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O perigo do viés de confirmação e das certezas absolutas

por Samuel de Paiva Pires, em 04.05.17

Robert Burton em entrevista à Scientific American:

 

BURTON: A personal confession: I have always been puzzled by those who seem utterly confident in their knowledge. Perhaps this is a constitutional defect on my part, but I seldom have the sense of knowing unequivocally that I am right. Consequently I have looked upon those who ooze self-confidence and certainty with a combination of envy and suspicion. At a professional level, I have long wondered why so many physicians will recommend unproven, even risky therapies simply because they "know" that these treatments work.

 

(...)

 

BURTON: The present presidential debates and associated media commentary feel like laboratory confirmation that the involuntary feeling of certainty plays a greater role in decision-making than conscious contemplation and reason.


I suspect that retreat into absolute ideologies is accentuated during periods of confusion, lack of governmental direction, economic chaos and information overload. At bottom, we are pattern recognizers who seek escape from ambiguity and indecision. If a major brain function is to maintain mental homeostasis, it is understandable how stances of certainty can counteract anxiety and apprehension. Even though I know better, I find myself somewhat reassured (albeit temporarily) by absolute comments such as, "the stock market always recovers," even when I realize that this may be only wishful thinking.


Sadly, my cynical side also suspects that political advisors use this knowledge of the biology of certainty to actively manipulate public opinion. Nuance is abandoned in favor of absolutes.


LEHRER: How can people avoid the certainty bias?


BURTON: I don't believe that we can avoid certainty bias, but we can mitigate its effect by becoming aware of how our mind assesses itself. As you may know from my book, I've taken strong exception to the popular notion that we can rely upon hunches and gut feelings as though they reflect the accuracy of a thought.


My hope is the converse; we need to recognize that the feelings of certainty and conviction are involuntary mental sensations, not logical conclusions. Intuitions, gut feelings and hunches are neither right nor wrong but tentative ideas that must then be submitted to empirical testing. If such testing isn't possible (such as in deciding whether or not to pull out of Iraq), then we must accept that any absolute stance is merely a personal vision, not a statement of fact.


Perhaps one of my favorite examples of how certainty is often misleading is the great mathematician Srinivasava Ramanujan. At his death, his notebook was filled with theorems that he was certain were correct. Some were subsequently proven correct; others turned out to be dead wrong. Ramanujan’s lines of reasoning lead to correct and incorrect answers, but he couldn’t tell the difference. Only the resultant theorems were testable.


In short, please run, do not walk, to the nearest exit when you hear so-called leaders being certain of any particular policy. Only in the absence of certainty can we have open-mindedness, mental flexibility and willingness to contemplate alternative ideas.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 23:21

Da investigação científica

por Samuel de Paiva Pires, em 12.09.14

 

Eric Voegelin, The New Science of Politics:

 

The theoretical issue of positivism as a historical phenomenon had to be stated with some care; the variety of manifestations themselves can be listed briefly, now that their uniting bond is understood. The use of method as the criterion of science abolishes theoretical relevance. As a consequence, all propositions concerning facts will be promoted to the dignity of science, regardless of their relevance, as long as they result from a correct use of method. Since the ocean of facts is infinite, a prodigious expansion of science in the sociological sense becomes possible, giving employment to scientistic technicians and leading to the fantastic accumulation of irrelevant knowledge through huge "research projects" whose most interesting feature is the quantifiable expense that has gone into their production.

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publicado às 18:33

Nos últimos tempos é raro o concurso ou iniciativa da Fundação para a Ciência e Tecnologia que não gera um coro de protestos em virtude da arbitrariedade que caracteriza esta instituição. Eu próprio dei um modesto contributo (e aqui) para alertar a sociedade portuguesa para o funcionamento da FCT. Mas desta feita, não querendo debruçar-me sobre o processo de avaliação das unidades de investigação, permitam-me sublinhar que, segundo o Público, serão atribuídos 50 milhões de euros às unidades de investigação, a maioria dos quais às unidades que passaram à segunda fase de avaliação (cerca de metade das 322 unidades). Não sei se este será um orçamento anual ou plurianual. Mas, para fazermos contas por alto, admitamos hipoteticamente que será anual. E agora admitamos que ao invés de condenar as unidades que não passaram a primeira fase de avaliação a fechar, a FCT dispunha de mais 50 milhões de euros e poderia, assim, manter todas as unidades de investigação actualmente em funcionamento. Estaríamos a falar de cerca de 100 milhões de euros anuais para manter a esmagadora maioria do sistema nacional de investigação científica em funcionamento - sem contar com as bolsas individuais. Ou admitamos ainda que os 50 milhões de que dispõe seriam suficientes para manter as 322 unidades, sendo distribuídos por estas. 

