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Padaria Portuguesa pode meter o creme no...

por John Wolf, em 28.10.17

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A Padaria Portuguesa diz que "o espírito de equipa vale muito mais do que salário base". O que dirão os colaboradores? A continuar assim, o CEO da empresa ainda vai ganhar o "prémio europeu de carcaça do ano". Nuno Carvalho insulta o trabalhador ao sugerir que as regalias são mais que muitas e que compensam a falta de nível do salário. Passo a citar: "cada vez que nasce um bebé, oferecemos um creme e um babygrow e escrevo um postal de aniversário personalizado a cada um dos trabalhadores." - maravilhoso, lindo, comovente. Como pensa ele que funciona o capitalismo-social? Não é assim. Os colaboradores da Google ou Amazon participam nos lucros. Seja na forma de stock-options, seja através de dividendos, seja através da distrubuição de bónus financeiros em função do bottom-line, do desempenho das operações. A Padaria Portuguesa está tão orgulhosa do seu milagre da multiplicação do número de lojas e da contratação de mais 500 colaboradores, que atira aos seus detractores, subentendido claro está, que "deve" ser o "principal" responsável pela queda da taxa de desemprego em Portugal. Nas empresas a sério, com ambição global, não andam a distribuir cremes para o rabinho.

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publicado às 17:15

Momento Rangel de Centeno

por John Wolf, em 31.08.15

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Mário Centeno também quis ter o seu momento Rangel. O putativo mestre das finanças do Partido Socialista congratula os portugueses pelos indicadores respeitantes ao desemprego - foram os trabalhadores e os empresários que melhoraram os indicadores, e não o governo. Podemos deduzir, por esta lógica da batata, que qualquer governo é dispensável, incluindo um eventual executivo de matriz socialista. Não fica bem a um pseudo-político não dar o braço a torcer. Vá lá, pelo menos o principezinho não afirmou que os números do Instituto Nacional de Estatística só foram possíveis porque a coligação PSD-CDS está no poder. E sabemos porque não o diz. Aquele instituto está carregado de camaradas socialistas, matemáticos caídos em desuso na disciplina de economia, ou que findaram as sabáticas no Instituto Superior de Economia e Gestão. Ah, já agora, passei por essa escola, mas apenas fiz uma cadeira antes de mudar de curso: estatística. O professor era simpático, mas fumava em cadeia. Na sala de aula.

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publicado às 17:14

Este país não é para velhos... nem novos...

por Manuel Sousa Dias, em 18.05.15

Como tantos outros estou, à conta da crise, a iniciar outra actividade profissional radicalmente diferente da que até agora - e com bastantes dificuldades - vinha desempenhando enquanto empresário em nome individual. No nosso país nem sempre é fácil mudar de profissão (ou re-inventar-se como agora pretensiosamente se diz) depois de passados os 40 anos, ou 47, no meu caso. Eu, depois de uma sequência de azares, tive sorte. Se por acaso nesta idade se procura trabalho na mesma área de actividade corremos o risco de ser, além de velhos, sobre-qualificados, o que leva muitas empresas a preferir "sangue novo" por tuta e meia em detrimento dos serviços de alguém com experiência cheio de vontade de trabalhar. A desculpa da sobrequalificação é um disparate. Porque não optam as empresas por um profissional de topo que, por força das circunstâncias está a preço de saldo? Recordo-me agora de um internamento hospitalar que tive em Londres há 4 anos e da conversa que tive com um enfermeiro inglês especialmente atencioso e muito simpático. Contou-me ele que até aos 42 tinha sido contabilista mas que estava farto da profissão, pelo que resolveu mudar de vida: estudar enfermagem, profissão a qual, aos 40 e poucos, sentia que era a sua verdadeira vocação. Então fez um ano de universidade, o ano de estágio no hospital, que foi o momento em que o conheci, e iria terminar os seus estudos com mais um ano na universidade. A história dele não é diferente da de tanta gente, em Inglaterra ou por essa Europa fora, na qual a mudança da actividade profissional é uma experiência valorizada profissional e humanamente, para não dizer académicamente. E sem estigmas. As novas oportunidades não são programas de intenções para inglês ver... Em Inglaterra muitos trabalhadores experimentam o "friday night stress", que não é mais do que um despedimento à sexta-feira, seguido de um stress de fim-de-semana, a procura de emprego na segunda-feira, a entrevista à terça e novo emprego na quarta-feira. Okay, talvez esteja a ser um pouco optimista nas virtudes da cultura "hired and fired" anglo-saxónica mas não estarei assim tão longe da realidade. Muito do desemprego que existe é friccional, de trabalhadores entre empregos e de curta duração (não há também tanta dificuldade em mudar de cidade porque, regra geral, não se compra casa, aluga-se). Em Portugal a coisa fia de maneira diferente. Vivemos num país envelhecido e cheio de contrasensos. Por vezes ouvimos dizer que alguém que morreu aos 75 anos morreu novo. Paralelamente ouvimos também que aos 40 estamos muito velhos para iniciar nova carreira porque de facto há poucas oportunidades. Que raio de país este.

