Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Trainspotting 2, Choose Life

por Samuel de Paiva Pires, em 13.04.17

 

Choose designer lingerie, in the vain hope of kicking some life back into a dead relationship.

Choose handbags, choose high-heeled shoes, cashmere and silk, to make yourself feel what passes for happy.

Choose an iPhone made in China by a woman who jumped out of a window and stick it in the pocket of your jacket fresh from a South-Asian firetrap.

Choose Facebook, Twitter, Snapchat, Instagram and a thousand others ways to spew your bile across people you've never met.

Choose updating your profile, tell the world what you had for breakfast and hope that someone, somewhere cares.

Choose looking up old flames, desperate to believe that you don't look as bad as they do.

Choose live-blogging, from your first wank till your last breath; human interaction reduced to nothing more than data.

Choose ten things you never knew about celebrities who've had surgery.

Choose screaming about abortion, choose rape jokes, slut-shaming, revenge porn and an endless tide of depressing misogyny.

Choose 9/11 never happened, and if it did, it was the Jews.

Choose a zero-hour contract and a two-hour journey to work, and choose the same for your kids, only worse, and maybe tell yourself that it's better that they never happened. And then sit back and smother the pain with an unknown dose of an unknown drug made in somebody's​ fucking kitchen.

Choose unfulfilled promise and wishing you'd done it all differently.

Choose never learning from your own mistakes.

Choose watching history repeat itself.

Choose the slow reconciliation towards what you can get, rather than what you always hoped for. Settle for less and keep a brave face on it.

Choose disappointment and choose losing the ones you love, then as they​ fall from view, a piece of you dies with them until you can see​ that one day in the future, piece by piece, they will​ be all gone and there will be nothing left of you to call alive or dead.

Choose your future, Veronica.

Choose life.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:19

Recomenda-se: A Idade de Adaline

por João Quaresma, em 05.05.15

idadeadaline

De Lee Toland Krieger, com Blake Lively, Ellen Burstyn, Michiel Huisman e Harrison Ford.

A história de uma mulher que, a dada altura da sua vida, se vê incapaz de envelhecer. O que em princípio seria o sonho da eterna juventude revela-se, afinal, um infortúnio que a priva de uma vida normal, ao viver noutro tempo que não o do ciclo de vida de toda a gente; uma realidade a que ela terá de se adaptar. Um grande desempenho da bela e elegante Blake Lively no papel principal, conseguindo retratar uma mulher criada no início do Século XX mas que procura adaptar-se aos tempos e situações que atravessa, necessariamente madura apesar de fisicamente jovem, prudentemente contida mas não conseguindo esconder as emoções. Outro grande desempenho é o do veterano Harrison Ford, de entre um elenco bem escolhido. Não sendo excepcional, é um bom filme a todos os níveis, a que não falta boa fotografia, música original e guarda-roupa de época.

Uma vez mais aconselho vivamente a não ver o trailer, que revela demasiado da história. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 02:12

Recomenda-se: «Na Terceira Pessoa»

por João Quaresma, em 13.07.14

Escrito e realizado por Paul Haggis, com Liam Neeson, Olivia Wilde, Mila Kunis e Adrien Brody nos papéis principais. 

É sempre desagradável dizer que um filme não é para toda a gente mas este, de facto, não é um filme fácil. Não só por causa do constante zapping entre as histórias que fazem parte da história principal (que parece algo exagerado na parte inicial do filme), mas porque nenhum dos personagens é herói nem está lá para que o espectador simpatize com ele. O que poderá levar a que se tenha menos interesse e se preste menos atenção aos detalhes necessários para que, mesmo no final, tudo encaixe e se compreenda a verdadeira dimensão da narrativa. Uma fórmula arriscada que poderá acarretar a frustração do espectador caso este não "atinja" a história. Não será por acaso que a crítica não tem sido muito favorável a este filme que, de facto, é de grande qualidade e com um elenco bastante competente.

Tudo começa e acaba com um escritor, fechado num quarto de hotel a escrever um romance, consumido pelo sentimento de culpa e ferido na auto-confiança.

