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Síndrome de Padeiro

por John Wolf, em 28.01.17

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Antes que me acusem de sofrer da síndrome de padeiro, fica o aviso. Sou um sociólogo empírico, artesanal. Faço colagens, mas delicio-me com o corte e a costura. Adoro bricolage e fascina-me o betão. Cá vai. O ovo ou a galinha? Qual deles? Vem isto a propósito do efeito de contágio (ou não) das obras de Medina na cabeça dos cidadãos da capital europeia das autárquicas. O enunciado é relativamente simples: será que a malha civilizadora do passeio largo, da via minguada e das ciclo-rotas irá alterar o quadro comportamental do utente? Prevejo, e já assisti a muita inauguração construtora em Portugal, que teremos a insistência crónica do estacionamento sobre a calçada farta ou a ciclovia, a extensão da prática de arremesso de dejecto canino e o graffitar de assinaturas de artista delinquente sobre a pedra que tanto bate que até se apura. E há mais. A obrite aguda, embora vá embelezar a urbe alfacinha, representa, no seu âmago, uma patologia política de difícil cura. A obsessão pelo hardware. Quanto ao software do formato mental dos urbano-residentes a história será outra. A alteração da mentalidade que conduz à estima cívica e ao sentido colectivo parece ficar para depois do aumento do PMN - o passeio mínimo nacional. O problema é que a correlação entre a obra e o comportamento cívico não foi pensada em sede alguma. O que domina e extravasa é outro vector. A alma-matéria parece ser o modo de pagar promessas e comprar eleitores. Em plena época de dúvidas existenciais e rumores de populismo, convém acalmar os ânimos daqueles que usam as ferramentas mais básicas. O apelo da intelectualidade primária, ou da filosofia de lancil, parece ser a nota dominante. Quero ver quem tira o peão do caminho do triciclo, ou enxota a marca global que irá decorar aquela praça neo-típica. Quem levantará os autos? Não há dúvida que fica tudo mais bonito e que valeu a pena o pó e o trânsito, mas o resto será mais do mesmo. Quero ver quem entrega o pão como deve ser.

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publicado às 12:00

O cavalo dado do IMI

por John Wolf, em 12.12.16

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Esta notícia seria perfeita, um conto de fadas, se não existisse um universo de taxas e impostos para compensar esta generosidade - a cavalo dado não se olha o dente? Já agora, uma vez que lidamos com dentição e mordeduras, sabem quantos dentes tem um equino macho? Isso mesmo. São 40 dentes. E uma égua? Esta vai surpreender a malta - pois, são 36 dentes. O governo de geringonça pensa que coloca a albarda em cima dos contribuintes como se estes fossem burros, mas não são. Em economia, e por arrasto finanças, convém comparar laranjas com laranjas. Até aqui tudo bem. O IMI baixa de um modo genérico, mas como fica o nível de rendimentos dos portugueses tendo em conta as invenções tributárias (os outros impostos e taxas) que por aí grassam? São contas de bolo fatiado que convém analisar, ou seja, todas as nuances. Isto de dizer uma coisa fora de contexto dá azo a suspeições. Como vai o sector imobiliário? Será que está a fraquejar? Será que os franceses já fizeram as compras que tinham a fazer no Chiado e acabou? Quando atiram estas migalhas ao ar, assim sem mais nem menos, gosto de saber da rala toda. Não me agrada uma meia-tese ou um quarto de análise. As matérias devem ser apresentadas na íntegra e colocadas sobre matrizes de conjuntura. Por exemplo, e como quem não quer a coisa, Portugal poderá vir a estar em apuros com as "novas " medidas de Draghi respeitantes ao estímulo das economias falhas da Zona Euro. As taxas de juro dos títulos de dívida estão nos niveis que se sabem, portanto não me venham com esta história de que os encargos com o IMI baixaram. Que se lixe o IMI se os outros impostos que não são nada ami. O que interessa são as autárquicas.

