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As razões de vida de Marques Mendes

por John Wolf, em 17.11.14

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Se houvesse alguma coerência e sentido de ética, a SIC já deveria ter prescindido de uma série de comentadores. Em vez disso, concede-lhes direito de antena - direito de resposta. Maria João Ruela, ou qualquer outro dos seus colegas dessa estação de televisão (ou de outra que queiram elencar), pode brincar às adivinhas, às perguntas e respostas, e fingir exercer jornalismo, mas não tem culpa no cartório. A repórter é um(a) pau-mandado e faz o que o patrão lhe manda fazer. O ex-ministro Miguel Macedo fez o que outros já fizeram (o barão do PS Jorge Coelho demitiu-se após a queda da ponte de Entre-os-Rios) e salvaguarda o princípio de responsabilidade política por mais remota que seja a sua ligação a forças desviantes, a erros de governação e ilegalidades. E essa regra transcende as interpretações decorrentes das minhas preferências ideológicas. Marques Mendes, embora inócuo e inconsequente, e de utilidade duvidosa, serve para ilustrar as várias nuances do absurdo que assola Portugal nos tempos que correm. O senhor explica " ter entrado nesta empresa com mais três pessoas depois de ter deixado a vida política ativa", mas sublinhou que nunca exerceu "qualquer cargo" e "por razões da vida" acabou "por não prestar qualquer atividade profissional a esta sociedade". Com o caneco; eu entro em minha casa todos os dias, sirvo-me da casa de banho, uso a cozinha e deito-me na minha cama, mas não digo que tenho casa há dez anos e que nunca me servi dela por razões de vida. Então por que carga de água Marques Mendes fez parte da empresa? Para servir de porteiro? Para decorar a fachada? Mas o homem não fica por aí. Aproveita a cadeira do estúdio para picar o ponto com: "Eu pauto-me por princípios e na vida tem de haver princípios, cada um responde pelos seus atos e em democracia, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei, sejam amigos, sejam conhecidos, sejam parentes, sejam familiares, seja quem for, a lei é igual para todos e se alguém comete um ilícito tem de haver mão pesada da parte da Justiça", defendeu. Contudo, o mais grave destas cenas picarescas, é que para a semana que vem, bancadas repletas de cidadãos portugueses continuarão a sintonizar o tal canal para escutar com atenção mais balelas, ruelas - também sei encostar o queixo à mão.

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fotografia JW por Kenton Thatcher www.kentonthatcher.com

 

 

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publicado às 08:35

Marques Mendes, o BES, o bom e o mau

por John Wolf, em 03.08.14

Afinal o que é Marques Mendes? Marques Mendes Bom ou Marques Mendes Mau? O que julga este porta-voz do Banco Espírito Santo (BES)? Que assim, sem mais nem menos, se agita uma varinha Moulinex e o BES fica um mimo? Frase ganhadora do prémio silly season: "Tudo o que é lixo estará de fora bem como todos os esqueletos" sem comentários.

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publicado às 08:14

Como é do conhecimento dos nossos leitores, comentadores, amigos e também adversários ideológicos, sempre foi apanágio do Estado Sentido manter as caixas de comentários abertas a anónimos e sem moderação. Ademais, só muito raramente apagámos comentários, nomeadamente quando ultrapassaram os limites da discussão saudável e civilizada, passando para o campo dos insultos e ofensas pessoais - e mesmo assim, foram muitas mais as vezes em que nem sequer esse género de comentários apagámos.

 

Eu próprio, ainda há uns meses afirmava que considerava isto uma virtude do blog, que servia inclusivamente como ajuda psicológica para quem aqui vem pura e simplesmente para destilar ódio. Nem poderia ser de outra forma, pois sempre defendi que deveria ser esta a política de comentários, imbuído de um espírito liberal de abertura à discussão como forma de chegar à razão. Cheguei, contudo, também já há algum tempo, à conclusão contrária: "E eu cada vez menos creio naquela muy liberal ideia de que a razão nasce da discussão. Do debate num espaço público dominado pela cacofonia, onde a discussão é quase sempre dominada por surdos que sofrem de hemiplegia moral, nas palavras de Ortega y Gasset, aos berros uns com os outros, não pode surgir razão alguma."

