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A mensagem de Trump para Putin e Xi Jinping

por Samuel de Paiva Pires, em 07.04.17

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Não se consegue ainda perceber bem as consequências do ataque que Trump lançou esta noite sobre a base militar síria de onde alegadamente saíram os aviões que protagonizaram o recente ataque com armas químicas na Síria - ainda não foi confirmada a autoria deste ataque, embora a administração norte-americana afirme que tudo indica que a responsabilidade recai sobre Assad e a posição russa seja realmente risível. Alguns começaram já a condenar Trump por trair a retórica isolacionista em termos de política externa utilizada durante a campanha para as eleições presidencias do ano passado, outros afirmam que o ataque desta noite mostra um aventureirismo perigoso.

 

Eu prefiro sublinhar que Xin Jinping chegou ontem aos EUA para reunir com Trump e que tanto a China como a Rússia têm apoiado a Síria na ONU, o que me faz crer que a acção algo imprevisível de Trump comporta essencialmente uma mensagem para Pequim e Moscovo: há linhas que não podem ser atravessadas mesmo em contextos de guerra e os EUA não vão assistir impavidamente às acções de russos e chineses que atravessam essas linhas ou que apoiam quem as atravessa.

 

O ataque lançado pelos EUA é cirúrgico o suficiente para ser uma justa retaliação pela acção inqualificável de Assad, mas também, e mais importante, para servir como demonstração de força e enviar uma mensagem a Putin. E não deixa de ser ridículo ver o presidente russo, tantas vezes aplaudido por muitos por decisões imprevisíveis e demonstrações de força que ignoram ou violam o direito internacional e são justificadas por pretextos dúbios recorrendo a argumentos tipicamente utilizados por potências ocidentais, vir agora argumentar que a decisão de Trump viola o direito internacional, é uma agressão a um Estado soberano  e prejudica as relações entre EUA e Rússia. Ora, afinal, o que foram as invasões da Geórgia e da Ucrânia, e em particular a anexação da Crimeia, senão provocações da Rússia a todo o Ocidente e agressões a Estados soberanos violadoras do direito internacional?

 

A utilização recorrente deste tipo de argumentos por Putin, que não correspondem à prática russa, deixa bem patente a duplicidade do presidente russo que ainda vai passando algo incólume, mas a sua utilização no dia de hoje mostra também que Putin foi surpreendido por Trump e não sabe bem, pelo menos para já, como reagir - o que é muito positivo.

 

(também publicado aqui.) 

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publicado às 11:25

Volto já - António Costa

por John Wolf, em 11.10.16

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Belisquem-me se eu estiver errado. Estacionem-me na rotunda do relógio se eu estiver enganado. Não era suposto o Orçamento de Estado ser o documento por excelência para a execução governativa? Não era suposto o primeiro-ministro fazer parte dos trabalhos conducentes à sua apresentação ao Parlamento? O timing da visita à China não é fruto de um acaso de agenda. António Costa colocou-se convenientemente a milhas da discussão de importantes questões que merecem a maior consideração governativa. Pelos vistos Mário Centeno também não estará presente em algumas sessões de trabalho antes de Quinta-feira. Já bastaram os taxistas terem barrado o acesso ao aeroporto para registarmos mais uma ausência. Ah, já entendi. Quem governa em Portugal é o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Sabemos que a pontualidade local não é britânica, mas isto é inadmissível. O homem não comparece. O nosso empregado - sim, António Costa é pago por nós -, pura e simplesmente não se apresenta ao serviço. Mas há mais. Vai dormir a bordo do Airbus com ligação directa, mas não engana nem o jet lag nem o mind gap. Também não importa - o défice não vai aterrar onde querem.