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publicado às 12:45

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Quando a falência ética é total, devemos esperar tudo e mais alguma coisa. O Isaltino Morais sente uma pressão enorme da sua igreja de seguidores - aqueles que acreditam na máxima "roubou, mas deixou obra". É essa mesma inspiração que sustenta o outro que é Major e o outro que é Miranda. Sentem a ternura do povo, o apelo da missão a cumprir, mas sobretudo a grande injustiça de que foram alvos. Querem provar que estão vivos e são recomendáveis. Esta linha de reflexão filosófica ainda há-de ser aproveitada pelo guru maior. Daqui a nada, Sócrates que tem sido tão maltratado por Costa, anunciará uma candidatura num daqueles épicos almoços com direito a livro inventado na calha de uma choldra. Ora pensem lá comigo. Se fossem Sócrates começavam em que local? Isso mesmo. Lá para os lados da Covilhã onde andou a esquissar armazéns e garagens em estiradores de betão. O 44 têm andado nos treinos, mas não julguem que é para aquecer apenas. Vai sair qualquer coisa de calibre notável - umas autárquicas devem ter a medida certa para as suas primeiras ambições. E não será pela porta do Rato. O Soares andou a apaparicar o menino, mas no crepúsculo da sua vida ainda há-de ver Sócrates tornar-se inimigo visceral dos socialistas da moda. Valentim, Morais e Miranda são os magos. E Sócrates é o menino que está para renascer.

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publicado às 08:48

Medina Led

por John Wolf, em 18.11.16

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Fernando Medina vai duplicar o orçamento da iluminação de Natal da Câmara Municipal de Lisboa. Afinal estamos quase a ir a eleições. E a crise acabou. Os Led são uma espécie de Web Summit das velas. Acendem-se e depois apagam-se, mas não deixam rasto que se veja. Dizem os electricistas que a luz ficará em níveis pré-crise, ou seja, depois virá um clarão. Apagão.

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publicado às 10:24

A secretária de Passos Coelho

por John Wolf, em 11.09.16

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Ana Catarina Pedroso não consegue tirar o governo anterior da cabeça. A secretária-geral-adjunta do Partido Socialista (PS) parece uma contabilista do passado. Mas em vez de apresentar o balancete directamente ao ministro alemão das Finanças Wolfgang Schäuble, julga que Passos Coelho ainda exerce um cargo de governação - que pode dar ou receber recados. E não é o papel da oposição oferecer as soluções a quem manda. Não senhor. Pensava que havia poder de fogo intelectual suficiente no cabaz agregador do PS, Bloco de Esquerda e Partido Comunista Português para encontrar as soluções económicas e sociais do país. Sentimos no ar um nervoso em crescendo em relação às autárquicas. As câmaras e juntinhas são um bicho que desequilibra os planos à malta. Não é a Maria Luís Albuquerque que é candidata à Câmara Municipal de Almada ou Lisboa. Por isso, o PS deve dirigir os seus agravos a quem realmente tem responsabilidades políticas. A liga dos oprimidos do sul (Grécia, Portugal, Espanha...) deveria reunir e pensar uma "geringonça de periferia" se não se sente confortável com as ajudas da União Europeia e as intervenções do Banco Central Europeu. Sabemos muito bem que é ao nível autárquico que a porca torce o rabo. É nos conselhos do concelho que os favores se ganham e perdem, que as empresas municipais distribuem benesses pelos amigos. Essencialmente é isso que está em causa nesta tirada do "penosamente destrutivo".

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publicado às 13:14

Se é para fazer leituras nacionais

por Samuel de Paiva Pires, em 30.09.13

Convinha ler este post do Carlos Guimarães Pinto. Gostava tanto que tivéssemos eleições legislativas já hoje. Seguro perdia logo as manias todas.

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publicado às 11:15

E a CNE que não nos multa

por Samuel de Paiva Pires, em 28.09.13

O MRPP quer "Resgatar uma capital sequestrada" e o Partido dos Animais quer "Libertar Lisboa". Será que voltámos a ser invadidos por Napoleão e não demos por isso?

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publicado às 14:52

Eu também vou votar, Nuno

por Samuel de Paiva Pires, em 28.09.13

Mas não deixo de, tal como o Miguel, constatar as falhas gravíssimas de um tão mitificado poder local, ainda que discorde da solução proposta pelo Miguel para uma situação que, na realidade, mostra em toda a linha uma enorme falha da sociedade portuguesa em formar e preparar elites para a gestão da coisa pública. No fundo, o que quero dizer é que não é por sermos democratas e exercermos o nosso direito de voto que temos de deixar de reconhecer e criticar as falhas do regime democrático. 