«Watch me».

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 03:35

« O Velho de Novo » *

por Cristina Ribeiro, em 08.04.14



E o Velho aqui referido é o que dá o nome ao novo filme de Manuel de Oliveira, « O Velho do Restelo ».

Para quem sente a portugalidade, como é o caso, é tão evidente que a nossa História, assim como o que escreveram os nossos bons escritores, são um manancial de inspiração. Que, com raríssimas excepções, tão mal aproveitado tem sido.


Uma armada cheia de barcos a afundar, a actual. Desafio deveras interessante essa nova reflexão sobre a História de Portugal, em particular sobre  "a Invencível Armada e o presente".



 

                         * Título de livro de António Manuel Couto Viana

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:48

The Pervert's Guide to Ideology

por Samuel de Paiva Pires, em 03.11.13

 

Alguns apontamentos interessantes, outros altamente discutíveis e demasiadas interpretações abusivas que Zizek tenta passar como verdades alicerçadas na psicanálise de Jacques Lacan compõem The Pervert's Guide to Ideology, um filme que irá provavelmente ser um sucesso de bilheteira num Ocidente cada vez mais à deriva e em que a larga maioria dos espectadores provavelmente não terá recursos intelectuais para o desmontar e criticar, especialmente quanto a erros de palmatória (por exemplo, Zizek afirma que Kant defende a ideia de nobre mentira de Platão, quando, na verdade,  Kant é um dos poucos grandes filósofos a ter defendido que mentir é sempre moralmente errado, estando na companhia apenas de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino). Mais uma lança avançada do marxismo cultural contra o capitalismo, mas que acaba numa mão cheia de nada em que aquilo que me parece mais importante reter, especialmente em resultado do óbvio viés ideológico e de várias deficiências intelectuais de Zizek, é que este alegado filósofo é extremamente sobrevalorizado. Que seja um dos mais reputados intelectuais mundiais diz muito da degenerescência intelectual do Ocidente.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:06

Recomendam-se: Gravidade e Capitão Phillips

por João Quaresma, em 25.10.13

«Gravidade» de Alfonso Cuarón, com Sandra Bullock e George Clooney. Magnífico filme do realizador mexicano que, quando era rapaz, tinha o sonho de ser astronauta. Que melhor pessoa para escrever o argumento e realizar um filme espacial? Do princípio ao fim com imagens de grande beleza, bem escrito e realizado, sem nunca perder a atenção do espectador e com efeitos especiais excelentes e atentos aos detalhes, boa banda sonora e uma interpretação de Sandra Bullock que certamente lhe valerá galardões. Tem tudo para agradar a toda a gente... menos ao público russo.

Como aperitivo, sugiro um passeio espacial pelo mural no Facebook do astronauta italiano Luca Parmitano, que tem partilhado as suas fotos tiradas desde a Estação Espacial Internacional, AQUI.



«Capitão Phillips» de Paul Greengrass, com Tom Hanks no papel principal (um óscar provável), é um thriller baseado na história verídica do desvio de um cargueiro norte-americano por piratas somalis.

Sendo todos nós consumidores numa economia globalizada, compradores de mil e uma coisas feitas Ásia, de fruta sul-americana ou de borrego da Nova Zelândia, raramente nos lembramos de quem torna tudo isso possível ao manter as artérias do comércio internacional: a marinha mercante. E a vida de quantos navegam no Oceano Índico tornou-se mais difícil e arriscada quando surgiu o problema da pirataria baseada na Somália. «Capitão Phillips» elucida sobra esses riscos, de ataque e captura de reféns, consequência de uma actividade que alguns tentaram desculpar com a situação de pobreza extrema dos pescadores somalis. O filme dá essa grande lição: nada justifica o comportamento brutal que tem sido imposto a muitos tripulantes (e sofrimento das respectivas famílias, para já não falar nos danos à empresas envolvidas), e quem envereda pela pirataria é e será sempre um criminoso. O problema, que chegou a afectar a navegação no Oceano Índico e a desviar parte do tráfego para a Rota do Cabo, está hoje bastante diminuido por efeito da intervenção das marinhas de muitos países. Esta é, aliás, uma falha deste filme: cumpre uma lamentável tradição de Hollywood de omitir qualquer papel ou mérito a outros que não os norte-americanos e demais anglo-saxónicos, e quem vir «Capitão Phillips» pensará que a única força presente na zona para garantir a segurança da navegação é a Marinha dos Estados Unidos, quando na verdade se trata de um esforço multinacional envolvendo também forças navais do NATO, da União Europeia, da Rússia, Índia, Arábia Saudita, China e outras nações asiáticas, além da Austrália e Nova Zelândia.

