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O terrorismo doméstico de Barcelos

por John Wolf, em 26.03.17

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Começo pelo caso de violência doméstica que envolveu Donald Trump. Foram parentes próximos do seu Partido Republicano que lhe deram umas valentes castanhadas. Não foram estranhos. Foram "militantes" que, em nome de outras crenças, abandonaram o "camarada" naquela hora díficil de revogação do Obamacare. Não seria interessante, em nome de Abril, da democracia e das balelas de liberdade de expressão que por aqui grassam, que uns quantos socialistas virassem o prego às intenções da Geringonça? Não seria democrático e vibrante? No entanto, temos exemplos bicudos de dissonância partidária neste país. Penso em Campelo, penso no queijo Limiano e penso no triste desfecho dessa ocorrência - nos saneamentos e exclusões. Enfim, fico-me por aqui. Acho que conseguem pintar o resto do quadro. Não preciso de acrescentar grande coisa ao estado da arte partidária em Portugal. O Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português têm superado as minhas expectativas - são frouxos, fracos. Deixaram-se levar e fingem a discordância para primeira página de matutino - mais nada. Mas adiante, passemos ao berbicacho seguinte. A violência doméstica em barda, que Portugal oferece aos jornais da TVI e CMTV, prova o seguinte; quem não tem cão, caça com gato. Os americanos, que são os campeões da venda retalhista de pistolas Colt e espingardas Winchester, não são tidos nem achados nestas histórias. Em Barcelos e Ovar bastou a faca. Nem foi preciso o alguidar. Em Barcelos foi uma coisa de brio, Briote, de seu nome. Em Ovar, foi algo esmerado, foi em Esmoriz. Pelos vistos não são necessários refugiados sírios nem fundamentalistas islâmicos para dar conta do recado - decapitar, degolar. As celúlas de violência doméstica abundam em Portugal ao ponto de se poder designar o flagelo de terrorismo doméstico. Os políticos de brandos costumes e as assistentes sociais que apregoam a reintegração social dos infractores com cadastro firmado são sempre os derradeiros responsáveis - não têm culpa das bofetadas. De nada servem as desculpas dos problemas de bebida, e da miséria económica e social dos agressores, para justificar a clemência e o encosto judicial incipiente. Assistimos a uma guerra civil com contornos preocupantes. Tinham sido os socialistas, quando estavam na oposição, que apontavam o dedo ao PAF como responsável pelo descalabro moral do país. Pois bem, agora que é tudo um mar de rosas de recuperação económica, melhoria nos níveis de desemprego, défices que já dobraram a fasquia dos 2,1%, nada disto deveria acontecer -  a paz deveria ser plena e inequívoca. Contudo, o guião de instabilidade emocional continua a prevalecer. O português suave continua a ser aquela história da carochinha. O assassino, que era pacato e boa pessoa lá no café da aldeia, vai à praia dar umas passas inofensivas e depois enterra a beata no areal.

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publicado às 12:16

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Vou servir-me da Catarina Martins do Bloco de Esquerda, como me poderia servir de outro exemplo do Partido Socialista ou ainda de um macróbio de um partido conservador. Mas fiquemo-nos pela piquena. Devemos reconhecer que a bloquista teve uma ascensão fulgurante. Com ou sem tilt de um Rosas ou de um Louçã, com ou sem a sacudidela do peso-pluma Drago (xô! chega para lá!), a verdade é que Martins transformou o berreiro em imagem de marca. Mas convém irmos mais longe. Se estivesse na política, a primeira coisa que eu buscava seria tentar organizar as ideias e proceder a uma compilação orgânica de escritos políticos. Ou seja, tentava transformar tiradas de ocasião num corpo político consistente, num volume sumário orientador da acção. Enfim, não se conhece nada de Catarina Martins que se assemelhe a um tomo intelectualmente válido. Simplesmente, a menina não tem vida própria. Deve ter lido umas coisas, mas não tem talento nem arte nem inteligência para se colocar do lado da doutrina, dos criadores. Por essa razão, apenas se pode alimentar das migalhas dos outros. Não passa de um reagente. Um teste de acidez que passa a vida medir a alcalinidade de vida política alheira - para encher chouriços. Mas nem por isso deixa de ser perigosa. A linha de influência que deve exercer sobre a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova deve ser notável - condiciona e censura. Como democrata que sou, gostaria de vê-la digladiar-se em ambiente académico, na arena que a grande política merece. Apreciaria vê-la esgrimir-se com argumentos sagazes e axiomas de difícil derrube. No entanto, a sua acção limita-se ao foro emocional da política, ao apelo primário que opõe taxativamente o rico ao pobre, o opressor ao sujeito da exploração. Para todos os efeitos semânticos operativos e ideológicos, a Catarina Martins não passa de uma populista-caviar. Escolhe a dedo com quem quer ter uma discussão, mas depois não tem bagagem para se aguentar como um homem, ou uma mulher.

