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Passos Coelho: "it was a dirty job..."

por John Wolf, em 03.10.17

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Passos Coelho será injustamente lembrado por muitos, mas foi o homem certo no momento errado - "it was a dirty job and somebody had to do it". O homem que agora se prepara para sair da cena política, não escolheu o mandato. O mesmo foi imposto duramente e sem tréguas. A geringonça herdou uma casa arrumada e pôde libertar-se da Troika e de todo um léxico associado à Austeridade. Se houve alguém que teve de pagar um elevado preço político, essa pessoa foi Passos Coelho. E ele sabia-o a cada medida imposta, a cada decisão que castigava o contribuinte português, o trabalhador nacional. A personificação de tudo quanto é sinistro na sua pessoa foi habilmente promovida pela oposição, como se todos os males do mundo português e o descalabro económico e financeiro tivessem sido criados por ele. O Partido Social Democrata (PSD) enfrenta agora outros dilemas. Como se diferenciar e apontar as falhas de um governo de Esquerda embalado pela onda favorável do turismo e receitas conjunturais? O PSD, à falta de candidatos-estadistas para relançar a sua estirpe política, tem forçosamente de procurar noutro palheiro a saída desta crise de liderança e défice de carisma. Rui Rio ou Luis Filipe Menezes se fossem um só, uma soma de partes, talvez pudessem representar o partido com argumentos e credibilidade, mas essa construção não é possível. Se o PSD não foi capaz de produzir uma nova geração de lideres com profundidade e campo de visão (perdão, Luís Montenegro não tem o que é preciso), terá de validar outros vectores, outras propostas, correndo o risco de perder terreno para o ex-parceiro de coligação - o CDS. O processo de recalibragem não depende de uma figura de proa. Sustentar-se-á numa leitura ajuizada da realidade ideológica e política que extravasa os parâmetros de Portugal. O PSD não pode ser um mero agente reactivo ao poder instalado, à bitola ideológica, ao PS, o PCP, o BE e agora o CDS. Exige-se uma lavagem de conceitos operativos, um refrescar de propósitos, um realinhamento sem sacrificar os princípios fundadores, os valores de base. Nessa medida, mais do que homens-estandarte, serão as ideias que terão de se autonomizar. Serão axiomas e conceitos plenos que terão de servir de justificação. Por outras palavras, as respostas estarão na métrica da realidade, como por exemplo o nível recorde de dívida pública. Serão os factos inegáveis que emprestarão credibilidade às propostas, e menos o estilo de discurso ou as preferências de liderança. O PSD, à falta de cão, terá de caçar com gastos não previstos pelo seu guião clássico, tradicional. Se souberem aproveitar a crise estarão preparados para a próxima bancarrota.

 

foto: Expresso

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publicado às 20:50

Eles comem tudo, quase tudo

por John Wolf, em 02.10.17

 

