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Guardado para um dia de chuva

por João Quaresma, em 13.02.16

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publicado às 19:25

Sim, Henrique, tens alguma razão, mas não toda

por João Pinto Bastos, em 27.02.13

Certa vez, numa história que alguns pretendem apócrifa, perguntaram a Roberto Baggio o que é necessário para se ser uma lenda do futebol. O transalpino respondeu que o essencial é jogar divinamente durante um bom par de anos e depois cair completamente em desgraça. Soa-vos mal, não é? Mas Baggio tinha razão. Ele melhor do que ninguém sabe que o futebol só é futebol se tiver dimensão trágica. Algo que escapa manifestamente aos Messis deste mundo. O Henrique Raposo, com a sua prosa escorreita, escreveu aqui que o futebol não é um "espectáculo de entretenimento", chamando à colação o exemplo de Mourinho. O essencial da posta corresponde à realidade dos factos, contudo, o Henrique falha rotundamente, a meu ver, naquilo que é a essência do futebol. O futebol é, sim, entretém. Sempre foi e sempre será. Duvidam disso? Não duvidem, porque aquilo que faz a essência do futebol é a alegria e o sorriso estampados no rosto de cada adepto após uma jogada genial ou um piropo técnico virtualmente impossível. O futebol é isso. Mais: nem um show de golfinhos seria suficientemente belo em comparação a um elástico de Ronaldinho ou a um chapéu de Maradona. Ontem, num zapping noctívago, vi e ouvi, por momentos, Domingos Paciência dizer algo que me ficou na memória. Dizia o ex-avançado, a propósito do panenka jacksoniano, que se algum de nós perguntasse a uma criança o que mais gosta de ver num campo de futebol, a resposta seria, obvia e evidentemente, a arte técnica exposta no remate imprevisível à la Panenka. Quem diz criança, dirá, certamente, um adepto graúdo. Reduzir o futebol à essência de uma batalha de vida ou morte é despi-lo da beleza que lhe é inerente. Porque o pontapé na bola é, também, o riso desbragado, a gargalhada contagiante que une os desavindos, e a lágrima interminável que corre pelo rosto dos adeptos mortificados pela derrota. Riso e sentido do trágico. Foi com estes dois princípios que se formaram as grandes lendas do desporto. Talvez haja aqui um certo romantismo, mas o certo é que sem rasgo não há futebol que sobreviva. 

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publicado às 16:48

Rostos do multiculturalismo

por João Quaresma, em 20.12.12

Algumas das candidatas a Miss Universo 2012:

Sara Nicole Andersen

Miss Noruega

 

Laura Beyne

Miss Bélgica

 

Sara Yasmina Chafak

Miss Finlândia

 

Adwoa Yamoah

Miss Canadá

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publicado às 01:42

Facto

por Samuel de Paiva Pires, em 12.11.12

Vêem-se mais mulheres bonitas em dois dias em Lisboa que em dois meses em Inglaterra.

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publicado às 20:30

 

(Anne Hathaway. Porque nada melhor que uma mulher bonita para ilustrar este post)

 

Sendo, entre outras coisas, conhecido pela crítica que faz às noções de beleza vigentes nos mais variados domínios, em Beauty Roger Scruton sistematiza magistralmente a sua abordagem kantiana ao conceito de beleza. Rejeitando o relativismo da apreciação estética, considerando que a beleza é um valor universal ancorado na racionalidade humana, Scruton crê que é possível educar o gosto de forma a poder apreciar a beleza e fundamentar esta apreciação na razão. À primeira vista, esta posição pode parecer cair num racionalismo exagerado, mas quem conhece o trabalho de Scruton sabe que não é de todo o caso. A verdade é que, embora a contemporânea corrupção das artes nos leve a celebrar o que é feio, como Scruton não se cansa de assinalar, e esta crise fomentada pelo relativismo intelectual e moral se verifique essencialmente nas Ciências Sociais e Humanas, desde Platão que a beleza se encontra na companhia da verdade e da bondade, sendo estes valores o trio que se constitui como centro das preocupações da Filosofia. Partindo desta concepção, o que Scruton faz é recuperar duas ideias de Kant: sendo a apreciação estética individual e, portanto, subjectiva, não deixa de ser passível de ser debatida com terceiros – e daí a possibilidade de se educar o gosto ; e a verdadeira apreciação da beleza é aquela que tem uma perspectiva de interesse desinteressado, sendo um fim em si mesma.

