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Os outros mexiam nos fios de cobre...

por John Wolf, em 06.06.17

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No auge da crise lembro-me de ver nas televisões reportagens sobre o roubo de fios de cobre, aqueles utilizados para fazer chegar electricidade às casas e alimentar as torradeiras e as bimby´s. Os postes de eucalipto ficaram despidos, nus. Os criminosos vestiam fato de macaco e actuavam na calada da noite munidos de lanternas e escadotes. Fast-forward e eis que nos encontramos na sala do conselho de administração da EDP. Os que ocupam as cadeiras nas reuniões executivas nunca vestiram macacões azuis, mas descendem de primatas. Em vez de pegaram no corta-fios, ou no alicate, têm as unhas rasas, polidas e a falinha amansada pela prática de jargão corporate durante anos a fio. Sabem perfeitamente que o emaranhado governance é perfeito para camuflar desvios, dissimular contratos desequilibrados e, de watt em what?, nunca chegaremos ao volt-face da justiça célere que reúne as provas, constrói os processos e dita sentenças. Se foi Sócrates o relâmpago maior não sei, mas tenho a certeza que Mexia e companhia sabem que nunca veremos a luz ao fundo do Maat. Será a complexidade tri-fásica de suspeições que ilibirá a culpa de negligentes ou não, dolosos ou nem por isso. Não há feixe de electrões que nos valha. Chamem uns jornalistas para a conferência impromptu que eles ajudam a limpar o carbono da reputação daqueles que gerem uma boa parte da energia de Portugal. O outro ampere desta história é o Estado que deu amparo para os apagões e os choques eléctricos que os portugueses têm de mamar. Cheira a fusíveis queimados.

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publicado às 18:06

Corrupção? A malta quer é festas EDP

por John Wolf, em 03.06.17

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Os artistas não são culpados, mas um boicote à EDP não seria mal-visto. Já não é prestigiante ser patrocinado pela EDP, como não é politicamente recomendável subscrever a multinacional americana Monsanto. A humanidade, quer o deseje ou não, terá de enfrentar dilemas éticos. Os homens definem-se também pelas companhias que escolhem. Com tanta prosápia da marca Sobral sobre "salvar o mundo do cinismo e dar guarida a refugiados", não seria de todo desadequado se um intérprete ou outro desse um coice na mão que dá pão para a boca. Mas o cachet é irrecusável. E os artistas fecham os olhos à corrupção. Dinheiro sujo é lá com eles. Actvismo político é uma coisa muito bonita, mas não passa disso.

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publicado às 19:26

Sócrates - belo, Belino...

por John Wolf, em 20.05.17

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José Sócrates foi o principal beneficiário do mundo do espectáculo e das artes. Recuando quase um ano, o campeonato europeu de futebol e a vitória da selecção nacional, foi um biombo perfeito para distrair o povo da sua provação judicial. Depois houve o Web Summit e nunca mais apareceu o insulta-jornalistas João Araújo. Entretanto houve o build-up da visita do Papa, a peregrinação a Fátima e ainda a febre do festival eurovisão da canção. Ou seja, Sócrates teve tantas atenuantes mediáticas, mas nada disse a esse propósito. Não concedeu uma entrevista sequer a reclamar da falta de atenção das televisões. Não assinou mais uma obra literária que esgotasse na aurora da sua publicação. Por outras palavras, com tanto tempo de folga, de baixa mediática, não foi capaz de se defender cabalmente das injúrias e mentiras. A fundação Belino que agora surge em primeiro plano nos escaparates não deveria ter aparecido. Nos bastidores das várias cantigas de distracção que assoláram o país, Sócrates não soube aproveitar os bónus como António Costa o fez. O primeiro-ministro, nesta onda hipnótica de comendas parlamentares, fados e futebol, conseguiu convencer Portugal inteiro que este já estava totalmente curado das maleitas económicas e sociais. O chefe da Geringonça teve a arte de dissimular a tempestade residente da dívida pública, e fingir os números de crescimento económico à pala de flacidez no investimento público - o povo engoliu a dois. Francamente. José Sócrates, que andou na mesma escola, não soube desmontar a cabala da Fundação Belino que segundo as suas visões seria natural que aparecesse. Ainda não tivemos uma conferência de imprensa onde Sócrates pudesse refutar tudo, mas pouco falta. Ainda esta noite, aposto, teremos um porta-voz jurídico a desmontar a ficção da fundação suiça. Não esqueçamos que as fundações são uma invenção dos socialistas. Uma espécie de cooperativa de interesses, com tesourarias e divisas próprias. Belo, Belino -  Lula, Dilma e Temer também não ajudam nada. Resta apenas o Salvador.

