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Mariana Mortágua acerta em metade da sua afirmação: "A dívida é insustentável. A única coisa a fazer é reestruturar". A doutora tem razão em relação à primeira parte. A dívida vai determinar o berro governativo. É curioso que a doutora não discrimine adequadamente os itens. A dívida de que fala é a dívida pública (mas também existe uma privada, e deveras substantiva). E aqui entramos em contradição conceptual no que diz respeito à nacionalização do Novo Banco. Não existe já um banco público de seu nome Caixa Geral de Depósitos (CGD)? Como é que um Estado, que não se aguenta nas canetas, pode pôr às costas mais um banco? E tornamos ao primeiro axioma - a dívida, com um Novo Banco de Depósitos, ainda mais insustentável se torna. Não existe à face da terra nenhum banco público que aja exclusivamente de acordo com o interesse público. Não sei em que mundo vive a doutora. A própria CGD, se fosse o apanágio do interesse nacional, não poria à venda fundos de investimento controlados por gigantes especuladores semelhantes à Lone Star. E há mais nuances absurdas que andam a dar a volta à cabeça da doutora. Não sei de que reestruturação de dívida fala, mas no mundo real de investidores, Estados e governos, são entidades financeiras privadas que arcam com o peso de alargamento de prazos, embora possa parecer uma operação clean em que "entidades públicas" pagam - não é nada disso, nada mesmo. Em última instância é o aforrista privado que paga. Os governos apenas emprestam a sua falsa aura de salvadores da pátria. A reestruturação não é um jogo de soma-zero. Existe um mercado especulativo que vive desses processos. O problema da doutora é ver o mundo de um modo fantasiado, inquinado e pleno de vícios ideológicos, quando o universo já não funciona de acordo com teses que andou a defender na escolinha.

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publicado às 13:38

4%

por John Wolf, em 05.01.17

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Enquanto esperamos por uma selfie de Marcelo e Maria Leal, entretemo-nos com os 4%. A agência de rating DBRS já tinha avisado que esse valor dava direito a castigo, mas há mais. Em plena crise de títulos de dívida portuguesa a 10 anos, a agência canadiana também está atenta a outros agravos. Hoje, dia 5 de Janeiro de 2017, publicam um press-release dedicado à Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas não consigo chegar ao ficheiro. Deve haver um hacker russo a soldo de uma parte interessada, a ver se impede ainda mais derrames e escorregadelas. Ou seja, a DBRS, embora atenta quase em exclusivo aos títulos de dívida, não conseguirá evitar meter ao barulho das suas considerações o cangalho CGD. Enfim, adiante. A beleza do título de dívida reside no seguinte: não há manipulação que o valha. O governo de António Costa pode bater o pé as vezes que quiser - o spread já lá vai. E há mais factos pouco abonatórios para este estado de arte. O Banco Central Europeu vai começar a tirar a teta da mama de países com dificuldades de liquidez. Em abril reduzirá o caudal de apoio expresso na compra de títulos de dívida. Porém, existem ainda mais ventos a soprar nesse sentido de contenção e bons modos. Os indicadores respeitantes à inflação na Zona Euro sugerem a necessidade de fechar a torneira, se não totalmente, pelo menos gradualmente - aos pingos. Depois temos o outro lado do Atlântico onde a Reserva Federal, à luz de bons resultados económicos, irá também encarecer o acesso ao dólar americano, e essa condição irá atormentar ainda mais o Euro já abalroada pela valorização da sua congénere. Os tempos Centênicos e Cósticos não estão nada fáceis. A tal toalha atirada por Sócrates e Teixeira dos Santos naquela noite suada de São Bento pode tornar a ser arremessada. De repente.

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publicado às 19:27

Aí vêm os bancos americanos!

