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Carlos Costa ainda é governador do Banco de Portugal?

por Samuel de Paiva Pires, em 04.03.17

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Acabo de assistir à Grande Reportagem da SIC, transmitida em três episódios, desde Quarta-feira, sobre a queda do BES. Já se sabia que Ricardo Salgado e companhia não são propriamente pessoas recomendáveis, e embora as trapaças na alta finança não surpreendam, a falta de escrúpulos revelada pelo deliberado defraudar daqueles pequenos aforradores que são conhecidos como "Lesados do BES" é particularmente repugnante - e ver o padre de Ricardo Salgado a asseverar que o sofrimento destas pessoas é o que mais custa ao ex-Dono Disto Tudo é realmente a cereja no topo do bolo.

 

O que não se sabia é que o Banco de Portugal tinha conhecimento, desde 2004, de deficiências graves ao nível da gestão de várias sucursais e filiais do grupo, que Fernando Ulrich fez chegar ao governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, em Janeiro de 2013, um relatório elaborado por técnicos do BPI que demonstrava que o GES estava falido, pelo menos, desde 2009, e que uma nota informativa interna da autoria de vários técnicos do Banco de Portugal, datada de Novembro de 2013, colocava em causa a idoneidade e a continuidade de Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires, José Maria Ricciardi e Paulo José Lameiras Martins enquanto administradores do BES, chegando mesmo a sugerir o afastamento imediato de Ricardo Salgado. Isto, portanto, vários meses antes da queda do BES, que ocorreu em meados de 2014. Recorde-se que Carlos Costa insistiu em vários momentos na tese de que nada pôde fazer antecipadamente e na Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão do BES e do GES chegou mesmo a afirmar que não tinha elementos para abrir um processo de reavaliação da idoneidade dos referidos administradores. 

 

A reportagem da SIC, que recomendo vivamente, deixa à vista graves falhas na supervisão bancária em Portugal, sendo difícil não concluir por uma certa conivência ou submissão do governador do Banco de Portugal a Ricardo Salgado. O mais surpreendente, todavia, continua a ser o facto de Carlos Costa ainda permanecer à frente da instituição. Ninguém lhe pede que cometa seppuku, mas apenas que tenha um módico de vergonha.

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publicado às 00:40

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Se o terramoto do Banco Espírito Santo serviu de mula de carga para todos os fretes político-partidários, o descalabro do Banif, por analogia, também irá servir para embrulhar muita matéria pendente. Para já referem a possibilidade de reciclagem dos CoCos (sim, cocós - dívida convertível) em capital, mas deve haver mais dejectos na calha para arremessar. Será que alguém vai ter a cabeça a prémio por uma caução milionária? António Costa - o nacionalizador por excelência -, vai ter de TAPizar esta bela prenda. Ou seja, tornar-se adepto da solução privada alicerçada no negócio puro e duro. As convicções partidário-monetaristas devem seguir sem mais nem menos pelo cano. Ou então paga o Estado. Ou então o governo salva o banco. Ou então, ou então, ou então. Daqui a nada teremos um Banido Mau e um Banif Bom, porque ideias faltam à congénere socialista. Devem imitar o guião. Embora os socialistas tenham preconizado a mudança do fuso horário político, em abono da verdade, estão a seguir as receitas do governo anterior. Mas o Jerónimo de Sousa está á coca e já avisou que se snifarem em excesso as linhas grossas do neo-liberalismo e do capitalismo porco, as luzes de Natal serão apagadas. Este banifado tem pano para mangas para ser cantado no ano que vem por tordos primaveris.