 

Bem sei que vivemos tempos difíceis, mas colocando isto em perspectiva, recordemos que cada submarino custou 400 milhões de euros, que com o caso BPN foram gastos 8 mil milhões de euros e que continuam a existir fundações que não se sabe o que fazem e absorvem milhões de euros do Orçamento do Estado. Na realidade, a investigação científica em Portugal faz coisas fantásticas com parcos recursos. Será até, no seu conjunto, mesmo considerando que existem unidades de excelência e outras menos boas - o que é apenas natural -, um óptimo exemplo de eficiência económica e com resultados visíveis, palpáveis e fiscalizáveis. Infelizmente, depende financeiramente de uma autoridade centralizadora e opaca, que de um dia para o outro pode simplesmente liquidar partes consideráveis do sistema. O que mostra, mais uma vez, que todo o sistema de financiamento da investigação científica em Portugal tem de ser repensado numa lógica de descentralização e diversificação de fontes de financiamento.

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publicado às 14:29

A realidade da academia pátria

por Samuel de Paiva Pires, em 24.01.14

José Manuel Fernandes, Aquilo que não tem sido dito no debate sobre a "Ciência em crise":

 

"Uma das “verdades sagradas” do actual debate é a de a Ciência produzida em Portugal ser de alta qualidade. A existência de alguns investigadores, em especial jovens investigadores, que têm obtido prémios internacionais reforça essa percepção. Infelizmente, se há em Portugal muitos centros de excelência, o resultados geral do sistema é pouco mais do que mediano, quando não medíocre. Basta pensar no seguinte: no nosso país existiam em 2012 9,2 investigadores por cada 1000 activos, uma percentagem que nos colocava em quinto lugar na Europa, logo atrás dos países nórdicos. Porém, se considerássemos o indicador compósito do Eurostat para a excelência em ciência e tecnologia (um indicador que integra variáveis como o número de publicações científicas ou de patentes), Portugal caía para 19.º lugar, sendo mesmo o pior dos países do Sul da Europa. Em síntese: temos muitos investigadores mas com baixa produtividade.

 

(...)

 

Estas situações de mediocridade não são separáveis do estatuto dos bolseiros, pois os seus problemas são uma das consequências das regras existentes em muitos dos locais onde hoje se faz Ciência. Nesta área, como em muitas outras em Portugal, construímos um país dual.

 

De um lado temos os professores e investigadores que, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, encheram os quadros das universidades e, depois, dos laboratórios associados. Muitas dessas pessoas estão hoje envelhecidas, nunca tiveram uma qualidade por aí além, mas são inamovíveis por muitos e longos anos. Toda a gente que conhece o sistema sabe do que falo.

 

Do outro lado temos as gerações que têm vindo a ser formadas nos últimos anos, temos centenas de investigadores com mais valor e mais qualificação do que muitos dos que estão instalados, mas que encontram as instituição cheias e sem vagas. Todos os anos, sempre que mais uma coorte de universitários termina a sua formação, o número dos que ficam à porta do sistema aumenta."

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publicado às 13:27

Da impudência

por Samuel de Paiva Pires, em 22.01.14

Parece que a FCT decidiu alterar a classificação final dos candidatos na área de Sociologia a Bolsas de Doutoramento e Pós-doutoramento sem que os membros do júri soubessem. Nada de particularmente novo no que concerne ao comportamento da FCT. Felizmente, e apesar desta actuar a coberto de interesses que estão e sempre estiveram protegidos pelos governos, quer PS quer PSD, e que inclusivamente têm cobertura a nível das instituições europeias, temos vindo a assistir nos últimos dias a uma implosão para a qual, no seu devido tempo, tenho o orgulho de ter contribuído.

