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Oeiras, capital da ética

por John Wolf, em 03.10.17

 

E já agora, se um pederasta, pedófilo condenado e com sentença cumprida, fosse nomeado como presidente de uma comissão de protecção de menores? No comments.

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publicado às 07:16

Ver Le Pen e navios passar

por John Wolf, em 24.03.17

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A ver vamos quem ganha a corrida. Se o festival europeu da canção populista ou se a melodia da traição de Trump. Falamos de Democracia, naturalmente. Em qualquer um dos casos, os processos decorrem de prerrogativas firmadas em Constituições e materializam-se quer em processos eleitorais ou mecanismos de controlo. Afastemo-nos por alguns instantes da contaminação ideológica e concentremo-nos nas liberdades e garantias. Em França, Le Pen tem o direito inalienável de se propor como solvente do dilema existencial daquele país. Nos Estados Unidos (EUA), Trump, que já se senta na cadeira do poder, é agora obrigado a rever algumas premissas de sustentação. Na grande competição de legitimizações, os lideres efectivos ou prospectivos não se livram dos mecanismos de controlo. Nessa medida, os EUA  levam a vantagem. Trump não pode abandonar o dólar americano e iniciar um Americexit. Está preso nessa federação consolidada e responde perante o FBI. Le Pen, por seu turno, pode rasgar sem dó ou piedade o Tratado de Lisboa, o Euro e fazer-se à vida soberana. Nos EUA, a soberania também se exprime na acção da agência federal de investigação que virará o prego caso seja necessário e à luz de evidências de traição que parecem estar a ganhar contornos inegáveis. A União Europeia (UE), com todos os seus salamaleques burocráticos e danças de comissão, pura e simplesmente nada pode fazer. Está de mãos atadas à cadeira da sua própria construção política fantasiosa. Parece-me ser mais um pecado mortal, para além de tantos outros, que a alegada "Constituição" da UE não tenha sequer pensado em mecanismos jurídicos de controlo recíproco. Se houver mão russa nas eleições francesas, os estados-membro da UE ficam a ver navios passar. Até ao momento registámos vontades eleitoriais unilaterais. Foram os britânicos que democraticamente decidiram alargar o canal e cortar o cordão que ligava o Reino Unido ao "continente" e iniciar o Brexit. Mas imaginemos por um instante, integrando no nosso espírito uma extrapolação radical, que a expulsão passa a ser necessidade de auto-preservação da UE. Suponhamos que, volvidos alguns meses, se vem a descobrir a mão invisível de Putin nas eleições em França e que o excelso acervo democrático transparente e idóneo da Europa é posto em causa. O que farão os magníficos Junckers e Dijsselbloems da UE? Será que chamam nomes indigestos aos gauleses? Será que lhes atiram à cara que são uns camemberts malcheirosos e uns míseros flauberistas? E será que ficam a ver Le Pen passar?

 

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publicado às 09:42

São os referendos bons para a democracia?

por Samuel de Paiva Pires, em 26.02.17

AC Grayling, "Are referendums good for democracy?":

If you live in a small ancient Greek city with restrictions on who can take part in the political process, referendums are pretty well your only governmental decision-making resource.

But if you live in a populous, diverse and complex society, you do far better to avoid referendums, and instead to devise a representative democracy in which people are elected to act on the populace’s behalf by getting information, deliberating, discussing, listening to different points of view, making sober judgments, and acting on them wisely. If the representatives succeed in this, their electors might keep them in post. If they do not, their electors can throw them out.

There are two great advantages of the representative system. When combined with all the shortcomings of referendums, they show why the vote on 23rd June 2016 was such a farce. Regrettably, with MPs having voted in favour of triggering Article 50 on Wednesday night, the result is now very likely indeed to be acted upon.

The first such advantage is that the representative system allows the rest of us to get on with our lives, jobs and families without having to think about the minutiae of such things as legislation on health and safety in the gas industry, or amendments to §5(c)(ii) paragraph eight of the Heathlands and Waterways (Protected Fowl) Act of 1953. Much in the business of legislating involves equal quantities of boredom and expertise, each a great barrier to agora-style approaches to democracy, and they are peculiarly unfitted for them therefore.