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publicado às 19:23

Extrapolações a partir de Tsipras

por John Wolf, em 29.01.15

Greek-Philosophers

 

A crise europeia acabou, e o emprego vai crescer exponencialmente em todos os Estados-membro da União Europeia.

A Dívida Grega vai ser perdoada e a Troika vai conceder um bónus de 500 mil milhões de euros aos helénicos por terem tido uma ideia tão boa.

A Austeridade vai acabar dentro de 10 minutos e cada cidadão europeu vai receber um cheque de 500 euros para estoirar no Carnaval com a garantia de que receberá outro no Natal.

A Rússia vai retirar-se da Ucrânia e compensar aquele país pelos danos causados e oferecer  gás natural durante 20 anos.

O Estado Islâmico vai converter-se em centro ecuménico de reflexão e paz.

Os EUA vão deixar a Rússia desmontar a NATO.

A União Europeia vai ter, a partir de amanhã, uma União Fiscal e uma Política Externa e de Segurança Comum.

Portugal vai ser salvo por um novo partido de inspiração tsiprarista fundado por António Costa, Mário Soares e José Sócrates.

Os ataques terroristas, tal como acontece com as greves, deverão ser marcados com antecedência mínima de 24 horas pelas uniões sindicais que representam os suicídas.

As receitas da venda de armas dos EUA, França, Reino Unido e Alemanha vão reverter integralmente para a Cruz Vermelha, a Amnístia Internacional e o Banco Alimentar contra a Fome, que cessarão de existir e tornar-se -ão desnecessários.

O Euro irá ser adoptado por todos os países africanos descarrilando o Dólar Americano como moeda de referência no comércio internacional.

Todas as Empresas Privadas portuguesas serão nacionalizadas para compensar a Privatização da TAP e a perda de controlo sobre a PT.

Os bancos vão passar a ter filiais dentro da casa de cada família portuguesa para pôr em prática soluções de poupança e oferecer salários aos reformados e delinquentes.

As semanas laborais vão ser sujeitas a uma reforma humanitária que implicará não mais de 15 horas semanais de trabalho.

As dívidas vão passar a ser entendidas como um valor positivo civilizacional e promovidas no programa curricular das escolas.

Os partidos políticos da Extrema Direita e da Extrema Esquerda vão deixar de existir para dar destaque a uma força moderada nascida a partir de uma sociedade civil que não sabe o significado de ideologia.

E por último, eu deixarei de ter ideias tão realistas quanto estas e outras que me escapam de um modo tão flagrante...

 

 

 