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publicado às 16:30

Portugal não tem culpa desta crise

por John Wolf, em 24.08.15

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Lamentavelmente, Portugal e tantas outras nações, encontram-se no momento errado da história do mundo. Há quem lhe chame sina, há quem lhe chame fado. Mas em todo o caso, não se trata de um assunto jocoso. Se quisermos dar-lhe um nome, esse terá de ser parente de tragédia. E não me refiro à Grécia. Inauguramos hoje, um pouco por todo o mundo, uma nova crise financeira com contornos mais graves do que a de 2008. Não se trata agora de uma crise subprime, mas provavelmente de uma crise resultante dos efeitos da terapêutica que foi prescrita ao longo dos últimos anos para a curar. O crash bolsista da China, e que rapidamente incendiou o resto das praças financeiras do mundo, relaciona-se com um conceito financeiro que comporta na sua essência grandes perigos. O quantitative easing, iniciado nos EUA e depois aplicado a outras divisas e regiões económicas, serviu para promover a ideia de ficção económica. A noção de que os banqueiros centrais poderiam substituir a verdadeira dinâmica das economias. Ora baixaram juros a níveis nunca antes visto, ora compraram títulos de tesouro para garantir o funcionamento de governos e Estados, ora aprovaram, sozinhos ou em conjunto, pacotes de salvamento de países. Por outras palavras, foram só facilidades financeiras inventadas com um estalar de dedos. As dificuldades, essas, poderiam ser resolvidas mais tarde - pensavam eles. Pois bem, esse "mais tarde" é agora, mas infelizmente não vem só. No seio da União Europeia, se não bastava a crise Grega, podemos agora juntar a desaceleração da economia chinesa, a ascensão imperial da Rússia, o acordo com o Irão, a clivagem entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, a crise de migrantes e refugiados que galga as margens que separam a Europa desenvolvida da África e do Médio-Oriente, a ameaça crescente do Estado Islâmico, entre outros factores imponderáveis resultantes da combinação nefasta destes elementos. O perfect storm, a que muitos se referem, não trará bons ventos a Portugal. Veremos de que modo cínico e oportunista os detractores de Portugal se irão servir desta ementa de consequências nefastas para vaticinar de um modo pós-orácular - como se já soubessem, como se pudessem prever. Numa frase: this does not look good and Portugal´s not to blame.

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publicado às 20:39

Grécia - o canário na mina chinesa

por John Wolf, em 08.07.15

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Uma visão exclusivamente eurocêntrica do mundo implica imensos perigos. O drama que assola a Grécia e que implica substantivamente o resto da Europa, deve ser interpretado à luz de um quadro maior de consternações. Vou pedir emprestada a expressão em língua inglesa para retratar a crise grega no âmbito de uma visão panorâmica, global - a Grécia é um canary in the coal mine. Enquanto Tsipras e Juncker, entre outros protagonistas, roubam as atenções, uma crise de proporções avassaladoras está a atingir velocidade de cruzeiro. Os mercados bolsistas chineses encontram-se em processo de melt-down e os títulos accionistas têm registado invulgares níveis de volatilidade. Enquanto o Banco Central Europeu tenta estabilizar as economias em apuros da Zona Euro, procedendo à compra de títulos de tesouro, o Banco Central da China vai mais longe na expressão da mesma ficção monetária e estabelece arbitrariamente o preço das acções das empresas cotadas em bolsa. Por outras palavras, as autoridades chinesas tudo fazem para salvar os mercados, mas não a economia. As reformas estruturais que são requeridas estão a ser obviadas através de um mecanismo de manipulação da bolsaMeus senhores, corremos perigos reais. As poupanças dos cidadãos daquele país estão a ser destruídas e quando o pânico se instalar não vai haver Praça Syntagma que nos valha. Enquanto os gregos se queixam do défice de Democracia na Europa e apelidam de terroristas os credores, os chineses nem sequer têm direito de resposta. O governo da República Popular da China quando quiser esmagar, não tem de pedir autorização a quem quer que seja. A Grécia nem sequer entra nas considerações orientais, mas o oposto não podemos afirmar.

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publicado às 11:11

Criminosas sacanices chinesas

por Nuno Castelo-Branco, em 02.09.14

Igreja em Wenzhou, China.