por John Wolf, em 21.12.16

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Podíamos viver sem bancos? Podíamos viver sem crédito? Podíamos viver sem títulos de dívida? Podíamos viver sem resgates do FMI? Perguntem a Catarina Martins, a Mariana Mortágua, ou ao guru que as conduziu pelos caminhos da verdade - Francisco Louçã. Releio o académico anarco-esquerdista norte-americano David Graeber e o seu pensamento expresso na obra-  Dívida, os primeiros 5000 anos -, a resposta é inequívoca: não. Não, o crédito sempre existiu. O dinheiro sempre foi desigual e para mal dos pecados europeus, na grande competição planetária de instituições financeiras, os EUA estão a dar uma ripada na Europa. Os bancos europeus, se fossem equipas de futebol, estariam bem mais próximas da Liga de Honra do que aqueles lugares que dão acesso aos grandes prémios da UEFA. O Barclays é um brexitário financeiro e o Deutsche Bank tem de pagar uma multa às autoridades americanas - pouca coisa, uns 6 a 7 mil milhões de USD ou Euros (sim, a paridade está bem perto). Nem vou mencionar o banco-barraca CGD por ser irrelevante neste campeonato. O que eu vejo ou prevejo é o seguinte. A administração Trump vai agitar as águas da "normalidade" e tirar partido da letárgica "tradição" europeia. Bastou o pequeno sopro do fechar da torneira de liquidez por parte da Reserva Federal para o dólar americano galgar a marca psicológica dos 1.04 face ao Euro. E isto tem consequências para este cantinho à beira-mar plantado. Os títulos de dívida dos Estados-membros da Europa dependem em larga escala da procura exterior e, no contexto da crise, foi o BCE que substituiu os agentes do mercado que foram incapazes de produzir a procura requerida dos títulos em causa. Se o dólar fortalecer ainda mais significa que a compra de títulos de dívida expressos em Euros se torna mais em conta para essa divisa e, por analogia ao Japão que detém grande parte da dívida dos EUA, a dívida europeia passará a estar nas mãos de entidades bem longe dos centros de decisão europeus. Sim, a UE tornar-se-á refém de bancos de além-mar e arredores. Mas há mais. Os commodities, como o petróleo ou o cobre, são expressos em USD o que dificultará o trabalho de governos de mãos largas que são obrigados a obter dólares para deitar a mão a energia ou vigas de ferro. Eu sei que estou a dar uma grande volta neste texto, mas ainda não percebi, à luz destas singelas considerações, como António Costa e a sua escola irão pagar as extravagâncias anunciadas para a década e para o ano de 2017. Foi o primeiro-ministro que anunciou há dias que o sector da construção precisa de levar um empurrão. E nós sabemos que o chefe do executivo não está a pensar num New Deal à Trump. Está a pensar no sistema político. Está a revalidar a chave socialista que permite enfrentar as tormentas. Foi o sector da construção que aguentou os socialistas em diversos mandatos, mas fez descambar as contas cada vez que houve um seu governo. Foram os lanços e sub-lanços de estradas que inquinaram as contas. Foram as auto-estradas para nenhures que comprometeram orçamentos de Estados. Foram elefantes brancos e outras bestas dispensáveis que descarrilaram Portugal. Enfim, todos sabem o que foi e como foi. Mas ao fim e ao cabo, com  todas estas extravagâncias, perde-se algo de essencial. A genuína ideia de empreendimento, de geração de dinâmicas económicas, a  noção de retorno e acima de tudo justiça social. Assim não funciona. E isto aplica-se a projectos de ordem diversa. Não excluo a Cornucópia e afins. São bons exemplos de erros de intransigência e incompetência em gestão de empresas. Há dias brinquei com a ideia de um Teatro Haitong ou uma Fundação das Artes Altice, mas não estava a brincar. A imagem é boa e serve. Portugal deve rapidamente pensar uma estratégia duradoura. No entanto, o país padece de um problema grave - a falta de visão. E nessa obscuridão lá aparece um velho projecto sacado da mesma gaveta de promessas e avarias. E que tal um novo aeroporto? E lá surge uma OTA de cara lavada para fazer mexer o sector das construtoras. É assim que funciona. Dizem que é teatro. Mas sai sempre caro. Não acreditem. Dinheiro não cai dos céus. E daqui a nada quando os bancos Wachovia ou a Wells Fargo abrirem sucursais na Lapa e no Intendente não roguem pragas ao Durão Barroso e à Goldman Sachs. O cozinhado é da casa. A receita tem dono.