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publicado às 14:53

 

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Poderia começar este soneto com o seguinte adágio - um dia plasma, no dia seguinte papel higiénico. De uma vez por todas, para que não apareçam todos com cara de espantados e a equivalente expressão estampada na face "não sabia de nada", talvez seja o momento, embora já com um atraso enorme, para efectuar o inventário exaustivo de TODOS os contratos firmados por todos os governos de Portugal. Dêem um nome à coisa; auditoria do Estado, fiscalização continuada dos contratos firmados pelo governo, mas por favor evitemos as novelas sem fim. Para cada plasma corrompido deve haver material requisitado a outras mono-entidades. O problema fundamental prende-se com o seguinte. O regime político vigente em Portugal assenta no clientelismo, que se em tempos fora discreto, nos últimos tempos assumiu a forma descarada, sem vergonha, despudorada. Sabemos sempre à priori que nunca há culpados nem responsáveis. São coisas que acontecem. A matriz cultural do país aponta no sentido da normalização dos desvios e extravios. E essa "norma" comportamental afecta todos os quadrantes da realidade. Monopólios há muitos. Existe o monopólio do emprego dado ao sobrinho pelo director da empresa pública. Existe o monopólio dos restaurantes que ganham as estrelas Michelin. Existe o monopólio de um certo local onde é possível dar um jeito a processos burocráticos. Existe o monopólio do humor que está nas mãos de certos intervenientes que querem corrigir com uma mão a borrada feita pela outra. Existe o monopólio do agenciamento de jogadores de futebol. Existe o monopólio de grupos editoriais que dominam os manuais escolares. Existe o monopólio de críticos literários que tornam os seus amigos escritores muito mais apetecíveis. Enfim, existem monopólios sem fim que mataram a ternura e a inocência daquele jogo de tabuleiro que, bem vistas as coisas, afinal era uma ferramenta para transformar indíviduos e sociedades em meras entidades cínicas dispostas a trocar fichas humanas em nome do lucro fácil. A maralha toda que faz parte deste conluio de favores e recompensas não passa de agiotas. Venha de lá aquele programa para debater os prós e contras do plasma. Já chega.

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publicado às 12:32

Empêssegamento de Dilma Rousseff

por John Wolf, em 18.04.16

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Este post é dedicado àqueles que acreditam nas virtudes da democracia, na voz da maioria, no slogan "o povo é quem mais ordena", na dinâmica que deve prevalecer nas sociedades, na busca do equilíbrio social e na clarificação dos desígnios políticos dos partidos e seus agentes. Este post não é dedicado a facções ideológicas que acreditam na prerrogativa do Estado e dos orgãos públicos enquanto reguladores do mercado e da verdade. Este post é dedicado não apenas ao povo brasileiro, mas ao povo que defende Sócrates, que tanto se tem esforçado para manter a imaculada virgem. Este post é dedicado aos amantes do golpe, da conspiração e da cabala. Este post não é dedicado àqueles que desejavam que tudo ficasse como está, que tudo não fosse mexido. Este post é dedicado às almas que se sentem perdidas, baralhadas pelos mais recentes eventos capazes de devolver uma réstea de esperança a um povo suprimido pelas promessas furadas de pão e justiça para todos. Este post é dedicado a todas as offshores do mundo que contribuíram para acelerar a inevitabilidade dos acontecimentos. Este post não é dedicado a quem não acredita no voluntariado e na acção humana que não conhece género feminino ou canino. Este post é dedicado a todos aqueles que diariamente contrariam as mentes parcelares que dirigem países inteiros usando a divisa da demagogia e proveito próprio. Este post é dedicado aos pêssegos do mundo e em particular ao impeachment de Dilma Rousseff. Este post é dedicado ao sumo que extrairemos de uma matriz de conluio e decepção que tem polvilhado a paisagem política um pouco por todo o mundo. Este post é dedicado à árvore de frutos, à natureza e ao bicho da maçã. Este post é dedicado aos pesticidas e os produtos biológicos. Este post é dedilhado por tantos que não encaixam numa coisa ou outra.

