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O esquema vigente

por Nuno Castelo-Branco, em 30.06.17

bunker1.jpg

 

Em 1975 o país fervilhava de paixões e sedição descarada. Subitamente desapareceu então uma boa quantidade de equipamento de campanha, neste caso as G-3 que tinham prestado os seus bons ofícios em todas as frentes no Ultramar. Logo houve quem pronunciasse a copcónica tolice de estarem as armas em boas mãos. Sabia-se de imediato ao que se referia, pois dado o contexto, tudo era de prever, como aquele assassinato à porta do RAL 1 foi um marco de tudo aquilo que mais tarde se passou.

Agora desapareceu nada misteriosamente uma quantidade muito mais importante de armas de guerra, entre elas os pouco ou nada temíveis lança-granadas que aqui e ali vamos vendo em filmes de acção, seja ela fictícia à Rambo 21 com sequelas previstas, ou bem real nos telejornais que nos contam muito ao de leve e com apertada censura, do que tem ocorrido em todo o Próximo Oriente. Felizmente podemos ficar todos bastante tranquilizados, pois não desapareceram facas de degola, mas à falta delas, umas tantas inofensivas granadas ofensivas e milhares de munições de praticamente inócuo calibre 9mm, incapazes de perfurar um tanque Leopard II A6, valha-nos Nosso Senhor. Do mal o menos e tal como malissimamente parece estar a ser sugerido, encolhamos então os ombros e sigamos em frente, até porque factos semelhantes têm ocorrido noutros conhecidos países da NATO.

Provavelmente a poderosa cerca de arame farpado foi estoicamente trabalhada de modo a abrir uma brecha tão grande como a frente do Mosela e o talhe de foice das Ardenas em 1940. Provavelmente o detector de presença - existia? -, foi sabiamente avariado há uns anos sem que disso alguém tivesse dado conta. Provavelmente a vídeo vigilância estava desactivada devido a uma falta de cassetes vhs. Provavelmente eram conhecidas as rotinas das patrulhas e como estas eram feitas. Tudo provável e alegadamente, tal como o esquema vigente há muito nos habituou para o que quer que seja e as Forças Armadas com os seus mais altos representantes, poderem uma vez mais fazerem a carantonha moita-carrasco.

É praticamente certo de que jamais teremos novidades acerca deste negligenciável assunto de início de verão, a tal silly season.

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publicado às 18:10

Meia dúzia de Nobel

por Nuno Castelo-Branco, em 20.09.13

 

Satisfazendo todas as vontades de Washington e procurando evitar um Caso Gleiwitz, os sírios iniciaram a entrega de listas contabilizando o seu arsenal de armas químicas. Seria uma excelente ideia se outros países - EUA, Rússia, Paquistão, Irão, China, Israel, Coreia do Norte e Índia - decidissem tomar a mesma iniciativa, aproveitando a oportunidade para uma maciça destruição deste tipo de armas. Contabilizar-se-iam uns seis ou sete valiosos e credíveis Nobel da Paz, já de antemão  garantidos. 

 

Agora, aguarda-se por algo que a Administração inventará para descredibilizar esta listagem feita a bom ritmo. 

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publicado às 17:57

Senhor Obama...

por Nuno Castelo-Branco, em 31.08.13

 

Alguns alvos colaterais do Agent Orange (Vietname)

 

...sendo o dirigente do país que ainda há menos de duas gerações utilizou o Agente Laranja no conflito do sudeste asiático, não lhe parece descabido o apressado zelo no inculpar de outrem pelo criminoso bombardeamento com armas quimicas? O Agente Laranja pode ser considerado como uma arma química, disso já não restam dúvidas.

 

Quanto à questão nuclear - dela estamos à espera a qualquer momento -, essa é uma outra história cujos efeitos por decisão do utilizador ainda há poucos dias foram comemorados. Telefone para Tóquio e Hanói, decerto encontrará quem se disponibilize a elucidar Vossa Excelência.

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publicado às 22:35

Armas químicas

por Nuno Castelo-Branco, em 26.04.13

Seguindo de perto o secretário de Estado norte-americano, agora é Cameron que nos vem contar estórias sobre armas químicas. Deve estar a recordar-se de Blair.

 

Também tenho armas químicas em casa: os sonasóis, lixívias e o cif que uso na limpeza da cozinha. O harpic com que limpo a sanita e o "polibã". O dum-dum com que afugento as moscas. O fertilizante que dou às plantas. O caixote da minha gata Luna.

 

Imaginem o arsenal de armas químicas que é Portugal inteiro: com tanta gente a comer ovos cozidos, feijoadas e grãozadas, somos um enorme perigo para o planeta Terra.