A primeira metade do filme é excelente, com a acção a evoluir de forma dinâmica e realista. Mas a segunda parte alonga-se demasiado numa situação de alta tensão e violência psicológica, que leva a um fim perfeitamente previsível, tornando-se quase pornográfica do suplício de quem se vê na situação de refém dos piratas. Não estranha que, na sessão a que assisti, houvesse quem tenha abandonado a sala antes do fim.

Se a pirataria baseada na costa da Somália - e que se fez sentir em boa parte do Oceano Índico, mesmo a vários milhares de quilómetros de distância como aconteceu em águas da Índia - está hoje debelada, o problema está a surgir em força no Golfo da Guiné, também por movimentos ligados ao fundamentalismo islâmico. Hoje mesmo, um navio norte-americano foi atacado e os piratas fizeram dois reféns entre a tripulação, incluindo o capitão. A semelhança de situações e a coincidência com a exibição de «Capitão Phillips» poderão motivar ainda mais a Casa Branca para uma intervenção militar.

Sendo que este é um problema que assume proporções preocupantes para os países do Sul da Europa (sobretudo Espanha e Portugal, por via das ilhas Canárias, Selvagens e Madeira), o facto é que a costa africana é muito menos importante para o comércio mundial do que a rota Ásia-Europa pelo Canal do Suez, pelo que haverá menos voluntarismo de outros países e participar na sua abordagem. Retirando lições da Somália e antecipando uma previsível evolução da ameaça, Espanha, França, Portugal e o Reino Unido têm vindo a alertar a UE para tomar medidas firmes que deverão passar pela presença permanente de navios de guerra na costa africana. Escusado será dizer que, com ou sem o apoio de Bruxelas, Portugal terá necessariamente de participar nesse esforço e também reforçar a presença naval em águas da Madeira, tal como Espanha tem vindo a fazer nas Canárias. Com austeridade ou sem ela, o que tem de ser tem muita força e o dinheiro para financiar essa operação terá de aparecer de algum lado. Basta imaginar na gravidade que seria, por exemplo, um grupo de piratas desembarcar e ocupar temporariamente uma das Ilhas Selvagens, ou saquear e fazer reféns no Porto Santo. Não se pode consentir em correr esse risco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 18:40

Recomenda-se: Jobs

por João Quaresma, em 23.08.13

De Joshua Michael Stern, com Ashton Kutcher no papel de Steve Jobs.

Não sendo um filme excepcional, dando o desconto que faz parte da construção do mito em trono de Steve Jobs, e que provavelmente não será 100% fiel à verdade, que obviamente serve os interesses de marketing da Apple, que não resistiu aos clichés sobre os computer geeks e os universitários do final dos anos 60/anos 70, é ainda assim um filme interessante, bem realizado e interpretado, carregado aos ombros por Ashton Kutcher. A figura de Jobs é tratada nas suas várias facetas, do aluno universitário ao empresário visionário, passando pelo relacionamento com os seus próximos, e naturalmente pelos seus ensinamentos. A banda sonora também é bastante bem sucedida.   