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publicado às 19:05

Nossa Senhora da Geringonça

por John Wolf, em 10.03.17

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A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a transformar-se no Titanic daqueles que exultam as virtudes da coisa pública. No entanto, o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português podem esconder-se por detrás daquela aparição - a Nossa Senhora de Geringonça. Essa sumidade política ainda vai servir para muita ilusão, mas sobretudo para descartar responsabilidades quando efectivamente for a doer. Quando a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu ou as agências de rating avançarem com as homílias penosas, elencarem os tabus e os pecados, descreverem a gula e ganância ideológicas, as vergastadas seguir-se-ão. Bem feitas as contas são mais do que sete devaneios. O mártir Domingues é apenas uma personagem do santuário bancário. No mostrador existem mais santos e pelo menos um trio de beatas. Enfrentamos sérias questões agnóstico-financeiras. Ou acreditamos na liberdade de expressão monetária ou somos levados pelo engano e pelas crenças impostas pela cartilha de um programa de ajuste de contas político, uma revanche. Porque, para todos os efeitos de guerrilha partidária, a CGD poderá ser o Judas da santa trindade governativa. A casa vendida pelo diabo por um módico agudo. Não são rosas, senhores. São 3 mil milhões de euros que ardem no inferno. E ireis pagar.

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publicado às 07:17

Wild Orange

por John Wolf, em 03.03.17

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Afigura-se-nos difícil estabelecer um template credível, um modelo operativo que revele algum teor de previsibilidade. Por algum motivo o processo eleitoral holandês tem sido tratado como um jogo de uma liga secundária de interesses. Os olhos postos em Fillon, Macron e Le Pen, a cabeça virada a Brexit, confirma o grande desarranjo europeu. A União Europeia (UE) e os seus ilustres comissários e presidentes de conselho fingem que nada se passa e que os valores nucleares da arquitectura comunitária nunca poderão ser postos em causa por lideres de nações com pouco mais de 8 milhões de habitantes. O valor de face atribuído à geringonça pela UE é semelhante àquele atribuído ao holandês Geert Wilders. Mas os políticos europeus estão equivocados. Não estamos num jogo de soma-zero, em que a saída do Reino Unido da UE se poderá colmatar com a entrada de outros. Ideologicamente, passa-se quase a mesma coisa, semelhante engano. Uma tirada à Esquerda não anula um tiro em cheio à Direita. Contudo convém levar em conta as razões politicamente invocadas. Assistimos, efectivamente, ao fim do espectro ideológico tal e qual como o conhecíamos. Assistimos à caducidade do paradigma de construção política convencional. São sobretudo subtilezas de posicionamento que não têm sido apreendidas no decurso da presente revolução em curso. Podemos confirmar um certo hibridismo volátil, no modo como os pretensos neo-lideres procuram sustentar os seus projectos fazendo uso de elementos materiais e simbólicos de todos os campos ideológicos. Trump, numa óptica analítica, foi ao rancho dos democratas aprovisionar-se das suas ferramentas e, com algum talento, converteu as suas deficiências em força. Nessa medida, e invertendo a extrapolação, a geringonça, se quiser sonhar com alguma continuidade efectiva e honrar a estabilidade vendida por Marcelo, terá, na sua expressão política, de integrar obejctivos de outros terrenos políticos e partidários - sejam adversários  ou concorrentes. No jogo de puxa e empurra, a CGD ou a saga das Offshores são apenas divisas de um conceito de representatividade e disputa de poder mais alargado. O mesmo terá de acontecer nos EUA. Trump, invariavelmente, terá de acomodar os anseios do Congresso, por forma a credibilizar a sua acção. A UE, que tem evitado a federalização do seu projecto, não tem ao seu dispor efectivos organismos de checks and balances - tem sanções e procedimentos por défice excessivo, de índole técnica e financeira, mas, na substância e no espírito do projecto europeu, existe muito pouco que pode fazer. A multiculturalidade não é apenas uma máxima que se aplica aos povos.  A UE alicerçou a sua construção na ideia de diversidade ideológica e política. O que acontecer na Holanda no dia 15 de Março produzirá o mesmo eco de sempre, a relativização da urgência dos dramas que assolam a Europa. Qualquer devaneio do mainstream, perpetrado pela Holanda, será tratado com a mesma indiferença. A laranja, por mais selvagem que seja, não interessa muito aos mercados, à economia, ao dinheiro de quem aposta no melhor retorno possível para o seu investimento. E as casas de apostas têm falhado redondamente.