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publicado às 10:40

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Qual a relação entre o corte nas pensões e os lesados do BES? Ainda não consigo responder de uma forma satisfatória, nem sei se conseguirei, mas estou a tentar. Hoje mesmo, na pré-campanha da coligação em Braga e na arruada do Partido Socialista (PS), a divisa de câmbio político parece ter assente nessa premissa dialética, nesse tema que simultaneamente aproxima e afasta. Passos Coelho, que foi confrontado de um modo intenso por reclamantes do BES, não virou as costas ao assunto e, de um modo sussurrado ao freguês, até formulou um caminho para os lesados avançarem. Por seu turno, António Costa gritou, acompanhado pela fanfarra da terra onde desfilou, que com um governo socialista: "cortes nas pensões, jamais". E acrescentou que nunca faria uma coligação com um governo de Direita, mas engana-se no mapa de estradas ideológicas. A Esquerda e a Direita já não são o que eram. Nem no Reino de Sua Majestade. O momento que Portugal atravessa, a crise que tantas pessoas afecta, obriga, de um modo genérico, à adopção de entendimentos impensáveis. Os socialistas, se fossem progressistas e já se tivessem adaptado convenientemente ao novo mundo da política, já teriam percebido que vai ser necessário encontrar um compromisso, se não em todas as matérias de atrito, pelo menos em relação a alguns temas centrais. A própria coligação - o governo em funções-, já estendeu a mão à ala socialista para propor soluções mais consensuais para Portugal e que integrem ideias do PS. Já vimos que o país está politicamente rachado ao meio, mas enquanto a coligação procura colmatar as falhas, António Costa insiste na fissura maior. Enquanto isso acontece, ou se isso acontecer, Portugal apenas tem a perder. Quanto à pergunta que coloquei e a que não respondi; Os cortes nas pensões equivalem, se não aproximadamente, pelo menos paradoxalmente, às perdas dos aforristas nos produtos de ganho rápido no BES. Em suma, enquanto os depositantes tinham dinheiro em caixa, e o seu dinheiro estava a salvo, eram declaradamente de Direita, neo-liberais, amantes do mercado e tudo o que isso acarreta, mas a partir do momento que a coisa deu para o torto, filiaram-se na Esquerda para melhor vingar o mau-feitio dos exploradores capitalistas. Não sei se me faço entender, mas sinto algum oportunismo lírico e ideológico no ar. E não é apenas dos lesados. António Costa também oscila conforme lhe dá mais jeito. Mas ele lá sabe.

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publicado às 20:16

Venezuela exige reparações a Portugal

por John Wolf, em 04.05.15

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Eu não disse que esta história das compensações lançada pelos gregos aos alemães poderia ser aproveitada? Embora não seja a mesma coisa, vai haver mais gente a pedir dinheiros.  A holding Joe Socrates International ainda há-de causar mais estragos ao país do que um hipotético default de Portugal. Os gregos têm razão e deveriam servir de exemplo - os portugueses devem exigir compensações a Sócrates pela devastação causada e que ainda está longe de estar contabilizada. O legado do ex primeiro-ministro é deveras assinalável e continua a contribuir para falências de empresas portuguesas. Ou seja, o recluso de Évora é um contribuinte líquido para os níveis de desemprego, mas desta feita a nível internacional. Neste caso a Venezuela aparece como cabeça de série de um torneio de cambalachos financeiros. Já ia em 10 países o processo de internacionalização de Sócrates, mas tenhamos calma. Deve ainda haver diversas situações que virão a lume a tempo das legislativas venezuelanas ou lusitanas. Convenha a quem convier. 

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publicado às 12:24

Águas turvas

por Nuno Castelo-Branco, em 28.03.15

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Nada surpreendente, esta súbita sincope diante da menina Mortágua, herdeira de excelsos pergaminhos consuetudinários, aqueles famosos folga e gaba-te que dão sustento a qualquer febre revolucionária, por muito duvidosa que esta a muitos possa parecer.

A direita portuguesa é sumamente tímida. Chamo-lhe tímida para não exagerar no desagradável. Ainda recordo um dia de eleições, por sinal o primeiro em que votei no já muito longínquo ano de 1979. Uma trapalhada qualquer nos cadernos eleitorais, implicando más contas e erros no descarregar dos mesmos, tinha ocasionado um momentâneo desnorte dos representantes dos partidos presentes naquela mesa estabelecida na reitoria de Lisboa. Garoto subalterno nos angariados pela AD, fui vendo a papelada e o caso foi prontamente resolvido. No fim do dia, contados os votos que não causaram surpresa à coligação vencedora, logo o chefe CDS, quiçá envergonhado pelo incómodo que as urnas causaram aos iracundos detentores da superioridade moral, prodigalizou as inevitáveis fosquinhas no lombo do senhor da FEPU - a então Frente Eleitoral Povo Unido, mãezinha daquela que seria a APU e avó da actual CDU de curiosas ressonâncias germânicas -, afiançando-lhe ..."aaaaaaaah, a vossa juventude é formidável, se a menina fulana de tal não tivesse estado atenta, ainda não era hoje que daqui sairíamos!" Como seria de esperar, a menina fulana de tal, era a filha do comissário enviado pelo Hotel Vitória. Imitando o progenitor, a espantada pioneira encafifou-se num sorrisinho envergonhado e aceitou a burguesa lisonja que de mim apenas mereceu o mais sonoro e ríspido comentário possível:

- Vocês não têm vergonha na cara.