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publicado às 09:52

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São coisas que acontecem. São eventos normais. São factos que devem fazer parte da Democracia para que esta se mantenha viva e tendencialmente intacta. O possível impeachment de Dilma Rousseff, a dedução da acusação de José Sócrates, a prisão de Ricardo Salgado ou o encarceramento do CEO da Enron, são apenas pequenos exemplos do modo como o motor das nossas sociedades realiza uma sangria, e mantém em andamento uma certa ideia de justiça. O equilíbrio é dinâmico e pressupõe um calendário moral que nem sempre coincide com a agenda política. O escândalo Panama Papers é, essencialmente, um catalisador do processo de transparência que se exige sobretudo a detentores de cargos públicos. Ainda não me explicaram quem paga os honorários do advogado João Araújo. Já leva umas horas valentes a discorrer absurdidades e decerto que tudo isso tem um preço. O balão de oxigénio que refere não é nada disso. Diria que se trata do oposto, de uma câmara hiperbárica para estrangular as incongruências e as jogadas espertas que encaixam que nem luvas na figura jurídica de uma offshore. Era isto tudo ou então ficar quieto. A escolha parece óbvia, incontornável. Existem motores gripados.

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publicado às 17:07

Sócrates ajuda Cavaco

por John Wolf, em 22.11.15

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Os mais de quinhentos amigos de José Sócrates foram enganados. Foram ao almoço para serem agradecidos e o desenhador de fotocópias aproveitou a ocasião para ajudar Cavaco Silva no seu processo de tomada de decisão. O Presidente da República deve levar em conta a arte do Pinóquio de Castelo Branco. O ex-recluso de Évora concede boas razões para que um governo alicerçado nestes valores não seja empossado. O homem dos 23 milhões de euros ladra enquanto pode. Agarra-se ao megafone para estrabuchar. Se os portugueses aguardam uma decisão de Belém sem organizar almoços de solidariedade, Sócrates também deve aguardar com serenidade a formalização da acusação. Afinal, é inocente. Afinal, não há factos. Afinal, não há provas. Mas ele tem alguma razão que se pode traduzir no seguinte; o tempo que passou em Évora deve ser descontado à sentença. Ou seja, os 15 anos de pena efectiva devem passar a 14. Quanto aos outros associados, Almeida Santos, Mário Soares, Carlos Silva e os demais ilustres - ide-vos catar. António Costa? Por onde andas?

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publicado às 17:34

Veneza em Lisboa

por John Wolf, em 13.08.15

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Alcântara - Veneza em Lisboa.

Hoje, dia 13 de Agosto de 2015.

Obrigado, autarcas do passado e do presente, planeadores urbanos corruptos, amigos construtores, directores de empresas municipais, políticos e outros vigaristas da capital.

Fotografias publicadas no Observador.

 

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publicado às 11:28

António Costa e a panelinha de pressão

por John Wolf, em 06.05.15

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Estão surpreendidos? A Câmara Municipal de Lisboa (e as restantes autarquias) deve (m) ser virada (s) ao avesso. Por um instante apenas ponham de parte os partidos e a política. Concentrem-se na ideologia de mercados e dinheiro. Na religião das influências. No sector profissional da troca de favores. Estão chocados com os alegados favorecimentos da autarquia ao Grupo Espírito Santo? Pois, não deviam estar. Sabemos como as coisas funcionam. Imaginem uma enorme orgia com convidados de todos os parâmetros económicos e sociais. Um enorme lóbulo de amigos e compadrios, arquitectos, empresários, escritores, poetas, intelectuais, fazedores de opinião, jornalistas, advogados, construtores, gestores de resíduos sólidos, responsáveis de outdoors, directores de agências de comunicação, donas de quiosques e refrescos - tudo misturado numa bela caldeirada de vantagens para quem está no poder e não só. É disso que se trata. Venha de lá essa sindicância, a investigação levada a cabo por instâncias judiciais. O que é realmente impressionante é ter havido tanto silêncio durante tanto tempo. Alguém colocou uma tampa firme sobre a panela. Pelos vistos há limites para a pressão que se aguenta. Quero lá saber de timings e calendários eleitorais. Está a acontecer agora? Ainda bem. Portugal e Lisboa merecem melhor.