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publicado às 21:00

Criminosas sacanices chinesas

por Nuno Castelo-Branco, em 20.08.14

Demolição da igreja de Wenzou, China

E entretanto noutras paragens…

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publicado às 20:33

Putin na China

por Nuno Castelo-Branco, em 30.04.14

Consta que V. Putin visitará a China, com este país assinado um contrato de fornecimento de gás natural. É esta a resposta conseguida pelo ocidente e aqui está uma excelente oportunidade oferecida a alguns polos industriais portugueses. Poderemos acelerar a produção de edredões, lanifícios e pijamas-Kispo  destinados à Europa central, oriental e do norte. Será que ainda temos alguém capaz de fabricar escalfetas e braseiras? Prevê-se alguma procura internacional.

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publicado às 10:19

Arroz com arroz

por Nuno Castelo-Branco, em 26.12.13

Na comemoração do 120º aniversário do sanguinário, fisicamente imundo e prepotente Grande Líder, ficámos a saber pela confirmação dos seus sucessores em exercício, que o embalsamado totem esteve certo em 70% das suas opções e apenas errou nos remanescentes 30% da sua acção política. O que deveria ter especificado, é se esses 70% incluem as mais de sete dezenas de milhões de mortos pela fome nos campos e cidades, execuções a eito e grotesca revolução cultural de analfabetos. Coisas de pouca monta e com a certeira desculpa de mais um histórico vendaval de leste. Bem vistos os factos, o local onde se reune o Politburo do PCC é uma espécie de santuário Yasukuni elevado à milésima potência, capaz de entupir o Tribunal de Haia durante uns dois séculos de ininterrupto labor.

A retórica deste senhor Xi Junping está a apressar um certo regresso ao passado. Aproveitando o entusiasmo, oxalá se decida a atirar o capitalismo e o industrial-consumismo borda fora, optando pelo pijama universal e pelas malgas de arroz com arroz.  Será um colossal alívio para a Europa. 

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publicado às 18:44

No centenário...

por Nuno Castelo-Branco, em 13.11.13

...da abominável criatura, eis uma notícia tão insólita como as louvaminhosas homenagens por cá prestadas ao defunto. 

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publicado às 15:50

A "véstoria" ao pezinho

por Nuno Castelo-Branco, em 08.07.13

 

Como lacrimosamente diria o Sampaio, os chineses  fizeram uma "véstoria" e aqui estão os resultados. Um ex-ministro encontra-se enrodilhado em nauseabundos lençóis, porque:

 

1. Ao longo de 25 anos, "conseguiu arrecadar perto de 8 milhões de Euros". Oito milhões de Euros, "apenas" isso?

Pobre homem, devia ter vindo para Portugal. Mesmo depois de reformado continuaria a debitar sentenças, multas a passar para a responsabilidade do povoléu, aproveitando para empochar as mordomias sob a forma de "direitos adquiridos".

 

2. O dito camarada,"terá atribuído alguns contratos de exploração de linhas de caminhos-de-ferro a troco de subornos. Ocupava o cargo de ministro desde 2003, mas já antes tinha funções de governação nesta mesma área."

Azar o dele, pois se cá estivesse, seria um grande dirigente de uma betoneira nacional, importante na área das "obras públicas".


3. "O ex-ministro tinha também sido acusado concretamente de favorecer 11 pessoas com aumentos salariais ou atribuição indevida de contratos."

Um impopular unhas de fome que apenas tinha onze amigos.


Enfim, a primeira pena é pesada, horrenda. Em princípio ficará com uma sentença de perpétua suspensa. De qualquer forma, se vivesse num certo país da Europa Ocidental, talvez fosse hoje o presidente de uma das empresas envolvidas nos tais negócios com o Estado e na pior das hipóteses, obteria um posto de comentador político.


É de ficar com os olhos em bico. 