 

Talvez vivamos mesmo na Civilização do Espectáculo de Vargas Llosa, onde o que importa é gritar mais alto e de forma o mais simplista possível e a busca pela verdade parece já não estar no centro das preocupações, e num tempo de relativismo em que se quer fazer crer que todas as opiniões são igualmente válidas, mesmo que não passem de insultos e infâmias. Sloterdijk está coberto de razão quando afirma, em Regras para o Parque Humano, que "(...) o humanista devia cortar com o hábito da própria bestialidade potencial e distanciar-se da escalada desumanizadora da vociferante matilha do espectáculo."

 

No tempo em que vivemos, muitas são as formas que cada qual pode encontrar para se expressar. Quem quiser, pode sempre escrever o que queira no seu próprio blog, Facebook, Twitter ou qualquer outro meio. Todavia, no seu próprio espaço, ninguém é obrigado a suportar insultos e críticas ignorantes, desinformadas e difamatórias por parte seja de quem for, muito menos de anónimos.  Ninguém é obrigado a ter de tolerar, em sua própria casa, um convidado mal-educado que a coberto da ignorância e/ou da má-fé pretende insultar-nos, desacreditar-nos e/ou que nos justifiquemos perante ele, quando o mais das vezes nem sabemos quem ele é. 

 

Posto isto, a partir de hoje deixa de ser possível comentar a coberto do anonimato neste blog, tendo ainda os comentadores de estar registados nos Blogs do Sapo, e todos os comentários passam a ser moderados. Cientes de que o registo nos Blogs do Sapo poderá ser uma dificuldade para alguns dos comentadores habituais, salientamos, no entanto, que a principal vantagem deste é que cada comentador tenha o seu próprio perfil único, não correndo o risco de ver a sua identidade usurpada na caixa de comentários. Colocamo-nos desde já à disposição para auxiliar neste processo quem necessite. 

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publicado às 17:09

Uma perguntinha apenas

por Samuel de Paiva Pires, em 01.07.13

Tendo Vítor Gaspar pedido a demissão, pela primeira vez, a 22 de Outubro de 2012, estou em crer que o Governo terá tentado encontrar, nos últimos meses, alguém com peso político que pudesse substituir o Ministro das Finanças e servir para granjear maior legitimidade ao Governo.  Entre as eminências pardas comentadeiras muy competentes em economês, especialmente ex-ministros, será que ninguém teve um mínimo de coragem para aceitar o desafio, ainda para mais tendo em consideração a grave hora que vivemos?

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publicado às 17:56

Do Mediatismo Maledicente e Desonesto

por joshua, em 30.05.13

As TV estão repletas de comentadores desonestos, mentirosos, viciados em leituras erróneas, erradas e erráticas, onde o essencial está ausente. Não são pela reforma do Estado. Não fazem uma análise realista e honesta à luz da realidade europeia e nacional, dos seus limites, problemas e constrangimentos no plano mais vasto e impiedoso da globalização. Não são pela mudança nem pelo equilíbrio nem pela justiça nem pela sustentabilidade de coisa nenhuma em Portugal. Não imaginam o que é viver sem recursos porque sem economia e sem emprego, mas contribuem para deteriorar o ambiente político infectando-o de conspiração e subversão das regras do jogo democrático, quando lhes convém subvertê-lo a seu favor como se o dinheiro aparecesse sempre ou dependesse da vontade do Executivo. Trazem estribilhos com o fim do mundo dentro. Resistem, estrebucham, agitam-se contra a mudança de paradigma e de mentalidade não apenas portuguesa, mas também europeia, cuja hora é gravíssima e as ameaças extensas. Atacam sob qualquer pretexto este Governo porque a hipocrisia se lhes impregnou por todos os poros egoístas. É o plutossocialismo, o socialismo dos ricos, socialismo prostituto, amiguista, de casta, rançoso das elites de vida airada mediáticas ou subterrâneas. É o tóxico mais danoso em Portugal. Conspirando todo o tempo como principal actividade, dado o terror pela perda das rendas e dos recursos com que sempre manobraram, traíram e conspiraram nos bastidores do Regime, falam, falam, mas só apelam à queda do Governo. Sentem-se incomodados pelos abalos estruturais e sistémicos que a Austeridade, por si só, exerce sobre o seu poder de sempre. Daí que, de Segunda-feira a Domingo, as TV tresandem a lixo opinativo jamais salvando uma só medida dura e necessária que este Governo decida: quem são as bestas enviesadas e facciosas, de onde nunca sai um flato recto? Mário Soares, na sua senilidade desbocada; Pacheco Pereira, no seu rancor fanático e impiedoso; Marques Mendes, na sua esperteza e imoderação indiscreta; António Capucho, na sua incomensurável vaidade e insolência; Constança Cunha e Sá, na sua malícia e atabalhoamento criticista, onde a crítica é gratuita, torrencial, abandalhada, porque sim. Sócrates, símbolo de toda a decadência e esterilidade. No meio disto, Portugal fica para trás e a verdade fica a perder. Por que não vão todos à puta que os pariu?!