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publicado às 10:31

O 7 de Seguro

por John Wolf, em 15.03.14

António José Seguro não fez parte do clube dos 70 que assinou o manifesto.  Porventura não terá sido convidado, ou terá desejado se apresentar a solo numa iniciativa à lider, para mostrar serviço e provar que é capaz de ter ideias de jeito. O problema é que as propostas que apresenta são conceptualmente fracas, intelectualmente infantis. Na sua última incursão pan-europeia, à estadista, pretende que o desemprego seja mutualizado a partir de determinado nível. Ou seja, que passe a ser um problema de todos na Europa, quando a sua origem resulta, em grande parte, de deficientes políticas locais, de erros de governantes da casa. Eu entendo o princípio que está em causa, e que até teria um efeito de aprofundamento da integração política da Europa. Contudo, saltam à vista alguns defeitos conceptuais. Em primeiro lugar significaria que o falhanço das políticas domésticas de emprego, passaria a ser da responsabilidade dos outros. Por outras palavras, a incompetência de políticos nacionais seria compensada por serviços de emergência da União Europeia. Para isso mais vale ser governado por estrangeiros (Troika?). Em segundo lugar, de que modo se determina a fasquia de desemprego a partir da qual se acciona o alarme? Porquê 7% e não 10%? Será que António José Seguro e os seus conselheiros económicos são capazes de estimar os números do desemprego estrutural que passará a fazer parte da nova realidade? Por esta altura do campeonato, com a crise europeia longe de estar resolvida, ninguém se pode pôr a adivinhar qual o nível de desemprego com que teremos de conviver. António José Seguro atira estas brilhantes ideias para cima da mesa, mas revela falta de estudo, de preparação adequada para lidar com as variáveis macro-económicas que estão em jogo. Pela mesma ordem de ideias, mas no campo positivo, poderíamos também avançar com uma brilhante proposta de transferência de montantes, de países com melhor crescimento económico para países com fraco desempenho. Por exemplo, o crescimento do PIB de 4% em certos países-membros da União Europeia implicaria de um modo automático e sem reservas, a mutualização da riqueza "alheia"- a transferência de dinheiros. Estão a ver porque a proposta de Seguro é incompleta e facilmente descartável? Na minha opinião, e à falta de matéria relevante para apresentar, Seguro deveria ter assinado de cruz o Manifesto dos 71. Teria feito melhor figura. E se quiserem saber a verdade, esta ideia não é totalmente nova. Já foi pensada por outros há muito tempo. Dêem corda ao homem e depois não se queixem.

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publicado às 17:44

Então mas, mas, mas....

por Samuel de Paiva Pires, em 03.03.14

Espera, espera, espera, vamos lá ver se eu estou a ver isto bem: primeiro, leva-se milhares de empresas à falência enquanto se procura, durante 3 anos, arranjar um enquadramento legal que permita despedir funcionários públicos, posto que a função pública estará, segundo o governo, sobredimensionada, e a seguir propõe-se a atribuição de fundos comunitários a programas de integração de desempregados na função pública a título definitivo, com o pretexto de renovar quadros do Estado e diminuir a taxa de desemprego. É isto, não é? Diz que é o governo mais liberal de sempre.

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publicado às 21:02

A vindicta da realidade concreta

por João Pinto Bastos, em 10.01.14

A "glamourização" das boas notícias a respeito da diminuição do desemprego escondem, as mais das vezes, realidades, torturantemente, preocupantes. Os exemplos são bastos e significativos, envolvendo, com a sua aura desmobilizadora, um tecido social em que a descrença petrificante há muito assentou arraiais. Mas nem por isso as notícias relativas à diminuição do desemprego deixam de ser um bom tónico para o que aí vem. As declarações do ministro do Emprego e da Solidariedade Social são, nesse sentido, uma potente lufada de ar fresco, pois, ao inverso do que sucedia em tempos não muito remotos, o Governo, estrategicamente, não embarcou numa orgia comemorativa. A lógica é, a avaliar pelo passado comunicacional do Governo, estranhamente meridiana. No fundo, compreende-se, pois os dados lançados pelo Eurostat não são, ainda assim, de molde a criar uma felicidade exacerbada. Contudo, fazendo uma análise superficial aos números lançados pelo Eurostat, uma descida da taxa de desemprego de 17% para 15,5% não é, note-se, uma notícia despicienda. No ambiente de recessão que tem dolorosamente permeado o ajustamento português, saber que o desemprego está a descer, e a descer, recorde-se, com algum significado, é um excelente lenitivo para o trabalho político e económico que urge completar. Ademais, os dados trazidos à colação pelo instituto de estatísticas comunitário aduzem um factor extra de contentamento, designadamente o facto de, não obstante a brutalíssima carga fiscal servilmente aplicada pelo executivo, as empresas portuguesas estarem, é certo que com imensas dificuldades, a conseguir dobrar a maré da crise, abafando, desse modo, a terrível chaga social do desemprego. Como é bom de ver, nada do que atrás foi escrito impressiona grandemente os pobríssimos espíritos dos nossos comentadeiros encartados. Com ou sem boas notícias, a narrativa destes palonços permanece a mesma, apostada quase sempre em proscrever os poucos lamirés positivos carreados pelo ajustamento troikista. Porém, o que verdadeiramente importa é que, com muito sangue, suor e lágrimas, o desemprego está a retroceder, e isso, para o português comum que tem o seu emprego precário e mal pago, é, a bem da verdade, uma novidade que, devidamente aproveitada, poderá reverter os efeitos mais deletérios de uma crise que teima em não desaparecer.