The other advantage is that representative democracy is indirect democracy. The ignorance, self-interest, short-termism, emotion, prejudice and occasional knuckle-headedness of which almost all of us are capable are—or in the ideal should be—filtered out by the institutions and procedures of representative democracy, which are designed specifically for that purpose, and which accordingly allow mature intelligence to be focused on the business of government. Party politics interferes with this desirable arrangement, of course, and the result is not only that partisan interests and knuckle-headedness too often fail to get filtered out, but the very institutions and practices that exist to minimise such failure can be manipulated. But the system works often enough, at least for less contentious matters, and that is a good thing.

Referendums are in general inconsistent with this process. They bypass the institutions and procedures designed to optimise decision-making, and go straight for the opposite, posing a simplified question inviting a yes-no answer to a body of people among whom very few have given the matter much thought, or thought anything like informed and dispassionately enough. In handing decision-making over to a referendum, politicians thereby abdicate responsibility, and there is little guarantee that the outcome will be the most considered possible alternative.

 

(também publicado aqui.)

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publicado às 12:56

Imprecações e canonizações.

por Nuno Resende, em 07.02.17

Ainda bem que deixei o Facebook antes da era Trump. Foram nove anos desperdiçados, mas não é grave se pensarmos que o mandato do novo presidente dos EUA transformou aquela plataforma numa ainda pior expressão do cinismo humano.
Nestes nove anos não me lembro de uma campanha tão enjoativa de prós e contras, com opiniões, vídeos humorísticos e promessas de imolação. O homem é feio, ignorante, um troglodita e um agiota sem escrúpulos, mas isso é a característica do político norte-americano comum. Ou acham que eles fizeram a América com bolo e cházinho?
Há aqui, claro, o factor comunicação social. Nunca os media se sentiram tão pouco confortáveis com a figura. O 4.º poder deixou de poder e isso é que é grave - muito mais que o atropelo dos direitos humanos, se pensarmos bem.
Mas se formos a ver ignorantes e imbecis eram já os Bushs. Feio e claramente pouco ético foi Clinton e se recuarmos no passado, poucas são as virtudes que encontramos nos mandantes da América. Devo recordar, aliás, que as bombas atómicas lançadas sobre Nagasaki e Hiroshima foram-no com o assentimento de um presidente norte-americano.
Enfim, a era do imediato, exige que se eleja e destitue um presidente no menor período de tempo. Não há tempo a perder. Nesse aspecto, devo admitir, o sistema republicano é muito útil, pois satisfaz as necessidades básicas da fisiologia humana. Se comemos, temos necessariamente que evacuar. E quanto a isso, a democracia não pode esperar.
Nós por cá não temos necessidade de destituir o presidente da república. Todo ele é doçura, é candura, é disponibilidade. Já não são só afectos, são horas de voluntariado, de apoio e de serviço aos pobres e carenciados. Nas redes sociais não se fala de outra coisa. Donas de casa querem beijá-lo, velhinhos ardem em desejo por um abraço, adolescentes anseiam por tirar selfies com ele. No entretanto, Marcelo lê, escreve e fala, fala muito. Cura leprosos, ressuscita mortos e anima a Geringonça.
No meio disto tudo, nem é o enjoo da colagem a um Sousa Martins, ou o vestir da farda de um Presidente-Rei.
É que, ao contrário de Trump, que quer fazer a América grande «outra vez», o senhor professor Doutor Marcelo, quer procurar o melhor no Portugal pequenito, recuperando aquela ideia salazarista de pobres, mas alegres.
São os dois rídículos, mas cada um à escala do seu país.