 

Cumpre-me salientar, no entanto, que sou favorável ao financiamento público da investigação, mas a FCT não pode pura e simplesmente continuar a ser a instituição clientelar e kafkiana que tem sido. Se for para isso, então a luta que muitos encetam agora não é, de todo, a minha. Quando, sozinho, só com o apoio de amigos e família, expus publicamente uma pequenina parte da realidade da FCT, apenas parte da blogosfera, das redes sociais e alguns deputados do PS, PSD e CDS se importaram com o assunto, e nem estes últimos conseguiram obter respostas satisfatórias por parte da tutela. Na altura, até recebi relatos vindos de vários investigadores, de diversas áreas e universidades, sobre o funcionamento obscuro da FCT. E, ao que sei, alguns dos senhores que se têm mobilizado nos últimos dias ficaram muito desagradados com a minha atitude. Da própria ABIC, nem uma palavra. Agora que o dinheiro se acabou, lembraram-se que é preciso, como diria Lampedusa, mudar alguma coisa para que fique tudo na mesma. Para esse peditório não contribuo. Aquilo que me parece verdadeiramente necessário é repensar totalmente o modelo de financiamento público da investigação em Portugal.

 

Mas o mais irónico no meio disto é ver aqueles que outrora estava no centro do sistema e deste usufruíram e abusaram, a queixarem-se e a reclamarem, quais virgens ofendidas e impolutas, como se nada tivessem a ver com o tão conhecido clientelismo no seio da FCT. 

 

Relembremos o que escrevi e expus na Assembleia da República a respeito de certos nomes que se repetiram anos a fio nos júris da área de Ciência Política:

 

Outra questão que salta à vista prende-se com os membros do júri. Da informação disponibilizada no site da FCT, em que apenas constam os júris desde 2007, conclui-se que Marina Costa Lobo é membro do júri desde 2007, Nuno Severiano Teixeira desde 2010, Conceição Pequito Teixeira desde 2009, Maria José Stock e António Costa Pinto integraram o júri de 2007 a 2010, Silvério Rocha e Cunha de 2008 a 2010. Quem nomeia e quem fiscaliza os membros do júri? Sabendo-se, de acordo com Montesquieu, que todo o homem investido de poder é tentado a abusar dele e vai até onde encontra freios ao mesmo, porquê tanta repetição, ainda para mais numa Fundação cujo modus operandi no que diz respeito ao processo de atribuição das Bolsas de Doutoramento é a todos os níveis opaco, pouco transparente e demasiado moroso e prepotente? Numa democracia saudável e quando está em causa a utilização de fundos públicos, quer nacionais, quer comunitários, estes processos devem ser fiscalizados e tornados mais transparentes, sob pena de as suspeitas que recaem sobre a FCT, em última análise, permitirem concluir que grande parte do que passa por investigação científica em Portugal corre o risco de não ter validade científica, por estar enviesado ideologicamente, politicamente ou em virtude de relações pessoais desconhecidas do público entre os membros do júri e os candidatos, já que muitos destes membros do júri são também orientadores de candidatos nas respectivas universidades, ou amigos de orientadores.

 

E leia-se agora a carta que António Costa Pinto assinou há dias, ou o que Marina Costa Lobo tem escrito (aqui e aqui), que agora transcrevo:

 

17/01/2014

Bom texto do Daniel Oliveira.
Sou investigadora e beneficiei muito das politicas do Mariano Gago e até antes - fui bolseira da JNICT, nome que antes se deu à FCT. Concordo em larga medida com o que diz o Daniel Oliveira. de facto a FCT está em deterioração: antes distinguia-se pela meritocracia e pela eficiência. Agora sobressai sobretudo por más razões: politização, menos transparencia e menos meritocracia. Mas falta dizer que Gago no seu auge - e no auge do dinheiro fácil- não fez o mais dificil que era reformar as Universidades. Conseguiu financiar um conjunto muito alargado de doutorados e bolseiros, mas não abriu ou reformou as Universidades para dar espaço às novas gerações. Portanto, este crescimento não era sustentável. 

 

22/01/2014

Ao que parece, o juri de Sociologia decidiu de uma forma e a FCT alterou a ordem dos candidatos a bolsa de Doc. Estou a tentar saber se o mesmo se passou no painel de ciencia política. Inqualificável e completamente inaceitável por parte da FCT.