E para quem teve as primeiras aulas de informática há quase 30 anos (ao teclado de um Bull 80286, de 8 MHz - uma grande máquina na altura), ver este filme desperta memórias e carinho por uma época em que a informática estava a chegar ao alcance do comum dos mortais, com teclados iguais aos das máquinas de escrever electrónicas, monitores de válvulas com ecrãns monocromáticos (onde, quando se movia o cursor de um lado para o outro, deixava um rasto de luz atrás de si) e a informação guardada em disquettes de 5 e 1/4 de polegada, 360 Kbytes de memória - os discos rígidos só apareceram mais tarde. Na altura, era a tecnologia de ponta, a começar a transformar as nossas vidas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 02:40

Citações (VII)

por Fernando Melro dos Santos, em 04.08.13

What if I told you insane was working fifty hours a week in some office for fifty years at the end of which they tell you to piss off; ending up in some retirement village hoping to die before suffering the indignity of trying to make it to the toilet on time? Wouldn't you consider that to be insane?

- Garland Greene, the Marietta Mangler

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:44

Recomenda-se: «Dentro da Casa»

por João Quaresma, em 22.07.13

De François Ozon. Um bom filme francês, bem escrito, realizado e interpretado. Um professor de Francês que descobre entre os seus alunos um com especial talento para escrita e que resolve aconselhar e desenvolver. Não imagina ele no que se está a meter.

Além do mais, este filme é uma oportunidade para escutar Francês correcto e bem falado, sem palavrões nem calão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:56

Estado de espírito (6)

por João Pinto Bastos, em 22.06.13

R.I.P James Gandolfini (1961-2013)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:38

Estão de volta!

por Pedro Quartin Graça, em 22.06.13

 

Em exibição contínua perto de si, mas interdita a menores de 18 anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:35

Recomenda-se: Um Caso Real

por João Quaresma, em 02.04.13

Um filme dinamarquês que relata o conturbado reinado de Cristiano VII da Dinamarca e Noruega, com a chegada das ideias do Iluminismo àquele que era na altura um país conservador. Aparentemente rigoroso em termos históricos, toma por vezes o partido por um processo político que, se por um lado deu à Dinamarca uma muito necessária modernização em muitos aspectos, por outro foi considerado usurpador e odiado pela generalidade do país. E que o deixou numa situação difícil e mergulhado numa crise politica, além de ter tornado a corte dinamarquesa num alvo de chacota internacional. O que pode tornar o filme ainda mais interessante se o espectador guardar algum espírito crítico quanto à forma como os factos são apresentados.

Bem realizado por Nicolaj Arcel, conta com excelentes desempenhos e todos os condimentos de um bom filme de época (cenários, guarda-roupa e música).

De novo, aconselho a evitar o trailer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 10:05

Recomenda-se: Efeitos Secundários

por João Quaresma, em 08.03.13

efeitos secundarios soderbergh

Bom filme de Steven Soderbergh, com Jude Law e Rooney Mara no seu melhor.

Aconselho a não ver o trailer, que revela demasiado. É melhor ir ver sem saber nada do que se trata.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 15:21

North Atlantic

por João Quaresma, em 13.07.12

 

Está a decorrer no Youtube o Your Film Festival, um festival de curtas metragens em que os cibernautas são o júri. Dos 15 mil filmes a concurso foram escolhidos 50 finalistas, entre os quais «North Atlantic», uma co-produção luso-britânica realizada pelo português Bernardo Nascimento, que também escreveu o argumento, baseado em factos reais. A votação decorreu até hoje. Espero que obtenha uma boa classificação porque de facto são quinze minutos de bom cinema.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

publicado às 22:30

O Maradona anda inspirado

por Samuel de Paiva Pires, em 18.05.12

Uns pingos de vergonha:

 