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publicado às 17:29

O meu pior prato de sempre

por Nuno Castelo-Branco, em 30.05.13

 

Há uns vinte anos, em Bangkok, fui convidado para um almoço de trabalho. A empresária chinesa não gostava "desses restaurantes" locais, onde o menu apenas continha pratos tailandeses e assim fui conduzido a uma sofisticada casa de pasto, plena de sedas e madeirames dourados e vermelhos. Como facilmente me adapto a novidades, foi sem qualquer preocupação que soube ter um cardápio já escolhido pela anfitriã.  Tudo bem. O pior veio depois.

 

Como entrada, uma bela tigela de porcelana azul e branca, na qual fumegava uma translúcida e brilhante gosma. Usando os palitos, atrevi-me a degustar o delicado e seguramente tradicional acepipe e francamente, não gostei. Não gostei, é dizer pouco. A coisa colava-se aos dentes, ao céu da boca e à língua. Dava-me engulhos. Diplomaticamente nada disse e optei pelo apressado engolir do conteúdo da tigela, uma forma eficaz de me preparar para os pratos que se seguiriam. Agradavelmente surpreendida, a senhora bichanou qualquer coisa ao sempre sorridente empregado e em milésimos de segundo tinha outra tigela igualzinha à primeira, teimosamente fumegando diante de mim. Já meio achinesado pela certeza de não poder perder a face, masquei a tal gosma com mais cautela e por incrível que a todos possa parecer, jamais esqueci o indesejável repasto.

 

Vem agora a gente da ONU, habituada a faisonadas, entrecôtes, tornedós e outras porcarias do género, recomendar a inclusão das medusas - nome mais chique do que alforreca, coisa de sonoridade demasiadamente islâmica - na lista de compras no supermercado. Pois sim, aqui está uma excelente oportunidade para negócios da nossa extinta frota pesqueira. Caçadas e jeitosamente processadas, teremos mais um "produto de valor acrescentado" a enviar às carradas para a China. O sr. Cavaco Silva bem pode iniciar as suas démarches, instando ao uso da imaginação: ao estilo batatas fritas, nachos, takos, tikos, tekos, palitos salgados e outras guloseimas mais, quem sabe se um dia destes não acompanharão as Sagres nas sempres excitantes horas da bola?  

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publicado às 19:58

Da cerâmica

por Nuno Castelo-Branco, em 16.05.13

 

... passemos então aos têxteis, calçado, vidros e maquinaria diversa. Isto, para começarmos a corrigir aquilo que durante décadas serviu para o maoísmo acusar o Ocidente de fero explorador: os  tratados desiguais.

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publicado às 03:00

Entretanto, na Coreia do Norte

por João Pinto Bastos, em 29.03.13

Passa-se isto. O mundo está a entrar numa espiral de loucura que não é nada auspiciosa. 

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publicado às 00:53

Assim vai o Mundo

por João Quaresma, em 05.03.13

row-chinese 

Após três anos consecutivos a aumentar as despesas militares, a China anunciou hoje um novo aumento, desta vez de 10,7%.

Se um aumento desta proporção já é qualquer coisa de extremamente invulgar em tempos de Paz, naquele que é o segundo orçamento de defesa do Mundo é simplesmente gigantesco. E mesmo que os EUA gastem seis vezes mais que a China, a desproporção é muito menor se tivermos em conta que o armamento chinês é incomparavelmente mais barato que o norte-americano (enquanto que o nível tecnólogico já é equivalente em muitos domínios) pelo que a Pequim é muito mais barato armar-se do que a Washington. E a intenção da China é, claramente, de rivalizar com os EUA, sobretudo no domínio naval inclusive no Atlântico.

Em contraste, há perto de um mês, a Marinha dos EUA cancelou o envio de um porta-aviões para o Médio Oriente dois dias antes da data marcada por... falta de orçamento. Nem a mais patética ficção de Hollywood alguma vez imaginou uma situação como esta. Assim vai o Mundo.