Não têm, nunca a tiveram. Os familiares FEPU e o tremelicado CDS ouviram e não responderam, remetendo-se ao silêncio apenas interrompido pelo restolho da arrumação dos papéis. Bem sabiam que estes jogos de sombras, são coisa comum a todo o espectro político que saltita por aí em quermesse sem rifa ideológica de espécie alguma. À saída, nervosamente revirando a ponta do bigode, o senhor do CDS foi-se desculpando com o expectável ..."tenta compreender, não sejas assim, temos de ser uns para os outros". Fomos, de facto, uns para os outros. Nem sequer lhe respondi e a partir daquele momento, ignorámo-nos. 

Isto serve para ilustrar o que se tem lido e escutado por toda a imprensa, enaltecendo  os insípidos ditos jocosos da filial Mortágua parlamentar. Não parece ser muito difícil o tal exercício de aperto dos inquiridos, sabendo-se da buena dicha que todas estas questões, prodigamente servidas e requentadas ao longo de décadas, oferecem ao linguarejar de comissões parlamentares, escritos e mexericos jornalísticos e parlapatice televisiva. A Mortágua acha-se engraçada e logo a Meireles entra no mata e esfola, numa compita em que a deputada da direita surge em desvantagem, dado o pendor paternalista que acaricia sempre a área sua oponente. Ninharias alçadas a golpes de génio oratório, tornam-se num espectáculo que apenas nos certifica da miséria que grassa nos meios beneditinos. Qualquer arrufo, guincho ou piadinha que miraculosamente não envolva bola, chuteiras ou baliza, é coisa admirável, digno de memória futura. 

Voltando ao assunto que interessa, o caso BES, apontado assalto interno a uma instituição que foi, gostemos ou não da evidência, o sustento de boa parte dos comensais do regime, fez diluir a fronteira entre o público e o estritamente privado, tornando-se num emaranhado de teias de interesses e de jogos de oportunidade de difícil destrinça. Assim, subitamente surgem irmanados na desgraça, uns valentes jogatões nos azares da plutocracia e uma imensidão de modestos acumuladores de magros pés de meia, todos  eles confiantes de antemão, na costumeira garantia que o tesouro público tem significado neste tipo de aventuras. Quando ainda por cima surge a manifestação de total confiança proclamada - mas agora garantida como não dita - pela cabeça máxima da república, dir-se-ia estarmos numa espécie de nirvana securitário que encorajava toda e qualquer oportuna golpada possível de capitalizar. Apesar de todo o imbricado político-empresarial-financeiro em que caboucava a mais louca esperança de solidez, o BES era formalmente uma curnocópia privada que ninguém via como pertencendo à comunidade nacional, nãos e tratava de uma réplica do BdP. À boa maneira portuguesa, era o privado de todos, um Estado dentro e fora do Estado. Se os indícios se tornaram há muito tempo demasiadamente visíveis, muitos fingiam nada lobrigar, esperançados no sempiterno desenrasca nacional e no proverbial logo se vê! em manhã de nevoeiro.  Um ínfimo exemplo? Quem passeasse pelas ruas de Lisboa e deparasse com cartazes Obra a obra, Lisboa melhora, terá alguma vez reparado nas instituições promotoras da demolição do que lá estava antes e daquilo que depois ali se ergueu, bastas vezes a expensas do património arquitectónico e do sempre discutível bom ou mau gosto, quando não da simples decência nos processos. Dir-se-ia que o tal solidíssimo grupo, era bafejado por demasiada sorte nos desafios urbanos. Dava cartas saídas da manga do urbanismo. 

A queda do BES não causou estranheza alguma, talvez fatalmente ditada pelo fim dos cartapácios onde outrora se amontoavam papéis de títulos e poupanças aprazadas, resenhas de contas, saldos, teres e haveres, garantias e restante panóplia burocrática facilmente vítima de fortuitos autos da fé. Vazias as estantes dos dossiers de outros tempos, vivemos no tempo da circulação pelo éter, seja lá o que isso signifique para o nosso bem e tranquilidade futura.

Dir-se-ia ser a Dona Mortágua, a natural porta-voz connaisseuse destes milandos e timacas parlamentar-banqueiros, pois tem ADN privilegiado.

Facilmente perceberão porquê.  Como diria o Soares, "riã de spêciál".  

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publicado às 19:28

O PS e o mercado de votos

por John Wolf, em 24.03.15

 

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O Partido Socialista explica: "como comprar votos em época de vacas magras".

