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Masoquismo, batatas fritas e DBRS

por Nuno Castelo-Branco, em 22.04.17

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Masoquismo, uma palavra que de imediato suscita pavor e gozo, dependendo de quem e do momento. Existe um masoquismo de massas, sejam estas as ligadas aos eventos desportivos entre os quais o futebol cobra a parte de leão, ou mais prosaicamente, às massas da politica partidária. Não vale a pena falarmos no caso que infalivelmente nos entra porta adentro todos os santos dias por via dos infindáveis telejornais e subsequentes mesas redondas onde se tratam afazeres tão urgentes como entorses, transferências, hooliganismo disfarçado em claques e outras  virtudes próprias do tema.

Ontem, numa das numerosas tascas do Oeiras Parque, três fulanos  vestidos à Regisconta perguntaram-nos se connosco podiam partilhar a correnteza de mesas. Como apenas ocupávamos três dos oito lugares disponíveis, com um aceno confirmámos os seus desejos. Transportando as suas bandejas repletas já não sei bem com o quê, bem depressa soltaram a língua diante do ecrã de televisão que transmitia notícias inaudíveis mas perfeitamente compreensíveis porque anunciadas através de legendas.

Logo se despoletou um tema para a conversa, o caso agência de rating DBRS. Entre eles iam dizendo que no melhor dos casos a dita instituição baixaria a classificação portuguesa, mas, segundo lá sabiam, isso era improvável devido à caução que o BCE tem directamente dado à compra da dívida pública. Habituados ao mundo dos números, trocaram argumentos imperceptíveis para a minha pobre e ignara cabeça nada habituada aos sortilégios da finança e economia virtual. 

Bem depressa ficámos cientes do que se tratava. Era mesmo a famigerada clubite que neste país há muito grassa como um grande e inextinguível incêndio de verão. Tudo é fake - era este o termo usado -, desde os números apresentados de forma relativamente discreta ou solene, até às declarações de inevitável oportunismo político que o poder central europeu paulatinamente vai fazendo de vez em quando. Se não o faz é porque algo vai mal, se o faz isso se deve ao interesse do próprio, extraordinariamente preocupado com o que está a suceder na Europa.

Uns doutores, estes tipos.

Sentaram-se à nossa mesa, logo pareceu-me estar no pleno direito de intervir e não me ocorre ter servido de bom digestivo. Indo directo ao assunto, questionei-os acerca da redoma em que hipoteticamente viverão, pois coisas há que não deixam de afectar toda a gente. Debalde, porque bem depressa fizeram descobrir a razão de toda aquela ira acumulada entre batatas fritas, molhos multicolores e tudo o mais que mastigavam. Era o clube, a cor partidária, uma maleita que tomou conta das mais desvairadas mentes de não menos desvairadas gentes. Repetiram tintim por tintim, tudo aquilo que os seus três ou quatro muito teóricos adversários disseram ao longo de quatro anos de ajustamento do esquema em que gostosamente participam, mas ao invés, agora repetindo ipsis verbis aquele cansativamente obsessivo chorrilho de irritados disparates que ouvimos um dia das escancaradas bocas de Catarinas e afins. Estão ao mesmo nível e fiz questão de delicadamente lhes fazer ver isso mesmo. 

- Não me diga que é comunista?

- Nunca fui. Por acaso parece-me insólito que ainda não tenham percebido estarem aqueles dois apêndices totalmente mergulhados no vosso próprio esquema.

- Como?

- Participam em tudo, é vê-los a discutir juros, bancos, seguradoras, políticas empresariais, fundos, empresas e empreendedorismo, ratings e ao mesmo tempo as greves são mitigadas deliberadamente por receio daquilo que umas eleições possam significar para eles próprios, ainda há um ano cheios de prosápia e agora totalmente dependentes do primeiro-ministro....

- ...que chegou ao poder da forma que se sabe, não é?

- De forma abrupta mas não ilegal e através da Constituição que o vosso próprio partido votou favoravelmente. O que querem? Não fariam o mesmo?

- Mas foi o anterior governo quem ganhou as eleições!

- Foi, é verdade, mas isso não lhe permitiu encontrar uma maioria em S. Bento e pelos vistos não há no vosso partido nenhum político assim tão perspicaz, apesar do longo historial de quarenta anos. Aliás, nunca houve.

A conversa de tasca prosseguiu neste sentido que inevitavelmente nos conduz a um beco sem saída. São paixões e estas nem sequer seriam assim tão nocivas se não significassem a estranha situação que normalmente noutros casos urgentemente requereriam não um serviço de um psicólogo, mas sim uma urgente intervenção psiquiátrica. 

- Deviam pelo contrário mostrar orgulho pelo trabalho infernal que o vosso governo teve, contando mesmo com as doses cavalares que ministrou sem grande necessidade. Quem quer participar neste tipo de jogo, submete-se a regras e elas foram descritas numa forma bastante compreensível que o agente nomeado pelo vosso próprio partido rubricou. Agora não se podem queixar, pois estes resultados que hoje são anunciados não se devem a milagres, são algumas consequências daquilo que anteriormente foi feito. É isto o que deveriam estar a dizer. 

- Por isso mesmo, o povo devia reconhecer que...

- ...o povo, isto é, eu, os meus colegas e os senhores, deveríamos todos  querer que tudo corresse no melhor dos mundos e de preferência que ninguém desse por nós. Mais ainda, deveríamos todos ser indiferentes à cor do momento, sabem bem que nada é eterno. 