O Partido Socialista (PS), nas últimas legislativas, teve de se contentar com uma geringonça, mas se pudesse, congratular-se-ia com uma maioria absoluta para não ter de ficar refém dos comunistas ou bloquistas. Não foi isso que aconteceu nas legislativas e o PS tornou-se num partido dependente das doses radicais dos partidos mais à sua esquerda. A geringonça aproveitou os alibis internos e as exigências da sua ala mais "extrema" para fazer avançar uma agenda que, caso fosse necessário, poderia invocar como não sendo a sua. António Costa, que se alegra com o mal dos outros, nomeia o PSD como o grande perdedor da noite. Não está totalmente enganado, contudo a vista panorâmica tem de ser mais ampla e honesta. Os sócios comunistas da CDU perderam substancialmente em toda a linha - lá se vai a tese da leitura nacional que um bom resultado poderia servir para reforçar a legitimidade da geringonça. Uma das partes da geringonça sai ferida com gravidade deste embate. Fernando Medina, vendido como regente absoluto da cidade, e campeão das obras e do turismo, tem de agradecer o presente de António Costa (que largou a CML), mas sobretudo a um notável político que preparou o terreno para o incremento do Turismo em Lisboa. Adolfo Mesquita Nunes foi quem teve a visão, foi quem pensou Lisboa enquanto importante vector, enquanto região e capital económicas por excelência. Se tivessem nível, os ganhadores de secretaria e das autárquicas em Lisboa, ligavam os pontos para ampliar ainda mais a democraticidade abrangente da geringonça incluindo "inimigos". Mas não. Vivem de sobranceria ideológica - os socialistas são sempre melhores. Pelos visto Medina fez tudo de livre e espontânea vontade, e inventou a roda. No entanto, o facto de não ter conseguido a maioria absoluta em Lisboa significa que a pedra no sapato com que tem de marchar pelas ciclovias funcionará com um mecanismo de checks and balances: o posso, quero e mando já não será assim tão simples. E há mais. Não foi a Direita que saiu derrotada. Assunção Cristas encarna um perfil que transcende a bitola ideológica. Defendeu em campanha, e protege na oposição, causas definitivamente conotadas com justiça social e económica, mas que não são nem podem ser um exclusivo da Esquerda. E o prémio da noite, na minha opinião, vai para Rui Moreira. O independente foi capaz de travar as manobras e esquemas de um PS oleado há décadas para a manipulação nos bastidores e nos media.  De nada serviu, como Moreira bem frisou no discurso da noite, que Pizarro tivesse recrutado o governo de sua geringonça para descarrilar os seus intentos. Pizarro não teve fair-play, mas foi ajudado nesse tango manhoso. O PS que julga que não existem limites, levou uma castanhada no Porto. Quanto ao BE, não sei exactamente o que pensar. Estão ali em águas de blocalhau e podem ser vítimas dessa estagnação. Sabemos, face aos resultados da noite eleitoral de ontem, que o PSD vai ter de se reinventar, apanhar os cacos e fazer um reset. Mas não pode apanhar uns cacos quaisquer. A Manuela Ferreira Leite também pode apanhar a camioneta com Pedro Passos Coelho. Já não fazem falta ao partido ou ao país. Os comunistas, imutáveis perante as evidências, continuarão a musicar aquele pífaro de luta pelo trabalhador oprimido e a denunciar os opressores capitalistas. Estão, desse modo, no seu território preferencial, a jogar o papel que bem conhecem - o de vítimas. O PS irá espremer as autárquicas para canonizar a geringonça, mas em última instância será vítima do seu sucesso desmesurado. Isaltino, o cão-pisteiro, abriu o caminho para tantos outros, uns de Felgueiras, e outro da cela de Évora. Mas esse resultado espelha o povo, eticamente vergado e que se deixa enganar. Ouvi dizer que o maior derrotado da noite foi a abstenção, mas não é verdade. Foi uma metade que votou. Portanto apenas pode haver meio deleite.

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publicado às 07:26

Da importância do timing em política

por Samuel de Paiva Pires, em 01.10.17

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Uma das melhores qualidades que um político pode ter é saber quando deve retirar-se, evitando a humilhação de ser forçado a sair. Esta qualidade torna-se ainda mais importante em determinadas circunstâncias, como, por exemplo, quando um líder político-partidário fica indelevelmente associado a políticas impopulares, tornando-se um óbice ao regresso do seu partido ao poder. Passos Coelho ainda não percebeu isto. Paulo Portas, dono de um aguçado instinto político, soube precisamente qual o melhor momento para ceder o lugar. O resultado está à vista, especialmente em Lisboa.  

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publicado às 22:23

Dia de flexões

por John Wolf, em 30.09.17

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Como é que pode haver um dia consagrado à reflexão se não há reflexão nos outros 364 dias do ano? O conceito, cuja origem desconheço, inscreve-se na escola do Iluminismo repentino. Assemelha-se a um corredor da sorte que protege os audazes da sua falência interpretativa. Os governos, ao longo dos seus mandatos, e mesmo antes de estes começarem, procuram anestesiar o povo, marinar manifestações contrárias aos seus intentos. Depois concedem o beneplácito do juízo superior ao nubente requisitado para validar o pressuposto democrático. O zézinho que vota, passa de besta a doutor num ápice. Se fossem íntegros na missão intelectual respeitante à reflexão, promoveriam a ideia de um ministério da filosofia e diversos secretários do pensamento. O boletim de voto - essa bula do saber político -, deveria ter anexado a lista de referências bibliográficas, algumas notas de rodapé e a fonte das citações inscritas nos discursos de campanha. Esta estória franciscana da reflexão sugere pão e água, abstinência sexual e artrite reumática. Se o dia fosse deveras sagrado, já deveria ter sido proposto como feriado - uma espécie de tolerância para matutar, porque, sendo uns sujeitos mais lentos do que outros, esta falsa fila prioritária para "pensar bem" reforça precisamente o oposto; a noção de que o povo é idiota e não existe antídoto para a sua estupidez. Tanto faz que abra a matraca ou não. Pouco importa que o jejum de campanha seja imposto. No silêncio do acto, pouco ou nada acontece. Dia de reflexão uma ova.