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publicado às 22:53

Goodyear, a cartinha globalizante

por Nuno Castelo-Branco, em 21.02.13

 

Aqui em Portugal deveria lê-la o governo e depois os sindicatos, os Partidos, o residente de Belém, a Concertação Social e porque não?, o trabalhador que começa o dia com uma vista de olhos pelo jornal, precisamente na importante página sobre o Benfica, Porto e Sporting. Aqui está o essencial:

 

"Visitei a fábrica várias vezes. Os empregados franceses recebem salários altos mas não trabalham mais de três horas. Têm uma hora para as pausas e para comer, falam durante três horas e trabalham outras três. Disse isto na cara dos sindicalistas franceses. Responderam-me que em França as coisas são assim! (...) O senhor é um político e não quer fazer ondas (...) Dentro de pouco tempo, em França toda a gente passará o dia sentada nos bares a beber vinho tinto (...) Senhor, a sua carta revela o seu desejo de abrir negociações com a Titan. Pensa que somos tão estúpidos" A Titan tem o dinheiro e o savoir-faire para fabricar pneus. O que tem o sindicato louco? Tem o governo francês (...) O agricultor francês quer pneus baratos. Não lhe interessa saber se os pneus vêm da China ou da Índia e se esses pneus são subvencionados. A Titan comprará um fabricante de pneus indiano ou chinês, pagará salários de menos de um euro à hora e exportará todos os pneus de que a França necessita. Dentro de cinco anos, a Michelin não poderá produzir pneus em França. Os senhores poderão ficar com os vossos alegados operários."

 

Aqui está mais uma entrevista, onde entre outras curiosidades, o senhor Maurice Taylor garante que "na Alemanha é bem melhor, eles querem trabalhar e têm a cabeça sobre os ombros (...) O melhor local de produção na Europa é a Inglaterra, eles fazem o seu trabalho e não têm imbecis no governo. Estou a dizer-lhe a verdade. Não sou politicamente correcto."

 

Querem saber algo sobre a resposta? Foi típica.

 

O ministro francês diz que as palavras do senhor Goodyear foram "extremistas, insultantes e provam uma perfeita ignorância do que é a França, os seus sólidos fundamentos, os seus atractivos mundialmente reconhecidos e os seus laços com os EUA (...) Sabe pelo menos, o que La Fayette fez pelos Estados Unidos da América?". E o ministro que relembra as glórias do Ancien Régime, as façanhas do operacional La Fayette e habilidosamente esquece o decisor Luís XVI, prossegue com os pés bem assentes no planeta Terra, oportunamente relembrando "Omaha Beach, os nazis e Obama". Um alívio, nem Soares, o duo bloquista ou a Câncio fariam melhor.  Enquanto isso o delegado da CGT auxilia o ministro, garantindo ser a carta "insultante para os trabalhadores e para a democracia."

 

A França está salva, Portugal e a Europa também. 

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publicado às 08:05

Servido com pauzinhos

por Nuno Castelo-Branco, em 08.01.13

 

Apesar das esfusiantes manifestações de nacionalismo cuidadosamente recortado segundo o figurino do nipónico general Tojo dos anos trinta e quarenta, o governo chinês começa a enfrentar os problemas decorrentes da enxurrada de negócios que varrem o Império do Meio desde Hong-Kong/Macau, até à fronteira com a Rússia. As universidades agitam-se com inoportunos estudantes à procura daquele "querer saber mais" que enerva o status quo, os empresários chegam da Europa e América com os olhos em bico devido a tudo aquilo que puderam livremente ver e pior que tudo, os jornalistas já não respeitam aqueles princípios ditados pelos bonzos do PCC, ainda presos a um passado de jornais de parede e apelos a revoluções que de cultura tinham nada.

 

Em Portugal temos demasiada gente que no Parlamento pugna por um tipo de organização política que talvez já nem sequer divirja muito daquilo a que está enraizado na China. Morta a URSS, resta-lhes a China. O capitalismo poderá até ser aceitável - o PC caseiro já ousa pouco leninistamente falar em pequenos e médios empresários "simpatizantes", talvez ao estilo de uma NEP -, desde que dependa dos camaradas do partido e claro está, sem a nefasta concorrência de outras organizações "inimigas do povo". Quanto à liberdade de imprensa sabe-se o que significaria, talvez reeditada segundo os esquemas dinâmicos do antigo jornalista Saramago e respectivos métodos expeditos de despedimento colectivo.