«É chegada a altura de produzir um anúncio: desisto oficalmente de aguardar pela chegada do dia em que alguém se espante que seja quem precisamente tem pessoal interesse financeiro em haver cinema a defender os subsídios de que serão os maiores benefiários. Na concentração a favor do cinema português que se realizou nas escandarias da Assembleia da República ouvi um depoimento que é uma literal reencenação deste habitual extraordinário, rebobino: "Nós não estamos aqui a defender o nosso trabalho, estamos aqui sobretudo a defender a cultura em Portugal". Não me resta alternativa que não seja claudicar: trata-se de um traço aparentemente eterno, e retorna sempre. Todo o merdas que em Portugal culturaliza para viver só é habitado por motivos estratósféricos, quase assistencialistas para com Portugal e os portugueses: o Jaime Bulhosa, os cineastas e os actores, pela cultura; os professores, pela educação; os médicos e os enfermeiros, pela saúde; os juizes e os advogados, pela justiça; os banqueiros, pela economia. E os trabalhadores dos Estaleiros de Viana do Castelo? Esses não, esses estão apenas a defender interesseira mas compreensivelmente os seus postos de trabalho, tadinhos deles. As pessoas da cultura parecem estar isentas do imposto social que é o pudor, o decoro e a vergonha; mas se o não têm, ou se por elitismo (em cujo valor e importância, adiante-se, acredito, e defendo) não acham possível ser hipócrita ao ponto de os simular e exteriorizar, porque é que, ao menos, não estão calados, caralhos ma'fodam? Porque é que não deixam ser quem ambiciona poder consumir cultura em Portugal a mover-se para extrair do Estado os recursos que alimentem o que consideram essencial para si? Que sejam discretos, ao menos, é impossível? Que se defendam, inclusivamente, que nos defendam, mas sem nos esfregar nas trombas a auto-importância que se atribuem. Será pedir muito?»

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:02

Tédio em 3D

por Samuel de Paiva Pires, em 09.04.12

O 3D é uma tanga para cobrar mais dinheiro por um bilhete de cinema e o Titanic é um dos filmes mais aborrecidos que alguma vez vi (tanto que adormeci das duas vezes que o vi, acabando por ver as metades). O que é que pode levar alguém a transformar aquilo em 3D (que não seja o lucro) e, mais, o que pode levar alguém a querer passar pela tortura de ver novamente aquele entediante filme? Se eu passasse 4 horas com aqueles óculos de hipster a ver aquela película, certamente começaria a sangrar dos olhos - e também dos ouvidos, devido à Celine Dion. Enfim, mas já que virou moda, entretanto aguardo pacientemente que transformem o Matrix em 3D, enquanto me divirto com os vídeos a gozar com o Titanic, como este.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:45

Sobre os Óscares e a pseudo-intelectualidade Hollywoodesca

por Samuel de Paiva Pires, em 26.02.12

Alberto Gonçalves na mouche, E o vencedor é...:

 

"Será talvez irónico que a televisão, responsável pelas maiores atrocidades na história do entretenimento desde a mulher barbuda (correcção: incluindo a mulher barbuda), seja hoje responsável por algumas das produções mais sofisticadas do género. Antigamente o refugo do audiovisual, a televisão desatou a exibir maravilhas como The Wire, Dexter, Arrested Development ou The Office. Em compensação, o cinema já raras vezes ultrapassa o primarismo assumido da banda desenhada ou, o que é pior, o primarismo da banda desenhada com pretensões "artísticas". Os melhores leading men da actualidade, de Hugh Laurie a Michael C. Hall, de Dominic West a Kelsey Grammer, recorrem à televisão para fazer carreira e ao cinema, onde se subjugam aos Pitt e aos Clooney desta vida, para fazer dinheiro. É inegavelmente irónico que o cinema nunca tenha facturado as fortunas actuais, e que a sua celebração anual nunca tenha sido tão épica e mentecapta.

 

Mesmo em épocas de fartura qualitativa, os Óscares jamais se distinguiram pelo esclarecimento (é escusado lembrar que Hawks, ou Cara Grant não ganharam um único). Em época de escassíssima qualidade, os Óscares distinguem-se pelo ridículo: na falta de filmes, não faltam fitas. Claro que nem sempre o ridículo e as fitas atingem os píncaros de 2003, em que a cerimónia foi reduzida a uma manifestação contra a guerra no Iraque. A imagem de Michael Moore a pedir a Bush que tivesse a vergonha que ele, um charlatão milionário, obviamente não possui simbolizou os abismos de hipocrisia a que a coisa desceu. Mas a coisa desce com regularidade. Não há cerimónia sem um par de vedetas a promover as "causas" a que aderiram na semana anterior (ou, no divertido caso de Sean Penn, vinte minutos antes), de resto a matéria da maioria das misérias a concurso.