 

Se a falta de vergonha pagasse imposto, os cofres do estado estariam um pouco melhor. Perante isto, nada melhor que subscrever Camus, citado, espantem-se, por Marina Costa Lobo:

 

 

Leitura complementar: Denúncia Pública – Dinheiros públicos, favorecimentos e discriminação: a Fundação para a Ciência e TecnologiaAssociação Portuguesa de Sociologia perplexa com a Fundação para a Ciência e TecnologiaEntrevista a Samuel de Paiva Pires (não editada)"O presente roubado por um futuro prometido"Denúncia Pública sobre a Fundação para a Ciência e Tecnologia será relatada na Assembleia da RepúblicaÉ já esta Terça-feiraÀ procura de justiçaExposição proferida hoje na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da RepúblicaPSD e CDS questionam a Secretária de Estado da Ciência sobre o funcionamento da Fundação para a Ciência e TecnologiaDa série "Um país de coincidências"Registo áudio da audiência parlamentar sobre a denúncia quanto ao funcionamento da Fundação para a Ciência e TecnologiaAinda a kafkiana e corrupta Fundação para a Ciência e TecnologiaE mesmo assim, a FCT continua a existir e nenhum governo a consegue controlar; Ironias.

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publicado às 19:12

Ironias

por Samuel de Paiva Pires, em 19.01.14

Um destes senhores faz-me lembrar aqueles corruptos que dizem lutar contra a corrupção. Isto porque, às tantas, nesta carta, adverte-se para "o perigo de regresso a um modelo clientelar e não meritocrático de avaliação pelo pares." Ora, a FCT é e sempre foi um modelo clientelar, logo, de avaliação não meritocrática, como António Costa Pinto bem sabe. É muito chato quando se acaba o dinheiro, não é?

 

Leitura complementar: Denúncia Pública – Dinheiros públicos, favorecimentos e discriminação: a Fundação para a Ciência e TecnologiaAssociação Portuguesa de Sociologia perplexa com a Fundação para a Ciência e TecnologiaEntrevista a Samuel de Paiva Pires (não editada)"O presente roubado por um futuro prometido"Denúncia Pública sobre a Fundação para a Ciência e Tecnologia será relatada na Assembleia da RepúblicaÉ já esta Terça-feiraÀ procura de justiçaExposição proferida hoje na Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da RepúblicaPSD e CDS questionam a Secretária de Estado da Ciência sobre o funcionamento da Fundação para a Ciência e TecnologiaDa série "Um país de coincidências"Registo áudio da audiência parlamentar sobre a denúncia quanto ao funcionamento da Fundação para a Ciência e TecnologiaAinda a kafkiana e corrupta Fundação para a Ciência e TecnologiaE mesmo assim, a FCT continua a existir e nenhum governo a consegue controlar.

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publicado às 23:15

Um frio inconveniente

por João Quaresma, em 17.12.13

Em Setembro, fotografias de satélite da NASA mostraram um crescimento da camada de gelo do Ártico de 60% em relação à mesma altura do ano passado. Nos últimos invernos, em ambos os hemisférios, registaram-se recordes de baixas temperaturas e, na semana passada, foi anunciado - note-se: com três anos de atraso! - que em Agosto de 2010 foi registado um novo record da temperatura mínima global, na Antártida. E entretanto, no Egipto nevou pela primeira vez em mais de um século. 

Nos anos 70 e 80, a previsão catastrofista em voga era de que se estava a caminho de uma nova era glaciar. No princípio dos anos 90, foi a vez do buraco na camada de ozono que, dizia-se, crescia descontroladamente, que era consequência da industrialização e que atiraria o Mundo para um inferno de temperaturas altas, raios ultra-violeta e cancros de pele. Depois de anos de alarmismo, provou-se que esse buraco sempre existiu sobre o Pólo Sul, que é normal que exista e que não é consequência da acção humana. Mal a mentira sobre o buraco da camada de ozono foi desmentida, surgiu a do aquecimento global, provocado (de novo culpando a industrialização) pelas emissões de dióxido de carbono (CO2).