 

É nesta segunda ideia que me quero focar. Scruton afirma que não «avaliamos a beleza de algo apenas pela sua utilidade, mas também pelo que as coisas são em si próprias – ou mais plausivelmente, pela forma como aparecem em si próprias. (…) Quando o nosso interesse é inteiramente tomado por uma coisa, como ela aparece na nossa percepção, e independentemente de qualquer uso que se lhe possa dar, então podemos começar a falar da sua beleza.»1 Desta forma, «consideramos algo belo quando obtemos prazer em contemplá-lo como um objecto individual, por si próprio, e na sua forma apresentada. (…) Estar interessado na beleza é colocar todos os interesses de lado, de modo a atender à coisa em si própria.»2 É isto que é um interesse desinteressado, contrário à abordagem interessada que pressupõe tratar algo ou alguém como um meio para satisfazer os nossos interesses.

 

Feitos os considerandos anteriores, permitam-me procurar aplicá-los a duas situações: a música e a beleza feminina.  

 

Não me recordo onde foi que li ou ouvi que a diferença entre estar apaixonado e não estar é que quando se está a música faz sentido. A ideia parece estar correcta, à primeira vista. Não é preciso realizar um apurado estudo estatístico para chegarmos à noção de que a esmagadora maioria das músicas trata da temática do amor. O que acontece quando estamos apaixonados e ouvimos determinadas músicas é que estas ficam associadas a certos momentos e à pessoa a quem o nosso amor se dirige. Quer o sentimento seja correspondido ou não, quer as músicas nos apareçam por acaso ou sejamos nós a procurar ouvi-las deliberadamente, as composições e as letras parecem feitas de propósito para nós. Quer seja a alegria ou a tristeza que nos invada, parecem realmente fazer sentido. Mas este sentido não decorre da apreciação da música como fim em si mesma. Decorre da condição do sujeito que realiza a apreciação, o que significa que esta tem um contexto do qual o sujeito não se consegue desligar e que não serve o propósito de efectuar uma mais correcta apreciação do valor estético do objecto visado. Por outro lado, quando não estamos apaixonados, por estranho que isto possa parecer a muitos indivíduos, estamos em condições de poder apreciar de forma mais verdadeira – porque inteiramente desprovida de interesse – a beleza de uma música. Não há, contudo, como escapar à temática do amor. Se o tentássemos fazer, provavelmente acabávamos a ouvir uma diminuta porção de toda a música jamais realizada. Mas mesmo que pudéssemos escapar a esta temática, por que o haveríamos de fazer? Juntamente com a verdade, a bondade e a beleza, o amor também se constituiu desde a Antiguidade Clássica como temática de eleição dos filósofos, dado que se encontra inscrito na natureza humana e é provavelmente o sentimento mais poderoso que qualquer ser humano pode sentir. Mesmo quando não estamos apaixonados, ou sonhamos em estar ou queremos não cair nesta condição. O amor define-nos, e define em parte a forma como vemos e estamos no mundo.

 

