tendo sido estabelecido o fim de Setembro como prazo de desmantelamento de toda a estrutura da Missão no território. Ora, uma das suas bases mais importantes estava localizada precisamente na cidade de ad-Damazin, cuja desmobilização estava, até esta semana, a avançar de forma regular, tendo em vista o cumprimento do prazo final de retirada completa. Este processo foi no entanto abruptamente interrompido pelo exército Sudanês, que de forma autoritária e coerciva, decidiu simplesmente tomar de assalto as instalações da ONU, ocupando-as a título definitivo. Esta decisão unilateral de quebrar os acordos pré-estabelecidos não obteve, no entanto, qualquer reacção por parte da ONU, que se limitou a evacuar o seu pessoal como pôde, deixando para trás um elevadíssimo valor em bens e equipamento, cuja pretensão de serem recuperados é nula.

 

Pondo de lado as perdas materiais, não posso deixar de salientar que a ‘forma possível’ de evacuação foi nada menos que uma viagem de cerca de 600km de ad-Damazin a Cartum… numa ‘fila indiana’ de autocarros envergonhados, cabisbaixos, que abandonavam desta forma a cidade que serviram durante mais de 6 anos.

 

*IDP - Internally Displaced People

 

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publicado às 18:07

Trágicas actualizações

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 08.07.11

Aparentemente pelas mesmas razões de há 3 meses, um avião da companhia Hewa Bora despenha-se na RD Congo. De acordo com a BBC, contam-se, até ao momento, pelo menos 40 vítimas mortais de um total de 112 tripulantes.

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publicado às 17:47

Amanhã é Dia de Independência

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 08.07.11

 

(Imagem daqui)

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publicado às 15:50

Escola Industrial Mouzinho de Albuquerque

por Nuno Castelo-Branco, em 21.06.11

Era um grande edifício, impecavelmente mantido pelo Estado. Após finalizar a Escola Secundária na General Machado, inscrevi-me na Escola Industrial. Ali funcionava uma espécie de mini-sucursal da António Arroio e matriculei-me em Artes Decorativas. 

 

Tinha sido o Palácio Maçónico, mas após a queda do regime de 1910-26, foi-lhe atribuída uma função incomparavelmente mais útil, tornando-se numa casa aberta e dedicada à formação técnica dos jovens. Um edifício pintado de creme, com amplas salas de aula e que ocasionalmente sofria alguns percalços devido às fortes chuvadas que fustigavam Lourenço Marques. Assisti a várias inundações, por sinal bem frescas em dias de calor sufocante. Uma das minhas professoras seria a futura deputada do CDS Maria Tábita Soares, enquanto outra, um bocadinho autoritária e com cíclicas pulsões discriminatórias, era irmã do conhecido senhor Otelo S. de Carvalho. Nos tempos em que não apenas herdávamos os livros de estudo, também tive como professora de inglês, aquela que também dera aulas ao meu pai na época em que fora aluno no Liceu Salazar. Chamava-se Infância Vilares e foi uma velha e bondosa senhora de um patriotismo extremo, bem nos moldes oitocentistas que para sempre se foram. Para sempre também se perderam as belas arrufadas que ao lanche comia no café que se situava mesmo em frente, O Cortiço, na Avenida 24 de Julho.

 

Esta foto chegou hoje ao meu e-mail, enviada por um amigo que lá está em passeio. Tenho a estranha sensação de um certo abandono e quase garanto que esta deslavada  fachada não é pintada desde que pela última vez subi aquelas escadas em Junho de 1974. Mais acima, o frontão denuncia o "gato escondido de rabo de fora". O escudo português já picado, ainda mostra a marca do antigo proprietário. Nem se preocuparam em disfarçar. Antes assim.

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publicado às 14:19

Casamento africano

por Nuno Castelo-Branco, em 16.05.11

Pedro Passos Coelho diz que se casou com África e que é o "mais africano de todos os candidatos". É claro que não é. Pois então, o que dizer de um que conheço demasiadamente bem e que não só nasceu em Moçambique, como também lá nasceram os pais - ambos -, a avó, a bisavó, todos os tios, tios-avós e primos?

 

Ainda há quem se recorde do Sr. Sá Carneiro dizer ao Comandante em Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique, ..."o senhor é o comandante de tropas de ocupação de um território estrangeiro". 

 

As eleições não podem servir para tudo.

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publicado às 00:19

Tãtã au Congo

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 18.04.11

Caro Nuno, já há uns anos que vão surgindo alguns patetas alegres, desconsolados, a exigir a censura desse livro. Puro entretenimento... não fosse o facto de outros patetas alegres lhes darem ouvidos! A propósito (ou não), lembrei-me de um post que escrevi em 2007:

 

Como já todos sabem, Joseph Kabila ganhou as eleições na República Democrática do Congo em fins de 2006. Dia 5 de Fevereiro o Presidente nomeou os 60 membros do Governo do Primeiro Ministro Antoine Gizenga (6 Ministros de Estado, 34 Ministros e 20 Vice-Ministros).

