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Zorba e o filme do Euro

por John Wolf, em 20.01.15

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A União Europeia (UE) é uma experiência autofágica. A possibilidade de efectiva destruição da divisa Euro, com todas as consequências que a mesma acarreta, resulta das condições endémicas geradas pelos lideres da União Europeia. Quiseram embalar no mesmo baralho monetário economias tão dísparas com a vã expectativa que os fundos estruturais e outros mecanismos de subvenção europeus pudessem limar as arestas das diferenças dos  estados-membro da UE. O resultado está à vista. O Euro está a descarrilar e já foi "abandonado" pela Suiça (e outros seguir-lhe-ao o rasto) - o país que antecipa a defesa do seu interesse nacional enquanto as outras nações dormem. Não há nada de cínico neste comportamento - não passa de uma expressão de Realpolitik monetária. Mas a última estocada que será desferida no Euro, não resulta de congeminações fundamentalistas externas, nem de ataques de terceiras partes. Será o próprio Banco Central Europeu a administrar a (over)dose fatal. No dia 22 de Janeiro, os dealers monetários da Europa, comandados pelo Exmo. Sr.  Mário Draghi, darão início a um processo de dumping monetário autorizado - European Quantitative Easing (EQE). A primeira palete será da ordem dos 550.000.000.000 de Euros (quinhentos e cinquenta mil milhões de Euros). O Euro está a afundar? Ainda não vimos nada. O Euro irá ao encontro da paridade com o Dólar? Nada disso. O dólar irá ficar ainda mais forte, muito mais forte. Mas temos de juntar outro elemento de destruição à fórmula - a mais que provável vitória do Syriza nas eleições gregas que têm lugar no dia 25 de Janeiro. Estes dois eventos quando combinados irão gerar turbulência assinalável na zona Euro e não só. Aqueles que aplaudem a "vingança" grega nem sequer sonham com o que aí vem. As falsas promessas e as utopias socialistas têm um apelo populista forte. António Costa sabe-o e tentará extrair dividendos da situação grega para a sua campanha pessoal. Quanto a Portugal, isso é outra história. Fica para depois.

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publicado às 10:00

santa-jail

 

Não quero ser um desmancha-prazeres, o borra-botas da gata-borralheira das televisões que anda a pregar a melodia das compras de Natal, a agitar os penduricalhos do consumo à frente do nariz dos compradores nacionais (sim, essa mesmo, a Judite), mas não há motivos para alívios prematuros. Isto vai ser a doer. Bem pode o Partido Socialista prometer mundos e fundos, o desagravamento da austeridade e entregar cupões de esperança aos eleitores, mas a história será outra. Estejam atentos ao quadro maior. Esqueçam Évora por uns instantes, porque isto merece a nossa atenção. Estas considerações podem passar em nota de rodapé, enquanto rolam segredos de justiça e Salgados. Contudo, devemos apontar a mira à (in)consequência destas acções. Os empréstimos de longo prazo do Banco Central Europeu não serão suficientes para inverter a força da corrente, e decorrente desse facto, serão obrigados a quebrar o "tabu" - ou seja, comprar títulos de tesouro directamente aos Estados em apuros, e muito provavelmente implementar outras medidas inéditas, experimentais. Essa conclusão macro-económica, pan-europeia, de que o enorme esforço nem servirá para tapar o pequeno buraco de um dente, pode, por analogia, ser aplicada ao esforço fiscal realizado em território nacional. Não quero com isto dizer que o que foi feito até agora tenha sido um erro. O que pretendo sublinhar é o perigo contido na pura demagogia do discurso socialista. Numa frase simples: desenganem-se aqueles que julgam que um roll-back das medidas de austeridade do governo é possível. Irei mais longe. Se António Costa chegar ao poder, e após um estado de graça orgásmico (ou seja, com a duração de 44 segundos), e for confrontado com a dureza da realidade, a austeridade (de que foge como o diabo foge de Ébola, Évora...) não será apenas readmitida na sua actual forma, ela será reforçada, intensificada, tornada em algo nunca antes visto. Não sei se estão a ver bem o que está em causa. Agora sim, podem regressar ao programa do dia, às transmissões do canal parlamento para aprender como se ilude um país inteiro e se continua alegremente a cantar.

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publicado às 09:23

As bombas do Banco Central Europeu

por John Wolf, em 18.09.14

Quando a economia real falha, os economistas são os primeiros bombeiros a ser chamados. Na realidade, é como pedir ao incendiário para apagar o fogo. Há qualquer coisa que falha nesta abordagem. Há algo cognitivamente deficiente nesta receita, na terapêutica. O Banco Central Europeu (BCE) embarca hoje num longo comboio de ficção monetária. Como a dívida dos Estados da Zona Euro está aos níveis que se conhece, e a deflação é a nota dominante, os banqueiros centrais ajuizam e decidem a injecção maciça de dinheiro, através de meios mais ou menos convencionais. Ou seja, quando os políticos falham, o ónus da recuperação económica é transferido para a orla financeira. Contudo, as operações em causa terão impacto diminuto na economia real. Não existe uma relação linear entre Long Term Refinancing Operations (LTRO´s) e a geração de emprego, a título de exemplo. As medidas têm mais impacto nas contas a apresentar, nos balancetes, e, desse modo, estão mais em sintonia com as exigências orçamentais dos Estados-membros relativamente aos seus níveis de dívida e deficit orçamental a cumprir.  É neste desfasamento entre o que se decide a montante e o que acontece a jusante, onde reside o cidadão comum. Mas existem alternativas? A resposta não é fácil. Apenas sei que se todos o fizerem em simultâneo, o processo não produz os resultados esperados. A Reserva Federal dos EUA, embora tenha anunciado uma certa intenção de abrandamento dos estímulos à economia, em abono da verdade, a torneira não vai ser fechada assim tão cedo. Na corrida ao fundo da desvalorização das divisas, veremos quem consegue mais celeremente realizá-la: se a Reserva Federal leva a melhor ou o BCE é obrigado a ir ainda mais longe do que a compra directa de títulos de tesouro na Zona Euro. Nem sequer trago à baila outras considerações como a libra esterlina, ou para idêntico propósito, as atribulações provocadas pelo referendo na Escócia. Daqui por alguns anos, Vitor Constâncio (quando regressar a Portugal) será mais um a declarar que não sabia de nada. Que não decidia. Que era Draghi que pensava tudo. Que era o presidente do BCE que mandava.