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publicado às 14:01

Crescimento e depressão de mãos dadas

por John Wolf, em 09.12.13

Já repararam que o termo desemprego já não faz parte do discurso dos que mandam? O Instituto Nacional de Estatística anuncia o fim da recessão, mas não é referido de que forma esse facto produz efeitos na geração de emprego. Os governos de Portugal, e dos demais países europeus, sabem que o pleno emprego jamais tornará a ser o que era. Os dias de desemprego na ordem dos 5% acabaram. Assistimos, deste modo, à residência definitiva de uma nova realidade dissimulada e por revelar nas palestras daqueles que estão no poder ou daqueles que sonham em lá chegar. Os "bons" resultados económicos são bons para o bottomline das empresas, para os fluxos de caixa, mas não para o trabalhador. Eu iria até mais longe. Há largos anos que os gestores de empresas aguardavam o momento certo para realizar o layoff, os despedimentos em massa e com justa causa. A pergunta que deve ser colocada aponta no sentido de saber quando haverá inversão da tendência no desemprego. Há escassas semanas foi divulgado que o desemprego em Portugal rondará os 17,4% em 2014, embora presentemente tenha caído para os 15,8%. Este anúncio de sucesso das exportações apresenta uma ligeira contradição, ou a corroboração da ideia de que há sérias dificuldades pela frente. A necessidade de emissão de dívida a 5, 10 ou 30 anos significa que a economia ainda não se aguenta nas suas pernas. O roll-over, o empurrar para a frente das obrigações de dívida, não altera a dinâmica económica substantiva, a geração de emprego. A demise dos estaleiros de Viana acaba por confirmar a ideia de desfalecimento, de que mais despedimentos seguir-se-ão. A situação económica e social, já de si incomportável pelos cidadãos, poderá agravar-se ainda mais se houver um processo simultâneo de declarações de insolvência ou inoperacionalidade. Temos os CTT e as Páginas Amarelas em pé de guerra. Temos professores na rua. Temos trabalhadores de todos os sectores económicos em profundo desconforto. Temos gente que caiu fora das estatísticas e que já não conta nas considerações governativas, porque não existe matematicamente. O fim da recessão é uma expressão muito desejada em termos económicos, mas uma nova figura conceptual nasceu com esta crise - a possibilidade de coexistência de depressão social e crescimento económico. Esta contradição, nunca como antes, desafiou todos os modelos e conceitos de desenvolvimento das nossas sociedades. O fosso entre os detentores de capital e os trabalhadores parece ser cada vez maior. Seria simpático se o INE apresentasse em tandem as duas partes da fórmula - o crescimento económico acompanhado pelo crescimento do emprego. 

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publicado às 18:51

Não é Impressão Minha, Estou Morto

por joshua, em 04.12.13

Relanceio o meu olhar pelo ano de escrita que está prestes a acabar. Derramei-me. Como sempre. Se agora um torpor alastra pela minha alma, espécie de fadiga por tanto ter lutado, não no meu reduto, mas no da mesma trincheira hostil da mais retinta incompreensão, insulto e oposição pessoal, meses consecutivos houve em que nada me deteve na fabricação da violência feita palavra reactiva a vestir a ideia filigrana contra o terror de ver resvalar o meu Portugal para a agitação estéril e o vazio.

 

Era necessária uma barragem de verve contra os que nos VídeoMedia berram mais alto e por mais tempo na defesa de mais do mesmo, toda a prosperidade e adaptabilidade globalista de que a velha Esquerda é incapaz. Contra a sedição dos soares, a malícia dos sócrates e a rebelião em pólvora seca das esquerdas, marchei, marchei.

 

Pausa, portanto.

