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A força dos caracteres e dos candidatos

por John Wolf, em 11.01.16

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Cada um dos candidatos presidenciais depende da força dos caracteres - a capacidade para formar palavras e frases que exprimam a força das suas ideias.  A força do carácter (que é uma coisa distinta) não chega, como julga Maria de Belém. Existe algo ainda mais importante. Os (stors) Rebelo de Sousa e Sampaio da Nóvoa, o (padre) Edgar, o Tino (de rãs), o Jorge (Sequeira, ou se quiser), o D. Henrique (o neto), a Marisa (que não é fadista), o Morais (de nome e de ética) ou o (cândido, doce) Ferreira disputam entre si o primado da palavra. A palavra é a trabalhadora da esquina política, amestrada pelos chulos que disputam territórios. Os proxenetas também tentam convencer os clientes da sua superioridade, do seu talento. Os candidatos presidenciais em cena, praticam a língua portuguesa de acordo com o seu património cultural (duvidoso nalguns casos), fazendo uso de um cabaz de chavões e frases-feitas. Arremessam versos sem que se possa descrever a sua origem ideológica, etimológica, alegriana ou não. No domínio do jargão propriamente dito estamos servidos. A tragédia que se apresenta aos portugueses é de outra natureza, mas igualmente nefasta. Onde estão as reflexões profundas que se exigem? Onde encontramos um conceito de presidência que oblitere a conversa de taberna a que temos assistido? O nível intelectual, o sentido de Estado, a cultura de um povo ou a visão estratégica que culminariam no refundar da missão da presidência, simplesmente não se avistam. Os debates havidos, a que se somará mais uma bela dúzia, continuará a confirmar os nossos piores receios. Portugal, na sua recente história democrática, não conseguiu produzir uma verdadeira escola de presidentes. Ou são ex-militares moderados ou já foram presidentes de câmara, ou primeiros-ministro, mas não parece ter servido para grande coisa. O casting de candidatos à presidência obedece à matriz tipicamente lusa - a arte do desenrascanço, do aproveitamento das sobras, do oportunismo do momento.  Nesta tosta-mista de considerações, somos servidos por mais chefes que índios. Não havia necessidade de lançar tamanha confusão. Até parece que as eleições vão servir para nomear um presidente para cada capital de distrito (?). E depois temos de levar com certas contradições de ordem filosófica. O carácter, essa dimensão de alma insondável pela estatística política, deve permanecer no seu silêncio sepulcral. O carácter não se comunica, embora se afirme. O carácter não se vence, e não pode ser sujeito a derrotas. O carácter não se confunde, portanto é singular. E o carácter não se hierarquiza e humilha o dos outros. Enfim, o carácter não se imprime em outdoors gigantes quando falta tudo e mais alguma coisa. Os homens e as mulheres por vezes também se medem aos palmos. E as palmas não irão abundar nos póximos tempos. Miséria.

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publicado às 09:14

Antónios, primárias e dinheirosas...

por John Wolf, em 29.07.14

António Costa bateu por meia-hora o rival António José Seguro - chegou trinta minutos mais cedo para formalizar a sua candidatura às eleições primárias no Partido Socialista (PS). Mas Seguro, certamente melindrado pelo facto, não foi de meias-medidas e apresentou uma resposta à altura da situação: o orçamento para sua campanha é maior que o de António Costa - 165 mil euros contra 163 mil. Parece-me que somos confrontados com um empate técnico. Contudo, existe uma questão de fundo, menos jocosa e mais pertinente, que deve ser endereçada sem demoras, neste caso ou noutros de índole semelhante: a proveniência dos dinheiros de campanha. Este é o momento mais que indicado para avançar com medidas tendentes à normalização e transparência dos processos eleitorais. O cidadão português, recenseado ou não, tem o direito de saber de onde vêm os valores que ajudam a sentar políticos nas cadeiras do poder. As questões financeiras relacionadas com campanhas são sempre apresentadas de um modo convenientemente vago. São frases como; "estimam gastar 328 mil euros" ou "está tudo em aberto", que minam a confiança dos eleitores e dão margem para trafulhices. À americana, sem rodeos ou rodeios, que seja publicada a lista oficial de fundos e donativos concedidos à campanha deste ou daquele (podem inserir o apelido Wolf no motor de busca). O Dr. Solgado passou um cheque de 10 mil euros? Não, não consta na lista. Muito bem. Adiante. O Eng. Santos dos Soares teve uma atenção para com o outro? Sim, senhor - está aqui na terceira página do balancete. Estão a perceber? É simples. Pagou - passa-se recibo (dedutível no IRS logo se vê) e publica-se a folha de pagamentos no diário da república. Bananas. Obrigado. Passe bem. Passa para cá o meu.

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publicado às 18:08

Bandeira branca na praia eleitoral

por John Wolf, em 22.05.14

Há vários factos irrefutáveis que não podem ser branqueados, adoçicados para bel-prazer de certos protagonistas ou clubes. A "vitória" do PS nas Europeias não será retumbante. Francisco Assis não sairá em ombros pela porta grande com direito a vivas, duas orelhas e rabo. O resultado das eleições irá deixar um sabor amargo aos socialistas que têm andado a picar à Direita e à Esquerda com promessas de vingança ao governo, de serem os maiores do mundo. Seguro pode se dar mal com os festejos antecipados. Mas não é assim que funciona. No espaço que medeia entre a saída de cena do PS, a chegada da Troika e os tempos presentes, o povo português aprendeu uma parte da lição. Não se pode confiar às cegas em quer que seja. E isto aplica-se a quem está no poder ou a quem está no lobby à espera, no intervalo da mudança. Na euforia da campanha, os actores parecem, de um modo conveniente, se ter desligado da realidade. Convém relembrar o seguinte: Portugal é o país do mundo que mais deve ao FMI e sim - viveu acima das suas possibilidades. De nada serve invocar a síndrome Jonet ou cuspir no prato do Ulrich. Estes são os factos e não podem ser escamoteados. E onde pára o debate essencial a que o país está obrigado? Numa prancha à vela sem vê-la? Se Soares ou Sócrates vêm à festa de encerramento da semana de promoções e descontos eleitorais? Se a minha campanha é melhor do que a tua? Lutam todos de alma e coração pelas suas listas, mas Portugal ficou de fora. O país vive este espectáculo como se fosse uma conferência de imprensa sobre treinadores de futebol. Os misters substituem-se, mas a bola que rola será a mesma de sempre. A ligação umbilical entre a paixão política dos "campanhistas" e o cidadão eleitor está cada vez mais frágil, muito perto da perda de contacto de tantas lides ocorridas no passado. A abstenção e os votos em branco parecem estar bem lançados para ganhar esta corrida. Só mais uma pergunta: como vai estar o tempo no Domingo de eleições? Acho que vai estar um belo dia de praia.

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publicado às 08:54






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