Estas conversas passatempo dão nisto e ainda tive de desabafar que a única vez em que tinha ardentemente desejado o insucesso de um governo, teria sido mesmo muito antes do nascimento de qualquer um daqueles convivas bem apessoados, mais precisamente durante aquele turvo e turbulento período a que se denominou "o gonçalvismo". Não faziam a menor ideia do que lhes estava a falar, não sabiam de quem e do que se tratava e tive de sumariamente lhes explicar. Para seu grande espanto disse-lhes quem compunha a coisa, a tríade civil de que o seu partido fez parte.

Pelos vistos não valia a pena e mais não avancei. Levantei-me e desejei-lhes um bom fim de semana recheado de lampiões e lagartos, o tal mais do que essencial e precioso L&L das nossas vidas. 


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publicado às 08:24

4%

por John Wolf, em 05.01.17

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Enquanto esperamos por uma selfie de Marcelo e Maria Leal, entretemo-nos com os 4%. A agência de rating DBRS já tinha avisado que esse valor dava direito a castigo, mas há mais. Em plena crise de títulos de dívida portuguesa a 10 anos, a agência canadiana também está atenta a outros agravos. Hoje, dia 5 de Janeiro de 2017, publicam um press-release dedicado à Caixa Geral de Depósitos (CGD), mas não consigo chegar ao ficheiro. Deve haver um hacker russo a soldo de uma parte interessada, a ver se impede ainda mais derrames e escorregadelas. Ou seja, a DBRS, embora atenta quase em exclusivo aos títulos de dívida, não conseguirá evitar meter ao barulho das suas considerações o cangalho CGD. Enfim, adiante. A beleza do título de dívida reside no seguinte: não há manipulação que o valha. O governo de António Costa pode bater o pé as vezes que quiser - o spread já lá vai. E há mais factos pouco abonatórios para este estado de arte. O Banco Central Europeu vai começar a tirar a teta da mama de países com dificuldades de liquidez. Em abril reduzirá o caudal de apoio expresso na compra de títulos de dívida. Porém, existem ainda mais ventos a soprar nesse sentido de contenção e bons modos. Os indicadores respeitantes à inflação na Zona Euro sugerem a necessidade de fechar a torneira, se não totalmente, pelo menos gradualmente - aos pingos. Depois temos o outro lado do Atlântico onde a Reserva Federal, à luz de bons resultados económicos, irá também encarecer o acesso ao dólar americano, e essa condição irá atormentar ainda mais o Euro já abalroada pela valorização da sua congénere. Os tempos Centênicos e Cósticos não estão nada fáceis. A tal toalha atirada por Sócrates e Teixeira dos Santos naquela noite suada de São Bento pode tornar a ser arremessada. De repente.

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publicado às 19:27

Portugal, DBRS e cães amestrados

por John Wolf, em 23.10.16

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Que raio de construção é esta? Portugal está dependente de avalistas como a DBRS para garantir a continuidade dos financiamentos do BCE? Há aqui diversos elementos miseráveis. Um Estado alegadamente soberano está nas mãos de uma casa de rating que nem sequer é um Estado. A DBRS não tem governo, não tem território, não é uma nação, não tem um exército, embora tenha uma língua, mas dá ordens ao BCE. A Europa da União, com tantos anos de casa, nem sequer foi capaz de se auditar internamente, nem sequer é capaz de ter a sua própria agência de rating. Recorre a uma casa de apostas canadiana. Por outro lado, Portugal tem um governo de ficções. Uma entidade tri-partidária que inventou o boato de que acabou a austeridade, mas que efectivamente a eterniza. Mário Centeno e António Costa decepam os gargalos de espumante Raposeira como se o mais recente carimbo da DBRS, que mantém Portugal junto ao portão da lixeira, valesse alguma coisa e fosse fruto do grande empenho e competência deste governo. O BCE sabe muito bem o que está a fazer. Em vez de validar a emancipação de Portugal, prolonga a bengala. As facilidades concedidas agora (e desde sempre) implicam agravamentos mais adiante. Mas há mais vida para além de Draghi e Centeno, que com este diálogo de vencedores, apenas compram mais 6 meses de validade. Os homens defendem os seus empregos, sem dúvida alguma, contudo, lá fora, no mundo dos tubarões, todos sabem que Portugal derrapa porque o alegado piquete de emergência pôs travão às verdadeiras reformas de que o país necessita. Centeno quer fazer boa figura nas reuniões do Conselho junto dos seus pares da União Europeia e até usa uma linguagem de cão amestrado - "se calhar até vamos cumprir melhor os compromissos do que outros países e pode ser que depois se entretenham com outros países e não connosco" (...)

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publicado às 09:34

PSP - Pedro Silva Pereira: caso de polícia

por John Wolf, em 19.02.16

 

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O sósia de José Sócrates merece ser processado pela DBRS pelo teor das suas declarações: (uma) “chuva de telefonemas” para a agência de notação financeira DBRS a pressionar para que baixem o rating de Portugal e a oposição do eurodeputado José Manuel Fernandes do PSD a que o plano de investimento Juncker pudesse “apoiar as economias mais atingidas pela crise”Sim, alguém deve ligar à agência de rating DBSR. Isto é muito grave e deve ser comunicado à entidade canadiana. Com quem julga este político de meia-tigela que está a lidar? Isto sim serve para denegrir Portugal.

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publicado às 21:17






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