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Não discutimos a pátria (nem o futebol)

por Nuno Resende, em 19.05.15

«Não se discute Deus e a sua virtude; não se discute a Pátria e a Nação» - disse António de Oliveira Salazar. Talvez não tenha acrescentado o futebol, por pudor. Acrescentemo-lo agora a propósito das recentes comemorações benfiquistas.

O futebol é uma prática desportiva. Até aqui tudo bem. O desporto é uma característica que distingue a humanidade da sua biologia animal: hoje o Homem já não precisa de caçar para alimentar-se, nutrir-se e manter-se em forma para evitar ser caçado. Apesar disso no presente o Homem pode existir sem que isso implique mover-se.

Mas o futebol, ao contrário de muitas outras práticas desportivas, saiu, há muito tempo, fora das quatro linhas, tornando-se um espectáculo de massas, consubstanciado com o recurso a um vasto conjunto de artifícios, em grande parte motivados pelo luxo, pelos excessos e pelo desejo de poder – coisas que o comum dos mortais deseja como as pegas desejam os objectos brilhantes e que topam no seu longínquo voo.

O futebol não é, por isso, apenas, uma prática desportiva. A sua organização em equipas torna os seus fãs ou adeptos em milícias que visam enaltecer, proteger e defender (se preciso até à morte) uma pequena oligarquia de jogadores que vive acima das possibilidades do comum dos humanos. Mesmo nas equipas menos bem pagas, o clubismo transforma-se numa expressão longínqua da antiga vida em tribo. Sem necessidade de alianças para caçar e defender-se das grandes presas pré-históricas o Homem moderno usa o futebol como forma de catarse e exercícios de violência mantendo assim os níveis de epinefrina capazes de aguentarem a sua virilidade em pé.

Claramente difundido em algumas sociedades ocidentais (sub ou sobredesenvolvidas – o índice de desenvolvimento económico não é para aqui chamado como muitos argumentam) o futebol constitui, assim, a mais clara expressão de um comportamento hominídeo primitivo que articula a expressão violenta da subsistência com a sustentação de uma rivalidade inter geracional e rácica.

Toda esta conversa pseudo-sociológica e intelectual serve para resumir que há décadas que o futebol significa, mais do desporto: significa dinheiro, violência e absoluto desrespeito pela convivência entre indivíduos. Que se faça de um momento de violência um discurso pró ou contra agressores ou agredidos, nem sequer é ridículo. É escusado.

Devia, isso sim, discutir-se o futebol, o seu papel educacional e pedagógico enquanto desporto. Isso e só. Tudo o resto tem contribuído para a transformação da sociedade numa enorme massa uniforme de unanimismos. De facto não há assunto, pelo menos em Portugal, tão consensual como o futebol. Nem a democracia é tão consensual quando se trata de defender a imagem de um futebolista ou de um treinador. E isso é preocupante. Talvez assim se justifique que da Esquerda à Direita, todos os políticos, quando entrevistados introduzam o tópico do futebol como uma expressão de clubismo ou amizade saudável.

Mas o que se tem visto ao longo do último século é tudo menos saudável: além de uma excessiva participação estadual nos grandes clubes, a comunicação social aproveita-se daquele desporto em detrimento de outros assuntos, bem mais prementes do ponto de vista cívico.

Enquanto o futebol for assunto tabu dificilmente avançaremos do grau civilizacional onde estamos e que conduzem às imagens degradantes que as televisões, jornais e redes sociais têm repetido ad nauseam.

É que violência não é só a física e corporal…

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publicado às 15:11

CML e o socialismo na gaveta (dos espanhóis)

por Manuel Sousa Dias, em 05.03.15

Depois de muitos anos fechada, eis que a nova Piscina dos Olivais reabriu ao público. A notícia, tal como tem vindo a ser transmitida na comunicação social – sempre a boa imprensa de António Costa!! -, parece muito boa mas, enquanto lisboeta, olivalense e antigo frequentador deste espaço ímpar nos Olivais, parece-me que o espaço ficou bem pior. 1000 vezes pior, para ser mais preciso.

 

O espaço reabriu através de uma concessão a uma empresa espanhola, que nele investiu 10 milhões de euros depois de ter encerrado desde o início do século.

 

Primeira critica: Socialismo na gaveta; este espaço, outrora um espaço municipal foi cedido a interesses privados. Os munícipes, ou utentes, passam a clientes. A concessão é de 35 anos. Sim, leu bem, 35!!

 

Segunda critica: desvirtuamento do projecto inicial, no qual eram valorizadas as actividades ao ar livre, por entre espaços verdes bem cuidados, como, aliás, é apanágio dos Olivais. Ar livre? Espaços verdes? Não. O mercado pede é actividades indoor.