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publicado às 15:28

Pensar fora da CGD

por John Wolf, em 02.12.16

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A malta pensa que me conhece. Os leitores, de um modo geral, arrumam as obras nas estantes. Fazem catálogos. Organizam ideias em categorias específicas. Rotulam uns como sendo de Esquerda e outros enquanto expoentes de Direita. Chamam ricos a uns e pobres a outros. E não existe nada de mais errado, no que me diz respeito, e no que toca ao conceito de arrumação mental em abstracto. António Costa faz parte da classe de arrumadores. Pertence ao rol de estacionadores de ideologias, e essa prerrogativa operativa provoca chatices. Porque de repente é se apanhado em contramão. Sem se dar conta entra-se no itinerário principal e esbarra-se de frente com um conjunto de convicções. Mas Costa insiste e não admite que teve de chamar o bombeiro inimigo para apagar o fogo que lavra na caixa de fósforos. Ora vejam: "O governo não é dono do processo de seleção e aprovação dos novos administradores da Caixa Geral de Depósitos, que, por ser um banco sistémico, cai na supervisão europeia." (in Observador). Deveria deixar-se de tangas e admitir que a competência não é exclusivo da casa cor de rosa. Esperemos que esta iniciativa de recurso sirva de lição de um modo transversal aos partidos. O talento e as qualidades humanas existem para além do firmamento de uma bíblia política. Nesta vida tudo é possível. Já tivemos o inverso. Já tivemos a transferência de passe de uma dispensável Zita Seabra de um sector de bancada para outro, mas sem qualidades assinaláveis. Já tivemos um Barroso MRPP que agora é Goldman Sachs. Mas aqui lidamos contra outra estirpe de distinção. Paulo Macedo deu a volta magistral à Autoridade Tributária - pôs a máquina a funcionar. Paulo Macedo esteve no sector de saúde com resultados assinaláveis. Enfim, e em jeito de inconclusão, temos homem para dar a volta a muito texto. É raro encontrar alguém que não se deixa estragar pela política. Aprende, António Costa. E passa a palavra às infantas - à Catarina Martins e às manas Mortágua -, que pelos vistos pecam por falta de educação e sentado de estado. Não se levantem e não aplaudam. Macedo não é monárquico.

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publicado às 09:24

Não ponham alguém à frente da CGD

por John Wolf, em 29.11.16

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Será que não aprendem? A Caixa Geral de Depósitos (CGD) estragou-se toda com aquelas más companhias. Foram certos indivíduos de moral duvidosa e competências questionáveis que escangalharam aquele prédio. Ao longo de décadas tiveram a lata de colocar banqueiros à frente dos destinos daquela instituição financeira. Foram esses mesmos que arruinaram a jóia da coroa dos depósitos. A dada altura a CGD era conhecida como aquela máquina. Era o banco com depósitos mais avultados da EFTA ou do Mercado Comum (uma destas entidades com um rótulo todo pimpão), mas depois as coisas começaram a patinar. Ora entrava dinheiro fresco, ora saía um financiamento para um projecto comunitário com forte expressão de amizade socialista. Pois é. É esta análise de consciência de valores monetários que não está a ser realizada. Este governo (e os remanescentes) acreditam no poder de uma alma magna. Como se um Domingues ou uma domícilia fossem os deuses da banca pública capazes de agitar uma varinha. Mas eu tenho uma visão radicalmente diversa. Não existe homem ou mulher à face da terra mais kryptonado do que os mercados em si. São algoritmos contemporâneos que ditam falências ou mais-valias. Não são caixas de óculos vindos do passado, armados com MBAs da Católica ou Harvard que vão equilibrar os pratos da balança. O barómetro de que se servem já não cumpre a missão. Esse instrumento não consegue ler os perigos, mas acima de tudo, não integra a variável mais perniciosa de todas - o factor político que não se rege por modelos racionais, mas sim por inclinações afectivas. Cá por mim nomeava um computador-geral para conduzir os destinos da CGD. Existem processadores acima da mediania daqueles que ocupam os crânios de gestores bancários, as tais cabecinhas pensadoras. E esses aparelhos não reclamam. Sabemos o que trazem no miolo. Conhecemos a riqueza dos seus circuitos integrados. E desligam-se sem grandes sobressaltos. Mas não são demitíveis.

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publicado às 17:48

Domingues são todos os dias

por John Wolf, em 28.11.16

 