Só que desta vez o mito criado assumiu proporções de autêntica ideologia, quase totalitária: recorrendo à manipulação de factos científicos, ao medo e à invenção de uma ameaça à sobrevivência da Humanidade, ao sentimento de culpa, ao terrorismo informativo protagonizado por oportunistas como Al Gore - vale a pena rever o trailer do seu filme - e ao silenciamento das opiniões contrárias. E, sendo uma ideologia, instalou-se nos poderes políticos condicionando não apenas as opções de governação como também a simples legitimidade politica. Questionar a ideologia verde passou a valer a marginalização política aos "hereges". E gerou um sistema politico-económico que obrigou os países desenvolvidos (e "culpados") a despenderem uma parte importante da sua riqueza para financiarem as soluções alegadamente inadiáveis para este suposto problema. Surgiram as ecotaxas, os aumentos dos impostos para penalizar as emissões de carbono, o Protocolo de Kyoto, as suas quotas de emissões de CO2 (e multas avultadas para os infractores) e o mercado do carbono. Surgiu a pressão para substituir prematuramente equipamentos existentes e perfeitamente funcionais por outros novos pelo facto de emitirem menos dióxido de carbono, ou diminuir o consumo de electricidade numa proporção muitas vezes insignificante. Surgiu a desculpa para perseguir o automóvel particular, limitando a liberdade individual na mobilidade («usem transportes públicos ou andem de bicicleta»). E surgiu também o pretexto para fazer disparar os preços da electricidade e dos combustíveis. Duas das fontes de energia eléctrica mais caras e ineficientes, a eólica e a solar - tecnologias perfeitamente dominadas desde os anos 80 e que desde essa altura se sabe serem comercialmente inviáveis por si próprias - tornaram-se obrigatórias, sendo pagas pelos consumidores e contribuintes através de um autêntico sistema feudal justificado com os pressupostos e os mitos da ideologia verde. E já se avança para soluções ainda mais caras e ineficientes como a energia das ondas, ou a eólica em alto-mar, enquanto nem sequer se menciona a energia geotérmica, uma fonte renovável e infinitamente mais barata. A mito do aquecimento global também movimenta muito dinheiro público despendido por organismos estatais, grupos ditos ecologistas, investigação científica (2 mil milhões de dólares por ano só nos EUA) e o sector dos media, comprando lealdades e opiniões.

O documentário abaixo, realizado em 2007 pelo canal britânico Channel Four, dá uma ampla visão sobre todo este fenómeno.

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publicado às 13:31

A universidade de massas e a hostilidade ao liberalismo

por Samuel de Paiva Pires, em 11.10.13

 

Raymond Boudon, Os Intelectuais e o Liberalismo

 

«Por outras palavras, é provável que o desenvolvimento da universidade de massas tenha contribuído para que as teorias de apreensão difícil, as ferramentas intelectuais que implicam um investimento importante em tempo de aprendizagem, tenham sido progressivamente relegadas para segundo plano no ensino e, por consequência, tenham tendido a desaparecer do saber comum, por um processo em cascata que vai do superior ao secundário. Sobretudo nas disciplinas que não estavam imunizadas pelas suas características intrínsecas.

 

De facto, as diversas disciplinas estão desigualmente protegidas, por força da sua própria constituição, contra os efeitos deste mecanismo. Por razões que seria inútil repisar, de tão evidentes que são, a física e a biologia estão mais protegidas do que as ciências humanas, a economia e a história estão mais protegidas do que a sociologia, por exemplo.

 

Este mecanismo ajuda a explicar que a hostilidade ao liberalismo seja sobretudo obra, ao que tudo indica, de intelectuais formados nas ciências humanas menos exigentes. Isto porque a tradição liberal propõe para os fenómenos sociais, políticos e económicos análises que envolvem ferramentas intelectuais, sistemas argumentativos e uma atitude mental que exigem uma aprendizagem muitas vezes encarada como ingrata.» 

 

Leitura complementar: "Por isso pouco importa que a obesidade do Estado central prejudique toda a gente"; O relativismo cognitivo reforça a ética da convicção.

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publicado às 12:28

Avenida da Servilidade

por o corcunda, em 12.07.12

Quando relembro o alarido que o surgimento de uma direita liberal da blogosfera gerou, dá-me vontade de rir. Já se via o que aconteceria a tanta independência e espírito de liberdade quando houvesse dinheiro para distribuir.

 

Como é claro, as pessoas têm todo o direito de se cobrir de ridículo, mas o RMD tem levado o dito à náusea.

 

Desta vez equipara o cursus honorum da praxis política (compadrio, ser filho de cacique, ganhar o torneio de matrecos da “jota”, dominar a chafarica local) com o conhecimento teórico de um fenómeno que transcende a experiência individual (dominar as implicações comunitárias, sociais, éticas dos modelos de convivência política). Não há diferença entre uma pensar e fazer. Entre theoria e tekné. O pintor ou o canalizador são o mesmo que um arquitecto. O enfermeiro ou o auxiliar do hospital, o mesmo que um médico.