Isto significa também que o amor está ligado à apreciação da beleza. Dado que o amor se revela na concretização do desejo sexual erótico individualizado, tendo precisamente a ver com a intencionalidade da emoção sexual dirigida a um sujeito corporizado e não apenas a um corpo, importa salientar que, citando novamente Scruton, “De acordo com Platão, o desejo sexual, na sua forma comum, envolve um desejo de possuir o que é mortal e transitório, e uma consequente escravização ao aspecto menor da alma, o aspecto que está imerso no imediatismo sensual e nas coisas deste mundo. O amor pela beleza é realmente um sinal para nos libertarmos deste apego sensorial, e de começarmos a ascensão da alma em direcção ao mundo das ideias, para aí participarmos na versão divina da reprodução, que é a compreensão e a transmissão de verdades eternas.»3 Quando os nossos sentidos estão despertos, quando procuramos a beleza como fim em si mesma, por vezes, embora raramente, deparamo-nos com uma mulher que nos deixa com uma sensação de verdadeira admiração por si, sem que tal envolva um interesse sexual. Nestes momentos, percebemos realmente o dilema entre os nossos desejos e instintos primários e o nosso eu mais racional. Prevalecendo o segundo, abre-se a porta a todo o um novo tipo de sensações. Chega a tratar-se, quanto muito, caso conheçamos a pessoa e, portanto, esta não seja meramente uma estranha que se nos atravessa na rua, de um amor platónico – a sublimação do amor erótico, dirigido a algo mais elevado que é o prazer da contemplação de algo belo. Não contém, nem poderia, o desejo sexual, porque tal seria conspurcar um objecto que para nós se torna sagrado.

 

Quando existe desejo sexual, quando se trata da mais comum forma de amor, abre-se a porta à eventualidade de sermos invadidos por sensações bem menos tranquilizantes que as referidas no parágrafo anterior. Fernando Pessoa escreveu que todas as cartas de amor são ridículas. E são-no porque ainda antes de serem escritas têm um propósito definido – conquistar a outra pessoa – que advém de algo tão forte que chega a escravizar quem escreve a carta. Quando o eu irracional, primário e movido pelo desejo, se sobrepõe ao eu racional, o resultado é quase sempre desastroso, ridículo e piroso. Numa carta de amor, é-o necessariamente porque a carta é um mero instrumento que visa a conquista do outro, que é objectificado com vista a satisfazer as necessidades emocionais e sexuais de quem escreve. Amar é um egoísmo totalitário e avassalador. Quando não se está inebriado por este tipo de sentimentos, apreciar a beleza de alguém como fim em si mesmo reveste-se de uma natureza completamente diferente. E se por acaso o nosso espírito o decidir declarar à visada, a sensação de o fazer e após o fazer é completamente diferente. É algo verdadeiramente genuíno e que conforta a alma daqueles que estão despertos para a beleza que se encontra neste mundo. Afinal, o que poderá ser mais poético do que a beleza pela beleza?

 

Como escreveu Wilde, “Aqueles que encontram belas significações nas coisas belas são cultos. Para esses há esperança. São os eleitos aqueles para quem as coisas belas apenas significam Beleza.”



1 - Roger Scruton, Beauty, Oxford,Oxford University Press, 2009, p. 17.

2 - Ibid., p. 26.

3 - Ibid., p. 41.

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publicado às 02:35

A beleza e o sagrado

por Samuel de Paiva Pires, em 20.08.12

Roger Scruton, "Beauty and Desecration":

 

«In the eighteenth century, when organized religion and ceremonial kingship were losing their authority, when the democratic spirit was questioning inherited institutions, and when the idea was abroad that it was not God but man who made laws for the human world, the idea of the sacred suffered an eclipse. To the thinkers of the Enlightenment, it seemed little more than a superstition to believe that artifacts, buildings, places, and ceremonies could possess a sacred character, when all these things were the products of human design. The idea that the divine reveals itself in our world, and seeks our worship, seemed both implausible in itself and incompatible with science.

 

At the same time, philosophers like Shaftesbury, Burke, Adam Smith, and Kant recognized that we do not look on the world only with the eyes of science. Another attitude exists—one not of scientific inquiry but of disinterested contemplation—that we direct toward our world in search of its meaning. When we take this attitude, we set our interests aside; we are no longer occupied with the goals and projects that propel us through time; we are no longer engaged in explaining things or enhancing our power. We are letting the world present itself and taking comfort in its presentation. This is the origin of the experience of beauty. There may be no way of accounting for that experience as part of our ordinary search for power and knowledge. It may be impossible to assimilate it to the day-to-day uses of our faculties. But it is an experience that self-evidently exists, and it is of the greatest value to those who receive it.