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publicado às 14:38

Homens à beira de um ataque de nervos

por Manuel Sousa Dias, em 19.03.15

Após a decisão do colectivo de juízes sobre o prisioneiro 44 com base nos fortes indícios de culpabilidade do ex-PM, estranha-se a total ausência de reacções por parte de responsáveis do PS, por parte de ex-ministros do seu governo, de pessoas que trabalharam com ele ou de outros com responsabilidades políticas. Não há um. UM!

 

Sei lá, uma a manifestação de vontade de que seja feita justiça, um reafirmar do "à politica o que é da política patata patati..." sem quaisquer ambiguidades, a defesa da honra de um governo, ou de um partido, ou de alguém que não quer que pairem sombras sobre a sua respeitabilidade. Zero.

 

Compreende-se o choque do PS, perante o apertar do cerco a José Sócrates, não se compreende a apoplexia, a ausência de damage control ou o assobiar para o alto.

 

O PS não há meio de descolar do PSD mas parece-me que a continuar com a cabeça enfiada na areia vai finalmente descolar... no sentido descendente... em prol dos auto-proclamados irmãos do Syrisa, claro.

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publicado às 16:03

Portugal VIP

por John Wolf, em 19.03.15

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Portugal é um imenso mar de listas VIP. A expressão Very Important Person é apenas uma outra forma de tráfico de influências, corrupção, se quiserem. Em todos os sectores da sociedade portuguesa existe uma lista VIP. Nas artes e letras, na moda Lisboa e arredores, na banca, na academia e porventura na Autoridade Tributária. E o problema que aflige a nação é que a grande maioria dos seus cidadãos deseja fazer parte da guest list. O mérito que está associado ao VIP vai, deste modo, directamente da sarjeta para o esgoto. Em quase todas as instituições que povoam este país, as práticas são ditadas pelo estabelecimento de um aparelho forte - um conjunto de insiders aprovados em sede de troca de favores e privilégios. Os VIPs tornam-se assim associados importantes para os quadros de poder vigentes. E é isto que está em causa na revisão comportamental a que o país está obrigado. Mas encaramos um grande problema. Ser VIP é fashion. É outro modo de dizer ao compatriota que se é melhor, que se tem um contacto privilegiado. É outra maneira de dar ares de estatuto social, de dinheiro, de património. É ainda um modo de dissimular a profunda ignorância que vinca as faces daqueles que não se interessam pela intelectualidade ou pela cultura, cujos pais honrados até nem sabiam ler nem escrever. Esta síndrome de Vipismo contamina o país há décadas, senão séculos. O macróbio de Castelo Branco, encarcerado em Évora, pode, se desejarmos, corporizar a expressão máxima desse mal. É um VIP ao quadrado, bestial.

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publicado às 09:21

Segurança Social e carreira política

por John Wolf, em 05.03.15

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CONCURSO DE ADMISSÃO À CARREIRA POLÍTICA

 

Informa-se que está aberto o concurso de admissão à carreira política.

 

Requisitos dos candidatos:

  •  Licenciatura em Estudos Superiores de Política e Ética (classificação mínima de 14 valores).
  •  Cidadania portuguesa.
  •  Ser maior de idade.
  •  Estar filiado num partido político ou ser um cidadão independente.
  •  Não ter cadastro criminal.
  •  Não ter dívidas fiscais.
  •  Não ter dívidas à Segurança Social.
  •  Apresentar todas as declarações de rendimentos.
  •  Não receber dotações financeiras ocultas para o desenvolvimento de campanhas políticas e afins.
  •  Não dar ou receber prendas a/de amigos que emprestem habitação em capitais europeias.
  •  Prescindir de actividade profissional desenvolvida no sector privado.
  •  Proibição de retornar à anterior actividade profissional.
  •  Não ter familiares que possam beneficiar do cargo público ocupado.
  •  Não comunicar a partir de celas de prisão.
  •  Ter o boletim de vacinas em dia.
  •  Não sofrer de alcoolismo.
  •  Não padecer de anomalias psíquicas. 
  •  Não ser toxicodependente.
  •  Não ser traficante de influências.
  •  Capacidade de estruturar ideias.
  •  Aprovação em exame de aptidão cultural.
  •  Aprovação em exame de língua portuguesa (escrito e oral).
  • Obrigatoriedade de se apresentar no local de trabalho no horário legalmente estabelecido.
  • Obrigatoriedade de renunciar ao cargo ao mínimo indício de prevaricação legal, criminal, substantiva ou formal (decorrentes ou não do cargo público ocupado).
  • Obrigatoriedade de não ocupar posições de relevo em organismos internacionais que condicionem decisões políticas nacionais.

 

Tenho a certeza que teremos milhares de candidatos que preenchem os requisitos enunciados. O futuro de Portugal está garantido.

 

 

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publicado às 08:35

Sócrates e a "meia-culpa" dos socialistas

por John Wolf, em 09.02.15

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O Partido Socialista parece começar a entender as implicações da porcaria deixada pelo camarada Sócrates. Os socialistas têm dois caminhos à escolha: ou sim ou sopas. Se continuarem ao lado do recluso número 44, correm o risco (já correram, porventura) de contaminar os altos princípios e valores que norteiam a sua casa. Por outras palavras, os socialistas já devem saber que há muito pouco que podem fazer para safar o amigo. Neste intervalo, durante o qual as visitas a Évora foram mais que as mães, as investigações avançaram ainda mais, e todas as balelas de Soares sobre a inexistência de provas já não servem, se é que alguma vez serviram, para alguma coisa. Por esta ordem de ideias vai imperar a máxima: se não os podes vencer junta-te a eles. Os socialistas temem que o diabo vá tecê-las mesmo em cima de calendário eleitoral. Não seria muito simpático para António Costa ter de lidar com o proferir de sentença de Sócrates à boca das urnas. O secretário-geral, e candidato a candidato a primeiro-ministro, já tem problemas suficientes causados pelo conservador de soberanias europeias chamado Tsipras. No entanto, há algo de bizarro no entusiasmo da proposta legislativa. Confiscar os bens dos políticos significa exactamente o quê? Que a licença para o exercício da actividade política se mantém intacta mesmo após a determinação de ilícitos? Ah! Já percebi. É a ideologia, estúpido. Por serem socialistas acreditam na reintegração de delinquentes na sociedade, na tal ideia de justiça e solidariedade para como aqueles caídos em infâmia, perdão, desgraça. Como podem ver, não arrastei os bloquistas para estas arrelias. E há uma razão para tal, que se consubstancia na folha limpa daquele partido. Por mais que não alinhemos com as infantilidades de Catarina Martins e seus colegas, a verdade é que (por enquanto) nada há apontar na folha de cálculo de corrupção que eventualmente lhes diz respeito. Mas voltando aos socialistas, não sei se esta meia-mea culpa basta. Eles sabem que, possivelmente dentro do seu regime, da sua organização, há muito material de político alheio que pode vir a ser confiscado assim sem mais nem menos. É o que dá ter telhados de vidro pagos por um Santos Silva ou um sucedâneo qualquer.

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publicado às 09:23

O futuro de Sócrates

por Manuel Sousa Dias, em 17.12.14

Sócrates não acreditou na sua prisão, porque “eles” não tinham coragem para enjaular o animal feroz. Mas tiveram. Então qual tem sido a estratégia (se é que há estratégia) de defesa? Desacreditar a justiça, desacreditar os juízes e desacreditar a investigação. Martelar a ideia de que a prisão é ilegal e de que a defesa desconhece os factos que levam à detenção. Marcar presença diária na comunicação social. Dar entrevistas. Polarizar a opinião publica. Fale-se bem de Sócrates, fale-se mal de Sócrates mas fale-se de Sócrates.