 

Entre o meu corpo e a minha alma desenrola-se agora o justo armistício, apaziguamento momentâneo de que careço. As naus das minhas palavras seguiram, seguiram viagem, deram-se à trópica rota de contundir ou consolar. Reparo, no entanto, que não há ninguém. Vejo que estou morto. Cercado de silêncio e frieza. Morto. Pobre e morto. Na verdade, não tenho ganho absolutamente nada com a minha escrita apaixonada na defesa de causas, princípios e éticas fora do grande lastro esquerdejante nacional mentiroso. Não lucrei nada, a não ser experiência escrevente, prazer no acto escritor e a espessa solidão do eremitério da escrita, vantagem da liberdade sem venalidade de emitir o que penso.

 

Zeros. É tudo quanto me é dado contemplar. Nenhuma oportunidade. Nenhum convite. Nenhum apreço. Nenhum horizonte. Zero. Sina. Portugal. Um dia será diferente. O mais provável é que seja diferente, mas longe, lá, onde possa voltar à vida social e financeira que o Regime, na sua horrorosa corrosão moral e propensão para a falência, comprometeu no meu caso e no de milhares.

 

Entretanto, estendo a mão. Sou qualquer um que estende a mão pelas ruas, avenidas e ruelas de Lisboa e Porto e perante quem o cidadão desvia a face enfastiada pela viciosa recorrência rotineira, pela habitualidade viscosa das ciganas romenas. No meu caso, os cortes foram muitíssimo mais radicais e só há uma maneira de reagir em devida conformidade com eles: estendendo a mão e defendendo o Ajustamento contra os soares, contra alguma maçonaria, contra os fósseis-sindicalistas, contra os comunistas do PCP, contra os rendeiros e devoristas do Regime, contra a tal nomenclatura endogâmica, neocorporativista e partidocrata que explica eloquentemente a minha penúria, o meu desemprego, o meu naufrágio.

 

Continuação de um bom dia, se puderem.

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publicado às 12:01

Desemprego vs ogerpmeseD

por John Wolf, em 07.11.13

Sei que o Natal se aproxima e a simpatia já parece pairar no ar, mas não sei se os mais recentes números respeitantes à diminuição da taxa de desemprego foram fornecidos pelo INE ou pelo INEM. Seja qual for o caso, o trabalhador português encontra-se nas urgências, em muito mau estado - com prognóstico reservado. O recuo do desemprego para os 15,6% tem de ser lido na presença de todos os outros participantes no concurso económico e social. Ou seja, de nada serve a consagração do campeão, se os adversários foram eliminados ainda antes da competição ter terminado. Esse número respeitante ao desemprego compara-se a si, alinha anos homólogos, mas nada diz sobre as vagas de emigração, os desistentes dos centros de empregos ou os trabalhadores que laboram por conta própria. O desemprego olha-se ao espelho e afirma ser o mais belo de todos, mas não partilhou a imagem com as verrugas que mancham a vitrine. O emprego, que joga na outra equipa, continua lesionado com uma ruptura de contratações - não há meio de se tornar titular, de conseguir um contrato de longa duração. E acresce a esta amostra vaidosa de números um facto que pode parecer não ter ligação directa com a empregabilidade. A decisão do Banco Central europeu em baixar a taxa de juro para os 0,25% terá efeitos na perda de poder de compra do Euro. Em termos monetários sabemos que o aumento de liquidez (operado por esta via) tem um efeito inflacionário, e revela que os políticos europeus temem uma espiral deflacionária. Em última instância, aqueles que ainda têm trabalho, embora possam beneficiar com a baixa da taxa de juro (por exemplo, a prestação mensal da casa será afectada positivamente), no médio e longo prazo, a "injecção" de liquidez irá condicionar o poder de compra do euro. São tantos factores de relevo que estão em jogo. São múltiplas dinâmicas internas e externas que se cruzam num magistério que não cumpre a agenda da vontade política exclusiva. Os alegados bons números do desemprego ou das equações estimativas do orçamento de Estado de 2014, poderão ainda ser acorrentados pelos valores da dívida e pelo espírito da lei interpretado pelo tribunal constitucional. Para além disso tudo, Portugal tem de contar com um factor interno de peso - a recusa contínua do PS e de António José Seguro em participar num consenso. E essa intransigência irá acelerar o processo de austeridade, embora insistam continuamente no oposto. O memorando de entendimento parece ter sido branqueado pelos socialistas. Enquanto Seguro discute ninharias como a descida da taxa do IRC, o essencial não se altera - o agravamento da situação económica e social do país. O grande problema que enferma todos os cálculos e resultados que apresentam, tem a ver com a contínua negação da realidade. E essa condição é patológica - não tem cura. Nem sequer tem nome. Chamem-lhe desemprego homónimo ou uma imagem refractada pela distorção política.