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publicado às 14:46

Autárquicas

por Samuel de Paiva Pires, em 27.09.13

Miguel Castelo-Branco, Certamente que não voto para as autárquicas

 

«Que me lembre, já não voto para as legislativas desde 2005 e para as chamadas autárquicas desde 1997. Para as presidenciais - por as considerar feridas de nulidade por usurpação - nunca votei. Durante muito tempo, pela minha formação, considerei as eleições autárquicas as mais relevantes e verdadeiras, posto serem emanação das realidades locais e darem voz a essa entidade mítica que dá pelo nome de povo. Contudo, foi corrigindo a minha teimosa ingenuidade a respeito desses micro-estados que dão voz, presença, micro-poder e dinheiros a uma constelação de pequenos interesses, pequenas ambições, pequenas habilidades e enorme impreparação. Hoje, tendo presente o triste historial desse "poder local", miniatura do regime dos partidos, das comanditas e redes clientelares que chega a superar em perversidade a matriz inspiradora, julgo que a administração local é assunto demasiado sério para repousar em mãos amadoras. A gestão dos assuntos locais devia - não temo a provocação - estar integrada na administração pública preparada, isto é, profissionalizada, trabalhando por objectivos, avaliada, fiscalizada; ou seja, devia ser uma carreira confiada a quadros superiores do Estado. O poder local centuriou e feudalizou a geografia portuguesa, não exprime qualquer realidade social, não promove nem forma uma elite local, não é racional nem eficaz. É, tão só, um agente empregador de base destinado a alimentar milhares de amigos, familiares, protegidos, satisfazendo o estrato mais baixo das lideranças partidistas.»

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publicado às 17:01

Portugal de quarentena

por John Wolf, em 23.09.13

Se fosse obrigado a retratar Portugal neste momento da sua história, diria que "não está com muito boa cara". Um conjunto de consequências nefastas irá atormentar Portugal nos próximos tempos. O problema é que essa noção cronológica faz cair por terra datas mágicas anunciadas pelos bruxos do mercado - dias de regresso ou dias de partida. O botão da bomba atómica, que o Presidente da República recusa accionar, também já não serve de grande coisa. O mal já está feito, o efeito de sopro da austeridade já fez a razia que se conhece. Portugal encontra-se em quarentena política, afastado das grandes decisões, mas expectante que uma supernova possa desencalhar a situação - entramos no domínio do desespero, da fé, da religião - do acreditar sem fundamento válido (Por que raio haveria a Merkel de inverter o sentido dos ponteiros?). Os mercados, pertença de todos e de ninguém, fecharam as portas do financiamento, seja qual for o intervalo das necessidades - a 5 ou a 10 anos.  A suave euro-deputada socialista Elisa Ferreira, com ligação directa ao Rato, pode cantar baixinho a melodia encomendada por Seguro, mas a flexibilização das metas do défice está fora de questão - Draghi já disse que Portugal pode tirar o cavaquinho da chuva. Ao mesmo tempo Merkel inscreveu na sua agenda como primeira prioridade a limpeza da ameaça portuguesa e o Standard & Poor´s encara uma avaliação ainda mais negativa de Portugal. Depois há umas naturezas mortas que não adicionam nem acrescentam nada ao drama real de Portugal - as autárquicas, descartáveis e, longe da urgência de redesenho de uma grande estratégia para Portugal. As autarquias com a sua grande quota de responsabilidade pela demise nacional, são ao mesmo tempo a causa e a consequência, e não têm papel na reinvenção de um sistema - são o sistema. As diversas campanhas são uma espécie de serviços mínimos de política, da democracia, fazendo uso dos mais baixos padrões de retórica e dando voz a pseudo-argumentos. Há ainda outros elementos de decoração que servem para colorir a negro a catástrofe ética e financeira, mas que não têm influência nos caminhos imediatos de Portugal. O sistema imunitário dos portugueses deixou de rejeitar de um modo visceral casos do tipo Machete. Os cidadãos começam a aceitar que no DNA nacional estes casos sejam recorrentes, e mesmo sendo de natureza poluente, nada com consequências substantivas será feito para repor o equilíbrio de valores - os tribunais, constitucionais ou não, já se viu que servem para umas coisas e para outras não. O ministro dos negócios estrangeiros continuará os seus afazeres sem ser incomodado, porque tudo depende de uma mera imprecisão factual, descartável  à meia-volta. Face a esta panóplia de ocasos não é descabido começar a vislumbrar vida em Portugal ao sabor de um segundo resgate. A segunda linha de oxigênio já se avista da cumeada, por entre o nevoeiro de políticas falhadas. Na minha opinião, penso que não vale a pena andar a fingir que a coisa se está a endireitar. Chegou a hora de gritar bem alto em nome da aflição de milhões de portugueses ainda equivocados pelas notícias de ocasião. Venha de lá esse segundo resgate. Acabe-se com esta farsa.