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publicado às 13:40

Comunicação Política para Totós

por John Wolf, em 22.09.17

 

Embora não vá votar porque não posso votar, e mesmo que pudesse votar provavelmente não votaria, não deixo de ser visado enquanto potencial-candidato-eleitor - o meu voto é desejado.  Recebi na caixa do correio (nas últimas semanas) missivas de toda a espécie e feitio de impressão. Foram cartas e brochuras, panfletos e desdobráveis de todas as hostes partidárias, apelando ao meu poder de encaixe autárquico. Tive, desse modo, a feliz oportunidade de pôr essa leitura em dia no decorrer de actividades sanitárias - sentado, entenda-se (com as mãos livres, sem cometer infracções). Lavei as mãos e posso afirmar que me encontro em condições de avaliar como a Comunicação Política é realizada pelas diversas forças partidárias em Portugal no festival eleitoral em curso. Devo dizer que as propostas apresentadas carecem todas de um enquadramento conceptual e de uma visão estruturante. Ora falam de parques de estacionamento, ora mencionam apoios sociais, ora congratulam-se pela obra feita, ora reclamam pela incúria dos outros...enfim, não passam todos da mesma chapa gasta vezes sem conta a cada campeonato autárquico. O formato foto-passe de todos partidos pretende confirmar o alto teor de democraticidade e convívio político entre as cabeças de lista - as estrelas da companhia -, e os pobres anónimos resgatados da paragem de autocarro para preencher as listas. A Comunicação Política simplesmente não existe. Existe uma forma de Comunicação, mas não preenche os requisitos da Política. São Políticos que se apresentam, mas não Comunicam eficazmente. Plagiam-se a torto e a direito. Chamam algo diverso à mesma coisa, mas não passa de embuste ideológico. Gastam rios de dinheiro em bandeirinhas e esferográficas, pastas e sacos para arremessar a tralha, mas não conseguem erradicar os vícios da classe política canonizada pelo mistério da promessa cumprida. Os textos que acompanham a vontade política são fracotes e encontram-se na fronteira do pueril, do dispensável. Desejariam, se soubessem, ou pudessem, a sofisticação subtil, a sugestão da genuína transformação filosófica que está na génese das aspirações da freguesia, do concelho, da região, da península, do mundo. Mas não conseguem. Estão presos, cativos num labirinto de inconsequências e desperdícios. Tanta coisa para tão pouco. Tantos. Bastava um(a) para fazer o frete a todos. Criatividade, inteligência ou originalidade não fazem parte de lista alguma. Triste. É triste. É tão triste.

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publicado às 15:35

Lobbying em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 25.06.17

Não sou adepto daquele estafado provincianismo que acha que o que se faz lá fora é que é bom e tem de ser importado para Portugal. Mas neste caso, basta olhar para as realidades de Bruxelas, Londres ou Washington para compreender que um regime de transparência na actividade de representação de interesses seria um saudável desenvolvimento que melhoraria a qualidade da nossa democracia. Bem, portanto, o CDS, o PS e o PSD. Já os "argumentos" de BE e PCP são de uma pobreza atroz.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 15:03

The Moreira case-study

por John Wolf, em 12.04.17

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Tenho fama de distribuir chapada a torto e a direito - mais à esquerda do que à direita -, para ser coerente e honesto, mas aprecio casos de sucesso. Escuto com a devida atenção as histórias daqueles que ousaram romper com as regras da casa, aqueles que têm uma visão que transcende as formatações de quadros mentais estanques. O Presidente da Câmara do Porto Rui Moreira deve servir de farol para a construção de um novo ADN político. O homem do Norte não deve ser apenas daquela região. A declaração peremptória de que não haverá  jobs for the boys deve fazer parte do caderno de encargos de todas as agremiações políticas. E aqui não faço distinções. A farinha é a mesma seja qual for o saco de interesses partidários. São comunas que metem a cunhada Aliete no serviço. São sociais-democratas que lançam o Martim na banca. São socialistas que enchem de afilhados os corredores da PT. O que Moreira afirma é, em certa medida autofágico, mas obrigatório. É a promiscuidade e a proximidade de interesses que esmaga a excentricidade criativa do mérito desfiliado. É o incesto partidário que produz aberrações. Mas é sobretudo o fundamentalismo ideológico que mata e mói nesta ordem invertida. Rui Moreira declama qual o seu campo de crenças, com toda a naturalidade, mas não cerra fileiras. Abre a vedação. Professa uma salutar forma de ideologia civil. E quanto às obras no Porto. Onde está o pó das autárquicas? Também irão a votos.