 

Enquanto a desindustrialização europeia vai roubando cada vez mais clientes aos fornecedores chineses, o PCC lança novos porta-aviões nas revoltas águas do Mar da China, reivindica áreas marítimas com uma dimensão quase continental, sugere guerras de retaliação ao Japão, praticamente anexa o Nepal, persiste no sustento do miasma norte-coreano, empanturra os aiatolás com todo o tipo de garantias e clienteliza um sem número de sobas africanos. Rematando, aventa a possibilidade do lançamento de uma nova moeda mundial garantida pelo padrão-ouro. Está imparável, mas devia olhar para o que se passa dentro de portas, pois uma boa parte da sociedade urbana chinesa não estará disposta a permitir durante muito mais tempo o actual edifício estatal e as suas concomintantes prepotências. Disso não tenha a nomenklatura qualquer tipo de dúvida, por muitos render da guarda a que proceda. 

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publicado às 10:24

Gosto de chineses

por Samuel de Paiva Pires, em 28.12.12

Ou melhor, gosto dos chineses que têm uma engomadoria onde costumo deixar as camisas. Nem sequer recebo um papel em troca. Fazem um trabalho impecável a um preço imbatível. Estão sempre cheios de trabalho, com imensa roupa por todo o lado, e parecem conhecer de cor a roupa dos clientes. Há mais de um ano que lá vou, nunca tive qualquer problema. Já os fatos, costumo deixá-los na 5 a Sec do Chiado. Perderam-me um fato. Pediram-me um dia para o procurarem, acedi. Ligaram-me, não encontraram o fato, pediram-me para fazer um esforço para me lembrar a quem teria entregue o fato. Não me recordo, e também não sei de que adiantaria. Fui lá, pediram-me para ajudar a procurar, acedi simpaticamente, mas sem resultados. Entretanto dizem-me que porventura outro cliente poderá ter levado o fato, e que teria que aguardar que alguém ligasse. Nesta altura acabou-se o sorriso. Retorqui que, como imaginam, o fato faz-me falta e que não é solução alguma ficar à espera que um cliente ligue. A senhora ter-se-á apercebido da asneira. Aventou a hipótese de que alguém da Louis Vuitton pudesse ter levado o fato por engano, dizendo-me que isso já tem acontecido porque levam muita coisa. Pediram-me para aguardar mais um dia. Já não sei quem é que dizia que o maior problema de Portugal é a falta de organização. Gosto de chineses.



(vídeo sugerido pelo António Costa Amaral)

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publicado às 18:38

China - um novo desastre ambiental vem já aí!

por Pedro Quartin Graça, em 09.12.12

Loucura!

China arrasa 700 montanhas para construir cidade!

 

 

Os chineses não aprendem com os erros cometidos. Depois do desastroso empreendimento da barragem da China Three Gorges, agora é o projecto de "mover montanhas" na área de Lanzhou para a construção de uma nova metrópole e que irá custar pelo menos 3,5 mil milhões de dólares.

O plano de arrasar 700 montanhas (!!!) foi aprovado pelas autoridades regionais em agosto, após meses de preparação, segundo a revista 'China Economic Weekly', tendo sido lançado em outubro. Esta futura cidade, Lanzhou New Area, será construída nos arredores da capital da província de Gansu (população de 3,6 milhões e uma província árida, rodeada de desertos, e palco de constantes tempestades de areia) e terá 25 quilómetros quadrados, dentro de uma área total de 1300 quilómetros quadrados, capaz, dizem os pseudo especialistas, de aumentar o produto interno bruto da região em 43 mil milhões de dólares até 2030.
O vídeo promocional mostra que a nova metrópole, que irá custar mais 11 mil milhões de dólares a construir, terá arranha-céus, lagos, praias e jardins. Uma loucura total e um novo desastre ambiental pré-anunciado!