 

Para um colunista, aspirante a político, não está mal. O conhecimento científico da política é, segundo RMD, aquilo que os políticos fazem. E isso é bastante ilustrativo da forma como o RMD analisa a política (nos seus blogues e colunas), ou seja, a fazer política. Não dá ponto sem nó, que é como quem diz, não analisa imparcialmente e desligado dos seus fins pessoais coisa nenhuma.

 

Sem querer tecer considerações metodológicas, não sei se e o quê o RMD terá cursado, mas não perceber o papel da ciência (política ou outra) não augura nada de bom. Talvez deva ficar pela política…

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publicado às 10:43

Experiências americanas em Portugal

por Nuno Castelo-Branco, em 29.05.12

Já passaram umas duas ou três gerações desde que o mundo se tornou no alvo para uma das mais exóticas formas de fazer dinheiro. O estrelato pelo horror já não se compadece com películas de Boris Karloff ou outras stars dos tempos do preto e branco. Produzem-se séries sobre séries, listas sobre listas, pianistas, comboios da morte e o diabo a sete. A partir dos anos 30 tudo girou e gira em torno do nazismo, conhecendo-se até à exaustão, todos os pormenores mega-sórdidos do sistema engendrado e colocado em prática pelo Sr. Himmler e assessores. Um dos pontos incontornáveis de qualquer programa Made in USA sobre o nacional-sociialismo, consiste na apresentação das mais inacreditáveis e abjectas experiências praticadas em humanos.

 

Pelo que agora se sabe, a nossa aliança com os EUA tem servido para pontes áreas para certas localidades em "momentâneas dificuldades face a vizinhos belicosos" - e são-no, de facto - e missões "sem dar cavaco" aos portugueses. O que não sabíamos é que certos acordos se estendiam a experiências científicas em que humanos - evidentemente pobres e entregues aos cuidados do "Portugal democrático do Abril de infinitas promesas", sem família e carentes de toda a espécie de confortos do nosso tempo - faziam de cobaias para as doutas sapiências da Faculdade de Medicina Dentária de Lisboa e da Universidade de Washington. Já eram bem conhecidos os episódios experimentais do "fósforo em tapete" sobre as cidades europeias e japonesas, do nuclear nas populações atingidas pelas bombas de Alamogordo e dos desfolhantes - o agente laranja- na Indochina. Mas isto é uma novidade de casa, do regime. Agora esperamos para ver o que o Estado fará, chamando à responsabilidade os crânios da dita Faculdade da nossa capital.  Ou não passará isto tudo, de mais uma das guerras corporativas visando a obtenção de proventos?  Dada a forma como certas notícias correm no nosso país, há que ter em atenção mais uma campanha de terrori que a instalar-se, provocará uma corrida aos consultórios dos dentistas. O que há a dizer está dito, resta-nos apenas esperar por mais novidades americanas.

 

Nada de anormal, afinal de contas a questão judaica teve como dilecta precursora, a solução final dos índios americanos e até os números em liça são idênticos. Tudo conforme as regras da civilização, coisa pouca e sem directo a Hollywoodescas realizações de Spielberg. 

Veja o video publicado no Aventar.

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publicado às 00:26

Por um patriotismo científico

por Samuel de Paiva Pires, em 30.01.12

Recomenda-se a leitura do post de José Adelino Maltez. Quem tiver oportunidade, pode assistir mais logo à palestra no IST.

 

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publicado às 13:10

Portugal por Miguel de Unamuno (IV)

por Samuel de Paiva Pires, em 03.01.12

Miguel de Unamuno, "De Portugal", in Portugal, povo de suicidas:

 

"«Ideias não se encontram... a não ser a que esses homens beberam nos livros franceses mais vulgares e triviais.» Isto é hoje aqui tão verdade como era quando Herculano o escreveu há meio século. Do livro terrível e triste de Oliveira Martins, de que lhes tenho dado passagens, leiam o que diz da ciência desordenada das classes médias portuguesas. Sim; esta pseudociência, este positivismo pseudo-progressista, é pior, muito pior, do que esses fatídicos oitenta por cento de analfabetos de que tanto falam os afrancesados portugueses partidários do positivismo. «A fortuna dos ricos, a sorte dos pobres, vão pois guiadas por uma coisa pior ainda do que a ignorância - a ciência falsa, sempre pedante.»"