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publicado às 11:51

Penpal de Portugal

por John Wolf, em 05.02.17

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Portugal é um país de águas de bacalhau. Mas esse estado de alma acarreta consequências. Determina um anda e desanda, um dois passos avante e três à retaguarda. Assim tem sido e desse modo prosseguirá. Sobe uma força partidária ao poder, e logo desfaz à pancada o realizado pelo anterior. E assim sucessivamente e alternadamente. Por outras palavras, o Portugal político é uma imensa bancada central. E, embora possa parecer uma solução consensual e benigna, a verdade é que penaliza a possibilidade de um choque sistémico. A geringonça, no entanto, trai esse conceito mas não adianta grande coisa ao integrar no mesmo embutido um espectro alargado que se anula, que se descaracteriza. Ao diluirem o valor ideológico e a estância de princípios em nome da manutenção do poder, acabam por plantar no seu seio a toupeira do descalabro. O Partido Socialista ao querer ser tudo, é, ao mesmo tempo, comunista, neo-liberal, progressista e populista - mas cada vez mais menos socialista. O governo assume, sem margem para dúvida, um contrato a termo com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, embora não o admita, e ao invés do que dizem no PS, os socialistas terão de levar em conta a Direita, senão numa perspectiva doméstica, ao que tudo indica, no plano europeu. A grande questão que se coloca diz respeito ao seguinte: se Marine Le Pen for chamada ao Eliséu, acabou a União Europeia, não tenham dúvidas. A não ser que governos híbridos queiram replicar as suas condições de governabilidade e negoceiem cedências oportunas. Os alegados comentadores políticos e os sucedâneos de jornalistas tardam em perceber que estamos na presença de uma revolução sistémica, à la Kuhn. O modelo organizacional e político que estruturou o Ocidente nas últimas décadas, caminha, a passos largos, para um fim feio, caótico. Não foi um actor político externo a determinar o curso dos eventos  que se encontra em dinâmica crescente. Foram as complicações endémicas do projecto económico e social que falharam. Referem todos a grande paz europeia resultante do carvão e do aço, mas a que preço e com que consequências? Portugal, que não conhece a experiência dos extremos, pode ceder à tentação de negociar geringonças à escala europeia, contribuindo ainda mais para uma cisão irreversível. Quero ver se as políticas da amiga Marine também serão chumbadas na Assembleia da República ou se ela será uma Penpal. Se reprovam Trump, devem admoestar aqui e agora a congénere francesa.

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publicado às 19:26

Trump, Conway...not my way

por John Wolf, em 31.01.17

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Donald Trump nunca poderia ser um político português. Não seria agraciado nem tolerado. O conceito de estado de graça que assiste aos recém-chegados ao poder foi pura e simplesmente obliterado. A inversão é plena - entrou logo ao ataque. E começa pelos Estados Unidos da América. Assistimos, quer sejamos norte-americanos ou não, à concretização das piores das nossas expectativas. A censura oficial já é um facto consumado, instalado. Mas nada disto é novo. É pela máquina de propaganda e desinformação que começam. A perseguição vivida em regimes nacional-socialitas parece ser o template em que se baseiam. A senhora Kellyanne Conway representa o pior da América profunda. Mas não está só. Contaram-me há dias que os mais reaccionários dos EUA são os jovens que polvilham os campus das universidades, e não os desempregados. E isto é particularmente preocupante porque é esta falange que irá emprestar a sua energia e os seus "conceitos" ao futuro do país. Quero acreditar, porque é o que nos resta, que seremos testemunhas de uma revolução civil americana. A única virtude que consigo extrair do ambiente instalado, num país com profundas fracturas, é a emergência de diversas frentes de indignados. Existe uma tradição de protesto nos EUA. Pensem nas manifestações contra a guerra do Vietname, contra a segregação racial, contra a globalização e os efeitos nefastos da mesma sobre o ambiente. E existem mártires. Lembrem-se de Kennedy. Pensem em Martin Luther King. O que Trump vai provocar é a reacção desmedida que transcende os orgãos de soberania que pouco valem na sua cabeça e que ele julga que domina totalmente. O despedimento da Procuradora-Geral não vai chegar para demover aqueles que entendem o processo americano, a mescla e a promessa firmada no rompimento em relação aos senhorios coloniais e a esperança que resulta do mesmo. Tenho fé, que por linhas tortas, mas lamentavelmente violentas, a América dos nossos sonhos bons possa vingar o seu nome - a parte boa do seu nome. Por causa de Trump sou mais americano do que nunca, mas não pelas razões que ele invoca. Vim de longe. Ainda não cheguei.