 

A estratégia de defesa produzirá resultados? A agressão à justiça é decerto má aposta para a defesa, numa altura em que parece que ela finalmente funciona e, já agora, com aparente mão pesada nestas meias tintas entre politica, negócios e todos os esquemas in-between. É também um contra-senso o animal feroz em cativeiro disparar em todas as direcções ao mesmo tempo que a defesa advoga a benignidade para a investigação do animal feroz em liberdade. E a opinião publica? Essa, perante a vida faustosa e, sobretudo, o interminável rol de confusões de Sócrates, família e amigos, certamente quer que finalmente seja feita justiça sobre um “poderoso” que, de uma forma ou outra, tem sido habilmente escorregadio em relação à barra dos tribunais.

 

E quanto ao PS? O PS é, no que toca a Sócrates, um submarino com um rombo a deixar entrar água. E o que se faz nesta situação? Isola-se hermeticamente a área inundada. Costa seguiu friamente o procedimento e fechou a escotilha, apesar de no outro lado ter deixado Sócrates, já com falta de ar e a tentar desesperadamente tapar com os dedos o enorme rombo no casco. Enfim, casualties of war, à política o que é da política e à justiça o que é da justiça. Então por altura do Natal, já com os estragos no casco minorados e a máquina estabilizada, Costa, porque assim tem de ser, lá fará a sua viagem a Évora, deixando no ar uma bem medida ambiguidade entre a solidariedade politica e a caridadezinha natalícia.

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publicado às 01:13

A odisseia de Ulisses, Sócrates...

por John Wolf, em 02.12.14

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Duarte Lima, José Sócrates e Ulisses provavelmente têm mais em comum do que julgam. Mas há mais, muitos mais, que padecem da mesma doença do enriquecimento. A ideia de que é possível encontrar um atalho financeiro, um modo de meter dinheiro ao bolso de um modo pouco convencional, e em grande parte dos casos, de forma ilegal, criminosa. Na análise do perfil psicológico de sujeitos com esta inclinação, devemos levar em conta alguns traços dominantes. A noção de que se pode subalternizar o concidadão, inferiorizá-lo através de fintas e esquemas de decepção. É com isso que lidamos de um ponto de vista estrutural, e que infelizmente podemos observar a montante e a jusante na cadeia alimentar da sociedade portuguesa. Mas o caçador furtivo acaba por se tornar a presa das suas próprias armadilhas. É nessa fase de desenvolvimento que Portugal se encontra - morde a sua cauda. As detenções e condenações devem fazer parte da normalidade ética do país. Apenas desse modo se pode cumprir um dos desígnios fundamentais da democracia - o funcionamento eficaz do sistema de justiça. Bem sei que Portugal é um país de paixões - daqueles que se encontram ao lado dos justos e dos outros que se alinham com os prevaricadores. Cada um é livre de fazer as escolhas que entender, mas em última instância porá em causa a sua liberdade e contribuirá para arrastar ao fundo o seu país. Não se dormem em casas alheias, mesmo aquelas que se encontrem em Paris. A casa de Évora tem dono - pertence aos portugueses.

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publicado às 09:28

António Costa - feito num 8 com o 44

por John Wolf, em 29.11.14

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Antes mesmo de António Costa disputar eleições no ano que vem, já está a ir a votos. António não tem mãos a medir com a bagagem que lhe deitaram às costas. O Expresso irá fazer a cobertura do oitavo congresso do PS, em antecipação da campanha com que brindará o candidato a primeiro-ministro. Mas vamos por partes. Sabemos que o jornalismo não é grande coisa quando se tem de socorrer de anagramas cabalistas para interpretar os sinais políticos. Qualquer dia chamam a Maya para deitar cartas. Enfim. Adiante. Então quais são os oito desafios mágicos que referem?

1. Garantir que há vida além de Sócrates. Não, não existe vida para além de Sócrates. Que eu saiba o homem está vivinho da silva e marcará a sua presença de um modo assíduo no imaginário colectivo dos socialistas e na quantidade de recursos que irá apresentar. Como o próprio disse, é comigo, mas não deixa de ser político. Como podem ver, não diz respeito ao PS.