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publicado às 21:00

9 em cada 10 estrelas

por Eduardo F., em 12.11.11

Este tipo de afirmações  - "95 percent of active climate researchers agree that humans are contributing to global warming, yet free market fundamentalists continue to deny our responsibility" -, equivale à formulação de que "a ciência está estabelecida" e de que "não há tempo a perder" ou, já no limite, "mesmo que actuemos agora já não seremos capazes de evitar uma grande parte dos perniciosos efeitos do aquecimento golbal, aka alterações climáticas".

 

Esta linha de "argumentação" é muito semelhante, na sua validade científica, à de um célebre anúncio que os menos jovens certamente se recordarão: supostamente, 9 em cada 10 estrelas (de Hollywood?) usariam o sabonete de marca "Lux" o que seria prova bastante da excelência do dito cujo. Ainda que a Gallup já existisse muito antes do início desta campanha publicitária, aquela propaganda comercial não tinha qualquer validade empiricamente comprovada, ainda que o efeito do anúncio junto do público fosse, ou  pretendesse ser (ou fizesse por dar a entender como) significativo.

 

Como é de elementar discernimento, no dia em que fosse declarado a Era do Consenso Científico Estabelecido, nesse mesmo dia, a Ciência teria morrido. Felizmente que, ao contrário do que nos querem fazer querer, esse proclamado consenso não existe: "[T]here is no convincing scientific evidence that human release of carbon dioxide will, in the forseeable future, cause catastrophic heating of the Earth's atmosphere". Números por números contraponham-se estes, por exemplo, referentes a esta petição: 31,487 American scientists have signed this petition, including 9,029 with PhDs. Consenso científico? Deixem-me rir.

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publicado às 19:01

Enquanto escrevo um artigo sobre indignados e "ocupas" para o próximo número do Lado Direito, jornal da JP Lisboa, veio-me à memória uma aula do primeiro ano da licenciatura em que um desses académicos frustrados e infelizes, daqueles que pouco ou nada de original têm e que se limitam a uma espécie de enciclopedismo que se fica pelos redis do sindicato das citações mútuas, dizia que a Teoria das Relações Internacionais era cada vez mais a ciência do quotidiano. Quão ridícula e redutora perspectiva. 

 

Muitas das perspectivas da Teoria das RI não levam em consideração conhecimentos e ensinamentos das ciências de que se diz ter autonomizado e que muitos autores se esforçam até por repudiar – porventura consoante sejam mais fracos nesses domínios, desde a História à Filosofia, passando pela Ciência Política, Economia e Direito. Exemplos claros são as chamadas “narrativas” idealistas pautadas por dogmas ideológicos como o Fim da História, ou o construtivismo da governança global. Ademais, não tendo tanta relevância a perspectiva de Kenneth Waltz de que a primeira unidade de análise da realidade internacional é o indivíduo, sendo o Estado a unidade de análise principal para a grande maioria dos autores, a TRI tornou-se demasiado circunscrita. Nada contra, até porque tal consubstancia a sua autonomização científica. Simplesmente não me parece intelectualmente honesto circunscrever um objecto de estudo e autonomizar uma ciência para depois clamar domínio sobre todas as outras – ainda que apenas tenha ouvido isso da boca de uma só pessoa da área. É que muitas das outras ciências tentaram fazer o mesmo, e já cá andam há mais tempo. Talvez um bocadinho de humildade académica não fizesse mal.

 

Mais, a proeminência de economistas nas tentativas de explicação dos tempos que vamos vivendo é, também, um sintoma de que os modelos explicativos da TRI estão esgotados, o que é apenas normal se considerarmos que a Economia Internacional assenta nos ensinamentos do keynesianismo (ou não tenha Keynes sido o grande arquitecto do sistema de Bretton Woods).

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publicado às 20:16

Na sequência desta notíciaNeutrinos and Appomatox, por Steve Landsburg:

Scientists at CERN have found apparent evidence that neutrinos can travel faster than light.

 

Suppose that tomorrow historians at Harvard find apparent evidence that the South won the American Civil War — not in some metaphorical “they accomplished their goals” sense, but in the literal sense that it was actually Grant who handed his sword to Lee at Appomatox and not the other way around.