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publicado às 12:43

Mário Soares (1924-2017)

por Samuel de Paiva Pires, em 08.01.17

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Miguel Esteves Cardoso:

Perdemos uma grande pessoa. Mas aquilo que nos deixou — que só temos de não desperdiçar — é muitíssimo maior. E essa é a grandeza que Mário Soares teve: deixar-nos tudo. Nunca mais haverá um Mário Soares. Mas nunca ninguém nos deixou uma grandeza maior.

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publicado às 00:13

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No dia em que licenciaturas fazem mais duas baixas no governo há mais fraudes a lamentar. Uma de lesa as costas e outro de lesa a Pátria. A tadinha da Tadeu reclamou que havia necessidade de haver cabides nas Necessidades, mas ninguém lhe deu ouvidos. Zás, cadeira para que te quero - toma lá jaqueta. E, sem demoras, logo nas horas seguintes, Catarina Martins e a sua gente, também segue caminho análogo. Zás, cadeira para que te quero: para não levantar o traseiro e aplaudir um chefe de Estado convidado pelo povo de Portugal. Sim, convidado pelo povão lusitano alegadamente representado por titulares dos mais altos cargos da nação. Geralmente são os americanos que têm a fama e o proveito de serem uns mal-educados, mas o Bloco de Esquerda quer fazer escolinha. O mais grave disto é que isto é uma espécie de anti-summit. O bem receber português não tem nada a ver com estes tristes. Eu que o diga e em primeira mão. Os estrangeiros são recebidos maravilhosamente. No entanto, o devaneio da anarco-teatral Martins deve ser tratado com o respeito que lhe é devido - ou seja, nenhum. Diz a moçoila que não reconhece teor democrático às escolhas reais que decorrem de linhas dinásticas. Que as mesmas enfermam de bastardia de autoridade. Talvez me possa explicar a Martins qual a ascendência de uma revolução? Um golpe militar é validado por que fonte? Pela fonte divina ou por um riacho cubano que faz jorrar sangue que nunca mais acaba?

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publicado às 18:39

Marcelo Castrol

por John Wolf, em 27.10.16

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No meu entender, mesmo num sistema político não presidencial, um chefe de Estado deve (acima de tudo) defender o interesse nacional. Não consigo perceber o que Marcelo Rebelo de Sousa anda a fazer posando para a fotografia com Fidel Castro (?). Nem sei se existe algum valor simbólico que se possa extrair deste investimento mediático. Será que o presidente da república portuguesa tem uma dívida pendente para com Otelo? Marcelo esbanja Castrol num motor avariado. E o aparelho cubano de inspiração fidelista já era uma máquina questionável. Dar um abraço ao enigmático lider não é muito diferente do que dar um encosto fraterno a Mobutu ou Lenine - ambos (incluindo o remanescente Castro) avançaram as causas da miséria humana, da pobreza e da opressão. Não fica bem a Portugal usar recursos para fins altamente duvidosos. Cuba ainda não realizou a transição para a Democracia e o estender da mão de Obama deve ser interpretado no contexto de outras emergências geopolíticas. A única coincidência linguística-ideológica que se pode espremer deste preparado tem a ver com a ideia de embargo. Quem diz embargo diz sanções. Nessa medida, Marcelo alinha-se com aqueles que sofrem os efeitos de sanções, sejam sevícias da União Europeia, sejam admoestações impostas pela administração norte-americana. Marcelo deve ter algum cuidado para não fazer a figura de urso de Marinho gaivota. Soares fartou-se de viajar à pala não se sabe bem de que ideal. E até se fez transportar de tartaruga numa qualquer ilha perdida.