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publicado às 10:59

Wild Orange

por John Wolf, em 03.03.17

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Afigura-se-nos difícil estabelecer um template credível, um modelo operativo que revele algum teor de previsibilidade. Por algum motivo o processo eleitoral holandês tem sido tratado como um jogo de uma liga secundária de interesses. Os olhos postos em Fillon, Macron e Le Pen, a cabeça virada a Brexit, confirma o grande desarranjo europeu. A União Europeia (UE) e os seus ilustres comissários e presidentes de conselho fingem que nada se passa e que os valores nucleares da arquitectura comunitária nunca poderão ser postos em causa por lideres de nações com pouco mais de 8 milhões de habitantes. O valor de face atribuído à geringonça pela UE é semelhante àquele atribuído ao holandês Geert Wilders. Mas os políticos europeus estão equivocados. Não estamos num jogo de soma-zero, em que a saída do Reino Unido da UE se poderá colmatar com a entrada de outros. Ideologicamente, passa-se quase a mesma coisa, semelhante engano. Uma tirada à Esquerda não anula um tiro em cheio à Direita. Contudo convém levar em conta as razões politicamente invocadas. Assistimos, efectivamente, ao fim do espectro ideológico tal e qual como o conhecíamos. Assistimos à caducidade do paradigma de construção política convencional. São sobretudo subtilezas de posicionamento que não têm sido apreendidas no decurso da presente revolução em curso. Podemos confirmar um certo hibridismo volátil, no modo como os pretensos neo-lideres procuram sustentar os seus projectos fazendo uso de elementos materiais e simbólicos de todos os campos ideológicos. Trump, numa óptica analítica, foi ao rancho dos democratas aprovisionar-se das suas ferramentas e, com algum talento, converteu as suas deficiências em força. Nessa medida, e invertendo a extrapolação, a geringonça, se quiser sonhar com alguma continuidade efectiva e honrar a estabilidade vendida por Marcelo, terá, na sua expressão política, de integrar obejctivos de outros terrenos políticos e partidários - sejam adversários  ou concorrentes. No jogo de puxa e empurra, a CGD ou a saga das Offshores são apenas divisas de um conceito de representatividade e disputa de poder mais alargado. O mesmo terá de acontecer nos EUA. Trump, invariavelmente, terá de acomodar os anseios do Congresso, por forma a credibilizar a sua acção. A UE, que tem evitado a federalização do seu projecto, não tem ao seu dispor efectivos organismos de checks and balances - tem sanções e procedimentos por défice excessivo, de índole técnica e financeira, mas, na substância e no espírito do projecto europeu, existe muito pouco que pode fazer. A multiculturalidade não é apenas uma máxima que se aplica aos povos.  A UE alicerçou a sua construção na ideia de diversidade ideológica e política. O que acontecer na Holanda no dia 15 de Março produzirá o mesmo eco de sempre, a relativização da urgência dos dramas que assolam a Europa. Qualquer devaneio do mainstream, perpetrado pela Holanda, será tratado com a mesma indiferença. A laranja, por mais selvagem que seja, não interessa muito aos mercados, à economia, ao dinheiro de quem aposta no melhor retorno possível para o seu investimento. E as casas de apostas têm falhado redondamente.

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publicado às 20:46

Estão bem uns para os outros

por Samuel de Paiva Pires, em 27.07.16

Durante semanas, a geringonça e a oposição digladiaram-se ad nauseam sobre quem tinha culpas no cartório pela imposição de sanções por parte da União Europeia. Agora que as instâncias europeias decidiram não impor sanções a Portugal, põem-se em bicos de pés pretendendo arrogar-se uma suposta influência no desfecho desta contenda que nos vinha enfastiando. Que no meio desta feira de vaidades que se preocupa mais com interesses sectários do que com o interesse nacional ou a imagem internacional do país haja, pelo menos, espaço para a vergonha e, já agora, dêem esta novela por encerrada.