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publicado às 13:00

"A fúria da razão"

por Samuel de Paiva Pires, em 13.04.13

Um belíssimo artigo de José Pacheco Pereira:

 

«O meu instrumento é a fúria da razão. É que o engano, o medo e a indecência não podem ser tratados com falinhas mansas

Quando já se viu bastante, durante muito tempo, e com muitas reviravoltas de fortunas, sucessos e desastres, olha-se para as coisas de outra maneira. É um olhar sem inocência, com muito pouca esperança, que tem defeitos, mas também pode ter virtualidades. Claro que posso valorizar as virtualidades e menosprezar os defeitos - isso vem no "pacote" do olhar -, mas é o que há, e não se consegue outro. Vem isto a propósito daquilo que alguns pensam ser o meu "radicalismo" na análise e comentário sobre a situação presente, crítica que pouco me incomoda mas que me interessa entender, quando é de boa-fé, e interrogar até que ponto tem ou não sentido. E algum terá, não pelas razões que são sugeridas, mas por outras.

A reflexão sobre a intervenção pela escrita e pelo comentário no debate público é hoje uma questão polémica, que inclui também elementos de confronto corporativo entre jornalistas e políticos pelo bem escasso da influência. Voltarei a essa questão noutra altura, mas não é disso que vou falar. Aquilo que vou fazer é uma reflexão pessoal sobre os efeitos do meu próprio acesso ao espaço público e participação nesse espaço, e é necessariamente subjectiva e impressionista. Pode ter também algum wishfull thinking mesmo que freudianamente inconsciente, embora eu saiba o suficiente para ter poucas ilusões nesta matéria e só mesmo se Freud tiver muita razão, do que não estou certo.

Sei suficientemente sobre história para não ter dúvidas sobre a inanidade das ilusões que cada um tem sobre o rastro do seu papel, mesmo quando ele possa parecer existir por uns dias ou um mês. Com excepção de meia dúzia de pessoas, a história de Portugal levará todas as outras para as notas de futuras teses muito especializadas de doutoramento. E, com o tempo, cada vez mais especializadas, e com cada vez menos nomes. Por isso, quem pensa que por ser conhecido por algumas centenas de milhares de portugueses, fruto do poder da televisão, significa mais do que isso, vai ter muitas surpresas para o seu ego.

"Ser conhecido" sou, isso é verdade, nem sempre pelas melhores razões, mas, para quem escreve nos media ou "aparece" nos media desde os catorze anos, e, repito, com a força da televisão, isso não vale muito por si. Porém tenho consciência de que os efeitos do que escrevo e digo nestes dias - e é possível medir pelo menos a intensidade da audição e da audiência - se deve a factores muito peculiares da crise que vivemos e é essa relação de que me interessa falar.

O que tenho dito e escrito, as provas materiais desse "radicalismo", tem vindo a ter sucesso, mesmo que esse sucesso seja polarizado, muito apoio e alguma recusa, em ambos os casos de forma veemente e pouco moderada, porque os tempos não estão para a moderação. Basta-me ir à rua, basta-me ler o correio que recebo, acompanhar a Rede, e ver o cortejo de admirações e irritações que por aí circulam, para o perceber. Já não é a primeira vez que isso sucede, com altos e baixos, mas agora estou perante alguma coisa de diferente de momentos do passado, em que um ou outro artigo ou intervenção circularam significativamente, como o artigo sobre os incidentes na Ponte 25 de Abril, que vem hoje nas antologias e é dado nas escolas.