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publicado às 20:19

Autárquicas

por Samuel de Paiva Pires, em 18.09.13

Claro que todos gostamos de nos rir, mas este espectáculo das autárquicas começa a ganhar contornos que não têm classificação do ponto de vista do ridículo. Ainda que mal pergunte, mas onde é que andam, afinal, as empresas de marketing político contratadas pelos partidos e que é feito da alegada profissionalização das campanhas? Está visto que isto é um mercado a explorar.

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publicado às 17:19

Que entre o surrealismo e suplante a democracia.

por Ana Rodrigues Bidarra, em 18.09.13












Qualquer semelhança entre o candidato e uma afável testemunha de Jeová é mera coincidência.



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publicado às 14:33

Fardo interior

por John Wolf, em 10.09.13

Estará Seguro a chamar Passos burro porque este olha para o interior como se fosse um fardo? (já não sei o que escreva sobre o homem, peço perdão...)

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publicado às 19:35

Autárquicas de oitocentos

por Nuno Castelo-Branco, em 23.08.13

 

Já passada a primeira década do século XXI, Portugal continua a persistir na teimosia de um mapa autárquico dos tempos da mala-posta e da revolução de progresso dos tempos dos Senhores D. Luís I e Fontes Pereira de Melo. Chegam hoje notícias do persistente aumento do défice público, enquanto nas autarquias continua o cortejo a que há muito nos habituámos, ou seja, uma espécie de rotundismo militante que apenas serve as tocas do costume.

 

A rotunda apenas tem dois fins: outrora, servia para pronunciamentos ilegítimos, mas hoje, passado o sangue na guelra, destina-se a rotundar certos interesses tão pouco públicos quanto ilegitimíssimos.

 

Enquanto o caciquismo for a grande bandeira de todos os partidos presentes em S. Bento, qualquer oratória acerca de "mudança", não passará disso mesmo: oratória, conversa do chácha

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publicado às 23:30

O voto e sete palmos de terra

por John Wolf, em 19.08.13

Não são apenas os vivos que votam. Existem mortos que continuam a votar. Mas os que já partiram foram sujeitos a decisões quer de vivos quer de mortos. As decisões políticas do passado são tão fatais quanto as do presente. A propósito desta anómalia da Direcção Geral da Administração Interna que se reflecte nos cadernos eleitorais, lembrei-me do seguinte; se conferíram o direito de voto a estes falecidos-eleitores, penso que chegou o momento dos constitucionalistas começarem a pensar numa outra figura eleitoral. Imagino um testamento eleitoral, através do qual, aqueles que preparam convenientemente a sua partida da vida terrena, deixam um documento válido com orientações claras em relação ao seu sentido de voto. Só porque um indivíduo bateu as botas não deveria significar que se torna um sujeito passivo sem utilidade política. De certeza que há muitos falecidos que estão a dar  voltas no caixão com os eventos políticos e sociais que estão a assolar o país. Que melhor forma de compensação poderia existir do que conceder uma segunda oportunidade aos falecidos para corrigir certos desequilíbrios. Os indivíduos de convicções fortes vivem com essa prerrogativa desde que nascem até ao dia em que morrem. Porque razão o último suspiro tem de significar o fim da crença ideológica ou partidária? São questões desta natureza eleito-existencial que nos devem agitar a alma em tempos de disputas autárquicas. Autárquicas? Ora aqui está outro termo controverso. A autarquia é uma forma de governo independente, entendida por alguns como um modo de ditadura. Em princípio os municípios deveriam garantir a sua independência e a sua capacidade de gestão, a sua saúde financeira, mas não é o caso, também estão em coma económico, político e financeiro. Enfim, não me quero afastar da problemática eleitoral que os falecidos enfrentam. Eu sei que a matéria é mórbida e porventura desagradável, mas todas as implicações devem ser tidas em conta. O passado está carregado de gente que lixou o presente, mas esse pessoal está vivinho da silva (está bem de saúde mas não se recomenda). Esses vivos - zombies do passado político recente ou longínquo -, andam por aí a atormentar-nos. Residem num espécie de purgatório da responsabilidade, esperançosos, crentes na ressurreição política numa qualquer câmara municipal ou nacional. Sinceramente, não sei que forma de espiritualidade nos pode proteger das suas intenções. Venha o diabo eleitoral e escolha, uma vez que já se perdeu o respeito pelos vivos e pelos mortos.