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publicado às 18:53

Bomben Auf Engeland

por Nuno Castelo-Branco, em 28.06.16

 

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Quando pensamos que descer mais é impossível, eis que somos surpreendidos por aqueles que em princípio mais moderação e distância deveriam mostrar. Está-lhes no adn apontar o dedo a todo o tipo de extremistas, desde os recauchutados ex-maoístas agora impantes de bazófia e que chegam a Lisboa para debitar mais umas tantas lições que apenas eles próprios escutam, até aos outros, aqueles geralmente anónimos à imensa maioria que distraidamente vai clicando o zapping à cata da bola do momento. 

O que hoje se passou no areópago europeu, foi bem a prova final daquilo que há muito todos suspeitávamos. Um Juncker enigmaticamente sóbrio, desferiu todo o tipo de impropérios em direcção a N. Farage, o eterno risonho que tem a certeza de que todas as suas provocações cairão infalivelmente no saco profundo de entes tão bestiais como o desaparecido van Rompuy e aquele outro belga de nome impronunciável, aspecto duvidosamente gelatinoso e melena longa artificialmente colorida.  Tudo isto muito divertido e que afinal preenche o tempo de um "parlamento" que nada propõe nem decide a não ser aquilo que lhe chega de outros gabinetes. Para além das missas de corpo presente, conferências abastecidas de gordos pastéis, chorudos salários e subsídios pessoais para as mais inimagináveis coisas, para pouco mais tem servido. 

O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, inesperada e subitamente foi transformado numa espécie de Líbia dos tempos de Kadhafi, ou na gémea europeia da Coreia do Norte, à falta do Uganda de Idi Amin. Tornou-se num Estado pária.

Chovem os insultos, rosnam irritações e querem rapidamente expulsar o país que inventou a democracia da qual beneficiam todos eles. Afinal de contas, tooa este desabar de frustrada raiva não passa de um rápido encontrar de medidas preventivas que evitem a descoberta da lixeira que guardam sob a faustosa carpete estrelada.

A votação foi clara e entre os nacionais, cobriram-nos de vergonha a tríade PSD, PS e CDS com a sua exigência lesa-tratados que eles próprios fizeram aprovar sem dar cavaco ao seu próprio constituinte, neste caso, o povo português. Correm com os britânicos a pontapé, eis o que fizeram. Estão loucos e agem como tal.

Não sabem nem agora querem saber o que é e o que significa para a Europa o Reino Unido, refugiando-se numa campanha onde o mais infecto racismo é apresentado como rápida consequência do resultado referendário que não lhes agradou. Não se ralam minimamente com a mais descarada censura desde há muitos meses prodigamente ministrada a centenas de milhão de europeus que ao alcance de um computador, são informados de inconvenientes realidades que a todo o transe os nossos donos procuram mediaticamente ocultar. Eles sabem que nós, todos nós, sabemos. Sabemos e pior ainda, tememos e não queremos. Aqui está a razão bem escondida do resultado do recente referendo.

Só lhes falta rapidamente aproveitarem o buraco britânico e preencherem-no com a Turquia, essa lídima representante do desaparecido Império Romano do Oriente, como há algum tempo o cada vez mais suspeito quase-ditador Erdogan teve o descaramento de invocar como argumento. 

Entram em contradição, apresentando as suas televisões um chocante episódio há pouco ocorrido em Manchester, onde três miudosques ladrando um inglês indecifrável, agrediram verbalmente alguém que porventura vive naquele país muito antes deles próprios terem nascido. Isso mesmo, os tais miúdos que o repelente Barroso esta tarde fartamente suando diante dos holofotes, ousou distinguir como civilizados entes a proteger, apontando assim o futuro que espera este cada vez mais evidente recanto do grande continente asiático. 

No estado de histeria colectiva em que o parlamento europeu está, apenas faltará um deputado alemão propor a substituição daquela ode-coisa composta por Beethoven, por isto: Bomben auf Engeland. 