 

Question: Of which conclusion would you be more skeptical?

 

Of course your answer might depend on exactly what this new “apparent evidence” consists of. So let me reword: As of this moment, which do you think is more likely — that neutrinos can travel faster than light, or that the South won the Civil War?

 

Uma chamada de atenção para a qualidade de muitas das intervenções registadas na caixa de comentários de Landsburg. Não deixem de as ler.

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publicado às 00:04

A ciência e o seu financiamento

por Eduardo F., em 25.09.11
Um dos últimos livros que li - e que recomendo vivamente -, foi Rollback, de Thomas E. Woods Jr., historiador e economista da escola austríaca. O livro, publicado no passado mês de Fevereiro, é um  repositório de veemente argumentação anti-estatista nos mais variados domínios, desfazendo todo o "novelo" de mitos, um após outro, em que assenta o Big Government nos países ocidentais e, particularmente, nos EUA de Bush e Obama. Na contracapa, encontramos estas palavras de Ron Paul: "If Congress and the Administration really wanted to learn how to eliminate the deficit, limit government, and protect liberty they would stop wasting taxpayers’ money on ‘debt commissions’ and instead read Rollback."

 

Numa das secções do capítulo "The Myth of 'Good Government'", Woods desmonta um dos argumentos usualmente  utilizados (e raramente examinado...) da necessidade de intervenção estatal para a promoção da ciência. O seu título é: "Without Government Science Funding, Everyone Would Be An Idiot". Woods socorre-se de Terence Kealey e o seu "The Economic Laws of Scientific Research" para rebater esse ponto de vista começando por fazer notar que o progresso científico na Grã-Bretanha em todo o século XIX se faz essencialmente com financiamento privado. Se esse mito fosse verdade, então a França e a Alemanha, onde os governos, à época, tiveram de facto uma intervenção significativa no financiamento de actividades científicas, não deveriam ter "provocado" um comparativamente maior progresso científico? E não, não foi isso que sucedeu, antes o inverso.

 

Entretanto, enquanto me dedico à leitura do livro de Kealey, que agora vai para a vitrina, aqui fica, via TomWoods, uma palestra de Kealey, de 2009, intitulada "O mito da ciência como bem público [no sentido económico]":

 

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publicado às 21:05

A ciência NUNCA está estabelecida

por Eduardo F., em 23.09.11
tenha ou não tenha fundamento a seguinte notícia: CERN scientists 'break the speed of light'. A ser verdade, Einstein estava enganado. Nada de novo. Já o mesmo tinha acontecido com Newton e antes dele com Plotomeu, só para citar dois grandes nomes.

 

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publicado às 23:47

Physics for dummies

por Silvia Vermelho, em 14.09.11
O canal MinutePhysics no youtube presenteia-nos com uma série de curtos filmes, de um minuto, com explicações muito simples sobre Física do nosso quotidiano. Em época de regresso às aulas, aqui fica um exemplo de um recurso útil para as/os estudantes iniciadas/os nestas matérias ou que simplesmente acham piada, como eu :)

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publicado às 14:26

O World Science Festival apresenta uma série de vídeos - The unbearable lightness of memory, sobre a memória e os processos que lhe são subjacentes. Um deles é particularmente interessante, e analisa a construção das chamadas falsas memórias. Quem, na verdade, nunca sentiu recordar-se de uma coisa que não se processou bem assim ou não se processou de todo? The fiction in our identity - a ficção na nossa identidade - é um vídeo interessante sobre o processo dinâmico da recuperação de memórias. Uma viagem pela ontologia também se torna um excelente cruzamento enquanto visualizamos este vídeo.

 

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publicado às 16:56

O estado da disciplina de economia em Portugal

por Samuel de Paiva Pires, em 13.06.11

Não sendo economista, não deixo de assinalar que foram precisos 4 anos de licenciatura em Relações Internacionais, 2 de mestrado em Ciência Política e estar quase a terminar a minha dissertação de mestrado para comprovar uma ideia que já tinha há muito tempo: os moldes em que economia é leccionada no ISCSP (e possivelmente noutra universidades portuguesas) são risíveis e em larga medida cientificamente inválidos, porque de pendor socialista/keynesiano - ou seja, uma impossibilidade epistemológica.

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publicado às 17:03






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