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publicado às 20:46

A geringonça e o SMS do Benfica

por John Wolf, em 15.02.17

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Não me vou armar em comentador de futebol. Pesco muito pouco do jogo. Para impressionar os mais distraídos, e fazer gala, declaro que fui comentador do Eurosport para disciplinas equestres. E mesmo tendo praticado hipismo durante 30 anos, e humildemente competido em Dressage, afirmo categoricamente que o que sei corresponde a uma gota no oceano. Foi pela mão de um grande comentador de Futebol, por sinal sportinguista, que fui parar ao Eurosport, de 1999 a 2004 - esse senhor chama-se Rui Tovar. Para além de ter sido um profissional absolutamente brilhante, tinha outras qualidades - era um cidadão vertical e foi um grande amigo. Feito o preâmbulo e rendida esta pequena homenagem a um genuíno jornalista, passemos ao dia seguinte ao jogo da Champions League entre o Benfica e o Borussia de Dortmund. É notável como a política imita a bola ou vice-versa. O desempenho do Benfica ontem assemelhou-se à performance da geringonça. O Benfica mentiu em campo, mas foi capaz de enviar um SMS para o fundo da baliza do adversário. A equipa não existiu nas duas metades dos campo, nem nas duas metades do encontro, mas foi capaz de fazer o balancete pender a seu favor. Tudo isto é muito parecido com a prestação do governo de António Costa que, pesem embora as deficiências estratégicas de vulto, no jogo de dissimulação parece enganar a realidade como se estivesse estado no mesmo campo de ilusões. Se formos criteriosos e objectivos, analíticos e desprovidos de paixão (ressalva: não faço parte de clubes de futebol, nem das artes e letras - dou toques a meu bel prazer e bato da bola como quiser), sabemos todos que o Benfica não se aguentará em terrenos borussianos porque depende da tômbola. Nessa medida, a geringonça é uma fotocópia desse estado de arte. Vive da impressão rápida, depende da anulação de SMS e nem sequer sabe usar o Twitter. O problema, no entanto, não se restringe à matéria em si, aos factos. Os relatadores e alegados jornalistas continuam a contribuir com doses maciças para um estado anestésico e de decepção - douram a pílula e querem que o espectador engula a ficção alternativa - Não, não tombou nenhum gigante da bola. Como disse, não percebo de futebol, mas o Benfica não foi capaz de se organizar nem de um modo defensivo nem de um modo ofensivo (o meio-campo nem sequer menciono), e ficou dependente de um guarda-redes de extremos - ora defende magistralmente, ora comete erros infantis. A soma do executivo de Pizzi ou Salvio, ou Mitroglou, as estrelas da companhia, colocou em evidência o socialismo equilibrado e eficaz do Borussia de Dortmund. Não reparei num Centeno de proa naquela equipa alemã nem vi outros delfins a dar ares da sua graça. A equipa alemã falou a verdade justa e equitativa. Teve comportamento de um bloco sem bicos sem mentiras, enquanto o Benfica foi neo-liberal e especulou. Mas não investiu. Colocou as fichas em cima da mesa e deixou-se levar pela toada de um partido organizado. É o que eu digo. Não percebo de futebóis. Deixo-me sempre descair para a política. Como um trinco.

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publicado às 15:17

Penpal de Portugal

por John Wolf, em 05.02.17

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Portugal é um país de águas de bacalhau. Mas esse estado de alma acarreta consequências. Determina um anda e desanda, um dois passos avante e três à retaguarda. Assim tem sido e desse modo prosseguirá. Sobe uma força partidária ao poder, e logo desfaz à pancada o realizado pelo anterior. E assim sucessivamente e alternadamente. Por outras palavras, o Portugal político é uma imensa bancada central. E, embora possa parecer uma solução consensual e benigna, a verdade é que penaliza a possibilidade de um choque sistémico. A geringonça, no entanto, trai esse conceito mas não adianta grande coisa ao integrar no mesmo embutido um espectro alargado que se anula, que se descaracteriza. Ao diluirem o valor ideológico e a estância de princípios em nome da manutenção do poder, acabam por plantar no seu seio a toupeira do descalabro. O Partido Socialista ao querer ser tudo, é, ao mesmo tempo, comunista, neo-liberal, progressista e populista - mas cada vez mais menos socialista. O governo assume, sem margem para dúvida, um contrato a termo com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, embora não o admita, e ao invés do que dizem no PS, os socialistas terão de levar em conta a Direita, senão numa perspectiva doméstica, ao que tudo indica, no plano europeu. A grande questão que se coloca diz respeito ao seguinte: se Marine Le Pen for chamada ao Eliséu, acabou a União Europeia, não tenham dúvidas. A não ser que governos híbridos queiram replicar as suas condições de governabilidade e negoceiem cedências oportunas. Os alegados comentadores políticos e os sucedâneos de jornalistas tardam em perceber que estamos na presença de uma revolução sistémica, à la Kuhn. O modelo organizacional e político que estruturou o Ocidente nas últimas décadas, caminha, a passos largos, para um fim feio, caótico. Não foi um actor político externo a determinar o curso dos eventos  que se encontra em dinâmica crescente. Foram as complicações endémicas do projecto económico e social que falharam. Referem todos a grande paz europeia resultante do carvão e do aço, mas a que preço e com que consequências? Portugal, que não conhece a experiência dos extremos, pode ceder à tentação de negociar geringonças à escala europeia, contribuindo ainda mais para uma cisão irreversível. Quero ver se as políticas da amiga Marine também serão chumbadas na Assembleia da República ou se ela será uma Penpal. Se reprovam Trump, devem admoestar aqui e agora a congénere francesa.