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publicado às 11:08

Os doces das primas Salgado

por John Wolf, em 11.12.14

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Não me interessa qual o papel de embrulho de Pedro Queirós Pereira, nem o conteúdo dos presentes e ausentes do seu discurso. O que acho profundamente degradante e ofensivo nas suas palavras afectivo-empresariais é mencionar o fabrico caseiro de doçaria como uma actividade menor, pouco dignificante. O dono do papel em Portugal parece não conhecer o seu país. É precisamente essa manifestação minifundiária da cozinha portuguesa que tem permitido vidas dignas a tantas famílias. Os rissóis e as mousses de chocolate domésticos, confeccionados pelas mãos hábeis das D. Amélia de norte a sul deste país, são fruto de grande labor para gerar receitas modestas mas honestas. O Ricardo Salgado não tem de defender as primas-comadres como sugere Queirós Pereira. Se estão a trabalhar de um modo sério (pela primeira vez na vida ou não) os detalhes de pastelaria bancária não são para aqui chamados. As senhoras não podem sujar as mãos na massa que põem a levedar? As primas não podem fazer entregas ao domicílio? Podem, e devem, se estão necessitadas.

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publicado às 09:04

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Alguém me consegue explicar porque enviam para a linha da frente da comissão de inquérito parlamentar uns cordeirinhos, uns falhados de carne tenra? Ainda não perceberam que Ricardo Salgado é uma velha raposa com muitos anos de casa. Ontem deu para ver o calibre do mestre - nem uma hesitação, nem a mais pequena sugestão de suor, nem um pingo junto à sobrancelha. O senhor sabe calibrar a voz e produzir uma narrativa que enfeitiça quem não está devidamente preparado. As jovens Mariana Mortágua e Cecília Meireles foram metidas no bolso da casaca do Dr. Ricardo. Exacto, no bolso. Dr. para aqui, Dra. para acolá, mais umas voltas sobre viajar na TAP e umas referências ao "governance" - tudo suave e natural, como faena de matador. Manuel Tiago, que até tem ar de perder a compostura da gravata, também se desfez em salamaleques, pisando o terreno como se fosse campo minado. Minhas senhoras e meus senhores, não foi Ricardo Salgado que pagou 3 milhões para não ir de cana? Estão recordados? Ontem foi tudo muito mansinho e muito indolor da parte de quem perguntou. O homem aproveitou. Não existirão nas fileiras da Assembleia deputados com estofo para colocar o espeto na grelha?  Por exemplo, alguém com a estâmina e a casca dura de um Pinto da Costa ou de um Valentim Loureiro? Não existe do lado dos bons (existem bons?) um Clint Eastwood disposto a usar o chavão: come on, make my day? Foi lamentável que o ponto alto do dia tivesse sido a declaração primocída de Ricardo Salgado. É o que eu digo, este ex-banqueiro dava um excelente Procurador. Já começou a esgravatar no Banco de Portugal e não se incomodou muito por ter arreliado o primo Ricciardi. Quanto a Cavaco - está na ciudad de Mexico.

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publicado às 13:53

Síndrome de imuno-deficiência bancária

por John Wolf, em 19.08.14

Quando os políticos e os banqueiros andam enrolados o resultado nunca pode ser grande coisa. Por esta altura do campeonato, o Banco de Portugal (BdP) já deveria ser alvo de uma investigação conduzida pelo Banco Central Europeu (BCE). Se o supervisor das actividades das instituições financeiras não estava a par do que se passava no Grupo Espírito Santo (GES), algo vai mal naquela entidade. Se os sucessivos governadores do BdP viraram a cara a tropelias ilegais, então os mesmos devem ser alvo de processos-crime. E de nada serve usar a expressão: não vale a pena chorar sobre leite derramado. A auditoria que o país exige deveria elencar todas as instituições financeiras ou para-financeiras, e proceder a uma fiscalização preventiva e retroactiva das suas actividades. Quando a esmola é grande, o aforrista deve desconfiar. O presidente do Montepio Geral bem pode aparecer para acalmar os ânimos, e assegurar que o seu banco é diferente dos outros, mas não é bem assim. O sistema financeiro (doméstico ou internacional) tem um DNA complexo, repleto de fluxos e refluxos de dinheiros, fundos e mais fundos de fundos que não têm fim. Nenhuma instituição financeira nacional deve ser considerada imune ao contágio do doente principal. Para tirar tudo a limpo, todos os bancos devem ser sujeitos a um escrutínio meticuloso. Doa a quem doer.

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publicado às 21:40

Tudo bons banqueiros

por John Wolf, em 09.08.14

Exemplos de uma classe profissional bem representada. Seguramente há outros. Há mais.