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publicado às 15:39

Seis meses e uma senha socialista

por John Wolf, em 03.06.16

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O congresso do Partido Socialista (PS) servirá para comemorar as bodas de geringonça. António Costa tem mesmo de realizar este certame para continuar a exultar as virtudes do acordo alcançado à Esquerda. Mais do que uma operação para enfrentar os desafios que se apresentam a Portugal, o secretário-geral do PS irá falar dos que não estão. Aproveitará para cascar no governo anterior e reafirmar as virtudes intocáveis das medidas de governação já tomadas. Mas a verdade é que os portugueses não dobraram a esquina do mal-estar económico e social. E também não é menos verdade que mais tempos difíceis se avizinham. A jogada de ilusão democrática é bem metida, mas não nos engana. O método da senha que permite a qualquer militante dizer de sua justiça no palanque rosa está pejado de artimanhas. Francisco Assis foi preterido, colocado no turno pouco mediático, lá para a meia-noite, quando estiverem todos arrumados. Ou seja, a censura já é uma doutrina interna. Mas mesmo que todos falassem aos mesmo tempo nos termos mais impróprios, em última instância, António Costa detém o golden share, perdão, o rosy share - o privilégio norte-coreano de escolher a dedo oradores favoráveis. Os camaradas-autarcas terão certamente melhores tempos de antena. Em 2017 teremos essas eleições, que podem muito bem servir para desferir um golpe de misericórdia nos intentos monopolistas dos socialistas. O PS, se quiser honrar o templo sagrado da geringonça, vai ter de se mexer para manter o mesmo pacto de regime nas eleições autárquicas. Este congresso de vida semestral da geringonça não é um seminário com a ambição de transformar Portugal. É uma conferência-campanha para validar e eventualmente estender o prazo contratado com o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português. Será que vão distribuir senhas rosas aos amigos mais à Esquerda? Gostava de escutar Octávio Paz, Pato, é Pato, no congresso do PS.

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publicado às 17:58

Da democracia

por Samuel de Paiva Pires, em 25.05.16

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 Eça de Queirós, O Conde d'Abranhos:

“(…) os governos democráticos conseguem tudo, com mais segurança própria e toda a admiração da plebe, curvando a espinha e dizendo com doçura: – Por aqui, se fazem favor! Acreditem que é o bom caminho!
Tomemos um exemplo: o eleitor que não quer votar com o Governo. Ei-lo, aí, junto da urna da oposição, com o seu voto hostil na mão, inchado do seu direito. Se, para o obrigar a votar com o Governo o empurrarem às coronhadas e às cacetadas, o homem volta-se, puxa de uma pistola – e aí temos a guerra civil. Para que esta brutalidade obsoleta? Não o espanquem, mas, pelo contrário, acompanhem-no ao café ou à taberna, conforme estejamos no campo ou na cidade, paguem-lhe bebidas generosamente, perguntem-lhe pelos pequerruchos, metam-lhe uma placa de cinco tostões na mão e levem-no pelo braço, de cigarro na boca, trauteando o Hino, até junto da urna do Governo, vaso do Poder, taça da Felicidade! Tal é a tradição humana, doce, civilizada, hábil, que faz com que se possa tiranizar um País, com o aplauso do cidadão e em nome da Liberdade.”

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publicado às 17:47

Não invocarás a democracia em vão

por Samuel de Paiva Pires, em 19.04.16

Enquanto no Brasil os deputados que votaram no processo de impeachment de Dilma não se fartaram de invocar Deus para justificar o seu sentido de voto, por cá, à esquerda e à direita, há quem defenda e critique Dilma e invoque, de um lado e do outro, a defesa da democracia. Já vai sendo hábito ver a democracia invocada em vão por tudo e por nada, servindo instrumentalmente para defender algo e o seu contrário. Um crash course em teoria da democracia não faria mal a muita gente cá do burgo. Podiam começar por estes dois manuais bem pedagógicos.