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publicado às 19:26

Rex-T e o Embaixador Sherman

por John Wolf, em 02.02.17

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Vamos todos sentir saudades do embaixador Robert Sherman. Ao longo da história da representação diplomática dos EUA em Portugal, nunca tinha havido um chefe de missão tão próximo da cultura local. Ele era Selecção Nacional, ele era passeio de Motards a Évora, ele era embaixador para portuguesa e português sentirem de perto e apertarem a mão. Os fregueses, expostos a esse conforto, até se esqueceram de Carlucci e da mão invisível de Soares a negociar saídas ideológicas. Com a dança de cadeiras em curso na administração americana, a ver vamos quem "Rex-T"- Rex Tillerson (não confundir com T-Rex) amanha para o posto lisboeta. Embora a base dos Açores tenha já sido mungida e agora libertada de encargos maiores, prevejo uma guia de marcha que aponta para a inversão do sentido, o recrudescimento da sua vitalidade à luz da sua imprescindibilidade. Os pauletas até agradecem. A economia local também agradece. Uma eventual reactivação efectiva dessa base militar de importância geométrica variável acarreta, no essencial, consequências que escapam ao controlo de Portugal. Torna a Lusitânia aliada efectiva da doutrina Trump que se estende a novas polaridades de fricção como o Mar do Sul da China ou a Austrália. A ver vamos, quando as coisas aquecerem, e for nomeado um embaixador à medida de Trump, como os parceiros do BE e PCP irão coçar as orelhas quando o PS baixar as calças e deixar passar a banda da NATO. Estimo que uma frota de F16 de geração duvidosa esteja a caminho de Portugal para, volvido pouco tempo, no desfecho de nova bancarrota, ser remetida para amigos romenos que a leva ao desbarato. A ver vamos quem metem na embaixada dos EUA em Lisboa. Um cowboy da meia-noite? Acabaram-se os videos de incentivo. Agora cada um está por sua conta.

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publicado às 20:07

Os Bannon da Geringonça

por John Wolf, em 27.01.17

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A vitória de Trump subiu à cabeça da Geringonça. Inspirados pelo evangelho de Bannon, o PS, o PCP e  o BE querem matar a comissão de inquérito à Caixa Geral de Depósitos. O adágio "quem não deve não tem" não serve esta causa, ou talvez sim. Viva a transparência, Viva a Democracia, Vivam os cidadãos de Portugal!

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publicado às 14:47

TSUNAMIGO

por John Wolf, em 17.01.17

 

 

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Jerónimo de Sousa, o místico, saiu da caverna para explicar aos jornalistas e ex-jornalistas que a aparição de coligação que Passos Coelho avistou, de facto não passa de uma miragem. Diz ele, ao bater o pé na trave e a foice no martelo, que os comunistas não são nada tsunamigos dos socialistas e que o maremoto dessa taxa descendente representa uma no cravo dos propósitos da Esquerda unida. Com tanta prosápia, com tamanha logística de quem é quem, e para onde caminhamos, Jerónimo de Sousa fere o orgulho geringoncial. Resta saber se os comunistas são mais social-democratas do que os passistas são marxistas. Devo dizer que aprecio estas saladas místicas temperadas por galheteiros ideológicos de candeias às avessas. Quanto a Marcelo Rebelo de Sousa, o presidencialista-pop, não me restam grandes dúvidas. Tudo fará para salvar o orgulho do Rato. Não sei exactamente qual Senhor serve o presidente da república. Uma coisa é certa, amor de povo é valioso. Afecto das massas não se enjeita. Resta saber quem paga a taluda da bandeira do salário mínimo a qualquer custo. Pessoalmente acho que o BES, a CGD e o Banif deveriam pagar o aumento da tarifa mensal com os fundos de salvamento que receberam a troco de sabe-se lá do quê. Assim vamos nesta assembleia de lideres mítricos, de barretes enfiados e pegas de caras ou coroas. Qualquer dia Catarina Martins será agraciada com a ordem de São Caetano por ser coerente e disciplinada. O acordo da Geringonça existe no papel, mas não passa disso mesmo. Vira o dístico e troca o mesmo pelo seu oposto. A maré está baixa e as calças estão pelos joelhos.

