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O Truque das Massas.

por Nuno Resende, em 19.04.17

O projecto chamado Truques da Imprensa Portuguesa é um caso curioso de Sockpuppets cujo objetivo é o de, entre outras coisa, desmascarar outros Sockpuppets. Estranho? Nem por isso. A príncipio tudo parece um caso de voluntariado: um grupo de amigos (e amigas?) junta-se para denunciar o que consideram ser os abusos da comunicação em Portugal: pretensas notícias falsas, artigos manipuladores, clickbaits, violação da vida privada, combate político «descarado», etc etc. A cada instante, através do Facebook, os anónimos autores do Truques elaborada cuidadosamente textos que recortam, analisam e condenam notícias, jornalistas e jornais. Mas não estamos a falar de frases soltas, ataques imediatos, daqueles com os leitores bombardeiam as caixas de comentários dos periódicos. Não. Estamos a falar de artigos complexos onde a informação não só é escalpelizada, mas relacionada com outros casos, alguns anteriores ao próprios «Truques». Por aqui se vê que, quer pela constância na publicação dos textos, quer pelo manancial de informação que veiculam, não estamos a falar de um grupo de amigos que se reune numa garagem para beber uns copos, comer uns percebes e mandar uns bitaites.
A regularidade e a mecanicidade com que varrem o panorama informativo, identificam alvos e os abatem é de um nível cirúrgico incontestável. Sobretudo se pensarmos que aqueles carolas estão ali por desporto, que têm os seus trabalhos, a sua vida pessoal e que o Truques é apenas uma espécie de destino robin hoodesco para salvar a pátria da nesfasta má comunicação social.
Na esfera daquele produto circulam perfis abertos e fechados. Os abertos são claramente leitores de boa vontade que fazem comentários sinceros e até inocentes sobre os casos que ali se apresentam. Todavia há um conjunto de perfis claramente falsos que, por exemplo, quando alguém ataca directamente as opiniões veiculadas pelos administradores anónimos aparece rapidamente, como um enxame, para rodear a presa e desfazê-la com argumentos, uns válidos, outros nem por isso - um exército de pequenos sock puppets.
Quando ali uma vez discordei e fiz valer o meu argumento, e visto que o meu perfil de facebook não tem uma foto de grande qualidade, rapidamente apareceu o autor de um dos perfis fechados a divulgar aspectos da minha vida profissional.
Não quero pensar que há partidos, empresas, lóbis o que quer que seja, por trás deste grupo de «amigos». De resto esta prática de controlo opinativo com contornos políticos teve larga difusão no Portugal comentadeiro - veja-se o caso dos Abrantes.
Mas espanta-me a facilidade como um perfil do Facebook ex nihilo gerido por anónimos, adquire uma tal credibilidade que facilmente transforma massas pretensamente críticas, em conjuntos de indivíduos inertes e seguidores.

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publicado às 19:28





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