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publicado às 23:03

Seis meses e uma senha socialista

por John Wolf, em 03.06.16

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O congresso do Partido Socialista (PS) servirá para comemorar as bodas de geringonça. António Costa tem mesmo de realizar este certame para continuar a exultar as virtudes do acordo alcançado à Esquerda. Mais do que uma operação para enfrentar os desafios que se apresentam a Portugal, o secretário-geral do PS irá falar dos que não estão. Aproveitará para cascar no governo anterior e reafirmar as virtudes intocáveis das medidas de governação já tomadas. Mas a verdade é que os portugueses não dobraram a esquina do mal-estar económico e social. E também não é menos verdade que mais tempos difíceis se avizinham. A jogada de ilusão democrática é bem metida, mas não nos engana. O método da senha que permite a qualquer militante dizer de sua justiça no palanque rosa está pejado de artimanhas. Francisco Assis foi preterido, colocado no turno pouco mediático, lá para a meia-noite, quando estiverem todos arrumados. Ou seja, a censura já é uma doutrina interna. Mas mesmo que todos falassem aos mesmo tempo nos termos mais impróprios, em última instância, António Costa detém o golden share, perdão, o rosy share - o privilégio norte-coreano de escolher a dedo oradores favoráveis. Os camaradas-autarcas terão certamente melhores tempos de antena. Em 2017 teremos essas eleições, que podem muito bem servir para desferir um golpe de misericórdia nos intentos monopolistas dos socialistas. O PS, se quiser honrar o templo sagrado da geringonça, vai ter de se mexer para manter o mesmo pacto de regime nas eleições autárquicas. Este congresso de vida semestral da geringonça não é um seminário com a ambição de transformar Portugal. É uma conferência-campanha para validar e eventualmente estender o prazo contratado com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Será que vão distribuir senhas rosas aos amigos mais à Esquerda? Gostava de escutar Octávio Paz, Pato, é Pato, no congresso do PS.

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publicado às 17:58

O governo de oposição PSD-CDS

por John Wolf, em 22.02.16

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O PSD e o CDS votaram contra o Orçamento de Estado (OE) de 2016, mas nem precisavam de o ter feito. Ao longo dos últimos anos da minha vida tenho vindo a aprender que por vezes nada fazer é o melhor que se pode fazer. O governo de António Costa não precisa de terceiros para cair pelas escadas abaixo. O conteúdo do OE falará por si, e revelará a seu tempo a sua inviabilidade, a sua fragilidade. A Catarina Martins irá aproveitar para extrair mais dividendos de um governo de que não quis fazer parte. Agora percebemos com ainda maior clareza que não deposita muita fé nas promessas eleitorais dos socialistas. António Costa, em vez de se concentrar nos desafios que o país enfrenta, está obcecado com o fantasma do governo anterior. O Partidos dos Animais e Natureza (PAN) bem que quis tratar da questão das touradas, mas Costa esboçou uma chicuelina, atirando para os curros a investida do seu parceiro a solo. Mas o mais grave disto tudo é que fica demonstrado o modo como o governo não consegue caminhar sozinho sem demonstrar tiques de paranóia. Afinal o PSD e o CDS têm muito mais poder na oposição do que tinham no governo. O PSD e o CDS vão chumbar o OE em Bruxelas, vão afogar as agências de rating com menções desonrosas. Vão conspirar no grupo de Bilderberg. Vão fazer macumba junto de prospectivos investidores internacionais. Vão rogar pragas aos agricultores da Beira-Baixa. Vão formar um cartel em Sines para inflacionar o preço do crude em Portugal. Vão fazer falir empresas públicas e privadas para que um terceiro resgate chegue ainda mais rapidamente. A oposição vai governar, deste modo, na sombra escura, e derrubar Portugal. O guião rectificativo da desgraça pode já ser lido na íntegra. Está escrito naquele tomo socialista sobejamente conhecido, dedicado à responsabilidade política, ao sentido de Estado e ao interesse nacional. O que está acontecer era de prever. Mas também de evitar.

