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O governo de oposição PSD-CDS

por John Wolf, em 22.02.16

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O PSD e o CDS votaram contra o Orçamento de Estado (OE) de 2016, mas nem precisavam de o ter feito. Ao longo dos últimos anos da minha vida tenho vindo a aprender que por vezes nada fazer é o melhor que se pode fazer. O governo de António Costa não precisa de terceiros para cair pelas escadas abaixo. O conteúdo do OE falará por si, e revelará a seu tempo a sua inviabilidade, a sua fragilidade. A Catarina Martins irá aproveitar para extrair mais dividendos de um governo de que não quis fazer parte. Agora percebemos com ainda maior clareza que não deposita muita fé nas promessas eleitorais dos socialistas. António Costa, em vez de se concentrar nos desafios que o país enfrenta, está obcecado com o fantasma do governo anterior. O Partidos dos Animais e Natureza (PAN) bem que quis tratar da questão das touradas, mas Costa esboçou uma chicuelina, atirando para os curros a investida do seu parceiro a solo. Mas o mais grave disto tudo é que fica demonstrado o modo como o governo não consegue caminhar sozinho sem demonstrar tiques de paranóia. Afinal o PSD e o CDS têm muito mais poder na oposição do que tinham no governo. O PSD e o CDS vão chumbar o OE em Bruxelas, vão afogar as agências de rating com menções desonrosas. Vão conspirar no grupo de Bilderberg. Vão fazer macumba junto de prospectivos investidores internacionais. Vão rogar pragas aos agricultores da Beira-Baixa. Vão formar um cartel em Sines para inflacionar o preço do crude em Portugal. Vão fazer falir empresas públicas e privadas para que um terceiro resgate chegue ainda mais rapidamente. A oposição vai governar, deste modo, na sombra escura, e derrubar Portugal. O guião rectificativo da desgraça pode já ser lido na íntegra. Está escrito naquele tomo socialista sobejamente conhecido, dedicado à responsabilidade política, ao sentido de Estado e ao interesse nacional. O que está acontecer era de prever. Mas também de evitar.

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publicado às 18:12

É a política da maçã de adão.

por Silvia Vermelho, em 23.03.11

"SÓCRATES - Pois bem, Górgias, a retórica, ao que me parece, é uma prática estranha à arte, mas que exige uma alma dotada de imaginação de ousadia e, naturalmente apta para o trato com as pessoas. O nome genérico desta espécie de prática é, quanto a mim, adulação. Nela distingo várias subdivisões, uma das quais é a cozinha. Esta passa por ser uma arte, mas em meu entender não é uma arte, é uma actividade empírica e uma rotina.

Ligo ainda à adulação, como outras tantas partes distintas, a retórica, a toilette e a sofística, ao todo quatro subdivisões com tantos objectos específicos.

Se Polo quiser interrogar-me, que me interrogue; porque ele ainda não ouviu as minhas explicações sobre o lugar que atribuo à retórica entre as subdivisões da adulação. Ainda não se apercebeu disso e já me pergunta se eu não a acho bela. Por mim, não responderei a essa pergunta sobre a beleza ou a fealdade que atribuo à retórica, antes de ter respondido a esta outra sobre aquilo que ela é. Seria incorrecto, Polo. Se, pelo contrário, queres saber que parte da adulação ela é, podes interrogar-me.

POLO - Pois bem, pergunto-te: que parte é ela?

SÓCRATES - Não sei se entenderás bem a minha resposta: na minha opinião, a retórica é como o simulacro de uma parte da política.

POLO - Que entendes por isso? Queres dizer que é bela ou feia?

