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É para ontem - António Costa

por John Wolf, em 07.11.15

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É para ontem. Depois logo se vê. Já está. Falta pouco. Estamos lá. Temos entendimento. Está feito. Falta o acordo político - têm sido as frases políticas de António Costa que ficarão para a história de Portugal. A romântica Fernanda Câncio tem outra visão: o que se está a passar é apenas o desfecho do filme iniciado com o 25 de Abril - finalmente Portugal terá um regime de Esquerda. Não sei se a consorte de Sócrates pode casar o seu misticismo com o oportunismo de António Costa, mas a ironia do destino é haver uma certa coincidência entre as promessas de um governo socialista e aquilo que Mario Draghi tem feito nos últimos tempos no Banco Central Europeu. Ambos acreditam no poder discricionário da liquidez, na ficção monetária e que a política económica pode ser substituída pela injecção de dinheiro em Estados para omitir as suas falências. No entanto, um certo grau de paradoxo reside no seguinte; para financiar medidas populistas, os governos de Esquerda fazem uso de instrumentos financeiros complexos que foram inventados pelos neo-liberais mais ferrenhos do mercado. António Costa tem mesmo sede de poder para além do Largo do Rato, onde tenta tornar um partido de alegada diversidade num aparelho monolítico, dependente da sua persona. Mas faz mal. A soma de acordos com o Bloco de Esquerda (BE), o Partido Comunista Português (PCP) e os Verdes não perfaz um mandato de estabilidade. Consubstancia porém uma das artes portuguesas: o desenrascanço. E já sabemos que essa falsa estratégia nunca funciona. António Costa vai tapando buracos, mas outros nascerão à medida que outros temas de governação forem lançados. Não entendo, para além de todos estes arranjinhos feitos às escondidas dos portugueses (como se fossem obrigados a segredo de justiça), que um governo de iniciativa do Partido Socialista não ofereça poleiro aos partidos da mais recente cooperativa política. Se é a democracia representativa que deve ser defendida, então alguns ministérios devem ser distribuídos ao BE e ao PCP. A Catarina Martins seria uma excelente Ministra da Administração Interna - teria mão nas polícias. E Jerónimo de Sousa seria um excelente Ministro da Defesa - corria logo com esses bandidos da NATO. Agora o que não podemos admitir é que Mário Soares puxe uns cordelinhos para arranjar emprego para o incompetente do seu filho. Portugal não merece tanto - lá fora já chamam a este país de comunista. A factura chegará mais tarde.

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publicado às 07:54

Buffet político de António Costa

por John Wolf, em 04.11.15

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A partir de hoje, quando fizerem menção ao "acordo", queiram especificar a qual deles se referem. Teremos vários, pelos vistos. António Costa inaugura uma nova modalidade de buffet político - pica aqui, come acolá, mas é incapaz de apresentar o menu completo. Mais valia ficarem quietos. A grande conquista de Catarina Martins: aumento de pensões na ordem dos 0,3%! Vou repetir: z-e-r-o-vírgula-t-r-ê-s-porcento! Tanta prosápia para parir uma vantagem desta dimensão. Está mais que visto que não teremos um documento único de entendimento político - quase que se poderia prever. Foi só espectáculo para distrair. Raramente chefes de pequenos quintais conseguem partilhar o mesmo grelhador. As sebes tapam a vista. Ninguém quer abdicar dos seus valores sagrados, do seu património ideológico - muito melhor do que os restantes. Acho muito bem que o governo de coligação não entregue a casa a estes desavindos. Que venha de lá um governo de gestão, a prazo, até as próximas eleições. Depois veremos como elas são. Se o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e a Coligação Democrática Unitária formam um PàE -  um Portugal à Esquerda para ir a votos. Veremos o que sai dessa Bimbi. Uma matéria consistente para ser apreciada pelos epicuristas políticos, pelos ferrenhos agarrados ao favor partidário lá na autarquia, pelos directores que colocaram os seus filhos nos quadros de cor favorável. Vamos ter uma palette muito interessante. Bloquistas quase socialistas, mas nem por isso. Socialistas confundidos com comunistas e cunhalistas que mais parecem capitalistas. Portugal está cada vez mais interessante - a cada novo acordo.

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publicado às 09:02






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