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publicado às 19:36

Empêssegamento de Dilma Rousseff

por John Wolf, em 18.04.16

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Este post é dedicado àqueles que acreditam nas virtudes da democracia, na voz da maioria, no slogan "o povo é quem mais ordena", na dinâmica que deve prevalecer nas sociedades, na busca do equilíbrio social e na clarificação dos desígnios políticos dos partidos e seus agentes. Este post não é dedicado a facções ideológicas que acreditam na prerrogativa do Estado e dos orgãos públicos enquanto reguladores do mercado e da verdade. Este post é dedicado não apenas ao povo brasileiro, mas ao povo que defende Sócrates, que tanto se tem esforçado para manter a imaculada virgem. Este post é dedicado aos amantes do golpe, da conspiração e da cabala. Este post não é dedicado àqueles que desejavam que tudo ficasse como está, que tudo não fosse mexido. Este post é dedicado às almas que se sentem perdidas, baralhadas pelos mais recentes eventos capazes de devolver uma réstea de esperança a um povo suprimido pelas promessas furadas de pão e justiça para todos. Este post é dedicado a todas as offshores do mundo que contribuíram para acelerar a inevitabilidade dos acontecimentos. Este post não é dedicado a quem não acredita no voluntariado e na acção humana que não conhece género feminino ou canino. Este post é dedicado a todos aqueles que diariamente contrariam as mentes parcelares que dirigem países inteiros usando a divisa da demagogia e proveito próprio. Este post é dedicado aos pêssegos do mundo e em particular ao impeachment de Dilma Rousseff. Este post é dedicado ao sumo que extrairemos de uma matriz de conluio e decepção que tem polvilhado a paisagem política um pouco por todo o mundo. Este post é dedicado à árvore de frutos, à natureza e ao bicho da maçã. Este post é dedicado aos pesticidas e os produtos biológicos. Este post é dedilhado por tantos que não encaixam numa coisa ou outra.

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publicado às 09:52

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São coisas que acontecem. São eventos normais. São factos que devem fazer parte da Democracia para que esta se mantenha viva e tendencialmente intacta. O possível impeachment de Dilma Rousseff, a dedução da acusação de José Sócrates, a prisão de Ricardo Salgado ou o encarceramento do CEO da Enron, são apenas pequenos exemplos do modo como o motor das nossas sociedades realiza uma sangria, e mantém em andamento uma certa ideia de justiça. O equilíbrio é dinâmico e pressupõe um calendário moral que nem sempre coincide com a agenda política. O escândalo Panama Papers é, essencialmente, um catalisador do processo de transparência que se exige sobretudo a detentores de cargos públicos. Ainda não me explicaram quem paga os honorários do advogado João Araújo. Já leva umas horas valentes a discorrer absurdidades e decerto que tudo isso tem um preço. O balão de oxigénio que refere não é nada disso. Diria que se trata do oposto, de uma câmara hiperbárica para estrangular as incongruências e as jogadas espertas que encaixam que nem luvas na figura jurídica de uma offshore. Era isto tudo ou então ficar quieto. A escolha parece óbvia, incontornável. Existem motores gripados.

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publicado às 17:07

A putinização de João Soares

por John Wolf, em 07.04.16

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A linha que separa a ameaça do uso de força, o uso de força, a agressão e a violência é ténue. Perguntem a Putin como ele faz para afastar os detractores na democrática Rússia. João Soares já ocupou diversos cargos na sua carreira política (amplamente promovida pela sua ascendência), mas há uma posição que poderemos destacar - foi presidente da Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) entre 2008 e 2010 -, a entidade especialmente criada para promover o diálogo multilateral entre o Ocidente e o Leste no contexto da Guerra Fria. Lamentavelmente, podemos confirmar que João Soares não conhece ou não quer acatar as regras do normal funcionamento de uma sociedade democrática, entre as quais o direito a opinião diversa. As únicas bofetadas aceitáveis seriam aquelas da argumentação inteligente, culta e civilizada. Este caso deve ser tratado com o maior rigor possível. Exprime de um modo elementar a tendência de censura e repressão que parece estar à flor da pele deste ministro. Um governo que queira merecer o respeito da população não pode pactuar com este tipo de linguagem. A ameaça é clara e envia uma mensagem a toda uma classe profissional alicerçada na liberdade de expressão, e atenta igualmente contra princípios universais de respeito pela condição humana - diz respeito a qualquer cidadão. Se eu fosse o Vasco Pulido Valente ou o Augusto M. Seabra movia uma acção judicial contra o ministro da cultura. Não brinquemos com coisas sérias. Hoje umas estaladas, amanhã quem sabe. E de degeneração em degeneração os animais transformam-se em monstros.