SÓCRATES - Feia, na minha opinião, porque eu chamo feio a tudo o que é mau."

in Górgias, Platão

 

Este "debate" do PEC é a verdadeira política da maçã de Adão, os discursos ritmados e com o mesmo timbre desde o século XIX, um escol que de escol nada tem em que pulula a testosterona e um modelo de discurso programado, repetitivo, enfático nas mesmas partes. Mesmo as mulheres o adoptaram, esganiçando as vozes nas oitavas a que não conseguem aceder por falta de testosterona. Os homens usam e abusam, disso e da gravata, esse uniforme do vómito que encarna a profissão de adulador/a profissional.

 

Proponha-se um uniforme de estadista. Ainda que o hábito não faça o monge e que Jesus Cristo não perceba de Finanças, mal não faz ser excêntrica/o quando a solução parece transcendente.

 

Adopte-se a túnica unissexo e de cor neutra, acabe-se com a palhaçada de "cada gravata, a sua ocasião".

 

"SÓCRATES - Sustento que há no corpo e na alma algo que lhes dá a aparência da saúde sem que a possuam realmente.

GÓRGIAS - Tens razão.

SÓCRATES - Pois bem, agora vou tentar fazer-te compreender o meu pensamento mais claramente, se for possível. Digo, portanto, que há duas realidades diferentes e duas artes correspondentes: à arte que diz respeito à alma, chamo-a política; quanto àquela que diz respeito ao corpo, não posso dar-lhe da memsa menira um único nome; mas nesta cultura do corpo, que forma um todo, distingo duas partes, a ginástica e a medicina. Na política, distingo a legislação, que corresponde à ginástica, e a justiça que corresponde à medicina. Em cada um destes grupos, de facto, as duas artes assemelham-se pela identidade do seu objecto, a medicina e a ginástica no que se refere ao corpo, a justiça e a legislação no que se refere à alma; mas, por outro lado, distinguem-se sob determinados aspectos.

Sendo assim constituídas estas quatro artes e visando todas o maior bem ou do corpo ou da alma, a adulação apercebeu-se disso, não por um conhecimento alcançado por meio de raciocínios, mas por uma conjectura instintiva. Então, dividindo-se ela mesma em quatro partes e introduzindo em seguida cada uma destas partes sob a arte correspondente, ela fez-se passar pela arte de que tinha tomado a máscara; não tem qualquer preocupação pelo bem, mas antes, pelo atractivo do prazer, arma um laço à tolice que ela engana e cuja consideração ganha desta forma. É asssim que a cozinha toma a aparência da mediciina e finge conhecer os alimentos que melhor convêm ao corpo, de tal maneira que se fossem crianças, ou homens tão pouco razoáveis como as crianças, quem tivesse de decidir qual dos dois, o médico ou o cozinheiro, conhece melhor a boa ou a má qualidade dos alimentos, ao médico apenas restaria morrer de fome.

A tal prática chamo eu adulação e considero-a como algo de feio, Polo (pois é a ti que me dirijo) porque ela visa o agradável sem se preocupar com o melhor. E digo que ela não é uma arte, mas uma actividade empírica porque, para oferecer as coisas que oferece, não tem razões fundadas naquilo que é a sua natureza e não pode, por conseguinte, ligar cada uma delas à sua causa. Ora, quanto a mim, não dou o nome de arte a uma prática que não esteja fundada na razão. [...]

Para abreviarm dir-te-ei na linguagem dos geómetras (talvez agora me compreendas) que a toilette está para a ginástica como a cozinha está para a medicina; ou, melhor ainda, que a sofística está para a legislação como a toilette está para a ginástica e que a retórica está para a justiça como a cozinha está para a medicina. Contudo, repito-o, estas coisas diferem quanto à sua natureza, mas como, por outro lado, estão próximas, sofistas e oradores confundem-se e baralham-se no mesmo domínio, em torno dos mesmos assuntos, de tal maneira que nem eles proprios nem as outras pessoas sabem qual é verdadeiramente a sua função. [...]

Sabes agora, o que, a meu ver, é a retórica: é para a alma aquilo que a cozinha é para o corpo."

 

in Górgias, Platão

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publicado às 17:11






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