 

Terceira crítica: Então e o espaço exterior, anteriormente constituído por jardins, campos de ténis, campos de jogos e mini-golf? Não. O mercado pediu um parque de estacionamento para 300 automóveis.

IMG_2741.JPG

 

 

Quarta critica: Em que se distingue este fitness club dos demais? Aparte o seu gigantismo, em nada. Mas como o povo gosta de coisas gigantes, aqui temos o Colombo dos fitness-clubs, com seis estúdios para aulas em grupo, uma sala de fitness, sala de máquinas, zona termal (piscinas, sauna, banho turco), padel e 300 lugares de estacionamento, claro.

 

Quinta critica: Projecto feito às três pancadas. Além das árvores arrancadas, relvados destruídos, campos de jogos abatidos, estacionamento XL, temos também a antiga bancada de 50 metros da piscina da anterior piscina olimpica virada para... a parede exterior das piscinas... Será projecto do Salgado?

 

IMG_2743.JPG

 

Sexta critica: Os munícipes, perdão, clientes, passam a pagar 39,90€ mensais por um livre trânsito. Segundo Jorge Máximo, Vereador do PS da Câmara Municipal de Lisboa, “vamos ver até que ponto temos legitimidade para interferir na regulação de preços”, como disse em entrevista recente ao Público.

 

Coisas positivas? Bem o preço é competitivo face a outros empreendimentos da mesma natureza, esqueça-se o facto (já agora, importante) que este era um espaço municipal que agora passou a ser um espaço comercial.

 

Que dizer então da Piscina do Campo Grande e da Piscina do Areeiro? Estão ambas a ser alvo de investimentos da mesma natureza, igualmente de investidores espanhóis, ficando ainda por apurar se vai ser sujeito a abate espaço do jardim do Campo Grande em favor de mais um gigante espaço de estacionamento. Referiu ainda Jorge Máximo que o valor de investimento do grupo espanhol na Piscina do Campo Grande ascende a 10 milhões de euros e que estão igualmente a ser feitos investimentos avultados na piscina do Areeiro com vista à apresentação do mesmo tipo de serviços. Todos estes investimentos privados proporcionaram à câmara de Lisboa abster-se de fazer investimentos de cerca de 21 milhões de euros, de acordo com o mesmo autarca.

 

Refira-se ainda que em termos de piscinas municipais as coisas não vão muito bem. A Piscina Municipal da Penha de França encontra-se encerrada desde 2011. A Piscina da Avenida de Ceuta, inaugurada por Santana Lopes, encontra-se encerrada desde 2008. As restantes encontram-se encerradas ou altamente condicionadas aos munícipes em regime livre depois das 18 horas em virtude de estarem concessionadas a clubes ou associações.

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publicado às 17:02

Mourinho Campeão!

por Carlos Santos, em 03.05.12

Quando Kasparov se treinava para ser campeão do mundo pela primeira vez tinha no  quarto a frase dos amigos: "E se não fores tu a bater Karpov, quem há-de ser?". Mourinho vive na mesma galáxia de campeões. Campeão em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha. Duas Champions em 8 anos, com 6 meias-finais! Há claramente um Special One. Que mostra a única maneira de os portugueses serem os melhores: com talento e muitíssimo estudo e trabalho. No meio de tanto chico espertismo e luso-saloíce, Mourinho é uma referência de quem não vive de subsídios mas de resultados. E luta por eles. Campeão, neste caso, com maiúscula. O futebol é uma metáfora do mercado: não premeia a performance artística, mas os resultados. E Mourinho vence!

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publicado às 11:30

Parabéns a Rui Silva e Sara Moreira!

por Samuel de Paiva Pires, em 09.03.09

 

(imagem picada daqui)

 

Há poucos desportos que me façam vibrar tanto como o futebol. Um deles é o atletismo. Por sorte assisti em directo à final dos 1500 metros masculinos nos europeus de pista coberta que decorrem em Turim, e qual o meu espanto quando vejo que Rui Silva estava em prova, naturalmente liderando. A dada altura parecia que os três espanhóis arrebatariam as medalhas, e foi com prazer que vi em directo Rui Silva aproveitar um erro destes e partir definitivamente para a conquista do ouro. Já hoje de manhã fiquei a saber pela televisão que Sara Moreira conquistou a prata nos 3000 metros. Fica talvez o indício ou o incentivo para que se recupere a tradição portuguesa da excelência em provas de fundo e meio-fundo. Parabéns a ambos e a Portugal!

 

 

(imagem picada daqui)

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publicado às 09:00






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