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António Domingues sente-se ofendido? Hahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah! Trump também. Hillary também, mas sobretudo José Sócrates. Minhas senhoras e meus senhores, o que vem a ser isto? Não quis fazer prova de património tido? Fora daqui é a minha resposta. Ou, caso estejamos no oeste americano, get the hell out of here! Esta mania de ocultação de património ou rendimentos tem de acabar. Cá para mim o PS montou-lhe a rasteira por forma a abrir caminho para um outro candidato escolhido a dedo. Não me venham com tretas que não fizeram o due diligence político, patrimonial e fiscal. O Domingues foi carne para canhão. O presidente trimestral foi sacrificado, mas pode orgulhar-se de terem feito uma lei à sua medida. Uma espécie de lei Bosman dos banqueiros. No seu caso atribuir-lhe-ia o cognome de bancário. Mal teve tempo de entrar na sucursal de um novo milénio imaginado pela geringonça. A Catarina Martins fez parte do guião. Como actriz, que diz ser, aproveitou a dança de cadeira de remunerações da CGD para deixar escorrer umas lágrimas de crocodila, mas cravou na lapela do pobre Domingues um pin de aprovação. Ou seja, o falhanço, encenado ou não, é colectivo - é geringonçal. Por outro lado, o facto do senhor com apelido de fim de fim de semana não desejar mostrar a sua caderneta de posses também deve ser levado em conta. Em nome da transparência, e havendo suspeição de ocultação de haveres indevidos e ganhos pouco católicos, o ministério público deveria emitir um mandato de exibicionista para que saibamos todos o que esconde o ex-caixeiro debaixo do sobretudo. Por muito menos fotocópias o filósofo-carisma foi de cana. Haja equilíbrio na gestão desta carteira de certificados de desafogo. Para produtos tóxicos já bastaram o BES e associados. Ser banqueiro, nos dias que correm, não é nada fácil. Adiante. Próximo.

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publicado às 13:09

UBER CARRIS para acabar com a tosse

por John Wolf, em 21.11.16

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Por favor, alguém tenha a bondade de me explicar o swap da gestão da Carris como se eu fosse muito burro. Se fica tudo na mesma, como afirma Costa, por quê fazê-lo? A resposta é simples: estamos em plena campanha eleitoral para as autárquicas e esta operação dá ares de clarificação e liquidação de dívida, mas não passa de um embuste. As empresas privadas responsáveis pelas operações que produziram as dívidas avultadas estão a ser tratadas como bancos. Ou seja, a sua incompetência, e a gestão danosa que decorre da mesma, será saneada, caiada com tinta de resgate, porque em última instância é o dinheiro dos contribuintes que será esbanjado sem dó nem piedade. Se o malparado está num bolso ou noutro, é totalmente indiferente. Estão ambos furados. São sacos sem fundo. E quem sabe se não serão azuis. Ou rosa. Venha de lá mais um livro sobre carismo. Desta vez redigido pelo edil e ex-edil. O que isto precisava era de um UBER dos autocarros. Para pôr isto a mexer. Acabavam logo as dívidas e mordomias de direcção. Porque no fundo isto é tudo a mesma coisa. Uns vão para a Caixa Geral de Depósitos. E outros saem na paragem seguinte.

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publicado às 18:23

Merkel redux

por John Wolf, em 20.11.16

 

 

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Eu sei que os políticos cá da terra estão entretidos com outras coisas. É como se estivessem noutro planeta. Temos a novela Caixa Geral de Depósitos. Temos a greve dos professores. Temos a nota de cinco euros para somar à pensão dos velhinhos reformados. Temos a esplêndida ilusão de recuperação económica. Temos a  justiça social no seu pleno espelhada no Orçamento de Estado. Temos o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português a conceder o benefício de dúvida à Geringonça, parecido com o benefício da dúvida que Obama está a dispensar a Trump. Temos Marcelo a evitar chafurdar a mão da Rainha de Inglaterra com laivos de Boliqueime. Temos cuspo que afinal é fumo electrónico. Enfim, não falta grande coisa na ementa portuguesa. São tantas as especialidades para o freguês degustar que o tempo passa a voar, e o Natal está à porta. Gostava de saber como encaram os portugueses alguns assuntos mais mundanos. Por exemplo, a recandidatura da inimiga número 1 de Portugal - Angela Merkel -, à liderança da Alemanha (entenda-se Europa). Pois. Seria importante dispensarem uns minutos para pensarem as vossas vidas. O que desejam no sapatinho? Que Merkel "desapareça daqui sr. guarda"?! ou que permaneça como voz activa numa Europa com novas tendências de moda? A pergunta é dirigida em particular aos seus detractores - à Esquerda. Preferem contar com águas de Colónia ou optam por uma revolução sistémica como aquela que decorre nos Estados Unidos? Não vejo em parte alguma da paisagem nacional de reflexões políticas a formulação da equação. A pergunta subserviente tem sido a norma: o que vai exigir a União Europeia a Portugal, e não passam disto. Mas a questão inversa existencial deveria ser colocada: que Europa deseja Portugal? São consternações desta natureza que devem ocupar as mentes programáticas de Portugal. Em vez disso entretêm-se com a remununeração escandalosa de um tal de Sr. Domingues que dizem ser o melhor administrador de caixas à face da terra.