2. Manter o PS unido. Ora bolas! Essa é fácil. O PS está totalmente unido na estupefacção e na surpresa decorrentes da detenção de Sócrates. Estão mais do que unidos - são uníssonos - o homem está inocente.

3. Construir uma equipa robusta. Entendo a abordagem ecológica - servirem-se de materiais usados para reconstruir - Ferro Rodrigues e Vieira da Silva. E acrescentar alguns elementos compósitos -  a cola-rápida fornecida por Carlos César para garantir que a coisa não se desunha.

4. Liderar o PS ao mesmo tempo que preside a Lisboa. Não é tanto liderar. Tem mais a ver com fingir com lidar com a gestão autárquica. Afinal a Câmara Municipal de Lisboa (CML) não é Portugal. Mais inundação menos inundação, o que interessa? Por daqui a uns tempos, quando auditarem as contas da CML (e com sorte as tornarem públicas), Costa já estará longe.

5. Escolher quem quer apoiar nas eleições presidenciais. Compreendo que haja dificuldades uma vez que Sócrates não está disponível e que Guterres ainda não possa ser considerado uma fava contada. Bem vistas as coisas, os suplentes de que dispõem carecem de argumentos para a titularidade daquele posto ou mesmo outros de nível mais baixo. António Costa provavelmente terá de se alinhar com o candidato de outro grémio partidário e repetir que é a melhor proposta da Esquerda.

6. Apresentar o programa de Governo. Então não o tinha feito? Combater o desemprego e aumentar a produtividade? Ah, esqueci-me. A questão da dívida pública também será tratada ( e que não tem nada a ver com Sócrates).

7. Fazer as listas a candidatos a deputados. O verbo fazer não cai bem. Soa a cozinhar. Em vez disso, numa lógica ascendente seria natural que a selecção de membros assentasse no mérito e não em lealdades políticas. Já sabemos que isso deu e dá quase sempre asneira. Os portugueses ficam sempre a arder com os arranjinhos dos outros.

8.Vencer as legislativas. Ouviram bem? v-e-n-c-e-r  a-s  l-e-g-i-s-l-a-t-i-v-a-s. Não ouvi a palavra Portugal e os portugueses uma única vez. Os socialistas não devem ser portugueses. Ou será ao contrário?

 

E por último, para rematar, o Expresso coloca a cereja em cima do jornal. Questiona a capacidade de impermeabilidade do PS, no contexto da bomba Sócrates, a tal "credibilidade intacta", que não sabem ainda em que condições terá ficado, e ainda a separação das águas da Justiça e da Política. Na minha opinião estas considerações finais são desnecessárias. Já temos as respostas. Mário Soares que está em todas, no princípio e no fim, foi particularmente esclarecedor. Mas com alguma sorte ainda o escutaremos este fim de semana no congresso de Évora, perdão, parque das nações socialistas, onde poderão limar a teoria da cabala, da perseguição àquela ideologia.

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publicado às 08:28

Finalmente Sócrates

por John Wolf, em 22.11.14

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A detenção de José Sócrates há muito que vinha sendo adiada - espero que levem isso em conta quando proferirem a sentença (e acrescentem uns anos de prisão). Esta notícia oferece-me alguma esperança em relação a Portugal.  Chegou a hora daqueles que cometeram crimes que tanto lesaram o país, saírem pela porta pequena, da desonra total. A limpeza não deve ficar por aqui, nem deve obedecer a agendas políticas. Estes indivíduos devem ser tratados como cidadãos de segunda pela opinião pública, e com rigor penal pelo sistema de justiça. No entanto, iremos assistir ao esgrimir de razões da parte daqueles que certamente devem favores ao ex-primeiro ministro. Para se ter a arte de roubar centenas de milhões de euros, tem de se ter um esquema montado - uma equipa  à "Ocean´s Eleven". Aguardo com expectativa para ver como António Costa vai descalçar esta bota. Fico à espera de palavras sábias de Ferro Rodrigues e de outros barões iluminados. Mas observaremos certamente um ainda maior número de socialistas com ganas de desmentir os factos, de provar o contrário. Esse é o padrão de comportamento que devemos esperar. Diz não. Nega. Diz que não sabes de nada. Não é verdade. Espero muito sinceramente que os cidadãos deste país possam sentir no seu espírito algo de inédito, algo marcante e com consequências devastadoras. Só assim é que se pode começar de novo. Com uma razia. Com inundações não vamos lá.