O que há hoje de diferente é um efeito de representação, mais do que de concordância. As pessoas que se manifestam a favor do que digo sentem-se "representadas", e esse sentimento está para além do mero apoio intelectual ou da comunidade de pontos de vista. Esse efeito de "representação" é fruto dos tempos em que vivemos, em que, mais do que perceber - no essencial as pessoas percebem tudo -, se deseja uma voz, alguém que fale deles e por eles. Sei bem que isto é muito ambíguo, e não vai durar, mas existe e como hoje nunca me aconteceu. Este efeito de representação não é aquilo que habitualmente se chama "influência", e por si só não exige um especial mérito, pode inclusive abrir caminho ao populismo.

Há quem o tenha no espaço público, por exemplo, Medina Carreira, ou alguns jornalistas como José Gomes Ferreira, quando solta a pessoa que há em si, para além da função, também geram efeitos de representação. São casos muito diferentes do acesso ao espaço público pelo comentário, dos de Marcelo ou Marques Mendes, assentes em atitudes de curiosidade, vontade de saber ou ser informado, empatia resultante de uma longa familiaridade, e "comunicação" num sentido lato. São monólogos que "conversam", sendo que o caso mais relevante é sempre o de Marcelo. As pessoas não se sentem "representadas" por Marcelo, mas participam num efeito de comunicação, muitas vezes lúdico e intelectual, mas também irónico, maldoso, punitivo, uma vontade activa de aprender, um produto cívico que o sistema político e os partidos deixaram de fornecer

Mas se as pessoas comuns não se sentem "representadas" por Marcelo, mesmo que com ele "comuniquem", uma parte importante da sua real influência vem de que os jornalistas, esses sim, compartilham com ele uma relação de mestre e discípulos. Desse ponto de vista, a sua influência é real, embora as suas opiniões sejam mais difundidas do que discutidas, classificam mais do que interpelam. Marcelo "fez" o modelo dominante do jornalismo político português, e com excepção de OIndependente de Portas e Esteves Cardoso, os quadros desse jornalismo são-lhe devedores.

Com a crise do modelo de OIndependente, Marcelo ficou sozinho dominando a cena da análise e do comentário (veja-se o mimetismo de Marques Mendes). Aliás, a estrutura do seu comentário é a de um jornal, incluindo agenda, editorial, notícias, nacional e internacional, página de desporto, montra de livros, e secções do tipo "gente" e "setas para cima e para baixo", e até os brindes especiais para os seus espectadores, dados por via dos presentes aos interlocutores presentes. Embora Marcelo tenha uma agenda política própria, ela é suficientemente transparente para não ser enganadora, e é subsumida pelo seu poderoso efeito comunicacional, que o torna uma personalidade dos media que só por censura podia ser, como vários tentaram, retirada do espaço público, a que acede por pleno direito. (O caso Sócrates é mais complicado, e exige uma análise a mais médio prazo, porque não estou certo de que não possa também ter efeitos de representação, para além da óbvia agenda política própria.)

Não menosprezo, bem pelo contrário, esse efeito de representação, porque entendo que em momentos de crise faz parte da "pertença" a uma comunidade o esforço de estar com os que mais sofrem das consequências de um mundo de que perderam o controlo e o norte. Se quisermos é isso o núcleo duro do "patriotismo", estar com, estar com a comunidade, com os que são mais fracos, mais estão a perder, e menos defesa têm. Parece um discurso abastardado de uma certa hipocrisia caridosa que está tão entranhada na nossa cultura mole quanto não se pratica. Mas não é, só que me faltam palavras para dizer de outra maneira. Tal não significa que a análise deva abandonar a racionalidade a favor de uma emotividade mais próxima do pathos colectivo. Bem pelo contrário, temos já pathos bastante na nossa vida pública.

É por causa desse efeito de representação, que assenta num mecanismo de empatia, seja positiva seja negativa, que é mais fácil falar em "radicalismo", porque as palavras, os comentários moldam as atitudes. E desse ponto de vista há também mais perturbação, que é transmitida pelo discurso. Se a veemência fosse apenas de ordem intelectual, ou seja, contra nada que não fosse a estupidez (e isso já seria gigantesco), não exerceria esse efeito de identificação. Mas não é, é contra algumas coisas do presente, que estão no âmago da crise.