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publicado às 14:46

Geringonça is so 2015

por John Wolf, em 16.01.17

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O Partido Socialista (PS) está a ter dificuldades em engolir em seco. Não está a conseguir encaixar o que se está a passar e a Ana Catarina Mendes Pedroso é o exemplo vivo de alguém que ainda não entendeu as transformações em curso no nosso mundo. Sempre existiram bons e maus comunistas, péssimos e excelentes social-democratas ou medianos e magníficos socialistas. A Taxa Social Única simplesmente não serve de bitola do que quer que seja. Em causa está a natureza parcelar da Política. São causas avulso que permitem distinguir uns de outros. Ora assumir de antemão a vontade de outrém roça a sobranceria autoritária. Sempre dei o braço a torcer e aplaudi a iniciativa do homem livre, desprovido de ensinamentos de mestres e ideologias caducas. Não se podem erguer muros em torno de reservas oportunistas. Até parece que a concertação social é uma invenção do Largo do Rato e da Esquerda. Errado. Desde sempre, desde Chicago, se quisermos, as negociações entre trabalhadores e patrões, assalariados e pagadores, decorreram, tratando essencialmente de matérias validadas intrinsecamente e não por ditames ideológicos. O Partido Social Democrata ou o Bloco de Esquerda, para todos os efeitos, podem e devem quebrar a "alegada disciplina ideológica" que o PS reclama como regra de ouro. Isso faz vibrar a democracia. Existem social-democratas comunas, como existem socialistas de extrema-direita, mas não significa que sejam nem peixe nem carne. Se não querem ver com olhos de ver, então estão metidos em grandes sarilhos. A NATO já não é a NATO, a União Europeia já não é a União Europeia, a Presidência dos EUA já não é a Presidência dos EUA, mas o PS continua igual a si. Geringonças há muitas. Depende da perspectiva.

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publicado às 09:15

PS dispensa o BE e o PCP

por John Wolf, em 25.11.16

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Existe uma frase-chave no artigo do jornal-online Observador: "se as eleições fossem hoje o PS de António Costa teria 43% dos votos, ficando muito perto da maioria absoluta e podendo dar-se ao luxo de dispensar os partidos que o apoiam no Parlamento". Veremos então se o Largo do Rato aproveita a deixa das sondagens para começar a dispensa do BE e PCP. Um lider carismático (mais um) como António Costa já afirmou que está para dura(cell)r, que tem intenções de levar por diante o seu plano bi-quinquenal, a tal estratégia para a década. No entanto, para chegar a solo ao jogo teria de provocar eleições antecipadas. O PS teria de esticar a paciência de Catarina Martins, das manas Mortágua e do Jerónimo de Sousa para que estes interdependentes lhe tirassem o tapete de governação debaixo do rato. Quando saem sondagens nos dias de hoje, penso logo nas congéneres americanas e como acertaram em cheio na vitória de Hillary. As máquinas de propasondagem são ferramentas de trabalho utilíssimas. É só meter a conversa, que o aparelho, a verdadeira geringonça, tritura inconveniências e números desfavoráveis. Essa lampejo de aladino concede três desejos. Um para cada partido da trilogia de governação. O BE e o PCP daqui a nada começam a fazer contas à vida e a chamar de nelo-liberais aos patrões socialistas. Já faltou mais. Têm um belo exemplo de protecção social que está a ser administrada a António Domingues. Mas há considerandos mais importantes. Numa clara bipolarização ideológica da Europa, a ponte de consensos do PS talvez seja a sua única forma de continuidade. Se os conservadores varrerem a Europa e os planos majestáticos de António Costa acordarem de repente para um resgate à luz da protelada dívida a 133% do PIB, e de um serviço de juros incomportável, o PS passa a ser o vilão da fita e abre caminho para outra expressão ideológica em Portugal. Se o PS precisa destas sondagens favoráveis é porque algo vai mal no reino das utopias socialistas.

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publicado às 10:19

Educação Low-Cost

por John Wolf, em 31.10.16

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A geringonça está totalmente certa no juízo que faz e na decisão que toma. Para quê investir mais na educação se a moda é falsear currículos? Um corte de 169.5 milhões de euros na Educação é o que está em causa. Não vemos o chefe da FENPROF há séculos, mas agora teria uma boa oportunidade para aparecer de um modo indignado. O que se passa em Portugal? É impressão minha ou a Esquerda já não é o que era? O silêncio do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português merecem preocupações da nossa parte. Afinal não é apenas a Austeridade que está a ser branqueada. Os partidos da libertação do jugo opressor de Bruxelas parecem ter respondido ao chamamento de uma qualquer igreja, de um outro quadrante ideológico. Já viram o que aconteceu no Brasil? O Marcelo Crivella pegou na fivela e deu umas cinturadas na Esquerda brasileira. Devemos temer o efeito de chicote. Quando o povão percebe que não estão a chamar as coisas pelos nomes, rapidamente vira o prego e torce por outra equipa. A Esquerda portuguesa arrisca perder a soma das partes que hoje a define, se continuar a falsear as promessas que faz. E essa noção é básica e transversal a qualquer campo ideológico. É a Democracia, estúpido - aqui, acolá ou nos Estados Unidos. O dito por não dito não resulta. Tem a ver com a licença concedida a um governo para avançar causas que afirmava lhe serem queridas, mas que aparentemente não são. Se eu fosse educador respondia à letra. Contudo, as águas estão paradas. Não sei com que divisa se compra a vacuidade.