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publicado às 15:11

Panelinha de pressão do PS

por John Wolf, em 17.08.13

Ribeiro, Ribeiro! Quer que lhe faça um desenho? Em política tudo é sujeito à panelinha de pressão. Já dizia o outro; "a guerra é a extensão da política por outros meios" (Carl Von Clausewitz). Eu sei, eu sei, não estamos a falar de guerra, mas de conflito político, e para o caso, vai dar ao mesmo. Será que estão a fingir-se de ingénuos lá para os lados do Rato? Os socialistas ao apresentarem-se como damas ofendidas, e afirmarem que Passos Coelho insiste em pressionar o Tribunal Constitucional, parece que nasceram ontem. Toda a matéria circundante pode ser sujeita à influência, à persuasão, à manipulação ou ao golpe da opinião pública. O facto político e o exercício de poder estão presentes em tudo; nas calças apertadas, no detergente para a máquina de lavar loiça, na paróquia da igreja, no posto da GNR ou na novela da noite. Ou seja, desde que o animal político nasceu, exprime-se em tudo quanto é lugar. Não faço juízos de valor. Constato apenas que faz parte da condição política. O primeiro político da história não sonhou com isto, mas paciência, a coisa saiu fora de controlo, e tudo é entendido enquanto extensão da vontade governativa. Quando o Partido Socialista se apresenta como herói da isenção, parece esquecer o seu passado de condicionamentos e contingências. Ironicamente, o próprio Partido Socialista está sujeito à pressão da magistratura do seu fundador (e sem sair de casa). Soares está para o PS como o Tribunal Constitucional está para Passos Coelho. O PSD, embora tenha barões e condados, não vive na sombra de fantasmas, de lideres históricos que já partíram. De facto, o PSD de hoje, pouco ou nada tem a ver com o PSD de Sá Carneiro ou Sousa Franco (sim, sim, o Prof. Sousa Franco foi presidente do partido a dada altura da história, e mais tarde até serviu os socialistas). Passos Coelho enfrentará grandes obstáculos nos tempos que se avizinham, mas esses desafios e contratempos não são um exclusivo do Tribunal Constitucional. O PS, pela voz de João Ribeiro, e à falta de argumentos fornecidos pela casa, de ferramentas domésticas, tem de se servir do Tribunal Constitucional enquanto guarda Suiça dos seus interesses. É o que eu digo e volto a repetir, Seguro desapareceu de cena e o Ribeiro eterniza a inépcia do Partido Socialista. Em vez de andarem preocupados com o modus operandi do governo - se este envia recados ou recebe telegramas -, têm rapidamente de pensar o país. Por este andar nem em finais de Setembro nem em 2015 lhes sai a fava no bolo. Estes faxes que andam a enviar apenas servem para entupir os ouvidos.