 

BPN -  Oliveira e Costa

BCP - Jardim Gonçalves

BPP - João Rendeiro

BES - Ricardo Salgado

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publicado às 14:14

Expliquem-me

por Nuno Castelo-Branco, em 06.08.14

Estúpido e burro como sou, há coisas que não entendo e por isso peço desculpas, necessitando de esclarecimentos:

1. Conhecendo-se há muito tempo os indícios de algo de bastante estranho estar a acontecer nos círculos do financiamento da "economia" - bastava andarmos atentos às obras e demolições na cidade de Lisboa, dando alguma atenção aos cartazes dos financiadores -, porque deixaram tudo isto arrastar-se num mundo onde o dinheiro é meramente virtual, uma convenção? Num país que não possui moeda própria - e que tem parte daquilo que ainda é real, as "bacocas reservas" auríferas, guardadas além-atlântico -, não seria isto essencial para decuplicar os procedimentos de fiscalização?

 

Expliquem-me.

2. A lentidão ou ineficácia da fiscalização, poderá também ter algumas justificações políticas. É infalível, fazendo suspeitar acerca de uma intencionalidade.
O centro do poder europeu - comissão, banco central, etc - está ansioso pelo reforço das suas atribuições, enfraquecendo o poder dos Estados e logo, dos instrumentos capazes de manter alguns resquícios da soberania: bancos, instituições locais - o ataque concertado à coroa espanhola não foi mero acaso de conjuntura -, desestabilização política em certas regiões.
Esta crise provocada pelo mesmo centro europeu, conduzirá a uma maior exigência de padronização e da clássica espiral a que temos assistido desde Maastricht. Não faltarão agora ainda mais argumentos para esse nivelar do sistema bancário, outorga de poderes soberanos a Bruxelas e porque não? a "mutualização" de recursos com um grande potencial económico (a zona económica exlusiva marítima, por exemplo), etc.  Estarei a exagerar?

Expliquem-me.  

3. Cinco mil milhões custará o "Novo Banco"? 

Já estou como D. João V quando lhe disseram quanto custaria o carrilhão de Mafra:

- "QUE BARATO! Quero dois!"

Há uns meses e apesar de muita gente considerar a CGD como o banco ideal para futuros negócios e inovações da moda, as autoridades anunciaram a criação de mais um ...banco, isto é, mais burocracia, despesa, jobs for the old boys, desperdício e falta de racionalidade. Já que o "BES/Bem-bom" vai ser vendido a preço de saldo e dado o seu propalado papel na economia, porque razão há-de ir parar ao depósito do Santander ou do ? Não haverá por cá um aglomerado de "patrióticos banqueiros" que se coliguem para adquirir a coisa? (1) A CGD que ajude, gostem os "europeus" ou não gostem. Há que desobedecer a essa gente, embora sob o prisma da UE, a coisa possa ser considerada "ilegal". Vão declarar-nos guerra? Claro que não. Nada acontecerá, se excluirmos meia dúzia de grunhidos da gente do costume.

 

(1) O noticiário diz que alguns bancos nacionais aumentam o valor da proposta de intervenção no "banco bom". A ver vamos se os eurocratas do nosso regime não torpedeiam a coisa. 

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publicado às 21:10

O BES e os deputados com vendas de burro

por John Wolf, em 06.08.14

O país inteiro está boquiaberto e pergunta: como foi possível isto acontecer ao Banco Espírito Santo (BES)? E a pergunta é legítima e exige o apuramento de responsabilidades. Em democracias alicerçadas em constituições que definem a separação de poderes e atribuição de competências, os deputados parlamentares também devem ser considerados co-autores deste escândalo bancário que terá impactos avultados na economia nacional. No meu entender, houve uma interpretação restritiva da função parlamentar. Quantas comissões dedicadas às actividades financeiras foram constituídas ao longo das décadas e com membros de todos os partidos? Nunca ouviram falar no poder extra-judicial que advém da aplicação das prerrogativas que decorrem do "checks and balances"? Ou seja, os representantes que ocupam lugares na Assembleia da República deveriam ter funcionado como um quarto poder, como um corpo fiscalizador de domínios sensíveis como é o da banca. A linha de vida da economia de um país emana de um sistema bancário saudável e todos os sintomas eram mais que óbvios no caso do BES. A amplitude e diversidade de negócios do grupo deveria ter sido suficiente para fazer soar o alarme. Mas não, os deputados (e os governos) deixaram a coisa andar até à plena exaustão, e hoje, de um modo politicamente conveniente, falam das trancas à porta depois do país ter sido arrombado. A haver investigação séria e conclusiva sobre as ramificações da prevaricação, os deputados devem ser arrastados para esse tribunal. De nada serve o discurso indignado de deputadas como Catarina Martins, quando a própria, como tantos outros da Esquerda ou Direita, estiveram anos a fio a ver o comboio passar. Em suma, os parlamentares não cumpriram a sua função de um modo adequado. Não souberam proteger Portugal do pior pesadelo possível. Não souberam ver o que se passava diante dos seus olhos. Ou não quiseram.