 

Kasongo Ilunga é nomeado Ministro do Comércio Externo, escolhido de uma lista apresentada pelo seu partido, o UNAFEC (União dos Nacionalistas Federalistas do Congo), liderado por Honorius Kisimba Ngoy.

 

Ora bem, a lista apresentada ao Primeiro Ministro pelo UNAFEC para potenciais Ministros do Comércio Externo era composta por dois ilustres nomes: Honorius Kisimba Ngoy, líder do partido, e Kasongo Ilunga. Como já havia referido, Antoine Gizenga escolheu Ilunga, em detrimento de Ngoy.

 

Dia 12 de Fevereiro, alegando razões pessoais, Kasongo Ilunga apresenta ao Governo a sua carta de demissão, o que honestamente me deixou algo perturbado, visto ele ter sido possivelmente o melhor ministro a ter passado alguma vez pelo Congo (e talvez mesmo por toda a África).

 

Pela sua personalidade carismática, pela sua postura firme e pelo facto de se apresentar como uma pessoa passivel de desempenhar um papel fulcral para tirar o Congo da grave crise em que se encontra mergulhado desde há várias décadas, a sua demisão veio decepcionar todo o país e levou mesmo o Primeiro Ministro a chamá-lo a prestar declarações, na tentativa de demovê-lo das suas intenções.

 

Long story short, rapidamente se veio a descobrir que o Excelentíssimo Senhor Ministro Kasongo Ilunga, pura e simplesmente, não existe.

 

O Ministro do Comércio Externo da RDC, em funções de 6 a 12 de Fevereiro de 2007... não existe.

 


O Presidente Kabila, coitado, ficou algo aborrecido. Aborrecida ficou também a população, que rapidamente agendou uma manifestação em Kinshasa de solidariedade para com Kasongo. E no meio disto tudo, quem ficou verdadeiramente inconsolável foi o próprio Kasongo Ilunga, o único que não teve culpa nenhuma e que viu o seu nome ficar eternamente associado a este caricato episódio político.

 

Em declarações exclusivas ao africancompunction, Ilunga afirma que “apesar da tristeza de ter que ter desaparecido assim de repente e das comichões com que fiquei depois da combustão instantânea, resta-me o consolo de ter ficado com o nome registado nas páginas doiradas da Wikipedia”.

 

Depois não me digam que não sao todos um bocadinho:

 

 

Kasongo Ilunga... Até sempre!

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publicado às 14:30

Vou já reler o Tintim no Congo!

por Nuno Castelo-Branco, em 18.04.11

Atraso mental, estupidez, arrogância e provocação, é a reacção imediata que qualquer pessoa normal poderá ter perante este ridículo processo instaurado num Tribunal de Bruxelas. Na pretensa "capital da Europa", apela-se, ou melhor, exige-se a censura ou o proibir da exibição de Tintim no Congo nas prateleiras das livrarias. Nos anos 30, Hergé desenhou e escreveu a aventura africana  e noutros episódios - em Tintim na América, por exemplo, pululam gangsters e agiotas - gozou com aspectos que o europeu comum considerava então como caricatos.  Quem tenha lido todas as aventuras de Tintim, facilmente se aperceberá do apontar de todas as misérias humanas onde quer que elas se encontrem: o banqueiro pouco escrupuloso, o ditador patusco, o ladrãozinho de bairro, o burguês arrogante e preconceituoso, o doutor cheio de empáfia, o cavalheiro distinto, a cantora lírica e sumamente chata, o camponês explorado,o cigano marginalizado, o livre arbítrio colonial na Índia, o chinês condenado ao massacre e tantas, tantas outras personagens que faziam o mundo daquele tempo. Algumas delas ainda existem, estão entre nós e medram como nunca. O Sr. Mbutu acaba de se juntar ao rol.

 

As Aventuras de Tintim fizeram - e ainda fazem - a felicidade de milhões de crianças, hoje bem atentas a alguns aspectos desfazados da nossa época e tão perceptíveis, que uma simples chamada de atenção é suficiente. Foi precisamente o que os meus pais fizeram, quando aos seis anos aprendi a ler. Por sinal, o primeiro livro foi uma Aventura de Tintim, "O Segredo do Licorne".

 

O senhor Bienvenu Mbutu, um congolês residente na tolerante Bélgica, devia pensar duas ou três vezes antes de se decidir pelo dislate. Se seguíssemos as pulsões do queixoso, ergueríamos fogueiras até aos céus, onde não escapariam Bíblias, Corões, as Crónicas de Fernão Lopes, Os Lusíadas, a Peregrinação, o "Panorama de Lisboa no ano de 1796"de j.B.F. Carrère e todos os outros livros de viagens de estrangeiros a Portugal - William Beckford, por exemplo -, muitas obras de Camilo ou Eça, nem sequer escapando páginas e páginas de textos de Marx eivados do mais puro preconceito em relação a "populações inferiores" e destinadas à aniquilação. As livrarias e bibliotecas,  abarrotam de "obras preconceituosas" e capazes de nos esclarecerem, página por página, a história da evolução das mentalidades e o erguer  ou desabar de civilizações. 