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publicado às 20:06

Um dia de desemprego de cada vez

por John Wolf, em 03.11.13

Eu sei que é mais fácil falar do que fazer. Eu sei que é mais fácil imaginar o fogo real do que queimar as mãos. Eu sei que provavelmente produzo reflexões de barriga cheia, corpo meio-cheio que mesmo assim transborda de reclamações, amparado pelo conforto da relativa segurança. Mas prossigo com o meu intento de escrutinar o guião do desemprego. Tento, sem grande aval, reproduzir os passos dessa condição de agrafo. O simulacro da abstinência laboral não passará disso mesmo, de um exercício incompleto -  a ficção mais distante que próxima, da substância, um dia na vida de um dispensado. Se a depressão atrasa os movimentos e retarda o despertador como pilha falida, a fala que não sai, anula o gosto dos outros e do café. E as horas, essas que custam mais, agora passam mais vagarosas e ostentam outra tarifa - encarregam-se de arrastar o calendário para um outro temporal. A cara, salpicada pela neblina ranhosa da noite, já não carece da lavagem porque ninguém verá a rosada, a bochecha - a barba áspera tratará do resto. Camufla o mal-estar e uma parte da comichão, do bicho que tomou a floresta como sua lua. E a mãe brada do corredor que já são horas de levantar. O café já abriu para os rotos enquanto o pão chegou de véspera, fermentado pela dureza, agrafado pelo dente que sobreviveu à mordedura de uma sobra. O matutino que sobeja serve para a descasca da batata, mas ainda se vislumbra o craque da bola, o brilho dos olhos que condiz com o brinco, o resultado da taça. A fila que rodopia o quarteirão é totalmente dele. É dele. É ele que é ela que é ele que já foi ele - agora mero elo. Como linhas. Como linhas cruzadas ao almoço. Esparguete que se contorce como engodo de si - morde-se. E há tardes também habilitadas a idêntico desfecho, alinhadas debaixo de um sexto do quadrante, a parte da bússola que aponta para uma alvorada anunciada em sessões contínuas de desavindos com o engano. A luz está ao virar da esquina - dizem eles. A luz aprendeu a dobrar as curvas - garimpam eles. E a conversa faz parte do desmaio, da ocasião tornada obesa, dominante. Escuto apenas gargarejos de palavras, oiço a proveniência duvidosa, vejo as naturezas quase mortas de um juízo acertado, acartado às costas para aquecer a noite ferida que se avizinha. Mas ainda fala sobre a força para a derradeira bomba de ar - quer encher os pneus da pedaleira para rumar, sem assentar os pés em terra. Quase voar, quase voltar a ter razões que chegam, sobressalentes. O pedido do outro passa a ser religião. A encomenda para durar uma época apenas.  Mais tarde chegará outro desejo, aquele foi adiado pelo freio - o travão de emergência onde a mão se enforca, a mão anónima que puxa a alavanca e trava o eléctrico, e o que escapa por entre o dia é mais um não igual ao anterior, semelhante ao não que se segue. Como mandar recados na volta do correio.

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publicado às 21:14

Há aqui qualquer coisa que me escapa ó Álvaro...

por Pedro Quartin Graça, em 04.06.13

«Se queremos dar um futuro aos nossos jovens, se queremos dar futuro aos nossos filhos, se queremos que o sector da saúde tenha um futuro cada vez mais promissor, é fundamental conseguirmos fazer com que os nossos filhos fiquem em Portugal, que os nossos jovens altamente qualificados fiquem em Portugal»


Álvaro Santos Pereira, citado pela Lusa

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publicado às 18:44

Da destruição do país

por Samuel de Paiva Pires, em 09.05.13

17,7 % de desempregados, fora os que não fazem parte das estatísticas oficiais. Acrescente-se a emigração em massa que se tem verificado de há uns anos a esta parte. Citando Vitor Gaspar, "é muito bonito".