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publicado às 09:18

Indignados fora de serviço

por John Wolf, em 16.08.13

As revoluções são excelentes a desmontar o passado, mas enfrentam quase sempre grandes dificuldades na construção do futuro. A esta curta distância histórica, pergunto onde estão os movimentos de rua que tão intensamente se fizeram ouvir? Os indignados de 15 de Março, o outro de Novembro e ainda uma série dispersa de protestos e marchas. Lamento que dessa fornada de gente não tenha nascido uma nova força política, um veículo de soluções provindas da sociedade civil. Há por aí uns movimentos independentes, mas não chega para alterar as regras do jogo. As centenas de milhar de pessoas que marcharam nas ruas de Portugal como nunca antes se viu, não foram capazes de concretizar as suas propostas. Foram boas a reinvindicar, gritáram e esperneáram, mas não sabem aparecer nos outdoors dos cartazes de campanha autárquica. Não querem ou não sabem como se organizar. E esta constatação tem sérias implicações. Significa que, quer o desejem ou não, serão as mesmas plataformas partidárias a disputar o poder nas eleições que se avizinham. Pelo que ouvi falar, as diversas frentes de protesto que ocupáram as ruas e as primeiras páginas dos jornais, não conseguem chegar a acordo, e, por essa via, somos levados a concluir que sofrem dos mesmos males daqueles que de um modo parlamentar disputam o poder. Não se entendem. Todo aquele fumo acabou por não dar em nada. Não se conhece um lider. Não se conhece um novo pensador político que sintetize as aspirações alternativas. As eleições que se seguem teriam sido uma boa ocasião para a sociedade civil se levantar e se apresentar como proposta de futuro. Lamento que assim seja, uma vez que esse estado de calma revela a inacção da sociedade civil, encarneirada pela letargia de um sol de pouca dura. Enfim, os movimentos de indignados fazem-me lembrar os festivais de Verão. Estiveram em palco, foram fixes, mas daqui a uns meses já ninguém se lembra. A pedrada era grande. A pedrada no charco maior ainda.

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publicado às 09:59

Os mosquitos de Machado

por John Wolf, em 08.08.13

A lei de "imitação" de mandatos parece ter sido a norma lá para os lados de Braga. A bem ou a mal, com ou sem carisma, Mesquita Machado reinou, sem idas à casa de banho, durante 37 anos. Foi o povo que quis, foi a população que mais ordenou, e parece que quiseram quebrar recordes de longevidade política detidos por outros ocupantes de cadeiras históricas. Machado, cansado de tanta vitória, provavelmente deseja retirar-se antes que se ponham a inventar soluções respeitantes a reformas e pensões. O autarca quer sair enquanto ainda leva a vantagem. Para o seu lugar o PS escolheu um candidato com nome de humorista - Vitor (de) Sousa -, o número dois da estrutura local (Vitor de Sousa também foi número dois de Herman José). Mas a panóplia de candidatos não se fica por aí. A principal figura autárquica do PS vai ter de disputar as eleições com distintos progressistas cultivados nas estufas locais do PS, para além de eternos camaradas do CDU e bloquistas da Esquerda. Se nos servirmos de Braga como tubo de ensaio ou matéria de análise, poderemos constatar que as eleições autárquicas servirão para fragmentar ainda mais qualquer ideia de consistência no poder. Em virtude dos níveis de desentendimento no seio da coligação do governo nacional e no contexto do falhanço do projecto de salvação nacional, em grande medida da responsabilidade dos senhores do Rato, de norte a sul do país, assitiremos a réplicas do epicentro sísmico da crise política. Na minha opinião, as câmaras serão trucidadas pelo dogma do não entendimento. Seguro lançou o mote do PS: "a solo ou morte" porque acredita no tudo ou nada, precisamente no momento histórico em que esse princípio avariou, e já não se adequa ao renascimento de um novo paradigma de pontes e travessias. As coligações autárquicas que registamos serão as mesmas de sempre, dependentes da mesma árvore ideológica que já deu os frutos que tinha de dar. A saída de uma antiguidade clássica como Mesquita Machado funciona como uma demissão em bloco. De repente os munícipes serão confrontados com a matriz inexistente, a falta de referências de candidatos sem experiência efectiva, sem percurso comparável à sua. A praga de mosquitos políticos que vai girar em torno da carcaça de Machado será intensa e deve-se à possibilidade de aproveitar o vazio deixado pelo homem que ao longo de quatro décadas mandou nos destinos do concelho. Ao fim de tantos anos de residência, seria conveniente, e em nome da eficiência democrática, averiguar se o saldo é positivo. Seria útil proceder ao levantamento dos dossiers tratados durante todo esse tempo. Durante quase quarenta anos muita coisa aconteceu; intervenções do FMI, governos de bloco central, crises nas pescas e na agricultura, a adesão à CEE, a morte de Sá Carneiro, a deslocação de Zita Seabra (por exemplo, há mais) de uma extrema política para outra, a adesão ao Euro, a abertura de fronteiras no espaço Europeu, o braço partido de Bento no mundial do Mexico, a construção das torres das Amoreiras e a realização do filme erótico (estou a ser simpático) de Tomás Taveira, o prémio Nobel atribuído a Saramago e a realização da EXPO 98. Enfim, uma enciclopédia de ocorrências nacionais aconteceu e serviu de enquadramento, de justificação ou desculpa para certas ocorrências. Neste clima de grande agitação sobre a questão da limitação de mandatos, seria muito bom que meia dúzia de cientistas sociais e políticos aproveitasse a descoberta arqueológica para investigar o estilo de vida política de Mesquita Machado. O mais provável é que não o façam e sejamos distraídos com os jovens mosquitos ávidos por picar o ponto final na câmara municipal.