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publicado às 10:34

Sou um economista da treta

por John Wolf, em 18.10.16

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Não sou economista. Fiz uma cadeira do curso no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) - a casa-mãe-fornecedora de uma grande leva de economistas-socialistas - pensem Constâncio. Curiosamente, a única cadeira que completei antes de mudar de curso (para Relações Internacionais) era considerada um bico de obra: Estatística (I). Ou seja, sou a última pessoa à face da terra para oferecer modelos de salvação económica, seja de inspiração Chicagiana, ou seja com o sopro bafejado por Hayek. Em termos de mercado, posiciono-me do lado da oferta de perguntas, esperando que os técnicos de serviço possam procurar e conceder a resposta. O Governo de inspiração orçamental afirma que todos os pressupostos de aprovação do mesmo foram apresentados nesse mesmo documento. A minha pergunta é simples: quanto custa? Qual o custo de oportunidade de cada empregado? E qual o rendimento marginal de cada pensionista? Eu sei, eu sei. Depende de muita coisa. Blá blá blá, blá blá blá. Então simplifiquemos. Nesse caso, peço apenas uns rácios (sim, de racionalidade). Qual a relação entre a colecta de impostos e a geração de emprego? Em que medida as receitas fiscais impactarão a procura de emprego? De que modo os fundos provenientes do imposto sobre valores patrimoniais acima dos 600 mil euros contribuem para a dinamização de empresas? Talvez esteja a perguntar aos cientistas errados. Estas questões de linearidade talvez pertençam a outro domínio de pensamento directo. Cada vez que emitem uma nova guia de remessas tributárias atravessa-se-me pelo espírito uma sensação estranha - de vazio comportamental. Ninguém me conseguiu explicar cabalmente as ligações sinápticas entre uma coisa e outra. A gordura que sai do pêlo de cada um vai exactamente para onde? Para um aterro de margens de erro? Os economistas-políticos, ou o contrário, são uma espécie perigosa. São experimentalistas com cobaias avulso. Prefiro uma estirpe distinta. Os puros. Aqueles que pensam e dissecam, mas não se pôem a inventar soluções governativas à custa do freguês.

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publicado às 10:29

Traduzir de Marcelês para Português

por John Wolf, em 12.10.16

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Não é preciso ser intérprete de conferência (o que os Media erradamente designam de tradutor simultâneo - uma das minhas profissões), para descodificar o enigma de Marcelo. De um modo geral, a regra do contraditório sobeja. Quando políticos dizem uma coisa, geralmente querem fazer passar a mensagem contrária. O Presidente da República não invoca o nome da vaca sagrada uma vez sequer, mas sabemos que o Orçamento de Estado (OE) é uma parte apenas da mesma manada de considerações - o futuro próximo da geringonça e a possibilidade desta se estampar. Mas vamos por partes. Com tanto disponível para distrair o Zé da esquina há que tomar algumas precauções. Ele é a birra de taxista, ele é o violador de virgens, ele é a visita à China, ele é o homicida que ainda anda a monte, ele é a condenação do Rei Ghob, ele é a corrupção no IMT, ele é o jogo da bola, ele é o livro Do(m) Profano e sagrado...enfim, um conjunto de alarvidades mentais para garantir um zapping contínuo. O que Marcelo Rebelo de Sousa diz não é uma abstracção. Ele avisa os parceiros de geringonça sobre os perigos das vistas curtas, das facilidades para pensionista ver e sindicalista aplaudir. Sendo hábil na transacção de sentimentos, Marcelo apela para um imaginário político, e sugere, por entre as linhas que coze, que existe vida para além dos (frágeis) entendimentos de Esquerda. O OE que o homem de Belém quer apadrinhar não é filho monogâmico. O OE que deseja é uma consciência  partidogâmica que extravasa o poder pelo poder e encara a realidade de Portugal.  Por outras palavras, embora use a etimologia orçamental para confessar os seus anseios, engana-se na dimensão conceptual. Ao referir as vistas largas a que Portugal está obrigado, mais sentido faria usar a expressão doutrina, ou ainda, aquela arrestada por intelectuais virados a escolas francesas -  paradigma. Em suma, à falta de melhor veículo de comunicação, Marcelo traduziu-se a si mesmo. Usou um código monetário, consubstanciado num OE, para deambular por terrenos de ordem filosófica e existencial. Não sei se os visados receberam o telegrama. Os visados não estão para aí virados. Mas as eleições hão-de chegar. Primeiro as autárquicas e depois logo se vê.