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publicado às 11:48

Efeitos secundários

por John Wolf, em 11.01.13

 

Estamos sob a égide de algo ruim. Um cocktail de conseqências nefastas, de efeitos secundários que destroem a alma, uma overdose de disparates sem antídotos. Uma sopa de dislates que intoxica, que gera náuseas. A voz concedida à farsa que nunca foi falsa - uma mala de verniz e um cão de uma fila defendido pela cólera, a coleira que nos esgana. Serão estes os efeitos secundários da sombra? A futilidade levada ao extremo de um desejo suicidário canino? O dente plantado debaixo da almofada que embala os pesadelos? Uma pobre coitada equivocada pela marca global e que deseja sorte, imensa sorte. A refutação in loco da própria demência? A defesa do último bastião da inocência? Chegamos em cima da hora, montados num burro, perto do fim que anda às voltas da nora sem acalentar esperança. Os sintomas já ocuparam as cadeiras de um auditório repleto de assentos e prejuízos. São notas avulso com escritos e números, para que alguém telefone para a emergência, para  nos levarem daqui para fora. Para nos levarem estendidos pela catadupa de mocadas. Uma benção lixada que nos engasga. E a imunidade levou para longe a madrinha, a fada do lar que vasculhou anos a fio no lixo. Ruminamos, mas já não sabemos vomitar.

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publicado às 12:12

O desastre do Mal calvinista

por João Pinto Bastos, em 17.12.12

Num país fortemente cunhado por uma cultura de raiz protestante, como é manifestamente o caso dos EUA, o crime recentemente ocorrido não surpreende de todo. A noção do Mal, deficientemente arrimada num conceito visível e palpável de comunidade, leva, com alguma facilidade, a extremos criminais deste género. Todas as pessoas são más, logo, todos nós, com maior ou menor razoabilidade, podemos portar uma arma, não importando as consequências que esse suposto direito de defesa pessoal possam carrear para o todo constituído pela colectividade. A liberdade nos EUA convive facilmente com a restrição e, mais cedo ou mais tarde, este direito, elevado ao altar da intocabilidade por alguns tolos, será naturalmente restringido. Seria bom que, neste aspecto, não emulássemos o pior da tradição liberal-saxónica. Há coisas que não se copiam nem se imitam, simplesmente criticam-se.

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publicado às 16:39

Mais armas "em boas mãos"

por Nuno Castelo-Branco, em 06.01.11

A nossa "imprensa de referência", continua a primar pela originalidade e sageza. Uma pequena e quase despercebida notícia, diz que mais de 300 comandos se encontram sob cerrado interrogatório, devido ao furto de cerca de uma dezena de armas de guerra. O DN afirma existir o receio destas poderem ir parar aos grupos que se dedicam ao crime violento. Não é segredo algum, o facto de se encontrarem para venda em qualquer feira de subúrbio, centenas de milhar de armas clandestinas e que a par da distribuição de droga, o comércio de armamento floresce. O surgimento de metralhadoras tornou-se expectável e tal como se passa noutros países, não tardarão a surgir artefactos mais sofisticados, como lança-granadas anti-carro, etc. O que se torna estranho, é ninguém querer perceber a real gravidade desta situação. Estes militares recrutados, estão longe de corresponderem aos antigos efectivos do contingente geral que enchiam os quartéis do serviço militar obrigatório. Esta gente é mais preparada, voluntária, bem paga e treinada. Podemos até deixar a questão de se saber se as Forças Armadas não estarão a ser infiltradas por gangues organizados, tal como normalmente acontece na marinha dos Estados Unidos, por exemplo.

 

Com a situação a resvalar para a bem conhecida "incógnita" que todos pressentimos, imaginemos o que estas armas em "boas mãos" poderão fazer, até porque tivemos uma experiência idêntica há cem anos. Os resultados estão à vista.

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publicado às 10:11

Às armas!

por Nuno Castelo-Branco, em 26.12.10

Gente despejada das suas casas. Gente a ter de devolver as suas viaturas por falta de meios para pagamento. Gente a devolver os cartões de crédito. Gente a ter de distribuir os filhos pelos parentes, por não ter com que os sustentar. Gente a ser despedida de empregos que julgavam seguros.

 

O regime preocupa-se e esforça-se para encontrar soluções airosas. Em conformidade com a situação tranquilizadora que Portugal vive, a República decide-se por uma facilitação do acesso às armas. Medida inteligente, a acrescentar-se a tantas outras do mesmo calibre. Apenas estão á espera de um Dente d'Ouro.

 

Entretanto e precavendo-se do futuro próximo, "unta-se" o bolso de uma instituição que há 90 anos era a guarda pretoriana do regime.

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publicado às 16:48

Armas em boas mãos (2)

por Samuel de Paiva Pires, em 24.08.08

Nuno, permite-me discordar de ti, algum dia tinha que ser ehehe :p)

 

No seguimento das afirmações infelizes do Director Nacional Adjunto da Polícia  Judiciária, Pedro do Carmo, e passo a citar, O sentimento de insegurança dos cidadãos é algo que é recorrente. Não está ao alcance das autoridades policiais eliminar completamente esse sentimento de insegurança. Todos nós temos que aprender a viver com um sentimento relativo de insegurança. Tal como temos medo de ter doenças, tal como temos medo que algo nos aconteça, naturalmente, a perspectiva de se ser vítima de um crime não pode ser desvalorizada, parece-me que breves considerações devem ser tecidas.