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publicado às 07:16

As razões de vida de Marques Mendes

por John Wolf, em 17.11.14

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Se houvesse alguma coerência e sentido de ética, a SIC já deveria ter prescindido de uma série de comentadores. Em vez disso, concede-lhes direito de antena - direito de resposta. Maria João Ruela, ou qualquer outro dos seus colegas dessa estação de televisão (ou de outra que queiram elencar), pode brincar às adivinhas, às perguntas e respostas, e fingir exercer jornalismo, mas não tem culpa no cartório. A repórter é um(a) pau-mandado e faz o que o patrão lhe manda fazer. O ex-ministro Miguel Macedo fez o que outros já fizeram (o barão do PS Jorge Coelho demitiu-se após a queda da ponte de Entre-os-Rios) e salvaguarda o princípio de responsabilidade política por mais remota que seja a sua ligação a forças desviantes, a erros de governação e ilegalidades. E essa regra transcende as interpretações decorrentes das minhas preferências ideológicas. Marques Mendes, embora inócuo e inconsequente, e de utilidade duvidosa, serve para ilustrar as várias nuances do absurdo que assola Portugal nos tempos que correm. O senhor explica " ter entrado nesta empresa com mais três pessoas depois de ter deixado a vida política ativa", mas sublinhou que nunca exerceu "qualquer cargo" e "por razões da vida" acabou "por não prestar qualquer atividade profissional a esta sociedade". Com o caneco; eu entro em minha casa todos os dias, sirvo-me da casa de banho, uso a cozinha e deito-me na minha cama, mas não digo que tenho casa há dez anos e que nunca me servi dela por razões de vida. Então por que carga de água Marques Mendes fez parte da empresa? Para servir de porteiro? Para decorar a fachada? Mas o homem não fica por aí. Aproveita a cadeira do estúdio para picar o ponto com: "Eu pauto-me por princípios e na vida tem de haver princípios, cada um responde pelos seus atos e em democracia, no Estado de Direito, ninguém está acima da lei, sejam amigos, sejam conhecidos, sejam parentes, sejam familiares, seja quem for, a lei é igual para todos e se alguém comete um ilícito tem de haver mão pesada da parte da Justiça", defendeu. Contudo, o mais grave destas cenas picarescas, é que para a semana que vem, bancadas repletas de cidadãos portugueses continuarão a sintonizar o tal canal para escutar com atenção mais balelas, ruelas - também sei encostar o queixo à mão.

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fotografia JW por Kenton Thatcher www.kentonthatcher.com

 

 

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publicado às 08:35

formula

 

Uma das equações de Portugal dos tempos modernos = nomeação de filha para presidência na EGEAC = corrupção no SEF = prémio Leya para trineto de Eça de Queiroz = Operação Furacão = Face Oculta = Freeport = Financiamento ilegal de partidos políticos = Rio Forte = fraude do BPN = BES = Fortuna de Sócrates = a equação propriamente dita, dita mesmo...explicada.

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publicado às 17:59

O que deitou Portugal abaixo

por John Wolf, em 26.03.14

Sabem o que deitou Portugal abaixo? Não foi a grande teoria política, a doutrina ideológica revanchista. Não, senhor. Foi o chico-esperto que estaciona em segunda fila porque se julga o primeiro. Foi o malandro que procura um jeitinho na repartição. Foi o primo que arranjou o emprego para o afilhado lá na empresa. Foi a comadre que abarbatou os lápis e os afiadores da despensa escolar. Foi o artista que viu a sua obra publicada pela ex que manda lá na editora. Foi o construtor que subtraiu o valor do SISA na assinatura do contrato de compra e venda. Foi o realizador que orçamentou muito acima do valor necessário e que me meteu muita fita no bolso. Agora multipliquem isto tudo por 100 e terão os políticos que governaram Portugal nas últimas décadas. É mais ou menos isto, não é?

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publicado às 09:46






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