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publicado às 13:17

Mo Yan - pouco Nobel.

por John Wolf, em 06.12.12

  

Para que fique esclarecido. A comissão que decide a quem deve ser atribuído o prémio Nobel da Literatura, virou a cara aos atentados do escritor Chinês Mo Yan (um pen name que significa "não digas" ou "não fales"). Um autor ligado de um modo muito negativo à repressão política do regime Chinês. O The New York Review of Books, no seu número 19 volume LIX (Dez 6-19, 2012) faz o relato do percurso de um autor que se notabilizou por ser sexualmente arrojado, roçando temas-tabu "ainda disponíveis" na literatura emergente desse império. Na cerimónia de abertura da Feira de Livros de Frankfurt, em 2009, Mo Yan afirmou que "a literatura se deve posicionar acima da política", mas quando as autoridades chinesas boicotaram a sessão em que participariam os pensadores livres Dai Qing e Bei Ling, Mo Yan nem sequer hesitou; abandonou a sala na companhia desses "polícias". A atribuição de um prémio deste calibre a este senhor é um insulto para a humanidade e para a literatura. O livro chegou a Portugal, mas há qualquer coisa de incoerente na sua edição nacional. Não assenta bem vender a indignação e o protesto, para logo a seguir tentar impingir um autor associado a um regime de repressão e controlo. 

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publicado às 15:47

Internacionalismo da extorsão

por Nuno Castelo-Branco, em 30.11.12

O internacionalismo foi isto, ainda é isto. Durante anos, a China despejou milhões em armas, dinheiro e vitualhas destinadas à Frelimo. Ainda me recordo das periódicas exposições de inacreditáveis montões de material capturado pelo Exército Português, onde se apresentavam metralhadoras ligeiras e pesadas, lança-foguetes, espingardas, granadas, minas, uniformes, munições e uma infinidade de outros artigos militares. Boquiaberta, a população de Lourenço Marques visitava essas autênticas feiras de armas e compreendia que Portugal não estava em guerra com bandos desgarrados que cruzavam o Rovuma, mas pelo contrário, enfrentava entre outros, dois temíveis inimigos: a União Soviética - e os seus colaboracionistas portugueses dentro e fora de portas - e a China do Sr. Mao Tsé. 

 

Hoje sabe-se o que representou essa interesseira ajuda, onde até pontificou o risonho Olof Palme, esse mesmo que acabaria numa esquina de Estocolmo e às mãos de um terrorista. Traduziu-se naquilo a que numa primeira fase pós-1974 se denominou de "cooperação", logo chegando em tropel manadas de búlgaros, russos, chineses, suecos e outros nórdicos "nossos aliados" - tubarões da pior espécie que tomaram de assalto as florestas e o sector de transportes -, alemães da zona ocupada, checos e cubanos. Repimpadamente se instalaram nas suas novas colónias de exploração e ditaram a lei a um país que decorridos dez anos, tinha visto a população reduzir-se em mais de um milhão de pessoas mortas à fome e pela guerra civil.

 

O saque não se cingiu a Moçambique, pois em Angola ainda foi mais radical e em todos os sectores, sabendo-se por exemplo, o que sucedeu ao hospital central de Luanda. Perfeitamente equipado pelo governo português, foi de todo o seu material despojado pela gente de Fidel Castro, colocado em contentores e enviado para Havana.

 

Continua a senda do internacionalismo, desta vez com a quase exclusiva benemérita acção da China. O sector das madeiras é um dos alvos mais apetecíveis, assanhadamente destruindo florestas e complementando outras malfeitorias que durante décadas arrasaram as pescas, a vida selvagem - elefantes, crocodilos, rinocerontes -  e cavocando o solo, extraíram prodigiosas quantidades de  minérios. 

 

O internacionalismo, esse belo investimento com garantido retorno usurário.

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publicado às 13:00






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