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publicado às 11:59

As falinhas mansas de Seguro

por John Wolf, em 04.08.13

O vice-primeiro de Seguro - Carlos Zorrinho -, embora queira mostrar os dentes e defender o lider do seu partido, está efectivamente a salvar a sua pele. As falinhas mansas que refere são um modo de sacudir a água do capote. Quem é brandinho e inofensivo é Seguro. Quem tem falinhas que nem chegam a ser mansas é Seguro. E o facto de Zorrinho passar grande parte do seu tempo político na companhia do seu compincha de bancada parlamentar pode significar que sofreu efeitos de contágio. O perfil comprometedor de Seguro pode ser do tipo infeccioso que passa de parceiro para parceiro se estes não se protegerem adequadamente nas relações que estabelecem. Zorrinho, sem dar por isso, terá replicado um pouquinho de Seguro. Pode-se ter assegurado um bocadinho sem dar conta, e agora corre o risco de ser entendido pelos eleitores como um membro que se confunde com Seguro - um quase Seguro. Mesmo um chefe acarismático, como o secretário-geral, pode marcar o estilo dos seus seguidores. Sem o desejar ou sem o saber, os fiéis acabam por emular alguns tiques e figuras de estilo. Zorrinho tem consciência disso e porventura quererá demarcar-se da estrela cadente e marcar os limites da sua personalidade política. Se cai Seguro levará consigo a palette toda, os associados da empreitada e os resistentes às palavras inócuas. As frases perfeitas para um abstracto político, um esboço teórico de afirmação populista que dista das medidas concretas que o país necessita mas que estes trovadores desconhecem por não serem capazes (crescimento e emprego? Como?). As autárquicas podem rebentar com as guarnições vazias dos socialistas. Se de repente os camaradas ganham umas câmaras valentes, terão de lidar com a sua própria herança, com o regresso à ruína inacabada - o modo continuum socialista com todas as suas nuances, as fantásticas empresas municipais e os seus directores de águas e gases. Se mantiverem as câmaras que já detêm, serão obrigados a assumir por inteiro a responsabilidade dos descalabros financeiros, as contas desfalcadas de mandatos repetidos sem intromissão. De nada servirá atirar a culpa para os "dois anos de governação do governo de coligação". As catástrofes autárquicas terão apenas uma assinatura-rosa, terão apenas uma parte contratual e a batata quente não poderá ser devolvida a outros remetentes. A morada definitiva será essa e mais nenhuma. Os socialistas, num putativo regresso triunfal ao universo autárquico, retornam ao seu legado, ao seu passado, aos fantasmos e aos mortos-vivos da sua excelsa administração, a um Castelo-Branco-sujo em todo o seu esplendor. Os socialistas, toldados pela vontade de ganhar, levados na corrente da paixão, demonstram que não conseguem pensar uma para a caixa eleitoral. Não são capazes de ser racionais, metódicos e programáticos quanto baste para se organizarem a nível partidário, quanto mais para dirigir os destinos de um país. Os socialistas, que se acham capazes de congeminar um plano de salvação a solo, são politicamente narcisistas e egoístas, e reafirmam esse devaneio por não terem alinhado nas cantigas e acordes de Belém. Com este género de discurso pueril, sabemos que estamos a lidar com crianças queixinhas. A expressão "falinhas mansas" não demonstra maturidade política. É um balbuciar como tantos outros a que nos habituou Seguro. O punho rosa, hirto e firme, parece ser de outros Verões quentes, de outros protagonistas. Eu não disse que Seguro era contagioso?

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publicado às 17:13

Pela ruas da amargura...

por Pedro Quartin Graça, em 27.06.13

 

No PSD a coisa está muito pior do que se supunha. A fazer fé nesta notícia do i. que nos dá conta de uma desistência antes sequer de ir a votos...

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publicado às 14:19






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