 

(...)

 

Maybe such experiences are rarer now than they were in the eighteenth century, when the poets and philosophers lighted upon them as a new avenue to religion. The haste and disorder of modern life, the alienating forms of modern architecture, the noise and spoliation of modern industry—these things have made the pure encounter with beauty a rarer, more fragile, and more unpredictable thing for us. Still, we all know what it is to find ourselves suddenly transported, by the things we see, from the ordinary world of our appetites to the illuminated sphere of contemplation. It happens often during childhood, though it is seldom interpreted then. It happens during adolescence, when it lends itself to our erotic longings. And it happens in a subdued way in adult life, secretly shaping our life projects, holding out to us an image of harmony that we pursue through holidays, through home-building, and through our private dreams.»

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publicado às 14:00

A beleza como libertação

por Samuel de Paiva Pires, em 15.08.12

Roger Scruton, Beauty:

 

«According to Plato, sexual desire, in its common form, involves a desire to possess what is mortal and transient, and a consequent enslavement to the lower aspect of the soul, the aspect that is immersed in sensuous immediacy and the things of this world. The love of beauty is really a signal to free ourselves from that sensory attachment, and to begin the ascent of the soul towards the world of ideas, there to participate in the divine version of reproduction, which is the understanding and the passing on of eternal truths.»

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publicado às 22:25

Estamos a precisar de férias

por João Quaresma, em 01.06.12

Sara Sampaio, a modelo portuguesa que é a cara da Calzedonia para este Verão. Palavras para quê?

 

 

E pronto, senhores: podem parar de se babarem para cima do teclado e por a aliança de volta no dedo. E tenham juízo, ela tem idade para ser vossa filha.

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publicado às 15:45

Roubo indecente de uma rubrica,

por Cristina Ribeiro, em 15.06.10
                                                    
                                                       ( Lagoa do Fogo - Serra de Água de Pau  -S. Miguel )
e ainda para mais quando a autora da mesma se encontra momentaneamente ausente. Mas peço à Luísa que me desculpe qualquer coisinha :)
Volto pois aos Açores, para de lá trazer as duas fotos do dia.
                                               
                                                           ( Baía do Silêncio, na margem da Lagoa Azul- Lagoa das Sete Cidades )

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publicado às 18:18

Leio da saída

por Cristina Ribeiro, em 11.01.09

                           ( Vocação de S. Mateus- Caravaggio; Igreja  S. Luís dos Franceses-Roma )

 

 

 

de João Bénard da Costa da da Cinemateca Portuguesa, por motivo de doença.

Como é óbvio não me  posso pronunciar sobre o seu trabalho na Casa, mas, sim, já posso dizer da minha justiça sobre o cronista, sobre o escritor.

                    Muitas foram as vezes que comprei o « Público » atraída pelas suas Crónicas, que devorei embevecida, e relia, sempre com pena de só na semana seguinte o poder encontrar de novo.

Apreciei, acima de todas, as que relatavam as viagens a Itália, as incursões pelas muitas obras de arte que ia vendo, apreciando, e tão bem sabia mostrar-nos. Algumas tinha visto, nomeadamente em Roma, outras via-as nas suas palavras.

      Mas também as crónicas sobre cinema.

Homem de uma cultura sólida, era impossível ficar indiferente a esses escritos que, soube agora, reuniu em colectânea. Assegurei já um lugar na estante.

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publicado às 03:26

A loucura da guerra

por Cristina Ribeiro, em 06.04.08
Tenho-o por cima da lareira.
Debaixo de um céu muito azul, uma menina de cabelo castanho-dourado, contempla a paisagem que alcança da janela, no fim de um rio de águas calmas. Aparentemente, tudo é paz e há uma grande harmonia no conjunto...
Paz aparente, porque no céu surge um avião torpedeiro a lançar bombas, nesse cenário idílico...
O Nuno ( Castelo-Branco ) deu-lhe o título «Momento de Civilização»...

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publicado às 12:40






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