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publicado às 13:26

Mercado de falências éticas

por John Wolf, em 24.09.16

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O mercado de falências éticas não está fechado. Aliás, nunca fechou. É um centro comercial aberto 24 sobre 24 horas. O mais difícil é chegar a um preço justo, dados os valores em causa. Quanto vale meia dúzia de homenagens a Sócrates? Será que se podem trocar duas por uma nomeação quente na Goldman Sachs? E os Isaltinos podem ser transaccionados no mercado secundário? Não existe uma entidade reguladora para estabelecer as paridades? Dois Cadilhes por uma Felgueiras? Uma antiguidade Oliveira e Costa por um Pedroso restaurado? Um SISA Vitorino por um terço de BPN Rendeiro? Acho vergonhoso que não exista um supervisor que ponha cobro a este mercado negro. Já agora quanto rende um Carlos Alexandre? Meio Pinto Monteiro? Ou três paletes de Procuradores da República? Será que cabe tudo numa caixa geral?

 

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publicado às 10:36

Os espiões do BE

por John Wolf, em 01.09.16

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A Catarina Martins aprecia revistas. Diz que foi actriz, mas nunca a vi no Parque Mayer. Mas também nunca poria lá os pés. Portanto, nunca a poderia ter visto. Contudo acredito que tenha aprendido a dar pancadas de Moleiro (sim, a fazer farinha), a inventar estórias e enredos. Esta cantiga urgente sobre a promiscuidade entre "ex-espiões" e empresas privadas, declamada pelo Pureza do bloco, serve apenas uma causa. Serve para distrair os espectadores do grande buraco da CGD, do incómodo ideológico que afinal não é nada disso  - salvar bancos com o dinheiro dos contribuintes. No entanto, o BE perde uma excelente oportunidade. A nova gerência da CGD deveria ter lá plantado um ou dois espiões. Uns elementos insuspeitos que poderiam servir de supervisores do mais que certo descalabro que se seguirá e que dara azo a comissões de inquérito parlamentares para fingir o apanágio de justiça e transparência. Só que desta vez as manas Mortágua e a Catarina Martins fazem parte dos maus da fita. Também assinam a providência monetária que concede 5.000 milhões de euros ao banco público. Quanto isto rebentar espero que o BE demonstre o mesmo entusiasmo com que brindou os responsáveis do BES no procedimento de inquirição. Talvez ainda não tenham percebido, mas a dita Esquerda acaba de passar uma receita neo-liberal - acreditam no capital como entidade salvadora dos males do mundo. Ainda bem que a CGD é pública. É na praça que será julgada.

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publicado às 18:00

Silly sanções season

por John Wolf, em 29.07.16

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É isto que interessa. E o resto são lérias - a competitividade da economia portuguesa. António Costa deve colocar de lado o circo das sanções e encarar a música. A tónica de Centeno tem sido o estímulo do consumo. Ou seja, começa pelo fim. Em vez de pensar em gerar riqueza e investimento (e depois o consumo), querem afagar o pêlo bronzeado dos portugueses, dando-lhes uns cupões para gastar na silly season. Atente-se no detalhe expresso pelo Fórum para a Competitividade: "os valores apresentados pela DGO não representam a verdade orçamental e que assistimos a uma repetição do que já se passou em 2001 e 2009“. Em suma, nada disto é novo. Que o diga José Sócrates que já se pôs de joelhos para ver se lhe continuam a dar de mamar vitaliciamente - as fotocópias já não são o que eram.  Aliás, Sócrates é a perfeita imagem de um país destroçado pelos excessos. Se a crise fosse um país, Sócrates seria a mascote perfeita do desespero. Enquanto a bomba não rebentar, no leilão de resgate da Caixa Geral de Depósitos (CGD) discutem os milhares de milhões de euros como se de feijões inconsequentes se tratassem. Já que a pasta CGD está a ser discutida com o conhecimento (e aval) de entidades europeias, não vejo como tal colosso de berbicacho possa ser tratado à margem de considerações orçamentais genéricas. Por outras palavras, não acredito em sanções, mas que elas existem, existem. Têm outro nome - aumento de impostos, de IVA, de IMI, congelamento de salários, etc, etc. Em suma, anti-austeridade à moda antiga. 2011, não tarda nada.