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publicado às 19:52

Pura coincidência da rede socialista

por John Wolf, em 17.02.16

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Anda tudo com a mania da perseguição. Primeiro foi o filho de João Soares que foi parar à Câmara Municipal de Lisboa sem a ajuda do papá ou do avô. Agora Ricardo Costa passa a director-geral de informação do grupo Impresa. Deixem lá os rapazes trabalhar em paz. O que é que interessa que tenham ligações de parentesco a gente importante? O que é que interessa? Nada. E não interessa nada porque esta é a matriz comportamental do país - famoso ou não, político ou nem por isso. Em 1997, quando terminei o meu curso de Relações Internacionais, um dos meus amigos terminara o seu de Gestão de Empresas noutra academia da capital. O seu pai, um homem influente nos meandros da advocacia (e com afinidades ao PS), perguntou ao filho onde desejava trabalhar. O meu amigo respondeu - na área internacional de certa e determinada empresa de telecomunicações. O pai pegou no telefone e falou ao patrão dessa grande empresa. E após uma pequena entrevista pró-forma ficara tudo acertado. O meu amigo iria iniciar a sua caminhada laboral naquele estabelecimento. Contudo, tal não viria a acontecer por motivos de força maior cujos detalhes não partilharei. Em suma, para além da mania da perseguição, não passa tudo de uma grande coincidência. O João Soares, político experiente, mas porventura insensato, deveria ter emprestado um bom conselho ao filho, mas não deve ter recebido do seu. E Ricardo Costa, meio-irmão, ou meio-jornalista, deveria saber que existem limites éticos, mas em vez disso, existe uma via ascendente e inevitável que todos procuram a todo o custo - acumular poder e deter uma boa quota-parte do manancial democrático que ainda está disponível, para o transformar numa deplorável oligarquia. Poder podem, mas não deviam.

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publicado às 19:22

Outra lei que a Esquerda vai contestar

por John Wolf, em 16.01.16

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Quando se trata de civismo, ou a falta do mesmo, todas as leis e respectivas sanções são mais que bem-vindas. Se não vai a bem, se o comportamento de cada um não é passível de ser auto-regulado (devido a carência ética ou a pobreza de princípios), em nome da comunidade e dos seus valores de agregação, o Estado deve intervir. O sociólogo Tonnies faz a destrinça entre as forças espontâneas que asseguram a coesão dos agrupamentos humanos (comunidades) e os vectores de dispersão que obrigam ao estabelecimento de contratos para evitar a desagregação irreversível (sociedades). Neste quadro de entendimento, que cruza a etologia (estudo do comportamento animaI) com a civilização, fruto da cultura humana, das regras adoptadas, dos costumes e tradições, os legisladores cumprem uma missão polivalente. Substituem a paternidade que não soube transmitir os valores que permitem a vida colectiva e interpretam o conceito de idealismo existencial, através do qual o respeito pelo próximo estaria salvaguardado pela acção individual. A nova lei, em vigor desde janeiro de 2015, estabelece coimas para utentes que demonstrem determinadas faltas de civismo ou incomodem outros passageiros. No meu entender, o âmbito de aplicação da lei deveria ser alargado a outros espaços públicos onde os indivíduos incomodam os seus concidadãos. Não é apenas na Carris ou nos Táxis que os fenómenos de mau comportamento se registam. Já sei que qualquer tentativa de ordenamento do território comportamental deste país choca de frente com os activistas das liberdades fundamentais, os obreiros do 25 de Abril, os pais da Democracia, aqueles que acham que a sua liberdade não pode ser condicionada por o que quer que seja, os delfins intransigentes de uma Esquerda questionável, libertários do Antigo Regime - aquele pau para toda a obra da desculpabilização política e sociológica. Enfim, um espectro alargado de gente que muito provavelmente não vê mal algum num conjunto de comportamentos primários que polvilham a paisagem deste país. A saber; os telemóveis que tocam incessantemente e que são atendidos (e a conversa que se segue em voz alta em pleno concerto de música clássica no CCB); o uso da faixa de emergência na via rápida para fugir à fila demorada ocupada por condutores que respeitam o código de estrada; as escarretas lançadas à porta da entrada do hospital; as beatas atiradas da janela de um terceiro andar para o passeio já de si manchado pelos dejectos de cão alheio (coitadinhos dos animais, criem mais uma petição) ou o cliente-amigo no balcão dos Correios que não tem senha porque apenas tem uma perguntinha a colocar e não demora nada (e passa à frente do freguês). Em suma, nos transportes públicos acontece muita coisa, mas se buscarmos a objectividade na análise do fenómeno do mau comportamento, não é preciso ir muito longe. Não sei se a lei funcionará nestes domínios de ética, porque em última instância o que impera é a tese voluntarista - ou se é educado ou se procura sê-lo.