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publicado às 18:12

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Não existe tal coisa. Não existe ano novo e outro velho. Existe um continuum. E pelos vistos a estrada também é a mesma. O flagelo da sinistralidade nas vias rodoviárias é um inferno, uma patologia que parece não ter cura. Mas o que se passa nessa dimensão da deslocação sobre rodas não é diferente do que se passa com a governação em Portugal - as derrapagens e os embates não são a excepção, são a regra. Os fundos atirados às campanhas de prevenção rodoviária provam que existe gestão danosa. Os resultados positivos simplesmente não aparecem. E os cidadãos-condutores são os principais arguidos desta modalidade de criminalidade colectiva. Repetem o comportamento que realça o desprezo pela própria vida e a dos seus compatriotas. Os números que a Brigada de Trânsito apresenta respeitantes a feridos graves e mortos, são equivalentes às quantias da falência do Banif. Ou seja, vão servir para justificar ainda mais despesa, para passar um atestado de desresponsabilização aos governos (o anterior, o presente, assim como aquele que estará para breve). Ainda assim, a lenga-lenga mais usada pelos condutores é aquela "da curva mal concebida, da falta de sinalização", quando sabemos que é tudo menos isso. Enfim, um conjunto de artefactos para sacudir a água do capote. Lidamos, lamentavelmente, com a expressão de uma mentalidade colectiva que tarda em agarrar o  destino com as próprias mãos. O governo, fruto dessa congregação hiper-democrática da maioria de razão de Esquerda, tem a obrigação moral de agarrar o bicho nacional pelos cornos. O bicho que anda nas estradas, assim como o monstro da realidade nacional de orçamentos correctivos e sevícias fiscais. Não existe um tempo passado. Existe um agora irreverente, encerrado na justificação plausível de um sentido ético. A patente do "tempo novo", registada pelos novos lideres nacionais, deve corresponder ao assumir da responsabilidade pelos actos e as decisões tomadas. A fragmentação da coligação PSD-CDS deve ser vista como coisa boa, mas não pelas razões invocadas pela Esquerda redutora dos factos. Esses partidos sabem que existe um momento para pensar a solo e outro para encarnar premissas doutrinárias que possam ser partilhadas. No fundo, Portugal encontra-se na intersecção de estradas, no cruzamento repartido por vias de acesso independente, mas comprometidas. Ninguém está com alguém. Alguém já esteve algures. Mas todos se encontram nenhures. O PS, o PCP, o BE, o PSD e o CDS são condutores avulso, preparados para alvitrar a ideia de autoestrada, de desígnio trans-ideológico. É assim que eu vejo Portugal. Muitos condutores dispostos a cometer a fracção da sua parte, desalinhados quanto baste para transformar autoestradas em caminhos de cabras. Peço perdão pela franqueza, mas é o que eu sinto. E ontem à noite nem por sombras pegaria numa viatura. Mas vi o triste espectáculo.

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publicado às 19:14

Muito bem o CDS

por Samuel de Paiva Pires, em 23.12.15

Portas cumpre o que prometeu a Costa e o CDS vota contra o Orçamento Rectificativo. Mesmo que o PSD se abstenha ou vote a favor, pelo menos o partido que integro vota da forma mais acertada, o que me leva, hoje, a sentir-me plenamente representado pelos seus líderes.

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publicado às 11:21

Uma oportunidade que não se deve perder

por Samuel de Paiva Pires, em 22.12.15

Poucas semanas depois, CDS e PSD têm a oportunidade de cumprir o que prometeram a António Costa. Basta recusarem-se a aprovar o Orçamento Rectificativo. É o que Costa merece e, além disso, é o mais acertado perante a desastrosa solução encontrada para o BANIF. Veremos se mantêm o que Portas prometeu e não se deixam ficar reféns de Costa e de um alegado pragmatismo que habitualmente passa por responsabilidade e sentido de Estado, mas que frequentemente serve apenas para justificar más decisões.

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publicado às 14:04

A morte da esperança

por João Almeida Amaral, em 04.12.15

 

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 foto Jornal Lamego

Não me recordo, eram talvez 20,30 quando a emissão da RTP foi interrompida. Julgo que anunciaram um acidente com uma pequena aeronave no aeroporto de Lisboa, na zona de Camarate. Pouco depois apareceu Freitas do Amaral. Em tom combalido,anunciou a morte de todos os que viajavam a bordo do Cessna. Terminou pedindo para todos os que assistiam rezassem  com ele um Pai Nosso. 

Francisco Sá Carneiro tinha 46 anos , era um jovem político, tinha fundado o PPD.

Eu tinha 18 anos estudava num ano novo a que chamaram propedêutico, tinha menos 28 anos que ele.

Hoje tenho mais 8 anos. 

Com ele morreu a esperança da minha geração. Independentemente de nunca ter militado no PPD ,Francisco Sá Carneiro era o homem em quem depositávamos a esperança de enterrar o PREC de uma vez por todas, (a ele devemos a extinção do Conselho da Revolução). 

Sei que  muita gente, por ter nascido depois, não sente com a mesma intensidade, o que ele representava para um jovem de 18 anos.