 

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publicado às 19:13

Volto já - António Costa

por John Wolf, em 11.10.16

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Belisquem-me se eu estiver errado. Estacionem-me na rotunda do relógio se eu estiver enganado. Não era suposto o Orçamento de Estado ser o documento por excelência para a execução governativa? Não era suposto o primeiro-ministro fazer parte dos trabalhos conducentes à sua apresentação ao Parlamento? O timing da visita à China não é fruto de um acaso de agenda. António Costa colocou-se convenientemente a milhas da discussão de importantes questões que merecem a maior consideração governativa. Pelos vistos Mário Centeno também não estará presente em algumas sessões de trabalho antes de Quinta-feira. Já bastaram os taxistas terem barrado o acesso ao aeroporto para registarmos mais uma ausência. Ah, já entendi. Quem governa em Portugal é o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Sabemos que a pontualidade local não é britânica, mas isto é inadmissível. O homem não comparece. O nosso empregado - sim, António Costa é pago por nós -, pura e simplesmente não se apresenta ao serviço. Mas há mais. Vai dormir a bordo do Airbus com ligação directa, mas não engana nem o jet lag nem o mind gap. Também não importa - o défice não vai aterrar onde querem.

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publicado às 16:30

Legislação à força bruta?

por John Wolf, em 10.10.16

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É assim que se força a produção de legislação em Portugal?  Sob ameaça? Estamos em Democracia ou não? Os taxistas não devem ser recebidos hoje em parte alguma. Se forem recebidos após os incidentes de confronto que hoje já foram registados, podemos concluir que António Costa inclui na geringonça mais uma força. Para além do BE e do PCP, o governo tem mais um parceiro - a ANTRAL. Vergonhoso.

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publicado às 13:25

Catarina Martins alinhada com Trump

por John Wolf, em 07.10.16

 

 

 

 

 

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Catarina Martins está alinhada com Donald Trump. Segundo a bloquista, o perdão fiscal apenas faz sentido quando há empresas em dificuldades. Pois. Foi exactamente isso que o candidato presidencial americano invocou e soube aproveitar. Se não fossem ideólogas do Bloco de Esquerda não teríamos empresas falidas a chupar o dinheiro de contribuintes. Mas Martins lança chamas minguadas sobre o seu posicionamento ético em relação ao perdão da dívida da GALP. Diz a dirigente: “O Bloco de Esquerda nunca foi favorável a estes perdões fiscais e não mudou de ideias”. São afirmações desta natureza lacónica que me dão cabo dos nervos. Estes perdões? Ah. Já percebi. A empresa capitalista de petróleos de Portugal e além-mar deve falir primeiro e depois submeter um requerimento de perdão de dívida fiscal. Como podem ver, estas interpretações de salão criam dilemas bicudos. Se a menina fosse cheia de princípios traçava uma linha clara e intransigente. Cravava em mármore: não concedemos perdões fiscais - ponto final. O problema do seu juízo de discriminação fiscal é estabelecer um precedente perigoso. A Catarina Martins defende o perdão contributivo do prevaricador pequeno, mas abomina o perdão fiscal de empresas multinacionais exploradoras dos trabalhadores? É isso? Porque se fôr isso, Catarina Martins está do lado de Hillary Clinton e não de Trump, e isso é uma infâmia. Os Clinton são amigos de Wall Street, das corporações, dos pacotes de recompensa avultados, enfim, subscrevem um imenso cabaz de favores.  Quanto ao orçamento, que em breve estará a discussão, podem tirar do vinho para pôr na sopa.

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publicado às 10:43

E se Marcelo fosse primeiro-ministro?

por John Wolf, em 28.09.16

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E se Marcelo Rebelo de Sousa fosse primeiro-ministro por um dia? O exercício é interessante. Nessas 24 horas teríamos de encontrar uma actividade de tempos livres para António Costa. Adiante. O que o Presidente da República afirma deve ser levado à letra. Fala de Sócrates e desse ano fatídico de 2011, do microfone na lapela, e o "estou bem assim? ou assim, mais para a esquerda?" - resgate à vista. Marcelo, que está uns furos intelectuais acima de Costa ou Mortágua, não está a ver as coisas de uma torre de marfim. Ele sabe que um país não pode desenrascar-se à pala do turismo. A cerimónia ejaculatória sobre o crescimento do sector assenta nalgumas contradições monetário-ideológicas. Se esses estrangeiros que andam a estragar a calçada portuguesa não tivessem acumulado riqueza não estariam aqui a gastar as suas poupanças. Se esses bifes ou boches tivessem vergonha na cara deixavam-se ficar por Bradford ou Dusseldorf. Mas esse estado de arte de passeio dos alegres pode acabar bruscamente. Basta uma crise Deutsche Bank, bastam sanções a Portugal, basta um ataque terrorista. E de repente teremos uma mercado de tuk-tuks usados interessante. Marcelo sabe, talvez melhor do que os associados em governo, que as vistas não podem ser sazonais. Parece ser um facto histórico inegável desde o tempo dos Descobrimentos existir uma certa predisposição comportamental. A riqueza nacional afinal não é nacional. Não tem cidadania. É refugiada. Vem de fora. Ora são especiarias, ora é o ouro. E mudam-se os tempos, mas o "chip" parece ser semelhante. A ver se cai algo lá de fora. Chamam-lhe turismo.