Onde é que está a fonte do meu "radicalismo" e, penso eu, no efeito de representação-identificação de que estou a falar? Primeiro, na convicção das pessoas, cada vez mais consciente, de que estão a ser enganadas. Em segundo lugar, uma vontade simples de decência nas coisas públicas. Por fim, pela recusa de serem governados pelo medo, e governados para o medo

Pode parecer uma agenda moralista, mas é uma pura agenda política no sentido nobre da palavra. Compreendo que essa agenda possa ser radical, mas a culpa é do estado do "presente", não é minha. O meu instrumento é a fúria da razão. É que o engano, o medo e a indecência não podem ser tratados com falinhas mansas, mas com dureza e severidade. Se não fosse assim, não valia a pena.»

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publicado às 12:10

O Sindicato de Comentadores de Portugal (SCP...não confundir com o SCP) avançou, em nota de imprensa, que irá realizar uma marcha de protesto em Lisboa no próximo dia 25 de Abril. Os profissionais do sector reclamam melhores condições laborais, no contexto do incremento desmesurado da carga de trabalho. Segundo declarações do representante dos trabalhadores da classe profissional, a quantidade e a urgência dos temas políticos a tratar, tem resultado em grande desgaste dos operários, quer nas estações de televisão, na rádio ou na imprensa escrita. Os camaradas exigem um estatuto laboral que confira pensões vitalícias, regalias adicionais (ticket restaurante) e imunidade jurídica caso venham a ser alvo de acusações de difamação. De acordo com a mesma fonte, os profissionais do sector, encontram-se em fase de pré-ruptura, pelo que o primeiro protesto, marcado para o aniversário da Revolução dos Cravos, assumirá outros contornos se não houver uma resposta adequada aos apelos que têm feito. Ameaçam, entre outras coisas, realizar uma greve de fala, em directo e em estúdio (nota: não se revêem na atitude do camarada Dias Loureiro, que abandonou os trabalhos por não gostar do papel de parede do estúdio)

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publicado às 14:49

Tribunal arbitral de comentários

por John Wolf, em 06.04.13

Irei aproveitar a ressaca da pedrada política nacional para me dedicar a alguns assuntos pendentes. São matérias que dizem respeito ao modo como respondemos a estímulos, como se fossemos pêndulos que balançam entre a reacção a quente e a reflexão pretensamente desprovida de emoção. Torna-se difícil exercer um controlo apertado sobre esse paradoxo, a contradição que reside entre o que sentimos, o que somos incapazes de sentir, e aquilo que nos torna anfitriões de paternalismos - o direito de conceder respostas a perguntas que não foram colocadas. Ao comentarmos diariamente a nossa vida e a vida dos outros, somos regidos por impulsos dominantes que residem ou não dentro da nossa razão. Nos últimos tempos, e fazendo mea culpa dos meo blogs, confesso que tenho sido instigado a verter o que me vai na alma de um modo gustativo, perto da cólera e do ânimo exaltado. Contudo, desgosta-me a raiva racionada em pequenos tomos de explicação. Toldados que estamos pelas ocorrências nefastas, sem o sabermos, somos animados pela adrenalina que colhe presas e predadores, e que extingue a paisagem. Deixamos de comentar de um modo equidistante, e afogamo-nos em sensações cutâneas. No entanto, não julguem por um instante que condeno o comportamento previsível. O ser humano tem limites que não serão aqueles que julga pisar. Nem serão aqueles impostos por outros, pelos tribunos ou parlamentares de causas dispostas à distância dos olhos. Os desígnios que elencam, não são inteiramente queridos, porque resultam do arbítrio tornado refém das nossas lamentações/limitações, um juízo sujeito a miragens e aplausos. Não solicito a vossa integridade no juízo deste desabafo, mas apenas senti o sangue aquecer, subir pela guelra alheia, e agora me faço rogado de uma missão que se encerra no seu despropósito. O estado fogoso que nos incendeia, parece ter relação com a compaixão, mas em última instância quando formos obrigados a escolher, deixaremos cair por terra o lastro, agarraremos o mastro e deslizaremos ao encontro de expectativas caducas. Um bote, um bode de salvação, teimoso, às marradas com a mesma tendência dos curros, uma porta de saída, quiça de entrada na mesma arena de dissabores.

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publicado às 15:05






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