 

Cai muito mal proferir publicamente que temos que aprender a viver com um sentimento relativo de insegurança, não porque não seja verdade, até porque o simples facto de vivermos pressupõe pelo menos um risco ao qual estamos sujeitos permanentemente, o da morte, mas porque incita precisamente os cidadãos a protegerem-se com mais afinco perante um panorama de escalada de violência traduzida em numerosos e cada vez mais violentos assaltos e homicídios.E por mais afinco entenda-se precisamente o recurso a armas, instrumento que abunda em Portugal.

 

Das lições de Ciência Política, que não foram assim há tanto tempo quanto isso, recordo-me que umas das funções do Estado, dependendo dos autores e pontos de vista, como em tudo em ciências sociais, é precisamente providenciar aos cidadãos uma efectiva garantia de segurança e acrescento ainda o sentimento  naturalmente decorrente dessa. Caso contrário,numa situação extrema corre o risco de se tornar um estado falhado (Somália, Iraque, Afeganistão - mesmo que alguns não o sejam de acordo com a literatura e critérios ortodoxos, quanto ao critério acima referido vamos aqui tomá-los como tal), ou então pelo menos torna-se um país extremamente violento (Brasil por exemplo).

 

Quanto ao nosso país, o tal dos tantas vezes evocados e outras tantas ou mais não praticados "brandos costumes", obtém nos rankings internacionais sempre grande destaque como um dos países mais pacíficos e seguros do mundo. É algo efectivamente traduzido na realidade quotidiana do nosso país e a que a maioria dos portugueses já está habituada, independentemente do sempre evidente risco decorrente apenas da nossa mera frágil existência.

 

Ora se as autoridades competentes mal conseguem lidar com o panorama a que temos vindo a assistir, até porque muitas vezes são extremamente criticados,  (veja-se o caso dos reféns no BES que terminou com a morte de um dos assaltantes, acção policial muito criticada, inclusive pela irmã do indivíduo em causa que ainda teve o desplante de ao telefone do Brasil dizer que não consegue entender a acção da polícia, quando no Brasil a polícia se pauta precisamente pelo velho ditado de "disparar primeiro e perguntar depois" e é aquilo que todos sabemos, como se pode aferir por exemplo através do tão balado filme "Tropa de Elite"), e perante as afirmações acima referidas, é apenas natural que cada cidadão tome medidas para providenciar a sua própria segurança, nomeadamente através do recurso a armas.

 

Quanto ao desarmamento da população parece-me que tal acabaria provavelmente por ter um efeito contraproducente, incitando ainda mais a criminalidade, pois tráfico de armas haverá sempre, os criminosos terão sempre maneiras de as conseguir para com essas atentar contra a segurança do cidadão comum. Claro que eu gostaria muito, como me parece que todos gostariam, que tal fosse possível, mas não sendo, temos que lidar com estes fenómenos da melhor maneira possível, independentemente dos danos colaterais daí provenientes como as rixas entre familiares ou vizinhos que por vezes terminam em tragédia. E claro que também haverá sempre a possibilidade de desacatos de tal ordem que levariam a conflitos armados, num extremo a um levantamento ou guerra civil. Mas é precisamente às forças de segurança que compete evitar e/ou minorar tais eventuais ocorrências.

 

E como tal será apenas normal que se comece a assistir a represálias contra os criminosos que se aventurem por propriedade alheia, o que acabará por incutir algum receio nos eventuais perpretadores de actos violentos, levando naturalmente à diminuição da criminalidade. Lembro-me por exemplo da violência contra os taxistas que aqui há uns anos foi muito noticiada. Alguém se recorda de alguma medida tomada por vários taxistas para evitar/minorar eventuais assaltos ou actos violentos contra a sua pessoa? Pois, isso mesmo, muitos arranjaram armas.

 

post scriptum - Escrevo isto depois de ter passado a noite a escassos 2 km do local onde ontem assaltaram um casal de idosos no concelho de Ferreira do Zêzere, pondo ainda fim à vida da senhora. Devo dizer que me sentiria muito mais seguro com uma caçadeira ou um revólver ao lado da cama se morasse habitualmente num local isolado.

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publicado às 01:59

Armas em boas mãos

por Nuno Castelo-Branco, em 23.08.08

 Com um trejeito bocal entre o crispado e o meio sorriso besta, uma locutora do telejornal informou-nos acerca da existência de 1.500.000 armas legais, na posse de populares! E pensar que me parecia colossal a quantia de 400.000   que constavam andar "por aí"... 

 Desconfiado, até me parece que existe agora mais um lobby, o dos armeiros que querem transformar Portugal numa espécie de pocilga armada até aos dentes. Ao lado dos cimentos e das gasolinas, aí vem a turma da pólvora. Que idiotia.*

 

* Desarmem quem não pertença a forças de segurança ou às forças armadas.

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publicado às 23:52






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