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publicado às 15:15

O sétimo dia da Troika

por John Wolf, em 15.03.13

 

Uma vez que Portugal foi virado ao avesso, facilmente entendemos que o Governo de Portugal continue a empregar uma linguagem mais próxima do eufemismo laboral. Desse modo, qualquer dia deixam cair a expressão desemprego e a respectiva taxa, para sublinhar a excelência do nível de emprego que agora deve rondar os 75%. Por essa lógica de suavização conveniente, o défice orçamental de 5% é na realidade um superavit de 95%. Um superavit de uma entidade díficil de explicar. E aí por diante. Mas a questão é que a dada altura, o prego se vira, e a contínua utilização de figuras de estilo já não consegue tapar o sol com a peneira, a penúria dos Portugueses. A grande virtude das ciências exactas é assumirem a sua residência no território da incerteza, trata-se de uma volatilidade positivista que esclarece e determina a obrigatoriedade de começar de novo. Os números, por não mentirem, obrigam os experimentalistas a voltar à estaca zero e rasgar as premissas iniciais. Contudo, os governos não se regem por essa honestidade académica, mas também não há retórica política ou artimanha demagógica que possa alterar a dimensão quântica da desgraça. A partir de certo patamar, registamos sintomas de irreversibildade, que sondagens e estatísticas não conseguem desfazer. Encontramo-nos sem dúvida com a cabeça metida nesse vórtice. Não é o tal abismo, o beiral de um precipício que foi tão publicitado como o mal maior. O que está a acontecer é um modo continuum, que se desloca como uma bola de nervos que esmaga e que irá crucificar as pessoas, independentemente do sétimo dia ou de uma sétima avaliação. 

 

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publicado às 15:57

A propósito da 7.ª avaliação da troika

por Samuel de Paiva Pires, em 15.03.13

Apetece-me relembrar dois posts do Dragão. O primeiro, Para que conste - I:

 

«Estado e Finança são inseparáveis. Entretecem-se e reforçam-se. Afinal, sempre foi preciso financiamento para exércitos e obras públicas. Só que como o Estado em relação à Nação, também a Finança começa por servir o Estado e acaba a servir-se dele. Por outras palavras, assim como a Nação desenvolve um Estado, o Estado desenvolve uma Finança. À medida que se hipertrofia o Estado, hipertrofia-se ainda mais a Finança. Necrose com necrose se paga. Quanto mais o Estado devora a Nação, mais a Finança digere o Estado. De modo que a sujeição nanificante (e nadificante) da nação a um estado descomunal agrava-se pela subserviência deste a uma Finança desorbitada e exorbitante. E tanto assim é, e tem sucedido, que podemos hoje em dia testemunhar o nosso próprio Portugal a ser estrangulado por um Estado que a Finança traz pela trela.»


E o segundo, Os otários que paguem a crise. É para isso que eles existem:


«Entretanto, o país de regresso à sua penúria tradicional, do ponto de vista dos ricos e seus acólitos, é positivo: quer dizer que o país, de volta ao terceiro mundo e à realidade, está a transformar-se num país mais competitivo, com mão de obra mais barata e menos esquisita. Para os pobres, os verdadeiros, também não faz grande diferença: abaixo de pobres não passam, e já estão habituados. Concentram-se no futebol, na pinga e lá vão. Os únicos que, de facto, têm motivos para se preocupar seriamente são aquela classe heteróclita e intermediária – daqueles que vivem digladiados entre a angústia de regredirem a pobres e a ilusão de, num golpe de asa, ou por qualquer súbita lotaria do destino, ascenderem a ricos. Esses, temo-o bem, vão ter que sacrificar-se, mais uma vez, pela competitividade do país. É, aliás, urgente que desçam do seu pedestal provisório e se compenetrem dos seus deveres atávicos. São para isso, de resto, que, cíclica e vaporosamente, são criados.

E dado que os pobres não pagam porque não têm com quê, e os ricos também não, por inerência de função e prerrogativa sistémica, resta-lhes a eles, os tais intermédios (ou otários, se preferirem), como lhes compete, chegarem-se à frente. Está na hora de devolverem a sua "riqueza emprestada", o seu "estatuto a prazo"; de se apearem do troleibus da ficção e retomarem o seu lugarzinho na horda chã, em fila de espera para o próximo transporte até à crise seguinte.
Não sei se campeia a justiça neste mundo. Duvido. Mas que reina uma certa ironia, disso não restam dúvidas.»