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publicado às 10:25

Banco Novo Fénix

por John Wolf, em 04.08.14

A rapaziada das diversas agências de publicidade não deve ter mãos a medir com o Novo Banco, filho primogénito do falido Banco Espírito Santo (BES) e irmão do bastardo banco mau. Como irão incutir no espírito do cliente a ideia de confiança e apagar o passado? A Dona Inércia e o Cristiano Ronaldo são cartuchos gastos. O que irão congeminar os copywriters que estavam habituados à rédea solta da aparente abundância de meios? Já estou a imaginar as seguintes tiradas: "Banco Novo - a história não se repete" ou "Banco Novo, Guito Novo". Vai ser uma carga de trabalhos para os accounts, directores de arte e comunicação acertarem na fórmula que retire o amargo (salgado) de boca - money sweet money. A cor verde usada e abusada pelo BES deve ir à vida, mesmo que o seu simbolismo tenha a ver com vitalidade. O slogan "quem sabe sabe, e o BES sabe" soa agora a peta das grandes.  "Ponha o seu dinheiro a render?" - não me parece. O re-branding que obrigatoriamente tem de acontecer não pode destapar a careca porque essa já é mais que aparente. A fénix (não disse fónix) pode servir de base conceptual - a ideia do renascer das cinzas, mas, essa imagem não é subtil. O termo "novo" também é paradoxal na sua interpretação. Todos sabemos que a nouvelle cuisine é mais "fogo de vista" do que outra coisa qualquer - não tira a barriga de misérias. De que "novo" falamos? Do moderno, do impressionista? Como podem constatar a tarefa não é simples. Seja qual for a solução encontrada, aposto que será uma razia, uma decisão que apagará os vestígios da divindade intocável do Espírito Santo. O conceito a adoptar, na minha opinião, terá de se colar ao povo, à democracia no seu sentido pimba-popular para granjear a afeição de depositantes e novos investidores. A matriz social e cultural de um país em convulsão deve ser levada em conta na confecção do Novo Banco. Se insistem na ideia de elite ou colégio de privilegiados deitam tudo a perder. As reminiscências salgadas devem ser afastadas. Para lá chegarem, têm muito de demolhar para que o Banco Novo seja efectivamente uma vida nova.

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publicado às 21:11

Talvez o mais interessante ainda esteja por vir

por Samuel de Paiva Pires, em 04.08.14

Com os recentes acontecimentos no BES, além da queda do império da família Espírito Santo, cai a chefia de uma estrutura de poder alicerçada na promiscuidade entre a política e os negócios. Depois da notável solução ontem anunciada pelo Governador do Banco de Portugal - e partilho a opinião de José Manuel Fernandes quanto ao protagonismo do Banco de Portugal em lugar do Governo, sendo as críticas de certa extrema-esquerda a este respeito sintomáticas da desorientação que grassa em algumas cabeças, em particular a de Catarina Martins -, cujos pressupostos são os que deveriam ter presidido a todos os resgates de bancos desde o início da crise, se tudo correr pelo melhor, a economia nacional sairá reforçada. Mas talvez valha a pena lembrar que não é por acaso que Ricardo Salgado era apodado de Dono Disto Tudo. Seria particularmente saudável para a nossa democracia que em vez de se substituir o dono, se dispersasse o poder que até agora se encontrava concentrado nas mãos de uns poucos e se procurasse minorar a promiscuidade entre a política e os negócios. Afinal, segundo Plínio, "inventámos a política para deixarmos de ter um dono."

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publicado às 16:40

Se...

por Manuel Sousa Dias, em 04.08.14
Se...

Se os depósitos dos clientes do BES forem salvaguardados;

Se os empregos dos trabalhadores do BES forem acautelados (na medida do possível dentro de um cenário de reestruturação);

Se os contribuintes não entrarem com um centavo na salvação do "banco bom";

Se os accionistas sofrerem com o risco e as consequências dos seus (maus) investimentos;

Se a nova gestão do BES não for pouso para boys ao serviço do governo;

Se os responsáveis pelas eventuais fraudes cometidas pelo BES forem julgados e condenados em caso de culpabilidade...