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publicado às 20:36

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O título deste post deveria ser: "E não há nada que Vitor Constâncio possa fazer". E porque não há-de ser esse o título? É esse o cabeçalho. Sim, senhor. Acabo de concordar que será esse o lead do artigo. Está decidido. Quem julga que é António Costa? Acho muito bem que a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) avançem com uma auditoria à Caixa Geral de Depósitos. Se eu emprestasse dinheiro a alguém também gostaria de saber com quem conto. Se tem a casa em ordem. Se é bêbedo. Se é esbanjador. Se vai ao casino jogar às máquinas. Se anda fugido ao fisco. Pois. De nada serve ter um socialista como número 2 do BCE. Por mais voltas que o Partido Socialista, o Partido Comunista Português ou o Bloco de Esquerda dêem, a condição de banco público não serve de nada. Bem pelo contrário. Um banco público é quase sempre um monstro que pertence a todos e não pertence a ninguém. Deixa-se perder na bruma da irresponsabilidade e da entidade abstracta que o Estado é especialmente talentoso em promover, defender. E não há nada que Vitor Constâncio possa fazer.

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publicado às 09:53

Gerir bem a coisa pública...

por Pedro Quartin Graça, em 27.06.13

 

A gestão "rigorosa" das contas públicas por parte do ministro Gaspar tem estes resultados... Obrigado Vítor. O que seria Portugal sem este ministro?

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publicado às 09:56

Conflito de interesses num Estado depredatório

por João Pinto Bastos, em 13.06.13

Um estado todo-poderoso, insindicável e pouco transparente tende, frequentemente, a produzir este género de fenómenos. Não está em causa a honorabilidade de Pedro Reis que, em bom rigor, actuou de molde a evitar todas as suspeições que pudessem advir da aceitação do convite formulado pelo Ministério das Finanças. O que interessa relevar neste caso é a total falta de tacto da equipa comandada pelo Capitão meteorológico, Vítor Gaspar. Repare-se que Gaspar convida expressamente, com vista à assumpção de responsabilidades num banco estatal, um cidadão que exerce funções numa instituição situada na órbita do Estado (AICEP), menosprezando os, mais do que óbvios, conflitos de interesse que resultariam dessa escolha. Não se trata apenas de desatenção, isto é pura zombaria para com os cidadãos contribuintes. O AICEP, como é do domínio geral, lida diariamente com todos os bancos, pelo que um convite deste jaez teria, forçosamente, de contender com os interesses dos bancos concorrentes da Caixa Geral de Depósitos. No fundo, estes convites são a prova de que, com mais ou menos troikas, o Estado português é irreformável. Por maior que seja a vontade deste ou daquele protagonista da governação, os interesses que gravitam em torno dos centros de poder jamais cederão a menor quota na apropriação das tão ansiadas e cobiçadas rendas económicas. Pedro Reis é um mero peão nesta jogatana que não tem desfecho à vista. O capitalismo luso funciona assim, em capelinhas fechadas à concorrência e à abertura. Mercado livre? Viram-no?

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publicado às 23:11

Uma no cravo, outra na ferradura

por Pedro Quartin Graça, em 19.11.12

É absolutamente incompreensível e altamente criticável, a não ser na perspectiva - escondida por Gaspar - da privatização a curto prazo da Caixa Geral de Depósitos - a criação de um novo banco na órbita do Estado. Custa assim tanto dar instruções à Caixa para ter funções de banco de fomento ou o Estado já não "mete prego nem estopa" na instituição?

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publicado às 19:21

Pedido de esclarecimento, por Rui A.:

 

«Alguém saberá informar quantas fundações já foram encerradas? Quantas empresas públicas foram já privatizadas ou qual é o calendário das privatizações? Quais os organismos do estado e da sua administração que já efectivamente desapareceram? Se a RTP vai ser ou não vendida, e quando haverá uma decisão palpável sobre essa empresa? Se a TAP vai pelo mesmo caminho e quando? E o que irá suceder com a Caixa Geral de Depósitos, alguém poderá dizer-nos? Quando? 120 dias após a entrada em funções do governo e muitos impostos entretanto já criados, aumentados e cobrados, será cedo ainda para termos respostas que ultrapassem as simples declarações de intenções?»

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publicado às 13:10






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