 

No dia seguinte, os media aplaudem a coragem das vedetas. No léxico contemporâneo, "coragem" é o que leva uma pessoa a defender ou criticar o que é defendido ou criticado por quase toda a gente. É lícito louvar o ambiente, o "pacifismo" e "Che" Guevara, ou caricaturar o evangelismo cristão, Margaret Thatcher e o senador McCarthy, um monstro que, embora morto há meio século, as valentes celebridades não cessam de combater. Na verdade, as celebridades só não combatem inimigos reais e realmente perigosos. Os limites do seu activismo definem-se pelas maçadas que o activismo lhes poderá trazer. Grosso modo, os limites são o Islão.

 

Parece que Sacha Baron-Cohen, criador de Borat, sentiu agora as interdições da famosa "academia", cujo convite para os Óscares estaria dependente da garantia de que o actor inglês não aproveitará o evento a fim de promover O Ditador, paródia de um deposto líder de um país muçulmano. Suspeito que a palavra-chave, aqui, é "muçulmano": com o Profeta e respectivos seguidores não se brinca. À hora em que escrevo, consta que a "academia" deseja afinal integrar a personagem de Baron-Cohen no alinhamento da noite, uma tentativa de controlar danos à qual Baron-Cohen cederá ou não. Inclusive, corre por aí que tudo se resumirá a um truque publicitário combinado por ambas as partes. Pouco importa. O importante é a mera plausibilidade da cautela, uma extravagância num mundo orgulhoso de desafiar interditos excepto o interdito que mata.

 

Recentemente, transtornados locais promoveram pequenas chacinas a propósito da queima de exemplares do Corão numa base militar americana no Afeganistão. Em geral, as chacinas ou as ameaças não carecem de pretextos tão ofensivos (e dispensáveis). Uma palavra, um rabisco ou uma rábula cómica bastam para suscitar a fúria de quem, na última década, decide o que é admissível no nosso comportamento. Por isso o nosso comportamento se resigna ao medo, uma irrelevância quando restrito ao grotesco circo de Hollywood, um perigo quando alargado ao Ocidente. Logo veremos se o medo voltou a vencer. Ou verão os que seguem pelo televisor a homenagem a este cinema e, até certo ponto, a este Ocidente resignado. A TVI passa os Óscares. Enquanto não vir uma vedeta enxovalhar o fanatismo que conta ou um bom filme premiado, eu também passo."

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:54

A dangerous method

por Silvia Vermelho, em 11.01.12
Um filme brilhante com desempenhos excepcionais. Finalmente, na minha mente, foram abandonados o Aragorn e a Elizabeth Swann.
Para além da interpretação, de um guião e de uma direcção de fotografia que me cativou bastante, o que é mesmo fixe é sair de um filme com a mente a mil :).

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:17

Gosto de ir ao cinema com a minha irmã mais nova. Temos certas tradições de irmãs e uma delas é vermos certos filmes em conjunto no cinema. Assim foi hoje com o quarto filme da saga Twilight, Amanhecer.

 