... pode dizer-se que foi feita justiça e que a resolução do problema BES foi exemplar.

Confesso que não tenho fé no último "se", não por pessimismo mas porque conheço o país em que vivemos.

O governo português, o Banco de Portugal e a justiça têm nas suas mãos uma oportunidade de ouro (mais uma!) para mostrar que se faz justiça também com os ricos e poderosos - ou apenas uma oportunidade para confirmar o contrário!

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publicado às 14:01

Marques Mendes, o BES, o bom e o mau

por John Wolf, em 03.08.14

Afinal o que é Marques Mendes? Marques Mendes Bom ou Marques Mendes Mau? O que julga este porta-voz do Banco Espírito Santo (BES)? Que assim, sem mais nem menos, se agita uma varinha Moulinex e o BES fica um mimo? Frase ganhadora do prémio silly season: "Tudo o que é lixo estará de fora bem como todos os esqueletos" sem comentários.

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publicado às 08:14

Portugal, o BES e o fim da confiança

por John Wolf, em 31.07.14

Que se lixe a queda na bolsa das acções do Banco Espírito Santo (BES). O mais grave de tudo isto tem a ver com um valor intangível: a confiança. Por causa de salafrários como Ricardo Salgado, Jardim Gonçalves, José Sócrates ou Vale e Azevedo, para nomear apenas alguns de um imenso caldeirão de bandidos, o país inteiro passou a estar sob suspeita. A cada 24 horas que passa nasce mais uma extensão de uma longa novela de prevaricação. Acordamos, e mais três são implicados. Um deles, o delfim-genro de Ernâni Lopes, de seu nome Joaquim Goes (melhor aluno da Universidade Católica, segundo consta). Por causa destes sujeitos, já nem confiamos na Dona Ercília da Mercearia do bairro - "O pão é de hoje? É sim senhor. Acabadinho de chegar na Sexta-feira passada". Para além de todos os processos judiciais que possam decorrer da investigação às actividades financeiras destes indivíduos e dos grémios que os viram nascer, o povo português deveria levá-los à barra dos tribunais por danos morais e psicológicos causados. Deixamos de confiar. Qualquer coisa que mexa ficamos logo em sobressalto - de pé atrás. Começamos (ou continuamos) a ter dúvidas sobre as grandes instituições financeiras e os seus timoneiros, mas também a vacilar em relação à oficina de reparação da viatura e a conta apresentada, ou por causa da extensa lista de medicamentos inscritos na receita do dermatologista lá da seguradora. O português tem motivos para desconfiar. O cidadão nacional tem razões para olhar sobre os seus ombros. O povo, por estas razões todas, tem a obrigação de escrutinar os políticos, de espremê-los até ao tutano. Se não o fizer, a porta ficará aberta para ainda maiores desgraças. Entretanto, esta estória, para além de mal contada, está longe do seu desfecho.

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publicado às 11:45

Antónios, primárias e dinheirosas...

por John Wolf, em 29.07.14

António Costa bateu por meia-hora o rival António José Seguro - chegou trinta minutos mais cedo para formalizar a sua candidatura às eleições primárias no Partido Socialista (PS). Mas Seguro, certamente melindrado pelo facto, não foi de meias-medidas e apresentou uma resposta à altura da situação: o orçamento para sua campanha é maior que o de António Costa - 165 mil euros contra 163 mil. Parece-me que somos confrontados com um empate técnico. Contudo, existe uma questão de fundo, menos jocosa e mais pertinente, que deve ser endereçada sem demoras, neste caso ou noutros de índole semelhante: a proveniência dos dinheiros de campanha. Este é o momento mais que indicado para avançar com medidas tendentes à normalização e transparência dos processos eleitorais. O cidadão português, recenseado ou não, tem o direito de saber de onde vêm os valores que ajudam a sentar políticos nas cadeiras do poder. As questões financeiras relacionadas com campanhas são sempre apresentadas de um modo convenientemente vago. São frases como; "estimam gastar 328 mil euros" ou "está tudo em aberto", que minam a confiança dos eleitores e dão margem para trafulhices. À americana, sem rodeos ou rodeios, que seja publicada a lista oficial de fundos e donativos concedidos à campanha deste ou daquele (podem inserir o apelido Wolf no motor de busca). O Dr. Solgado passou um cheque de 10 mil euros? Não, não consta na lista. Muito bem. Adiante. O Eng. Santos dos Soares teve uma atenção para com o outro? Sim, senhor - está aqui na terceira página do balancete. Estão a perceber? É simples. Pagou - passa-se recibo (dedutível no IRS logo se vê) e publica-se a folha de pagamentos no diário da república. Bananas. Obrigado. Passe bem. Passa para cá o meu.