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publicado às 13:21

Desastre total!

por Pedro Quartin Graça, em 15.03.13

É o mais completo falhanço. Não há um número que bata certo. Uma previsão que tenha sido cumprida. Uma meta que seja atingida. A conferência de imprensa do ministro das Finanças Gaspar e do seu adjunto Moedas foi um misto de tragédia com  comédia. Mas ambas de muito mau gosto. Mandaria a ética política, conceito este totalmente desconhecido neste Governo, que, após o "número", Passos e Gaspar se dirigissem a Belém "com as cordas ao pescoço" e, aí chegados, pusessem fim aquilo que nunca devia ter começado: o mandato de um Governo incompetente, preguiçoso, laxista, impreparado e anti-patriótico. Nada disso se passou, porém. Passos e Gaspar continuarão a brincar aos números, incapazes que são de ter uma ideia que seja de como resolver o problema que criaram com as suas medidas destruidoras da sociedade lusa. O "1 milhão de desempregados" será a única condecoração que ostentarão, sem qualquer glória, até ao fim dos seus dias. Para mal dos Portugueses. Pobre Portugal.

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publicado às 11:46

Sim, lixe-se tudo. Tudinho. Everything. Tudo o que rola e tropeça. Os coreógrafos dos indignados querem mandar a troika às malvas. E, depois? O que se segue? Estatização da economia? Economia privada abafada a 100% pela carga fiscal de um Estado supostamente benemérito? Empregos vitalícios, com direito a 5 horas de descanso? Ok, vá, provavelmente estou a exagerar, mas o retrato que fiz acima é o essencial da proposta "indignada". Como disse numa posta recente, "o povo português está farto, cansado e exausto do rapanço das elites do costume". O problema é que com propostas destas não sairemos do buraco presente. O que se exige é um pouco mais de imaginação. Não custa nada. Mas para que isso se efective é necessária uma sociedade civil minimamente decente. Sim, certo, já estou a imaginar o vosso bruaá encolerizado. Ela, a dita sociedade civil, não existe, e, por este andar, nem no dia de São Nunca à tarde ressurgirá das cinzas da passividade. Entretanto, os amiguinhos indignados continuarão a cantarolar a Grândola e a bebericar uma bela cervejola, sonhando com os impossíveis amanhãs cantantes, enquanto o desemprego dispara para níveis somalianos. Belo retrato, sim senhor.

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publicado às 22:17

Conhece estas estatísticas Dr. Álvaro?

por Pedro Quartin Graça, em 04.02.13

Ofertas de Emprego:

998

Candidatos:
667104 

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publicado às 09:51

"Sucesso total" nas previsões de Vítor Gaspar

por Pedro Quartin Graça, em 03.02.13

Em Dezembro de 2012 já estava ultrapassada a taxa de desemprego prevista pelo Governo para 2013 (16,4 por cento). Não é preciso dizer mais nada.

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publicado às 11:11

A preguiça dos muitos

por João Pinto Bastos, em 07.01.13

Se Paul Lafargue fosse vivo pensaria duas vezes antes de escrever o célebre panfleto "O direito à preguiça". Hoje, na era das troikas, dívidas e calotes, a preguiça deixou de ser um desígnio para tornar-se numa imposição insuportável. Uma obrigação exigida pelos poderosos aos pobres de alma e pecúlio. Desocupados e desempregados, sem alegria nem propriedade, os pobres pé-rapados, os descamisados de hoje e de amanhã são e serão os grandes preguiçosos da Humanidade desumanizada. Lafargue provavelmente sorriria com a ironia desta estória, com a preguiça esparramada em conjunto com a miséria inapelável, no entanto, e como a vida não é feita só de ironias, o sofrimento que perpassa muitos estamentos sociais das nossas sociedades opulentas e anafadas é uma lição que nós, os que sabemos e verberamos este estado de coisas, jamais poderemos desprezar. O fim da felicidade aparente de alguns é sempre o começo do desespero de outros. Cuidado, nada é eterno, muito menos a paz dos sepulcros.

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publicado às 18:01






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