 

O Sr. Mbutu podia estar mais preocupado com a deplorável imagem que a África independente apresenta. No seu país, teve um quase homónimo Mobutu como dono absolutíssimo, incomparavelmente mais poderoso e impiedoso gatuno, que todos os colonialistas flamengos somados. Por lá vinga a lei tribal, a morte anunciada do vizinho, a extorsão pura e simples.

 

Na Europa de hoje em dia, há quem queira proibir o toque de sinos, a difusão pública de música sacra e as procissões. Por "ofensa" à sua forma de ver o mundo, esta nossa parte do mundo, há que afirmá-lo.

 

É por isso que o Sr. Mbutu ousa. Está na horrenda Europa, claro. 

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publicado às 13:10

Estão a ver esta rua, esta árvore, esta casa?

por Nuno Castelo-Branco, em 13.04.11

Era o 1208 da rua princesa Patrícia, hoje Salvador Allende. Em Lourenço Marques, hoje Maputo. Esta foto foi enviada por um amigo que por lá recentemente passou e não pude deixar de verificar a enorme diferença na fachada da modesta casa de uma família de "milionários colonial-fascistas"e principalmente, no inacreditável desleixo que a Câmara Municipal vota aos passeios e higiene urbana. A "minha árvore" está quase desenraizada, parecendo também querer fugir de uma terra que já nem parece ser a sua. Compreendo-a muito bem. Pelas fotos que aqui poderão ver, o sítio é o mesmo, mas o tempo, esse tempo que parece tão longínquo, remete-nos para uma outra dimensão. 

Uma Rua Princesa Patrícia limpa, de passeios iimpecáveis. A "minha árvore", bem fixa e hirta no seu canteiro. Eu, montado na bicicleta do Luís Marques Pinto (1º miúdo, à esquerda).

A casa, toda engradada, como agora convém

 

 

 

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publicado às 22:00

Referendo no Sudão

por Felipe de Araujo Ribeiro, em 14.01.11

Tendo vindo a seguir com muito interesse o referendo que tem decorrido desde Domingo no Sudão, onde se decide a possível secessão do Sudão do Sul, parece-me importante analisar paralelamente as várias implicações que este terá no contexto regional e mesmo global.

 

Para começar, a fortíssima ligação entre o Sudão do Sul e o Uganda não é mera coincidência. Para além das evidentes afinidades culturais, religiosas e étnicas entre os dois povos, também as relações comerciais entre as duas partes têm crescido exponencialmente com o desenvolvimento das estradas entre os dois países, ligando Juba (capital do provável novo estado) com o resto do mundo. É importante referir que isto só se tornou possível a partir da gradual pacificação do território, muito graças aos esforços conjuntos de combate ao insano movimento rebelde LRA (Lord’s Resistance Army), desenvolvidos de forma inédita entre o Sudão, o Uganda e a RD Congo, com o apoio da ONU.

 

Não é esta, no entanto, a questão que a muitos interessa discutir. Um segredo bem guardado durante vários anos tornou-se agora por demais evidente: as reservas de petróleo por explorar entre o Uganda e o Sudão são imensas. Só em termos comparativos, estima-se que o Uganda possa tornar-se brevemente o quinto maior produtor de petróleo de África, isto quando ainda sobra uma área geográfica significativa a ser explorada.

 

A entrada em cena de investidores Britânicos e Irlandeses em nada agradou a Khartoum que, de resto, já amávelmente havia colocado os seus serviços de expertise ao dispôr do seu vizinho, mas um Sudão do Sul independente acabará por bloquear totalmente o acesso de Khartoum a qualquer fatia do bolo. Assim sendo, o óleoduto a ser construido desde o Uganda a Mombassa serve potencialmente como futura alternativa para a saída do petróleo Sudanês, e será para Juba, nas negociações com Khartoum pela disputa de direitos sobre o petróleo, uma moeda muito forte.

 

Arrisca-se, portanto, o Sudão a ver a sua posição enfraquecida ao perder importantes fontes de receita, mantendo no entanto o total da sua dívida externa. Sendo que o Presidente al-Bashir já declarou que pretende avançar com a alteração da Constituição visando a adopção em pleno da lei Sharia, fazem-se já ouvir os receios de um aumento do extremismo Islâmico, e a potencial exploração para fins perversos do descontentamento da população, um pouco à semelhança do que acontece na Somália.

 

Torna-se assim imperativo que subsista o bom senso nos eventuais acordos de separação, processo para o qual é fundamental haver uma inteligente mediação da comunidade internacional. Um acordo justo implica não só a não condenação, a priori, do novo estado à falência, mas ao mesmo tempo evitar rebaixar o Sudão a actor secundário deste processo. Finalmente, é necessário que todos compreendam que o futuro não se fará sem concessões, e aqui falo essencialmente do incontornável perdão de alguma da dívida externa do país.

 

Para os interessados, outras considerações aqui e aqui.

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publicado às 14:54






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