 

(fotografia Martin Leissl/Bloomberg)

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publicado às 09:05

Janet Yellen e o FED europeu

por John Wolf, em 07.01.14

Não é que faça diferença alguma, mas pela primeira vez em cem anos, o presidente da Reserva Federal dos EUA é uma mulher. Janet Yellen substitui deste modo Ben Bernanke que indubitavelmente ficará ligado à decisão de estimular a economia por via da receita designada por quantitative easing. A senhora que se segue, embora venha ao encontro de um quadro económico americano de saída da recessão (ou retoma moderada), não significa que tire o pé do acelerador da injecção de liquidez nos mercados de um modo brusco ou impulsivo, o que em última instância poderia provocar uma derrapagem ou até uma saída da estrada do potencial crescimento da economia norte-americana. Para já, e no contexto da inundação das economias com doses maciças de liquidez financeira, a inflação ainda não é uma preocupação que obrigue a subir taxas de juro - a torneira para fechar o "caudal" monetário do FED. Na Europa, a história é parecida e muito diferente ao mesmo tempo. Por um lado, as economias europeias parecem mostrar alguns sinais de terem batido no fundo, e por outro lado, este facto ainda não impactou de um modo substantivo a geração de emprego. Contudo, há outra dimensão macro-económica que vai obrigar o Banco Central Europeu a rever a sua abordagem às problemáticas estruturais que afligem as economias e os mercados. E esse risco tem um nome - deflação. A espiral deflacionista é algo que deve ser evitada a todo o custo. O mundo conhece bem o mau exemplo do Japão que não saiu do mesmo lugar económico nos últimos vinte anos, devido ao peso morto e contraproducente que a deflação representa. Por essa simples razão, Mario Draghi  deve tentar inverter rapidamente as regras do jogo. E tem várias coisas que jogam a favor de uma cartada europeia de estímulo monetário, à moda do FED americano. Em primeiro lugar, as compras de títulos de tesouro dos países em apuro serviu para aliviar as contas correntes das administrações centrais, mas não chegou à economia real, uma vez que as regras de concessão de crédito se tornaram mais apertadas e criteriosas. Em segundo lugar, numa economia global, onde se desenrolam as guerras de divisas, um euro forte não vem mesmo nada a calhar para ajudar as exportações dos países-membros da zona euro para fora da sua zona de conforto. Em suma, e voltando a nomeação de Yellen para timoneira da reserva federal dos EUA, podemos afirmar que não interessa nada quem está ao leme de tão importante instituição, desde que entenda as implicações decorrentes do cargo e da missão a cumprir. E a missão a cumprir na Europa, a meu ver, não tem nada que saber. Ou se estimulam as economias e estas crescem, ou não se estimulam as economias  e estas minguam. Entre uma coisa e outra, não parece haver dúvidas sobre a decisão acertada a tomar.

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publicado às 10:51

Bankocracy

por Samuel de Paiva Pires, em 04.11.11

Lew Rockwell no Russia Today (via O Insurgente):

 

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publicado às 01:05

Ainda há quem tenha os pés assentes na terra, como por exemplo Ricardo Arroja e João Luís Pinto. Deste último, transcrevo o texto na íntegra:

 

«As notícias que dão como sendo de 50% o valor do perdão da dívida grega parecem, afinal, largamente “optimistas” em relação a esse valor, e aparentemente deixam de lado ou menosprezam alguma informação relevante em relação à natureza desse perdão.

 

Em primeiro lugar, não referem que foram excluídos desse perdão o BCE, a UE e o FMI, sendo que portanto esses 50% se referem somente ao restante da dívida – o que, ponderando os montantes envolvidos, reduzem esse perdão a 28% da dívida grega. Mais do que isso, cria um estatuto de “credores de 1ª” e de “credores de 2ª” da dívida grega, um novo motivo de alerta para os detentores privados de dívida pública de outros estados europeus.

 

Em segundo lugar, parece ignorar que uma parte significativa dessa dívida “perdoada” é detida por bancos e fundos de pensões gregos, o que faz pensar em qual será a reacção da “rua grega” quando se aperceber que a bonança do perdão da dívida afinal foi em parte sustentado à custa da viabilidade das suas reformas, e que ainda vão ter que ser os financiadores mais do que previsíveis da recapitalização dos bancos gregos afectados, que simultaneamente são atingidos pelo “perdão” e pela imposição de subida de rácios.

 

Sinceramente, não sei onde estarão os motivos da satisfação anunciada pelo primeiro-ministro grego com esta decisão, e qual será a natureza efectiva da “nova era” que anuncia.»

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publicado às 13:50






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