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publicado às 08:04

Quem reinventou o capitalismo?

por John Wolf, em 21.09.16

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Já acumulei horas e mais horas de voo com o incorrecto axioma monetário de Mariana Mortágua. Já pedalei muito. A detentora da pasta das finanças do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista não está a prestar atenção às grandes correntes e tendências de moda do Banco Central Europeu (BCE). A troupe de Mario Draghi não menciona a função fiscal dos governos de países em apuros na última tirada vinda a público. Refere sim a importância de genuínas reformas estruturais conducentes ao crescimento das economias dos países da Zona Euro. Refere o lado da oferta agregada e não destaca o papel da procura - ou seja, de nada serve o pobretanas receber umas notas sacadas ao vilão que acumulou fortuna. Aliás, podemos e devemos ir mais longe. O capital avultado, "concentrado", se desejarem, se for sujeito a uma "reforma agrária-fiscal" de transformação em "minifúndio", perde a sua força transformadora. Por outras palavras, tirar a quem acumula para dar a quem não é empreendedor, mas mero consumidor, retira virilidade à realidade macro-económica. O que pensa a Mariana Mortágua sobre o que tem feito o BCE nos últimos tempos? Tem feito a sua vontade. Não tem deixado acumular grande coisa nos cofres desse banco e tem distribuído mundos e fundos pelos Estados em apuros. A compra de títulos de dívida pelo BCE corresponde, em certa medida, ao idioma recente da declamante bloquista. Mas o problema de fundamentalistas amblíopes é terem vistas curtas, umbilicais. O problema, vasto e complexo, não se encaixa no radicalismo que o BE procura encarnar. No entanto, existe uma outra leitura exclusivamente política. O BE  pode estar a preparar o próximo ciclo de poder. Saber onde encaixa levanta algumas dúvidas existenciais. Cinicamente, mesmo que não o saibam, a iminência de mais umas ajudas de custo em forma de novo resgate, não se pode excluir. Um descalabro do governo de geringonça obriga o BE (e o PCP, embora menos) a pensar a travessia do deserto. Por isso a doutrina Mortágua de reinvenção do capitalismo foi agora lançada. Funciona como uma apólice de seguro para desastres políticos naturais - aqueles que sabemos que estão para acontecer mais dia menos dia.

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publicado às 08:58

 

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Mariana Mortágua procura uma editora para sua nova obra - Dicionário de Ultra-liberais de Esquerda. A académica propõe reinventar a roda fiscal, os eixos da economia e o porta-luvas das poupanças. Com tanto entusiasmo pôs a carroça à frente do PS, mas espetou-se na primeira curva. O que declama não faz sentido. O que enuncia lembra a loucura. O que defende nem sequer é defensável. A confusão que vai naquela cabeça faz-nos temer certos desfechos. Entramos no domínio da irracionalidade pura. Mas ainda mais gritante será o modo como o Bloco de Esquerda (BE) compromete o seu património de correligionários que fez depósitos de fé na ideia de justiça económica e social. Ora o que propõe Mortágua fere de morte a ideia de poupança, de sustentabilidade, de trabalho e o conceito de esperança que deve acompanhar cada cidadão no seu processo de crescimento. Resta saber se a fiscalidade de furto a que se propõe se inscreve nas medidas de ajustamento negociadas com o Partido Socialista (PS). Naquela noite quente de desfecho eleitoral repartido, será que o PS aceitou tudo e mais alguma coisa do guião para cativar o poder? Ou será que isto não fazia parte do combinado? Em todo o caso, face à elevação da fasquia radical, o PS ficou encostado à parede. Ou alinha nestas loucuras ou perde a credencial atribuída pelo BE. No meio deste marasmo, lentamente vislumbramos a consolidação de um partido mais conservador, mais comedido. O Partido Comunista Português (PCP), se for inteligente, pode e deve capitalizar nas eleições autárquicas que se avizinham. Não tem muitas mais hipóteses. Colocar-se ainda mais à Esquerda do BE parece impossível. A régua ideológica fundamentalista acaba ali. Depois cai-se no abismo. A senhora Mortágua ainda não percebeu quais são as virtudes democráticas do capitalismo. São as transferências voluntárias de riqueza que fazem bem ao espírito da nação. São os projectos edificados por capitalistas privados que estão na base da livre expressão. Não existe construção imaterial, a não ser aquela de ordem filosófica. A realidade baseia-se nessa premissa. O BE deve rever os seus preconceitos. O BE deve repensar a sua doutrina. O BE quer acabar com a livre circulação de capitais? Não conhece os pilares da arquitectura da União Europeia? Já faltou mais para algo terrível acontecer. Quando as ideias não existem e os partidos são bens de consumo rápido, não há nada a fazer. Alguém deve ser internado. O país está a ficar louco com tanta asneira.

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publicado às 08:34






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