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publicado às 18:22

A Fraude da Democracia

por João Almeida Amaral, em 25.11.15

 

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É politicamente correcto, utilizar como cartão de visita, a Democracia ,  invoca-se o estatuto de democrata, refere-se que se aceita o resultado da maioria, que por um voto se ganha e por um voto se perde.

Ontem, tudo isso deixou de fazer sentido , a democracia caiu por terra ,deixou de ter significado, o seu sentido foi profanado, pervertido e nasceu um regime republicano em que o Chico-espertismo travestiu a palavra democracia, transformando-a, na acção, que em função da oportunidade, podemos efectuar, mesmo que isso não se traduza na vontade de quem votou.

Assim sendo, nasceu ontem um regime fracturado , que voltou a fazer emergir a extrema esquerda, social fascista, autoritária,intolerante e anti-democrática que Jaime Neves há 40 anos tinha posto a um canto. Mariana Mortagua no parlamento é a porta voz dessa intolerância . 

Como corolário dessa postura, a esquerda apresenta-se autoritária,  impedindo a celebração do 25 de Novembro , que deveria ser a grande festa nacional .

O pais volta a estar dividido, entre os Portugueses que unidos, rejeitaram em eleições a esquerda radical e aqueles que perderam as eleições e vão ser governo, através da aliança hipócrita , com a extrema esquerda conservadora e autoritária.

Ao contrário do que aconteceu há 40 anos , em que o herói Jaime Neves libertou a pátria do jugo comunista, amanhã os comunistas e a extrema esquerda serão legitimados pelo partido socialista.

A democracia passa a ter como sinónimo , Fraude. 

 

 (Foto correio da manhã)

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publicado às 15:55

Do desrespeito pelas tradições

por Samuel de Paiva Pires, em 26.10.15

Se há algo que os desenvolvimentos recentes no panorama político luso nos têm mostrado é que assim como podemos contar com a direita e o seu natural temperamento conservador para respeitar as tradições, mesmo se emanadas a partir da esquerda socialista e sempre tendo servido os propósitos desta e da conversação que é a política entre uma esquerda e uma direita que, em democracia, são adversárias mas não inimigas, também podemos contar com os socialistas e progressistas e as suas mentes prenhes do construtivismo dogmático e do revolucionarismo para desrespeitar as tradições quando assim lhes convém. Ademais, ter de ouvir Pedro Filipe Soares, que propugna uma ideologia totalitária, a afirmar que "Em democracia mandam os votos e não as tradições", quando a democracia liberal é, por definição, tradicionalista (para os interessados, veja-se como conservadores e liberais como Friedrich Hayek, Karl Popper, Michael Polanyi ou Michael Oakeshott defenderam a democracia liberal precisamente considerando o seu carácter tradicionalista) só acrescenta substância à ideia  de que a má fama da política fica a dever-se ao facto de ser protagonizada por gente não só muito pouco decente como assaz ignorante.

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publicado às 09:54

The best Democracy money can buy

por João Quaresma, em 11.09.15

"The idea that free markets will ultimately create the best possible living conditions is, of course, a wonderful one. But the reality in America looks like this: The yearly income of a typical middle-class family has fallen by almost $5,000 since 1999. If you factor in inflation, male workers last year earned on average $783 less than they did 42 years ago. For the country's richest, on the other hand, things are going swimmingly. The highest 0.1 percent possesses almost as much wealth as the lowest 90 percent taken together. The family of Sam Walton, founder of supermarket chain Walmart, has amassed over $149 billion in wealth. The family possesses as much as all of the lowest 42 percent of the country combined."

Tem sido notória a embirração da imprensa norte-americana em relação à Alemanha, nos últimos tempos. É natural que os alemães respondam com umas pedradas aos telhados de vidro do outro lado do Atlântico, como neste caso em relação à influência do poder financeiro nas eleições presidenciais. E os alemães não brincam.

America's oligarch problem: How the Super-Rich threaten US Democracy, no Der Spiegel

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publicado às 11:37






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