Ao longo da vida, vivi envergonhado com a postura de muita gente no PPD,PS e CDS  . Nenhuma comissão de inquérito provou o assassinato. 

Deixo algumas questões:

  • Foi o primeiro português (julgo que único) a fazer frente aos EUA em relação ao BA4 (base dos Açores)
  • Foi o primeiro , Primeiro Ministro de Portugal a ter uma relação cordial com um Presidente ,(Machel) de uma Ex-colónia (Moçambique)
  • Samora Machel morreu da mesma forma e pouco tempo depois (apenas o piloto sobreviveu o que também é estranho)
  • A AD foi por si desenhada 
  • Alguns dos seus mais próximos são hoje independentes de esquerda , sendo raro, democratas cristãos tornarem-se adeptos de partidos e ou alianças com comunistas e trotskistas

Cada um o recordará com entender. 

Para mim a sua morte foi o fim da esperança na recuperação do meus país. 

  

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publicado às 18:39

Um belíssimo discurso de Paulo Portas

por Samuel de Paiva Pires, em 10.11.15

 

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publicado às 13:35

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por Samuel de Paiva Pires, em 28.10.15

João Miguel Tavares, António Costa anda a aldrabar-nos.

 

Rui Ramos, Quem tem medo de eleições?

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publicado às 15:32

"A hora negra do regime"

por Samuel de Paiva Pires, em 26.10.15

Pedro Lomba, A hora negra do regime:

A verdadeira novidade é esta: a alteração das condições de legitimidade em Portugal para formar governo. Os governos minoritários (do PS ou PSD) foram sempre uma opção tida como viável e legítima não podendo o Presidente obrigar o partido ou partidos vencedores a uma maioria que estes não pudessem construir. A mudança abrupta das regras de legitimidade significa que os governos minoritários do centro-direita passarão a ser uma opção impossível podendo um grupo de partidos derrotados unir-se para impor ao Presidente uma maioria, mesmo que este a considere inconsistente. Os equilíbrios do nosso sistema político serão assim rompidos.

(...)

i) Por tudo isto, e sem que saibamos todos os desenvolvimentos deste processo, há desde já um facto a que possivelmente já não iremos conseguir escapar: a ruptura das regras de confiança política na nossa democracia. Uma ruptura que afectará as relações entre PSD, CDS e PS, mas também entre todos os restantes partidos. Uma ruptura nas regras de legitimidade na formação dos governos e nas fronteiras e equilíbrios que sempre nos habituámos a respeitar. Uma ruptura que impedirá a construção de consensos ao centro, ora mais para a esquerda, ora mais para a direita, o que atendendo às decisões parlamentares que carecem de maiorias de dois terços só irá agravar o bloqueio e a erosão do nosso sistema político. Ao ser mudada a regra de que quem ganha com maioria (relativa) afinal não governa, são os equilíbrios políticos entre a esquerda e a direita que sairão destroçados. Com isto regredimos anos e anos; e podemos regredir ainda mais. E não sei quantos mais levaremos depois para recuperar. A estabilidade de Portugal é o bem mais valioso. Boa sorte para todos nós.

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publicado às 13:14

Do desrespeito pelas tradições

por Samuel de Paiva Pires, em 26.10.15

Se há algo que os desenvolvimentos recentes no panorama político luso nos têm mostrado é que assim como podemos contar com a direita e o seu natural temperamento conservador para respeitar as tradições, mesmo se emanadas a partir da esquerda socialista e sempre tendo servido os propósitos desta e da conversação que é a política entre uma esquerda e uma direita que, em democracia, são adversárias mas não inimigas, também podemos contar com os socialistas e progressistas e as suas mentes prenhes do construtivismo dogmático e do revolucionarismo para desrespeitar as tradições quando assim lhes convém. Ademais, ter de ouvir Pedro Filipe Soares, que propugna uma ideologia totalitária, a afirmar que "Em democracia mandam os votos e não as tradições", quando a democracia liberal é, por definição, tradicionalista (para os interessados, veja-se como conservadores e liberais como Friedrich Hayek, Karl Popper, Michael Polanyi ou Michael Oakeshott defenderam a democracia liberal precisamente considerando o seu carácter tradicionalista) só acrescenta substância à ideia  de que a má fama da política fica a dever-se ao facto de ser protagonizada por gente não só muito pouco decente como assaz ignorante.

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publicado às 09:54






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