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publicado às 18:08

O pragmático

por Samuel de Paiva Pires, em 25.07.14

Um advogado pode escrever disparates como este e afirmar lugares comuns que, para muitos, se tornaram verdades evidentes, ignorando que esquerda e direita são posições relativas e categorias que retêm toda a actualidade na interpretação da política, como Norberto Bobbio explica em Direita e Esquerda. Pode até, crendo na sua própria efabulação, dizer-se pragmático.  E também pode escrever um artigo, 6 dias antes da detenção de Ricardo Salgado, a defender o resgate do BES com dinheiro dos contribuintes, "Sem demagogias e com pragmatismo." Convinha era ter esclarecido que é advogado de Ricardo Salgado (como se defende aqui), ou então, como seria recomendável, não ter escrito sobre o assunto (como se sugere aqui). O dito pragmatismo pode ser visto de diversas perspectivas e utilizado retoricamente para justificar resultados diferentes para o mesmo problema. Neste caso tratar-se-á da modalidade mais vulgar, a que serve apenas para justificar a prossecução de objectivos e interesses pessoais à custa da comunidade, que ganha uma particular ironia por ser protaganizada por um alegado liberal.

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publicado às 10:43

Portugal Salgado

por John Wolf, em 24.07.14

Porque é que o caso BES vai dar em nada? Porque Ricardo Salgado soube montar a sua defesa de um modo inexpugnável. Ao longo de décadas a família Espírito Santo foi envolvendo tudo e todos, resgatando para o seu círculo de dependência, políticos, empresários, partidos, instituições, fundações, clubes de futebol e homens de cultura. Quem são então os responsáveis pela promiscuidade e os ilícitos que decorrem de proximidades e conveniências? São todos. São todos os governos de Portugal havidos antes e depois do 25 de Abril. Foram todos os políticos próximos ou extintos pela perda de mandatos. E porque razão apenas agora rebenta a bomba do Grupo Espírito Santo? Em parte, ou integralmente, porque este seria o momento certo para arrasar com a candidatura de António Costa que assentou grande parte da gestão camarária na obra e na empreitada, na conversão imobiliária, e, umas instituições financeiras, mais do que outras, beneficiam com decisões políticas que implicam investimentos que apenas são possíveis com empréstimos da banca. Parece que o país inteiro sabe mas não quer saber quais as implicações desta teia de interesses. Ou é espectador ou participa no esquema. Manuel Salgado é primo de Ricardo Salgado? É apenas um detalhe, mas serve para ilustrar a promiscuidade, o antro de relações perigosas/proibídas em que se transformou Portugal. A pegada do BES é enorme e envolve tantas empresas e grupos económicos que assistiremos a um jogo de soma-zero, o exercício de lavagem colectiva de mãos - uma extensão da lavagem de dinheiros. Depois temos o falso jornalismo do grupo Impresa, pela voz da SIC ou através dos textos assinados no Expresso que ostenta a ilusão de um sistema de justiça implacável para gaudio do povo sedento de sangue. Três milhões para o bailout de Ricardo Salgado pode parecer muito à luz do Euromilhões, mas não passa de uma ninharia quando comparado com os juros que o país irá pagar nos próximos tempos pela quebra de confiança e o descalabro material, efectivo. Que se faça a lista de compras de supermercado para saber quem virou a cara a tanta prevaricação, e nesse longo rascunho estarão todos os convivas em que possam pensar - Sócrates, Cavaco Silva, Guterres, Manuela Ferreira Leite, Mário Soares, Passos Coelho, Duarte Lima (para mencionar apenas alguns), assim como célebres escritórios de advogados e empresas de constituição de offshores. Acreditam mesmo que veremos a luz do dia em relação a este caso? Se o BES cair, cai o país inteiro. Cai a PT. Cai a Caixa. Cai tudo. Caem todos. Seria bom que assim fosse, mas não me parece que Portugal abandonará as práticas que fazem parte da sua matriz, dos poderes que estão instalados e que foram contaminando o resto da paisagem económica e financeira. O Grupo Espírito Santo até pode evaporar, desaparecer da face da terra, mas o dia da ressurreição dará vida a um outro corpo, com outro nome, mas com os mesmos rituais de obediência e recompensa. Extravio, prevaricação, pecado por pouco.

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publicado às 20:14






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