Que os livros são literatura de casa-de-banho (e foi aí que eu os li, motivada pela minha irmã mais nova, e apenas o ano passado, depois de me ter passado ao lado o entusiasmo de algumas amigas em 2008), era evidente. Que os filmes são a produção hollywoodesca do costume, também sempre foi evidente. Enfim, Twilight tem a utilidade das revistas cor-de-rosa no consultório médico ou no cabeleireiro.
O que não nos podemos esquecer é que esta brincadeira das mega-produções para adolescentes tem um efeito muito directo na vida destas/es consumidoras/es, ávidas/os de uma vida para além da aborrecida Escola Secundária (onde o rapaz mais giro da escola não tem a pele a brilhar como se pequenos diamantes a compusessem). Foi recentemente noticiada a corrida de jovens às clínicas dentárias, no Japão, de modo a acrescentarem pequenas próteses que lhes fizessem sobressair os caninos. Enfim, toda a geração tem o seu quê, algures de parvoíce. No meu tempo também havia malta que usava os óculos com fita-cola a la Harry Potter. São acidentes de percurso.
O que também todas/os sabemos é que, inevitavelmente, a generalidade da literatura - por acção humana que é - repercurte, naturalmente, a forma como crescemos, como elas e eles crescem, observam e percepcionam o espaço em seu redor.
O universo da autora de Twilight recria um universo cliché - o da rapariga insegura que se apaixona pelo rapaz mais giro da escola, mas com contornos perigosos que a sua componente fantástica comporta. A dimensão genderizada do romance adolescente é potenciada pela dimensão vampiresca, com o protagonista (um adolescente congelado no século XIX) a transportar para a vida de Bella a importância da "honra" e "virtude" (aka, virgindade), o velho ritual de troca de mercadoria conhecido como o pedido da mão ao pai da mesma (um casamento a que ela, com 18 anos, acede por ter sido a "moeda de troca" proposta por Edward para obter sexo) e a total ausência de opinião da mesma na organização do evento e no desenrolar da sua vida (os carros novos são-lhe impostos, a lua-de-mel é de destino para ela desconhecido, etc.). Enfim, a saga Twilight é, toda ela, uma valorização de um modus vivendi contestado e repudiado.

O filme Amanhecer representa, talvez, o clímax dessa valorização de papéis de género que se desejariam extintos no mundo que, vampiros aparte, a autora teve em conta - o nosso. Talvez porque acrescenta à submissão de Bella a um amor fortemente condicionador da sua vida e das suas escolhas situações de verdadeira violência física que parecem, no fim de tudo, passar despercebidas. No entanto, ávida pelo amor físico do seu novo marido, Bella sujeita-se a ser magoada (o livro descreve-a como coberta de nódoas negras) durante o sexo, correndo o risco de vida e aceitando esse risco como "worthy". Bella insiste em levar para diante uma gravidez que a conduz até à morte, num esforço estóico que o filme explora mostrando a degradação do corpo de Bella, sendo audíveis as fracturas dos ossos que a criatura que transporte lhe provoca e a magreza extrema a que uma gravidez mórbida a conduziu. O mais extraordinário é que, tal como os livros o evidenciam, ao contrário de outra personagem (Rosalie), Bella não desejava ardentemente ser mãe mas, subitamente, com a ideia de poder transportar um mini-Edward para o mundo, Bella sacrifica-se, mais uma vez, e ao seu corpo, saúde e vida, em prol desse ideal: o homem da sua vida.
Moral da história: quanto mais a Bella sofre, melhor ela é - melhor mãe e melhor mulher. A sua afirmação e o seu empoderemento na saga surge lado-a-lado, e de forma proporcional, à violência a que é sujeita.
A ideia de que pelo amor vale tudo, com uma perspectiva tão genderizada, tão patente nesta saga, é perniciosa quando não filtrada - que, todas/os sabemos, é coisa que a malta adolescente não é perita em fazer.

Mais sobre este assunto aqui, num artigo que deu origem a este post, Breaking Bella - When Love equals violence. E, nas palavras de uma comentadora facebookiana, "Interestingly enough, I thought there were only two moments when Bella took control of her life: when she demands sex from her husband who has refused to touch her again sexually after their wedding night (when he bruises her and breaks the bed), and when she chooses to remain pregnant despite the danger to herself."

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:19

The Thin Red Line

por Eduardo F., em 10.11.11

Para além de um filme de culto de Terrence Malick.

7%

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:46






Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D

Links

Em destaque

  •  
  • Estados protegidos

  •  
  • Estados amigos

  •  
  • Estados soberanos

  •  
  • Estados soberanos de outras línguas

  •  
  • Monarquia

  •  
  • Monarquia em outras línguas

  •  
  • Think tanks e organizações nacionais

  •  
  • Think tanks e organizações estrangeiros

  •  
  • Informação nacional

  •  
  • Informação internacional

  •  
  • Revistas


    subscrever feeds